uma dúvida...
quinta-feira, novembro 09, 2006
A propósito de uma crónica publicada hoje na revista Sábado, assinada por Ferreira Fernandes, uma, e uma só, dúvida, me assalta - por acaso achará o autor de tal texto que o nível, ou falta dele, dos comentários inseridos (e neste momento há 3191 comentários que ninguém aqui da colectividade se deu ao trabalho de ler) a posts nesta Loja é pior que o dos presentes nos sites oficiais da nossa melhor imprensa, do Expresso ao ... Correio da Manhã. Acha mesmo ? A sério ? E se eles - com infinitos recursos - não resolvem o problema (que é complexo) porque raio é que hão-de esperar que quem não tem - por definição - esses recursos o resolva (se é que há solução simples) ?... Ou será que um comentário é mais perverso se aparecer nas nossas caixas de comentários do que se aparecer no site do respeitabilíssimo Expresso?
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Escaparate de blogs
José Pacheco Pereira( JPP) volta ao assunto dos blogs, recorrente e desta vez em artigo de jornal, no Público de hoje, onde tenta destapar os bidões de ácido, cal, vidrões e caixotes de lixo que entende estarem aterrados nesse lugar mítico e virtual chamado blogosfera.
Mais uma vez, JPP chama a si a tarefa ingrata de andar a cheirar esterco e a apontar o dedo espetado: “é ali, ” , “é aquele!” , "vejam acolá!".
A essência do seu argumento, desta vez, é a comparação entre os blogs disponíveis no espaço virtual e um quiosque que vende letra de imprensa e o lixo que ambos atraem.
O processo agregador já não é novo nem suscita admiração: “ Se abrir as folhas ao acaso, como se consultar blogues ao acaso, coisas sinistras estão sempre a cair dentro das folhas : notícias falsas, especulações, falsidades anónimas, plágios, voyeurismo, egos à prova de bala, ignorância, erros, invejas, ajustes de contas, presunção, arrogância, esquemas diversos, banha de cobra, cobras.”
Lendo isto, a tentação imediata, dado o potencial ofensivo genérico que estas afirmações comportam, insustentadas, gratuitas e com efeito terrorista, (ao aterrar o leitor desprecatado), seria entrar imediatamente num registo de irrisão e gozo, também ele potencialmente ofensivo da consideração do autor, eventualmente imerecido embora justificado na troca de argumentos em polémicas, mas que se tornaria deletério e acabaria por reforçar a razão de que o mesmo se considera imbuído. Sempre imbuído desse auto-convencimento, aliás, nunca concedendo margem para dúvida, para equilíbrio de posições argumentativas ou para uma grande elasticidade de análise.
Vamos então pelo lado claro e da argumentação com a seriedade e respeito intelectual possíveis.
Em primeiro lugar, poderá comparar-se o universo virtual dos blogs com um quiosque de jornais? Será aperfeiçoada, justa, a metáfora?
JPP elenca uma série de publicações em que denota estarem à vista as ofertas de maldades, algumas nefandas outras simplesmente de pôr a cara à banda e ainda outras sem ponta por onde se lhe possa pegar, assimilando tudo e paralelizando com os blogs onde tudo se encontra também, segundo assevera.
Simplificando, JPP acha que noventa por cento do que aparece na rede, é lixo. Tal como na imprensa de quiosque. E acha que será importante analisar o lixo para chegar ao luxo, em esforço de análise para “entender o que está a mudar no conjunto do sistema comunicacional”.
A diferença a favor do lixo, para JPP, é quantitativa: agora, há milhões a despejar no contentor virtual, dejectos escritos que ficam à vista de quem passa.
E continua a sua epistemologia sumária desses blogs, recorrendo a dois exemplos: o que aconteceu precisamente com Eduardo Prado Coelho e com Miguel Sousa Tavares, em que dois bloggers desconhecidos publicaram aquilo que JPP entende como tendo sido “acusações e falsificações anónimas”, exemplificando o fenómeno como o paradigma “da selvajaria blogosférica”.
JPP acha que os jornais não deveriam ter noticiado o alegado plágio de Sousa Tavares porque a notícia seria o plágio mesmo e não a sua alegação anónima. Terá alguma razão, a meu ver. Esquece porém, uma outra coisa importante: sendo a fonte anónima, nesta como noutras notícias, os jornalistas não são inocentes ao dá-la. Nunca podem ser inocentes, neste trabalho de escolha. Aliás, os jornalistas do Público mencionaram a semelhança entre as escritas , (por exemplo, pois os do 24 Horas não o fizeram, limitando-se a noticiar, dando a ideia de que defendiam o autor, numa perversão noticiosa ainda mais interessante) o que incomodou o autor que disso deu conta na sua coluna no Expresso.
Assim, a razão de JPP neste caso, sai algo enfraquecida, ao não ponderar o juízo que os jornalistas fizeram sobre a alegação em causa. E fica sem razão de todo, a meu ver, quando é certo que não foi apenas um blog anónimo que publicitou o aparente plágio, mas sim um outro, animado por um jornalista com nome ( Frederico Duarte de Carvalho) pelo menos, que até se deu ao trabalho de comparar passagens concretas dos dois livros em causa e que publicou o trabalho em causa numa revista de circulação geral ( a Focus). O blog de FDC que não é anónimo, como o próprio vincou, e o próprio autor, foram completamente obliterados nas considerações inflamadas e algo suspeitas, daqueles que se apressaram a defender o autor ofendido, esquecendo o óbvio à vista de todos: uma acusação de plágio será fácil de provar, com os elementos à vista, se estes forem apresentados correctamente, como me parece ter acontecido no caso de FDC. Ou seja, discuta-se então se há verdadeiramente plágio num caso como esse. Discuta-se porque tal noção não é pacífica e admite interpretações a vários níveis: legal, ético e de costumes. Alguém o fez, na blogosfera ou fora dela? Não, não fez. O que se fez e agora JPP continua a fazer, é o costume: tomar partido. Pessoalizar, ver quem fala e tomar partido. A favor ou contra, sem apresentar razões.A discussão série e desapaixonada, neste como noutros casos, não existe. E podia existir, facilmente. Bastava que alguém comparasse objectivamente as passagens; explicasse o que se deve entender por plágios literários; como se distinguem dos científicos que também os haverá, como se faz noutros países em casos destes e toda a gente ficaria a perceber melhor se o autor plagiou ou não e se o fez em certa medida, se isso é condenável ou não em modo de opinião pública. MST não o fez e nem se percebe porquê,
se tiver razão. Mas o modo como se defendeu, foi a meu ver o pior possível num caso destes. Armar em vítima, depois disso, não lhe devolve a razão que tenha.
O que este episódio do plágio revela e JPP não menciona ( et pout cause) é outro fenómeno, a meu ver mais grave, pernicioso e notório na imprensa e media portugueses: quem a controla efectivamente ao nível da opinião publicada; quem detém as chaves do discurso corrente e “politicamente correcto” e quem distingue o que é publicável do que o não é, denegrindo quem sai desses parâmetros inefáveis que os próprios estabeleceram, aparentemente em defesa de causa própria.
