Le Pen
sábado, abril 21, 2007
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A complacência absoluta
A Biografia dos Deputados da VI Legislatura, datada de 1993, na qual Sócrates aparece como Engenheiro e Licenciado em Engenharia, é precisamente a mesma em que o então deputado do PSD aparecia, falsamente, como «Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra» e «Advogado».A edição de «O Independente» desmascarou esse pseudo-licenciado é a de 5 de Maio de 1995, que guardei religiosamente. Nas declarações que então prestou a esse semanário reconhece ter preenchido a ficha com os elementos destinados a integrar a referida Biografia com a indicação de que era «Licenciado em Direito», quando ainda lhe faltavam duas disciplinas (Direitos Reais - com o temível Prof. Doutor Orlando de Carvalho - e Direito do Trabalho). Passou a transcrever o então disse ao jornalista. «Fi-lo porque achei que passados uns meses acabaria o curso». Valha-lhe, ao menos, que não negou o óbvio, ao contrário de Sócrates, que até apresenta duas versões da dita ficha...Todavia, em relação à profissão de «Advogado», igualmente mencionada nessa Biografia, sacudiu a água do capote, como Sócrates, escudando-se (cfr. a citada notícia) «num provável erro dos serviços administrativos do Parlamento».Informados da aldrabice (pelo jornalista de O Independente), alguns companheiros de bancada traçaram logo o seu destino: «Está politicamente arrumado com este episódio». E fontes próximas do grupo parlamentar garantiam que esse gesto de Adérito de Campos iria fazer mossa: «Um tipo que faz uma destas, mentindo descaradamente, sujeita-se às piores consequências, quer a nível partidário, quer a nível da Assembleia da República. E nem o facto de ser um bom homem o vai salvar. Logo numa altura em que a transparência está na agenda do dia!».E que dizer de Sócrates, que não é um simples e cinzento deputado, mas o Primeiro-Ministro deste país à beira-mar plantado, terá dignidade suficiente para tomar a única atitude que lhe restaria num país civilizado (a demissão)????Do «seu» Hugo Donelo (que já teve os seus livros no Index da Inquisição mas continua bem vivo).Hugo Donelo 18.04.07 - 12:42 pm
Esta questão de licenciatura que atinge José Sócrates, permite a certeza de alguns dados de facto e a extensa dúvida relativamente a muitos outros, alguns deles ainda discretos e porventura, até secretos. Permite afirmar sem sombra de qualquer dúvida, que José Sócrates mentiu publicamente, a propósito destes mesmos factos. Disse que era engenheiro e não o era de todo, porque não se licenciara. Agora que a dúvida sobre a própria licenciatura surgiu, as explicações são o que são.
O caso do engenheiro postiço, então deputado, depois ministro e agora primeiro dos ministros, não é um assunto a desvalorizar, contextualizando-o numa ideia intangível de uso social. A verdade é que foi o próprio José Sócrates quem assumiu, assinou e reclamou para si um título académico que não tinha e isso é uma mentira, contextualmente grave.
No caso do deputado Adérito, bastará a consulta aos diários da Assembleia da República para ler as indignações genuínas, as inflamadas proclamações de princípios éticos e as reafirmações seguras dos padrões de exigência para os comportamentos dos eleitos.
Tal aconteceu há mais de dez anos, no mesmo local onde agora se revela que os documentos originais da ficha biográfica de um deputado, desapareceram subsistindo ainda assim, a prova de que essa ficha fora alterada, no seu original ou na sua cópia e pelo seu subscritor, por motivos dúbios. A diferença entre os deputados José Sócrates e Adérito de Campos, reside num pormenor importante: este confessou o facto e explicou por que o fez. Mesmo assim, não houve qualquer contemporização ou complacência.
Actualmente, as explicações dadas pelo presidente da Assembleia da República nem levantam grandes questões: ficou tudo explicado e ninguém se indignou. O bloco é central e já mudou de assunto.
A complacência magna neste assunto, em contradição magnífica e flagrante com um suposto grau de exigência ético, no passado, permite que se questione a evolução democrática portuguesa ou se avalie a natureza da própria democracia que temos e somos.
Um país tido como de brandos costumes, alterna a contemporização mais laxista, com a intolerância mais acerbada, e a incerteza dos valores assentes, permite a certeza do futuro dos sociólogos e crónicos do regime e do contra.
Numa pequena resenha, o retrado de um país:
O jornal Independente saído no final dos anos oitenta, pode ser um bom guia desta esquizofrenia nacional, socialista e democrata.
Nessa época dourada de ética aflorada em papel de jornal, pela dupla Paulo Portas e Miguel Esteves Cardoso, foi notícia, em Março de 1989, o caso de Leonor Beleza como ministra na Saúde e a publicação de um relatório da Inspecção Geral de Finanças, conduziu directamente à demissão do ajudante de ministro Costa Freire, por corrupção. Sabemos como tudo acabou: o ajudante em tempos proclamou a sua intenção de accionar o Estado por ter sido acusado, julgado e …não transitado. O caso, como todos sabem, prescreveu. O futuro de Leonor Beleza perseguiu-a mais uns anos e com a prescrição do caso dos hemofílicos, acabou numa fundação de prestígio e muito dinheiro.
Em Janeiro desse mesmo ano, o caso da casa de Cadilhe, ministro de Finanças que aproveitou o serviço da guarda-fiscal para mudar os trastes de um apartamento modesto trocado para o luxo das Amoreiras, deu o brado necessário, para se entender como eticamente inadmissível tal comportamento, digno de demissão.
Em Fevereiro de 1990. estalava o caso Melancia, nomeado pelo presidente Soares para a governação de Macau: 50 mil contos remetidos ao governador que saíram do escritório de uma empresa alemã, por causa do aeroporto de Macau, sumiram. Em tribunal, Melancia ficou à parte; na outra parte, deu-se como provada a corrupção activa sem se ter determinado o agente da passiva. Melancia sempre negou. Rui Mateus, um íntimo do poder socialista centrado em Mário Soares e Almeida Santos, foi condenado e escreveu um livro a denunciar todas as tramóias que lhe interessavam na altura. Prometeu escrever outro. O principal visado, o dito cujo Mário, mai-lo seu partenaire de partido Almeida Santos, sairam totalmente incólumes do assunto, porque os procuradores gerais, na época, adjuntos do poder socialista, entenderam que o baile parava à porta de Belém. “Não se encontraram indícios suficientes”, foi a justificação legal.
