Os directores de redacção
terça-feira, abril 10, 2007
No debate na SIC-Notícias que decorre, vários jornalistas-directores de jornais. José Manuel Fernandes, do Público; João Marcelino, do Diário de Notícias; Sarsfield Cabral, da Renascença; João Garcia, do Expresso. Moderador, Ricardo Costa.
De todos, é João Garcia quem coloca a questão correcta: há dúvidas sobre o modo e correcção de obtenção da licenciatura, por José Sócrates e é preciso saber se José Sócrates foi privilegiado na obtenção da licenciatura na Universidade Independente.
João Marcelino, parece não entender. Acha que amanhã, José Sócrates vai esclarecer tudo e fica tudo esclarecido. Curioso..
Sarsfield Cabral queixa-se do comportamento do gabinete do PM, revelando que foi alvo de pressão para não noticiar.
José Manuel Fernandes, tem perguntas para colocar a José Sócrates que relevam das dúvidas que permanecem. Uma delas é a propósito dos professores das cadeiras para conclusão da licenciatura. E cita o aspecto curioso de Sócrates ter afinal dois professores apenas e um deles o próprio reitor, sendo o outro ( António José Morais) um elemento destacado do PS. José Sócrates disse ao Público que não se recordava de quem tinha sido seu professor...
José Manuel Fernandes acha que este comportamente suscita dúvidas e que "o jogo não foi aberto" e as questões adiadas, suscitavam respostas que não pareciam sinceras que determinaram a publicação da reportagem.
Também para José Manuel Fernandes a questão crucial é a do eventual favor a José Sócrates, já então governante e cita o fax emitido no ministério solicitando ao reitor da Universidade, algo que se afigura como um "jeito".
José Manuel Fernandes revela que teve uma proposta de publicação de um artigo sobre esta matéria, "há quase dois anos". Interessante revelação sobre os "timings"...e lá citou a existência de um blog como fonte. Não chegou a dizer o nome do blog que todos eles sabem perfeitamente que é o Do Portugal Profundo, de António Balbino Caldeira, nem algum dos outros achou por bem citar. Ética exemplar...
João Marcelino interpelado por Ricardo Costa sobre " as dúvidas", citando factos algo atabalhoados, diz que sim que também concorda com as "dúvidas", mas nada mais se ouve do actual director do DN, para além da dúvida principal sobre o eventual favorecimento. João Marcelino acha que até agora, nada apareceu para dar consistência a essas dúvidas.
Está à espera do trabalho dos outros, pelos vistos...
Na opinião de Sarfsfield Cabral e de Ricardo Costa, a questão é a do favorecimento e as "trapalhadas" com as notas e os curricula, são secundárias. Pouco lhes interessam...
Os detalhes poucos lhes dizem, querendo saber se houve favorecimento.
Mas para saber se houve favorecimento, talvez seja necessário atender aos detalhes e ás trapalhadas...ou não?
Quem ouve os directores dos jornais presentes fica com a impressão que o jornalista do Expresso é o único que coloca os pontos nos ii.
As prestações de João Marcelino, Ricardo Costa e principalmente Sarsfield Cabral, são francamente deploráveis, enquanto jornalistas.
Com eles à frente do Washington Post, nunca teria havido Watergate. Enfim...é o que temos.
Ricardo Costa acaba por dizer que receberam telefonemas do gabinete do PM e que "tal é perfeitamente normal", dizendo ainda que tinham preparado uma "peça" sobre o assunto das habilitações e em função desses telefonemas, suspenderam a publicação. Depois de dizer isto, acrescentou que não sabia se isso foi por causa dos telefonemas governamentais...
Um retrato perfeito deste inoxidável da informação.
Publicado por josé 22:58:00 2 comentários Links para este post
Pinto Monteiro - o caminho também é só um...
O PRAZER DE LER
Na TVI, Miguel Sousa Tavares largou uma interessante ponderação. O procurador-geral da República, quando a D. Carolina escreveu aquele livro sobre a flatulência do sr. Pinto da Costa, disse publicamente que o mandou ler e até nomeou uma equipa para tirar as devidas ilações das memórias azuis da senhora. Agora, o mesmo PGR acha que o tema UnI/diplomas é irrelevante para os mesmos efeitos. O "pacto" sobre a justiça frutifica.
João Gonçalves
Publicado por Manuel 20:39:00 1 comentários Links para este post
Cada cavadela...
Desta vez vou citar o Abrupto, de José Pacheco Pereira para dizer bem. Muito bem, aliás.
Fica uma imagem que vale mil palavras e que retirei de lá...o texto do livro copiado é de 1994. E as informações, dessa vez, não foram com certeza fornecidas pelos serviços da Assembleia da República. Ou seja, a sacudidela de pressão, desta vez, não vai ser fácil...
Publicado por josé 20:28:00 1 comentários Links para este post
os génios, a tempestades e o copo de água
'Levado' pelo Paulo Gorjão acabei a ler este texto do João Villalobos, no Corta-Fitas, e é difícil não deixar de sorrir. Não pela possibilidade de termos um destes dias no YouTube o video do autor a fustigar-se em pleno Terreiro do Paço mas pela ingenuidade lá manifestadas. Sejamos claros - no imenso copo de água que é o meio político - leia-se agentes políticos, agências de comunicação, jornalistas, imprensa em geral, intriguistas profissionais e afins - a tempestade de facto provavelmente jamais teria ocorrido. Por uma razão muito simples - os checks and balances do sistema, o toma lá/dá cá, - o 'equilibrio no terror' - como em muitos outros casos tê-la-iam feito amainar. Contudo, neste enorme copo de água que é Portugal, temos, senão tempestade, ventos fortes e nuvens sombrias. E temos porque o assunto começou num espaço que não é - por definição - numa sociedade aberta e democrática, todo, e ao mesmo tempo, 'cobrível' pelas tais regras não escritas do sistema. E é aí que começam dos absurdos dos génios (?!) que assessoram José Sócrates. Julgar, como julgaram, que bastava garantir que nenhuma imprensa mainstream pegava no caso para o resolver per se é - pura e simplesmente - manifesta estupidez, incompetência e irresponsabilidade, em especial quando ao mesmo tempo que se afiançava que 'não havia nada' o CV oficial do PM, na página oficial do Governo, ia sendo mudado ao sabor dos 'novos dados'. A ingenuidade fundamental de João Villalobos reside num ponto fundamental - José Sócrates dificilmente estará em condições de assegurar inequivocamente o que quer que seja , porque deixou que a (verificação da) questão deixasse de estar num determinado polígono - finito e controlável - com um número conhecido de vértices, para 'cair' - literalmente na rua, bem fora do copo de água onde Sócrates cresceu e singrou. E basta ver, por estes dias, a imprensa, como 'apanha-bolas' de tudo o que aparece, e mais alguma coisa, online, para se perceber o sarilho - o imenso sarilho - em que os génios meteram Sócrates. Se cai ou não, é irrelevante. Já caiu.
