Sigamos em frente

Subsiste nesta campanha tagarela a obsessão pelo passado. Toda a gente se dedica a relambórios sobre os desempenhos de alguns candidatos em cargos que exerceram. Os mais expostos a este ritual são Soares e Cavaco. Soares, por ter sido o inconfundível primeiro-ministro que "não lia dossiês" e o chefe do nefando "bloco central". Cavaco, por ter sido ele mesmo. Num caso como no outro, o analfabetismo genérico das "críticas" suplanta a necessária objectividade. Independentemente disso, importa relembrar que ambos foram julgados politicamente por esses desempenhos. Soares, no final dos anos setenta, perdeu primeiro para Eanes e, depois, para Sá Carneiro, nas eleições de 79 e 80. E em 85, depois de um "bloco central" mal julgado, perdeu para Cavaco por interposto Almeida Santos. Cavaco esteve dez anos a fio, com dois reforços maioritários pelo meio. Em 95, terminado o mandato, saiu e passou "a bola" a Fernando Nogueira que não resistiu ao charme sorridente de Guterres. Mesmo assim, achou-se na obrigação de ir a votos nas presidenciais contra Sampaio. Pelo meio e a fazer contas, está Manuel Alegre que, apesar de andar "nisto" há mais de trinta anos, quer aparecer aos olhos dos incautos como uma impoluta vestal política. Em suma, as contas de Soares e de Cavaco, em determinadas matérias, estão devidamente saldadas. Sigamos em frente.

Publicado por João Gonçalves 14:49:00  

1 Comment:

  1. Arrebenta said...
    GRANDE ENTREVISTA DE CAVACO SILVA A KATIA REBARBADO D'ABREU (10ª Parte) - "Aborto e Casamento "Gay"

    (Continuação)

    K.R.A. – Professor, qual a sua posição sobre um tema candente da sociedade actual: a Interrupção Voluntária da Gravidez?

    C.S. – Olhe, minha senhora, isso é matéria que compete à Assembleia Nacional legislar. Suponho que aquilo que a Assembleia Nacional legislar irá ser depois enviado ao Presidente da República, que, a seu tempo tomará a posição que julgar mais adequada... Se me perguntar a minha posição pessoal, para além de candidato à Presidência da República, posso dizer-lhe que a Assembleia Nacional está no seu direito constitucional de definir o quadro legal dessa situação, mas, repito, do meu ponto de vista, quanto a abortos, deixe-me que lhe diga…, pessoalmente…, acho que os abortos devem ser todos feitos... , como até agora..., para lá da fronteira portuguesa, ou, se quiser..., para lá de Badajoz…

    K.R.A. – Ou para quem tenha triunfado na Economia de Sucesso, para lá de Londres...

    C.S. –Isso, isso!... Londres, ou mesmo Oxford, onde eu fiz os meus estudos (risos).

    K.R.A. – Suponho que quanto ao Casamento Gay, a sua posição seja idêntica…

    C.S. – Olhe, para ser sincero, isso é um assunto que deixo à consideração da minha esposa. Sempre que esse assunto surge nos órgãos de Comunicação Social… e deixe-me que lhe diga,.. eu sei que a senhora faz parte de um órgão de Comunicação Social… mas a culpa desses assuntos virem repetidamente para primeiro plano são da exclusiva responsabilidade de… eu diria mesmo… há uma certa manipulação dos factos…

    K.R.A. – Manipulação como, Professor?...

    C.S. – Repare, minha senhora, a maior parte da população portuguesa está preocupada com os seus salários, com o p"u"gresso da Economia, com a saúde e a educação dos seus filhos...

    K.R.A. – Pois…

    C.S. – … não está preocupada com ir fazer abortos a Badajoz, ou com ir casar-se com homossexuais. A senhora acha normal, se entrevistar um português na rua, e lhe perguntar se ele se vai casar com um homossexual… sim… a senhora acha que ele lhe vai responder o quê?...

    K.R.A. – Não lhe perguntei a opinião do homem da rua, Professor, perguntei-lhe a sua posição, como candidato presidencial…

    C.S. – Deixe-me repetir-lhe o que já lhe disse: esse é dos assuntos que eu preferiria deixar para a magistratura de influência da minha esposa… Quer antes que eu lhe diga o que a minha esposa costuma dizer sobre esse assunto?...

    K.R.A. – Esteja à vontade, Professor…

    C.S. – Pois a Drª. Maria Cavaco Silva costuma dizer que isso é dos assuntos mais nojentos de que já ouviu falar, e que, graças a Deus, isso das homossexualidades é uma coisa que só existe em certos países, como a Bélgica, ou a Holanda… minha senhora, nós estamos em Portugal, é aos Portugueses que a minha candidatura se dirige, não aos Belgas ou aos Holandeses…

    K.R.A. – ... ou aos Espanhóis…

    C.S. – Exactamente, minha senhora, a minha candidatura é supra-partidária, e não se dirige nem distingue sectores específicos da sociedade portuguesa, é, sobretudo, como eu digo no manifesto "As Minhas Ambições para Portugal", uma candidatura que valoriza "a pessoa humana e a solidariedade entre gerações e entre regiões".

    (Continua)

    http://great-portuguese-disaster.blogspot.com

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