Um desgraçado jornalista- Joaquim Vieira- tentou repescar o assunto da vilania explicada, por ocasião das últimas presidenciais. Fê-lo com tanta oportunidade que acabou despedido e a revista onde publicara o desaforo, fechada para balanço. Quem foi o responsável? O mistério aponta para um poder laico, republicano e de pendor social que se opõe sempre a uma famigerada“direita”, a atentar sempre contra a estimada “esquerda” defensora dos direitos do povo e do socialismo. É este o argumento supremo, sempre que o fogo chega às portas da cidade proibida. Aqui d´el rei! Vem aí a direita! Tem sido o slogan infalível dos sitiados pelos escândalos incontornáveis.
Em 1992, o escândalo rebenta no seio da própria entidade que acima de todas se instituiu como defensora dos interesses dos trabalhadores. A UGT, couto do socialismo à moda de Torres, foi acusada de aproveitar verbas do Fundo Social Europeu para formar vigaristas. Caiu o Carmo, a Trindade e a torre do Tombo afundou-se. Podia lá ser, uma coisa assim! Anos e anos depois, o processo, naturalmente, prescreveu. Couto sumiu, mas outros coutos apareceram e prosperaram, sempre em nome dos trabalhadores.
Em 1994, um outro assunto menor assumiu proporções de grande escândalo: O deputado do PSD e líder parlamentar, Duarte Lima, tinha uma Casa Cheia de coisas fabulosas. O Independente de 9 de Dezembro de 1994, prometia escrever sobre “as fabulosas casas” do deputado, vindo das berças transmontanas, pobre e com uma mão atrás e outra à frente, em busca das luzes da cidade. Uma quinta de 3 hectares, perto de Nafarros, suscitava a atenção do próprio Mário Soares que publicamente exprimia a sua estranheza pelos muros altos da quinta sem dono verdadeiramente conhecido e com movimentações suspeitas de obras e mais obras. Um bom ingénuo, este Soares, proclamava a sua estranheza mesmo, mesmo estranha, na época.
A fuga ao fisco, serviu outra vez para o escândalo estourar, com base sólida, demolida com o pagamento em processo de contra-ordenação e rectificação de declarações fiscais. O resto foi por água abaixo porque em 1994, o tráfico de influências era ainda uma miragem penalmente relevante. O deputado, aliás esteve sempre inocente de todas as acusações e trocou impressões nos jornais contra a inveja pátria.
Em Janeiro de 1996, calhou a vez a um Nabo de apelido, ser incomodado por ter tentado enganar o fisco. Murteira, ministro de Guterres, declarou um preço de compra de uma casa, abaixo do real. Ficou ao léu, porque o pecado era mortal, como fora para Cadilhe e veio a ser igualmente para António Vitorino, alguns anos depois, por causa de um monte alentejano, sem sisa.
Aliás, a falta de cumprimento escrupuloso das obrigações fiscais, tem sido o atoleiro de governantes, em Portugal. O único motivo de demissão de governantes, em Portugal, tem sido apenas esse. Bem, não apenas esse. Houve um outro, ainda mais grave, relacionado com uma anedota sobre hemofílicos.
Os casos de corrupção ou nepotismo, sendo raros, são também do domínio dos assuntos esotéricos. Nunca um político se demitiu por insignificâncias dessas, negadas pelo povo que elege. Fátima Felgueiras? Inocente, até prova provada do contrário. O da mala preta? Qual quê! Isaltino Morais? Nem é preciso acrescentar mais. Narciso Miranda? Nem pensar. Até prepara o seu regresso ao futuro depois do caso desagradável de Sousa Franco que – isso sim!- não se tolera de modo nenhum… durante uns meses!
Nesta jangada de pedra da democracia pátria, a ética na política, parece uma moda, apresentada pelos jornais. Antes, a ética do inadmissível, resumia-se na fuga ao fisco que no fim de contas redundou na prisão de uma única pessoa, um anónimo da Oliva.
A corrupção, nunca se assumia porque não existia, até prova em contrário que nunca se fez. As leis que a combatem são sistematicamente combatidas na Assembleia por quem numa lógica perfeita, se recusa a combater o que não existe.
Os inquéritos no Parlamento, destinados a apurar responsabilidades ético-políticas, redundam sempre no mesmo destino conhecido antecipadamente: conclusões de geometria variável conforme a maioria que vota. A verdade, nisto tudo? Um pormenor casuístico, procurado apenas por interesse politicamente relevante ou pura e simples vingança contra os que ousam afrontar o poder político geral dos eleitos de sempre, em listas dos mesmos de sempre e em nome da democracia formal que juram a pés juntos respeitar.
Como sustentar esta leveza ética e esta pesada herança de irrelevâncias?
Comparemos com outros lados que costumamos imitar, por exemplo, com a nossa mais antiga aliada, a Inglaterra.
O partido trabalhista de Tony Blair, a “nova esquerda” por cá imitada na imagem, mas desprezada na essência, arranjou um problema grave, com as contribuições para o partido, na altura das eleições de 2005. Por força de uma lei de 1925, que proibiu a compra e venda de títulos de nobreza, tornou-se escandaloso, porque criminoso, que alguém do governo proponha um título de nobreza a troco de grossa maquia.
Pois a suspeita de tal malfeitoria foi levantada aquando das últimas eleições na Inglaterra. Milhões de libras foram entregues secretamente, ao partido de Tony Blair, para financiamento da campanha eleitoral de 2005, por indivíduos de indústria suficiente para conseguirem algum tempo depois, os almejados títulos de “sir”. As licenciaturas, por lá, não chegam para ostentar vaidade…e os títulos concedidos, suscitaram suspeitas firmes de trocas de favores.
