Foi há 25 anos


Entre estas duas fotos da autoria de D.R. e de Rui Ochôa ( Expresso), publicadas na Visão de 30 Novembro de 1995, fica o momento funesto que hoje se recorda.
Mais ou menos por esta hora, na RTP, o locutor Raul Durão anunciava a tragédia. Lembro bem esse momento. Apesar de nunca ter gostado particularmente do estilo de Sá Carneiro, uma tragédia dessas em que morrem de uma só vez, dois líderes políticos e outras pessoas que os acompanhavam, é chocante. Terrivelmente chocante.
Pouco tempo depois do anúncio, uma das pessoas do governo que apareceu na mesma televisão, a falar sobre o assunto, foi Diogo Freitas do Amaral. Lembro bem que o ponto essencial da sua breve comunicação ao país, foi assegurar desde logo que se tratou de um acidente. Nem por sombras ficou a pairar na generalidade das pessoas, a ideia de que poderia ter sido outra coisa. E foi essa a tese que se generalizou: a juntar ao habitual desenrasca, bem português, com uma avioneta velha e desengonçada, de um aeródromo de Braga, apareceu a também sempre presente característica de um povo de bons costumes: as polícias, no local, nem pensam no pior, quando lhes garantem oficialmente que não poderiam pensar.
Foi esse o drama desde o início, a somar à tragédia.
O director da PJ de então, Lourenço Martins, poderia explicar isto melhor do que ninguém, mas aposto que tem vergonha. E compreendo. A vergonha nem deve ser dele em exclusivo, mas de todos nós que não conseguimos ser bons profissionais sempre que isso se impõe.
Freitas do Amaral, em 1995, remeteu ao tribunal de Instrução Criminal uma declaração em que aponta "aquilo que julgo serem algumas deficiências de instrução."
A Visão pergunta naquele número de há dez anos, se nessa declaração seguiria a referência ao telegrama que recebeu com dados da Scotland Yard sobre um suspeito: Lee Rodrigues!
Freitas escudou-se no segredo de justiça para não esclarecer...
Conclusão: Foi tudo um grande desastre!
Neste dia de efeméride, há uma pessoa que merece atenção: está nas duas fotos e os meus cumprimentos e respeito, hoje, são-lhe dirigidos. Porque suponho que lê blogs.

Publicado por josé 20:20:00  

15 Comments:

  1. Laranjada Ovarense said...
    "Neste dia de efeméride, há uma pessoa que merece atenção: está nas duas fotos e os meus cumprimentos e respeito, hoje, são-lhe dirigidos. "
    Suponho que seja o rapazinho com ar imberbe que se encontra em segundo plano nas fotos e que é/era a cara do pai.
    Para ele, o meu respeito e condolências.
    Quanto às consequencias políticas do que teria acontecido se o acidente/atentado não tivesse ocorrido é o mesmo que discutir o que teria acontecido se Pôncio Pilatos não tivesse lavado as mãos ...
    Cumprimentos,
    Cavalo Marinho said...
    Sá Carneiro foi quem despertou na minha pessoa o fascínio da política.
    E foi por ele que, durante muitos anos, em homenagem à sua memória, votei no seu partido...
    A sagacidade, a inteligência, o sentido de estado, o discurso ..., tudo nele era entusiasmante.
    Ao contrário de hoje.
    Penso que com ele Portugal, hoje, seria muito melhor.
    Até a sua vida pessoal, o seu amor por Snu Abecassis, fizeram com que o político e o homem se revelasse em toda a sua plenitude, até na morte.
    Porque não posso fazê-lo de outra forma, aqui lhe presto a minha homenagem.
    José Esteves said...
    Diz o José:

    "O director da PJ de então, Lourenço Martins, poderia explicar isto melhor do que ninguém, mas aposto que tem vergonha. E compreendo. A vergonha nem deve ser dele em exclusivo, mas de todos nós que não conseguimos ser bons profissionais sempre que isso se impõe.
    Freitas do Amaral, em 1995, remeteu ao tribunal de Instrução Criminal uma declaração em que aponta "aquilo que julgo serem algumas deficiências de instrução."
    A Visão pergunta naquele número de há dez anos, se nessa declaração seguiria a referência ao telegrama que recebeu com dados da Scotland Yard sobre um suspeito: Lee Rodrigues!
    Freitas escudou-se no segredo de justiça para não esclarecer...
    Conclusão: Foi tudo um grande desastre!
    "

    Não sei quem é o José e não sei se é magistrado. Uma coisa eu sei: se interpreto bem a passagem que transcrevi, o José que eu conheço dos blogues acabou de se espalhar estrondosamente ao comprido!

