Publicidade Institucional



Será o nome disto?

Publicado por irreflexoes 18:38:00  

4 Comments:

  1. maloud said...
    A Presidência da República acompanha o esforço titânico do governo e sofrido dos porugueses de controlo do deficit. Mas há custos inevitáveis. Ora o Presidente, que em campanha, apesar de ter falado pouco, deixou cair que tínhamos de ser mais criativos, dá o exemplo arranjando patrocínios. O primeiro, ao que se percebe foi da editora Temas e Debates, que deve, com certeza, pagar o vencimento do assessor cultural. A seguir virão o Eleven que gratuitamente fará o catering em cerimónias de Estado; o Augusto que vestirá graciosamente a primeira dama; o Rosa&Teixeira que aperaltará os cavalheiros; a Isabel Queiroz do Vale associada à Guerlain a tratarem do cabelo e da maquillage da Drª Maria; a D. Bobone a tratar do protocolo; a Air Luxor a proporcionar as viagens de Estado das centenas de pessoas obrigadas a deslocarem-se, quando o Presidente viaja e por aí adiante. Ora tudo isto poupa uma pipa de massa ao erário público, a troco de uma publicidade discreta no site da PR. Haverá algum português que discorde desta ideia genial? Eu apoio e aplaudo. Temos PR!
    Illdependent said...
    Cuidado com o Eleven a não ser que seja:

    Bebi sem querer o melhor vinho da minha vida, o Romanée-Conti Monopole de 1996. Inadvertidamente e em plena inconsciência bebi um vinho que, pela ordem natural das coisas, não seria provável beber sem ser convidado por algum amigo muito rico.
    Tinha provado recentemente o Montrachet Romanée-Conti. Um conjunto de circunstâncias especiais fez com que me decidisse a mandar abrir uma garrafa desse vinho no restaurante Eleven, uma garrafa de 1990, o preço do vinho na lista era 750 euros, preço exorbitante mas que não me arrependi de pagar, seria uma vez na vida. O vinho foi o melhor vinho branco que alguma vez me passou pela boca, a um dos meus convidados vieram-lhe as lágrimas aos olhos. No nariz dava vontade de o ficar a cheirar para sempre, e o cheiro ia mudando com os minutos, e não mudava para melhor, mudava para diferente e igualmente bom. Na boca era a mesma coisa, justificava dizer-se que o vinho é o néctar dos deuses, era um néctar dos deuses, e como no nariz ia mudando sempre, sempre para diferente, como se estivesse a beber vários vinhos excepcionais saídos da mesma garrafa. Enfim, uma experiência que nunca vamos esquecer.
    Em Fevereiro regressei ao tal restaurante Eleven, dizem que tem uma estrela do guia Michelin e tudo. O motivo era uma comemoração especial, a concretização de um projecto profissional. Convidei para jantar dois dos meus amigos mais intímos, também ligados ao tal projecto profissional, os dois grandes apreciadores de bom vinho. E a ideia era oferecer-lhes a experiência excepcional de provarem o Montrachet Romanée-Conti.
    Fomos atendidos por um jovem aprendiz de escanção, um jovem leviano, que não devia ser deixado à solta num restaurante que ambiciona manter a tal estrelinha do Michelin. O jovem leviano informou que o vinho tinha acabado, não havia mais, nem para amostra, nem nada que se lhe comparasse. Desilusão profunda, o projecto de excursão só tinha o fim de beber o Montrachet. Com a tristeza na alma comecei a folhear a lista dos vinhos e, de repente, na secção dos tinto franceses, salta-me aos olhos o Romanée-Conti. Preço : 760 euros, uma exorbitância, mas eu ia preparado para pagar 750 euros pelo Montrachet, não era uma diferença tão pequena que me faria mudar de ideias. Na lista constavam os anos de 90 e 91. Optei pelo de 90, eco do Montrachet.
    O jovem leviano, que depois se revelou incompetente e irresponsável, trouxe uma garrafa de 1996 e balbuciou algumas precisões inintelígiveis num francês incompreensível, e eu, a olhar para a garrafinha com uma expressão bovina, acenei três vezes a cabeça para cima e para baixo como o Hamlet. Veio o chefe do leviano e levianamente ajudou o leviano a abrir a garrafa. Abriram-na pelo método de cortar o gargalo a quente, e eu aí devia ter desconfiado de qualquer coisinha.
    Garrafa aberta, vinho nos copos e expressões como «é a primeira vez que estou a beber vinho na vida !». A descrição que posso fazer da coisa é que foi beber aos golinhos pequeninos para ver se nunca mais acabava. O retrato é igual ao que já fiz do Montrachet, mas em muito melhor. Uma delícia, um prazer sem igual.
    Tudo a correr pelo melhor, no melhor dos mundos. Mesmo se a certa altura tive de ser eu próprio a servir mais vinho aos meus convidados, porque o jovem leviano andava distraído sabe-se lá com o quê.
    E no fim veio a conta. E o vinho custava 2.800 euros e o jovem leviano não me avisou da ligeira diferença de preço, e levianamente o chefe do leviano também não referiu o pequeno detalhe, e o chefe de mesa do tal restaurante Eleven que tem uma estrela do Michelin e tudo, com alguma candura na voz, explicou-me que tinha perguntado ao jovem leviano se eu tinha consciência do preço da garrafinha, e o jovem leviano a responder levianamente que sim, e eu branco como a cal da parede e a abrir e a fechar a boca como um peixe. E os meus convidados a perguntarem se eu me estava a sentir bem, com medo que me desse alguma coisinha má.
    Dias mais tarde o meu amigo João Paulo Martins explicou-me que o Romanée-Conti tem subtilezas de terroir, traduzidas no tal balbuciar de algumas precisões inintelígiveis num francês incompreensível, que eu ignorava e que justificam diferenças notáveis de preço.
    Conclusão : um bom exemplo da irresponsabilidade e incompetência portuguesas. Porque é indesculpável, para não dizer pior, porque continuo a querer acreditar que se tratou de pura incompetência, deixar a cargo de um jovem leviano o serviço de vinhos de um restaurante que se pretende de alto nível.
    Segunda conclusão : um dos meus amigos avisou que ia tentar não urinar pelo menos durante três dias

    João Canijo

    Suplemento Fugas do Público
    maloud said...
    Pois é, em Portugal tudo é possível. Nós em França, nos restaurantes de estrelocas, quase sempre deixamos ao cuidado do escanção a escolha dos vinhos. Fazem sempre duas ou três propostas explicando-as e mostrando a carta, para se verificar o preço. Só nunca confiamos nos caça-japoneses e americanos.
    maloud said...
    Desculpem voltar, mas entretanto lembrei-me. Nós já jantámos em Espanha nos dois restaurantes do cozinheiro e sócio do Eleven, um em Moraira com 2 estrelas e outro em Ampudia, perto de Palencia, com uma estrela e com hotel e não vimos esse "assalto" ao cartão de crédito. Esta gente, quando atravessa a fronteira, julga que tudo é permitido?

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