A denúncia de tais práticas proibidas por lei, em Março do ano passado, por um deputado, suscitou escândalo público e os poderes públicos de polícia foram alertados. A polícia metropolitana inglesa, ao contrário do que por cá tem acontecido, não se pronunciou acerca da falta de indícios ou da falta de fundamentação das queixas, para evitar a investigação ao poder do partido da maioria parlamentar e de governo. Antes pelo contrário, iniciou as investigações de imediato. Como?
Ouvindo pessoas, incluindo o próprio Tony Blair que já foi ouvido duas vezes, o que é uma primícia, mas um indício de que os ingleses não precisam de ter uma constituição escrita que diga que todos são iguais perante a lei. Por cá, só de imaginar tal coisa e os comentários de constitucionalistas notórios , dá para sorrir de pena e desgosto.
Para além de Blair, foram ouvidas mais 136 pessoas, realizadas diligências de busca e apreensão nos próprios gabinetes ministeriais do nº 10 de Downing St e nenhum governante se pôs com ameaças à polícia, mudou algum dos seus dirigentes ou sequer questionou a legalidade e legitimidade de tais práticas, muito menos ainda manifestou a intenção de alterar a lei que tal permite. A comparação releva muito com o que se passou por cá, nestes últimos três anos, depois de um escândalo como o da casa Pia que motivou a perseguição política ao poder autónomo do MP e a alteração de leis processuais para impedir escutas incómodas, buscas embaraçosas e audições constrangedoras.
A investigação, diz o jornal Guardian, (que o Público quis graficamente imitar), resultou num dossier de 216 páginas, agora entregue ao procurador da Coroa. Por cá, nem com vinte volumes de centenas de páginas se conseguiria o mesmo resultado ( compare-se com o caso extraordinário do envelope 9, por exemplo).
A decisão de acusar, compete a um “procurador” especializado em casos sensíveis, como sejam os de homicídio, assassínio e negligência médica! Por cá, o DCIAP e o DIAP, dariam conta do assunto, lá para as calendas- basta atentar no caso de um misterioso António José Morais, há oito anos em bolandas, no DIAP…
O responsável pelos acusadores públicos, Sir Ken Macdonald, já declarou que se distanciará de qualquer decisão do subordinado, por ter sido membro de um escritório de advocacia de que a mulher de Blair também fazia parte. Por cá, membros do Conselho Superior da entidade acusadora, podem ser familiares de acusadores, sem problema algum.
O procurador geral, Lord Goldsmith, declarou já que indicaria um conselheiro especial para apoiar e rever a matéria acusatória, de modo a evitar qualquer conflito de interesses. O deputado do partido nacionalista escocês MacNeill, autor da denúncia, já declarou entretanto que o procurador geral, tendo sido indicado para o lugar pelo primeiro ministro, e estando este no epicentro do caso, deverá afastar-se completamente do assunto, desde já. Compare-se com o que por cá se passa…
Quem ler isto, comparando como o nosso país, aliado da Inglaterra, só pode imaginar que a nossa democracia tem ainda muitos anos de aprendizagem. Porém, com estes mestres que nos sairam em rifa, bem podemos abandonar toda a esperança.
O que resta para a justiça do cidadão que vota, talvez seja a esperança de que algum destes salafrários se esqueça de declarar a sisa integral do apartamento de luxo, comprado com o salário de funcionário público e um jornal que ainda não existe ( o Independente acabou), se lembre da oportunidade do assunto.
Mesmo assim, é de temer que nesta altura, já nem sequer exista assunto de escândalo suficiente.
A prova, cabal e de demonstração directa, está à vista de todos.
Publicado por josé 17:09:00 11 comentários Links para este post
O PERIGO LE PEN
Oh André, que mal lhe pergunte, o que é o "perigo Le Pen"? Explique-me como se eu fosse, sei lá, o João Marcelino.
Publicado por João Gonçalves 14:28:00 2 comentários Links para este post
Ségolène Royal - As luzes podem cegar
sexta-feira, abril 20, 2007

Publicado por André 23:43:00 1 comentários Links para este post
uma sugestão
Ainda vai a tempo, que o sol ainda não se pôs - Eu, se fosse ao Procurador João Guerra, mandava a correr um cartãozinho de agradecimento ao Dr. Mário Soares pelo comovente discurso de ontem à noite a requalificar a tese da cabala. Priceless.
Publicado por Manuel 17:27:00 4 comentários Links para este post
brincar com o fogo
Os grupelhos de extrema-direita e neo-nazis, que por aí andam serão certamente uma ameaça, como a serão os de extrema-esquerda, que também os há. Dito isto, os acontecimentos 'mediáticos' dos últimos dias, associados a uma série de declarações pomposas, para não dizer exageradas, levam a questionar a 'oportunidade' de certas coisas. Neste país de atrasadinhos, que não percebem nem atingem a lógica e a moral do Estado, ainda vai havendo quem veja um filme ou outro. Um filme, por exemplo, como 'Manobras na Casa Branca', onde na impossibilidade de o cão abanar a cauda se usou a cauda para abanar o cão...
Publicado por Manuel 17:21:00 2 comentários Links para este post
Interessante
O Estatuto dos Deputados, desde 1995 ( Lei 24/95 de 18 de Agosto), consagra a obrigatoriedade de cada deputado deixar escrito, um registo dos seus interesses. Tal registo de interesses consiste na inscrição, em documento próprio, de todas as actividades susceptíveis de gerar incompatibilidades ou impedimentos.
Esse registo é púbico e pode ser consultado por quem o solicitar.
Antes de 1995, o Estatuto previa um dever de declaração de todos os deputados, a depositar na PGR, de inexistência de incompatibilidade ou impedimento nos 60 dias posteriores à tomada de posse. Actualmente, tal depósito faz-se na Comissão de Ética.
A pergunta: relativamente ao cidadão José Sócrates, tais documentos já foram para o maneta, ou ainda podem ser consultados a solicitação dos interessados?
Publicado por josé 17:10:00 1 comentários Links para este post
Mariano Gago - diz que é uma espécie de ministro...
