Abrantes, sem emenda
segunda-feira, março 12, 2007
O Miguel Abrantes, pode ler-se sempre com a confiança de quem sabe de antemão o que vai encontrar. A câmara, é afinal, uma antecâmara das medidas que correm nos gabinetes das assessorias governamentais. Miguel Abrantes é, com toda a propriedade, um paquete de recados, num blog apostado em cumprir tarefas. O Governo manda, dispõe em lei, projecta em estudo obscuro e Abrantes, obediente e obrigado, recomenda e reproduz, levando a bandeja a servir as receitas e medidas, sempre solícito e obrigado, não tem de quê, senhor ministro e secretário de Estado, pode ser senhor director geral, ai que bom que somos tão democratas, esses fascistas de antanho que ainda não acordaram para o 25 de Abril, andam a precisar de uma lição senhor director, ministro, não é senhor deputado? Essa direita envergonhada anda outra vez com os corninhos de fora, senhor doutor,mas eu sei bem quem são e como desejam o regresso da velha senhora.
Ainda há meses o senhor doutor Brederode dizia que há desentendimentos entre entendidos, mas nós é que somos os tais entendidos que não nos desentendemos e que receberam o testemunho da democracia e por isso temos o privilégio exclusivo do direito ao verbo correcto, não é senhor professor vital, agora dos nossos?
Com que direito e topete, aparece por aí um Cluny, acolitado pelo sindicato dos beneficiários do subsídio de habitação, senhor ministro da justiça que tem sempre razão e quando não tem, eu direi sempre que tem?
Deixe estar senhor ministro secretário de estado da reforma da administração que a nossa maravilha de prace, ainda vai espantar os simplex dos críticos que não entendem o esforço deste nosso governo de mérito valeroso.
O doutor Vital esforça-se sempre para anunciar as maravilhas da governação quando as não pré-anuncia e tem aqui um valete e um valido sempre pronto para o que for preciso: recados, anúncios e bajulice a rodos e de graça.
Quem discorda da nossa ideia fixa e certa, leva com bonequinhos de cartoon, senhor ministro, secretário, director geral que eu sei bem como os arrelio. O Cluny, pimba, é certo que leva sempre que se mete com o nosso ministro secretário de Estado por causa da justiça que está em tão boas mãos. Às vezes com musiquinha a companhar, só para o arrufar. A Cândida, também leva sempre troco, e o resto da pandilha fica por minha conta, senhor secretário ministro director geral, muito obrigadinho que eu fico bem nestes meus cuidados e topo-os à légua. Há para aí também uns juizecos que se atrevem a questionar o nosso belíssimo discurso politicamente correcto, mas eu sei como lidar com esses reaccionários nostálgicos do antigamente. Ficam por minha conta, vai ver já a seguir que eu tenho tempo para isto e para muito mais que me farto de trabalhar neste ofício de inspeccionar contas, por conta do estado que é nosso e da causa que nos pertence.
Publicado por josé 22:33:00 4 comentários Links para este post
Oratória constitucional
Na última revisão constitucional ficou exarado na CRP que Portugal é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência dos poderes.
A que poderes se refere o artigo 2º da CRP? Ao dos diferentes órgão de soberania, a saber, PR, AR, Governo e Tribunais?
Em nome do princípio da separação de poderes e da independência dos tribunais, o Poder Legislativo não pode substituir-se ao poder judiciário, a fim de exercer uma competência dispositiva que modifique o conteúdo de quaisquer decisões judiciais, seja qual for o fundamento alegado.
Fica agora a saber-se, através da nunciatura do causa nossa que o facto de o poder legislativo, num inquérito parlamentar, convocar um magistrado do MP que investigou um processo crime, de modo autónomo, exclusivo e sujeito a estritos princípios de legalidade, não afronta qualquer princípio de separação de poderes.
Segundo a oração de sapiência resumida do nosso núncio, tal convocatória afronta nada de nada o princípio da separação de poderes, pois o MP não é órgão de soberania e a Constituição só a estes se refere, para assegurar essa separação.
Isso, apesar de o Ministério Público se encontrar definido nas suas funções e estatuto, no capítulo IV, do título V, epigrafado como Tribunais, no que se refere à parte III epigrafada como Organização do Poder político. Tem nada a ver, segundo o vigário da causa a quem nunca me atreveria a ensinar pai-nossos.
Além disso, afigura-se-lhe da mais perfeita normalidade democrática e constitucional que um magistrado do MP, seja chamado a depor num inquérito parlamentar, destinado a averiguar procedimentos de investigação, relativos a um processo pendente de julgamento e portanto no âmbito do poder judicial.
Essa normalidade, assegurada constitucionalmente pelo constitucionalista a oficiar no causa nossa, é tanto maior quanto o é a circunstância de o referido magistrado, ainda se encontrar abrangido por um dever geral de reserva que o impedirá, estatutariamente, de se pronunciar quanto a aspectos do processo tão relevantes e de averiguação tão imprescindível e urgente como são os que se encontram em causa. Além disso, o facto de o processo estar ainda em sede de julgamento, conta nada para este constitucionalista.
Com Vital Moreira, estamos sempre a aprender. Pelo menos ficamos a saber que Vital deixou de considerar o MP como órgão integrante não só do do Poder Judicial, como até dos próprios tribunais.
Em 1993, ainda escrevia que “O Ministério Público é, depois dos juízes, a segunda das componentes pessoais dos tribunais. Mas a Constituição é omissa quanto ao seu lugar nos tribunais enquanto órgãos de soberania. (…)Nada diz explicitamente sobre o seu estatuto face ao Governo, embora um regime de subordinação seja certamente incompatível com a autonomização funcional e orgânica do MP” (CRP Anotada, 3ª edição, 1993)
A clareza desta exposição é de coerência constitucional estonteante.
Com esta pedalada, só poderemos gritar em uníssono: Vital Moreira a presidente do TC, já!
Publicado por josé 18:14:00 2 comentários Links para este post
quem vier a seguir que apague a luz
Inapelavelmente, desde há decadas, que o bom povo português, dos mais humildes à esmagadora maioria das (pretensas) élites, prefere, em todos os domínios, a ficção à realidade. Adia-se à espera que tudo se resolva com o tempo. Não resolve. Como país - colectivo - merecemos a classe política que temos, e lá no fundo, no fundo, 'eles' conhecem bem quem os elege. E depois, se é possível pôr, sistematicamente, por conveniência, por cinismo, por calculismo, por cobardia, uma nação inteira, do Prof. Cavaco para baixo, a acreditar na carochinha, para quê, estragar o 'sonho', agora ? Quem vier a seguir que apague a luz.
Publicado por Manuel 17:54:00 1 comentários Links para este post
bocas (ar)rasantes
Vai tudo Raso
Francisco Louçã vai à Herdade do Cabo Raso no momento em que se está a discutir, em Comissão Parlamentar, um projecto de Lei do Bloco de Esquerda que sobre as mais mais valias realizadas com a alteração administrativa das licenças dos terrenos. Em cheio! E onde vai ser a próxima deslocação? Ao gabinete de um famoso advogado, por sinal também advogado dos grandes poderes, e putativo candidato a todos os cargos da República?
Rui Costa Pinto
Publicado por Manuel 11:45:00 0 comentários Links para este post
O Correio de Notícias
Publicado por josé 10:42:00 3 comentários Links para este post
Candura vital
Não vale adivinhar à segunda...
Por que é que certas universidades privadas procuram a colaboração de jornalistas, incluindo directores de jornais (mesmo fora das áreas de ensino de jornalismo e comunicação)?
[Publicado por vital moreira] 8.3.07
Não vale adivinhar à primeira...
Por que é que várias universidades privadas têm entre o seu corpo docente um número tão grande de deputados, ex-deputados e outras personalidades da esfera política?
[Publicado por vital moreira] 8.3.07
Estes postais de candura encantadora, de Vital Moreira, no blog das suas causas, deixam adivinhar que o núncio governamental ainda não percebeu o vespeiro para onde está a soprar. Por um lado, assegura-nos que continua fiel a uma certa ingenuidade simpática, solidificada na indiscutível autoridade académica. Por outro, assevera-nos que não demorará muito a abandonar esta verrina insidiosa, contra a Universidade Independente, quando perceber quem são os ilustres licenciados de tal escola e o modo como se coloca abertamente em causa a obtenção das suas licenciaturas.
Publicado por josé 10:32:00 2 comentários Links para este post
O ministro que precisa de férias
domingo, março 11, 2007
O ministro da Justiça, em entrevista na RTP2, a jornalistas do Público e Rádio Renascença, pronunciou-se sobre as férias judiciais.
Referiu que "o sistema funcionou desde as Ordenações Afonsinas, com dois meses de férias no Verão" e por isso, acha natural que no primeiro ano em que tal sistema foi modificado, haja alguns acertos necessários a fazer. "Estamos prontos a aprender", disse mesmo, porque acha que "o sistema não pode estar tanto tempo parado".
Muito bem. O mesmo ministro que agora assim fala, "pronto a aprender", apresentou como justificação para as alteração, um estudo algo fantasmático, ( apresentado a correr e sem contorno definidos quanto às circunstâncias concretas da sua elaboração) que sustentava ganhos de produtividade assinaláveis e não discutiu com mais ninguém, aceitando a sugestão de Vital Moreira no sentido de fazer primeiro, depressa e justificar depois.
Agora, perante as dificuldades notórias, pode muito bem perguntar-se: seria preciso tanta pressa e justificar a medida, com tal estudo, sem grande credibilidade, de modo apócrifo ( só quando um juiz o exigiu, foi apresentado, mal amanhado e a correr) ? O que é que o sistema realmente ganhou com a mudança apressada e algo destemperada?
