sobre a 'outra' corporação...

Foi na segunda-feira. Em vão esperei. Esperei uma reacção indignada da 'classe', um comunicado inflamado do Sindicato, até uma declaraçãozita da Alta Autoridade, mas nada. Ninguém disse nada - um silêncio sepulcral. Estou a falar, claro, do jornalista 'sem nome' que também foi apanhado nas escutas com Pimenta Machado, no âmbito de uma investigação criminal. Na passada segunda-feira, pela pena de Tânia Laranjo no Público, ficamos a saber quase tudo, com que políticos falava Pimenta Machado, que promessas lhe terão feito, ficamos até a saber que cozinhava notícias e contra-notícias com um conhecido jornalista (desportivo), mas sobre a identidade desse é que nada, é 'anónimo', como se os leitores (já) não tivessem o mesmo direito de saber das tropelias de (alguns) jornalistas, como o tem em relação a políticos e afins. Como é 'só' um jornalista, não interessa. Rica ética, rica deontologia. Por ser 'jornalista' interessa, pelo menos tanto como os 'outros'. Corporativistas os jornalistas ? Nah...

Publicado por Manuel 11:32:00  

8 Comments:

  1. ptolomeu7 said...
    Nah...
    E.C. said...
    oh, é tudo para ficar em água de bacalhau, como sempre. tu só saberás o que eles te derem a saber. e os corruptos acusam os corruptos de...corrupção. não acredito em coisa alguma desses processos. acho que a justiça devia levar um abanão bem forte. eu não me importo muito de ficar sem saber quem era o tal jornalista; mas num estado de direito, é bom que a justiça funcione bem. seria a única garantia da célebre liberdades&garantias. mas assim, é claro, a coisa é mais manobrável.
    abraço.
    ed. (experienciab.blogspot)
    Kzar said...
    Essa gente da imprensa anda com o freio nos dentes há muito tempo.
    Já dá por adquirido que os seus supostos "direitos", inerentes à sacrossanta "missão" de "informar" se sobrepõem ao que quer que seja, e muito especialmente à administração da justiça, permitindo-se constante publicação de material em segredo de justiça e depois negando-se terminantemente a denunciar as "fontes" - mesmo quando nos termos da lei são dispensados do DEVER de sigilo (convém lembrar que não é um direito...), recusam-se; e há tribunais que depois os absolvem do inerente crime de desobediência. Seja como for, no fim põe-se na primewira linha dos que clamam contra a violação do tal segredo.
    Recentemente, parece que há um pacto tácito de silêncio, desde a Velha Senhora não se vendo imprensa tão amiga do poder.
    E finalmente, alguns dos escribas mostram a verdadeira cara em episódios como o que relata.
    Mas nada disso admira. Quem tem os olhos abertos, há muito que já percebeu o que é a suposta "imprensa livre" em Portugal. Valha a verdade que em outros países não é muito melhor.
    josé said...
    Não deixa de ter a sua piada que quem verbera aos bloggers o seu eventual anonimato que nem o é de todo, venha depois "viver" à sombra das fontes anónimas.
    Aliás, até chamam "burros" e outros mimos semelhantes, a quem não entende esta distinção que para eles é crucial:
    Uma fonte anónima é perfeitamente legítima e aceitável,segundo esses sabidolas, DESDE que o jornalista a conheça e lhe dê crédito. E isso lhes basta, pois ao abrigo do segredo profissional, protegem-se de qualquer sindicância sobre a validade intrínseca da fonte que não raro está inquinada ( de má fé; de interesses inconfessáveis; de interpretações pessoais e enviesada de factos, etc etc).

    A um anónimo blogger que nem o será de todo, já não lhe conferem qualquer credibilidade ou legitimidade para escreverem e informarem ou darem opinião, mesmo que a obtenham daquela MESMA fonte ou sejam mesmo uma das fontes possíveis...

