Elis, 1981, no último concerto, já muito perto do fim
terça-feira, outubro 09, 2007
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El Che morreu há 40 anos.
Faz hoje 40 anos que Che Guevara foi executado, por um comando boliviano, poucos minutos depois das 13 horas locais, num Domingo boliviano.
Começara o mito. A sua denúncia, só agora se revela ao mundo, em termos mediáticos. Da Loja, faz-se um relato, pequeno, de uma reportagem da revista francesa L´Express, com uma passagem em que se transcreve o que conta o seu executor, Felix Rodriguez - um cubano, antigo agente da CIA, hoje exilado nos Estados Unidos.
Segundo relatos recentes, Che, enquanto comandante da prisão de Cabana, foi responsável directo e até executor, de dezenas de prisioneiros.
Félix conta que até ao último instante, El Comandante, pensava que iria ser poupado. Não foi, por ordem superior. No momento da execução, disse-lhe: Diz à minha mulher que volte a casar e tente ser feliz." Aleida March de la Torre, parece que tentou.
A última imagem do Che, minutos antes de morrer, é esta. Félix, está atrás, à esquerda de quem olha de frente para a imagem.
Nota: A hora exacta da execução, é apontada por Rodriguez, na L´Express como sendo as 13h e 20m. Na entrevista à Veja brasileira, refere 13h e 10m. Tanto faz, mas o pormenor da foto, interessa mais: quando foi tirada, Che ainda pensaria que sobreviveria. Logo a seguir, uma chamada, codificada, dos comandantes bolivianos, indicou a Félix Rodriguez, o que fazer: execução imediata. Segundo Rodriguez, El Che, quando se apercebeu do destino iminente, ficou lívido. Pudera.
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Estado, religião, tradição, costume e cultura
segunda-feira, outubro 08, 2007
O laicismo tem dias. Um destes dias, ainda percebe o lugar que ocupa nesta sociedade.

Imagens tiradas do Público
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moca filosofal
Em Fevereiro de 2005, José Sócrates entendia que a taxa de 7,1% no desemprego, era a prova provada do falhanço do governo anterior e que os portugueses precisavam de um novo governo. Os portugueses, deram-lho. Com uma maioria absoluta anexa.
Que fizeram dela, estes filósofos de nome e curso saído na farinha Amparo?
Passados quase três anos, o desemprego subiu para mais de 8%. Conclusões? Ah... coisa e tal, estamos no bom caminho, o melhor vem já a seguir e isto vai ser uma maravilha, connosco no poder.Votem em nós!
Em política, o que hoje é verdade, amanhã, pode ser mentira. Como no futebol da liga milionária, sem fundos à vista.
Não têm um pingo de vergonha naquele jeito de propaganda de "bichinho álacre e sedento, de focinho pontiagudo que fossa através de tudo num perpétuo movimento."
Publicado por josé 14:09:00 2 comentários Links para este post
Ciclo Clarice Lispector: capítulo II

«Se o leitor possui alguma riqueza e vida bem acomodada, sairá de si para ver como é às vezes o outro. Se é pobre, não estará me lendo porque ler-me é supérfluo para quem tem uma leve fome permanente. Faço aqui o papel de vossa válvula de escape e da vida massacrante da média burguesia. Bem sei que é assustador sair de si mesmo, mas tudo o que é novo assusta»
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Clo Clo em repetição
domingo, outubro 07, 2007
Epá! Acabou agora mesmo a retoma do Isto é uma espécie de magazine, na RTP1.
Espero pelo próximo. Desta vez, só passaram o ensaio. Mas já se nota a qualidade reforçada; a originalidade repetida e a inventividade recalcitrada.
Vai longe, esta espécie de humor.
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Xaile em Belém
É o reconhecimento da qualidade de um grupo que, com quatro meses de existência, ainda está em afirmação, mas já bem maduro na forma e no conteúdo.
Este «Xaile», estou certo, ainda dará muito que falar. Para já, foi a exibição, em pleno Palácio de Belém, a convite do Presidente Cavaco Silva e perante dois mil convidados, num concerto integrado nas comemorações da implantação da República, no passado dia 5 de Outubro.
Uma escolha adequada, tendo em conta que o Xaile reúne, no estilo, na memória e na tradição, uma síntese do ser português: folclore misturado com sonoridades sofisticadas, a remeter, em simultâneo, para o passado e para o futuro.
A Grande Loja continuará, pois, a seguir de perto a carreira do grupo de Lília, Bia, Marie, Johnny Galvão e Rui Filipe.
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Os manhosos do costume
Esses, estão bem alçados na lei penal- se forem apanhados, mas isso são contas de outro rosário que o mostrengo traz consigo.
Aquilo que eles disseram tem a ver com o sistema político que temos e que produz luminárias para quem a corrupção é apenas um problema restrito, de polícia e de lei.
Tudo o resto, que envolve incompatibilidades, conflitos de interesses, ética e deontologia, serviço público exclusivo e a bem da causa pública, é verbo de encher para essas luminárias de memória apagada.
Todos os valores republicanos se cingem à lei, para estes positivistas desentendidos.