Publicado por Manuel 17:37:00 1 comentários Links para este post
assina-se por baixo!
Posso?
Ao escrever aqui o nome - conselheiros Salvador da Costa, Ferreira de Sousa e Armindo Luís, dos subscritores desta extraordinária sentença, será que «não hav[erá] em concreto interesse público na divulgação do que foi divulgado, situação que ofende[rá] o crédito e o bom-nome (...) » dos mesmos?
Agirei de «modo censurável do ponto de vista ético-jurídico, entendendo[-se] que o direito à honra se sobrepõe ao dever de informar»?
Estaremos perante uma situação em que seja «irrelevante que o facto divulgado seja ou não verídico para que se verifique a ilicitude a que se reporta este normativo, desde que, dada a sua estrutura e circunstancialismo envolvente, seja susceptível de afectar o seu crédito ou a reputação do visado»?
Ao escrever aqui o nome - conselheiros Salvador da Costa, Ferreira de Sousa e Armindo Luís, dos subscritores desta extraordinária sentença, será que «não hav[erá] em concreto interesse público na divulgação do que foi divulgado, situação que ofende[rá] o crédito e o bom-nome (...) » dos mesmos?
Agirei de «modo censurável do ponto de vista ético-jurídico, entendendo[-se] que o direito à honra se sobrepõe ao dever de informar»?
Estaremos perante uma situação em que seja «irrelevante que o facto divulgado seja ou não verídico para que se verifique a ilicitude a que se reporta este normativo, desde que, dada a sua estrutura e circunstancialismo envolvente, seja susceptível de afectar o seu crédito ou a reputação do visado»?
Gabriel, no Blasfémias
P.S. - Texto Integral do OJNQ - Objecto Jurídico não Qualificável
Publicado por Manuel 15:59:00 1 comentários Links para este post
confiança e respeito
No fundo, é como nos casais, na relação eleitor/eleito trata-se tão só e apenas de confiança e respeito. O 'resto' até pode ser muito bom, mas no fim, mais dia menos dia, é só a confiança e o respeito que contam, porque é só isso que pode ou não ficar. A perdição de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, o tal que não é arguido ou suspeito no seu percurso académico do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade, não foi o que fez ou deixou de fazer no âmbito da questão Independente, é antes a dúvida insanável que alimentou nos últimas semanas, mal aconselhado, por manifesta arrogância, falta de humildade, sucessivas ambiguidades e erros de avaliação, associada ao desejo incontrolável de querer moldar a realidade a seu bel-prazer. E essa dúvida reduz-se inapelavelmente numa questão de confiança e respeito. Exagero ? O insuspeito Paulo Gorjão, ao mesmo tempo que perora sobre a inversão do ónus da prova já vai dizendo que agora "evidentemente, não mete as minhas mãos no fogo por José Sócrates", e David Dinis, que conhece melhor que muitos os bastidores do poder, diz tão somente isto ...
Mariano Gago acabou de decretar o encerramento compulsivo da Independente. Face ao cenário montado, era a única opção nas suas mãos. Mesmo que a universidade cumprisse todos os requisitos, só assim a idoneidade do Estado ficaria imune a críticas. Agora, a bola está nas mãos do primeiro-ministro.Simplesmente mortal.
Publicado por Manuel 13:17:00 3 comentários Links para este post
Fraude
Cartoon daqui.
Não se trata de confundir os termos, fazendo-se passar, no trato comum, por engenheiro quando era apenas mero bacharel ou engenheiro técnico.
Trata-se exactamente de fazer constar num currículo oficial, a categoria de "licenciado em engenharia" quando efectivamente ainda o não era e eventualmente só o viria a ser três anos depois.
Agora, é muito simpes, Vital Moreira: não se trata de um purismo mesquinho, vir para aqui com estas coisas. Trata-se apenas de mera fraude, se esta notícia se confirmar. Fraude mesmo, percebe?!
Publicado por josé 12:53:00 3 comentários Links para este post
breves notas sobre um estád(i)o de direito
segunda-feira, abril 09, 2007
Publicado por Manuel 20:49:00 1 comentários Links para este post
diz que é uma espécie de mba
Um dos purismos mesquinhos que tem levado a sucessivas correcções no currículo oficial do Primeiro Ministro, José Sócrates, é o da designação das suas habilitações.
Depois de duas correcções, ficamos a saber que José Sócrates tem um "MBA": Pós-graduação com MBA em gestão de empresas pelo ISCTE, com mais rigor.
No Público de hoje, um leitor que assina como Sérgio Paulo Leal Nunes e é professor, residente em Lavra, Matosinhos, escreve:
" Um MBA não é por definição um Master Business Administration, ou seja, um mestrado em Gestão. Claro que é um curso de pós-graduação, como aliás, um doutoramento. A questão está em saber se o curso pós-graduado, confere um grau de académico ou um diploma.
Um "MBA" que não confira o grau académico de mestre, nos termos da lei, não é um MBA. Pode ter conteúdos mais profundos e interessantes, ter professores mais bem qualificados e reconhecidos, saídas profissionais mais bem remuneradas e perpspectivas de carreira mais aliciantes, mas não é um mestrado. Como tal, não se pode designar por Master...Qual o sentido de um curso de "mestrado em..." que não conduz ao grau de mestre?
A confusão é tal que já tive um aluno que me questionou: por que razão não fazem um MBA em Real Estate” ? Outra vez fui questionado sobre a qualidade de um “MBA em Finanças”. Apeteceu-me responder: vamos almoçar um cozido à portuguesa de lampreia!
Perante estes esclarecimentos do pleno conhecimento de todos os vitais e jornalistas que sufragam as dores de um primeiro-ministro disposto a "sacudir a pressão", porque é que continua a farsa»?! Porque é que não se esclarece tudo, de uma só vez e em vez de continuar a representação?
Publicado por josé 16:52:00 1 comentários Links para este post
cada país tem os filmes que merece...
Publicado por Manuel 16:24:00 0 comentários Links para este post
os argueiros do costume e as traves de sempre
«Em Portugal ninguém passa incólume de ataques, mesmo que sejam injustos» - diz um especialista em sondagens de opinião.Os orquestradores da campanha contra Sócrates sabem-no bem...
[Publicado por vital moreira] 8.4.07
Verdade? Em vez de olhar para José Sócrates, figura pública de relevo e sujeita a escrutínio do povo, podem sempre perguntar a Souto Moura e ler os comentários que Vital Moreira foi produzindo ao longo do Processo...
Publicado por josé 16:10:00 0 comentários Links para este post
"à canelada..."
