"Qual é a câmara qual é ela?"

É de leitura obrigatória a crónica escrita por António Vilarigues no Público de hoje. Enquanto o País se entretém a discutir uns quantos serviços públicos a mais ou a menos, há um sinistro e intocável mundo selvagem ainda por descobrir: o do (dito) poder local em Portugal.

Publicado por contra-baixo 18:07:00  

7 Comments:

  1. FORMIGA BARGANTE said...
    Só para reforçar o pedido de leitura deste artigo de António Vilarigues, uma pequena transcrição (assim não dá direito a processo, pois não?):

    "Tomada de posse do novo elenco.Gabinete do ex-presidente. Dossiers vazios. Computador com disco limpo de dados. Em cima da mesa uma pistola. Ao lado o carregador com as respectivas balas. Ao centro da secretária uma folha em branco e uma esferográfica".

    Vendam a sogra, penhorem o carro, libertem o canário, mas leiam o artigo, mesmo tendo que o pagar ao Público.
    Menino Mau said...
    será a camara comunista de setubal?ou a camara comunista da chamusca?bem prega frei tomás..mas no essencial ele tem razão..só que não olha para a sua própria casa..
    Illdependent said...
    Porque é que há-de dar um processo?
    Eu paguei a edição on-line e posso fazer o que me apetecer.

    Se eu comprar o jornal em papel não o posso emprestar a quem eu quiser?

    Ora ai vai:

    António Vilarigues



    estória que me contaram, que é mesmo história, comprova uma afirmação conhecida. Em política, e não só, a realidade é mil vezes mais criadora que a mais fantástica imaginação.
    Sente-se caro leitor, recoste-se, que vale a pena. O que se segue dava um excelente argumento para uma série televisiva, ou para um filme. E até se podia colocar a legenda "baseado em factos reais".
    Século XXI. Portugal continental. Concelho com pouco mais de 8500 habitantes. Em função dos resultados das eleições autárquicas de Outubro de 2005, mudou a gestão camarária.
    Tomada de posse do novo elenco. Gabinete do ex-presidente. Dossiers vazios. Computador com disco limpo de dados. Em cima da mesa uma pistola. Ao lado um carregador com as respectivas balas. Ao centro da secretária uma folha em branco e uma esferográfica.
    Poucos minutos passados toca o telefone. Ameaça de corte de energia por não pagamento das respectivas facturas. Porquê agora, interrogam os recém-eleitos. Não o fizemos antes para não perturbar o acto eleitoral - é a estranha resposta que chega do outro lado da linha. Encetam-se logo ali conversações.
    Espantado? Estupefacto? Não se levante. Tenha paciência mas a história ainda não acabou.
    Nos últimos 30 anos os habitantes do concelho têm tido muito que contar. Eis alguns factos conhecidos de todos os munícipes. E de todos os governos, diga-se, porque múltiplas vezes publicamente denunciados.
    A câmara promoveu a construção de instalações para uma escola profissional. Passado pouco tempo as mesmas passaram para uma fundação ligada ao presidente da edilidade. Não duvidamos de que tudo se processou na mais completa legalidade. Escusado será dizer que a dita escola está fechada, sem cursos e sem alunos.
    Dinheiros públicos deitados à rua? Qual é o problema? Pelos vistos nenhum, já que a situação é conhecida e mantém-se há vários anos.
    Sucessivos presidentes, certamente com o fruto das suas poupanças, ampliaram largamente o seu património imobiliário. No concelho e fora dele. Investigações parece que foram feitas. Mas nada se deve ter apurado...
    Reuniões de órgãos autárquicos houve em que a discussão terminou em vias de facto. Consequências? Uns quantos arranhões e pouco mais. Afinal, ninguém chamou a polícia e ficou tudo em família.
    De boca aberta? Incrédulo? Prepare-se que há mais, muito mais.
    O orçamento anual da autarquia é de cerca de oito milhões de euros. A dívida herdada ascende aos 22,5 milhões de euros. As obrigações financeiras de curto prazo totalizam os cinco milhões de euros.
    Como se resolve o problema? Quem vier a seguir que se desenrasque. Ou então que feche a porta.
    Em dezenas de anos, fruto de cumplicidades múltiplas, nasceu e criou-se um monstro autárquico. Câmara mais respectiva empresa municipal totalizam perto de 350 funcionários.
    Não se assuste que leu mesmo bem. Descanse que não tem nenhum problema de vista.
    A empresa municipal é detentora de um património, no mínimo, diversificado. Inclui um restaurante, centro coordenador de transportes, Museu do Agricultor, Centro Cultural, piscinas, um bar, jardim, edifício sede, Solar do Queijo e, imagine-se, uma loja em Lisboa num centro comercial do Chiado.
    E ainda há quem fale em falta de iniciativa do sector público! Quem paga tudo isto? Logo se vê.
    A câmara, por seu lado, possui um hotel de cinco estrelas, completamente remodelado a expensas dos munícipes. Só que está encerrado. De caminho foi concedendo a exploração de uma pedreira dentro da área de influência de instalações termais. Deve ser um novo tipo de tratamento médico ainda em fase experimental. Os ignorantes somos nós.
    Mas retomemos os acontecimentos da transferência de poder.
    Desde Outubro, a nova vereação já desactivou mais de sete centenas (!!!) de pontos de iluminação pública, considerados supérfluos. Ao que nos dizem, muitos limitavam-se a iluminar pinheiros. Deve ser calúnia. Afinal não tinha tudo sido aprovado, cumprindo os requisitos legais?
    Digam lá se ao pé desta realidade as telenovelas O Bem-Amado e O Salvador da Pátria (que em Portugal, por obra e graça de uma televisão obediente ao ministro da tutela de então de seu nome Marques Mendes, passou com o título de Sassá Mutema como recordou Vítor Dias nestas mesmas páginas) não ficam nitidamente a perder? É Portugal no seu pior!
    Diversas forças partidárias, que por pudor me escuso de enumerar, estiveram envolvidas neste verdadeiro regabofe. Pergunta-se: como foi possível? O que falhou? Onde andavam as inspecções, os ministérios, as direcções-gerais, o Ministério Público? Em suma, por que não funcionou a legalidade democrática?
    Estava à espera que eu revelasse o nome do concelho em questão? Desiluda-se. Lá se ia todo o suspense. E mandam as regras que, no final, se deixe espaço para a imaginação do leitor.
    "Qual é a câmara, qual é ela?" Respostas para anm_vilarigues@hotmail.com. Tem um mês, até ao próximo artigo... Consultor de sistemas de informação
    pcr said...
    Celorico da Beira... mas podia ser uma outra qq!
    Pedro Luna said...
    Este caso é pior do que o retratado no texto...

    A democracia sem órgãos fiscalizadores compoderes gera umas autarquias muito interessantes...!
    Paulo said...
    Ah, Ah, Ah !!!

    Corrupção autarquica em Portugal maior que a corrupção central !!!!

    Ah, Ah, Ah !!!!

    Comissões nos submarinos + corrupção advogados que assessoram privatizações maiores que o somatório de negociatas dos autarcas !!!!

    Ah, Ah, Ah !!!!

    Corrupção dos autarcas não vai para o saco azul dos governantes de Lisboa..

    Ah, Ah, Ah !!!!

    Os autarcas malandros consomem 90% do OGE enquanto que a administração central consome 10% !


    Ah, Ah, Ah !!!!
    Ah, Ah, Ah !!!!
    Ah, Ah, Ah !!!!
    Ah, Ah, Ah !!!!
    Paulo said...
    Correcção:

    Comissões nos submarinos + corrupção advogados que assessoram privatizações menores que o somatório de negociatas dos autarcas !!!!

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