A moral, o costume, os princípios de boa governação em prol do bem e da coisa públicas, a ética republicana, plasma-se na lei e daí não sai, nem daí ninguém a tira.
Publicado por josé 19:30:00 0 comentários Links para este post
E que tal uma informação a sério?
A entrevista da RTP1 a José Sócrates, por ocasião da explicação pública acerca de dois anos de governa...perdão, da licenciatura, foi uma autêntica vergonha que define o tipo de jornalismo que actualmente se espera, também tristemente, de uma estação pública subordinada ao poder que lhe pode alterar os cargos de gerência bem paga: atenta, veneradora e obrigada ao respeitinho.
Juntando a isso uma SIC coordenada na informação por uma luminária tipo Ricardo Costa, temos um panorama televisivo a que só falta a TVI. Essa, tem um tudólogo, às terças-feiras à noite e que explica ao telespectador o que ele nunca entendeu nem entenderá: como é possível uma coisa daquelas passar por exemplo de isenção, competência e imparcialidade na análise de tudo e mais um par de botinhas.
Nos jornais, o problema já diverge: as audiências dos mais lidos, ficam-se pela centena de milhar. E os putativamente mais influentes, na intelligentsia, vendem um cabaz deles que nem dá para mandar cantar um cego. Dependem por isso de um poder que os alimenta a publicidade.
Nas rádios ? Impera a voz do dono publicitário. Sem grandes modulações de frequência. Na pública, manda o mesmo da RTP e nas outras, fica tudo assim.
Para quando um jornal a sério?
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A lógica dos do costume
Vasco Pulido Valente retoma a entrevista de Cravinho à Visão, já por aqui glosada, para lhe dar a interpretação extensivamente correcta e que alguns correligionários do actual consultor do BERD, manifestamente não quiseram entender e encaixar:
VPV diz muito simplesmente que “não existe um Estado independente do “bloco central” e muito menos dos “negócios”, que o apoiam e sustentam: da banca e da energia, a quatro ou cinco escritórios de advogados”.
Nesta afirmação, carrega-se a tinta da corrupção do Estado, daquela que não vem no Código Penal e assenta arraiais na praça pública da anomia.
Para muitos comentadores, com destaque para os situacionistas do momento, escrever algo como isto, releva mais de estultícia ou pura heresia que de sageza. Parece-lhes patético que alguém se atreva a dizer publicamente que a honra do Estado está perdida há muito e quem a deitou a perder foram precisamente os seus guardiães mais responsáveis, com destaque para os dois partidos de bloco central.
E no entanto, é meridianamente evidente que as leis do Estado para combater a corrupção, focam apenas no desgraçado que é apanhado em troca de favores directos, de toma lá, dá cá, tipo Domingos Curto Felgueiras e poucos mais. E as novas leis que se vão refazendo, vão protegendo cada vez mais, objectivamente esse núcleo duro e reservado, onde se acoita o mostrengo. Sempre, porém, com um discurso diverso e enganador.
O aparelho investigador e repressivo do Estado, foi capado, há muitos anos, para não andar a incomodar demasiado, as virgens púdicas da política portuguesa que se abanca à mesa do Orçamento como gente grande e com os amigos de sempre.
Aqueles desgraçados, apanhados ainda assim, pela investida libidinosa dos capados, e peranto o mostrengo que conhecem de gingeira, indignam-se com toda a naturalidade: eu?! Cadê os outros?- simulando a já antiga indignação brasileira que lhes serve de refúgio e exemplo.
Um exemplo, desta pequena criminalidade de ratolas da democracia e que distrai da outra que nem chega a tal patamar legal, mas que avança para além do tolerável em democracia?
Abílio Curto, membro destacado do PS, logo que condenado sem mais apelo, a cinco anos de cárcere por delitos associados a corrupção de que cumpriu já metade da pena) em Fevereiro de 2004, apelou à compreensão pública: “"Todo o dinheiro foi para o PS".
Confissão de condenado. Sem outro objectivo que não a verdade das coisas e de entendimento lógico e singelo para o comum dos cidadãos.
Perante isto, de uma evidência de fazer corar as pedras da calçada, que fazem os apaniguados do sistema que dele vivem e à sua sombra vicejam? Renegam o traidor. E do mesmo passo, defendem o sistema à outrance, se o ataque visa o partido protegido.
Vital Moreira, no próprio dia da confissão pública, apontou logo, no blog, que tal coisa era impossível. Se até a própria condenação dizia que o dinheiro tinha ido para a campanha autárquica do condenado! É ler para crer.
E também perceber porque é que o sistema não muda: precisamente porque anda ratado e minado por dentro, por interesses e lógica de poder partidário.
Trinta anos desta lógica, deu nisto que agora Cravinho denuncia e VPV reanuncia.
Em 25.1.2005, nos pactos para patos, escrevia-se nesta Loja, além do mais, algo que parece ainda actual. Aí se menciona que Joaquim Fortunato, presidente da AECOPS, numa entrevista ao DN dizia, expressamente e sem grandes rodeios:
Ou há pacto de regime ou há revolução para que entre uma nova classe política. Tem de haver uma política coerente, uma estratégia para os grandes projectos de infra-estruturas que tenha o acordo dos dois principais partidos, para não haver sobressaltos.
