Uma morte anunciada …

Primeiro foi a Moderna, depois a Portucalense, agora é a Independente que está com problemas. Muitas outras, ou mesmo todas, irão pelo mesmo caminho. Causas possíveis para tudo isto...

  • O Estado que em finais dos anos 80, incapaz de responder com oferta à procura de ensino superior estatal, permitiu, como resposta, a proliferação do ensino particular e cooperativo, alterou mais tarde as regras do financiamento do público, levando a que este aumentasse a sua oferta de cursos, sendo assim um concorrente (desleal) do privado;
  • As próprias universidades que, ao longo destes anos não se souberam preparar e crescer cientificamente, sendo mais apologistas da chapa ganha, chapa gasta ou distribuída, não investindo em cursos e modelos de ensino virados para a investigação e para a integração no mercado de trabalho dos seus estudantes, por via da qualificação dos próprios e dos seus docentes;
  • O facto de muitas delas – as cooperativas – beneficiarem da isenção fiscal em IRC nos seus rendimentos, o que não estimula o interesse por parte da administração fiscal na apreciação daquelas contas, juntamente com a impreparação do Ministério da Educação para apreciar actos de gestão. Logo …
  • A quebra demográfica na população que também se reflecte na procura de ensino superior;
  • Os sucessivos governos que foram incapazes de definir uma política para o sector que tivesse em conta todas as variáveis e de actuar como um verdadeiro regulador e fiscalizador da qualidade deste mercado, com claro prejuízo para o País.
Com tempo, voltarei a este assunto...

Publicado por contra-baixo 4:42:00 PM  

7 Comments:

  1. AV said...
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    AV said...
    Mas estas Universidades foram tão úteis para colocar gente amiga quando não estavam disponíveis cargos de assessoria ou outras mercês...
    António Balbino Caldeira said...
    Agora, com o "aluno" Sócrates como primeiro ministro a crise será resolvida.
    boavida said...
    Sempre fomos geniais nestas coisas!
    Andamos dez anos a olhar para o umbigo sem nos apercebermos de que iamos ficar sem médicos a médio prazo e, em contrapartida, criamos cursos inúteis e universidades sem vocação sem repararmos que nos iam faltar alunos!
    Anonymous said...
    Não pode haver mais universidades de medicina ou mais lugares porque a ordem dos médicos não deixa.
    Narcisista said...
    Um pouco de tudo suponho, embora sinceramente a competição com o Público só muito recentemente e devido mais ao inverno demográfico que outra coisa
    Fernando Martins said...
    Já agora, outra razão:
    - a inqualificável concorrência dos Politécnicos às Privadas;
    Um exemplo do anterior: em Leiria havia duas privadas - a Católica, que está a desistir e a ir-se embora, e o ISLA de Leiria; esta última instituição, sempre que descobria uma licenciatura que tinha procura na região (após o processo burocrático de lançamento do mesmo curso, que por vezes demorava mais de 5 anos...) era confrontada por um curso igual ou similar do Instituto Politécnico de Leiria, lançado em poucos meses e às vezes com os curriculla incompletos...
    Será esta política de terra queimada interessa a alguém...?

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