    O José que tem escrito e opinado com tanto rigor, tanta competência, tanta lucidez e tanta honestidade intelectual sobre os diversos casos e problemas dos mais debatidos da nossa Justiça não pode ser o mesmo José que escreveu aquilo!

    Caro José, para avaliarmos melhor o que disse, esclareça lá uma coisa: alguma vez leu, estudou, analisou e reflectiu, com o olhar competente e profissional a que nos tem habituado, os 250 volumes do processo judicial?

    Ou será que, tão certeiramente crítico que tem sido da sistemática inabilidade, ignorância, manipulação e incompetência da imprensa sempre que fala das coisas da Justiça, terá também caído que nem um patinho, à semelhança de qualquer vulgar cidadão, na esparrela de acreditar no que, durante 25 anos, as televisões, os jornais, as revistas, os livros, os filmes e os políticos têm dito sobre o caso Camarate?

    Seria interessante partilhar com os seus leitores - agora que o processo não está em segredo de justiça - tudo o que conhece sobre o assunto...
    josé said...
    caro José Esteves:

    Calma que senão, quem se espalha nem sou eu...


    Quando digo que foi tudo um grande desastre, quero dizer isso mesmo: tudo o que ocorreu a seguir doi desastroso!
    1. A investigação logo, logo no início.
    Basta ver as primeiras fotos que ainda hoje foram publicadas nos jornais. Vêem-se polícias dispersos e populares à solta.
    A recolha de indícios, na hora, não foi realizada como se impunha e provavelmente foi essa incompetência inicial que prejudicou toda a subsequente investigação.
    Não sou original a dizer isto, aliás.

    2. Esta matéria poderia ser esclarecida muito melhor por quem sabe e na altura estava em lugar de comando privilegiado.
    Seria aliás, uma das perguntas que gostaria de colocar aqui a uma dessas pessoas que escreve em blogs.
    Não para desconsiderar, mas para perceber melhor como foi possível tanto amadorismo, numa caso com este.

    Acabo de ouvir na RTP, novamente, passados estes anos, a breve comunicação de Freitas do Amaral ao país nesse dia. FOi ele quem comunicou e o que deixou no ar foi que se iria proceder a um rigoroso inquérito.
    Pelos vistos, em 1995, tinha coisas novas para comunicar a esse tal rigoroso inquérito que ...ainda não acabou!

    Assim, caro José Esteves, o desastre é outro. É a nossa desgraça habitual.
    É esse o desastre! Acha que é pequeno?!
    josé said...
    E já agora permita-me que dê a minha opinião:

    Não acredito no desastre provocado por alguém para matar Sá Carneiro.

    POr um único e singelo motivo: até ao fim, era duvidoso que tomasse aquela avioneta. Hesitou até ao último momento e tinha bilhetes reservados para outro avião da TAP.
    Só por esse motivo.

    Quanto à possibilidade que hoje se fala em o atentado se dirigir a outros que não Sá Carneiro, sendo uma possibilidade, deveria ter sido logo investigada. Desde o início.
    Uma polícia competente, é para isso mesmo: afastar suspeitas se existirem e decobrir conspirações se se verificam.

    COmo vê, acabo por chegar ao sítio de onde parti: não sei o que aconteceu e o que um obstinado como RIcardo Sá Fernandes diz, não me convence, precisamente porque é obstinado e não é sereno.
    Mas fez um bom trabalho de descoberta de pistas.É pena que o anterior PGR tenha sido renitente em aproveitá-las, mas também é preciso que se diga que o processo era da competência de um tribunal de instrução criminal, o que faz uma grande diferença.

    Se fosse hoje, seria diverso, tenho a certeza que não subsistiriam tantas dúvidas.

    O que permite dizer que estamos muito melhor em competências e em rigor investigativo do que estávamos então.
    José Esteves said...
    "Ricardo Sá Fernandes (...) fez um bom trabalho de descoberta de pistas. É pena que o anterior PGR tenha sido renitente em aproveitá-las"

    - Isto é o que leu nos jornais, nos livros do Cid, nos livros do Sá Fernandes, nos relatórios das Comissões Parlamentares, o que ouviu na TV.... ou o que viu, leu e analisou no processo judicial?