Publicado por josé 16:49:00 1 comentários Links para este post
Discussão para um domingo à tarde
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Onde está o Walter?
Hoje, é António Barreto no Público, a castigar o mesmo indivíduo governante, apontando-o como flagrante exemplo dos males do nosso ensino.
Depois de transcrever um despacho normativo, assinado pelo secretário de Estado, António Barreto escreve: " É fácil compreender as razões pelas quais chegamos onde chegamos. E ainda por que, assim, nunca sairemos de onde estamos."
O tal despacho, cita um Decreto Lei de 2004, revisto e alterado, através de declarações de rectificação, sucessivas e exemplares, para António Barreto, da "obsessão normativa e regulamentadora, na origem de um afã legislativo doentio".
Nada mais diz, António Barreto. Mas diz o suficiente, porque o resto já ficou dito na semana passada.
Publicado por josé 14:58:00 9 comentários Links para este post
Espalhem a Notícia
sábado, outubro 06, 2007
Divulguem o encanto
Depois de entre os escombros
Falei-vos desse ventre
Eu fui ao fim do mundo
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A avoenga da criatura
sexta-feira, outubro 05, 2007
Não vem lá a definição do termo, que isso é outra loiça. Vem apenas o pechisbeque de quem o usa, sem lhe reconhecer a procedência legítima.
Da Loja, vem a explicação. Do termo e da avoenga da criatura.
Acrescento em 6.10.2007:
Depois do grande divulgador, Pacheco Pereira, ter assumido a paternidade da revelação do bicho populista, aparece hoje Vasco Pulido Valente a enunciar os termos sumários da definição, em modo de crónica na última página do Público.
“O populismo é, em substância,uma doutrina ou uma prática política que nega ou tenta enfraquecer o princípio da representação. O populismo promete ao "homem da rua" ou às "bases do partido" ( ao povo numa variante ou noutra) o exercício directo do poder. “
Numa coisa coincidem , JPP e VPV: Luís Filipe Menezes é um populista.
A base do argumento definidor de VPV é algo deletério, sintetizado na afirmação de um dos jovens turcos: “ a ligação directa ( do chefe) ao país real”. Essa ligação, liberta o chefe de qualquer programa ou obrigação programática, porque tudo passa a depender da vontade do chefe, em ligação privilegiada à vontade do povo.
Esta definição já tinha sido enunciada por Edward Shill,, nos anos 50 e este conceito de populismo, enunciado por VPV, parece-me o mesmo, escrito em 1989, na Vida do Independente, para definir Cavaco Silva e o seu modo de governar, como já foi apontado no escrito anterior.
O que traz um problema suplementar: Se Cavaco Silva também era ( é?) um populista, que dizer do conceito, assim definido?
Talvez elaborar um pouco mais e não ficar pelas análises perfunctórias, mal acabadas e que ressumam a mero preconceito, seja a solução. E no caso português, vamos provavelmente descobrir que o sistema político-partidário, não admite grandes populismos. Antes, suporta grandes partidos entrosados já em sub-sistemas oligárquicos de manutenção de poder.
Balsemão, um dia destes num Prós e Contras qualquer, dizia-se muito satisfeito pelo sistema político português que congrega já um número assinalável de profissionais da política.
Marques Mendes é o quê, senão um profissional da política que um ressabiado Belmiro dizia há uns anos que nem para porteiro o queria? Sócrates, com a engenharia que tem, é o quê, também?
E quem é que atende verdadeiramente ao aperfeiçoamento da democracia, através da criação e incentivo a instituições políticas, sólidas e autónomas, com regras de igualdade para todos e empenhadas em fazer respeitar as regras de mercado, sem intervenção na economia, para realizar interesses próprios , no dizer de David Grassi?
O que dizer da governamentalização do sistema político, com subalternização do Parlamento, como se tem visto em Portugal? E que dizer do modo como se escolhem deputados e comissários vários?
Isso é o quê? Democracia avançada, para o século XXI?
Publicado por josé 20:20:00 0 comentários Links para este post
As benevolentes

A entrevista de Catalina Pestana ao Sol, é explosiva no que diz, no que deixa adivinhar e no que fica por dizer. Mas suficiente para se ficarem a saber as suas convicções de pessoa que lidou com o assunto por dentro, ouviu os menores concretamente abusados, ouviu pessoas ligadas à instituição e sabe aquilo que muitos comentadores de secretária, tipo Ana Gomes ou Adão Silva, entre uma imensa caterva, nunca sabem, nem lhes interessa saber.
Publicado por josé 13:15:00 11 comentários Links para este post
Os zangãos
Para eles, é tudo um problema de leis. Para inglês ver. Para Cravinho, é muito mais do que isso: é o espírito das próprias leis e aquilo que as precede: a consciência ética dos princípios.
Cravinho, na entrevista, fala expressamente do desentendimento a propósito do "juizo político e ético sobre a situação da corrupção em Portugal e o seu efeito corrosivo sobre as instituições democráticas".