Não vou perder muito tempo com a pseudo-exêgese do Dr. Pacheco, publicada no passado sábado, no jornal Público, onde zurzia na classe jornalística, que obviamente acusou o toque, a propósito da Independente, e da licenciatura do Engenheiro Sócrates. Não vou, por uma razão muito simples - por muitas verdades que tenha escrito, naquela peça, e escreveu algumas, faltou a Pacheco Pereira, a humildade de se reconhecer também, a ele, como parte do problema. Afinal também ele só se lembrou de perorar sobre o caso depois do Público se aventurar no mesmo, e nos primeiros dias com pinças... O cerne da questão, como Pacheco muito bem sabe, é outro, bem mais atroz. É o medo. Em Portugal não há o Estado, e os privados, em Portugal há apenas e só quem tenha relacionamento com o Estado - omnisciente e omnipresente - isto é, de uma forma ou de outra toda a gente depende do Estado, ponto. Foi por isso, quando os telefonemas de Sócrates já se faziam sentir, mas a castanha ainda não tinha arrebentado que se escreveu aqui isto... Porque no fundo, no fundo os 'democratas', como se intitulam, não querem o debate, preferem como este atirar às pernas, (tentar) matar a mensageiro a discutir a mensagem. Tivesse José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, o tal que não é arguido ou suspeito no seu percurso académico do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade, uma réstia de dignidade, uma réstia de moralidade, e seria o primeiro a condenar este tipo de "black ops", dos seus, soezes e típicas do pior do tempo da PIDE. Mas não. José Sócrates acha-se uma vítima, a única vítima. E no PS, neste PS, as vítimas reagem sempre da única forma que conhecem - à canelada.
Publicado por Manuel 15:29:00 2 comentários Links para este post
Fundação Nacional para a Educação Cívica
A propósito de Fundações, o falecido Mota Pinto, ensinava no seu manual de Teoria Geral do Direito Civil, algumas noções básicas.

Publicado por josé 01:18:00 6 comentários Links para este post
Lux
domingo, abril 08, 2007
Ontem fui ao Lux. Melhor, fui até às escadas do Lux. Um senhor à porta disse-me que tinha que pagar 180 euros para entrar. "Consumo mínimo", explicou. Ainda pensei que, apesar de serem duas da madrugada, os tais 180 euros seriam para pagar jantar e espectáculo de variedades. Mas não. Era só para entrar e beber um copo. Não perguntei quantos copos mas, presumo, 180 euros dariam para muitos. Um tipo que por lá andava ainda me disse para esperar um pouco e ir falando com o porteiro. Perguntei-lhe sobre o que é que se fala com um porteiro de um discoteca. Nada de especial, apenas estar ali, segundo me disse, a meter conversa até o homem "engraçar" e deixar-me entrar. Fabuloso!, respondi-lhe. E percebi o poder que um porteiro tem.
Publicado por Carlos 21:21:00 1 comentários Links para este post
Puro vital
sábado, abril 07, 2007
Repare-se nesta pérola branquinha, saída agora mesmo da conchinha da causa nossa:
Parece-me que chegou a altura de Sócrates sacudir a pressão que os media continuam a alimentar por causa do controverso processo da sua licenciatura na Universidade Independente, cujo agendamento público coincidiu "por acaso" com a manifestação do caos institucional dessa mesma universidade privada. O silêncio já não constitui a resposta adequada às especulações jornalísticas e às desconfianças instiladas na opinião pública.
[Publicado por vital moreira 7.4.07]
“Sacudir a pressão”, não equivale, nesse modo de escrever, necessariamente , a esclarecer com a verdade dos factos, o que já é uma esmagadora evidência: as várias irregularidades graves de um indivíduo que é primeiro ministro de Portugal .
O que interessa é mesmo… “sacudir a pressão”, esconjurar o demónio das críticas dos mabecos que ameaçam esta belíssima estabilidade governativa que tanto custou a alcançar.
Para tanto, valerá quase tudo. Provavelmente, até tirar olhos aos que não consigam dizer que as traves à vista, são afinal… meros argueiros.
Publicado por josé 15:43:00 16 comentários Links para este post
Assustado, eu?!
Segundo o jornal 24 Horas, o “gato” Fedorento Ricardo Araújo Pereira e demais colegas de mio politicamente correcto, foram ameaçados por causa do cartaz que garbosa e galhardamente, em nome dos ideais de esquerda, indiscutivelmente correctíssimos , colocaram, ao lado de um outro que veiculava uma mensagem cínica, de boa viagem, a imigrantes indesejáveis.
A prova de valentia humorística, mesmo eivada de flagrante ilegalidade administrativa e que deixou os felinos fedorentos impassíveis na sua razão absolutamente correcta, feita de rebeldia conformista, consistiu num mero achincalhamento pessoal do mentor do cartaz, acompanhada da mensagem adequada e de acordo com os cânones vigentes e de unanimidade mediaticamente assegurada.
Porém, o mais interessante, para além da valentia da provocação genericamente aplaudida, é o discurso fedorento que acompanha esta notícia. Vejamos:
-Ó Gato! Dizem que vocês são uma espécie ameaçada…
- Nã…não me assustam com essas tretas.
- Não te assustam?! Então, porque é que foste bufar o caso… “às autoridades”?
- Sabes, rica Anita, é que eu já sou figura pública de relevo, no humorismo de rasto fedorento, por isso, fico preocupado com estas coisas. Mas não me assustam!
- Mas… ó fedorento, se não te assustam assim tanto, porque é que se diz que já estão a “um passo de ter segurança pessoal”?
- Anita rica, a segurança não é pessoal, querida. É colectiva, é para todos os que largam rasto fedorento.
Então, deixa lá ver: tu, não te assustas com as ameaças?
-Não!
- Mas ainda assim, pediste às autoridades, medidas…
-Sim.
-Ah! Medidas de protecção, não é assim?!
-É. Mas são para todos, não são para mim sozinho…
- Ah! Então, os outros é que estão assustados…
- Bem…os outros não sei. Eu não estou.
- Mas se os outros podem não estar…porque é que foste tu a pedir as medidas “às autoridades”?
-Bem…é só por precaução. Mas eu não estou assustado
Nota: qualquer semelhança com uma rábula que fez longo curso no YouTube, é pura conincidência.
Publicado por josé 15:04:00 0 comentários Links para este post
Canto de cultura
sexta-feira, abril 06, 2007
Um dos blogs que maior sucesso obteve na blogosfera nacional, foi o Espectro, animado por Constança Cunha e Sá e Vasco Pulido Valente.
O blog, em poucos dias, alcançou uma audiência notável e duvido que alguém habituado a estas andanças, não tenha lá ido dar a sua espreitadela.
Terminou de forma inglória, a seguir ao anúncio de um processo crime, instaurado pela ofendida com um postalzito, assinado por Vasco Pulido Valente. A ofendida era Clara Ferreira Alves que escreve no Expresso e era directora da Casa Museu Fernando Pessoa, nomeada por Santana Lopes.
De relevo, lembro que VPV, escrevera algo a propósito da incapacidade daquela, para o exercício profissional. Uma crítica acerada, mas igual a tantas outras, eventualmente mais suave do que alguns dos postais da Pluma Caprichosa, a zurzir noutras personagens.