    "Quanto à possibilidade que hoje se fala em o atentado se dirigir a outros que não Sá Carneiro, sendo uma possibilidade, deveria ter sido logo investigada. Desde o início."

    - Isto é o que leu nos jornais, nos livros do Cid, nos livros do Sá Fernandes, nos relatórios das Comissões Parlamentares, o que ouviu na TV.... ou o que viu, leu e analisou no processo judicial?

    Caro José, eu, que nunca li nada do que consta do processo criminal instaurado sobre a morte de JFK, li, todavia, uns artigos, vi uns documentários e uns filmes e... também tenho cá a minha teoria: aquilo foi, claramente, o FBI que encomendou o crime para se livrar do Kennedy e a investigação foi toda mascarada. Só um cego é que não quer ver!.
    ovo de colombo said...
    Não tenho opinião sobre o facto de ter sido atentado ou acidente. Na altura encontrava-me no estrangeiro há varios anos e tinha pouca relação com a realidade portuguesa. Sá Carneiro nunca me foi particularmente simpatico, embora lhe admirasse a coragem e a determinação.
    A historia não se pode reescrever mas não me custa pensar que alguns problemas da sociedade portuguesa poderiam estar resolvidos se Sá Carneiro não tivesse morrido.
    O problema do aborto, por exemplo.
    josé said...
    Precisamente porque não vi o processo; porque não investiguei directamente, é que não faço juizos definitivos, dizendo que foi assim ou assado.
    Não sei. E duvido que fique a saber lendo o processo. Ou antes, tenho a convicção que ainda ficaria mais baralhado.

    Esta mesma atitude, tenho-a em relação ao caso da Casa Pia.
    E tudo o que aqui tenho escrito sobre isso, parte dessa base.
    A verdade não a conheço, mas sei alguns aspectos que alguns tomam como a verdade e que não podem ser.
    Por isso é que escrevo sobre o assunto: para dizer que não me parece que seja assim. Mas não sei se será assado.

    Get it?

    Acho extraordinário que saiba tudo sobre o atentado de 61 em Dallas. Eu também vi o filme de Oliver Stone...e fico céptico.
    José Esteves said...
    José,

    Quanto ao atentado de Dallas, penitencio-me: a minha ironia foi tão exagerada que passou por coisa séria...
    Eu sei lá o que aconteceu em Dallas!

    Quanto ao caso Camarate, só lhe deixo duas coisas:

    1º - se o meu amigo é, realmente, magistrado, garanto-lhe que, se lesse o processo, todos os 250 volumes do processo!, apanharia das maiores surpresas da sua vida; e ficaria sem dúvida baralhado, confuso, estonteado, estupefacto, revoltado, siderado com tudo quanto se tem dito a propósito das supostas graves deficiências da investigação, a propósito das alegadas sérias dúvidas que persistem, a propósito da pretensa enorme incúria de quem conduziu o processo e a propósito de muitíssimas coisas mais!

    2º - diz o caro José, referindo-se às chamadas "pistas" de Sá Fernandes (ah, ah, ah, deixe-me rir!) que "É pena que o anterior PGR tenha sido renitente em aproveitá-las"

    Eu ainda não estou em mim! Se o meu amigo imaginasse a hedionda barbaridade, a mentira gigantesca, a afrontosa leviandade, o insuportável absurdo que encerra essa sua afirmação, jamais a teria escrito, mesmo por ligeireza, mesmo num sítio informal como um blogue!...

    Se o meu amigo soubesse o que eu sei (e sei-o porque o vi, porque o ouvi, porque o li, claramente visto, claramente lido, claramente ouvido) arrependia-se mil vezes de ter escrito o que escreveu àcerca da atitude do anterior PGR sobre o caso Camarate! Homem, seguramente, de tantos defeitos, mas que, se pecou no caso de Camarate, foi por excesso de zelo. E quem lhe desejasse mal até o podia acusar era de ter dado sequência ao absurdo, conferido foros de seriedade ao disparate, dado crédito ao palpite, corrido atrás de fogachos, promovido mil e uma inutilidades investigatórias, só aparentemente para dar satisfação ao doentio e enviesado apostolado dos políticos pró-atentado - e com isso, acabou por contribuir, indirectamente, através das decisões favoráveis dos JICs, para o arrastamento ad infinitum de um processo que, se fora um de nós a morrer no acidente aéreo, não teria mais de que algumas dezenas de páginas com o seguinte e inequívoco veredicto: despenhamento por causas fortuitas, ligadas ao risco da aviação, ausência de indícios de qualquer atentado.