Claro que o dr. Vitalino e o dr. Martins, fazem-se desentendidos. China, Stanley Ho, Angola, interesses económicos diversos, contratos milionários, pareceres avulsos aos milhões para algumas dezenas, advocacia de negócios rendosos, por conta do Estado ou umbilicalmente a ele ligados, são assuntos que têm a ver exclusivamente com leis, como toda a gente sabe. E quem não sabe, nem precisa de saber.
É por demais evidente que João Cravinho há tempos que pretende atingir o porta-aviões dos interesses avulsos e anónimos.
Ética? Conflitos de interesses? Que é isso?! Já temos leis que cheguem e Portugal até está muito bem no ranking mundial da corrupção.
Ah! E ainda falta a reacção do timoneiro Jorge Coelho, mas estamos certo que ainda se há-de ver. Correctamente pronunciada, desta vez.
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Suzanne Vega em ponto de «Caramel»
quinta-feira, outubro 04, 2007
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Coragem portugueses, o futuro será grandioso
«Adolescentes fumam menos e têm mais sexo»
in jornal «Público» desta quinta-feira
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Bye bye, mr. Cravinho
Cravinho foi deputado e como tal, escreveu dos artigos mais cáusticos contra a anomia reinante e apontou o sítio concreto onde o bicho se acoita: no seio do aparelho de Estado.
As propostas legislativas de Cravinho para estancar a sangria de custos éticos e políticos, foram apresentadas ao público e tiveram pouca repercussão entre os pares. Et pour cause?
Cravinho, indicado por este governo socialista, foi para Londres, para o BERD, numa fuga entendida publicamente como uma capitulação no combate, por dentro do sistema ,ao cancro que o corrói. No limite, foi mais uma vítima do mostrengo de mil caras e outras tantas máscaras.
A revista Visão de hoje, entrevista Cravinho, sobre esse e outros assuntos. No essencial, diz Cravinho:
“os diplomas foram , de facto, debatidos nessa altura. Esgotei a minha missão, os meu poderes como deputado. Fui até ao limite do que podia. Após um processo longo e muitas discussões, formei uma ideia sobre as razões das divergências profundas – porque as havia e eram manifestas- entre mim e a direcção do grupo parlamentar em questõs fulcrais. A primeira tem a ver com um juízo político e ético sobre a situação da corrupção em Portugal e o seu efeito corrosivo sobre o funcionamento das instituições democráticas. Penso que é um fenómeno grave, extenso e sem mecanismos de contenção à altura.. Alguns dos meus camaradas não são nada dessa opinião. O presidente do grupo, Alberto Martins, disse que o fenómeno existia, mas que Portugal não estava numa situação particularmente gravosa. Pelo contrário, nas comparações internacionais estava muito bem. Fiquei de boca aberta. Nem rebati, porque um homem como Vera Jardim disse logo que, pelas informações que lhe chegavam de homens de negócios, a corrupção era grave e estava
(…)
Prevaleceu no debate uma visão eminentemente policia da corrupção. A minha é que existe esse lado policial, que também é importante – e não podem acusar-me de o ignorar, porque pedi e fiz propostas orçamentais que, aliás, só foram aprovadas parcialmente, para reforço do combate policial e da investigação criminal. Depois, o PSD e o CDS pegaram nisso, mas estive bastante isolado. Só que a corrupção como fenómeno novo, associado à globalização, torna a concepção policial obsoleta. Um dos nossos grandes problemas é a corrupção de Estado, a apropriação de órgãos vitais de decisão ou da preparação da decisão por parte de lóbis. Embora, aparentemente, tudo se faça segundo a lei, com mais ou menos entorses. A corrupção, antes de ser um fenómeno do domínio policial, é um problema de risco, de sistema, a ser gerido e não reprimido como se fosse um conjunto de factos isolados. Deve ser objecto de uma responsabilização total a nível administrativo e político. E ficou evidente que esta ideia não era partilhada. Assim como o papel do Parlamente no controlo do combate á corrupção. “Um dos nossos grandes problemas é a corrupção de Estado, a apropriação de órgãos vitais de decisão ou da preparação da decisão por parte de lóbis.”
A frase, assim proferida, rebola como uma granada por despoletar. Visa atingir o quê e quem? Os lóbis, é uma expressão vaga, de significado equívoco.
Os escritórios de advogados do PS e respectivo bloco central, organizam-se como lóbis?
Estou a referir-me em concreto aos escritórios de pessoas conhecidas, do próprio PS e de figuras gradas, ou do PSD e de bloco central. Há vários e para gosto variado, pelo que seria injusto para uns não os citar aqui, com outros que merecem igual citação. Assim, não cito nenhum. Toda a gente os conhece, porque estão sempre a aparecer e têm os seus deputados de estimação que podem acumular tarefas e trabalho em part-time, ou subrogado em substitutos legais, na Assembleia.
São esses que João Cravinho pretende atingir? Que o diga!
No caso de um dos escritórios mais conhecidos, a PLMJ, de Júdice, já se sabe que um dos sócios de capital, o fiscalista catedrático Mota de Campos, carrasco de Saldanha Sanches , já afirmou publicamente que não conhecia nenhum caso de corrupção. Ora, é exactamente isso que Cravinho diz: o problema é não haver corrupção como caso de polícia, mas sim ético-político. É aí que entronca a discussão cívica que não se faz, ou se renega.