Fiquei por isso, deveras surpreendido pelo ataque imediato da ofendida, colocado nos tribunais, e visando o crítico VPV, por ofensas à honra e consideração.
Algo que se dirimia bem num artigo de resposta, num lugar potencialmente mais lido do que um blog, foi assim relegado para apreciação em instâncias diversas e alheias a humores de plumas caprichosas. Nunca percebi a razão, mas percebo-a agora, com o artigo da Pluma Caprichosa, publicado na Única de hoje.
A razão da queixa-crime, segundo agora leio, deixa-me ainda mais perplexo do que antes : a senhora queixou-se porque o crítico teria escrito que ela era apenas uma hipotética “dra”!!!. É esse o corpo de delito: duvidar publicamente da sua excelsa licenciatura em Direito! E a senhora ofendeu-se toda porque lhe telefonaram de todo o lado ( até do Brasil,da Espanha e da Itália, vejam lá!) , pondo em dúvida a sua licenciatura em…Direito.
Ora bolas! Sempre pensei que a putativa ofensa à honra, tinha, como substracto, o essencial do escrito: a flagrante pinderiquice cultural da ofendida. E com isso, podia bem o crítico, pois a prova da verdade dos factos, seria bem simples. Como hoje se demonstra.
Publicado por josé 19:56:00 5 comentários Links para este post
Um ar do Tempo
O texto que segue, do espaço público do Público de hoje, é de um indivíduo que assina Nuno Rocha, "jornalista e ex-docente da Universidade Independente." Nuno Rocha foi director de um jornal semanário, chamado Tempo. Em tempos- finais dos setenta e início dos oitenta- era um dos poucos baluartes de imprensa de uma certa direita portuguesa quando a esquerda dominava completamente, como hoje, aliás, ainda domina, todo o espectro político da informação impressa.
Não obstante, o semanário tinha um je ne sais quoi esquisito que me afastava da sua leitura. O esquisito, descobri depois, afinal, era o seu próprio director. Coisa estranha. Não me lembro de ler um único texto que me soasse como algo genuíno, como acontecia com os escritos de José Carlos Vasconcelos, de O Jornal ou até os de Barata Feyo ou mesmo os de Sousa Tavares. Se a Direita portuguesa era aquilo, preferia sem dúvida ler a esquerda.
No Público de hoje, Nuno Rocha, desaparecido numa revista de nicho financiada, com certeza, de modo interessante, assina um artigo antológico e desta vez genuíno, em que explica nas entrelinhas, algumas das razões por que falhamos como país que gostaríamos mais civilizado, ao longo destes últimos 25 anos.
É ler...
Depois de ter vendido o Tempo, recebi um convite para ensinar Jornalismo na Universidade Independente. A universidade ocupava então umas instalações recém-construídas num edifício residencial junto ao Poço do Bispo e era rudimentar. O reitor Luiz Arouca convidou-me para um almoço onde surgiu o dr. Rui Verde. Os dois falaram-me sobre a universidade e convidaram-me para director do curso de jornalismo. Não aceitei o convite porque não tinha experiência de docência, mas ambos insistiram para que ingressasse na universidade. Como não tinha trabalho nessa altura, aceitei ser apenas professor e sugeri Marco Leão para dirigir o curso, o que ele aceitou rapidamente, até porque era também amigo do reitor.
Pouco depois o reitor e Rui Verde decidiram transferir a UnI para umas instalações livres na Gomes da Costa (na Opel), tendo para tal realizado uma operação financeira apoiada pelo BCP. Foi lá que nasceu a nova Universidade Independente, com magníficas salas e, também, com problemas financeiros, já que eu próprio não recebia salário e era pago através de "acções" da universidade. Parecia um bom investimento para a minha vida.
As carências financeiras eram, no entanto, cada vez mais evidentes, pois outros professores não recebiam salários, o que sucede ainda hoje. Como a situação era desesperada apareceram novos investidores, como a família Neiva de oliveira e a Fundação Ilídio Pinho, que depressa deixavam de ser accionistas e partiam.
Para ajudar a universidade criei uma pós-graduação
Quando decidi aceitar ser professor de Jornalismo, solicitei a Rui Machete, presidente da Fundação LusoAmericana, que me permitisse visitar, juntamente com Marco Leão, a universidade de Jornalismo em Boston e Nova Iorque. Percebi lá como o ensino do Jornalismo em Portugal era, de uma forma geral, mau. Não havia nem alunos (que faltavam todos os dias às aulas), nem livros, nem leitura de jornais. Mesmo assim, convidei para professores na independente pessoas como Joaquim Vieira,Fernando Cascais (presidente do Ceijor),Joaquim Letria, Diniz de Abreu, Fernando Balsinha, Cristina Branco e Mário Crespo. Foi um período em que lá se formaram excelentes jornalistas, como João Abreu, Carlos Moleira e Manuela Vicência, hoje os três na SiC-Notícias, ou Pedro Bello de Morais, da TVI. Chegámos a ser o curso universitário de Jornalismo com mais alunos inscritos.
Do curso fazia parte, por exemplo, uma excursão anual a Madrid. Seguíamos de autocarro. ficávamos num hotel barato e, num dia bem preenchido, íamos à Universidade Complutense de Periodismo, onde o prof. Pizarroso dava uma aula, seguíamos para as instalações do El País, onde havia sempre uma palestra e se visitava a redacção e a enorme casa das máquinas, tudo antes de passarmos pela televisão Antena
Entusiasmado com todo este trabalho, convidei também o meu amigo Baptista Bastos e a Bárbara Guimarães. Contudo, sem experiência do jornalismo, o reitor cometia erros, como o de convidar para dar Língua Portuguesa uma jovem escritora. Queria dirigir, mas não sabia como, continuando a escola a debater-se com problemas de salários
Eis, pois, como o caso da independente ilustra o romance ou a tragédia da universidade portuguesa. E desta sociedade de lobbies e de "oportunistas".
Em 18 de Julho de 2002 deixei a Universidade Independente na sequência de um pequeno AVC que sofrera, uma semana antes, depois de uma reunião na escola. Foi num período em que a universidade vivia uma agitação fora do vulgar e quando estava a tentar construir mais um novo curso, uma pós-graduação de Desporto. Quem me trouxe a ideia foi Jorge Schnitzer, que deixara a SIC depois de um contencioso. Com ele fui a Barcelona convidar Cruyff, que fora fundador e director de mini curso de Marketing de Desporto numa universidade catalã, convidando-o a apoiar-nos no projecto. E quando Cruyff veio a Lisboa, conseguimos ser recebidos pelo secretário de Estado do Desporto, José Lello, e que o Presidente Jorge Sampaio também o recebesse. O eco na imprensa foi enorme e rapidamente começaram a afluir à Independente dezenas de candidatos.
