Os inoxidáveis

O jornalista Ricardo Costa, da SIC-Notícias, ouvido hoje, no Jornal da Noite, na SIC, produziu algumas pérolas informativas acerca do relacionamento entre jornalistas e governantes executivos.
Assumiu com toda a tranquilidade de um treinador de notícias, que “os telefonemas do primeiro-ministro, de um ministro ou de um assessor do governo, são coisas absolutamente normais nesta actividade”
Hummm…”absolutamente normais”?
Aqui há dias, citei um artigo da Vanity Fair americana, assinado por Michael Wolff, no qual se assumia também que a diferença entre Republicanos e Democratas, no relacionamento media-administração, residia na circunstância de aqueles telefonarem mais vezes e responderem imediatamente aos telefonemas dos jornalistas. Os Democratas, supostamente inconfortáveis no papel de spinners, seriam mais discretos e aparentemente mais ineficazes, também. O zelo neoconista, para convencer cépticos dos media, originava um spin infernal, cuja última vítima conhecida acabou por ser um indivíduo de apelido “lambreta”, por causa de um perjúrio para proteger superiores. Lewis "Scooter" Libby, arrisca-se a apanhar 30 anos de cadeia, se não for entretanto perdoado pelo presidente.
Aqui em Portugal, ao que parece e Ricardo Costa corrobora, o modelo socialista é também o dos spinners neoconistas , numa saborosa discrepância em relação aos burrinhos americanos que apesar de tudo, preferem levá-los à água, do que andar a dá-la pela barba.

Ricardo Costa, um inoxidável das notícias televisivas, impressionante no seu discurso de licenciado de redacção, afiança os desconfiados que “ mal seria que nós nos deixássemos influenciar…”, só para avisar do verdadeiro perigo que “vem da legislação que os governos aprovam” que condiciona o estatuto e a carreira dos jornalistas que assim se vêem apertados entre um muro e uma parede e cedem à tentação da censura interior.
Mas…isso é para os outros, entenda-se. “A SIC e a SIC- Notícias, são absolutamente incontroláveis, evidentemente”, assegurou.

Evidentemente”. Que ideia! Basta lembrarmo-nos da informação a propósito do processo Casa Pia, para termos a certeza da inoxidabilidade da informação SIC. Nas notícias ou nos programas.

Publicado por josé 22:08:00  

8 Comments:

  1. naoseiquenome usar said...
    O CM diz-nos que o assessor em causa era (é) aluno da independente...
    o-espectro said...
    Meu caro: Os Republicaos são um gang. Os democratas um clube de pensadores livres. Leu a peça sobre o guru de Barack Obama no Magazine do NY Times? Cuidado com as facilidades, convenhamos. Niet
    Arrebenta said...
    Participem na não-falsificação das habilitações do Sócrates na "Wikipédia"!...

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Discuss%C3%A3o:Jos%C3%A9_S%C3%B3crates

    Participem na discussão para a não-eliminação da entrada "Fernanda Câncio" na "Wikipédia"!...

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:P%C3%A1ginas_para_eliminar/Fernanda_C%C3%A2ncio
    josé said...
    E que tal então fazer o paralelo entre a "gangada"?

    É que os métodos são muito parecidos...

    Sobre o Barak, ainda é cedo.
    Arid Monk said...
    "(...)o modelo socialista é também o dos spinners neoconistas , numa saborosa discrepância em relação aos burrinhos americanos que apesar de tudo, preferem levá-los à água, do que andar a dá-la pela barba"

    Que frase magnífica. Com alusões inteligentes e uns twists subtis.

    E no fundo resume todo o problema que os políticos têm com a imprensa. É tal e qual o que dizia o outro: "Antes quero asno que me leve, que cavalo que me derrube"...
    zazie said...
    O José consegue imagens deliciosas. Essa comparação está genial
    o-espectro said...
    Os republicanos-bushistas, os campeões das desigualdades, foram ontem desmascarados mais uma vez por Paul Krugman. O Ricardo Costa nem para paquete do Times...Enfim, o sistema político português vive de preclaros arrivistas e de golpes mediáticos sem eira nem beira. Libby tem que ser perdoado, senão Cheney e quejandos terão que ser julgados, claro. As coisas são mesmo muito dificeis: e não dá para as reduzir ou " secar ".,como é evidente. Niet
    Nuno Nasoni said...
    Ainda me lembro das coberturas que R. Costa fazia dos congressos do PSD, em início de carreira.
    Entretinha-se a descrever frases de notáveis congressistas com simpáticos adjectivos, como "ridículo", ou parecidos. Mesmo sem saber que era irmão de A. Costa, achei logo que ia longe...

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