Observatório 2008 - Democratas já viraram



Se, até há cerca de um mês, era nítida a vantagem de McCain e Giuliani sobre qualquer opositor democrata, o cenário mudou completamente nas últimas semanas.

O clima de grande dinamismo que tem dominado o campo democrata, com a apresentação de várias (e fortes) candidaturas, deu um novo impulso à ideia de que, em Novembro de 2008, a mudança em Washington não será só de Presidente, mas também de cor política dominante na Casa Branca. Neste momento, Hillary e Obama vencem todos os duelos com republicanos, e John Edwards só perde para Rudy, por um ponto, batendo McCain e Romney, de forma clara.

É importante ressalvar que esta pode ser uma tendência ilusória: é que o momento é, de facto, dos democratas, com o factor Obama, a confirmação de Hillary, a expectativa por Al Gore e as promessas de Edwards, mas é mais do que provável que virá, para breve, a resposta republicana.

Enquanto o GOP (Grand Old Party) não reanima, importa analisar esta viragem a favor dos democratas. A estrela positiva de Barack Obama tem conseguido que o jovem e brilhante advogado negro some apoios: eles vêm de Hollywood (George Clooney, Steven Spielberg, Hale Berry...), do Capitólio, das mais diversas proveniências políticas, culturais e sociais dos EUA.

Edwards, o primeiro dos três da frente a avançar, tem somado pontos em sectores como os sindicatos e em organizações da sociedade civil que estão ávidas de apoiar Al Gore. Mas como o vice de Bill Clinton insiste em não se decidir, John Edwards começa a ser um forte candidato em capitalizar apoios de ambientalistas e de zonas mais à esquerda do Partido Democrático, ao contrário do que aconteceu em 2004, altura em que, nas primárias, o então senador pela Carolina do Norte se posicionou demasiado ao centro, perdendo os votos à sua esquerda para Howard Dean e mesmo John Kerry.


Mas a bola voltou a estar do lado de Hillary Clinton. Depois de um certo impasse, perante o avanço galopante de Barack Obama, a senadora por Nova Iorque voltou a destacar-se como front-runner e aproveitou o fôlego para ultrapassar, de forma clara, tanto John McCain como Rudy Giuliani, na projecção do duelo nacional.

Vejamos, então, os números mais recentes:

DEMOCRATAS

TIME
— Hillary 41
— Obama 23
— Edwards 13
— Gore 10

CNN
-- Hillary 35
-- Obama 20
-- Edwards 17
-- Gore 10


TIME
Hillary «vs» Obama: 55-32


RASMUSSEN
-- Hillary 33
-- Obama 19
-- Edwards 10
-- Al Gore 8

MÉDIA DE TODAS AS SONDAGENS FEITAS ATÉ AGORA:
1.ª Hillary Clinton 34,6
2.º Barack Obama 17,6
3.º John Edwards 12,6
4.º Al Gore 10,6


REPUBLICANOS

TIME
-- Giuliani 30
-- McCain 26
-- Gingrich 14
-- Romney 5

NEWSWEEK
Giuliani «vs» McCain: 48-44
Giuliani «vs» Romney: 72-17
McCain «vs» Romney: 69-19


MÉDIA DE TODAS AS SONDAGENS:
1.º Rudy Giuliani 28,8
2.º John McCain 25,4
3.º Newt Gingrich 10,0
4.º Mitt Romney 6,8


DUELOS NACIONAIS:

NEWSWEEK
- Hillary/McCain, 50-44
- Obama/McCain, 48-42
- Edwards/McCain, 48-44
- Hillary/Giuliani, 49-46
- Obama/Giuliani, 47-44
- Giuliani/Edwards, 47-46
- Hillary/Romney, 56-37
- Obama/Romney, 56-30
- Edwards/Romney, 60-26

Em Fevereiro, poderá ler na Grande Loja as biografias de John Edwards, Hillary Clinton e John McCain.

Publicado por André 23:48:00  

2 Comments:

  1. José Gomes André said...
    Pessoalmente, gostaria de ver Obama na Presidência. Hillary parece-me um produto essencialmente mediático, além de que poderá transformar esta eleição numa questão pessoal. E tenho as minhas dúvidas da sua implementação eleitoral no sul, especialmente se o adversário for McCain.

    De qualquer modo, a presença de McCain ou Giuliani no ticket presidencial republicano, só por si, já me deixa dormir descansado. São dois grandes políticos, moderados, inteligentes, capazes de dialogar mais à esquerda. Compare-se com Bush/Cheney...

    Bem Pelo Contrário
    o-espectro said...
    Que belíssimo blogue. Leio-o cada vez mais, eu que escrevo noutro. E depois há aquele penta-grupo dos Cinco Dias, que dá a impressao que fazem muito amor e estãa sempre a ler os livros decisivos...O JPP deve estar varado: a sua clausura tornou-lhe o Abrupto num caco velho. Niet

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