Só que enquanto tentava formar um corpo de professores, Schnitzer tratava de se apropriar do curso, rondando o gabinete do reitor e do dr. Verde.
Com o curso cheio de alunos, o dinheiro entrava a rodos e o reitor e o dr. Verde sonhavam com grandes lucros. A dr.a Mafalda Arouca, filha do reitor, entrou então no processo e o Schnitzer parecia-me mais inquieto do que ninguém. Até que se começou a falar de contas - e as contas eram a tragédia de sempre do prof. Arouca e do dr. Verde. [Eu devia lembrar-me porque, quando quis fundar o Tempo, o prof. Arouca ofereceu-me 500 contos para ser accionista, passou o cheque e, poucos dias depois, disse que estava com problemas na PIDE e que era melhor devolver os 500 contos, pois não queria ser preso. Foi o que fiz imediatamente.] Ficou assim o Schnitzer como director do curso de pós-graduação do Desporto, tendo pedido colaboração a Emídio Rangel. Mas pouco tempo duraria, tendo Emídio Rangel deixado já a Independente.
Desta forma se foi destruindo uma universidade para que entrei com orgulho e de onde saí porque tinha chegado o tempo de outros. Os de que falei atrás.
Publicado por josé 18:24:00 1 comentários Links para este post
o caminho é só um...
quinta-feira, abril 05, 2007
Altura de fazer ainda mais perguntasEm vez de imaginar teorias da conspiração inverosímeis ou de espalhar suspeitas sobre as motivações deste jornal, era mais sensato que o primeiro-ministro tivesse começado por esclarecer tudo desde a primeira hora
Quando o PÚBLICO decidiu publicar os primeiros resultados da investigação sobre como o primeiro-ministro obtivera a sua licenciatura, fizemos questão de sublinhar que nos seria sempre absolutamente indiferente saber se José Sócrates era engenheiro, licenciado em Engenharia, bacharel ou se tinha ficado pela antiga 4ª classe. Coisa bem diferente era a de saber se havia procedido de forma correcta para obter o seu título universitário.
Sendo assim, o PÚBLICO apenas procurou respostas para as acusações que circulavam, assinadas e não anónimas, na net. A análise que realizámos ao dossier da licenciatura realizada na Universidade Independente permitiu, contudo, detectar um conjunto importante de falhas. Novas dúvidas sobre a transparência de todo o processo foram levantadas, uma semana depois, pelo semanário Expresso, que dava também conta dos esforços do gabinete do primeiro-ministro para, falando para jornalistas e directores, impedir que a notícia tivesse maior repercussão.
Hoje, o PÚBLICO acrescenta mais dados a este dossier. Por um lado, um documento do Ministério da Educação indica que, na UnI, não foi concluída nenhuma licenciatura no curso de Engenharia no ano em que José Sócrates obteve o seu diploma. Um lapso dos serviços dessa Universidade? É possível. Mas então por que motivo não respondeu o gabinete do ministro da Ciência e do Ensino Superior às perguntas que lhe foram dirigidas pelo Expresso? É que duas delas, pelo menos, permitiriam esclarecer algumas das questões suscitadas no nosso trabalho, como a de saber se o MCTES tinha conhecimento da "lista dos docentes relativa ao curso de Engenharia Civil entre os anos 1994-1997" (...), "de acordo com as obrigações previstas na lei", e se sabia "que disciplinas eram ministradas por cada um dos docentes".
Como se sabe, uma das dúvidas no processo da licenciatura na UnI era o facto de quatro das cinco cadeiras terem sido leccionadas pelo mesmo professor, António José Morais. Ora sucede, como hoje revelamos, que esse docente distribuiu um currículo muito detalhado onde referia só ter leccionado duas cadeiras na UnI em 1996 (o ano em causa), sendo que só uma delas coincide com as do diploma do primeiro-ministro. Trata-se do docente que ocupou, durante os governos PS, altos cargos na Administração Pública que suscitaram "casos" que levaram à sua demissão. Contra o mesmo professor corre também, neste momento, um processo disciplinar na Universidade Técnica de Lisboa.
Tudo o que estará mal neste processo pode ser da exclusiva responsabilidade da Independente. José Sócrates pode estar a ser vítima não de um ataque calunioso, como diz, mas da opção errada que fez ao escolher aquela escola. Disso e das imprecisões na nota biográfica que colocou no Portal do Governo. Quem nada tem a esconder tudo pode explicar, nomeadamente: por que motivo trocou o ISEL, uma escola pública prestigiada, pela Independente, para terminar a sua licenciatura? Por que motivo consta do seu processo uma nota manuscrita numa folha com o timbre da Secretaria de Estado do Ambiente e dirigida ao reitor da UnI? Por que começou por se autodesignar engenheiro e, depois, passou a licenciado em Engenharia Civil? Por que mantém no site a indicação de que fez uma pós-graduação em Engenharia Sanitária na Escola Nacional de Saúde Pública, pós-graduação que nunca existiu, depois de o próprio ter dito ao PÚBLICO que apenas frequentou nessa escola um curso para engenheiros municipais? Por que enviou para a SIC uma nota com o seu currículo académico onde não consta essa pós-graduação, mas antes um MBA em Gestão pelo ISCTE, do qual ainda ontem não se dava conta no Portal do Governo?
Em vez de imaginar teorias da conspiração inverosímeis ou de espalhar suspeitas sobre as motivações deste jornal, era mais sensato ter esclarecido tudo desde a primeira hora. Para não permitir que restassem quaisquer dúvidas. E para evitar muitas horas perdidas ao telefone, designadamente para todas as pessoas do PÚBLICO ou ligadas ao PÚBLICO com quem falou desde que chegaram ao seu gabinete as perguntas do jornalista Ricardo Dias Felner.
José Manuel Fernandes, editorial do Público de hoje.
Até por não ter grande consideração pelo director do Público, não posso deixar de transcrever o editorial de hoje, acima. Por uma vez, um bocadinho tarde - é certo - demonstrou clarividência, coluna vertebral, e dado o país que somos - vá lá - alguma coragem. Está lá tudo. Quanto a Sócrates, já passou o tempo em que podia ter saído por cima, de uma forma mais ou menos airosa, à Clinton. Tentou fugir para a frente, tomar um País inteiro por parvo e imbecil. Não só não conseguiu, como o tiro lhe está a sair pela culatra. Agora a questão já não é saber se, é saber quando... E sim, eu confesso que numa ou duas coisinhas, sempre julgava que o actual primeiro-ministro fosse um tudo nada mais lúcido que o Dr. Lopes. Não é.
P.S. Parece que o Dr. Vitorino, em vésperas da Presidência Europeia da União, anda mais que feliz. Já o Dr. Costa, irmão do outro, anda apreensivo - é-lhe cedo de mais, quanto ao Eng. Coelho, anda precupado, como se viu ontem, na SIC. É a vida.