Publicado por Manuel 15:18:00 0 comentários Links para este post
absolutamente tudo óbvio, não é ?
Terreno perigoso
Mário Soares comparou os ”ataques sórdidos e infundados“ a José Sócrates à situação vivida por Ferro Rodrigues.
Rui Costa Pinto
Publicado por Manuel 00:20:00 4 comentários Links para este post
O regime podre
quinta-feira, abril 19, 2007
Em mais de 30 anos de democracia, com governos constitucionais, não me lembro de tão grande bandalheira institucional como a que vivemos por estes dias ( ou meses).
A degradação moral e autêntica corrupção a que assistimos, com assento nas mais altas instâncias do poder político, atingiu um nível tal que dificilmente arranjamos memória repetida.
A inversão de valores atingiu um patamar tão elevado que daqui para a frente, o descrédito não poupará ninguém. As instituições demitiram-se do seu dever e os poderes públicos imobilizaram-se no atavismo da estabilidade artificial.
Procuro um exemplo recente na Europa mais ocidental, recente. Só me lembro da Itália, antes do desaparecimento da Democracia Cristã. Foi aí que surgiu a operação "mãos limpas". Mas isso, foi no século passado e o nosso presente nem parece ter futuro.
Quem é que nos acode?
Publicado por josé 23:54:00 7 comentários Links para este post
o começo de alguma coisa
Num jogo, no final, só conta uma coisa - o resultado, é verdade. Mas, para haver jogo tem que haver, pelo menos, duas partes, que concordem num número básico de regras - nem que seja em regras mais ou menos ocultas para combinar o resultado, preservando o 'espectáculo'. Dito isto, e nos próximos tempos, por estas bandas o jogo acabou. Não interessa se Sócrates cai, ou se se arrasta moribundo. Não interessa, porque nunca mais vai haver um único debate político com seriedade. Sócrates vai conseguir fazer o que for combinado debaixo da mesa pelos interesses fáticos do costume, isto é apenas e só o que o deixarem fazer. Quanto ao resto - isto é tudo o que é essencial - népias, porque à mínima movimentação será acusado de batoteiro. À primeira vista isto não é grave, dirão os cínicos, porque os partidos sempre jogaram debaixo da mesa. Sim, sim, só que em primeiro lugar parte da beleza do jogo era isso supostamente não dar muito nas vistas, e em segundo lugar era suposto a dita sociedade civil aparecer, quanto mais não seja para compor a fotografia. À custa da palhaçada da Independente, José Sócrates, e os seus acólitos de ocasião - mais preocupados em salvar o seu próprio pêlo, que a sua credibilidade - vieram simplesmente confirmar que as regras, as suas métricas são diferentes das dos meros mortais. É por isso que é impossível, demagógico e lírico, com eles qualquer debate sobre a discussão de questões políticas, puras e duras: o Aeroporto Internacional da Ota, os SAP, o encerramento das urgências, o PRACE, o QREN, o Programa Novas Oportunidades, o referendo e o TCE, as auto-estradas sem portagens, o Complemento Solidário para Idosos, o desemprego, o crescimento do PIB, etc e tal. Qualquer debate que haja nunca será com eles, será apesar deles, até por via das, agora claríssimas, regras. Poder ser o começo de alguma coisa.
Publicado por Manuel 23:23:00 1 comentários Links para este post
Dilemas morais
Publicado por josé 22:58:00 3 comentários Links para este post
"O mundo tem dono - é da Independente"
Publicado por Manuel 14:48:00 0 comentários Links para este post
A razão do "estado a que chegamos"
“ A legitimidade de um primeiro ministro vem dos votos, não dos títulos académicos. Mas, utilizar um título que não se tem, fazer passar-se por aquilo que não é, revela uma falha de carácter, mina a credibilidade e afecta a sua autoridade.”
Foi isto que o político Marques Mendes disse de José Sócrates a propósito do seu percurso académico e que tem vindo a causa polémica.Nenhum outro político ousou avançar tanto nos comentários ao caso escandaloso.
Há um consenso algo esquisito em comentadores e políticos que se aprestam sempre a demarcar-se destas declarações. Jorge Coelho acha-as “indignas”, o que revela muito sobre o seu conceito de dignidade. Pacheco Pereira, demarca-se e não concorda com apreciações de “carácter”. Duarte Lima, Dias Loureiro, Ângelo Correia e outros, idem. Aliás, estes três personagens da nossa política mediática, enriquecidos pela política, costumam falar estranhamente a uma só voz e uma breve e perfunctória análise do seu percurso político, deveria fazer pensar duas vezes quem os ouve, cuidando de apurar razões para o que dizem.
Assim, o mais interessante, neste caso, começa a ser a observação da atitude pública dos políticos, comentadores e público em geral, bem como da opinião publicada nos media, incluindo blogs.
O caso Sócrates permite avaliar uma fractura importante, tornada explícita pelas diversas reacções públicas e políticas já conhecidas: o actual nível de ética e moral, publicamente exigível a governantes e responsáveis políticos em geral.
Uma esmagadora maioria de políticos de todos os quadrantes e feitios ideológicos, continua a desvalorizar o assunto e começou a comentar o caso, apenas quando o mesmo era inevitável e incontornável. Et pour cause, dir-se-ia.
Objectivamente, resulta como óbvio que todos prefeririam deixar o assunto morrer por si mesmo, na indignação dos blogs anónimos, nunca citados e confundidos com bastidores de mentideros e maledicência. Algo semelhante aos corredores dos círculos de poder onde se diz que disse.
O assunto era incómodo para os poderes, porque colocava em crise aberta, o modo como muitos se alcandoram a esses poderes fácticos e de direito. E são aos milhares, em Portugal!
Mas havia factos. Muitos factos e sem possibilidade de contorno político. E os jornais, fatalmente pegaram neles. Hoje, até o 24 Horas dá destaque de primeira página ao assunto famoso ( e só por isso, claro, que as vendas contam para todos).