Será apanágio da governação, nesta área sensível, ainda por cima para alterar algo que existiu durante centenas de anos, fazer mudanças deste modo atabalhoado?
Os adjectivos são duros? Mais dura será a razão que os sustêm.
Publicado por josé 23:14:00 1 comentários Links para este post
Anjinhos em procissão
"Nunca tenho dúvidas e raramento me engano”- Cavaco Silva, algures, logo após ganhar as eleições que permitiram a formação do seu primeiro governo, em meados dos anos oitenta e a maioria absoluta, em 1987.
As biografias dos nossos políticos mais notórios, publicadas numa dúzia de páginas das revistas semanais, costuma ser florilégio de referências hagiográficas, pois todas contêm imagens serôdias de anjinhos de procissão, do tempo em que o Estado e a Igreja davam as mãos, em comunhão concordatária.
Aconteceu com Cavaco, Guterres e agora Sócrates que aparece na Tabu de Sábado, em 20 páginas resumidas e também sumidas de referências seguras, reveladoras do verdadeiro perfil do Primeiro que agora manda no Executivo.
A entrevista do género, a Cavaco Silva, feita na então Revista do Expresso dirigido por José António Saraiva, o mesmo director do SOL de agora, tem já 17 anos em cima e foi publicada em 20.10.1990, quando Cavaco tinha 51 anos. Sócrates tem agora 49.
A entrevista a Cavaco e artigo de fundo, está assinado por Felícia Cabrita e Fátima Maldonado( com Ricardo Costa). A de agora, da Tabu, tem a assinatura de Ana Sofia Fonseca com fotos de João Francisco Vilhena.
Que diferença tem o peso de quase 17 anos que passaram entre os dois momentos?
Em primeiro lugar, a evolução tecnológica. Em 1990, os computadores e as artes gráficas ainda não permitiam a facilidade de montar uma imagem como a que aqui fica. Não havia blogs, e a Internet não era realidade alargada a todos.
O estado do país, em 1990, anunciava bom tempo económico, por causa da chuva de fundos que nos chegaram da Europa e que uns poucos açambarcaram. Actualmente, anunciam-se tempos de seca prolongada. As causas remotas e ainda imediatas, do fenómeno que nos empobrece há vários anos, em contra-ciclo europeu, podem encontrar-se nas opções políticas destas duas figuras. Em vez da afirmação gratuita, fica a este propósito, a pergunta custosa: Cavaco (e os seus governos), soube aplicar os fundos europeus de modo correcto e como investimento produtivo, ou gastou em consumo supérfluo e errou os objectivos?
Em relação a Sócrates, as perguntas pertinentes, colocam-se na ordem do dia e partem das dúvidas em saber se o Primeiro sabe bem o que será preciso para endireitar o país. Por mim, não oferece nenhuma garantia e as dúvidas, expõem-se com clareza meridiana na entrevista de fundo que fica à superfície da realidade.
Ao contrário do que foi anunciado, em pancartas publicitárias, a entrevista não é a história da vida de Sócrates. É apenas uma operação de imagem, com relato de episódios simpáticos, em registo de puro spin, que o Sol patrocinou, porventura conscientemente e com interesse mútuo. Afinal, as vendas de jornais dependem destas coisas. O Diário de Notícias de hoje, Domingo, dirigido por um incrível Miguel Gaspar, amplifica o efeito com as páginas de abertura, numa suspeita operação alargada de OPV de imagem do nosso Primeiro.
Em 20 de Fevereiro último, o Público, em artigo de Ricardo Dias Felner, adiantou um artigo ainda mais interessante, sobre o perfil do Primeiro. Titulou mesmo, sans blague aparente, “Na cabeça de Sócrates”, pretendendo explicar o modo de pensar e agir do Primeiro. “Empenhado”, “pragmático”, “não gosta de brincar com coisas sérias” ( Alberto Arons de Carvalho dixit), terá feito um mestrado de Gestão em 2004/2005, no ISCTE, em que tratou Huntington e Mintzberg ( “teve das notas mais altas”, António Robalo, professor dixit); “exigente”, "organizado e disciplinado" que cita Bernstein, a favor da social democracia, com a frase feita “ o reino da política é o reino do compromisso”.
Aprecia a competência e a lealdade. “É preparado, tem gosto pela acção política”, Medeiros Ferreira dixit que acrescenta ainda, “ Parece-me que ele tem uma mistura de frontalidade e de dissimulação que é uma boa mistura em termos políticos”.
Sobre a frontalidade, deve passar-se à frente, pois é de manifestação despicienda. Sobre a dissimulação, a única via de acesso a actos dissimulados, é a investigação da figura pública e a sindicância das suas acções públicas e particulares, com reflexos na coisa pública.
Terá algum interesse saber quem é o Primeiro Ministro que governa o país, com maioria absoluta e que tem concentrado em si mesmo, na sua pessoa política, uma fatia de poder já perigosamente alargada?
A ociosidade da resposta, convidaria a que este tipo de abordagens jornalísticas, deixasse um pouco de lado a aura hagiográfica e se centrasse um pouco mais na personalidade verdadeira e real do entrevistado, com a apreciação crítica das incongruências de quem tomou as rédeas de um poder, delegado pelo povo.
Porém, assim não acontece. Este tipo de artigos, alguns a rasar o plano da sabujice mais chã, contribui ainda mais para a mitificação dos governantes e para a ausência de críticas que se possam ouvir à sua acção política.
Com uma agravante de peso: passados quase 17 anos estamos pior, bem pior. O perfil de Felícia Cabrita vale em qualidade intrínseca e aproximação à realidade do então Primeiro Ministro, pelo menos o triplo do actual perfil da Tabu. Isso, para ficarmos pela retórica.
Centremo-nos num aspecto exemplar: as habilitações literárias e o aproveitamento escolar, em paralelo, de Cavaco e Sócrates.
O perfil de Cavaco é abundante em referências precisas e curiosidades demonstradas em pormenor. Datas, notas, curricula, são apresentados com garbo, pelo então Primeiro. O doutoramente, Ph.D. ,em York, na década de setenta, é um cartão de visita do então Primeiro, mesmo que desvalorizado por quem esteve na mesma altura em Oxford ou noutros lugares ainda mais prestigiados. No entanto, Cavaco tem orgulho no seu percurso académico e profissional, poucos duvidando da sua justeza e exemplo a seguir.
E Sócrates, a este propósito, o que diz, deixa dizer e apresenta como carta de recomendação? Pouco e muito mal, escondido e susceptível de revelar grandes suspeitas de outras vergonhas, indignas de quem assume um cargo público, quanto mais da categoria de chefe de um Governo de um país!
No entanto, é o contrário que se revela nestas abordagens hagiografadas dos entrevistados, em que se destaca sempre o mérito, para além do razoável e a desafiar a inteligência vulgar do leitor.
“Tinha a certeza de que a engenharia não era o meu destino. É o mundo dos pormenores e eu tenho uma inteligência direccionada para o abstracto” – diz José Sócrates, em entrevista guiada, da revista Tabu..
Visto em modo de Tabu, o percurso académico de Sócrates, é apresentado como um sucesso da inteligência rara do actual Primeiro. São várias, as referências a essa inteligência esperta, no artigo, o que deveria, em conformidade, permitir que o Primeiro mostrasse orgulho as suas performances académicas. No entanto, tal não acontece, deixando a pairar dúvidas e suspeitas que alguns já procuraram aclarar, sem sucesso e sem que lhes seja dada atenção mediática, o que se revela também suspeito.
O amigo Valente que é presidente da Câmara da Guarda, até assegura: “Ele era muito inteligente, nunca precisava de estudar grande coisa…”
E assim, fica a saber-se que concluiu o bacharelato em data imprecisa, mas anterior a 1981. Nessa data, Sócrates “arranjara posto na Câmara [Covilhã], como engenheiro-técnico civil, apesar desse nunca ter sido o seu destino vocacional, segundo o mesmo reconhece.
O resto do destino académico do nosso Primeiro, é dado lapidarmente, numa singela frase: “Quase 20 anos depois, em Setembro de 1996, já com posto no Governo, completará a licenciatura na Universidade Independente com média de 14 valores”. E por aí fica, sem outros pormenores.
Sabe-se através do blog Do Portugal Profundo, já citado noutros blogs, que as desventuras recentes na Universidade Independente que licenciou José Sócrates em 1996, permitiram que voltasse à tona das suspeitas, o modo de obtenção desse cobiçado título académico que permite ao nosso Primeiro, anunciar nas páginas oficiais que tem a categoria profissional de Engenheiro. O reitor da UI disse ao jornal 24 Horas que Sócrates se licenciara em 1998, com 16 valores. Agora, no artigo da Tabu, quase como um pequeno tabu, aparece a data de 1996 e a nota de 14 valores. Será isto um mero lapso ou revelador de algo mais grave do que se aparenta?
Um dos implicados na contenda da Universidade, Amadeu Lima de Carvalho, apresentado como advogado, é renegado na respectiva qualificação profissional e título académico, pelo próprio reitor Arouca e apesar disso, o mesmo volta a afirmar que é tanto licenciado como Sócrates o é…
Em que ficamos? A suspeita que estas revelações levantam sobre a honra do Primeiro Ministro de Portugal, pode passar assim despercebida dos media em geral, ao ponto de ser num blog que se tenta a investigação que deveria ser assunto arrumado e já explicado, há muito, por exigência democrática? Isto não é assunto mais relevante do que um envelope com o número 9?