Publicado por Manuel 14:33:00 3 comentários Links para este post
O encobrimento
Como é sabido e Francisco Pinto Balsemão realçou num editorial no Expresso que então dirigia, em Agosto de 1974, a propósito do caso Watergate, o problema que se colocava à sociedade americana, era nessa altura, o da liberdade de a imprensa relatar factos conhecidos que poderiam apontar para outros, desconhecidos. Suspeitas? Sim, claro. Legítimas? Pois sim, também.
Quem exerce cargos públicos está à mercê do escrutínio permanente do público, para além das instituições vocacionadas para o efeito e não deve admirar-se disso nem tentar controlar e abafar a informação que não lhe agrada, para além do admissível.
O que José Sócrates, actual primeiro ministro de Portugal tentou fazer com o Público, agora abertamente denunciado pelo seu director, é muito simples e releva da táctica velha e revelha: encobrir, desvalorizar, controlar e gerir os estragos de imagem. Tudo, menos apresentar a verdade que todos podem conhecer.
Desta vez- sabe-se lá porquê! – alguns (e mesmo assim, só alguns!) dos jornalistas portugueses não alinharam na manobra. Fosse outro o envolvido, por exemplo Mário Soares, e outro galo cantaria, e que disso não fique qualquer dúvida, porque os exemplos são vários e elucidativos. Assim…
Em 1972, dois dias depois de os assaltantes de Watergate terem tentado colocar escutas na sede dos Democratas e terem sido presos por isso, o porta voz Ronald Ziegler( Press Secretary, o equivalente ao nosso verificador de sarjetas jornalísticas, Santos Silva), desvalorizava o acontecimento relatado, como sendo uma “tentativa de assalto de terceira categoria”, não sem avisar que alguns poderiam tentar alargar o âmbito do assunto para além daquilo que ele verdadeiramente era”…
O encobrimento no caso Watergate, começou logo ao segundo dia. Em 23 de Junho, uma semana depois do assalto, Nixon deu ordens a um colaborador para que a CIA bloqueasse a investigação já em curso pelo FBI. Nesse mesmo dia, os colaboradores directos Haldeman e Ehrlichman encontraram-se com o então director da CIA Richard Helms e ainda Vernon Walters ( conhecido dos portugueses…) . Como é que Nixon tentou encobrir, logo aí? Tentando convencer a CIA a investigar no México, afastando por isso, o cerne da investigação da própria Casa Branca. Em Agosto, numa conferência de imprensa, Nixon afirma peremptoriamente que um colaborador, Howard Dean, tinha feito uma investigação rigorosa e concluído que ninguém da Administração estava envolvido. Descobriu-se depois que Dean nunca tinha feito tal investigação. Em 7 de Novembro Nixon é reeleito, numa avalanche de votos. Mas o maldito Watergate, instigado pelo Washington Post, continua. No ano seguinte, 1973, durante o julgamento pelo assalto, Howard Hunt, assume a culpa e declara que não havia “superiores” metidos no assunto.
O caso parecia encerrado, mas o jornal Washington Post, não largava a presa da verdade que parecia fugir entre os dedos. Com ajuda de um informador encoberto ( Mark “deep throat” Felt, agente qualificado do FBI), os jornalistas descobrem outras pistas e outros órgãos informativos entram no assunto. A revista Time descobre que um advogado, Donald Segretti, tinha sido contratado pela Casa Branca para sabotar a campanha presidencial democrata. Em Fevereiro, ecoando a insatisfação do juiz Sirica, em prol da descoberta da verdade total, o Congresso vota( por 77-0) a constituição de uma Comissão de Inquérito, para investigar Watergate. Sam Ervin é nomeado presidente da Comissão.
A partir daqui, o esforço de encobrimento descontrola-se, porque as revelações comprometedoras acontecem em catadupa.
Colocados perante o dever de responder com verdade e sob juramento que implica a prática de crime grave, se tal não acontecer, os intervenientes do caso começam a quebrar.
Perante o depoimento daqueles que lhe são próximos e que contraria abertamente as versões anteriores, oficiais, do caso, Nixon resolve agir, para salvar as aparências e demite colaboradores directos: Haldeman e Ehrlichman e Dean.
Em 17 de Maio de 1973, perante as pressões das revelações, Nixon admite finalmente que houve tentativas de encobrimento dentro da própria Casa Branca, negando mesmo assim, o seu envolvimento directo. Apesar de desmentido em directo, pelo colaborador John Dean que o acusou de saber de tudo, desde o início, Nixon continua a não se dar por achado, e em 27 de Junho imputou a Dean o planeamento de toda a tramóia contras os democratas.
A seguir, em 16 de Julho de 1973, aconteceu a revelação que veio tramar Nixon: Alexnader Butterfield, um colaborador da Casa Branca, conta à Comissão de Inquérito que Nixon costumava gravar todas as conversas que mantinha no gabinete oval.
Evidentemente, Ervin requer oficialmente a entrega das fitas gravadas. Nixon recusa e reafirma em 15 de Agosto: “não só não estava a par do encobrimento, como nem sabia que havia qualquer coisa a encobrir”.
Em 29 de Agosto, o juiz Sirica obriga à entrega de nove fitas. Nixon tenta apresentar “sumários” das conversas e em Outubro um tribunal obriga à entrega das fitas.
Nesse mês de Outubro acontece algo inédito e extraordinário, nos EUA: A pedido da revista Time, num primeiro editorial em 50 anos de existência, o New York Times, o Detroit News e o National Review, pedem a resignação do presidente, o que é aproveitado pelos democratas que iniciam diligências para o processo de destituição.
Em Março de 1974, o grande júri do Watergate acusa sete antigos colaboradores de Nixon, por obstrução à justiça.
As transcrições das gravações, acrescentadas às iniciais, revelam novidades de vulto: Nixon afinal sabia algo do que se passava.
Em 5 de Agosto de 1974, Nixon, forçado pela iminente divulgação das conversas gravadas, admite finalmente o que nunca admitira e sempre negou: que sabia do que se passava, logo no dia 23 de Junho de 1972 e tentou abafar o caso, através de encobrimento criminoso.
Foi à tv nacional e comunicou à Nação a sua resignação. Nunca se arrependeu. Hunter Thompson, da revista Rolling Stone, achava que Nixon era a encarnação do diabo… mas batia com a mão no peito e dizia, “senhor, senhor”…
Para bom entendedor…
Nota complementar:
O noticiário da SIC sobre o caso das habilitações académicas de José Sócrates, aparentemente da responsabilidade de Ricardo Costa, é um caso notável de manipulação.
Citando o jornal Público que hoje refere em primeira página, "não há registo de diplomados em Engenharia pela Independente no ano do curso de Sócrates", Ricardo Costa, tempera o ácido da notícia com um facto não verificado e adiantado na "explicação do Governo". Para além do insólito que representa o facto de ser o governo que "explica" factos que competem a José Sócrates enquanto cidadão explicar, numa confusão de quem não percebe a distinção entre funções, Ricardo Costa, aparentemente, não procurou saber um facto simples: a ausência de registo de diplomados em engenharia, pela UnI, no ano de 1996, abrange também os casos de transferências?