Os factos registados, apontavam para sérias dúvidas e interrogações de perplexidade, acerca da correcção de uma qualificação académica e profissional de um indivíduo que pertence à classe política, foi deputado, ajudante de ministro e é actualmente primeiro- ministro. As aparentes incorrecções de datas, números, afirmações, contradições escritas e documentalmente comprovadas, permitem a dúvida séria e consistente no sentido de o diploma de um indivíduo que é primeiro-ministro, poder ter sido obtido através de um eventual favorecimento pessoal, grave nesta circunstância particular. A dúvida foi considerada pelo próprio como "legítima", depois de numa primeira reacção publicada, ter sido considerada uma "calúnia".
Essa circunstância aventada a medo e a custo, foi considerada publicamente, até pelo circunspecto líder do BE, Louça, como o pecado mortal que nunca seria perdoado ao primeiro ministro, nem que fosse confessado.
Há por aqui, uma primeira fractura: uma parte dos políticos, aceita como inadmissível o favorecimento pessoal, na obtenção de um diploma, pelo actual primeiro ministro, mesmo quando ainda nem o pensava ser. Eticamente, há pelo menos esta definição assente.
Outra, que perpassa nas declarações públicas e parece pacífica, será obviamente a que contende com a prática de crimes de catálogo. A falsificação de documentos ou o uso dos mesmos, é naturalmente inadmissível e insuportável, se comprovada. O caso dos manuscritos de José Sócrates, nos boletins biográficos da Assembleia da República, onde perpassam eventuais indicações apócrifas, da autoria do próprio, sem que se conheçam os originais de onde partiram e a atitude manifestamente reservada do próprio presidente da AR, ontem, fazem prever um cenário inadmissível, mesmo para os padrões de laxismo e contemporização mais alargados, onde aliás, o local tem sido fértil ( basta lembrar o caso das viagens dos deputados e as faltas ao plenário com assinaturas presenciais de ausentes).
Temos por isso, outro padrão ético de desvalor evidente, neste caso, até com relevância jurídica, pacificamente aceite pela classe política em particular e cidadãos em geral.
Onde já se torna duvidosa a relevância ética, é na atenção da opinião político-mediática ao “uso social” e também pessoal, de um título profissional por quem nunca o teve nem podia ter. Este pecadilho, desvalorizado e glosado agora como costume social sem importância, distraído do facto incómodo de ser o próprio titular a contemporizar e assumir a sua prática, passa actualmente como a justificação cega para quem não quer olhar para os pecados graves indesculpáveis que podem ocultar-se e aos quais nega a possibilidade de investigação, por afastamento liminar.
É a poeira possível que tentam lançar para quem pode decidir o destino dos seus tachitos de interesses particulares e de grupo: o cidadão médio que se ouve em sondagem na rádio.
Esta atitude cívica, ética e moral diz muito de quem somos e da educação que cultivamos. Diz mais do que mil estudos sociológicos de Antónios Barretos e afins.
Por fim, como corolário de todos estes cenários de amostra dos nossos actuais valores éticos e políticos, apresenta-se um outro fenómeno antigo e de solidez comprovada nos círculos de poder de todas as latitudes e ideologias: o Interesse do Estado. A raison d´ état dos franceses.
Esta razão conhecida e aprovada por alguns, costuma servir para justificar encobrimentos de malfeitorias em nome de valores sólidos, como a estabilidade de um serviço, regime, poder ou para evitar males maiores para um povo, grupo ou interesse relevante. Representa muitas vezes o sacrifício de um valor nobre, para proteger outro de nobreza equivalente ou de significado mais alargado.
Em política, serve como justificação para variadas decisões. Há razões de Estado que evitam guerras e serão aceitáveis. Há razões de Estado que evitam males maiores para uma população e sê-lo-ão também. Há ainda razões de Estado que protegem segredos classificados como tal, e compreendem-se.
O que não se compreende nem aceita de todo em todo, é que se defendam razões do mesmo tipo, para obliterar valores com validade sólida, como a condenação pública e exemplar, da mentira rasteira, da aldrabice mais evidente e da trafulhice mais pegada, para não falar em manigâncias de ordem mais prosaica e que definem exactamente um carácter. Há quem tenha sido substituído num governo por...incompetência? Há?! Então...
Se tal encolher de ombros democrático, se fizer em nome de uma estabilidade de um governo cuja substituição acarreta despesas e resultados incertos para a politiquice e a desestabilização da vida pessoal de quem se acomodou, ainda se compreende menos, porque os valores sacrificados nem sequer se comparam. Nem sequer colhe o argumento da imagem pública internacional. Essa, já se estragou há muito e ainda se estraga mais. Imagine-se o que não se diz por essas chancelarias!
Trocar valores e princípios que deviam ser sólidos, por conveniências de circunstância, parece ser o nosso destino fatal, com estes políticos de pacotilha que andamos a escolher há trinta anos. Não dão exemplo algum de correcção democrática, quando tal se lhes exige, como agora; não cumprem os valores que dizem defender em certas alturas e estão sempre prontos para contemporizar e negar os mesmos valores quando as circunstâncias colocam em risco os lugares que ocupam e interesses particulares que defendem.
São, nesse aspecto, todos iguais e as pessoas em geral, já perceberam isso há muito tempo. Alguns não querem parecer, mas são-no. Outros, não o sendo, aparentam muito bem. Resta saber em nome exactamente de quê e de quem.
