uma questão de etiqueta

Eu até nem acho mal, em tese, que Portugal envie tropas para o Libano, acho é que, coplocadas as coisas no seu contexto, no seu devido lugar, e sobretudo na sua devida dimensão, se calhar há outros 'teatros de operações' onde a presença portuguesa é bem mais óbvia, natural e justificável. Portugal, por muito que custe já não é uma superpotência (de há uns séculos para cá) e a NATO, a UE (a UEO passou de moda) ou a ONU, não podem servir de desculpa para tudo, pelo que há outros com maiores responsabilidades (até no que tem acontecido), e bem mais liquidez, que bem podiam 'ir' na nossa (?) vez. Infelizmente, o Libano vai ser usado mais uma vez como pretexto para realçar a necessidade de 'modernização' das nossas Forças Armadas e para justificar gastos tão loucos e megalómanos como os dos submarinos (que custaram balúrdios, para pouco ou nada servem, e que obviamente não vão para o Libano). Por uma vez, espera-se - contudo - que não seja preciso andar a comprar o que quer que seja à última da hora...


Para rematar, é verdadeiramente penoso ver a figura triste de Anibal Cavaco Silva, Presidente da República, e que neste mandato já fez de Eanes, de Soares, de Sampaio, mas que ainda não vimos fazer de sí próprio, anda a fazer por estes dias. Com que então, primeiro era preciso pensar muito bem, e ter muita cautela, e agora, nas vésperas da reúnião extraordinária do Conselho Superior de Defesa Nacional, onde será discutido o envio de militares portugueses para o Líbano, que ele próprio convocou, vem dar o envio por natural, garantido e consumado ? Então a reunião do Conselho Superior de Defesa Nacional vai servir para quê ? Chá e bolinhos ?

A questão (já) nem sequer é política, é de etiqueta tão só.

Publicado por Manuel 10:23:00  

4 Comments:

  1. rb said...
    E quais são esses outros locais onde a nossa presença militar se mais justificava?

    O argumento de que há outros com mais "responsabilidade" e "liquidez" que deviam participar e lá não estão, quanto a mim, não colhe.
    Primeiro, porque esses já sabemos de ante-mão que não vão mexer uma palha neste conflito, que não seja no sentido de apoiar a ofensiva israelita. Segundo porque é uma oportunidade única e talvez derradeira da UE se afirmar no xadrez da política internacional. Portugal, como país membro da UE não deve alhear-se dessa oportunidade. Terceiro porque é frágil o argumento da nossa pequenez, pois, se ela é um facto inelutável, não impede de assumirmos a nossa quota de responsabilidade, na medida das nossas parcas possibilidades. Não nos podemos lembrar de S.ta Bárbara só quando troveja ...
    Bart Simpson said...
    De acordo caro Manuel. Já agora, tomei a liberdade de linkar este seu texto, se não se incomoda.

    Já agora, porque as forças não se deslocam para Darfur quando existir luz verde?
    Inês said...
    ««verdadeiramente penoso ver a figura triste de Anibal Cavaco Silva, Presidente da República, e que neste mandato já fez de Eanes, de Soares, de Sampaio»»

    A melhor descrição que li até hoje.
    Parabens.
    e-konoklasta said...
    Tudo isto é o resultado de jogadas no xadrês da política internacional. Mas até acho bem que se vislumbre uma certa unidade e coerência na política internacional da União Europeia.
    Cavaco virou... até nem é mau sinal, porque haveria ele de alinhar-se, sempre, do outro lado ?
    E os submarinos que os ponham nos cofres do Banco de Portugal, talvez ainda venham a servir de moeda de troca para outras coisas mais úteis... O ouro que ainda lá está serviria muito melhor para políticas que deveriam ser mais urgentes... Urgências, por cá, não faltam!

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