gato por lebre
Quinta-feira, Março 23, 2006
Tenho estado a ver na RTP1, o programa de apresentação de um grupo de quatro “jovens” autores de sketches humorísticos, que a si mesmos entenderam dar-se um nome artístico, por referência a uma série de tv de desenhos animados. A personagem inspiradora chamar-se-ia “smelly cat” e foi daí, dessa fantástica fonte de inspiração que saiu o nome “Gato Fedorento”!!! Primeira desilusão: de uma série enlatada de tv, sai um nome arranhado para um grupo de quatro jovens com alguma lata.
Segundo os entrevistados que falam de si mesmos e de outros- muito poucos-, as referências culturais, visíveis e audíveis, parecem limitadas a uma modernidade que se reviravolta na tv, na playstation, no futebol e aparentemente em alguns livros.
Nota-se um certo brilhantismo nas ideias genéricas e piadéticas que aliás se notabilizavam já no blog colectivo com o mesmo nome.
Enfim, dou o benefício da dúvida, mas já começo a duvidar muito, porque os limites estão à vista.
Hoje mesmo, à tardinha, depois de ir buscar a minha filha pequena “à música”, no carro, liguei a Antena 2 que cada vez ouço com mais agrado. Na altura, passava um programa falado, o que também me agrada em relação ao antigo e sorumbático passajar de sinfonias em discos riscados, para eruditos esforçados.
No programa, ouvi uma entrevista a um rapazito que lhe foi perguntado o que gostaria de ouvir nessa altura . O modo como respondeu, articulando a sonoridade da pronúncia do nome da composição, em alemão, e a escolha esquisita do tema, espantou-me e alegrou-me: o rapaz disse ter dezassete anos e lembrei-me de repente que os músicos da Filarmónica Fraude, em 1968, também tinham essa idade, quando compuseram temas como "animais de estimação" que publicaram em discos ep´s.
E numa entrevista à revista Mundo da Canção, nº3 de Fevereiro de 1970, um deles, António Pinho que ainda anda por aí, dizia, acerca das suas influências:
"António Pinho - Os Beatles? Claro que há, as ligações são nítidas! Como ouvintes somos aqueles frenéticos pelos Beatles, logo é absolutamente natural que haja mesmo influências. Porém não copio os Beatles... como não copio Bela Bartok.
M.T.H. - Ouve Bela Bartok?
Luís Linhares - Oiço e digo-lhe até que teve grande importância nalgumas composições deste último disco.
M.T.H. - E você, Pinho, lê?
António Pinho - Eu? Olhe, para este nosso "long-play" fomos para Tomar,onde ficámos 8 dias a conversar e a ler. Depois, quando voltámos, era como se tivéssemos prontas as canções dentro de nós: quando queríamos, elas saíam livremente sem o menor esforço.
M.T.H. - E o que leram?
António Pinho - Oliveira Martins, Fernando Pessoa...
M.T.H. - Já leram Alexandre O'Neill?
António Pinho - Não. "
Não sei se o grupo do Gato Fedorento leu O´Neill. Provavelmente, sim. Mas, não sei bem porquê, acho que aquele rapazito que hoje falou na Antena2, já tem pouco a ver com os Fedorentos e muito mais a ver com os da Fraude...
Nota final: no link, o autor do texto sobre a Filarmónica Fraude, grupo musicalmente meteórico, do final dos sessenta escreve que o exemplar da revista mundo da canção que dispõe,não lhe permite transcrever o texto da pequena introdução, de Maria Teresa Horta.
A introdução é esta: " As nossas canções são de sátira, de crítica, retratos..." e a autora do texto escreve que o Pinho é o poeta; o Linhares, o músico, o compositor e "o caso mais sério da nossa música de hoje". Foi em Fevereiro de 1970!
Aditamento em 23.3.06 , à tardinha:
Como refere um ilustre comentador desconhecido que assina Nuno Castanheira, a expressão "smelly cat", não é uma personagem, mas uma canção, cantarolada por uma personagem de uma série - Friends- que nem é sequer um desenho animado...É muita asneira junta, para não ter que me penitenciar.