Publicado por josé 12:14:00 13 comentários Links para este post
'A pulsão suicida'
19.04.2007, Constança Cunha e Sá, no Público
O primeiro-ministro foi particularmente atingido por um caso que mostrou ao país o que o seu retrato oficial escondia
Como era de esperar, os "esclarecimentos" do primeiro-ministro à RTP "esclareceram" apenas os que queriam, acima de tudo, ser "esclarecidos". Uma semana depois, a fé dos adeptos, onde se contam inúmeros jornalistas, resiste heroicamente à divulgação de novos dados sobre a licenciatura do eng. Sócrates: para uns, o fim do silêncio do primeiro-ministro devia equivaler ao fim de uma polémica que, segundo um editorial do Diário de Notícias, tem sido alimentada diariamente por "notícias avulsas, sem conteúdo nem sentido"; para outros, esta insistência numa "questão que não interessa nada" (José António Saraiva dixit) revela, como explica candidamente Fernando Madrinha, no Expresso, "uma pulsão suicida que nos puxa para o abismo sempre que um Governo tem condições para definir um rumo e a coragem de seguir em frente, convicto de estar a fazer aquilo que tem de ser feito". Só falta recuperar, embora a recuperação esteja implícita, a famosa frase do prof. Cavaco Silva que o PS tão bem soube aproveitar: "Deixem-nos trabalhar!". Nessa altura, foi o próprio primeiro-ministro que, perante a gargalhada geral, defendeu o seu direito ao sossego e à harmonia institucional. Agora, pelos vistos, são os jornalistas os primeiros a zelar pelos interesses laborais de um Governo que, de acordo com os mesmos, tem um "rumo" para o país e a "coragem" de não o abandonar. Não vale a pena perder muito tempo com a suposta "irrelevância" das notícias que têm vindo a público. Como se viu esta semana, é impossível ignorar a sucessão de factos controversos que enfeitam o percurso universitário do eng. Sócrates. As datas não coincidem, os documentos são contraditórios, as avaliações incompreensíveis, o plano de equivalências inexplicável e as "explicações" oficiais claramente insuficientes. Neste momento, fazendo um ponto provisório da situação, existem dois certificados de licenciatura que não coincidem, um plano de equivalências que não passou pelo conselho científico da Universidade e que não foi sequer aprovado pelo seu reitor, dois curricula na Assembleia da República, quatro cadeiras dadas, no mesmo ano, pelo mesmo professor, uma cadeira que não foi dada pelo professor responsável e, por fim, um exercício de Inglês Técnico feito e avaliado depois da data em que terá sido concluída a licenciatura. Se, no meio de todo este enredo, há quem se considere devidamente "esclarecido", não sou eu, com certeza, que vou desfazer essa doce e miraculosa fantasia. Já a "pulsão suicida" referida por Fernando Madrinha e outros ilustres comentadores merece alguma atenção. Pelo que se depreende do que foi escrito, esta semana, um jornalista responsável não pode fragilizar politicamente um Governo que está "convicto de estar a fazer aquilo que tem de ser feito". Antes de "dar gás" a "trapalhadas" avulsas e crises ministeriais, tem que fazer uma avaliação da política governamental: se esta for positiva, como parece ser a do eng. Sócrates, as "trapalhadas" devem desaparecer perante as velhas e recorrentes questões que interessam verdadeiramente aos portugueses; se, pelo contrário, a política anunciada indiciar o pior, como aconteceu, por exemplo, no tempo do dr. Santana Lopes, então qualquer "trapalhada" deve transformar-se num caso nacional, com direito a primeiras páginas e a aberturas de telejornais. O principal "erro" do dr. Marques Mendes não foi ter falado numa "falha de carácter" do eng. Sócrates: foi ter-se "atrevido" a dar crédito institucional a factos que fragilizam politicamente um Governo - que, de acordo com os poderes estabelecidos, deve ser preservado a todo o custo, de forma a poder cumprir os seus lustrosos objectivos. Acontece que os factos não desaparecem perante as conveniências de uns e o entendimento de outros tantos. Por muito "corajoso" e "determinado" que seja, o primeiro-ministro foi particularmente atingido por um caso que mostrou ao país o que o seu retrato oficial escondia. Por trás da imagem de Estado que ele habilidosamente construiu, durante estes dois anos de Governo, surge, agora, à vista de toda a gente, o Sócrates que ele sempre foi: um político sem espessura, educado nos meandros do aparelho e nos favores do partido, que se notabilizou, a dada altura, pelas qualidades cénicas que revelou. O facilitismo que se detecta no seu percurso académico conjuga-se mal com o "rigor" de que faz gala e com a "determinação" com que enfrenta os "interesses" estabelecidos e os grupos de "privilegiados". Não vale a pena escamotear a realidade. Muito menos alterar critérios noticiosos consoante a opinião política dos jornalistas. O facto (por demonstrar) de este Governo ter um "rumo" e "coragem" para o prosseguir não o exime do escrutínio público, nem pode ser visto como um impedimento à liberdade de informação.
Publicado por Manuel 10:04:00 1 comentários Links para este post
coisas verdadeiramente importantes
quarta-feira, abril 18, 2007
Hotdoll: The Sex Doll for Dogs
Is your dog in heat and humping anything it can wrap its horny little legs around? Are you constantly having to pry your promiscuous pooch off the legs of guests, parents and members of your church? Protect your leg from a hump attack by getting Scruffy a Hotdoll. Yes, it's a sex doll for dogs. It's shaped like a dog and it'll allow your tension-filled pet to go to town as much as his little heart desires, humping away until he passes out in exhaustion, leaving a wispy coil of friction-singed dog-fur smoke wafting into the air.
[continua aqui]
Publicado por Manuel 23:10:00 1 comentários Links para este post
PROGRAMA "NOVAS OPORTUNIDADES"
Publicado por João Gonçalves 21:58:00 0 comentários Links para este post
Sócrates, aquele que ficou atrás do coxo...
(...) A Universidade Independente (UnI) terá funcionado nos anos lectivos de 1993/94, 1994/95 e até Janeiro de 1996 no prédio da Rua Fernando Palha, 69 e Rua do Telhal, 8A e 8B tornejando para a Rua da Fraternidade Operária, em Lisboa, arrendado ao construtor civil Saúl Maia de Campos. (...)
António Balbino Caldeira, no Portugal Profundo, claro.
P.S. Como bonús levam ainda este comovente retrato do 'porta-voz', esta noite, da Independente - Lúcio Pimentel...
Publicado por Manuel 21:21:00 1 comentários Links para este post
Não chega...