A resposta a essa questão que o Público tenta esclarecer, e de algum modo esclarece, escrevendo que nos demais registos de outras licenciaturas que não a de engenharia, há inclusão dessas transferências, contrariando a lógica da "explicação do governo" ,foi completamente obliterada por Ricardo Costa, o "inoxidável" que deveria ter mais um pouco de vergonha no jornalismo que vai fazendo e menos prosápia quando fala em público.
Sendo a questão simples e tendo algumas horas de novidade, o que é que impediu o inoxidável da SIC, de apurar o facto e noticiar com o rigor exigível a quem costuma dar lições de jornalismo avulsas?
Aparentemente, nada. Com alguma probabilidade, tudo.
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Comptas mal feitas
Publicado por contra-baixo 13:11:00 0 comentários Links para este post
as coisas são o que são
A paródia sobre as habilitações académicas do primeiro-ministro continua, o currículo do mesmo vai sofrendo variações à medida. O Presidente da República que, enquanto chefe do Governo, demitiu um ministro por ter contado uma infeliz anedota sobre alentejanos, está calado e hirto. Deve ter regressado à fase em que não lê jornais. Só pode. (...)
José António Barreiros
Publicado por Manuel 12:37:00 0 comentários Links para este post
Vergonhas puristas
O jornal Público de quarta-feira, apresenta uma página inteira, assinada por Ricardo Dias Felner ( que Jorge Coelho, na Quadratura do Círculo,da SIC-Notícias, disse conhecer muito bem), na qual se apresenta um fenómeno dos tempos modernos: o artigo sobre José Sócrates, na enciclopédia on-line, Wikipedia, anda em bolandas escritas e reescritas, por causa da sua…licenciatura e habilitações académicas.
Há quem tenha escrito “detentor de um diploma de licenciatura”, em contraposição à simples menção de “licenciado”.
É de convir, excepto para os apaniguados que acham tudo isto um “purismo mesquinho”, que esta situação é já patética, precisa de esclarecimento urgente e não tem paralelo na Europa dos doze, para não falar em mais.
Aproximando-se a passos largos a próxima presidência da EU, afigura-se interessante saber e mencionar quem são alguns dos primeiros-ministros europeus e que perfis académicos apresentam e se também eles passam por estas vergonhas.
Não é a vergonha de não se possuir um título académico; nem é a vergonha de não poder emparelhar com os parceiros de liderança, mostrando pedigree. É mais a vergonha de ser obrigado a rasurar e corrigir as qualificações oficialmente colocadas, por força da opinião pública que aponta a nudez crua da verdade, sob aquele manto diáfano de que todos já ouviram falar. É a vergonha da ausência de esclarecimento oportuno que aumenta a desconfiança e uma noção difusa de que algo se anda a tramar para abafar os meios onde a liberdade de expressão ainda não é um mito. As sarjetas já estão esquadrinhadas e os limpadores prontos.
Não deve existir paralelo por essa Europa fora, pelo que nessas chancelarias da Europa dos ricos, já nem sei o que dirão de nós e de quem assim nos envergonha. Pobres já somos e ainda o ficamos mais. Porca miseria, diria um italiano neo realista. Puta que os pariu!, diria o Zé Povinho.
Para ver o retrato explicado, a tarefa é facílima e uns poucos clicks, levam quem quiser, à informação desejada, toda retirada da Wikipedia. Bastam as palavras "primeiro ministro wikipedia" e teremos logo a entrada franqueada para todas as informações relevantes.
Assim, na Grã-Bretanha, Tony Blair, passou no Fettes College e frequentou Oxford e de lá saiu com o canudo vulgar.
Na Finlândia, Matti Vanganen, orgulha-se certamente do seu Master of Social Sciences, obtido com mérito, num regime educativo que já fez inveja ao nosso pobre José Sócrates.
Na Áustria dos artistas da música, o título de doutorado em Ciência Política pela Universidade de Viena, soa como melodia académica, na Internacional Socialista de que faz parte o chanceler Alfred Gusenbauer.
Na França dos intelectuais, Nicolas Sarkozy, pode dizer que tirou um canudo na Universidade de Paris X, em direito público e ciências políticas e um mestrado em direito privado, mas não logrou passar para o prestigiado Instituto de Estudos Políticos de Paris, por causa do…inglês. E conta isso no perfil…
Na Alemanha, frau Angela Merkel, a primeira mulher chanceler, é especialista em Física, doutorada.
Na Itália, Romano Prodi, ensinou Direito, o que também já fez em Harvard e Stanford, como professor convidado.
Na vizinha Espanha, Zapatero, formou-se em Direito, depois de estudos medíocres, mas que ainda chegaram para ser professor.
Até na Roménia, o primeiro-ministro Calin Popescu que deixa para cá virem os pobres pedintes, tem uma graduação em Matemática e Ciência de Computação.
E poderia continuar, ficando à vontade de quem o quiser fazer, teclar umas palavras simples num motor de busca da Internet, para ficar a saber tudo o que é preciso saber sobre quem são e de onde vêm, os primeiros-ministros desta Europa.
Aqui, teclando “José Sócrates Wikipedia”, obtém-se agora o retrato a fotomaton: fosco, impreciso e nebuloso.
Só não vê, quem não quiser...
Publicado por josé 01:39:00 4 comentários Links para este post
Cheira a esturro, sim senhor
quarta-feira, abril 04, 2007
Cheira a ameaça
Depois das declarações fantásticas de Santos Silva, eis a resposta que ainda borra mais a pintura: ”Terão notícias a seu tempo.” Não fora a resposta ambígua, a roçar o rídiculo, seria de elogiar o facto de José Sócrates se pronunciar pela primeira vez sobre o seu ”caso“ Independente. Mas assim sendo, ainda teremos de esperar mais tempo para quê? Será que o primeiro-ministro vai processar os jornalistas? A Comunicação Social? E o resto do mundo? Vai tudo à varada? Vai provocar mais mudanças nas direcções editoriais e afastar mais jornalistas incómodos? Vai encerrar o Blogger? Vai reunir as secretas e as polícias? 2Seria bem melhor esclarecer, de uma vez por todas, a sua licenciatura da Universidade Independente, um caso que envergonha Portugal. Já não há tempo para mais esta novela e para tiradas desastradas ou impertinentes.
