Corações ao alto!

Do editorial do D.N. , Eduardo Dâmaso:

Com a nomeação de Maria José Morgado é criado um facto novo. Esta procuradora vai ter plenos poderes, vai ter uma equipa própria e escolhida por si, estará instalada no edifício da Procuradoria-Geral da República, não lhe será meramente oferecido um passe de transportes como aconteceu ao procurador de Gondomar, e tem um perfil de elevada densidade. A fasquia das expectativas quanto a resultados é colocada muito alto e as dificuldades são imensas. Desde logo, uma eventual consideração da inconstitucionalidade do diploma que pune a corrupção desportiva no processo de Gondomar terá certamente um efeito de dominó sobre todos os outros. Depois, há o problema de as escutas telefónicas poderem ser consideradas ilegais e, por fim, o muito tempo já perdido também não ajuda nada. No entanto, uma coisa é certa: se os resultados obtidos por Maria José Morgado forem acima da medíocre, ou mesmo inexistente, média nacional no combate à corrupção desportiva, muita coisa pode ser diferente daqui para a frente. É que aqui temos um caso de nomeação de uma procuradora especial, dentro do quadro vigente de processo penal e respeitando o estatuto do Ministério Público. Se resultar, muito terá a justiça portuguesa a aprender com a lição.

Do Público de hoje, a própria Maria José Morgado:

"Precisamos que acreditem em nós, Ministério Público, na polícia e nos tribunais. Por isso, a hora é de trabalhar e não de falar".

Vamos a ver, como diria o cego? Se a investigação repescar as provas obtidas através das escutas, pode acontecer que tudo fique em águas de bacalhau. Se se insistir na investigação de crimes de simples ( assim como quem diz) corrupção desportiva, idem.
A alternativa e a esperança reside na investigação da autêntica corrupção. E MJM sabe muito bem qual é...como aliás toda a gente sabe, mas faz de conta que não sabe.
Terá a coragem suficiente? Terá os meios suficientes? Terá o ambiente propício, agora que se debate publicamente o tema alargado da "corrupção" em sentido abastracto?
Se assim for, vamos a ver, como diria um optimista.

Publicado por josé 11:49:00  

9 Comments:

  1. zazie said...
    Suponho que ela vai tentar tudo, ainda que no caso do Pedroso tenha estranhado a posição "pessoal".
    josé said...
    Não é de estranhar, essa tal posição.
    A luta política deixa muitas marcas e uma delas é a incapacidade em entender que na política o que parece, é.
    Logo, quem é apanhado nessa engrenagem, deveria afastar-se. De vez.
    Mas essa ética não faz escola, por cá. Antes pelo contrário.
    zazie said...
    Pois... não sei. Esse exemplo desagradou-me, ainda que me pareça que tenha vindo mais do Saldanha que dela.

    Não estou a ver a Mizé a mudar assim tanto. No caso Melancia foi combativa e deu o máximo.
    zazie said...
    Para dizer a verdade, quase que já está no lugar dos últimos em que eu depositaria confiança. Tendo em conta uma outra desilusão mais recente que o José também sabe qual é.

    Mas a Mizé, a comprometer-se partidariamente, agora, não faria sentido. E espero sinceramente que nunca faça.
    ferreira said...
    O inquérito promovido pelos ilustres colegas da Srª Drª Morgado foi mal conduzido?!! São incompetentes?!! Desta feita é que vai ser?
    Férias do Natal?
    Qual a magia que a Srª Drª Morgado tem que os outros não têm?
    Assur said...
    Falta saber a opinião do outro lado,. Imagine-se que eles não querem ser investigados ...
    ricardo batista said...
    "Logo, quem é apanhado nessa engrenagem, deveria afastar-se. De vez."

    Por mim pode voltar à vontade que confio na sua inocência.
    Arrebenta said...
    Estive hoje a jantar, pela primeira vez, desde que foi empossada no "Apito Dourado", com Maria José Morgado.

    Toda a gente sabe que eu odeio jantaradas com seguranças à volta, mas hoje em dia não se pode ir a um restaurante decente, sem levar guarda-costas.

    Fomos ao "Cunha", ali, na Av. de Paris, comer lampreia, à Moda do Minho, e , a meia das tostas veio para cima da mesa uma grande ausente neste processo, e uma mulher, que, de certeza está a sofrer muito: Maria Elisa Domingues.

    Maria Elisa Domingues é a mulher dos 3 SSS, sensível, sensata e segura. Nunca deu um passo em falso, e, quer eu, quer Maria José Morgado, sabemos que ela nutre um verdadeiro amor por Pinto da Costa, sabe reconhecer nele a sensibilidade quase feminina, o bom gosto, a elegância no trato, mesmo, a veia poética, coisa que muita gente desconhece, mas que Maria Elisa foi das primeiras a descobrir. Atrever-me-ia mesmo a dizer que ela se apaixonou primeiro pelo Poeta, e só depois pelo Homem, ao contrário de Carolina Salgado, que, ainda agarrada ao varão das luzes estroboscópicas vermelhas, reconheceu logo o garanhão que lhe estava a entrar pela casa dentro.
    De acordo com algumas das escutas do "Envelope 9" -- disse-me Maria José Morgado -- Maria Elisa Domingues teria levado para Londres um pequeno cofre, com manuscritos poéticos de Pinto da Costa. Até terá dito que aquilo era uma segunda arca pessoana, e que havia ali muito de Novalis, da elegância de Duparc, e pouco daquele trato de escarro e pão com chouriço, que se costuma associar ao vice-rei do Norte.
    Quis a injustiça das coisas que esses inéditos não fossem dados ao prelo em Londres, e que Maria Elisa, amargurada, escorraçada do seu posto diplomático, viesse agora descobrir o odioso de ter andado apaixonada por um homem duvidoso, ela, que pensava que ele era sério, casado e pai de filhos, e , afinal, descobria que ele mantinha uma relação paralela, com uma porca da noite.
    Eu estou do lado da sensibilidade feminina de Maria Elisa. Eu e Maria José Morgado. Ela sabe que tem agora dois ombros onde carpir a sua dor.

    Quanto a Pinto da Costa, e chegámos a isto já na hora da sobremesa, Mousse de Maracujá, ambos identificámos aquela faceta estranha, tão alheia a um poeta do séc. XXI, a estranha e injustificável tendência para só se conseguir aproximar de mulheres de mau porte.
    zazie said...
    aahahhaha este final da brincadeira do Arrebenta est'a uma delicia

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