Esse poder de intervenção na sociedade portuguesa, através do exercício de opinião, em multimédia, como é o caso de JPP, é muitíssimo mais relevante e muitíssimo mais significativo do que o de todos os blogs do lixo. Os comentadores dos media e da imprensa em particular, assumem uma importância certa para quem lê sem querer pensar ou informar-se devidamente acerca das ideias que lê.
As falsificações, invenções, distorções, manipulações, desentendimentos, aleivosias, erros graves, abundam nos artigos de opinião, particularmente daqueles de que aqui se fala. A meu cargo ficaram já alguns exemplos, em que procurei fundamentar. Quanto a MST ( e já agora ao próprio JPP), por exemplo, aquilo que o mesmo tem escrito sobre assuntos de justiça, matéria em que posso sentir-me um pouco mais à vontade por ser jurista, ronda muitas vezes o inadmissível , ao nível do piorio e do lixo dos blogs.
Aliás, quem dá importância ao lixo, ao ponto de o promover ao prime time, numa contradição com o que escreveu acerca da notícia do plágio ( e não do plágio em si mesmo) parece ser o próprio José Pacheco Pereira.
No auge da investigação policial do processo Casa Pia, alguém se lembrou de manipular informação e lançar boatos graves sobre a honorabildiade de pessoas e instituições.
Num blog, sem autor conhecido, intitulado muitomentiroso, foram produzidas afirmações graves atentatórias de diversos direitos de pessoas concretas. Esse blog, foi aproveitado para uma jornalista com carteira, mencionar expressamente na TV, o mesmo, associando-o sem margem para dúvidas a este blog onde escrevo, deixando passar a ideia de que estavam no mesmo nível de lixo e eventualmente ligado a este. JPP, em dois artigos, fez o mesmo, denegrindo o que aqui se escrevia, tendo obtido, aliás, resposta que ficou em silêncio (consentido portanto).
Um tal blog, tal como acontece hoje com outros de idêntico teor que existem por aí, deve ser mostrado e propagandeado na tv, para que milhões que nem conhecem a blogosfera, fiquem a conhecer o que nele se contém, sob o pretexto de o condenar publicamente pelo que contém?
É uma pergunta à qual JPP respondeu afirmativamente, fazendo exactamente o que fez o 24 Horas com o blog anónimo do plágio: mostrou-o dizendo “isto é inadmissível”.
A pergunta que coloco em boa lógica a José Pacheco Pereira,( pergunta retórica, à qual julgo não irá responder, em face de acontecimentos passados) é esta: para quê?
Esperemos pela indicação dos dez por cento de “boa moeda” nos blogs, para comentar a seguir.
( segue dentro de algum tempo).
Ps. A fim de não dará azo a argumentos sobre anonimatos em modo de pseudónimo, fica o meu e-mail: jmvc@sapo.pt
Em tempo:
Li agora no Jornal de Notícias, a crónica do habitualmente excelente Manuel António Pina, sobre este mesmo assunto, a qual intitula de "Amordaçar a Internet".
Fica aqui uma passagem significativa:
"A questão da liberdade, da perigosa liberdade, da Net começa a pôr-se também em países como Portugal. Ao lado dos inevitáveis abusos - não mais, nem decerto mais graves, do que os que diariamente se vêem nos jornais - o anonimato com que alguns "bloggers" se protegem, entre eles os jornalistas que publicam na Net factos que são impedidos de revelar nos seus jornais, tem sido, entre nós, o principal pretexto. Como se boa parte da informação hoje publicada na Imprensa não tivesse origem em fontes anónimas. A Net é (ainda) um país livre e plural. Para alguns, livre de mais. E, sobretudo, plural de mais. Há, pois, que amordaçá-la rapidamente"
Manuel António Pina, além de escritor e pessoa de cultura, é jornalista profissional. O que o mesmo dá conta, por aqui, na crónica de hoje do JN, transcende e conjuga de outro modo, o problema apresentado por JPP. Aliás, permite que nos comecemos a interrogar sobre o que pretende realmente José Pacheco Pereira, com estas análises.
A censura? Mesmo em subconsciência? O regresso ao respeitinho? Ao direitinho e alinhadinho, em nome do combate a uma execrável libertinagem, aliás já denunciada também por Sousa Tavares?
Quando as contradições surgem, as respostas acabam por se impor. Explícitas ou implícitas.
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Uma daquelas notícias sem interesse nenhum. Um fait divers
quarta-feira, novembro 08, 2006
Juiz quer magistrados fora da Maçonaria e da Opus Dei
Tânia Laranjo
Desembargador Pedro Mourão critica CSM por não querer juízes no futebol e denuncia que, no tempo do actual procurador-geral da República, havia pagamentos ilegais
Pedro Mourão, o juiz desembargador que até há poucos meses presidia à comissão disciplinar da Liga de Clubes, critica a iniciativa do Conselho Superior da Magistratura (CSM) para impedir a participação dos magistrados nos órgãos de disciplina do desporto profissional. E pergunta por que é que tal proibição não se estende às "sociedades secretas", como a Maçonaria e a Opus Dei, que, na sua óptica, têm compromissos muito mais "perigosos" do que os do futebol.
"Tenho alguma dificuldade em perceber, em democracia, as sociedades secretas. Grupos como a Maçonaria ou a Opus Dei tinham razão de ser na ditadura, mas levantam-me sérias dúvidas numa sociedade democrática. E o que eu pergunto é se não serão mais perigosos esses compromissos do que os existentes no futebol profissional. Não será mais pernicioso ter juízes nessas sociedades, o que todos sabem que acontece?", interroga Pedro Mourão.
O juiz desembargador vê, assim, com estranheza o desejo do CSM de proibir os magistrados de participarem nos órgãos do futebol. "Eu entendo o CSM. Mas também gostaria muito que os juízes que se portassem à altura pudessem participar nestes órgãos. Somos pessoas como as outras e a proibição nunca me parece desejável. Não deve ser essa a via escolhida para regular o que quer que seja", defende.
Pedro Mourão recusa ainda a ideia de que a presença dos juízes nos órgãos desportivos afecta a imagem e a credibilidade do sistema judicial. Porque, na sua opinião, é precisamente o facto de serem juízes que lhes dá um maior grau de independência. "Se eu não fosse juiz, não tinha conseguido adoptar determinadas medidas. Não tinha sido possível vencer lobbies antigos e instaurar processos disciplinares no âmbito do Apito Dourado. Não tinha conseguido resistir às ameaças e teria cedido quando foi posta em causa a minha integridade física. Não aceito, nunca, que digam que o meu comportamento não dignificou os órgãos desportivos", afirmou ao PÚBLICO.