Serão também esses lóbis que indica genericamente, as grandes empresas de construção civil, como a Somague e a Mota & Companhia e outras e os grupos que gravitam à volta dos seus negócios?
A REFER, outras empresas públicas e ainda as empresas de saneamento das autarquias, por exemplo, nadam neste pântano denunciado por Cravinho? E quem é que mergulha de alto nesse lodo?
Um caso como a da Bragaparques, em que há acusações oficiais e concretas de corrupção, é diferenciado deste tipo de fenómeno ou é farinha do mesmo saco?
E em que se configura exactamente aquele fenómeno apontado como sendo das franjas da corrupção que assim nem é considerada, porque foge à previsão legal?
Uma coisa ficamos a saber pela certa: é o PS deste grupo liderado por Alberto Martins que se recusa a aceitar a discussão nos termos propostos. Não querem. Acham que não há corrupção em Portugal que possa fazer perigar a estatística internacional e a boa imagem que temos de ficarmos quase no primeiro quarto dos 100 países mais corruptos, com tendência para aumentar exponencialmente. Contentam-se com essa mediocridade, por razões inconfessáveis, mas fáceis de adivinhar: o país é pobre e muitos não têm emprego compatível com o trem de vida. Aliás, quem é que paga em Portugal, mais de 5 mil euros por mês a licenciados de meia tijela que passaram toda a vida nas sedes partidárias e nada mais sabem fazer, se não à sombra do Estado protector, deles e dos seus?
Cravinho não responde agora e nem se aproxima de uma resposta que em tempos deu numa entrevista notável ao Público, em 5 de Dezembro de 2006, na qual dizia que a corrupção era um problema de sistema que vicejava "entre grupos, de certos sectores da administração".
Que grupos de que administração? “São as autoestradas mais caras, talvez a saúde mais cara, as casas mais caras, tudo."
Nessa entrevista, Cravinho aproximou-se tanto do mostrengo que só tinha um destino à porta: o da chupeta internacional, no BERD ou noutro sítio onde se amamentam desiludidos.
A desilusão agora é tanta que perante a pergunta do repórter Visão ( Emília Caetano, em Londres), sobre o caso da licenciatura de José Sócrates, Cravinho nada melhor teve para responder do que isto:
“Depois da investigação da PGR, o assunto está esclarecido”.
Pois está. Eticamente coerente, ficamos assim todos esclarecidos quanto ao realismo do combate de Cravinho e com a espinha encravada daquilo que podia ser o vislumbre de uma saída airosa e a tempo deste pântano em que meteram a vida colectiva deste pobre país.
Bye, bye, mr. Cravinho. You´re deceiving us all. E desculpe o tecnicismo do inglês...
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Durão Barroso versão MRPP
(com a devida vénia ao PortugalDiário)
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De facto, é uma pomada do melhor

Na boca é terroso, guloso e quente, fruta muito madura misturada com chocolate negro - é sem dúvida um vinho todo no estilo moderno e linear. Porém, quando (dele) menos se espera, emerge timidamente alguma frescura proporcionado-lhe uma vitalidade sofisticada
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As farsas
quarta-feira, outubro 03, 2007
Segundo o Correio da Manhã de hoje:
D. José Policarpo acredita que há “forças na sociedade” que não vêem com bons olhos a presença da Igreja nos hospitais e garante que a questão financeira não é argumento válido. “Se fosse preciso pagar, pagávamos”, admite o cardeal patriarca de Lisboa. No seu entender, é aceitável a discussão sobre “se os capelães devem fazer parte da estrutura de funcionários públicos”, apesar de essa não ser uma situação que lhe agrade. “Há que arranjar uma maneira de compensar o capelão pelo tempo que passa no hospital”, sublinha.
Segundo o Causa Nossa, também hoje:
«O cardeal patriarca de Lisboa criticou ontem o Governo por causa do diploma que prevê o fim dos capelães nos quadros hospitalares, cessando igualmente a assistência espiritual aos doentes internados(...)», diz o Correio da Manhã de hoje. Mas a parte sublinhada é falsa. Ninguém pretende acabar a assistência religiosa aos doentes.Assim se faz jornalismo em Portugal...
É este, evidentemente, o tal jornalismo de sarjeta. As máscaras, por natureza, devem esconder o real e como as intenções não são perscrutáveis, a não ser pelos sinais que as traem, ficamos com mais uma farsa à vista.
Publicado por josé 10:44:00 0 comentários Links para este post
Observatório 2008 - as propostas de Hillary
terça-feira, outubro 02, 2007
Hillary Clinton entre os seus rivais, John Edwards e Barack Obama: a liderança da senadora por Nova Iorque é confortável, mas a nomeação ainda não está garantida
No próximo bloco de capítulos deste «Observatório 2008», faremos o mesmo em relação aos quatro candidatos que podem obter a nomeação no campo republicano: o ex-mayor de Nova Iorque, Rudy Giuliani; o ex-senador pelo Tennessee, Fred Thompson; o senador pelo Arizona e segundo classificado nas primárias de 2000, John McCain; e o ex-governador do Massachussets, Mitt Romney.