São estas diferenças que relevam entre ambos os artigos laudatórios, passados quase 17 anos de democracia.
Está melhor a nossa democracia, depois dos Fundos europeus que permitem que o nosso Primeiro possa ter um Mercedes em vez de um Citroen?
Estará melhor na qualidade jornalística? E na exigência ética publicamente assumida pelo público em geral?
Não me parece nada- antes pelo contrário. Então que andamos a fazer durante estes 17 anos? Em procissão de anjinhos?
Imagens: Expresso a Revista, de 20.10.1990 e Revista Tabu, do Sol de 10.3.2007 . Texto revisto em 12.3.07
Publicado por josé 18:34:00 35 comentários Links para este post
Rock de brado
sábado, março 10, 2007
A definição ficará sempre aquém do som imediato e urgente de uma canção de Carl Perkins, Chuck Berry ou…Boston.
O grupo que lançou o primeiro disco em 1976, com o mesmo nome, simboliza toda a beleza simples da música rock, podada já de influências variadas, desde os blues, o country, o gospel e a canção melodiosa aligeirada dos anos cinquenta.
No primeiro LP, logo na primeira canção, More than a feeling, estão reunidos os clichés da música rock, na sua evolução até à época. Os primeiros acordes, em crescendo, deixam ouvir uma guitarra acústica, electrificada, uns poucos segundos, quando entra o tom do baixo a marcar o ritmo que lembra imediatamente outras canções anteriores e batidas semelhantes. O som de um grupo do sul dos EUA, vem logo à memória para quem o ouviu: Lynyrd Skynyrd.
A progressão sustentada pelos arpejos da viola acústica electrificada, encontra logo a seguir uma rolamento nas percussões da bateria e a entrada de um solo de guitarra eléctrica, no caso uma Gibson Les Paul, tocada pelo chefe da banda, Tom Scholz. Mal o rolamento nas percussões regressa ao compasso de origem, entra a voz de Brad Delp, de um timbre original e que empresta ao disco a sonoridade que lhe permitiu convencer mais de 17 milhões de pessoas a comprar o LP, na altura. O disco foi quase todo gravado por Tom Scholz, então um engenheiro da Polaroid, numa cave da sua casa. Boston era Tom Scholz, excepto numa parte: a vocalização de Brad Delp.
Brad Delp morreu ontem, aos 55 anos, em Atkinson. N.H. A minha homenagem fica aqui.
Publicado por josé 19:56:00 0 comentários Links para este post
os jogos e as sombras
Este fim de semana o Major Valentim Loureiro deu uma entrevista (chamemos-lhe assim) ao semanário Expresso, a qual teve honras de capa, e onde declarava solenemente querer ser julgado na televisão, pois só assim seria feita 'justiça'. Também esta semana a Sábado (da Cofina, cujo parceiro financeiro, o BPI, pode ou não cair nas mãos do BPI, deixando-a assim 'descalça'...) punha na capa Ricardo Espírito Santo, homem-forte do BES, descrito como o homem mais poderoso de Portugal (a peça nas páginas interiores é de ir à lágrimas). Nestes dois 'detalhes' está todo um retrato de Portugal. Por cá, vive-se e morre-se, não pelo que se faz, mas pelo que se é, na comunicação social. Ao major não importa a figura absolutamente ridícula que dele fazem na contra-informação, como não importa a Fátima Felgueiras, a Pinto da Costa e a muitos outros. E não importa porque o que conta, é 'aparecer' lá, só assim se está 'vivo'. O que conta ao major é poder pré-anunciar - com quinze dias de antecedência que vai à TV (pública), ser entrevistado para responder a 'todas' as perguntas (feitas pela companheira de um amigo seu, e correligionário do mundo da bola...). Também para Ricardo Salgado o que conta são 'capas' como 'aquela', que 'cobrem', e de que maneira, quaisquer furacões do momento. O que (a)'parece' é.
Dito isto, a comunicação social em Portugal não tem emenda. Há demasiados interesses (pavlovianos ou não) em jogo, como ainda agora na história da OPA se viu, e voluntária ou involuntariamente, (já) não interessa, contribuí-se invariavelmente para o circo, não para dar pistas, mas para despistar. As coisas só irão mudar quando aparecer um projecto jornalístico de fundo, cujos protagonistas, não dependam, directa ou indirectamente, nem do Estado, nem da miríade de interesses publicamente privados que se movem à sua imensa sombra... Traduzindo, para bom português, as coisas só terão uma ínfima hipótese de mudar - reestablecendo o 'playing field' - quando quem, no fim do mês, a pagar a factura for estrangeiro e não depender, num chavo que seja, de ninguém dos múltiplos aparelhos de poder que há em Portugal. Até esse dia chegar, continuarão os jogos e as sombras.
Publicado por Manuel 17:36:00 1 comentários Links para este post
Retrato constitucional
Publicado por josé 16:13:00 11 comentários Links para este post
A propósito da (reality-)'entrevista' do Major ao Expresso...

Os monstros de facto, andam por aí.
Publicado por Manuel 15:49:00 0 comentários Links para este post
O exemplo "Scooter"
sexta-feira, março 09, 2007
Os jornais de quarta-feira, escreviam nas secções de notícias internacionais, coisas interessantes de ler, sobre um curioso veredicto de um tribunal americano: I.Lewis “Scooter” Libby, chefe de gabinete de Dick Cheney, este, por sua vez, um dos parceiros mais chegados à Casa Branca de Bush, foi considerado culpado de várias acusações que lhe poderão valer a condenação em 30 anos de cadeia!
Qual o crime hediondo para tal pena, cuja moldura nem sequer existe entre nós? Homicídio? Violação, seguida de homicídio? Não. Apenas o de perjúrio e obstrução à justiça, que na tradução portuguesa, correspondem ao falso depoimento e ao favorecimento pessoal . Por cá, tais crimes, se provados, o que aliás costuma ser raro, levam no máximo com uma pena de multa; leve e de aviso, porque a moldura só pesa até três anos de prisão, ou pesa mesmo nada se o agente se retractar a tempo.
A América, no entanto, leva muito a sério a mentira processual, em matéria criminal, porque a eficácia do sistema penal disso depende. Em Portugal, os nossos teóricos dos direitos, liberdades e garantias, acharam por bem desvalorizar esse comportamento. Assim, a mentira, falsidade e dissimulação, em sentido material e processual, bem como o encobrimento, são a regra comum e geral a que ninguém escapa, porque tal é barato, fácil e costuma render bem. Por vezes, mesmo milhões.
O caso de I.Lewis "Scooter" Libby, apresenta ainda particularidades curiosas que os jornais portugueses se dispensaram de explicar aos leitores, o que aliás se compreende, porque quem as quiser saber, vai à net, por exemplo e porque estão lá, também, as fontes dos jornalistas portugueses que sabem copiar com estilo e boa dissimulação.
Assim, com os mesmos instrumentos do plagiador, repicando aqui e ali, será possível a qualquer interessado, saber como tudo começou, neste caso fatídico para os neocons americanos. Capitaneados por W.Bush, acompanhado de Paul Wolfowitz, o meias rotas presidente do banco Mundial; ainda de Feith e de Abrams, Richard Pearle e Billy Kristol, todos actualmente se lêem, a jurar que nunca conheceram Bush e nunca foram adeptos da sua guerra preventiva. Há dois mil anos atrás, há um exemplo eloquente que se pode ler, na Bíblia.
No cerne da questão, porém, aparece os íntimos e mais notáveis neoconistas acreditados da própria vice-presidência da Casa Branca: Dick Cheney e o intelectual Karl Rove, o pequeno génio do spin, no seu papel de conselheiro de príncipes.
No final de 2002, até ao Verão de 2003, para conseguir apoio geral à intervenção preventiva no Iraque, gerou-se um pseudo-facto de assinalável relevância, transmitido à opinião pública mundial: Saddam teria negociado com o Níger, secretamente e em violação de regras internacionais, o fornecimento de urânio tipo “yellowcake”.
Essa prova de malfeitoria, seria a demonstração inequívoca do perigo iraquiano, cujo ditador teria já na sua posse, dissimuladas, algumas armas de destruição maciça.
Como é que se conseguiu elevar tal pseudo-facto à categoria de verdade sólida, acreditada por Blair, Aznar e Durão Barroso, sob sugestão de W.Bush, Cheney e os demais neoconistas ávidos de sangue de guerra?
Por informação veiculada ao mais alto nível de um discurso sobre o Estado da União, em Janeiro de 2003 e alcançada por pressão de Dick Cheney sobre a CIA, no sentido de se elaborar relatório plausível sobre a verdade da mentira e convencer os papalvos ocidentais apoiantes, os ditos cujos.
A mentirola tinha sido veiculada pelos serviços secretos italianos, do Sismi , sem confirmação dos franceses ou dos ingleses, servindo às mil maravilhas, para a discursata de W. Bush em Janeiro de 2003, na qual assegurou que Saddam era o ogre a abater, por ter comprovadamente, armas de destruição maciça.
É sabido o que os papagaios pátrios e doutras paragens, asseguraram com idêntico fervor neófito, sobre a indiscutível a asserção das armas destruidoras, justificativas da agressão.
Porém, como o diabo cobre com uma mão e destapa com as duas, o azar neoconista veio pela mala diplomática de um ex-embaixador , Joseph Wilson, enviado em Fevereiro de 2002, por alguém da CIA ao Níger. A missão, era descobrir verdades sobre as pistas avançadas pelo Sismi italiano, sobre o caso do urânio iraquiano, vindo do Níger e com enriquecimento muito desejado pelos noconistas, para sustentar a necessidade e inevitabilidade da intervenção militar em larga escala.