    E por aqui me fico, que assim o aconselham a memória e o respeito devido às 7 vítimas do acidente !
    crack said...
    A pessoa que refere é o seu filho, Francisco. Ainda recordo a dor no seu rosto, mas também a enorme dignidade com que viveu tão dolorosos momentos. Dignidade com que soube afastar-se das armadilhas com que a arena política o tentou, dignidade com que, ainda hoje, vive o seu quotidiano profissional, dignidade tranquila e afectuosa com que recorda o pai, não o mito em que o oportunismo político o transformou.
    victor rosa de freitas said...
    QUEIXA DE UM MAGISTRADO DO MINISTÉRIO PÚBLICO A CHAMAR OS BOIS PELOS NOMES:

    Ao fim de 24 anos de funções como magistrado do Ministério Público (desde 1979), fui afastado de funções, em 27.02.03, em nome do “interesse público”, por “factos” de 10 a 14 anos antes do afastamento, “factos” esses que dois Tribunais Superiores (a Relação de Lisboa, em 1ª instância e o STJ em sede de recurso) já disseram, com trânsito em julgado, serem inócuos e sem violação de qualquer dever do cargo.

    Espero decisão de recurso no STA há mais de QUATRO ANOS E OITO MESES.

    Afastado de funções.


    Sem vencimento e sem qualquer segurança social e sem assistência médica e “proibido” de trabalhar.


    Apesar das decisões referidas da Relação de Lisboa e STJ, em que fui totalmente ilibado de qualquer responsabilidade, mesmo disciplinar, não se vê, por parte da “casa” do senhor Adriano Souto de Moura, a invocação do interesse público, para terminar com esta situação de injustiça em que me encontro – afastado de funções há mais de DOIS ANOS E NOVE MESES, sem vencimento nem qualquer segurança social e impedido de ADVOGAR porque, a final, o que diz a PGR (sem fundamento, segundo a Relação de Lisboa e o STJ, como vimos), mesmo sem razão, e através de processos “kafkianos”, ainda “pesa” na Ordem dos Advogados, que também nada decide sobre o meu pedido de inscrição nela, há mais de DOIS ANOS.


    Sim, processos “kafkianos”.


    Começou o dito processo disciplinar, em que me afastaram de funções, com uma certidão truncada e falsa que omitia, só(?!), mais de 20 documentos autênticos, fundamentadores de um despacho meu a ordenar uma detenção, para interrogatório judicial, de um burlão (em mais de 80 mil contos – sim, contos, que não Euros), despacho esse considerado “ilegal” pelo dito Conselho e fundamento do meu afastamento.

    (Como se chama o Inspector que fez a participação contra mim, quer disciplinar, quer criminal?

    CHAMA-SE FRANCISCO TEODÓSIO JACINTO, É PROCURADOR-GERAL ADJUNTO E PRESENTEMENTE É DIRECTOR DO INSTITUTO SUPERIOR DE POLÍCIA JUDICIÁRIA E CIÊNCIAS CRIMINAIS!

    DEVE ANDAR A ENSINAR ÀS POLÍCIAS COMO FALSIFICAR DOCUMENTOS PARA INCRIMINAR ARGUIDOS! COM O BENEPLÁCITO DO CONSELHO SUPERIOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO!)

    Quando fui ouvido, na “instrução” do processo da PGR, sobre tal despacho, chamei a atenção do Inspector para o facto de faltarem tais documentos.

    O que fez este?


    Depois de se pronunciar DOLOSAMENTE contra mim, juntou tal certidão, com aqueles documentos em falta, NUM OBSCURO APENSO, em vez de os incorporar nos autos, como é de LEI, na expectativa, PIDESCA, de que ninguém os visse.

    (COMO SE CHAMA ESTE INSPECTOR?

