Tormento!...
(perdão) Sarmento!


"Não são os jornalistas nem as administrações que vão responder perante os eleitores" pela informação ou pela programação da estação pública, sublinhou o ministro.

Como sói dizer-se... passaram-se!

A pérola acima foi dita pelo ministro Morais Sarmento quando interpelado a esclarecer (?) a alegada mudança na direcção de informação da RTP. Está bem que todos sabemos, os que por aqui andamos a visitar redacções há muito, que José Rodrigues dos Santos não é, propriamente, o paladino da independência e rigor na informação; está bem que todos nós sabemos que as peças mais complicadas acabam, mais tarde ou mais cedo, por ter “visualização prévia. Querem exemplos?

Quando em pleno Euro/2004 a RTP elaborou uma reportagem sobre a segurança dando conta da liberdade de movimentos de inúmeros cidadãos argelinos referenciados pelas Informações deste país como estando hospedados em pensões da capital (querem o nome das pensões?), a peça levou a chancelaproibido” só vendo a luz do dia, tarde e a más horas, depois de devidamente retocada na sala de montagem (o que a tecnologia faz)...

Por essas e por outras, JRS tem entrado e saído do cargo de director de informação ao ritmo do... governo que temos. Agora, logo depois do incidente (vamos chamar-lhe assim) do professor Marcelo, depois do Rui Gomes da Silva (ainda lá está, o homem?) ter arranjado mais uma cabala para nos entreter, eis que Tormento... perdão, Sarmento, nos vem dizer que o Governo tem todo o direito de interferir na linha editorial de uma estação pública porque, depois, será ele que vai a escrutínio dos eleitores.

Nós sabemos que o homem esteve na Madeira há pouco tempo... Nós sabemos que as ideologias não nascem com a pessoa e que a sujeição temporária a regimes despóticos podem tender a dar cabo da cabeça do mais comum dos mortais, mas... tanto?

Será que no meio não há ninguém disponível para assumir a posição que o paulinho das feiras assumiu enquanto director do Indy e dar cabo do governo como o agora ministro fez em relação a Cavaco Silva?

Será que, como então, Manuel Dias Loureiro – que tantos ministros contratou para este Governo – não se passou ainda o suficiente para armar, como armou, um novo buzinão na 25 de Abril saindo-lhe o tiro pela culatra já que, na altura, a única intenção era dar cabo de Ferreira do Amaral?

Será que o tio Jorge, cuja lembrança fotográfica de todos nós está num boneco tirado em plena crise académica onde o “menino” aparecia nos muros da faculdade de direito a liderar a sublevação estudantil, ainda não reparou que nos estamos a perder?

Será que o José Souto de Moura conseguiu atirar serradura para os olhos propondo a sanção para os jornalistas violadores do segredo de Justiça, sabendo que quem viola o segredo, na sua essência, são os que vêem nessa violação claros objectivos para a causa que patrocinam (estejam eles no lado que estiverem?)

Será que a Sara Pina merecia mesmo mais cuidado do Procurador? Ou será que, conforme se sabe, a mulher tinha tanto conhecimento do processo (das peças, entenda-se) como aquele arrumador de carros que pára nas Amoreiras e que, aqui e ali, vai ouvindo umas bocas?

Será que ninguém quer assumir – ou explicar – que os gabinetes de consulta jurídica instalados nas cadeias são-no, de facto, para assuntos de direito sucessório e de família deixando de lado os mais de três mil presos que num inquérito do tempo de Pires de Lima – deixado arrumado na Ordem, porventura – se queixavam de deficiente ou inexistente patrocínio por parte de advogados que os mandaram às urtigas?

Com o devido respeito...

...de que é que estamos todos à espera?


Il Assessore

Publicado por Manuel 22:31:00  

2 Comments:

  1. Anónimo said...
    Este governo está cada vez mais (social)democrata. Estou deliciado. Mas a RTP é daquelas coisas que não é paga por TODOS os contribuintes, ou será paga pelos cofres próprios do governo e se é deste onde vai buscar o dinheirinho?
    Prima said...
    De que estamos à espera?... hmmm... já ouviu falar em combustão espontânea? Temos tanto a aprender com os madeireiros deste país.

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