Wilson descobriu o logro da desejada verdade oficial, veiculada pelos italianos e acreditada pelos americanos neoconistas e seus apoiantes mundiais, crédulos e ambiciosos por ficar bem, no retrato do novo poder. Reportou em conformidade, só para concluir pouco depois que as respostas que encontrou não convinham à verdade que era preciso acalentar e apresentar à opinião pública.
Perante a denegação do seu trabalho, Wilson escreveu no New York TImes, em Julho de 2003, um artigo a dar conta da sua opinião, que era já muito fraca, acerca dos propósitos e razões para uma invasão, baseada nos seus conhecimentos práticos, adquiridos no terreno.
Joseph Wilson, para além da denúncia de uma verdadeira cabala que se delineava, descobriu assim a luzidia careca neoconista de Dick Cheney e dos demais neoconistas, ficando estes a remoer o modo de restringir danos, proteger a pele e aplicar a vingança necessária, enquanto continuavam a negar a autenticidade da informação que os desautorizava a lançar a ofensiva militar, como aliás foi lançada, com o êxito conhecido e agora renegado pelos mesmíssimos que a sustentaram.
Descobriram que Wilson tinha sido mandado para a missão, pela sua própria mulher, Valerie Plame, funcionária da CIA, exactamente do departamento de armas de destruição maciça da agência.
Essa boa nova, ainda desconhecida do público, e que, aliás, o público não deveria conhecer, caiu como sopa no mel neoconista. Configurou-se logo a hipóteses de, com uma cajadada mediática, se poderem eliminar dois males, evitando o ridículo geral, derivado do crédito firme na mentirola italiana, exposta ao público e descredibilizadora da missão humanitária de salvação do Iraque das mãos do tirano, encetada pelos neoconistas.
Acusariam a CIA de incompetência e ainda expunham as bocas de Joseph Wilson ao descrédito, por ser desinformador e traidor da confiança da Administração americana.
Para tal, precisavam de expor a ligação pessoal de Wilson, à alta funcionária dos serviços secretos, Valerie Plame.
Como fazê-lo, incorrendo na prática de um crime federal e ainda assim, safando-se das consequências? O problema, similar a todos os governos que laboram na dissimulação mentirosa da propaganda, mereceu altas reuniões conspirativas.
Descobriram afinal, a solução mais à mão: a fuga de informação subtil, para a imprensa, táctica com provas dadas, pelo menos desde Watergate.
A revelação sobre a identidade de um agente da CIA é crime, em função de uma lei que todos acham razoável, incluindo os jornalistas.
A revelação, feita por um jornalista, está protegida pela imunidade inerente à qualidade profissional, garantida pela primeira Emenda constitucional americana, mantendo secretas as fontes de informação.
Assim, no interior da própria Administração, começou a operação de spin, fornecendo-se aos jornalistas, informação para o descrédito de Wilson e de caminho, conduzindo directamente à revelação da identidade de Valerie Plame, como agente da CIA, cometendo-se desse modo, eventualmente, um crime. Quem foi o garganta funda da Administração que revelou o nome ao público, em primeira mão, cometendo assim o crime federal?
Ainda não se sabe oficialmente e com a certeza processual, sendo matéria de especulação e investigação aturada, mas pelo que se adivinha, sem destino grandioso.
Porém, no que tange ao essencial, vários jornalistas souberam do assunto, por conversas com diversos responsáveis da Administração e publicaram notícias, sobre o caso. A identidade de Valerie Plame, foi publicamente exposta, em artigo de imprensa, assinado em primeira mão por Robert Novak, jornalista da CNN, ligando-a ao assunto das investigações do marido Joseph Wilson, sobre a existência da conexão nigeriana, com o Iraque, para permitir a este país e ao regime de Saddam, a obtenção de armas de destruição maciça.
As notícias reveladoras da ligação, escandalosa e devidamente empoladas para o efeito, levaram directamente à constituição de uma comissão de inquérito federal, dirigida por Patrick Fitzgerald, um Procurador Especial, Federal ( como nos casos Kennedy, Nixon e Clinton ).
A imprensa e media em geral, incluindo pela primeira vez, de modo saliente, os blogs, têm acompanhado o caso com inusitado interesse e relevância discursiva, interrogando-se sobre a legitimidade de investigação, a notícias derivadas de fugas de informação que esclarecem o público, sobre segredos mal guardados pela Administração.
O assunto, aliás, revela muitas semelhanças com o que por cá se passa, com a violação sistemática de segredo de justiça pela imprensa.
A diferença de vulto, no entanto reside em que por cá, e ao contrário de lá, a investigação dos jornalistas e a sua perseguição criminal, são consideradas, em si mesmas, as actividades celeradas. Como exemplo, pode apontar-se o caso recentes do Envelope 9, e o da investigação alargada aos jornalistas, por violação de segredo de justiça. Serão estes, valores em troca ou em mudança?
A tarefa do Procurador Especial, assim, ficou orientada para a análise de documentos e a audição dos mensageiros e para as perguntas fatídicas: quem teria soprado o nome da agente da CIA, Valerie Plame, ao público? Alguns ( o do Washington Post e o da NBC), bufaram logo: I.Lewis Scooter Libby tinha falado sobre o assunto, informaram pressurosamente e com a anuência do próprio, confiado em que a confissão das conversas, limitaria os danos e seria insuficiente para estabelecer conexões exclusivas e fatais.
Ficou então a saber-se que Scooter Libby, mais uns tantos da Administração ( Richard Armitage, subsecretário de Estado e Karl Rove, conselheiro presidencial) tinham falado com repórteres, sobre o assunto, logo em Julho de 2003. Ficou ainda a saber-se, através de notícias de jornais e admissão pelo próprio, que um dos reveladores iniciais, fora o próprio subsecretário de estado, Richard Armitage, que seria a fonte de Robert Novak, (CNN) para o artigo de 14 de Julho de 2003, onde o nome de Valerie Plame, apareceu citado pela primeira vez. Novak citou outro responsável, especulando-se o nome de Karl Rove, muito badalado neste affair. De certo, oficial e assente, ainda pouco se sabe e de qualquer modo, ainda insuficiente para acusações públicas, do Procurador Especial.
Apesar disso, nem todos os repórteres intimados falaram. Judith Miller do New York Times, recusou, não delatando logo e invocando a 1ª Emenda. Foi presa por desobediência. Só falou, quando o próprio Lewis Scooter Libby a autorizou a contar as conversas mantidas( tal como fizera com os demais jornalistas), e a jornalista confirmou então a indicação do nome da agente da CIA, como tendo sido revelado pelo mesmo, ainda com gaffe na escrita( Flame em vez de Plame).
Ainda assim, o Procurador Especial, apenas conseguiu acusar Scooter Libby. Porquê, pergunta-se?
Ele mesmo o disse: não foi acusado pela autoria da fuga de informação, a qual ainda hoje permanece por esclarecer oficialmente, mas por causa da obstrução à justiça e perjúrio, que será responsabilidade única, de Scooter Libby.
Segundo o Procurador Especial que ouviu Richard Armitage e outros, não foi possível apanhar mais peixe graúdo na rede da investigação em Grande Júri, devido aos actos de obstrução de justiça e mentirolas de I.Lewis Scooter Libby.
Eventualmente e parece que todos o reconhecem -a própria revista Time, de 22 de Fevereiro em artigo de opinião de Michael Kinsley, pede a sua libertação - a actuação de Libby destinou-se a protecção dos seus superiores. Quem? Cheney, Rove e Armitage, pelo menos.
E assim a acusação, com base nos depoimentos e documentação apreendida nos departamentos de Estgado, foi apenas de perjúrio e obstrução à justiça.
O Procurador Especial Fitzgerald, foi considerado herói nacional pelo trabalho desenvolvido e a revista Vanity Fair, consagrou-lhe um artigo de fundo, laudatório em toda a extensão, à semelhança dos que por cá se lêem sobre Maria José, a Morgado.
Lewis Scooter Libby, foi julgado pelo tribunal de júri, à americana e agora considerado culpado por quatro das cinco acusações, arriscando seriamente, passar os próximos anos na cadeia, se não vier a ser indultado por intervenção directa do presidente. 30 anos de cadeia, é o limite e em Junho se saberá. Mas há precedentes, como se sabe já, desde o escândalo Irão-Contras, com Oliver North, do tempo de Bush pai- e os anos ficarão reduzidos a angústias que nem serão muitas, a não ser com as contas dos advogados da ordem das centenas de milhar de dólares e os pedidos de indemnização faraónicos que já chovem, por conta de Valerie Plame e marido.
Que dizer destes acontecimentos americanos, comparando com o que por cá se passa, em termos de aplicação de justiça?
Sinceramente, pouco ou nada, porque o sistema de justiça americano, nestes casos, não tem comparação com o nosso.
Mas, ainda assim, arrisca-se um pequeno termo de comparação: o que se tem passado nas margens do processo Casa Pia, onde se envolveram pessoal e gravemente indivíduos que estão activamente na política.
Um inquérito parlamentar a esses factos, não adianta nada de novo para averiguar verdades incómodas. Já sabemos como funcionam e o último que decorre, tem uma novidade gravíssima:
O grupo parlamentar do PS, partido suspeitíssimo de estar interessado em descredibilizar a investigação criminal efectuada nesse processo, decidiu ontem, ouvir em declarações um dos responsáveis pela investigação do Ministério Público , acerca de um fait-divers do processo: o caso das disquetes do envelope 9, com o intuito declarado de entalar o ex-procurador geral da República.