Assim, para tal, vou mudar o título ao postal. Em vez de "gato reumático", fica como fica. Com os agradecimentos a quem me corrigiu e que no entanto, me parece também que não entendeu todo o sentido do postal.
Publicado por josé 00:47:00
Evacue-se.
Será de propósito?
Ainda por cima, tomando a sua opinião sobre os 4 rapazes como referência... há aqui algo que o deveria assustar.
Fale do que (lhe dizem que) sabe...
Depois, a análise das "referências" dos rapazes. Parece que, num documentário sobre o seu programa de televisão, eles apresentaram referências da... televisão! Muito estranho, de facto. Estava à espera que, para escreverem sketches humorísticos, tivessem como referência a pintura flamenga do século XV...
O mais engraçado é que os mesmos fedorentos editaram o blog em livro, na Cotovia. Eu - que peço antecipadamente desculpa pelas minhas leituras -, por acaso, li o volume. E posso dizer que não li, em página alguma, uma frase do calibre de "No programa, ouvi uma entrevista a um rapazito que lhe foi perguntado o que gostaria de ouvir nessa altura". Não. Os gajos do Gato Fedorento podem não ser o Eça, mas escrevem correctamente. Já não é mau. Se calhar, se há geração que está perdida não é a deles...
"No programa, ouvi uma entrevista a um rapazito,que (em que ou na qual)lhe foi perguntado o que gostaria de ouvir nessa altura"
A frase não vai para livro. Lixo, em livrarias, já há que chegue.
Mas estas que se seguem,( já corrigidas na pontuação) também não...
´Realmente, a maçonaria e o Daniel Campelo parecem-me muito mais "fantasticamente inspiradores"...`
´A "fantástica fonte de inspiração" dos outros, é uma série de televisão`
´Parece que num documentário, sobre o seu programa de televisão, eles apresentaram referências da... televisão!`
´Estava à espera que para escreverem sketches humorísticos, tivessem como referência, a pintura flamenga do século XV...`
´Se calhar, se há geração que está perdida, não é a deles...`
O uso do pronome relativo "que" obriga-o sempre a um apoio em vírgulas?!
Fico à espera de respostas eruditas...que não muito.
Assim, caro Manuel Neves que tomou as dores de góis, pereira e quintela, tenho a dizer agora, um pouco mais instruído, que deveria tornar a ler o tomo em causa.
Pelo seguinte:
"É claro que, se os dirigentes do Bloco de Esquerda estivessem minimamente atentos
(...)
Não foi por acaso que, Santana Lopes dedicou os primeiros dias da campanha eleitoral
(...)
No novo referendo sobre o aborto que Louçã preconiza, seria justo que os cidadãos só pudessem votar, se fossem munidos do seu cartão de eleitor e de uma criança, que teriam de provar ser sua.
(...)
Ou seja, esperava-se que, a partir do confronto televisivo, a discussão política amainasse um pouco
(...)
Apesar de tudo, quando passava o genérico final, percebi que há algo que me tranquiliza bastante num confronto televisivo entre estas duas figuras políticas
(...)
Às vezes, penso que, se o Tribunal Constitucional fosse tragicamente atingido por um meteorito (violando assim o artigo 87º da Cosntituição), a maior parte da população nem daria por isso
(...)
Agora, só falta perceber porque é que, um dia depois, já fazia."
Cá por mim, acho mesmo que há um problema com os "ques", na escrita fedorenta relativa a um único dia!
Tal como no caso curioso do Manuel Neves. "O que será, que será?"
":O)))
"Lamentou que, em menos de três meses, o modelo do português dos bons tempos se baralhasse com os usos modernos e viciosos";
"Grande ambição é que, sendo o mar tão imenso, lhe não basta a um peixe tão pequeno todo o mar, e queira outro elemento mais largo";
"(...) consolava-se pensando que, apesar de tão desgraçados mimos, não faltavam ao rapaz qualidades".
São, respectivamente, de uns tais Camilo Castelo Branco, António Vieira e Eça de Queirós. Todas elas exibem um desgraçado "que" "apoiado" em vírgulas como um velho se apoia na bengala. Vergonha! Não estivessem todos três já mortos e enterrados e, após conversa com o José, poderiam ainda ir a tempo de emendar a mão. Agora é tarde. A Queda de um Anjo, o Sermão de Santo António aos Peixes e Os Maias vão permanecer desfigurados para sempre...