O magistrado judicial levanta ainda o problema da inconstitucionalidade da pretensão do CSM (ver caixa), afirmando ser ilegal proibir os juízes de participarem em órgãos disciplinares desportivos, sem que haja uma revisão constitucional. "Parece-me existir um sério problema formal. Os direitos dos juízes são direitos idênticos aos de outros mortais e prevejo sérios problemas constitucionais numa proibição desse tipo", afirmou, considerando que aos juízes não deve ser vedado o "direito de exercerem funções disciplinares".
Pagamentos ilegais no
tempo de Pinto Monteiro
Pedro Mourão afirma que o pagamento de senhas de presença não é ilegal e lembra que a questão ainda está a ser discutida no tribunal, não sendo líquido que a punição do Conselho Superior da Magistratura aos magistrados que recebiam tais verbas - advertência verbal - seja validada. "É evidente que os membros do CSM também recebem senhas de presença. Isso não me parece ilegal, embora tenhamos suspendido o recebimento após o CSM ter dito que se opunha", refere.
Recuando no tempo, o juiz desembargador recorda situações que, na sua óptica, também eram ilegais, mas que nunca foram resolvidas. Recorda, por exemplo, que, no tempo em que o actual procurador-geral da República, Pinto Monteiro, estava na Federação Portuguesa de Futebol, os magistrados eram pagos por cada acórdão que redigiam. "Quando cheguei à federação, os membros eram pagos à peça. Recusei-me a receber um tostão, porque seria uma forma encapotada de remuneração e era ilegal. Isso acontecia, por exemplo, no tempo do conselheiro Pinto Monteiro e fui eu que redigi o regimento das senhas de presença, pondo termo àquela forma de pagamento", explicou.
O PÚBLICO tentou, sem êxito, ouvir o procurador-geral da República sobre esta matéria, mas este esteve incontactável até ao fecho desta edição.
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Publicado por contra-baixo 12:52:00 1 comentários Links para este post
Três longos retratos
Alertado pelo mais anónimo dos anónimos, acabei por encontrar três longos retratos do Portugal contemporâneo. Imperdíveis. Aqui, aqui e aqui.
Destes, nem o Pacheco
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Uma daquelas frases que levantaria o congresso do PSD
terça-feira, novembro 07, 2006
7.11.06
REPITA COMIGO, 150 VEZES:[1622] -- «O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida. O PSD tem de mudar de vida.»
Paulo Gorjão, na Bloguítica
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Mexilhões
O Miguel, nosso vizinho na blogger, resolveu voltar à carga sobre o BES em Espanha. E, roçando a fronteira do delírio, afirma desta vez que o meu grande drama é "a pátria que corre perigo — e o Carlos oferece-se para avançar para as trincheiras". Antes de mais, convém fazer uma declaração de interesses: não fui à tropa, logo seria um péssimo soldado (apenas me desenrasco no Medal of Honor). Agora deixo-lhe uma pergunta: onde está o mexilhão espanhol? Não lhe parece que em Espanha "alguns chicos-espertos foram apanhados nas malhas, mas ainda não há nenhuma evidência de que os “produtos bancários” “oferecidos” nos balcões das instituições bancárias fossem do conhecimento das próprias instituições bancárias e, muito menos, dos banqueiros. Conhecem a estória do mexilhão?". Em que ficamos?
Outro abraço....
Publicado por Carlos 16:49:00 4 comentários Links para este post
um requiem
Nos últimos tempos tornou-se um desporto nacional dizer mal do Dr. Mendes, líder do PSD. Não é que uma boa parte das críticas não sejam merecidas mas, à esmagadora, senão toda, maioria dos 'comentadores', de baancada ou da comunicação social, escapa o rigorosamente essencial. É verdade que Mendes, nos últimos tempos tem 'esquecido' o país 'real' e concentrado atenções no PSD 'profundo', sendo que a lógica deste último não diz necessariamente muito ao cidadão comum. É assim demasiado fácil criticar Marques Mendes, e dá-lo desde já como 'morto', só que isso é ignorar a história. Mendes, que tem (ou teve) a seu favor o facto de ter sido dos poucos a críticar a estratégia de sobrevivência barrosista que guindou o actual Presidente percebeu que de nada lhe vale agora falar para o País. Sabe que lhe bastará, na hora certa, ser líder do PSD, para então subitamente ser levado a sério (bem ou mal) por tudo e todos. Nessa altura terá toda a credibilidade deste mundo e do outro porque é a ... alternativa, a 'única' alternativa. Ora, para isso, precisa de garantir que o PSD não se livra dele, e daí todas as pantominas e acrobacias recentes. É a vida. Mendes desistiu de reformar o PSD, não vá o PSD 'reformá-lo' a ele. Foi assim, com Barroso, é assim com ele, e será assim com quem vier a seguir. Será assim, enquanto a tal sociedade civil que tanto critica os partidos se continuar a demitir sistematicamente das suas responsabilidades, delegando nos partidos competências, que estes manifestamente (já) não tem. É fácil agora dizer mal, como será confortável - na hora certa - mostrar disponibilidade para dar uma mãozinha, mas seria infinitamente mais útil e produtivo - agora - fazer alguma coisa. O dr. Mendes conta com o que tem, e olhando à volta, onde estão as alternativas ? Onde estão os projectos estruturados ? Onde estão aqueles que tem uma visão globalizante que passe do mero sound-byte ou da alegada especialização nesta ou naquela micro-área ? Simplesmente não estão, e não estão porque os mesmos que exigem 'mais' ao Dr. Mendes são os mesmos que por conforto, cinismo, preguiça ou irresponsabilidade, garantem que por acção ou omissão, ao dr. Mendes não restam alternativas. Eu confesso que não sei se o Dr. Mendes vai chegar um dia a primeiro ministro, e mais, confesso que a questão é largamente irrelevante. É que enquanto as coisas continuarem como estão, enquanto os partidos funcionarem como funcionam, enquanto a sociedade civil se comportar como comporta, nem ele nem ninguém vai fazer milagres, pelo que nos resta esperar que não apareça outro Dr. Lopes, ainda que disfarçado em peles de cordeiro.
Ironia das ironias, Marques Mendes, o mesmo que denunciou em tempos o cinismo de Barroso, pode ter-se tornado um cínico, mas não mais cínico que uma boa parte daqueles que o criticam... Querem deixar a 'política' para os outros, e ainda se queixam.
Publicado por Manuel 10:46:00 1 comentários Links para este post
Jura dizer a verdade?
Leio no Público de hoje que “O jornalista Jorge Van Krieken acusou, ontem, em tribunal, os magistrados do Ministério Público e os agentes da Polícia Judiciária, responsáveis pela investigação do processo Casa Pia de terem falsificado, manipulado e ocultado provas durante a investigação”. E até, “ as coisas apontam para um sentido mais grave. Não só ocultação e manipulação, mas também prevaricação da prova”.
A gente lê estas coisas e fica perplexa. Descrente na polícia Judiciária que temos e costuma ser apresentada como uma das melhores do mundo. Descrente e desconfiada do Ministério Público que nos serve para accionar, em nome de todos, os criminosos e só os criminosos.