A aposta é elevada e o risco enorme. Se o inquérito parlamentar se revelar o falhanço que se adivinha, podem ter a certeza que…tudo ficará na mesma. COmo ficaram os anteriores inquéritos da Eurominas e outros que tal.
Mesmo que a jogada de audição do investigador do processo, para o inquirir acerca do modo como efectuou a investigação criminal, signifique descaradamente uma interferência do poder legislativo, na competência da entidade que detém o exclusivo da acção penal em Portugal, obrigando-o a quebrar um dever de reserva, os deputados do PS e do BE, acham que não e que se impõe tal audição, sobre um assunto mediático. O que virá a seguir? Um inquérito parlamentatr ao caso do Apito Dourado, para saber quem escutou 15 mil horas de conversas telefónicas e o que lá se ouviu?
Não será isto a suprema sem-vergonha de um regime podre e já sem princípios?
Veremos qual será o resultado final.
O postal foi editado, revisto e aumentado, em 10.3.2007.
Publicado por josé 18:26:00 5 comentários Links para este post
A cabala da alheira
Não sei se é uma cabala, mas estou a ser inundado com notícias sobre a alheira. O Público começou ontem (abertura da secção "Portugal"), retomando hoje o tema em dose dupla: a reacção e mais um enchido (no segundo carderno que tem nome de loja maçónica - P2). Não li nenhum dos textos, mas o caso parece ser mesmo grave que até mereceu honras de editorial do Correio da Manhã. Um tema a seguir nos próximos tempos....
Publicado por Carlos 13:37:00 1 comentários Links para este post
Orfandade
quinta-feira, março 08, 2007
Ainda na Sábado, na rubrica “Ligação directa”, João Braga, fadista, pergunta a Ruben Carvalho, “Membro do Comité Central do PCP”:
Contanto na história do comunismo, com um ditador do calibre de Estaline, porque é que o PCP se preocupa com um ditadorzinho como Salazar?
O dialético e materialista Ruben, responde-lhe:
Fico satisfeito por João Braga reconhecer que Salazar foi um ditador.
Réplica perfeita de um comunista autêntico.
Perguntar a um comunista do tempo da idade da pedra estalinista, algo a propósito de ditadores, com o intuito de o encostar ao muro de Berlim, é como falar nas doces e celebradas bolas dessa cidade. Mera semântica.
Uma ditadura, para um comunista convicto dos seus princípios, não é algo que possa amargar argumentos. Antes os adocicará.
Uma ditadura, se for como deve ser, do proletariado vencedor, é o estádio necessário para que as bolas progressistas entrem nas balizas da sociedade comunista.
O marxismo-leninismo, defende exactamente a ditadura do proletariado, como partenaire do partido único dos trabalhadores vitoriosos e a caminho dos amanhãs a cantar da sociedade comunista.
Ruben de Carvalho ri-se destas perguntas. Como se ri de se andar por aí a citar o camarada Estaline, "pai dos povos", como exemplo de práticas ignóbeis contra a humanidade.
Os erros de Estaline, como por exemplo o facto singelo de ter mandado matar milhões de pessoas, e em particular ter mandado assassinar Trotski por motivos puramente políticos, foram já oportunamente denunciados, em 1956, por Nikita Krutschev, aquando de um congresso do PCUS. Estaline morreu em opróbrio oficial.
A partir daí, depois dessa orfandade, o muro ficou branqueado , porque a denúncia dos erros comunistas funciona como a confissão para os católicos: perdoa todos os pecados.
Salazar, pelo contrário, não tem qualquer perdão. É um fascista e isso basta, porque é crime imprescritível, no código comunista. Mesmo que depois de Salazar tenha vindo Caetano, o Portugal de Abril, acabou oficialmente com o fascismo e como se sabe "25 de Abril, sempre! Fascismo, nunca mais!".
Como é que Ruben de Carvalho pode pensar de outra forma, se foi assim que se formatou ao longo dos anos, no culto da orfandade?
Publicado por josé 19:42:00 5 comentários Links para este post
por quem os sinos dobram
- Alma que se preze em Portugal tem que ter 'opinião' sobre tudo e mais alguma coisa. Não interessa a solidez da mesma desde que se tenha 'estatuto', uma cara conhecida, ou coisa que o valha. É por isso lastimoso ver Vasco Pulido Valente, habitualmente sóbrio, e que de algumas coisas sabe do que fala, a aderir à onda das boutades avulsas e disparatas, particularmente porque depois há sempre os 'wanabes' que insistem, por manifesta falta de criatividade, a ir atrás. Dois exemplos emblemáticos - as suas prosas sobre o desfecho da OPA à PT, e a sua cruzada contra a racionalização das forças de segurança. Dois disparates pegados, e, usando a terminologia dele - 'perigosos', porque absolutamente simplistas e redutores. Começando pela OPA, por muito que lhe custe, o mercado funcionou, ponto. Tudo o resto é palha. Quanto à PT, eu posso não gostar da estrutura accionista, e não gosto, e quanto ao Governo eu até posso achar cínico o comportamento da CGD, e achar que o governo esteve globalmente mal, porque esteve! E esteve mal, porque toda a gente sabia, desde o início, que para a OPA chegar a bom porto o Eng. Belmiro teria que 'despachar' os investimentos da PT no Brasil. Pelo que, caso a OPA fosse para a frente, teriamos a acontecer com a PT o que já (e muito mal) aconteceu com a EDP e com a GALP, onde em vez de se liberalizar a sério o mercado (só agora é que parece óbvio que a PT não pode estar no cabo e no cobre, no grosso e no retalho, ao mesmo tempo) o que se tem feito é retalhar o que é grande, tornando-o automaticamente apetecível a estrangeiros, em vez de se forçar uma verdadeira internacionalização (35% do volume da PT já vem do Brasil, e essa percentagem subirá bastante com a saída da PTMultimédia). Isto - diversificar a área geografica de actuação dos antigos monópolios locais - é o que tem sido feito - bem - lá fora, e chama-se razão de Estado, além de lógica. Os lamentos de VPV, a tomar suas as dores de outrém (e está para demonstrar que o projecto REAL de Belmiro fosse mesmo comprar a PT...) são, quanto muito, dores de umbigo. Quanto à racionalização das forças de segurança, eu até percebo o argumento, só não percebo o que é que leva almas inteligentes como VPV a basicamente proporem o caos, e a bagunça completa, como alternativa a encontrar , e promover, consensos que levem a mecanismos que garantam 'accountability', racionalidade e transparência, no topo dos organismos de estado. É que se, de facto, VPV, como outros, acha que o Estado, e a topologia deste, é irreformável, que quem nos governa, as polícias e afins, são - e serão sempre - totalmente inimputáveis, então que o assuma e o diga claramente. Ao menos aí ficavamos todos esclarecidos. Agora, criticar uma medida topologicamente correcta só porque se não gosta deste ou daquele, é que não. (é claro que, numa lógica de reformas, e racionalização a sério, que criasse mecanimos 'reais', de transparência e fiscalização, que o PSD tinha aqui, como até a Presidência da República, amplo espaço para marcar pontos, mas enfim...)
- Antes de terminar, e a propósito de uma prosa do José, abaixo, comparando o que (não) é a nossa imprensa com a estrangeira alguém escrevinhou na nossa caixa de comentários que em Portugal não há 'mercado' para um jornal (diário) como deve ser. A tese em sí é interessante, e leva-me a fazer uma outra questão - e há 'mercado' para bons políticos, bons magistrados, bons jornalistas ? Em suma, bons cidadãos ? Ou, será que as coisas estão como estão porque mais de 30 anos depois ainda não queremos, ou não sabemos, pagar o 'preço' da democracia?
- Já agora, há uns meses houve por esse mundo fora uma leve polémica a propósito do suícidio assistido da Sr.a Schiavo. Falou-se de humanidade, confundida - à época - com conveniência. Depois lê-se disto. Não interessa, naturalmente, e ainda não está na agenda. (a este propósito antes já tinha escrito isto)
Publicado por Manuel 18:57:00 0 comentários Links para este post
Tudo em boas mãos
Ontem, na RTP1, o espectáculo de comemoração do cinquentenário teve momentos deprimentes e outros apenas sofríveis de ver. O semblante geral dos espectadores da sala, era soturno, para o bisonho, apenas com sorrisos de circunstância de quem está a testemunhar fretes. Pior espectáculo do que o apresentado, só o da TVI, alguns dias antes.
No fim, o director de programas da RTP1, Nuno Santos, fez uma breve quanto irrelevante declaração de encerramento e felicitou alguns escolhidos, pelo nome próprio. Um dos citados com laudação especial, foi Carlos Cruz, um pouco a medo e apenas a revelar a coragem de quem se sente protegido pelos seus.
O nome de Carlos Cruz é, inevitavelmente, um dos grandes nomes da TV portuguesa dos sessenta e setenta e até dos oitenta. Não é preciso ter vergonha de o dizer, agora que o apresentador-realizador, se encontra afastado da ribalta, a braços com uma acusação criminal grave, ainda em julgamento. Os factos do foro privado, e que estão em julgamento, não devem desmerecer o crédito pelo trabalho realizado na RTP, ao longo de décadas.
O que se torna estranho, no entanto, é o facto de o programa gravado e apresentado ontem, ter passado ao de leve a relevante contribuição profissional daquele apresentador, tendo no fim, o director de programas feito uma espécie de desagravo, tímido ainda assim e algo desconchavado no contexto final.
Hoje, na revista Sábado, aparece um perfil do director de programas Nuno Santos, profusamente ilustrado.