Mas centremo-nos, hoje, no campo democrata, aquele que, de acordo com a actual tendência, mais hipóteses tem de investir o próximo Presidente dos Estados Unidos.
Os últimos estudos, a nível nacional, dão Hillary com uma vantagem confortável, de cerca de 15 pontos percentuais, em relação a Obama, mas o senador pelo Illinois voltou a ganhar algum impulso nas últimas semanas, conseguindo recuperar (ainda que muito ligeiramente) um atraso que chegou a ser de mais duas dezenas de pontos sobre Hillary.
Edwards continua muito forte no Iowa, o estado de arranque, mas perdeu a liderança nas sondagens para aquele estado-chave e, depois de quase ter apanhado Obama no segundo lugar, volta a cair para números pouco acima dos 10 por cento — manifestamente pouco para sonhar com uma viragem.
Vejamos, então, os pontos fortes e fracos de Hillary Clinton.
HILLARY CLINTON: é, indiscutivelmente, a favorita, tanto da corrida democrata como da eleição geral. Tem sabido responder aos ataques dos republicanos ainda que, para muitos analistas, o tradicional jogo sujo do GOP ainda esteja para vir — virá, em crescendo, se se confirmar o claro ascendente da senadora nas primeiras consultas nas urnas.
Como front-runner inequívoca, que está à frente de todas as sondagens nacionais que se fizeram desde Maio (a única que deu Obama à frente foi a do Rasmussen Reports, a 11 de Maio, numa pequena diferença de 35-33), Hillary pode dar-se ao luxo de fazer uma campanha de minimização de danos. Mas a senadora tem-se revelado muito forte e determinada nos debates, onde, até ao momento, não cometeu qualquer gaffe significativa.
Os analistas elogiam a consistência das propostas da ex-Primeira Dama, que tem sabido centrar a agenda da campanha democrata nos seus temas favoritos, que domina há anos e onde se sente particularmente à-vontade: a reforma da Saúde e da Segurança Social, a reanimação da economia, o combate à exclusão social e às tensões raciais (continua a ter vantagem sobre Obama no eleitorado negro, potenciando o apoio esmagador que Bill Clinton tinha junto dos negros). É aí que Hillary se sente melhor e é nessa esfera que tem apostado: na classe média, por um lado; e nas classes desfavorecidas e minoritárias, por outro.
Não por acaso, esses dois megaestratos foram, ao longo de oito anos, a base social de apoio de Bill Clinton e Hillary já escolheu, claramente, recuperar esse trilho que levou o casal Clinton ao poder, pela primeira vez, na década de 90.
Mas será que Hillary vai tentar decalcar a papel químico a presidência do marido? Ela garante que não: «Bem, não faria tudo igual ao que aconteceu nos anos 90. Estou, desde aí, mais velha e mais prudente. O mundo mudou muito nos últimos anos, temos que o abordar noutra perspectiva», garante, citada num longo artigo na New Yorker, sob o título: «The political scene: the legacy problem».
O que fará, então, Hillary de diferente? «Não assinaria o NAFTA (ndr: North American Free Trade Agreement, o acordo de comércio livre entre EUA, Canadá e México) nos termos em que o fez Bill. Creio que o tratado não atingiu os benefícios que chegaram a ser anunciados».

Seja como for, numa campanha tão vasta, em que Hillary tem tentado dirigir-se ao maior leque possível de eleitores — de modo a diminuir a taxa de rejeição elevada que, até há poucos meses, tinha junto dos americanos (46 por cento deles diziam, à partida, que «nunca votariam em Hillary», muito acima da taxa de rejeição de Obama, 33%, talvez reflexos, ainda, dos tempos de polarização dos últimos anos do segundo mandato de Bill Clinton) — a líder da corrida democrata tem sabido gerir, com perícia, o tal legado dos anos Clinton, conseguindo herdar os aspectos bons (e são muitos) e sair relativamente ilesa dos maus (que foram alguns).
Outro mérito de Hillary tem sido contornar a questão do Iraque que, no início da sua candidatura, prometia ser o seu calcanhar d’Aquiles. Mesmo tendo sido um dos membros do Senado que deu apoio ao Presidente Bush para invadir o Iraque e derrubar Saddam (ao passo que Obama, então ainda no senado estadual em Chicago, foi dos poucos democratas a estar contra a guerra desde o início), Hillary soube virar a agulha a tempo e, desde que está na corrida, tem sido uma crítica feroz do pós-guerra e da forma como Bush se tem atolado no caos do Iraque «democrático».
Apesar de alguma inconsistência na mudança de posição sobre este tema tão central para a realidade americana, a verdade é que as sondagens mostram que Hillary não será penalizada pela questão do Iraque. Se, porventura, Obama conseguir roubar a nomeação à senadora por Nova Iorque, é quase certo que não será pela questão do Iraque.
Para reforçar as suas garantias no plano militar, Hillary já anunciou, de resto, que escolherá Wesley Clark, general na reserva e terceiro classificado nas primárias do Partido Democrata em 2004, para seu secretário da Defesa.