Não imagino de onde conheça a minha ignorância que assegura ser famosa em toda a blogosfera. Mas a si todos o conhecemos da tv
Quer ver o exemplo: está errado quando escreve: Às vezes, penso que, se o Tribunal Constitucional fosse tragicamente atingido por um meteorito... que se não leva virgula no meio.
Está correcto quando se escreve: Lamentou que, em menos de três meses, o modelo do português dos bons tempos se baralhasse com os usos modernos e viciosos";
Porque "em menos de três meses" é um aparte. A oração segue com "o modelo do português".
Se não existisse este aparte estava errado escrever: “lamentou que, o modelo do português...
Entendeu ou ainda vai ter descaramento para voltar cá. Se fosse mais inteligente tinha logo desandado sem dar muito nas vistas. Pelos vistos a vaidade é superior ao bom-senso.
Quanto à zazie, pensei que o facto de ser radicalmente analfabeta não deixava dúvidas. Afinal, não é assim. Passo, então, a explicar tudo com exemplos, que a pedagogia é muito importante. Só não faço um desenho porque esta caixinha não mo permite.
Há cerca de dois anos, a zazie deu um dos seus tristes espectáculos no BdEII. Vamos começar por este enlace, que é dos mais apetitosos (http://bde.weblog.com.pt/arquivo/009207.html). Diz a zazie, com o estilo, a elegância e a inteligência que a caracteriza:
"olha, Eu vim aquide boa fé e expliquei que era um amigo meu. Depois pediram-me para colocar disponibilizar o texto e eu, de boa fé, fiz copy paste e coloquei-o. Agora o senhor Luís, que só gosta de mandar postes objectivos em copy paste da BBC lembra-se de me citar no seu indelicado poste."
Há ali um "olha", a fazer de vocativo, que se dirige a um tu que nunca mais aparece nem sabemos quem possa ser. Há maiúsculas e minúsculas a atropelarem-se. Depois, há toda uma série de confusões, de "colocares disponibilizares", de vírgulas colocadas a esmo. Então a paladina da pontuação não sabe que a frase "o senhor Luís, que só gosta de mandar postes objectivos em copy paste da BBC lembra-se de me citar" tem de levar uma vírgula a seguir a "BBC"? Creio ser esta uma prova inequívoca de que a zazie é, também ela, o omnipresente Góis. Na verdade, a regra, ignorante zazie, não é "se pelo meio se interpuser uma expressão que até podia ficar entre parêntesis". O prof. Cintra, de acordo com aquilo que me lembro, não trabalhava com "até podias". Preferia dizer que a vírgula separa orações num período (se elas "até podiam" ou "até não podiam" estar entre parêntesis, o bom mestre sempre omitiu aos seus alunos). Mas não só. A vírgula também pode separar elementos da mesma oração - coisa que tanto a zazie como o josé, apesar de serem ambos dotadíssimos filólogos, parecem não perceber.
Mais maravilhas da zazie:
"e se não apagas o meu nome desta nojeira garanto-te que te cuspo na cara seja lá o que for preciso! percebes!"
Bonito. A insistência nas exclamações (mesmo quando fazia falta uma interrogação), a beleza da intenção (querer escarrar na cara de outra pessoa!...), tudo isto é espantoso - tanto em termos estilísticos como éticos.
Outra:
"O Luís Rainha o que fez, para sermos claros, foi pegar no texto que eu de boa fé até tinha copiado para eles lerem, linká-lo e sublinho linká-lo que agora já apagou esse pormenor, e aproveitar para chamar vendido a um amigo meu."
Que dizer daquele "linká-lo e sublinho linká-lo que agora já apagou esse pormenor"? Estará tudo bem em termos de pontuação? É uma pergunta que deixo para a zazie. Não escondo que é um prazer imenso debater vírgulas com uma académica deste gabarito. Por hoje, fico-me por estes exemplos. Mas o historial de analfabetismo blogosférico deste anti-Cristo da gramática dá para encher 20 compêndios.
