O literato

José Saramago, um escritor vagamente talentoso e uma criatura verdadeiramente insuportável, deu uma entrevista esclarecedora ao Diário de Notícias. A sua imensa vaidade - "até agora nunca escrevi nenhum livro mau" - e o seu incontornável estalinismo intelectual, sobejam no homem de oitenta e cinco anos que continua a raciocinar como o director comunista - sem ofensa aos comunistas - do DN nos idos de 75. Depois do Nobel, e mesmo antes, esta criatura tem merecido foros de "símbolo nacional". Não o bajular ou ousar criticá-lo é punível com uma espécie de opróbrio cívico. Do PR à mais remota entidade, não existe uma alma que não se babe e extasie perante tamanho vulto. Seremos saloios e saloios havemos de morrer, enquanto Saramago se torce de gozo na sua ilha, tão seca e inóspita como ele. Volta não volta, ameaça não comparecer a "actos oficiais". O pretexto desta vez é Cavaco Silva, brindado na entrevista como alguém que "não tem ideia nenhuma do que é a literatura ou a arte" ou como "génio da banalidade", a quem Saramago não tenciona conceder o "privilégio" da sua presença.Tornaram-no oficial e oficioso. Agora aturem-no. Só espero que Cavaco, uma vez presidente, não caia na vulgaridade de, apesar destes dislates, se mostrar, como os outros, atento, venerando e obrigado perante o literato.

Publicado por João Gonçalves 09:02:00  

9 Comments:

  1. Grunfo said...
    Ó Limiano a patada no Saramago e na sua arrogância está bem. Como pessoa e pelas suas ideias politicas, também detesto o homem, e por aí tive algum rebuço em entrar na obra dele.

    Contudo apelidá-lo de "vagamente talentoso" é um insulto gratuito e próprio de quem não leu a obra do homem ou a leu com um parti pris ideológico.

    O Memorial do Convento é uma obra-prima e o Evangelho Segundo Jesus Cristo idem aspas aspas. São obras grandiosas apenas possíveis a grandes pensadores e revestidas de uma humanidade transcendente.

    Relembro também o História do Cerco de Lisboa que é um livro muito bom também, embora quanto a mim, sem atingir o estatuto dos outros dois.

    Mais obras dele, embora as lá tenha ainda não li, mas julgar isto de uma penada como "vulgarmente talentoso" parece-me muito mal.

    até porque o Saramago põe-se de tal modo a jeito com as barbaridades que diz que nem é preciso ir à obra do home para afiambrar gratuitamente.

    ass: Derviche Rodopiante
    lapis rabugento said...
    Você, João, consegue ser pior do que Saramago a falar de política. É obra!
    Parabens.
    Pedro M said...
    O Saramago padece do mesmo defeito dos artistas Pop. Aliás, o defeito não será dele mas de quem lhe dá importância.

    É o mesmo que pedir aos U2 ou a Maradonas que se pronunciem sobre política para obterem oráculos infalíveis.

    Escreve bem?
    Dá uns bons pontapés na bola?
    Tem uma musiquinhas com muitos consumidores?

    Então resumam-se a isso. A fama resultante desse trabalho não os torna autoridades no resto. E só os parolos que lhes dão tempo de antena para o que não tem competência.

    Gosto de livros do Saramago mas acho a criatura estúpida e perigosa políticamente. É parvo.
    A sua vaidade e a sua pretensa superioridade moral atinge o paroxismo e... cega-o.
    Alex said...
    A arte vive-se... a música ouve-se, a pintura vê-se, os livros lêm-se...
    As sensacoes sentem-se, os temas discutem-se, ...
    É a passagem de algo íntimo entre o artista e o seu público.

    Mas a arte nao se julga, simplesmente porque nao existem padroes para julgar as ideias.

    Esta é a opiniao de uma modesta cadela que esteve no espaco, convencida de que criticar arte, estabelecer pontos de vista peremptórios, nada mais é do que bater pívias no cérebro.

    Bem hajam.

    Laika comes home.
    Kzar said...
    O homem deve ser mesmo mau pa carago, que o cabeça-de-cenoura-que-chora, "O Lampadinha", já o carregou de prémios, medalhas, comendas e outras merdas presidenciais.
    Pela minha parte, li com aturado esforço o memorial do convento e deixei a um quinto a jangada de pedra (folheando os restantes 4/5, para confirmar a ideia). É absolutamente indizível e assim já se percebe que ganhasse o Nobel.
    Pelo menos reúne dois dos critérios normais mais recentes: é comuna e vem de um país do terceiro mundo (nem sempre foi, mas agora é...). Falta-lhe o outro, que é ter nome impronunciável, mas a Academia tem dado sinais de alguma abertura.
    Já repararam que ao Borges (só para citar um exemplo...) nunca foi atribuído o tal prémio? Isso é que era um escritor!
    Nada como esse nem-sei-que-lhe-chame do saracoiso, que além de não saber escrever é um comuna sinistro, ex-saneador de jornalistas não vermelhuscos e ainda amigo do democrático camarada Fidel.
    Um personagem lamentável, enfim, e não vejo ao que vem descobrirem-se-lhe agora novas características desagradáveis. É como vir dizer que a poia de anteontem está pior... Fónix, uma poia já é uma poia, não pode piorar! Quando muito vai secando e chega o dia em que já não incomoda, não cheira, não recorda, breve, não interessa.
    Cavalo Marinho said...
    Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
    xatoo said...
    Kzar:
    és sempre assim? ou às vezes tambem estás sóbrio?

    Alex: a sua opinião é sem dúvida a mais acertada - aliás a ideia do "postador" é obter reflexos condicionados dos caezinhos de Pavlov para a sua própria volúpia , como individuo destrambelhado que deve ser,,,
    Kzar said...
    Xô Xato, nã xateies...

    A dureza da realidade não nos deixa estar sóbrios. A embriaguez é a armadura necessária para enfrentar a nauseante estupidez dos outros, do inferno, do inferno que os outros são.

    Toda a embriaguez do mundo não nos protege ainda assim o suficiente da emética comunice, da esquerdófilia dominante, da "correcção" pavovliana e omnipresente.

    Há algumas fugas: depois de esgotar o Jack London (aconselho primeiro a dar cabo das coisas étnicas do Grande Norte e do Mar do Sul, etc., e só depois passar para os Vagabundos Cruzando a Noite, O Povo do Abismo e o fantástico Memórias de Um Alcoólico, para acabar em grande), o Orwell (o 1984 e o Animal Farm são de facto fabulosos, mas ganha-se mais com o Down and Out in London and Paris e The Road to Wigan Pier, acabando-se em Beleza com Remembering The Spanish War e Homage to Catalonia), já pouco se liga ao HG Wells (ainda assim vale a pena a Crónica dos Tempos Futuros), e o Huxley só salva a situação por um bocado - valha o Brave New World e o O Tempo Tem de Parar.

    Gasto isso tudo, dizia, ainda se tira algum consolo do Simon Leys e seus Ensaios sobre a China (maravilhosa edição recente da Cotovia), mas no fundo no fundo, já não se aprendendendo nada com o Livro Negro (...) - agradecimentos ao Xeco Pereira - o que resta?

    O alcool, menino, o alcool e xatear os comunas pelos blogues fora.
    Claro que estou sempre bebâdo!
    Pedro M said...
    "xatear os comunas pelos blogues fora."


    Serviço público!

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