Miguel Pinheiro director da Sábado, apresenta o artigo de mais de sete páginas, como resultado de uma semana inteira passada ao lado do director de programas da RTP1 e a jornalista Dulce Garcia, confessa que esperou 10 horas pelo privilégio da entrevista ligeira.
Começa por apresentar o depoimento de um amigo, Daniel Oliveira, (escolhido por Nuno Santos, para a equipa da SIC Notícias) e que o apresenta como um trabalhador viciado ( às 7h já estava no trabalho e quando aquele saía às 20 horas, o director continuava lá ainda por mais cinco horas…).
Mais escreve que Nuno Santos namora com a jornalista da SIC Andreia Vale. Está sempre ao telefone ( o director da Sábado assegura que não passa mais de cinco minutos sem falar ao telemóvel) e apresenta Daniel Cruzeiro ( filho de Celso Cruzeiro, advogado de Paulo Pedroso), como o amigo que “foi com ele fundar a SIC-Notícias”, sendo Luís Montez o amigo que o estreou na rádio, em 1985. Catarina Furtado, também é amiga, tal como Tony Carreira, Nuno Luz e Luís Miguel Carreira, jornalista da Sport TV.
A revista dá conta que Nuno Santos foi entrevistar Mário Soares na sede da Fundação com o mesmo nome, a propósito de um programa sobre a Europa.
A jornalista menciona depois os nomes de reunião do director. Primeiro as meninas: Catarina Furtado, Sílvia Alberto, Sónia Araújo, Marta Leite de Castro, Isabel Figueira, Helena Coelho, Tânia Ribas de Oliveira, Dália Madruga, Serenela Andrade e Margarida Mercês de Melo( “só faltam as pernas esguias de Merche Romero”, escreve ). Os homens a seguir: Jorge Gabriel, Eládio Clímaco, Júlio Isidro, Francisco Mendes e João Baião.
Na coluna mesmo ao lado do artigo, uma crónica de Alexandre Pais, director de Record. Resumida, é uma análise de 40 anos de jornalismo pátrio, feita de vitupérios contra os espertos que tomaram conta dos empregos disponíveis, recrutados com base no critério da “confiança política”. Apresenta o actual director como “O exemplo do fulgor de uma nova geração de profissionais apostada em mostrar que é capaz”.
Na conclusão do artigo apresentado, com mais de sete páginas incluindo fotos, a jornalista cita o director de programas a citar Giulio Andreotti: “o poder angustia, mas não ter poder angustia muito mais”.
Por mim, a minha angústia, é ler isto e concluir que estamos no pântano. Em pleno pântano anunciado. A televisão da RTP1, é apenas o espelho de água.
Publicado por josé 18:46:00 1 comentários Links para este post
RTP-50 anos
quarta-feira, março 07, 2007
A RTP faz hoje cinquenta anos. Parabéns à televisão pública, apesar de não ter muito de quê.
Quem tem a mesma idade, que balanço pode fazer dos anos que passaram já a ver tv?
Nos anos sessenta, época da meninice, que programa escolher como exemplo que ficou na memória do tempo que entretanto passou? E nas seguintes décadas?
Vamos a ver…
No final dos sessenta, a tv mostrou o passeio do Homem na Lua. Gostei de ver e lembro-me. Foi em 1969, em Julho. No mês de Junho, mas em 1966, tinha mostrado o campeonato do mundo de futebol, com a equipa portuguesa das Quinas, a ganhar o terceiro lugar, depois de dois jogos memoráveis: um contra a Coreia e outro contra a Inglaterra.
Acontecimentos de vulto, anuais, eram os Festivais da Canção. Nacionais e da Eurovisão. De visão obrigatória, as músicas que de lá saiam, eram êxitos certos nos meses a seguir.
Em finais de 1969, um programa mereceu atenção geral, mesmo para um puto imberbe, mas interessado na novidade: o Zip-Zip, foi um marco, na tv e na música ligeira, com gravações de discos que marcaram época. O nome de Carlos Cruz, como personagem dos media, é incontornável neste panorama de finais dos sessenta, início de setenta. Curiosamente e bem à portuguesa, o seu papel na tv, tem sido obliterado nos media dos últimos dias. Mas não devia, apesar das circunstâncias que deixam adivinhar sinais dos tempos.
Nessa altura, em 1969, ainda antes da morte de Salazar, começaram as Conversas em Família de Marcelo Caetano. Lembro o ar composto e sério do então presidente do Conselho, a ensaiar a abertura do regime, a que se chamou Primavera marcelista. Falava-se nisso, mesmo com censura prévia.
No mesmo registo chato de quem ouve algo que ainda nem entende muito bem, a não ser uns termos esotérios, aparecia então à noitinha de Sábado, no écran, Vitorino Nemésio. Lembro-me da palavra cibernética, usada pelo literato, para impressionar ouvidos pedantes. Aliás, Vitorino podia ser lido, numa revista aparecida pouco depois ( em Fevereiro de 1971), O Observador.
Mas lembro sobretudo, nesses anos de transição da infância para a adolescência, as tardes de Sábado e Domingo, com os filmes e séries então apresentados.
O Santo, Daktari, Bonanza, Os Cavaleiros do Céu, Shane, Os pequenos vagabundos, nas séries que não se perdiam por nada, como não se perdiam os bons filmes das tardes de Domingo, nem sequer por uma partida de futebol no adro da igreja ou na relva do campo à beira-rio.
Nos filmes de impressão mais duradoura, ficam as memórias dos filmes de cóbois ou de aventuras, tudo a preto e branco, com destaque para as comédias com Shirley Temple.
Como o efeito surpresa era ainda seguro, na ausência de leitura da programação, o filme da tarde dos Domingos, era crucial para se saber se havia futebol, correrias e brincadeiras diversas ou sessão de cinema. Aos Domingos, havia sempre o TV7, no II Programa, com a crónica dita e assinada por João Coito ( ainda escreve no O Diabo). Conservo a crónica que escreveu e publicou na revista Nova Antena de 7.8.1970, sobre a morte de Salazar que ainda hoje poderia ser escrita.
No início dos setenta, o panorama mudou um pouco, melhorando a qualidade da tv, progressivamente.
Nas séries cómicas, houve Get Smart, - Olho Vivo, na imagem acima- , com Don Adams e a agente 99, a lutarem contra o Kaos em meia hora de tv do começo da noite de Domingo, com ritmo narrativo moderno e americano.
A Missão Impossível passava no II programa. Às segundas havia o Curto Circuito e antes o Silêncio! Vamos rir, com pequenos sketches de cinema mudo, depois de se ouvir a narração das Imagens da Poesia Europeia, por David Mourão-Ferreira.
Logo a seguir, vieram as séries de culto e inesquecíveis: O Fugitivo, Arsène Lupin e depois Columbo e McCloud e os desenhos animados das segundas-feiras. O Museu de Cinema das Quintas, na II, com António Lopes Ribeiro e partenaire, eram o must dos ragtimes televisivos.
No panorama musica, pouco havia. Telediscos, passavam por vezes no Do La Si. Mas foi apenas com o Pop 25 de José Nuno Martins que começou a valer a pena ouvir música na tv. Ao mesmo, tempo os programas de António Vitorino D´Almeida, sobre A música e o Silêncio, produzidos na Áustria, ganhavam prémios da crítica de Mário Castrim e Francisco Mata. Tal como os de José Hermano Saraiva, com O Tempo e a Alma.
Chegados a 1974, a música mudou. A principal mudança visível, foi a dos apresentadores que nesse mesmo dia, apareceram sem a gravata ritual ( “tira a gravata, pá!”, era mote da altura).
A tv em 1974, a 25 de Abril, não esteve presente nas primeiras horas. A rádio, sim.
Lembro os separadores sonoros, do “Programa segue dentro de momentos” e as marchas militares a anunciar as imagens da Junta de Salvação Nacional, dos Movimentos dos Capitães.
Outra era começava. De grandes esperanças. Até hoje. Desses trinta anos de tv que se seguiram, recordo, as reportagens de Adelino Gomes no 11 de Março de 1975, os comunicados incríveis do capitão Clemente, da 5ª divisão; as noites de eleições com debates a perder o sono; as comissões de trabalhadores e as comissões de gerência que repetiam a voz do dono; as demissões e prateleiras dos Mensurados e dos Cruzes. A tv da segunda metade dos setenta, é a do nosso PREC, a seguir ao Sinal do Dragão de David Carradine e do kungfu e ao Sangue na Estrada de Filipe Nogueira.
Com a telenovela Gabriela de 1977 e o concurso A Visita da Cornélia, acabou a tv criativa portuguesa. Nem a cor lhe trouxe alegria inovadora. Apenas panache. Logo a seguir, apareceu o Rangel e o José Eduardo Moniz. Prefiro nem falar disso. São memórias sem interesse, porque representam a decadência da imitação dos formatos estrangeiros, sem originalidade para assinalar.
Imagem: revista R&T nº 762 ( ano XIX), de 1971.
Publicado por josé 20:34:00 1 comentários Links para este post
o homem sem passado
Publicado por Manuel 09:53:00 0 comentários Links para este post
"À espera do comboio na paragem do autocarro"
terça-feira, março 06, 2007
Publicado por contra-baixo 16:18:00 0 comentários Links para este post
Observatório 2008: Obama Rocks!
segunda-feira, março 05, 2007
Barack Obama: a campanha do senador pelo Illinois não pára de crescer e há quem acredite que a liderança de Hillary começa a estar em risco
Obama a subir, Hillary a perder estatuto de invencível e Giuliani cada vez mais à frente de McCain.