Manuel Neves
P.S.: A propósito, zazie: a palavra "vírgula" leva um acento. "Virgula" é uma forma do verbo virgular. Sempre a aprender, não é?
E então, depois desta apresentação formal, vamos ao que interessa:
Cá por mim, não posso alardear sabedoria Cintrense, adquirida por modo infuso, em cursos acelerados semestralmente. Fiz o secundário e na quarta classe, não gostava de mostrar erros ortográficos na escrita. O que li, dicionarizei e compilei mentalmente, ao longo dos anos de diletância, permite-me agora argumentar e esgrimir razões que me foram ficando e que já me branquearam as têmporas. O exercício, agora, é lúdico e despretensioso.
V. vem defender o grupo dos quatro fedorentos, caucionando-lhes qualidade na escrita. Eu não a vejo, nesse modo garantido. Vejo-a mais hipotecada a um horizonte, onde predomina a chamada aurea mediocritas, bordejada por programas de tv, alguns filmes e leituras gerais e abstractas que dantes, na anterior geração, eram a norma e hoje são apenas uma fórmula de consumo rápido de citações.
Folgo, porém, em sabê-lo filólogo dessas citações. Das incestuosas; das decadentes e até das exortatórias!
E como pode bem ler, se para tanto lhe sobrar atenção, sou admirador dos cultores de semioses e outros pilriteiros do verbo. Para mim, quem descobre um significado novo e de relevo, para uma palavra velha, ascende ao estatuto de mestre. Quem manobra o arado da escrita, lavrando frases de tomo, merece um doce. De respeito. Quem me encanta com construções estratificadas em tropos, fica a morar na minha consideração.
Não é, porém, e ao que leio, o seu caso.
V. parece-me, antes, um modesto catador de frases avulsas, à procura do piolho daninho.
Sobra-lhe em estultícia o que lhe falta em bestunto.
Mas não se abespinhe com a retórica, pois também se me dá tal achaque, por vezes. E não costumo levar a mal que mo apontem.
Porém, se em vez de procurar apanhar gatos ortográficos, com o rabo de fora, passar a escrutinar a essência do que se escreve e diz, talvez apure o faro para caçadas mais profícuas.
E deixe de caucionar os fedorentos que o valor real, se existir, acabará por se impor.
Como não se trata de um caso de génios à solta, esperemos com alguma benevolência que se esforcem para nos fazer rir um pouco.
Quanto a isso, porém, deixo-lhe o convite para uma confissão: se viu o primeiro programa na tv, será capaz de dizer, aqui e para todos lerem, se alguma vez riu, durante o programa?! E se a resposta for negativa, sorriu, ao menos?
Eu sorri- de pena.
Percebo que lhe dê jeito tresler o que escrevi. Porém, não vai servir de nada nomear-me defensor de gatos quando, desde o início, tenho atacado mais do que defendido. Presumo, aliás, que seja isso que o maça. Há muitos anos que venho ouvindo suspiros de josés: “Ai, que fracas referências tem esta geração! Antigamente é que se lia e escrevia com beleza e estilo.” E eu, que por dever de ofício contacto tanto com os novos como com os velhos, ponho-me a cotejá-los e quase sempre descubro que, a haver vantagem, vai para os miúdos.
Não sei dizer-lhe se rio, sorrio ou me contorço com os gatos. Não vi. Estive a trabalhar, que também é preciso. Houve dois ou três livros que me ocuparam a noite. Mas posso dizer-lhe o seguinte: em nenhum desses volumes descobri o vocábulo “diletância”. Os vetustos senhores da Academia também não o conhecem. O próprio Moraes, nunca ouviu falar. Rogam-me todos que lhe pergunte se não quererá antes dizer “diletantismo”. Parece que é assim que se escreve. Se não gosta de mostrar erros ortográficos na escrita, então, pare de fazer o que não gosta, homem! Compre um prontuariozito, que os há bons e baratos. Tenho aqui dez euros à sua espera se num deles descobrir o misterioso termo “semiose”. Olhando para o radical, cheira-me a maleita do corpo…
E, antes de ver o argueiro no olho dos outros, descubra antes o tronco que tem no seu.