Agora já é oficial. Lúcio Pimentel, um bom amigo do PS, vindo das berças para a UnI, esclareceu em conferência de imprensa o que o Gabinete do Primeiro Ministro tinha esclarecido antes, desmentindo o que o próprio Primeiro Ministro já tinha dito e agora ficou esclarecido:
José Sócrates afinal, licenciou-se mesmo ao Domingo, em 8 de Setembro de 1996. É estranho? É. Até o Gabinete do Primeiro Ministro o achou e com garbo inusitado, desmentiu a má notícia, dando como certa e definitiva a data de 8 de Agosto de 1996, salvificamente apresentada num certificado existente na Câmara da Covilhã. Quem o apresentou? Mistério, mas apenas mais um pormenor sem importância. Burocracias de secretaria.
E a cadeira de Inglês técnico, última pérola do curso superior de engenharia civil, tirado na UnI? Outro pormenor, do qual Lúcio Pimentel pouco sabe. "Não tem elementos". Foi em Agosto? E o cartão do segundo secretário? "Não tem elementos".
E as propinas? Ninguém perguntou. Também...a quem é que isso interessa, a não ser ao Primeiro Ministro para demonstrar que o querem entalar com infâmias,mostrando os papéis comprovativos, quando estava isento?
E o professor das quatro cadeiras? Nada. "Não tem elementos".
E sobre esse professor que José Sócrates assegurou ter conhecido apenas e só enquanto foi seu professor?
O mistério continua. Uma pergunta chave se coloca agora: José Sócrates já conhecia António José Morais antes de dizer que o conhecia?
Ah! É verdade e já me esquecia: O caso estranho do certificado, certidão ou lá o que é, existente na Câmara Municipal da Covilhã e que foi apresentado pelo Primeiro Ministro como a prova de que tinha concluído o curso num dia decente e de trabalho, não presta e será uma falsificação. Há um crime de falsificação a investigar. Parece...que nestas coisas nunca se sabe. O que é hoje verdade, amanhã pode bem não ser. Como no futebol.
Publicado por josé 20:22:00 1 comentários Links para este post
mau demais...
... para ser verdade. Chego a casa e estatelo-me com a conferência de imprensa da Universidade Independente. Deprimente. Refugio-me na genial metáfora descrita por Fernanda Câncio - na forma de uma ode à morte do 'seu' aspirador. De facto tudo foi aspirado e reduzido quase ao vácuo - a credibilidade do Primeiro-Ministro e das élites - na sua quase totalidade, do Estado, da Justiça, das instituições, de toda uma arquitectura do nosso sistema político. Só pó e cinzas, e um ar quase irrespirável.
Publicado por Manuel 20:15:00 3 comentários Links para este post
E lá por fora a vida continua....
A new sick man of Europe
Portugal comes bottom of the European economic growth league
LOOK at any table of European economic data and Portugal stands out. GDP growth last year, at 1.3%, was the lowest not just in the European Union but in all of Europe. Since 2000 the Czech Republic, Greece, Malta and Slovenia have all overtaken Portugal in terms of GDP per head. And Portuguese GDP per head has fallen from just over 80% of the EU 25 average in 1999 to just over 70% last year.
Portugal was the first country threatened with sanctions by the European Commission for breaching the euro zone's stability and growth pact, which sets ceilings for euro members' budget deficits. The commission thinks Portugal's sin was to let public spending soar out of control, pushing the forecast deficit in early 2005 up to 6.8% of GDP, the highest in the euro zone. Ironically the commission is now headed by José Manuel Barroso, a former Portuguese prime minister who ought to shoulder some of the fiscal blame.
The government is still struggling to bring the deficit below the stability-pact ceiling of 3% of GDP. It also wants to shake off its image among economists of being a prime example of how not to behave when joining the euro. What this image neglects is that José Sócrates, the Socialist prime minister, has been getting to grips with reform in Portugal since he took office two years ago—with some success.
After commissioning a central-bank audit that revealed the alarming state of government finances, he broke an election pledge and raised value-added tax from 19% to 21%. He has attacked public-sector privileges by holding down pay, raising the minimum retirement age from 60 to 65 and cutting sick pay sharply. This year the focus is on streamlining the public administration, which costs more as a share of public spending than in any other euro zone country. Doctors, nurses, teachers, police and other public-sector workers have all taken to the streets in protest. But Mr Sócrates's tough approach is bearing fruit. The deficit fell to 3.9% of GDP in 2006, better than the initial target of 4.6%. At the same time, a jump in exports helped to lift growth above forecast.
Sharing the Iberian peninsula with the economic powerhouse of Spain, where growth has been above 3% in all but one of the past ten years, makes Portugal's performance look worse. In a poll last autumn, 28% of respondents said they would prefer to be part of a united Iberia under Spanish rule. Few Portuguese would really go that far, but they do ask why they are doing much worse than their neighbours.
There are several answers, say central-bank economists. Portugal has suffered more than Spain from higher oil prices. Its unit labour costs have risen sharply, whereas Germany's have fallen. Until recently, it has suffered a big drop in demand in its main export markets, especially Germany. Spain's economy has been buoyed by a construction boom fuelled by rising immigration. Renewed political instability has also taken a toll: on average governments in Lisbon have lasted just two years since the return of democracy in 1974.
But the biggest difference is that Spain reformed its public sector and disciplined its public finances before joining the euro, not afterwards. When interest rates fell and released a surge of growth in the late 1990s, Portugal responded with an expansionary fiscal policy instead of taming its deficit. This was Portugal's big missed opportunity: one that Mr Sócrates is now seeking, belatedly, to remedy.
Economist
Publicado por António Duarte 18:34:00 0 comentários Links para este post
a morte em directo
Universidade Independente atrasa conferência de imprensa para a hora dos telejornais
Publicado por Manuel 18:04:00 0 comentários Links para este post
um barrete chamado Barreto ?
Não é segredo que eu gosto de cinema. Digo isto, porque ontem à noite, ao ver mais uma vez o proclamado 'documentário' - na RTP/1 - sobre 'os portugueses' dirigido por António Barreto dei comigo a pensar num certo filme. Lembrei-me do 'IA - Inteligência Artificial', do Spielberg. Não por gostar particularmente do filme, mas por causa do enredo. Enredo este que conta as atribulações de um robot, encontrado por uma raça extra-terrestre milhões de anos depois da extinção da raça humana. O requinte da coisa é que com os humanos extintos o tal robot, uma imitação barata de humanidade, no final, era a única coisa que restava para compreender a civilização que o criou e depois mandou para o lixo. A série de Barreto deixa-me numa posição semelhante. Há qualquer coisa ali de plástico, superficial, até coreográfico. Demasiado 'metálica' talvez.