É esta a actual tendência das primárias norte-americanas para 2008. «Obama rocks!» é um lema seguido por cada vez mais entusiastas do Partido Democrata. Barack está a conseguir ultrapassar todas as etapas para se afirmar como principal challenger de Hillary na corrida para a nomeação democrata.
Com o apoio de vários sectores da sociedade americana, Obama tem provado ser um candidato fortíssimo, com o seu carisma a chegar a nível de exaltação colectivos.
Barack está a subir em terrenos que muitos analistas consideravam que dificilmente atingiria e, ao que consta, já resolveu a «tal» questão de não penetrar com tanta facilidade assim no seu eleitorado mais natural: os negros.
Há poucas semanas, os estudos mostravam que Hillary batia Obama junto dos negros, aproveitando, ainda, o capital de simpatia conquistado durante os dois mandatos de Bill Clinton, junto dos afro-americanos.
Recentemente, Obama já passou à frente de Hillary entre os negros. A ex-Primeira Dama ainda lidera a corrida democrata, mas viu a sua vantagem reduzida para números que já permitem acreditar numa acesa luta até ao fim.
Mas há um factor que ainda não está fechado: Al Gore. O recém vencedor de um Óscar de Hollywood mantém níveis de popularidade elevados e há quem garanta que o ex-vice de Bill Clinton está a deixar arrefecer este fenómeno Hillary vs Obama e se prepara para anunciar a candidatura lá para o Outono.
Se tal acontecer, é provável que se intrometa entre os dois front-runners, alternado, por completo, os dados...
No lado republicano, Rudy continua a surpreender: mantém-se com um avanço acima dos dez pontos, por vezes perto das duas dezenas e vai aproveitando os deslizes de McCain. O senador do Arizona está a ser muito penalizado pelo seu apoio ao aumento do número de tropas no Iraque e há uma grande fatia do eleitorado que olha com desconfiança o facto de McCain ter 72 anos à data da eleição, facto que o tornaria o mais velho Presidente da história dos EUA no momento do sufrágio.
Aqui ficam os dados mais recentes:
DEMOCRATAS
— Hillary Clinton 34,2
— Barack Obama 24,8
— John Edwards 12,4
— Al Gore 8,2
Sem Al Gore:
— Hillary Clinton 35
— Barack Obama 29
— John Edwards 17
REPUBLICANOS
— Rudy Giuliani 36,6
— John McCain 20,2
— Newt Gingrich 10,8
— Mitt Romney 7,2
DUELOS PROVÁVEIS
— Giuliani 48-Hillary 43
— McCain 46-Hillary 44
— Giuliani 45-Obama 42
— Obama 44-McCain 42
— Giuliani 46-Edwards 43
— Edwards 44-McCain 44
— Hillary 50-Romney 37
— Obama 51-Romney 32
— Edwards 51-Romney 32
Em breve, a Grande Loja publicará retratos personalizados de Hillary Clinton e John McCain, depois de já ter disponibilizado as biografias de Barack Obama, John Edwards e Mitt Romney.
Publicado por André 18:27:00 1 comentários Links para este post
Linguagem conservadora
Na semana passada, num encontro anual de conservadores americanos, Ann Coulter chamou "panasca" ( faggot) a John Edwards.
Está já no YouTube e o que merece algum destaque são os comentários avulsos, e os impropérios que cairam sobre a pobre senhora conservadora, nessa espécie de blog de videos. "Stupid bitch" é o mais suave...
Publicado por josé 15:36:00 0 comentários Links para este post
o estalinismo nunca existiu
Vital Moreira, no seu blog de causas esparsas e de exercício prático de nunciatura, afirma a propósito da casa-museu de Salazar, que " Por muitos salazaristas que existam (e não há), o salazarismo está morto e bem morto e Salazar não passa mesmo de uma figura ... de museu."
Ao ler esta afirmação de consenso, apetece logo perguntar: e o estalinismo, também "está morto e bem morto"?
Entre salazaristas e estalinistas, venha o diabo e escolha. E não aposto nada que o salazarismo ganhe...
Publicado por josé 10:53:00 4 comentários Links para este post
O modelo republicano
domingo, março 04, 2007
O jornal Público, com a mudança estética, operou uma pequena cosmética nas letras, títulos e arrumos de assuntos nas páginas renovadas. O recheio ético, poético, patético, sintáctico e programático continua o mesmo dos últimos anos. Logo, a melhoria da aparência nada de substancial irá mudar na audiência e credibilidade do jornal e a verificação está apenas a poucos meses de vista.
Qual o problema central do Público actual? Para mim, a questão que se coloca, é a própria “filosofia” do jornal. À semelhança do ocorrido com o alterado Libération, francês, cujo paralelismo de crise mais de uma vez assentei como referência, incluindo a particularidade de os directores de ambos os periódicos terem passado os tempos de juventude a clamar publicamente e por escrito em jornalecos, por uma sociedade sem classes do tipo maoista.
JPP, no Público de Sexta-feira, escreveu que os jornais de referência, devem ser “mais compactos, mais pequenos, especializados, menos generalistas, comunicando de forma próxima com outros media”. É uma opinião que carece de demonstração de bom funcionamento. Se alguma vez alguém o fizer, logo se verá o acerto ou desacerto da impressão.
Quanto ao Público, parece-me mais acertado comparar com o que se passa lá por fora, em países com semelhanças latinas, por exemplo, em vez de as procurar em semelhanças anglo-saxónicas.
Tomemos por exemplo, o caso de La Repubblica, como poderíamos tomar o caso comparativo do EL Pais ou El Mundo, para rever páginas diárias de informação e cultura.
Na Terça-feira, 27 de Fevereiro, o Público dedicava a primeira página a assuntos nacionais: A OPA e a PT; A contestação dos magistrados aos números estatísticos do Ministério da Justiça; a censura – Castigos infantis, Portugal condenado, era o título- de uma decisão do STJ por um órgão do Conselho da Europa ( Comité Europeu dos Direitos Sociais); protestos pelo fecho de serviços de urgências e uma sondagem do Eurobarómetro sobre a confiança das novas gerações.
No âmbito internacional, refere-se a deliberação das Nações Unidas sobre Srebrenica, sobre a ausência de culpa da Sérvia no genocídio e destacam-se notícias do suplemente da P2, sobre a moda e os prémios das estrelas da noite dos Óscares, uma referência às atribulações sobre a credibilidade de uma guatemalteca, Nobel da Paz em 1992 e agora candidata à presidência do país.
Como é que o LaRepubblica retrata a Itália e o mundo, na primeira página desse dia?
A política caseira, toma toda a importância de um título dedicado às…reformas da Segurança Social. Lá como cá, os sindicatos estão contra. Mas a primeira página transcreve dois artigos de opinião, continuados nas páginas interiores, sobre assuntos de política interna: a reforma eleitoral e um outro sobre as duas esquerdas, a estalinista e a libertária e o “duelo nunca acabado”. Uma referência ao estudo científico do efeito de estufa, com artigo de correspondente de Londres. Num quadradinho de chamada, em fim de página, um título, “as declarações de inquérito”, evidencia a existência de mais um escândalo de corrupção com “50 milioni pagati ao politici”.
No noticiário internacional, uma referência a um livro de Ariel Toaff, israelita polémico que põe em causa teses oficiais sobre assuntos de guerra; uma notícia sobre a decisão de não condenação da Sérvia, pela Onu. O título semelhante ao do Público, tem desenvolvimento nas mesmas duas páginas , 12 e 13. A comparação dos artigos do Público e do La Repubblica, dão toda a imagem da diferença entre os dois jornais. As fotos são praticamente idênticas e colocadas do mesmo modo, até. E mesmo os artigos são assinados por uma jornalista, num jornal como noutro. Mas o sumo, a essência do escrito, diz a diferença e dita a sentença: a extensão, profundidade de análise e o próprio estilo de escrita nem se devem comparar, porque a derrota nacional está assegurada.
E a P2 portuguesa, comparada com a italiana, original? Sabendo que a loja italiana tem melhor recheio, mesmo assim, valerá a pena comparar:
Na P2 nacional, o relevo todo vai para os Óscares de Hollywood e para o túmulo encontrado pelo cineasta James Cameron, em Jerusalém, reivindicado como sendo o de Jesus Cristo.
A P2 nacional, ainda iniciou uma coluna de citações de blogs, em papel. A ideia vale pouco, parece-me. Reproduzir opiniões anódinas de gente anónima ou nem tanto, vale o mesmo que alargar a secção das cartas ao director, com recolha de cartas abertas em lugares escolhidos.
O LaRepubblica - tem nada disto, mas tem, pelo contrário, referências aos sites relevantes, através da indicação precisa e principalmente, a indicação de livros sobre os assuntos ensaiados nas páginas do jornal. Acontece isso mesmo, nesta edição que dedica sete páginas a assuntos de cultura geral, com particular atenção à discussão ente as “duas esquerdas”, com artigo de Anthony Giddens e caixinha de comentários dedicada a Norberto Bobbio, já falecido, mas com direito a ser ouvido nestes assuntos. Sintetiza assim: “ enquanto a esquerda liberal é interna à dimensão do capitalismo, a outra esquerda, a “verdadeira”, a “autêntica”, “boa esquerda”, pressupõe a definitiva superação.” Mas a questão ocupa três páginas, bem ilustradas e com referências ao site na net- Eric Hobsawm, Vittorio Foa, Ralf Dahrendorf e Robert Hughes e uma arrumação gráfica dos textos e imagens, exemplar. E sem cores. Mesmo assim, bem colorida, é a discussão que se estende por mais três páginas da secção Cultura, sobre o assunto de capa que atenta na polémica que o Parlamento israelita levantou ao condenar o livro de Ariel Toaff. Alguém ouviu falar no assunto, por cá? E alguma vez a P2 publicaria um artigo de duas páginas sobre a Inquisição, com a isenção revelada nas páginas 42 e 43 do LaRepubblica?