O senador Joe Biden (também candidato a Presidente e actual líder da Comissão de Relações Externas no Senado) e Bill Richardson (candidato presidencial e governador do Novo México) são duas hipóteses muito fortes para futuras escolhas de Hillary para Vice-Presidente, tendo em conta a sólida experiência internacional que congregam. Richardson foi, de resto, secretário do Comércio na primeira Administração Clinton e Biden é um dos aliados de Hillary no Senado.
Usando a sua experiência na primeira Administração Clinton, quando tentou uma reforma ousada do Medicare e do Medicaid (1993/1994), Hillary retomou as suas ideias sobre o Sistema Nacional de Saúde e tem dominado a sua mensagem, nas últimas semanas, com este tema.
Hillary aprendeu a lição de há 14 anos, quando foi simplesmente trucidada pelos republicanos por ter querido implantar um sistema pesado, que daria grandes protecções aos utentes mas implicaria grandes custos e aumentos de impostos.
Mais moderada, apresentou agora uma proposta menos arrojada, mas que, garante, permitirá que «cerca de 40 milhões de americanos que, neste momento, não têm seguro de saúde passem a receber cuidados médicos essenciais». O segredo parece estar na escolha: «Quem estiver satisfeito com o seguro que tem, óptimo: nada terá que mudar. Mas o Governo federal tem a obrigação de dar uma resposta aos 40 milhões de desprotegidos do actual sistema», lança a poderosa senadora.
No actual clima da vida política americana, os republicanos não terão, agora, grandes condições de desconstruir este argumento — pelo menos, durante a campanha.
Hillary tem sabido lançar os seus trunfos. E, se os próximos três meses não trouxerem grandes novidades, está muito bem lançada para vencer as primárias no Iowa, New Hampshire e Carolina do Sul. Se o fizer, obterá, certamente, a nomeação, dado que revela já vantagens muito confortáveis nos estados que conferem mais delegados, como Califórnia, Nova Iorque, Florida ou Ohio.
No próximo post falaremos sobre Barack Obama, que tenta fazer história ao ser o primeiro Presidente negro e o mais jovem desde John Kennedy, a par de Bill Clinton (terá 47 anos à data da eleição).
Publicado por André 18:52:00 0 comentários Links para este post
Direito de Pernada
Mais um episódio da série líder de audiências O Sexo e os Tribunais
Publicado por Carlos 15:15:00 2 comentários Links para este post
O estímulo vital
Está visto que Vital Moreira não suporta a crítica num determinado tom. Em tom baixo, sussurado, com o devido respeito, salvo pela “ideia” peregrina, ainda vá que não vá.
Se for em tom desabrido e a puxar lustro à indignação, pelas faenas de atitude pública, já não há suporte a não ser o insulto que diz execrar e nunca suporta, com nenhum fair play, mas que pratica a seu bel-prazer eufemístico e sofisticado.
Adjectivações várias como a de “mabecos”, “peões do clericalismo indígena”, “tolos”, “atávicos”, “ressabiados”, “panditas auto-encartados”, “disparates”, “anedotário”, “faz fretes”, “dislate malévolo”, etc etc. e para só citar as do último mês de postais, para além das fartas insinuações directas sobre intenções alheias, processadas na mente do escriba, ou sobre a personalidade de “certas companhias”, são o dia a dia da escrita no blog da causa nossa.
Ou porque uns serão isto; ou porque pretenderão aquilo, os postais de Vital, são sempre um must, com um leit–motiv: a defesa à outrance, muitas vezes, das posições ortodoxas de uma putativa esquerda que este Governo ainda incorpora para o escriba e se revela agora mais folclórica do que ideológica, mas que lhe permanece referencial e distintiva, ainda que meramente imaginária.
É nessa dança de ideogramas que aparece de vez em quando a crítica avulsa a medidas de governo ou a atitudes de responsáveis, que caucionam o equilíbrio autosatisfeito, para se proclamar um fiel de balança analítica.
Em relação a desconhecidos que lhe respondem em tom idêntico, mesmo sarcástico, já escreveu que não lê e não responde. Não liga. Mói-se, mas não se mata com o assunto,porque perde o sério e a compostura.
Em relação a conhecidos que o vituperam, mesmo moderadamente, fica sempre com o caldo entornado no pelo eriçado e na irritação à flor da pele.
A última vítima deste destempero natural, é o Arrastão que vai fazendo pela vida, no blog onde escreve para todos lerem que existe uma inteligência assim, neste canto.
O pobre escriba teve o azar de lhe repontar a crítica em que Vital o apelidou metonimicamente de anedota, dizendo-lhe apenas que era o Vasco Graça Moura da esquerda. Ó insulto maior! Ó desgraça! Ó arrastão- para a lama!
Este tipo de alusões, nunca fica sem resposta de Vital e esta vez não é excepção. O pobre Oliveira, sem figueira para se pendurar, leva a abrir, com o epíteto de “aleivoso”, que é em bom português, calunioso, traiçoeiro. Porca miseria!
E a seguir, para remate final, acaba por lhe cortar a colecta. Exemplar. Melhor: estimulante.