Publicado por Manuel 17:17:00 1 comentários Links para este post
os dias do fim (prolongamento)
Enquanto o Paulo Gorjão recupera o olfacto (é nestas coisas simples que se percebe porque é que Manuel de Oliveira só podia ser um realizador português...) o descalabro que é o corolário lógico de tudo aquilo que, sendo ululantemente óbvio, tantos não queriam ver, continua. É o ISEL que afinal não se atrasou a passar nenhum certificado, é a UnI que afinal não era onde era hoje, logo não ficava numa localização previlegiada, é o reitor que afinal não o era, é as propinas que afinal não foram pagam, depois de Sócrates ter mostrado na TV o recibo, é a questão das datas, todas, é a figura de Gago, etc. e tal.
Pelo simples facto de ter livrado o país de um pesadelo chamado Santana Lopes, José Sócrates tinha - sem mais - um lugar garantido na história. Agora - sem apelo nem agravo - vai garanti-lo por reduzir Santana a um menino de coro - apenas politicamente inimputável e irresponsável. É que de Santana já se disse muito, mas nunca foi acusado - a granel - de ser mentiroso, aldrabão, falsificador de documentos e sonegador de provas, etc e tal. Quanto ao resto... parece-me que Cavaco já reabilitou a imagem de Jorge Sampaio o suficiente, não ?
P.S. No PS há quem trate da vidinha e pense - a sério - no futuro. A transferência de Pina Moura para controleiro na Media Capital diz muito. Bem mais do que parece.
Publicado por Manuel 16:56:00 0 comentários Links para este post
QI
O gabinete do Primeiro Ministro, tem ocupado tempo a responder por José Sócrates quanto à questão das suas habilitações, noticiadas diariamente.
As desculpas, justificações, contradições, são já patentes e evidentes. Para cada incongruência detectada, há sempre uma explicação adequada, sendo sempre atribuída a responsabilidade a outrém, geralmente " a secretaria". Os erros e lapsos da "secretaria" são já muitos e variados. As incongruências permanecem por explicar convenientemente. Por exemplo, as datas.
É altura de perguntar: até quando os assessores do Gabinete do Primeiro Ministro, vão continuar a brincar com a inteligência do português médio?
Publicado por josé 00:42:00 10 comentários Links para este post
O exame de inglês (técnico) - aprovado com distinção
O gabinete do primeiro-ministro afirmou, esta noite, que o teste de Inglês Técnico realizado por José Sócrates só prova que o então aluno da Universidade Independente "obteve aproveitamento na disciplina" e que o professor da cadeira foi o reitor Luís Arouca.
Publicado por Carlos 00:23:00 2 comentários Links para este post
STJ - a defesa da honra
Sobre a condenação, pelo STJ, do Público no processo que o opunha ao Sporting Clube de Portugal, por ter 'publicado notícia verdadeira' Artur Costa, Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal, vem a terreiro defender - com franqueza - a honra da sua casa ao mesmo tempo que lança algumas pistas e alertas que podiam evitar 'falhas de comunicação' como estas. Esta franqueza, a abertura e a frontalidade demonstradas podiam ser um sinal de uma justiça mais aberta, serena e próxima dos cidadãos, mas não - é apenas um mui honrosa excepção. À atenção de políticos, jornalistas e comenatdores de vão de escada, assim como de qualquer pessoa que se interesse por este país.
Publicado por Manuel 00:12:00 1 comentários Links para este post
exclusivo
a prova!
terça-feira, abril 17, 2007
Viva,
Estive a dar uma vista de olhos na prova do nosso 1º. Para além das notórias falhas de capacidade de ambos (aluno e professor) envio em anexo um PDF com umas anotações do que encontrei de errado e que o Arouca (se foi ele) não encontrou.
Não sei o que tem de técnico o inglês do texto de qualquer das forma é evidentemente produzido por alguém que escreveu (ou organizou ideias) no seu idioma materno e depois o traduziu. De tudo isto resulta uma construção de frases que mete medo e a utilização avulsa de vírgulas só pode ser resultado de tantos anos na política na qual as vírgulas têm outro valor...
15 valores neste desastre... não sei será bom ver os outros testes, sei que sou exigente mas de mim não levava mais que 9 ou 10.
Cumprimentos.
FF. (recebido por email)
N.A. A prova e respectiva podem ser lidas na integra aqui
Publicado por Manuel 23:09:00 8 comentários Links para este post
l a t a
Por esclarecer se prova foi feita em data posterior à conclusão da licenciatura
O gabinete do primeiro-ministro afirmou, esta noite, que o teste de Inglês Técnico realizado por José Sócrates só prova que o então aluno da Universidade Independente "obteve aproveitamento na disciplina" e que o professor da cadeira foi o reitor Luís Arouca. O gabinete não faz qualquer esclarecimento quanto à prova ter sido feita numa data posterior à conclusão da licenciatura do primeiro-ministro.
Público Online
N.A. 1. nos entretantos continua o para & arranca naquele que - repito - se afigura como o maior insulto ao Estado de Direito pós FPs. E que faz o Estado ? - Treme, vacila, cambaleia. É esta a ditosa Pátria, nossa amada.
N.A. 2. A ler 'A campanha negra' (no Corta-Fitas)
Publicado por Manuel 22:17:00 0 comentários Links para este post
uma boa ideia
... era mesmo o ainda Sr. Primeiro Ministro, ir de Marrocos directamente aí para o Brasil, e só voltar daqui - vá lá - a uns vinte anos. A brincar, a brincar, até nem era das saídas menos dignas, se é que agora ainda restam saídas dignas...
Publicado por Manuel 20:12:00 2 comentários Links para este post