    JOSÉ NUNES GONÇALVES DE CARVALHO, É PROCURADOR-GERAL ADJUNTO E CONTINUA INSPECTOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO E DA CONFIANÇA DO CONSELHO SUPERIOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO!)

    E não é que ninguém viu mesmo tais documentos em falta?!

    Desde o Relator (que não quis "ver") até ao Conselho Superior do Ministério Público.

    Como é que eu sei?

    É simples.


    As conclusões do dito Conselho (contra mim) e da Relação e do STJ (a meu favor) são diametralmente opostas e, nestes últimos, tive oportunidade de explicar a “leitura” de tais documentos e os fundamentos do meu despacho, considerado, agora, absolutamente correcto e legal, ao contrário do que disse o dito Conselho.

    Assim anda a "casa" de Adriano Souto de Moura.

    Mal, muito mal.

    E eu a sofrer a injustiça dela.

    Há mais de DOIS ANOS E NOVE MESES afastado, ilegitimamente, de funções.

    Com um recurso pendente no STA há mais de QUATRO ANOS E OITO MESES.

    E os juízes lá vão falando do quanto trabalham…

    E eu, ilegal e ilegitimamente, em greve “forçada”…

    Imposta pela “casa” de Adriano Souto de Moura…

    Que PGR é esta?

    Que Conselho Superior do Ministério Público é este?

    Que país é este?
    josé said...
    Caro José Esteves:

    Acredite ou não, estou em multitasking- a trabalhar e a escrever ( e ler aqui).
    Assim, digo-lhe já que não quero pôr em causa a honorabilidade do antigo PGR. Peca por algumas coisas, mas nesta não sei se estarei a ser injusto e como V. me diz que estou, acredito. Mas faço-lhe notar o seguinte: as acusações que lhe foram sendo feitas ao longo dos anos, foram de alguma forma injustas precisamente por aquilo que escrevi e que se referia a ser o processo da competência de um juiz, dirigido por um juiz de instrução à velha maneira do Código de 1929.
    Porém, de uma coisa não se livra: da suspeita em acreditar que foi um acidente o que aconteceu e não ter tomado a atitude céptica e imparcial que lhe competia. Não o estou a acusar de tal. Estou apenas a dizer que é essa a impressão que passou para o "público", como diz o ministro da justiça. E isso parece imperdoável para um magistrado.

    Quanto ao demais, mantenho o que disse no início, por me ter sido comunicado em tempos por um dos presentes no local ( ou assim se gabou de o ser): a investigação inicial foi uma merda! E isso foi fatal para a credibilidade junto opinião pública.
    O problema dos processos é que tem gente dentro. E essa gente grita quando as coisas correm mal.

    E foi por isso que o PGR antigo tentou remediar o que já era irremediável. Sabia que se fez merda...e embora a culpa não fosse dele, é assim que as coisas acontecem.
    É a minha opinião, caro José Esteves. Mais honesta e sem querer acusar ninguém. Agora, chamem-me imbecil que não me ralo.
    josé said...
    Exactamente, crack.
    José Esteves said...
    Caro José,

    Talvez um dia alguém com conhecimento profundo do processo, e sem ligações afectivas, políticas ou outras ao caso, possa contar, de forma desapaixonada e objectiva, tim tim por tim tim, o outro lado da história de Camarate.

    O lado que não vende jornais, que não dá audiências, que não faz "correr sangue", que não faz rolar cabeças. O lado de uma tragédia causada por um acidente estúpido que nunca teria acontecido se os seres humanos não fossem o que são: imperfeitos e sujeitos a cometerem, de vez em quando, erros e descuidos que não lembram ao diabo . O lado, enfim, que tem escapado nestes 25 anos à opinião pública.

    Estou convencido de que hoje a esmagadora maioria dos cidadãos pensa que foi atentado. É uma coisa já adquirida, consensual. A forte militância dos sectores políticos interessados, a obstinação dos advogados dos familiares, a preferência da comunicação social pela "verdade" que vende e não pela verdade real (investigá-la a sério dá trabalho e nem sempre rende), a total inércia e silêncio dos investigadores e magistrados envolvidos, aliados à apetência do povo pelo bombástico conseguiram "produzir" o atentado, ponto final.

    Quando um dia o caro José se reformar ou jubilar, passe pelo tribunal de Loures, leia calmamente o processo e... tire as suas conclusões.
    Luis M. Jorge said...

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