Publicado por josé 10:23:00 4 comentários Links para este post
'só o que convém'
Enquanto não arranjo tempo para escrever sobre o CPP e sobre o PSD, segue uma pequena nota sobre as declarações hoje à imprensa, sobre o Caso Maddie, do elemento da PJ 'coordenador' da 'investigação'. Numa palavra lamentável. Jogar, outra vez, a cartada 'nacionalista, desta vez declarando guerra (!) à polícia inglesa, 'a soldo dos McCann' é de uma imbecilidade atroz. Vai ser, aliás, curioso seguir os próximos passos quer do Governo, quer da Direcção Nacional da PJ, nesta matéria. Estas declarações provam, à exaustão, porém um facto - Com ou sem 'culpas' do lado de lá, todo o processo, desde o início, do lado de cá, foi conduzido com os pés. 'Berrar' agora,ainda por cima tarde e a más hoiras, só reforça o facto.
Publicado por Manuel 10:12:00 4 comentários Links para este post
Saudemos o novo mês com este «Mar D'Outubro», da Sétima Legião
Publicado por André 01:20:00 1 comentários Links para este post
A balança da tv
segunda-feira, outubro 01, 2007
De um lado, uma senhora publicamente conhecida, por ser casada com outro senhor que se conhece publicamente como pai de coisa mais antiga que ele, torna-se defensora de uma das partes, particularmente o casal que tomou conta da pequena Esmeralda. Não precisa de argumentos. Basta-lhe conhecer o casal. Ainda a defender este casal, está presente um dos directores de um lar ( Aboim Ascensão) que já defendeu antes a legitimidade de a pequena Esmeralda,a quem ele trata como Ana Filipa, ficar à guarda"de quem a ama e a protege".
Na plateia, uma pediatra de direcções que fala de guarda conjunta, sem perceber o que isto é, e uma senhora deputada que assume esta qualidade para dizer que não pode ali mesmo contrapor o poder legislativo ao judicial, defendem implicitamente o interesse superior da criança em ficar com o casal com quem está.
A outra parte, que é o pai da Esmeralda, e que anda há mais de três anos a reivindicar a guarda da filha, tem ninguém na sua defesa, neste programa.
Dois juízes experientes, um deles de matéria cível e de menores e mais um jubilado na plateia, tentam fazer a ponte entre estas partes do Prós e a do Contra que não existe no programa.
O problema dos juízes do programa ainda acresce com a circunstância de não poderem lidar com elementos concretos do processo que as partes usam com discrição.
Ainda assim, o jubilado diz que a lei manda atender aos pais e pessoas legalmente responsáveis, para se aferir o superior interesse da criança. Parece que ninguém entendeu muito bem o alcance da disposição legal.
No programa, há um elemento escondido: nenhum dos intervenientes do Prós, deu a conhecer os interesses particulares que os animam a tomar a posição que tomam. E deviam ter dado. Pelo que se conhece publicamente, nem a senhora casada com o senhor publicamente conhecido é imparcial; nem o é o psiquiatra que fala na tv e que se fica a saber que deu parecer técnico no processo em causa, a favor do casal; nem o senhor do refúgio Ascensão. E quanto à senhora deputada, temos caso particular de opinião para o lado certo da correcção politicamente assegurada.
Há ainda outro elemento à vista: o processo e os elementos concretos de facto e de direito, são secundários, para os peritos apontados. E sê-lo-iam sempre, porque já há muito decidiram, sem apelo. Além disso este painel de peritas, lembra, inapelavelmente uma série de coisas antigas e bem antigas. Lembra efectivamente um Movimento Nacional Feminino que se julgaria já um resquício do passado remoto.
Como é que se chega aqui? Como é que ninguém se lembra de colocar a questão mais óbvia e importante: saber como foi possível a um tribunal Constitucional deixar um processo deste género parado, sem movimento durante...anos?! Quem foi o juiz que assim procedeu por omissão?
Mais: como é possível em termos práticos, que estes processos ( e há provavelmente dezenas ou centenas deles em todo o Portugal), tenham prazos alargados e se olhe para os mesmos com olhos diferentes dos que servem para ver o processo penal?
De quem é a responsabilidade concreta do facto de estes processos demorarem anos a serem resolvidos a contento? Dos tribunais? E porquê, se for assim? Da lei? E porquê, se assim for?
E é assim, em Prós e Contras como este, que se julgam os tribunais, em Portugal: num Prós sem contra algum. Uma balança que rouba o consumidor que vê como espectador.
Publicado por josé 23:03:00 16 comentários Links para este post
A tradição nova

Esta imagem tem uma história e tradição milenares. É a de Santa Cecília, padroeira dos músicos, cujo dia se celebra no próximo 22 de Novembro. E é das catacumbas de S. Calisto, perto de Roma.
Hoje é dia Internacional da Música, criado há pouco mais de trinta anos, pela UNESCO e por Y. Menuhin, o violinista prodígio de origem judaica.
Para além desta nova tradição, há a antiga, Da Loja.
Publicado por josé 19:53:00 0 comentários Links para este post
O jacobinismo assenta-lhes tão bem!
Publicado por josé 11:50:00 1 comentários Links para este post





