pontos nos ís
Monday, December 01, 2003
Bastaria consultar os nossos arquivos, que ao contrário dos de outros, estão integralmente acessíveis, para se constatar que, apesar de agora termos sido promovidos a "desmesurados defensores" de Manuela Ferreira Leite, desde há muito que criticamos a orientação política deste Governo.
No entanto, somos suficientemente honestos intelectualmente para reconhecer um facto incontornável : MFL não é primeiro-ministro e se nós no lugar dela jamais aceitariamos, e no contexto em que lhe é oferecida, a pasta das finanças, no mínimo reconhecemos-lhe o esforço e o voluntarismo, mesmo quando isso quase que a reduz a uma mera contabilista.
Nenhum dos pecados que CAA imputa a Ferreira Leite pode ser única e exclusivamente, em bom rigor, imputado a esta, antes resultam de factores externos derivados da orientação política global deste Governo, sendo que CAA parece ignorar que se a situação económica do Estado não é famosa já a do sector privado está objectivamente a melhorar. CAA poderia conceder que o fim, ainda que abrupto, da chupeta do Estado só pode fazer bem ao sector privado mas enfim...
Mas o que é realmente grave é sistematicamente discutir-se o acessório e fugir-se ao essencial.
Concorda CAA, e a ND, com uma reforma administrativa e territorial, a sério, que acabe com o mito do municipalismo ? Concordam com uma reforma do sistema político que não passe por bandeiras mirabolantes mas que passe por coisas óbvias como limitar os mandatos presidenciais a um só (7 anos por exemplo) e por fórmulas que permitam uma real interação entre eleitores e eleitos ? Concordam com reformas que permitam, à inglesa, aos meta-minícipios/regiões/àreas metropolitanas/whatever cobrar impostos directamente, sem prejuizo do príncipio da subsidariedade, de modo a que o contribuinte saiba exactamente o que paga, a quem e para quê, e constate in loco da boa ou má aplicação dos fundos ?
Isto é debate, e reformas, a sério, o resto é puro folclore.
Publicado por Manuel 10:38:00 PM