Diz ainda o Público que o procurador presente em julgamento, “se insurgiu contra os enxovalhos e ofensas” feitas pelo tal jornalista ao MP. O Diário Digital acrescentou ainda que o procurador referiu que a testemunha «não disse um só facto» ou apontou um «só suspeito» para concretizar o que acabara de dizer, no sentido de que era tudo um «embuste».
O advogado das vítimas terá referido que as afirmações eram graves e que o chocou ouvir falar em “pseudovítimas”.
Ora bem. Não consta que o tal jornalista seja parte no processo, para além do depoimento que ontem prestou.
Não consta que seja advogado e tenha analisado e subscrito qualquer requerimento, aquando da prolação da acusação, para contestar a validade desta. Não consta que tenha legitimidade para sindicar em julgamento, para além do teor de um depoimento necessariamente sobre factos, nesta fase, todas as provas de um processo que já passou pelo crivo de um juiz de instrução que manteve o teor da acusação relativamente aos arguidos que agora respondem.
Não consta ainda que tenha qualquer legitimidade para pôr em causa, do modo peremptório como o fez - e até absoluto-, a actuação de dezenas de pessoas que trabalharam no processo para recolha de prova indiciária suficiente para levar os arguidos a julgamento, e assim lhes imputando a prática de crimes gravíssimos de falsificação, ocultação de prova e denegação de justiça, para além de abuso de poder. Crimes mais graves imputáveis a magistrados e polícias, nessa qualidade, não pode haver.
O que objectivamente o jornalista Van Krieken fez, é muito simples de entender: desacreditou, objectivamente, todo o trabalho, de toda a gente e das instituições que em Portugal têm a incumbência de investigar e accionar criminalmente, nesse caso concreto e nos outros, porque o descrédito não é selectivo.
A contundência dos seus depoimentos e dos seus escritos, terá uma de duas saídas:
Ou o jornalista prova aquilo que diz, com factos concretos e dados objectivos, o que segundo o procurador do processo, não aconteceu; ou a difamação e infâmia se tornam tão graves que haverá necessidade de proceder de modo exemplar, neste caso concreto.
Há uma terceira hipótese a considerar: estar plenamente convencido daquilo que diz porque acredita que é verdade o que disse, agindo de boa fé. Se essa hipótese se confirmar, seria bom que ficasse explicada, para toda a gente perceber como é fácil, a alguém, acreditar em qualquer coisa e dizê-la, sem medir as consequências e usando esse convencimento como arma de arremesso, sem limites na liberdade de expressão. E além disso, influenciar todo um rol de comentadores, jornalistas e espectadores de que afinal esse processo é mesmo uma cabala e quem a montou foram os investigadores.
O que não pode de todo acontecer é deixar em branco e em águas de bacalhau todo este rol de acusações gravíssimas que enlameiam dezenas de pessoas e sujam a reputação de uns tantos polícias e magistrados, bem definidos e concretos.
Quem lê estas notícias, aliás recorrentes, nas ruas e nos cafés e espalhadas pelas vozes comuns do povo que lê e não apreende tudo o que é dito, não pode ser desprezado por quem de direito que não dê a devida importância a este tipo de depoimentos incendiários e alarmantes. O que foi dito, publicamente, não se limitou a um artigo num qualquer blog manhoso e de mera opinião. O que foi dito é de relevância assinalável, porque o foi numa audiência de um julgamento, onde se avalia a prova indiciária de um processo; em que são cumpridas formalidades rituais que passam pelo facto de a testemunha ser ajuramentada para dizer a verdade. É preciso saber se disse a verdade. Ponto.
Alea jacta est.
Publicado por josé 10:16:00 14 comentários Links para este post
Think? Thank you.
segunda-feira, novembro 06, 2006
Ao ler o artigo de Pedro Lomba para o DN de Sábado, espequei numas passagens verdadeiramente siderantes.
Julgo saber que o articulista será jurista. Aprendeu direito constitucional, penal, civil, administrativo e processual. Ao ler que se refere a “escutas telefónicas sem controlo” arrebitei as orelhas, para ver se entendia mais alguma coisa. Não entendi, a não ser que um jurista não é obrigado a saber tudo, menos ainda se for processo penal e organização judiciária.
Porém, no seu articulado sumariado, escreve sobre a apatia do Liberalismo e diz que “ a justiça é um alibi retórico” para significar não se percebe bem o quê. Manifesta preocupação, logo a seguir a esta boutade, com a imprensa de escândalos que “desatou a espiolhar a priacidade das figuras públicas incluindo, coisa inédita, alguns políticos”, afirmando que esse fenómeno é trend de inversão de valores que apreciam agora “a devassa e o onanismo social”.
Pedro Lomba que entrou em blogs e se inclui numa geração aparecida ao mundo nos anos setenta, sustenta a seguir, algumas ideias feitas por quem já nasceu antes.
Acha que em Portugal “o poder político está ainda demasiado refém do clientelismo, do corporativismo, de grupos organizados, de redes de interesses. Nos arranjinhos que por aí se fazem os indivíduos contam pouco.” João Cravinho anda a dizer o mesmo, quase, há anos e repetiu-o esta semana.
Acha ainda que Portugal está maduro para que vença a tecnocracia, em detrimento dos “políticos”.
Ora , o conceito também vem de trás, dos liberais da Ala que vingou em 73 e continuou nos meses que seguiram ao 25 de Abril, fenecendo pouco tempo depois. Os nomes de Oliveira Martins (o outro), João Salgueiro e Rogério Martins dir-lhe-ão alguma coisa? Este último, também foi cronista do Público,nos anos noventa. E dos melhores que pode haver.
No entanto, Pedro Lomba entende que nestas alterações climáticas na sociedade nacional e com o advento até do “império da técnica”, a monção fica a dever-se à liberdade de expressão, liberdade de crítica , liberdade de imprensa, liberdade de voto, privacidade. E desejaria um Portugal mais liberal do que é, embora reconheça que “há por aí lunáticos que encaram o liberalismo como uma experiência mística.”
Quer referir-se a quem, exactamente? A um Pedro Arroja que agora escreve em blogs e até comenta nas caixas totalmente livres, onde aliás é insultado, amiúde?
A geração do Think?-Thank you, que se alimentou da cultura anglo saxónica, estará a acordar para a dúvida? Quem dera.
Publicado por josé 23:45:00 4 comentários Links para este post
Um post onde uma coisa não tem nada a ver com a outra
Publicado por Carlos 09:14:00 7 comentários Links para este post
Isto é que é mesmo uma espécie de magazine
domingo, novembro 05, 2006
João Cravinho continua a sua porfiada investida contra o fenómeno da corrupção em Portugal.
João Cravinho, não precisa de provar nada, nem de se defender de nada, quanto a este assunto. Há anos que diz o mesmo e aponta caminhos para sair destas veredas de obscuridade onde nos encontramos, apresentando um fio de Ariadne.