O Público é a cores; o La Repubblica, é todo a preto e branco, mesmo a publicidade. Contudo, as cores da narrativa, descrição e análise, são muito mais vivas neste, do que naquele. Fenómeno óptico, certamente. Por exemplo, sobre os Óscares, o Público omitiu totalmente a referência ao prémio de carreira recebido por Ennio Morricone. O La Repubblica, dá-lhe a referência máxima, ainda mais do que a Scorsese. Poderia escrever-se: não admira, é italiano. Contudo, Scorcese também descende de Rómulo e Remo. E o assunto, neste caso, é música. De filmes.
Poderíamos continuar a análise comparativa, com as edições de fim de semana, da Sexta-Feira última. Retenho apenas o assunto do obituário de Schlesinger. O Público, na sua loja P2, dedica uma página do correspondente Dennis McLellan. No LaRepubblica, escreve um enviado, Vittorio Zucconi. A arrumação do texto e da imagem, tornam o artigo italiano, mais apetecível de ler, mesmo a preto e branco. Repare-se apenas no tratamento da mesma imagem ilustrativa, nos dois jornais de Sexta:

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Marcelo Viana, alguém conhece?
Na passada quinta-feira, 2.3.2007, a Universidade de Coimbra comemorou o seu 717º ano de existência. A efeméride, por si mesma, justifica notícia e atenção. Tirando jornais regionais e alguns virtuais, a imprensa de “referência”, desligou do assunto, aparentemente local e acantonado nas Beiras.
Não obstante tal omissão informativa, o Público de Sexta-feira, titulava que “Número de doutoramentos mais que triplicou nos últimos anos”, baseado em notícias online de site do Observatório da Ciência e do Ensino Superior.
Tal fenómeno, aliás, era bem visível, na cerimónia de comemoração que se realizou no Auditório da Reitoria da Universidade, perante o “magnífico reitor”, vice-reitores e alguns docentes. Poucos, muito poucos mesmo, aparentemente desligados das comemorações.
A efeméride foi aproveitada para a Universidade homenagear publicamente, com medalhas , os “aposentados” do ano, professores e funcionários e ainda para entregar a várias dezenas de novos doutorados o diploma pelo doutoramento concluído no ano transacto. Um canudo em metal dourado, contendo um pergaminho em tromp l´oeil, escrito no latinório do costume e que provoca sempre o sorriso lato de quem lê, para garantia de que o titular possa escrever doutor por extenso.
Tirando este fait-divers, anualmente repetido, a Universidade de Coimbra, decidiu este ano, atribuir um prémio da própria Universidade e que em edições anteriores tinha já distinguido um historiador- António Hespanha- uma o actor e encenador- Luís Miguel Cintra- um neurocientista - Fernando Lopes da Silva- e uma professora jubilada, a classicista Maria Helena da Rocha Pereira.
Ora, este ano, o prémio recaiu em…Marcelo Viana. Marcelo Viana?! Mas, quem raio é Marcelo Viana?
Pois, é aqui que reside a razão deste postal. A estupefacção ao ouvir o discurso de agradecimento do prémio, justifica esta referência, acumulada pela completa ausência de notícia nos media de referência.
Marcelo Viana é um matemático. Dedicado à investigação matemática, na área dos Sistemas Dinâmicos ( área dedicada à compreensão e previsão da evolução de uma qualquer realidade ao longo do tempo).
Licenciou-se em Matemática pela Universidade do Porto, em 1984, e doutorou-se no Brasil pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), no Rio de Janeiro. O IMPA não é propriamente uma qualquer universidade independente, mas sim a mais prestigiada instituição da América Latina no estudo da matemática. O currículo justifica já atenção demorada, pois os prémios, convites para participações em conferências e publicações científicas, já é extenso. Talvez por isso, Marcelo Viana é considerado já um dos grandes especialistas da área de estudo dos Sistemas Dinâmicos.
Por isso mesmo, a Universidade de Coimbra, por empenho do seu departamento de Matemática, atribuiu-lhe o premido deste ano.
Quem o soube e deu a saber?
O Diário Digital, por exemplo. Também o sítio da Cabra.
Para saber mais de Marcelo Viana e do que pensa sobre o estudo da Matemática em Portugal, pode ler-se a entrevista aqui que reproduz genericamente o siderante discurso de agradecimento, em que destacou o progresso extraordinário alcançado por Portugal, nos últimos vinte anos no estudo da Matemática e o apresentou como exemplo do que por cá acontece, muitas vezes sem darmos conta disso e à margem do desenrascanço habitual , das modernas e lusíadas chico-espertices independentes e vergonhosas ( para quem tem vergonha).
Fica, porém, uma perplexidade registada: nem o Público, nem o Diário de Notícias, nem o Sol, nem o Expresso dedicam uma única linha que seja, ao assunto, na Sexta-feira e Sábado que passaram. Nada.
Marcelo Viana, já com profusas referências na net, não existe enquanto personalidade científica e nem mesmo o prémio importante que alcançou, chegou para ser noticiado.
Depois, interrogam-se acerca da crise de venda de jornais.
Seria tal omissão possível noutros lados, mesmo os mais mediterrânicos, como a Itália do la Repubblica ?
Veremos a seguir, para configurar uma análise perfunctória e mais prática do que a encetada por JPP, no Público, onde tem andado a tentar "pensar os jornais" ( e já vai no terceiro tomo).
Publicado por josé 11:44:00 1 comentários Links para este post
Engenharia de sistemas
sexta-feira, março 02, 2007
A propósito do caso Universidade Independente, com contornos parecidíssimos ao caso da Moderna, com a diferença de que o escândalo de então, está agora amenizado com a anomia dos media em geral, relativa ao assunto, passo aqui uma pequena historieta que em tempos esta Loja publicou numa caixa de comentários. O texto podia ser um dos parágrafos do engenheiro Simões, nome de guerra de um livrito publicado no final dos anos noventa, de António Borges de Carvalho. Mas vem daqui e segundo indicação do próprio, foi escrita por Carlos Medina Ribeiro. Fica aqui o crédito explícito, com parabéns pela subtileza deliciosa e algo queirosiana.
"Mas ainda faltava a melhor. Foi quando ele comentou: «Não nos podemos esquecer de meter aí o E-N-G!»
Essa é que, de facto, eu não estava a perceber! E ele foi buscar a maqueta dos catálogos que andava a preparar e mostrou-me: ENG OLIVEIRA
Reagi mal a essa evidente desonestidade profissional: «Que história é essa?! Desde quando é que você é licenciado em engenharia?!».
Riu-se, com aquele ar de chico-esperto com que eu tanto embirro, e saiu-se com esta:
«Ora, ora... nestas coisas de negócios, o ENG cai sempre bem... afinal de contas, são as iniciais de Empresa de Nutrição e Gastronomia...»
Reagi, talvez agressivamente demais:
«Ó Oliveira! Que raio! NÃO HAVERÁ QUEM O META NA ORDEM?!»
Aí, ele ficou de olhos em bico, e - gaguejando de sincera emoção - saiu-se com esta:
«Acha que era possível?! Você ajudava-me?!»
Não entendi...Mas ele também não tardou a explicar-se:
«Sim!! Era bestial!!! Você arranjava maneira de me meter na Ordem dos Engenheiros?» "
Publicado por josé 11:59:00 8 comentários Links para este post
sobre o regresso de um estranho...
quinta-feira, março 01, 2007
... mais logo, à hora dos telejornais, só tenho, se é que tenho, uma dúvida - o Dr. Portas vai dizer alguma coisinha sobre a matéria abaixo ? Vai mesmo ? E, se não disser, o Dr. Pires de Lima, e o Dr. Xavier, vão ficar, outra vez, 'cirugicamente' calados ?
O ex-vice-presidente do CDS- PP Pires de Lima afirmou terça-feira à noite que "a direita não estava preparada para governar" em 2001, e confessou o "sabor da desilusão e até da incompetência" desses três anos no poder.
Num debate sobre "A direita e a liberdade", António Pires de Lima admitiu que PSD e CDS "foram apanhados de surpresa" pela demissão de António Guterres após a derrota nas autárquicas e considerou que isso teve consequências na forma como a coligação foi elaborada, em formato pós- eleitoral.
"A falta de autenticidade, a falta de convicção rapidamente se detectaram", sublinhou, lamentando que os três anos em que PSD e CDS-PP estiveram no poder não tenham conseguido deixar uma "marca de eficácia" no país.
Portugal Diário (06 de Julho de 2005)
Publicado por Manuel 17:41:00 1 comentários Links para este post
No fundo, o engenheiro está nisto por desporto
"Sonaecom e PT lutam até ao fim pelo voto dos accionistas" - Uma notícia que pode ler no Público (pág. 38, atenção ao cabeçalho)
Publicado por Carlos 14:07:00 2 comentários Links para este post
A luta continua
Publicado por Gomez 12:31:00 1 comentários Links para este post
"Não havia necessidade!"
Registando a franqueza da declarante, permito-me fazer notar, aos Exms. formandos no CEJ, que esta peculiar visão do princípio da presunção de inocência é capaz de não ser a mais propícia ao sucesso na prestação de provas na cadeira de Processo Penal.
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