Rui Costa Pinto
A prosa que se lê acima foi colocada em linha, há pouco mais de uma hora, pelo Rui Costa Pinto, que não é anónimo, desconhecido ou inimputável. Esquecendo por momentos o 'mau feitio' do actual primeiro-ministro, e a questão 'independente', concentremo-nos no essencial do escrito de RCP - "Será que o primeiro-ministro vai processar os jornalistas? A Comunicação Social? E o resto do mundo? Vai tudo à varada? Vai provocar mais mudanças nas direcções editoriais e afastar mais jornalistas incómodos? Vai encerrar o Blogger? Vai reunir as secretas e as polícias?" De que mudanças nas direcções editoriais e despedimentos é que o Rui Costa Pinto está a falar ? Sim, porque isso é grave, muito grave, infinitamente mais graves que uns telefonemazecos e 'pressões' verbais. Dito isto, como não se acredita na convocação do autor para uma ida à PGR, e à ERC, para esclarecimentos, por parte daquelas entidades, o mínimo que se espera é que depois de ter escrito o que escreveu, e que não dá espaço a grandes ambiguidades, seja o próprio Rui Costa Pinto a dirigir-se àquelas entidades para que tudo, mesmo tudo, fique em pratos limpos...
Publicado por Manuel 20:00:00 1 comentários Links para este post
um país
Há pequenas coisinhas que definem mesmo o país que (não) somos. Não me refiro à cada vez mais triste novela que envolve as alegadas habilitações do nosso PM, e que - já se percebeu - devido à arrogância e falta de humildade já só pode acabar mal, muito mal. Refiro-me à presença em Portugal do "Crazy Horse". As 'madames' já foram tema de capa e destaque de tudo quanto é publicação que se diz de referência, e até deram um 'cheirinho' da sua graça (?) na pretensa gala (!) da SIC este fim de semana. São estas pequenas coisas, estes pequenos detalhes, esta falsa modernidade que nos recordam a pequenez e a mediocridade de um certo país. Pimba, pimba e outra vez pimba qb.
P.S. se alguém se lembrar de fazer contas palpita-me que descobrirá que os 'dias do fim' do sr. Pinamonti no S. Carlos mereceram menos tinta. Q.E.D.
Publicado por Manuel 11:50:00 0 comentários Links para este post
Os inoxidáveis
terça-feira, abril 03, 2007
O jornalista Ricardo Costa, da SIC-Notícias, ouvido hoje, no Jornal da Noite, na SIC, produziu algumas pérolas informativas acerca do relacionamento entre jornalistas e governantes executivos.
Assumiu com toda a tranquilidade de um treinador de notícias, que “os telefonemas do primeiro-ministro, de um ministro ou de um assessor do governo, são coisas absolutamente normais nesta actividade”
Hummm…”absolutamente normais”?
Aqui há dias, citei um artigo da Vanity Fair americana, assinado por Michael Wolff, no qual se assumia também que a diferença entre Republicanos e Democratas, no relacionamento media-administração, residia na circunstância de aqueles telefonarem mais vezes e responderem imediatamente aos telefonemas dos jornalistas. Os Democratas, supostamente inconfortáveis no papel de spinners, seriam mais discretos e aparentemente mais ineficazes, também. O zelo neoconista, para convencer cépticos dos media, originava um spin infernal, cuja última vítima conhecida acabou por ser um indivíduo de apelido “lambreta”, por causa de um perjúrio para proteger superiores. Lewis "Scooter" Libby, arrisca-se a apanhar 30 anos de cadeia, se não for entretanto perdoado pelo presidente.
Aqui em Portugal, ao que parece e Ricardo Costa corrobora, o modelo socialista é também o dos spinners neoconistas , numa saborosa discrepância em relação aos burrinhos americanos que apesar de tudo, preferem levá-los à água, do que andar a dá-la pela barba.
Ricardo Costa, um inoxidável das notícias televisivas, impressionante no seu discurso de licenciado de redacção, afiança os desconfiados que “ mal seria que nós nos deixássemos influenciar…”, só para avisar do verdadeiro perigo que “vem da legislação que os governos aprovam” que condiciona o estatuto e a carreira dos jornalistas que assim se vêem apertados entre um muro e uma parede e cedem à tentação da censura interior.
Mas…isso é para os outros, entenda-se. “A SIC e a SIC- Notícias, são absolutamente incontroláveis, evidentemente”, assegurou.
“Evidentemente”. Que ideia! Basta lembrarmo-nos da informação a propósito do processo Casa Pia, para termos a certeza da inoxidabilidade da informação SIC. Nas notícias ou nos programas.
Publicado por josé 22:08:00 8 comentários Links para este post
o revisionismo é o que está a dar...
segunda-feira, abril 02, 2007
Schools are dropping the Holocaust from history lessons to avoid offending Muslim pupils, a Governmentbacked study has revealed.
It found some teachers are reluctant to cover the atrocity for fear of upsetting students whose beliefs include Holocaust denial.
There is also resistance to tackling the 11th century Crusades - where Christians fought Muslim armies for control of Jerusalem - because lessons often contradict what is taught in local mosques.
The findings have prompted claims that some schools are using history 'as a vehicle for promoting political correctness'.
The study, funded by the Department for Education and Skills, looked into 'emotive and controversial' history teaching in primary and secondary schools.
It found some teachers are dropping courses covering the Holocaust at the earliest opportunity over fears Muslim pupils might express anti-Semitic and anti-Israel reactions in class. (...)
Daily Mail
Publicado por Manuel 21:00:00 2 comentários Links para este post
Otários
Logo que foi anunciada a contratação do peso pesado do ensino universitário, Santana Lopes, para a Universidade Independente, partindo logo com a vantagem competitiva, do título de Professor Doutor, um dos genuínos professores, ao mesmo tempo anunciador de programas, medidas e projectos governamentais, deu pela coisa e gozou, sem receio de mesquinhices.
Agora que se anuncia, nos jornais de referência, a licenciatura obtida ao Domingo pelo actual Primeiro-Ministro de Portugal e se publicam as graves lacunas de informação que a sustentam, o silêncio é de oiro.
Isso para não falar nas correcções já feitas nas folhas de divulgação oficial- e já lá vão pelo menos três, temendo-se que não fiquem por aí.
Quanto a isso, o anunciador , gozador de putativos professores doutores de pacotilha, cala-se e "chuta para o canto" da OTA.
O problema, agora, é a OTA. Antes, quando o assunto era com outros, era a batota.
Há sempre quem goste de tomar os outros por otários...
Publicado por josé 17:24:00 2 comentários Links para este post
foi preciso ser um da américa para se falar da pólvora...
Os jornalistas e os cidadãos comuns devem trabalhar em conjunto, formando redes que permitam expandir as notícias, disse à Lusa Jeff Jarvis, professor de Jornalismo na Universidade de Nova Iorque. "Temos de reconhecer que qualquer pessoa pode ser jornalista", afirmou Jeff Jarvis, à margem do 8º Simpósio Internacional de Jornalismo Online, organizado pela Universidade do Texas, a decorrer em Austin, nos Estados Unidos.
Público Online
Publicado por Manuel 17:13:00 0 comentários Links para este post
Sócrates e a Independente
domingo, abril 01, 2007
(para quem não consegue ouvir direito (ligação lenta) fazer download aqui)
Publicado por Manuel 16:11:00 2 comentários Links para este post
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