Hoje no Público, transcrevem-se afirmações de João Cravinho de uma gravidade extrema e que só num país em anomia, adormecido, não servem de abertura de telejornais.
Diz que Portugal tem um grave problema de corrupção ao nível do sistema e que tal fenómeno levou à captura do Estado, por "grupos que hoje partilham a influência de determinados sectores".
Acrescenta que a gravidade de tal fenómeno não se circunscreve a qualquer pequeno grupo de pessoas delinquentes, mas é um problema de sistema.
E para ser ainda mais claro, acrescenta que esse fenómeno crescente com o advento da democracia, "favoreceu o tráfico de influência, a colocação de pessoas em pontos-chave do sistema e a fidelização de clientelas de vários partidos."
E não poupa as palavras para acrescentar que tal distorsão, c"compromete gravemente as instituições democráticas."
Aqui chegados, todos se poderão perguntar? Será mesmo assim? E afinal, se o for, onde se encontrará a cabeça do polvo?
Di-lo também João Cravinho: reside "entre grupos, de certos sectores da admninistração".
Que grupos de que administração? Continua Cravinho, procurando causas entre os efeitos. "são as autoestradas mais caras, talvez a saúde mais cara, as casas mais caras, tudo."
Num país pequeno como Portugal, em que as empresas de grande porte são poucas e com líderes conhecidos, tais afirmações deveriam provocar sobressalto democrático.
Provocam nada. Daqui a pouco, se João Cravinho continuar a insistir no assunto, ainda vira assunto de piada do Gato. Fedorento, quero dizer.
Publicado por josé 21:46:00 3 comentários Links para este post
cada falso
O que fazer quando lemos num blog completamente anónimo, mas não tanto que não deixe pistas de quem o anima, considerações caluniosas e difamatórias de quem escreve noutros blogs, atirando-se à pessoa e deixando de lado o que escreve?
Lamuriar, como os dois maduros abaixo identificados, o fizeram na Sábado?
Fantasiar um mundo cor de rosa em que somos puros e sanos, contrapondo-o ao das trevas da blogosfera negra?
Oferecer porrada ou ameaçar com tribunais?
Deixo à consideração dos leitores. Por mim, estou inclinado a deixar assim como está: à vista desarmada, para se poder ler o que é uma infâmia. É assim que considero e assim me defendo.
Nos blogs, não há refúgio possível a quem delibere atacar-nos pelo que somos ou fazemos, mesmo que isso nada tenha a ver com o que escrevemos. Mas pode haver defesa efectiva contra os ataques, na resposta imediata que estes proporcionam.
Publicado por josé 19:01:00 0 comentários Links para este post
O Miguel
Miguel Abrantes, que eu não tenho o prazer de conhecer, respondeu ao naco de prosa que aqui elaborei sobre a operação que envolveu o BES em Espanha. E então diz assim: "Mas suspeito, em relação aos jornalistas, de que o Carlos não tenha razão. Uma operação desencadeada às oito horas da manhã, envolvendo centenas de pessoas em diversos locais de Madrid e Barcelona, é capaz de, ao fim de algum tempo, não ter passado despercebida aos media". Ou seja, segundo o Miguel, é natural que os jornalistas tivessem tido conhecimento do que se estava a passar. Eu também acho. E conclui o Miguel: "O Carlos esqueceu-se no entanto de referir se o fax também foi enviado. E nestas coisas, dizem os entendidos, o efeito surpresa pode estragar tudo". Concordo novamente.
Mas, vejamos: em declarações ao Expresso, Ricardo Salgado afirma que as televisões "foram convocadas para o local uma hora antes da chegada da polícia". Será que o Miguel não leu esta declaração?
E, talvez por ser em Espanha, esta citação do El Pais não lhe causa comichão? "La investigación, entre otros asuntos, pretende determinar si el BES, dentro o fuera de España, "ha facilitado esas estructuras societarias" a la trama". Parece tudo normal, não é Miguel. Mas, vamos recordar o que escreveu aqui a propósito do Furacão português e do envolvimento dos bancos:
"Segunda conclusão: alguns chicos-espertos foram apanhados nas malhas, mas ainda não há nenhuma evidência de que os “produtos bancários” “oferecidos” nos balcões das instituições bancárias fossem do conhecimento das próprias instituições bancárias e, muito menos, dos banqueiros. Conhecem a estória do mexilhão?".
Como se diz mexilhão em castelhano?
Mais um vez, um grande abraço.
Publicado por Carlos 17:46:00 0 comentários Links para este post
Um espectáculo
Eurico dos Reis(E.R.) , um dos reis da rádio nacional, no comentário matinal, concede entrevista hoje, à revista Notícias Magazine. Apresentado como juiz-desembargador, deixa-se fotografar debaixo das arcadas do edifício onde desembarga, para dizer certas coisas deveras embargantes, à mistura com outras, algo perplexizantes.
Vamos às primeiras, sem esquecer as segundas.
A começar, o segredo de justiça é passado a pente fino pelo Eurico entrevistado. Não concorda que a sua violação pelos jornalistas seja crime. A explicação é simples: “Quem viola o segredo de justiça são as pessoas que estão dentro do processo”. E chega como explicação, para contrariar acórdãos de defendem o contrário com base na interpretação legal, seguida por conselheiros e pelo STJ e doutos opinadores, incluindo-se o sempre visível Vital Moreira.
E.R. considera ainda que essa violação de segredo “é uma deslealdade” e sustenta argumentos de eficácia investigatória que acha actualíssimos, para descobrir violadores, na sua própria experiência como juiz de instrução (há mais de vinte anos), explicando que nessa altura era ele, o magistrado do mp e um funcionário quem detinham o poder de guardar o processo. Logo, a investigação sobre quem viola o segredo de justiça hoje em dia, seria muito fácil. Hoje, como há vinte anos…
Logo a seguir a esta explanação de boas práticas processuais e investigatórias, que infelizmente não tem sido seguidas pelo MP que temos, que desgraçadamente não escutam o que diz Eurico, na TSF e na SIC Notícias, passa a atacar a própria essência do legislador e a sua legitimidade para criar novos tipos de delito, para tentar explicar o que aconteceu aos jornalistas do famigerado caso de envelope que para E.R. ainda não está esclarecido ( quem pediu a informação; porque a pediu; quem a entregou e quem a recebeu, são ainda segredos para E.R.)
E toda a gente o poderia saber se seguissem o método avançado por E.R.: tal poderia muito bem ter sido resolvido de uma penada, em 48 horas, num processo administrativo.
Também não sabe, afirmando com à vontade raro que mais ninguém sabe, o que sucedeu aos crimimosos da PT que forneceram as informações codificadas nas disquetes. E adianta que este crime de divulgação de dados pessoais até era mais grave do que o crime de que os jornalistas foram acusados!