Coitada da zazie... Os belos nacos de prosa citados foram escritos à pressa. Daí os erros. Acontece a todos: quando temos vagar, somos pessoas instruídas e educadas; quando temos pressa, esquecemos a gramática e desejamos escarrar na cara de outro ser humano.
Enfim, o que interessa é defender o amigo José. As novas tecnologias, por mais novas que sejam, quando são operadas por saloios descambam para a saloiice. E a zazie sempre soube fazer da blogosfera uma confrariazinha. É ver (também) aqui: (http://grandelojadoqueijolimiano.blogspot.com/2006/02/relatividade-da-expresso.html)
Estranharia muito que ainda não tivesse o autógrafo do José…
diletâncias a preceito
"diletância" não existe, de facto,em manual pronto a consultar. E guardo dois -para o caso de perder um...
Seja como for, agradeço o conselho e o incentivo à consulta, porque é sempre instrutiva.
Mas atrevo-me a recomendar também outras consultas, designadamente ao significado do termo metalinguagem. As palavras servem para dizer coisas.
E, por exemplo, "diletância" exprime bem melhor o que pretendo dizer, do que "diletantismo", mesmo que não exista lá, chimpada a preto sobre branco, no papel do "pronto a consultar".
Se escrever aqui que gosto de "anaforar", vai dizer-me para voltar ao "pronto a consultar"...e no entanto, sabendo o que é uma anáfora, compreende imediatamente o que quero dizer.
Idem para o termo "analogizar". Descubra-o, se puder! E no entanto, ele move-se, nas minhas escritas. E toda a gente percebe o que quero dizer, se o utilizo.
É esse uma das vertentes da semiótica( ou semiologia) que me interessa: inventar termos que me signifiquem algo interessante.
Quando refiro o passado como lugar de futuro, quero significar algo de diferente do entendido. Quero dizer que havia no passado cultural português, algo insubstituível e que traduzia realidades assimiladas pela experiência e buriladas no cuidado posto na linguagem escrita.
Já escrevi uma ou outra vez sobre isso, como diletante, obviamente.
Enfim, para terminar:
V. conhece o O´Neill, não conhece?!
Então...veja se compreende melhor o que quero dizer, sem necessidade de desenhos.
desenfreio
moedame
magazinesco
exponível
Estas palavras- e muitas, muitas outras!- Não vêm nos dicionários nem nos livrinhos prontos a consultar!
Contudo, estão todas no Coração Acordeão, veja lá o desaforo!
http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=houveram&meta=
Santo ignorantismo (igual a ignorância, mas significando algo mais interessante)! Viva o fim dos erros ortográficos! Vivam as palavras inexistentes mas prenhes de "significância"!
" Pedia, do vosso gosto, menos vidrilhos na decoração".
Diz o divulgador a certa altura:
" Exp.-À parte ler e escrever retira da vida muito prazer.
George Steiner- Quando me levanto de manhã, digo obrigado. Há duas espécies de seres humanos, os que dizem "obrigado" e os que dizem "que se dane". Eu sou dos primeiros, os que dizem "obrigado", sempre fui."
Moi aussi.
E diz mais à frente:
"Tinha esperanças de ser um grande escritor, que não sou, esperava ser um artista, não sou, tinha esperanças de ter sido. Não fui. Mas tive dois ou três momentos na vida em que levei a carta, fui o "postino", e fiz uma grande diferença. Lembro-me do dia em que disse ao Times Literary Supplement que ia escrever um grande artigo sobre um escritor e eles me perguntaram como é que se escreve Celan, Paul Celan? ( ...)E fiz isso por um certo número de grandes escritores, levei a carta para o marco de correio certo."
Curiosamente, ontem comprei OS Logocratas do Stein. E ainda comprei A História do Homem de Robin Dunbar. Já comecei a ler este, que confirma uma asserção de Steiner naquela entrevista:
"Exp- O que é para si um grande escritor?
GS- O que se sabe a partir da primeira frase do livro."
A primeira frase do livro é:
" A luz do candeeiro de sebo tremulou vacilante sob uma corrente de ar, interrompendo a concentração do homem. Por um momento recuou para avaliar o seu trabalho".