    Resta assim concluir que o que confere credibilidade ao jornalista encartado será a credibilidade que se confere a si próprio enquanto profissional...e por isso mesmo se autoriza a escrever informação com opinião à mistura, sem travão algum.
    O que os bloggers escrevem valerá zero, a não ser que façam por exemplo como o Vital Moreira que escreve baboseiras que leu na LUsa e depois as apaga à pressa, para não ficar mal e nem disso dá conta aos leitores...
    filinto said...
    Como jornalista sei distinguir entre os bons e os maus profissionais, sei mesmo de muitos dos que são considerados como bons pelo público (e pelos bloggers, leitores e postadores) são escumalha e sei que é fácil falar quando não se tem a batata quente na mão. Eu não tenho.
    Conheço o caso e até imagino quem seja. Se for quem penso, até sei que a transparência só ajudava a desmistificar o sucedido e a explicar porque foi desvalorizado na notícia. Mas como não tenho a certeza, não tenho acesso aos autos, nem quero, prefiro não verberar. Deixo isso para os comentadores anteriores que gostam de escrever sobre o que não sabem.
    Enquanto quem lê (ouve, vê) não tiver raciocínio para distinguir o bem e o mal e colocar tudo no mesmo saco, continuará a existir situações corporativas, como acontece noutras profissões.
    josé said...
    Caro jornalista anónimo:

    Não vou referir-me neste comentário ao caso concreto ( nem o meu último comentário tinha esse destino, aliás).
    VOu apenas cingir-me à generalidade dos casos que conheço APENAS pela leitura dos jornais.

    Tenho a impressão de que os jornalistas em geral e salvo raras excepções, não estão bem preparados cultural e tecnicamente para lidar com certas questões que transcendem o mero noticiar de factos concretos como sejam aqueles que toda a gente presencia.
    O jornalismo sofre de um síndroma que à falta de melhor poderia classificar como do "imediatismo".
    A notícia tem de sair e sai como sai, às vezes mal feita e desinformativa.
    Remédio? O bom jornalista, em primeiro lugar tem de ser alguém com uma cultura e inteligência médias, mas acima da média.
    Isso já é um primeiro requisito que dá para eliminar muitos candidatos a bons jornalistas.
    Depois, tem de ser independente de certos partidos, grupos ou interesses.
    Se se deixa aprisionar( e estou a pensar em vários que assim se perderam), está fulminado na credibilidade quando escreve notícias e mete "buchas" pessoais, na utilização de adjectivos e até advérbios de modo. Ainda hoje pude ler isso mesmo no Público, pelo repórter do costume.
    A não ser que escreva como um Hunter Thompson ou um Phillipe Manoeuvre( e por cá não há muito disso), está diminuído na sua competência. Um jornalista nunca deve ser prosélito de uma causa e o que se vê em muitos casos, é a aderência a ideologias e a correntes partidárias. Há jornalistas que se julgam guardiões de uma democracia que duvido muito que entendam bem.
    Depois, há o saber específico sobre aquilo que se escreve.
    É preciso um módico de conhecimentos. Não é possível escrever sobre Justiça sem conhecer minimamente as suas regras de funcionamento. AS regras escritas e as reais e que são aplicadas com as limitações que existem.
    Isso aprende-se lendo, estudanto, mas também conversando e procurando entender.
    O melhor trabalho sairá daqueles que melhor perceberem e derem a conhecer à opinião pública.

    Um jornalista deveria ficar apreensivo quanto à sua competência técnica para tratar determinados assuntos, sempre que alguém ligado a esses assuntos lhes mostra o logro em que fazem cair os leitores ou o público em geral.
    Tenho em mente que a maior parte dos jornalistas são profissionais que se respeitam a si mesmos e procuram ser honestos naquilo que escrevem e comunicam.
    Mas isso não significa que o façam com a competência desejada.
    E por isso, aí vai mais um requisito que acho fundamental: humildade em reconhecer erros e a emendar a mão.

    Por último, só escrevo isto porque sei que ainda valerá a pena em alguns casos, embora também saiba que já há casos perdidos. Por casmurrice e falta de humildade.
    Patrão said...
    caro fil2,
    já que é jornalista, devia saber que em vez de "continuará a existir situações corporativas, como acontece noutras profissões." se escreve continuarão...
    Teófilo M. said...
    Um jornalista é um jornalista, por isso, é corporativo, esquecendo a ética, e quando dá notícias é sempre sobre os outros e não sobre os jornalistas seus colegas, a não ser que esses jornalistas sejam jornalistas de que o jornalista não goste, pois assim, o jornalista acusará o outro jornalista mais rapidamente do que o pensamento, mandandoo às malvas a corporação e agarrando-se ao ético dever de informar.

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