No entanto, parece que toda a gente sabe( menos Eurico dos Reis), que o tal crime é exactamente o mesmo que foi imputado aos jornalistas…e parece que toda a gente também sabe, menos o nosso Eurico, que o crime imputável aos responsáveis da PT estava já prescrito aquando da instauração do processo. Foi divulgado amplamente, mas a informação não chega a todo o lado.A desinformação, essa, não tem fronteira visível.
Por outro lado, segundo E.R. esse crime de divulgação de dados pessoais é um dos tais crimes em que o legislador foi “desleal”. Porquê? Ora, porque o escondeu, colocando a sua previsão fora do…Código Penal! Aliás, tal como sucede com o crime de violação de segredo de justiça, imputável a jornalistas e que também não consta do Código Penal e afinal se anichou no Código de Processo Penal, onde aliás, refastelado, medra a olhos vistos num dolce farniente.
Estes crimes, estão de tal modo disfarçados e escondidos que para o nosso Eurico entrevistado,“ a maior parte das pessoas, incluindo juristas, nem sabe que existem”.
É assim a explicação de um juiz-desembargador para aquilo que afoitamente define como um modo de legislar “tecnicamente incorrecto e socialmente perigoso”.
Figueiredo Dias e Germano Marques da Silva, a estas horas, provavelmente e se leram a entrevista, o que é plausível, estarão com as orelhas a arder. Falta saber se não será de tanto abrirem a boca de…espanto!
Mas o desembargador E.R., assumindo integralmente essa qualidade, depois de reafirmar tudo o que disse antes e lhe valeu já a instauração de processos disciplinares pelo CSM, tendo num deles sido condenado com uma repreensão, por falar demasiado sobre o que não deveria, mostra-se sensato ao dizer que “nalgumas profissões, incluindo a vossa e a minha, a preocupação relativamente à imagem deve ser uma constante.”
Talvez por causa dessa sensatez assim plana, não se coibiu de um exercício humorístico em relação ao ex-PGR. Acicatado pela entrevistadora, que lhe apresentou à consideração o facto de aquele ter dito que se assumisse funções hoje, contrataria centenas de assessores, a mesma, revelando um alto sentido de humor, adiantou-lhe que se tinha sentido insultada por tal afirmaçáo, ao que E.R., despreocupadamente, com figuras de estilo bem nítidas para apresentar a imagem desfocada, lhe respondeu:
“Choca-me haver quem pense que os jornalistas são ingénuos, idiotas ou incapazes a ponto de um qualquer artista de variedades lhes poder dar a volta; haver quem pense que vocês comem toda a papinha que vos derem.”
Pois choca. Também a mim me choca, neste caso concreto, mas é assim mesmo. "Artistas de variedades", há muitos. Na rádio, na tv e na cassette pirata.
Publicado por josé 16:41:00 3 comentários Links para este post
Uma das melhores explicações que já li
sábado, novembro 04, 2006
O caso foi este. O inquértio do costume foi aberto, e as conclusões divulgadas:
Na sequência do despacho conjunto do ministro de Estado e da Administração Interna e do ministro da Justiça, em que era ordenada à Inspecção-Geral da Administração Interna e à Inspecção-Geral dos Serviços de Justiça a realização de uma averiguação conjunta relativa à actuação de elementos da Polícia de Segurança Pública e da
Polícia Judiciária, no dia 6 de Outubro, no Tribunal de Setúbal, foi o relatório dessa averiguação conjunta entregue aos ministros no passado dia 30 de Outubro. Tornam-se agora públicas as conclusões do referido relatório:
1. Durante todo o dia 06.10, as relações entre os elementos da PSP e da PJ presentes no TJ Setúbal pautaram-se pela cordialidade e por um espírito de colaboração;
2. Dentro desse espírito, os inspectores da PJ solicitaram aos elementos da PSP a colaboração para facilitar a saída do Tribunal com o arguido, em condições de segurança e discrição, de acordo com as instruções que tinham, o que se mostrava dificultado pela presença, às portas do Tribunal, de um número considerável de populares e jornalistas;
3. Para isso, os elementos da PSP levaram a cabo uma manobra, envolvendo a simulação da saída do arguido, que se revelou adequada ao efeito pretendido, tendo efectivamente permitido que os inspectores da PJ e o arguido saíssem do Tribunal em segurança e com discrição;
4. Não foi possível apurar com toda a segurança se essa manobra em concreto foi expressamente solicitada pelos inspectores da PJ; mas ainda que não o tenha sido, tiveram a clara percepção de que a mesma ia ser realizada nos termos em que o foi, e não só não se opuseram como a aceitaram implicitamente, facilitando a sua execução;
5. Ainda que porventura assim não tivesse sido solicitada, como foi, a colaboração da PSP, cabia a esta decidir o tipo de manobra a realizar, uma vez que estava em a utilização dos seus meios materiais e humanos;
6. Neste contexto, não há quaisquer elementos que permitam concluir que a manobra realizada resultou de um desejo de protagonismo por parte da PSP, e muito menos que se insere numa qualquer «guerra de polícias», sendo antes, pelo contrário, fruto de uma normal e desejável cooperação entre as forças policiais;
7. Os reportes às hierarquias, realizadas posteriormente aos factos daquele dia 06.10.06, quer por elementos da PSP quer, talvez de uma forma mais evidente, pelos inspectores da PJ, permitiram, ou pelo menos não foram de molde a impedir claramente, o surgimento de versões contraditórias;
8. O tratamento da informação assim recebida por parte das hierarquias e sua divulgação aos meios de comunicação social empolou a situação e potenciou as contradições semânticas e de pormenor, em detrimento da cooperação que efectivamente se verificou na base;
9. Não foram colhidos quaisquer indícios reveladores de comportamentos, por parte dos diversos intervenientes no local (TJ Setúbal), tendentes ao resultado divulgado pelos órgãos de comunicação social.
Publicado por Carlos 23:11:00 0 comentários Links para este post
Vanity Fair Exclusive: Now They Tell Us
Neo Culpa
As Iraq slips further into chaos, the war's neoconservative boosters have turned sharply on the Bush administration, charging that their grand designs have been undermined by White House incompetence. In a series of exclusive interviews, Richard Perle, Kenneth Adelman, David Frum, and others play the blame game with shocking frankness. Target No. 1: the president himself.
Publicado por Manuel 18:47:00 0 comentários Links para este post
O reino da fantasia cor de rosa
Numa subsecção da revista Única do Expresso de hoje, intitulada "blogs", uma colunista que costuma recensear blogs da sua corda, adianta-se numa acusação generalizadora e comum a certos comentadores doridos de males aheios. "Cobardia" é o nome da croniqueta, em coro de carpideira com outros que lamentam o assassino anónimo que anda a matar certos carácteres impolutos, de coluna perfilada em jornal e avença posta.
