sem pachorra

Se eu tivesse tempo, e pachorra, tinha escrito sobre um comentário (irresponsável e simplista) de Pacheco Pereira e sobre a sua deconstrução (eficaz mas a roçar - sem necessidade - o demagógico) por parte do João Morgado Fernandes. Se eu tivesse tempo tinha-me metido no fogo cruzado iniciado pelo Dr. Pacheco acerca da Atlântico e do dr. Portas, e que motivou acesas defesas da honra (do Paulo Pinto Mascarenhas e passando pela Constança Cunha e Sá). Naturalmente, Pacheco não tem razão. Não tem porque deixa que o pó pessoal que nutre pelo Dr. Portas lhe tolde o raciocínio. O problema da Atlântico, ao contrário do que perora o Dr. Pacheco, não é o de ser uma extensão do Dr. Portas, o problema da Atlântico é sofrer de uma deriva de 'classe'. A 'classe' que lá escreve, a 'classe' que a lê, e à qual se dirige com esta nova gerência (é de realçar que a antiga - Helena Matos - acabou no Blasfémias, o que diz muito...) , é a 'classe', o 'caldo', de onde proveio o Dr. Portas. Se isso em última análise benefícia Portas, em concreto, ou o aparecimento de outro como ele, com tudo o que isso implica é secundário. Portas é uma consequência, um efeito, nunca uma causa, e pachorra, também tinha escrito mais alguma coisa sobre o cartão do cidadão e sobre os monumentais disparates que dele tem dito algumas luminárias portuguesas, de Pulido Valente a Filomena Mónica (ontem na Pública). Se eu tivesse tempo, e pachorra, também teria explicado que a fronteira entre a defesa pura e simples da liberdade de expressão e a defesa, que à pala destam se faz de teses pura e simplesmente indefensáveis, é estreita, muito estreita. Se eu tivesse tempo, e pachorra, também teria perdido tempo a explicar que que não foi escândalo nenhum o que Ricardo Dias Felner assinou ontem no Público, ao contrário disto, isso sim um escândalo. Se eu tivesse tempo, e disposição, também teria dito que as (más, péssimas, infelizes) escolhas que Cavaco fez a sua equipa em Belém, da Casa Civil ao Conselho de Estado, eram absolutamente prevísiveis, desde há muito. Os que agora fingem indignação e espanto assobiaram para o ar perante os primeiros sinais na (pré-)campanha e calaram-se, quando era possivel ainda corrigir muita coisa. Então importava, só e apenas ganhar, e tudo era tolerável. Agora -pelos vistos - quando não há lugares para todos - já não é. A mim, a coisa não me incomoda particularmente, sempre disse que o drama do cavaquismo eram os cavaquistas e de mais a mais, um Cavaco só - rodeado de nulidades - é garante, quase absoluto, de renovação... à direita, mais dia, menos dia. Cavaco só é uma desilusão para aqueles, que do conforto das suas poltronas, o viam como a solução para todos os males. Voluntariamente ou não o certo é que desfez quaisquer ilusões. O retorno do cavaquismo será imperiosamente neo-descavacaionado. Pelo meio haverá folclore quanto baste omo a guerra sem quartel - já em curso - entre a rapaziada de Nunes Liberato e a de Fernando Lima... Também me falta tempo para falar sobre o Abramovitch lusitano, entretanto promovido a Conselheiro de Estado, Dias Loureiro. Falta-me tempo, e falta-me pachorra. Ontem, o Dr. Pulido Valente dizia que o mal de não haver oposição decente era o facto do Dr. Mendes não ter dinheiro para pagar a meia dúzia dúzia de luminárias para produzirem ideias decentes. A linha geral da prosa de Pulido Valente até estava com piada mas ele falha rigorosamente no essencial - o drama do Dr. Mendes e do país em geral é que já ninguém faz nada de borla, ou pelo menos sem pensar no seu próprio umbigo. Já não há românticos nem cruzados, apenas pequenos interesses e pequenas vaidades, associados a grandes egos. Pela parte que me toca, estou sem pachorra, até para falar daquela algazarrazita que vai pela França e que há-de cá chegar...

Publicado por Manuel 17:47:00  

1 Comment:

  1. gotika said...
    Já muito boa gente perdeu a paciência.

    até para falar daquela algazarrazita que vai pela França e que há-de cá chegar...

    Se chegar, é a prova de que não estamos todos mortos. Mas chegará?

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