Um mais quatro

Ler no DN, Sondagens, Fantasias e Debates, por Diogo Pires Aurélio. É verdade. Começam amanhã os famosos debates televisivos por que tanta gente suspira. São a oportunidade única de os outros candidatos "conversarem" com a candidatura "declarativa" de Cavaco Silva. E é a oportunidade deste para sedimentar a convicção e a vontade de vir a ser o próximo Chefe de Estado. Em todos os dez debates, Cavaco será inevitavelmente a presença mais discutida, mesmo naqueles em que não estiver fisicamente presente. Não sendo reconhecidamente um terreno que lhe é favorável, estes debates podem, no entanto, reforçar a posição de Cavaco Silva em vez de a diminuir. Por três razões fundamentais. Em primeiro lugar, porque os outros quatro candidatos estão unidos por um mesmo propósito "negativo" que consiste em evitar a sua vitória, a 22 de Janeiro, e não tanto porque algum deles aspire verdadeiramente em chegar à presidência. Em segundo lugar, enquanto dois deles - Soares e Alegre - disputam o lugar numa eventual segunda volta, os outros dois apenas visam consolidar os respectivos "territórios", sobretudo à custa de "bater" em Sócrates e em Cavaco. Em terceiro lugar, e ao arrepio do discurso tagarela que será feito em todos os debates, com método e persistência contra ele, Cavaco deverá deixar nos espectadores - com serenidade, coragem e sem temores reverenciais -, a certeza da sua crediblidade e autoridade democráticas para o exercício do cargo de PR, afastando quaisquer fantasmas patetas de alegados "providencialismos", "autoritarismos" ou "governamentalismos". Finalmente, penso que os debates servirão para demonstrar, de uma vez por todas, de que lado está a arrogância e a sobranceria quando os dedos acusatórios dos quatro candidatos das "esquerdas" se virarem inevitavelmente para um Cavaco a quem é consensualmente atribuído um estatuto "pré-presidencial". É daí que Cavaco, ao contrário dos outros quatro, não pode descer.

Publicado por João Gonçalves 17:34:00  

2 Comments:

  1. Zé-da-Esquina said...
    Caro João,

    Está-me cá a parecer que o seu laudatório pagou a tributo ao discernimento.
    Diz v. que "em primeiro lugar, os outros candidatos estão unidos por um mesmo propósito negativo..." de evitar a chegada de Cavaco à presidência e não que,qualquer deles, aspire a tanto.
    Não se percebe como se unem pela .. desunião. Se o propósito deles é evitar a eleição de Cavaco, não se percebe porque turvam as águas aonde todos pensam ir pescar. E não adiante dizer que a coisa tem sentido, porque os que votam num, em caso algum votaria em outro (como diz M. Alegre a propósito dos PS que, alegadamente, votarão nele, mas não votariam em Soares), porque, em qualquer caso, sempre seriam votos que não comporiam a maioria de que "o outro" precisaria para ser eleito.
    Unidos no propósito de derrotar Cavaco, mas puxando cada um para o seu ladoe sabendo que isso é que poderá ser a vitória de Cavaco?
    Há qualquer coisa de conspirativo na sua tese. Aliás, elá é uma variante, apliada, de outra que fez escola, inclusive por aqui: a candidatura de M. Alegre fora estrategicamente desenhada para prejudicar Cavaco.
    Tirando o que possa ser uma "questão de honra" (ou de birra, se quiser) de M. Alegre, os "outros dois candidatos, obviamente conscientes de que não chegarão a lugar nenhum, apresentam-se por outras razões que não a de derrotar Cavaco, mas deixar claro, junto do respectivo eleitorado, que existem (o PCP) e aproveitar a oportunidade de estar "presente", por parte de quem tem ânsias de crescimento (o BE).
    Melhor seria dizer que qualquer um está empenhado em que qualquer dosoutros não chegue lá. Mas isto é mais do que óbvio e fica mal dizer o óbvio.
    LS said...
    Caro João Gonçalves,

    Não sei se possui uma qualquer bola de cristal que lhe permita este extraordinário exercício de antecipação, não sei também se é esta convicção cega que lhe tolda o habitual raciocínio lúcido e por vezes preclaro, todavia seria bom não esquecer que não há nestas eleições qualquer espécie de "perseguição" a Cavaco, apenas uma eleição, que naturalmente inclui candidatos com objectivos diferentes. Que estes entre si, discordem e o digam francamente, não constitui - imagine - uma "perseguição". Talvez fosse a altura de apresentar ideias, e convicções ao invés desta ridícula postura da vitima, do todos contra mim!

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