Num parágrafo de acusação genérica, escreve Rita F.R.:
" O que aconteceu a Miguel Sousa Tavares acontece diariamente na blogosfera portuguesa: temos juízes, advogados, políticos e jornalistas, entre outros, sob anonimato, a lançar boatos miseráveis e lama para cima de quem não se pode defender".
É este o parágrafo que continua, insatisfeito e recalcitrante, no seguinte: " É uma espécie de submundo da porcaria, onde se movimentam pegajosos, alguns vermes que retratam a pequenez".
Este tipo de escrita, em papel de jornal, nem sequer se revê na essência do que produz.
Acusar genericamente, sem qualquer facto à ilharga e sem nomear um sequer dos tais "juízes, advogados, políticos e jornalistas", apodando-os de vermes que se movimentam, pegajosos, no submundo da porcaria, parece ser o retrato perfeito do mundo de quem assim escreve.
E quem cauciona esta escrita, vinda de um reino da fantasia, pequenino e de louvaminha a amiguinhos e apaniguados, defende certamente o seu mundo como o melhor de todos.
Felizmente, ainda não é o de todos, mas se pudessem...
Publicado por josé 16:00:00 9 comentários Links para este post
'don't ask, don 't tell'
A Honra Perdida de um Jovem Tenente
De acordo com o Expresso - e já o tinha lido noutro sítio qualquer - o ministro da administração interna, dr. Costa, instaurou um processo disciplinar contra o jovem oficial da GNR que se apercebeu das alegadas irregularidades praticadas na Escola Prática da Guarda. O tenente, de 28 anos, e com especialização nas contabilidades e na gestão, segundo a IGAI, teria sido o responsável pela informação veiculada ao Expresso e, vai daí, levou com um processo idêntico ao que levaram os supostos autores das irregularidades. Imagino que este jovem quadro da GNR se deve sentir maravilhado com esta diligência ministerial. E que, daqui para diante, se sinta como peixe na água na instituição que agora o condena. Para começar, e apesar de ser o melhor classificado do seu curso, já foi preterido na promoção a capitão. Ninguém, na vida e nos cursos (vários) que o jovem tenente frequentou, lhe explicou que o país é uma imensa paróquia, dividida meticulosamente em capelas, em que cada uma tem os seus oficiantes exclusivos. Na cabeça de quem dirigiu as averiguações, o jovem tenente terá violado o sagrado "segredo de justiça" e, por isso, é perseguido disciplinarmente da mesma maneira que o são os alegados infractores. António Costa, cujo desempenho como MAI lhe deu para mostrar uma inédita "musculação política", já varreu com dois sindicalistas pobres de espírito da PSP e prepara-se para estragar uma carreira promissora e íntegra à conta da "autoridade do Estado" que ele tem andado a confundir com autoritarismo gratuito. Não conheço o jovem tenente de lado nenhum, mas conheço o António Costa, o filho de Maria Antónia Palla e de Orlando Costa. Tenho pena pelos quatro.
João Gonçalves
Publicado por Manuel 15:20:00 0 comentários Links para este post
"A nomeação realiza-se sob proposta do PGR, não podendo o Conselho Superior do MP vetar, para cada vaga, mais que dois nomes"*******

****** - Será necessário um curso de Direito para ler o 125º do Estatuto do Ministério Público. Às tantas é....
P.S. - Meu caro Miguel, não vale a pena responder-lhe. Sinceramente. Você, propositadamente ou não, está a confundir dois processo: O Portucale (que envolvia o genocídio de sobreiros) e o Furacão, este sim da banca. Bom fim de semana.
Publicado por Carlos 01:49:00 1 comentários Links para este post
Coisas da Sábado
sexta-feira, novembro 03, 2006
"Libertinagem"...onde é que já ouvi isto?!
PS. Já sei! Foi aqui, num artigo assinado por este político, há mais de dois anos!
Antes disso, Alexandre O´Neill já tinha definido a libertinagem: dizia que era a liberdade, com garagem.
Tem nada a ver, com estes maduros.
Publicado por josé 19:08:00 2 comentários Links para este post
o fio de terra
(foto Michele Grinstead) First Projects, Then Principles
A political left needs agreement on projects much more than it needs to think through its principles. In a constitutional democracy like ours, leftist projects typically take the form of laws that need to be passed: laws that will increase socioeconomic equality. We need a list of First Projects--of laws that will remedy gaping inequalities--much more than we need agreement on First Principles.
Richard Rorty
O défice ideológico
Suponho que todos concordam com o facto de que algo se passou no mundo entre estas referências doutrinais e os nossos dias. Talvez seja o momento de dar um “grande salto em frente”, de ultrapassar outras importantes referências do século XX, e de ligar a ideologia dos partidos actuais ao pensamento actual. Imaginemos agora como seria se os partidos políticos portugueses decidissem seguir a metodologia do sr. Thomas Meyer e adoptar propostas ideológicas com base em leituras do pensamento político contemporâneo.
João Cardoso Rosas (via Causa Nossa)
A ordem das citações não é arbitrária. O texto de Rorty foi publicado há praticamente 10 anos no The Nation (guardo uma cópia desde essa altura). O de João Cardoso Rosas tem data de ontem.
Publicado por contra-baixo 18:20:00 0 comentários Links para este post
Não tem pais ricos, não lhe saiu o El Gordo....foi ao BES
Publicado por Carlos 17:41:00 1 comentários Links para este post
Esclarecedor, mesmo!
João Correia não faltou à reunião de hoje do Conselho Superior do Ministério Público - ponto! Simplesmente recusou-se foi a participar (mais outros dois elementos) na repetição de uma votação, por considerar essa mesma repetição ilegal... Esclarecido ?
Publicado por Manuel 17:10:00 1 comentários Links para este post
Post com o patrocínio da MultiOpticas

Procurando ser engraçado, assim a modos com piada, o Miguel Abrantes escreve neste post: Uma busca foi feita às agências do BES sem nenhum aviso prévio por fax, nem a presença das televisões no local. Uma pouca-vergonha pegada actuar assim.
Não podia estar mais de acordo. Porque estas fotos foram tiradas por transeuntes que, por coincidência, por ali passavam. E, na que se encontra à esquerda, está lá um tipo com uma câmara de TV ao ombro. Provavelmente, estaria pelas redondezas a filmar um casamento. E os tipos que estão com uns coletes da "Guardia Civil" foram fotografados por engano. Apenas tiveram um acidente e a lei obriga o condutor a vestir o colete quando sai do carro. É de facto uma pouca vergonha!


Publicado por Carlos 15:39:00 1 comentários Links para este post
Teletubbies
quinta-feira, novembro 02, 2006
Por vezes, não aprecio o estilo de Vasco Graça Moura, uma espécie de Sousa Tavares um pouco mais sofisticado. Porém, ontem publicou no DN um texto de mérito sobre a TLEBS. Aqui fica, em plágio.
Há perto de um ano, abordei nesta coluna a questão da nova terminologia linguística para os ensinos básico e secundário (TLEBS).
Agora, com a serenidade olímpica e a autoridade incontestável que lhe vêm do muito saber académico, de uma longa experiência cultural e pedagógica e de um bom senso elementar, Maria Alzira Seixo, numa síntese fundamental, "A TLEBS e a educação" (Visão, 26.10.2006), põe em evidência como certos sectores da Linguística em Portugal (talvez, digo eu, por qualquer descompensação da ordem do freudiano...) se estão solenemente nas tintas para a Literatura e para o papel essencial que esta deveria ter no ensino e na aprendizagem da língua portuguesa.
Demonstra que nunca é inocente a substituição de uma terminologia gramatical por outra e anota não ser cientificamente consensual, nem isenta de muitas incoerências, a orientação universitária que foi imposta através da TLEBS e que não deveria, portanto, ter sido considerada "representativa para uma orientação ministerial".
Sublinha que nem a Gramática nem a Língua são feudo exclusivo da Linguística e estão também indissoluvelmente ligadas à Literatura e à Filosofia.
Exprime o receio, mais do que fundamentado, de que o pensamento subjacente à TLEBS não favoreça a qualificação educativa.
Denuncia o autismo teórico das concepções subjacentes à TLEBS e os "raciocínios tecnicistas e funcionais, com uma óptica exclusivista e auto-suficiente que, não dialogando com áreas centrais do pensamento humanístico, estreita a compreensão gramatical".
Aponta o lado abstruso, aberrante e incompreensível de muitos aspectos da terminologia em questão, bem como os equívocos a que isso dará lugar, tanto no plano da docência como no da discência.
E observa: "Não é por serem diferentes que as designações são inovadoras ou adequadas; Rodrigues Lapa mostrou há décadas, relacionando linguística e literatura, que a estilística da
língua matiza as categorias gramaticais e a actualiza em alterações da norma praticadas por escritores que criam valores que a categoria não contém e é a literatura que vai fixando."
A rematar, uma evidência clamorosa: "Ninguém pode obrigar um professor a ensinar mal."
Também Maria do Carmo Vieira publicou um excelente artigo, "O regresso da polémica", no JL de 25.10.2006, em que, depois de uma breve resenha da tragicomédia do ensino da Gramática, dá uma série de exemplos de pôr os cabelos em pé.
Entre outros, há pronomes indefinidos que dão agora pelos nomes sorumbáticos de "quantificadores indefinidos", "quantificadores universais" e "quantificadores relativos". Nos advérbios, encontramos coisas alucinantes como "advérbios disjuntos avaliativos", "advérbios disjuntos modais", "advérbios disjuntos reforçadores da verdade da asserção" e "advérbios disjuntos restritivos da verdade da asserção". O sujeito indefinido passa a ser o luminoso "sujeito nulo expletivo". O "aposto ou continuado" chama-se bombasticamente "modificador do nome apositivo", podendo ser do tipo "nominal", "adjectival", "proposicional" ou "frásico"...
Isto posto, o que é que leva a ministra da Educação a aceitar um conjunto de enormidades
deste tipo e a desatender as muitas objecções que, sem dúvida, lhe chegaram da parte de inúmeros professores?
Quem são os responsáveis que, no seu ministério, se vêm enfeudando a estas aberrações, conseguindo fazê-las consagrar na lei, com os resultados desastrosos que todos conhecem? Não lhes acontece nada? Ninguém pensa em pô-los na rua?
Não se vê que a avaliação dos professores, face ao novo estatuto, se vai tornar absolutamente impraticável nesta matéria? Nem que o ensino se vai degradar ainda mais?
Será isto uma política da Educação? Será assim que a cooperação com os outros países de língua portuguesa vai ser mais eficaz, no tocante ao ensino e promoção da língua comum?Não há um deputado à Assembleia da República para interpelar o Governo, uma associação de pais para protestar com energia, uma associação de professores para se recusar teminantemente a pôr em prática esta pepineira?
Assim como a sublimação implica a passagem do estado sólido ao estado gasoso, sem passar pelo intermédio, temos agora este trânsito da ignorância geral à embrulhada específica, sem se passar pelo estado intermédio e necessário de um ensino razoável e sensato.
Por alguma razão a palavra "gás" deriva de kaos. Esse será o resultado deprimente do ensino gasoso que a TLEBS nos prepara.
Publicado por josé 15:48:00 4 comentários Links para este post
uns brincalhões, estes espanhóis...
Publicado por Manuel 14:03:00 2 comentários Links para este post
Plagiarius
A propósito de plágios, fica aqui um caso concreto, com alguns anos e apresentado por Pierre Assouline, na revista Lire, de Janeiro de 1992, dirigida então por Bernard Pivot.
A polémica recente com o livro Equador, de Miguel Sousa Tavares, que terá motivado já uma queixa crime contra o autor de um blog anónimo, por ofensa à honra do autor do livro, incita a que se estude um pouco mais a noção de plágio na nossa ordem jurídica e principalmente a noção de plágio em concreto e com o significado que deverá ter na ordem social, na ética de costumes.
Se bem que nem tudo que se copia em obras literárias, possa ser considerado plágio, o assunto está longe de esgotar a atenção nos media e tem passado, mesmo em blogs que lhe dedicam atenção, como se fosse um fait-divers entre um blogger anónimo, apontado como caluniador e cobardolas e um autor respeitado e por isso mesmo insusceptível de malfeitorias aos direitos de autor e à consideração geral de quem lê e compra livros.
Parece no entanto, que a posição correcta neste alinhamento de atitudes, seria talvez a de verificar em primeiro lugar se há razões concretas, entre as que foram apresentadas, para se considerar a existência de cópia,mesmo parcial ou fragmentada. E depois disso, saber se a cópia pode constituir plágio literário.
Para essa discussão que não se faz, por razões que me escapam, dou dois contributos.
Citando dois blogs.
O de Frederico Duarte de Carvalho, para mim tanto faz. onde se publica a imagem da revista Focus, em que se transcrevem parágrafos das duas obras - a do autor e a do livro de Diminique Lapierre e Larry Collins, Cette nuit la liberté, de 1975, publicado em Portugal, pela Ática, em 1976- e que permitem a comparação.
E o deste escriba- Portadaloja- onde se explora um pouco mais o assunto, com grandes plágios à mistura.
Publicado por josé 01:33:00 4 comentários Links para este post
Janie's Got A Gun (Aerosmith, versão Pink)
quarta-feira, novembro 01, 2006
Agenda do Procurador Geral da República
Dia 03
11:15 - Reunião em Plenário do Conselho Superior do Ministério Público
- Nomeação do Vice-Procurador-Geral da República
- Composição da Secção Disciplinar do CSMP - Artº 29º Nº3 do EMP
- Questões relativas à gestão interna do M.P.
Publicado por Carlos 16:48:00 0 comentários Links para este post
Novidades no Direito de Pernada

A saga continua. Quatro novos episódios da série "O Sexo e os Tribunais", no canal por cabo da Grande Loja, o Direito de Pernada.
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