Gays, homosexuais e outras coisas mais
sexta-feira, outubro 10, 2008
"Gays", homosexuais, casamentos, notícias nos jornais com um Público dedicando páginas e páginas ao assunto, debates da tv ( está a decorrer na Sic-Notícias, agora mesmo, um), etc.etc.
Na mesma Sic-Notícias, há meia hora, passou uma reportagem de Pedro Coelho, entrevistando, Dina Matos, uma portuguesa que vive nos EUA, em New Jersey e foi casada três anos e meio com Jim McGreevey, governador, em 2004, do Estado de New Jersey. Hoje, poderia ter sido senador e pelo menos teria sido candidato à presidência. Só não foi por um triz e a história tem piada.
A que propósito a reportagem, com Dina Matos? O facto de ter descoberto, em 2004 que o marido era...gay, homosexual. Como?
Contou Dina Matos que até ao último momento, da declaração em que o mesmo assumiu publicamente, num discurso televisionado e tudo, tendo a mulher a seu lado, não sabia e que o marido sempre lhe escondera a sua condição homosexual. E não suspeitava dessa homosexualidade, segundo afirmou.
A uma observação, sobre a propalada coragem do marido, em assumir a sua condição pessoal de verdade, esclareceu que Mcgreavey foi nada corajoso. Teve que assumir e divulgar publicamente, porque a tal foi obrigado.
E porquê? Dina Matos não esclareceu, para além de comentar que o marido foi um grande actor, a mercer um Óscar, mas a Wikipedia dá a resposta:
Porque McGreevey, era alvo de chantagem de um amante israelita que escolhera para um cargo público de importância e ligado à defesa.
Quem ler a história de McGreevey, no referido artigo, fica espantado, de algum modo.
Casado duas vezes, com duas filhas , uma de cada, já tinha sido alvo de rumores, boatos, veiculados de modo subtil, por um jornal local. Os jornalistas repararam, logo em 2002, ( Mcgreevey estava casado desde 2000) que o governador viajava frequentemente acompanhado por um "poeta", "marinheiro", israelita que o mesmo tinha conhecido em Israel e trouxera por ser um perito em segurança. Os rumores sobre a homosexualidade, eram conversa de redacção e alguns media, enviaram a Israel repórteres para investigar os antecedentes do tal poeta e marinheiro.
Que tem isto a ver com as notícias do dia?
Humm...em Portugal, quantas figuras públicas vivem dentro de um armário bem fechado pelo medo de uma revelação de opção sexual, menos clássica, digamos assim?
Não seria útil perceber quem assim leva uma vida dupla, de aparências sem coerência com o ser íntimo?
É escusado dizer que, neste aspecto, aprecio pessoas assim. Que se mostram e não escondem que gostam de pessoas do mesmo género, em contraponto à generalidade que prefere as do género oposto.
Há uns anos, em Matosinhos, numa sessão pública, fiquei admirado em saber que o escritor Zimmler, vivia normalmente com um cientista que aí apresentava uma intervenção em conferência, Quintanilha. Não sabia e fiquei bem impressionado com isso. Pela honestidade e franqueza da situação.
Há menos anos ainda, em conversa com pessoa que sabia, perguntei pelo destino de um deputado aguerrido, do PSD e que fazia as delícias, dos presentes, nos anos noventa, com a sua verve de grande espírito e oportunidade interventiva.
Contaram-me então que o indivíduo, já cinquentão, se tinha apaixonado por...um rapaz e deixara a vida política. Pena para a vida política, pensei, depois de me passar a estupefacção da revelação. Mas ninguém mais falou nisso e a AR ficou sem um arguente de grande capacidade retórica.
Assim, quantos seriam capazes de assumir a opção de McGreevey, sem chantagem ou a daqueles dois escritores que citei, por serem assim mesmo, sem máscaras?
Diz-se que em Portugal, o lobby gay, ou seja, o grupo de pessoas que assume uma sexualidade diferenciada da dos demais que escolhem parceiros e cônjuges do sexo oposto, se organiza em grupo de afinidades electivas e tem muito peso no aparelho do Estado.
Que se cooptam entre si, para cargos. Dizem. Dizem que na AR isso é mato, vulgar e conhecido. Se tal corresponder a uma verdade, é preciso saber até que ponto isso é assim.
Porque se assim for, é notório que a constituição de grupos de poder, integra critérios que não são os comuns e conhecidos por todos: competência e adequação profissional ao lugar.
Mais ainda: o caso Casa Pia, deverá de algum modo, ser visto a esta luz, a da homosexualidade escondida em relação a um desvio perverso da mesma, para a pedofilia?
Acrescento apócrifo, após ler alguns comentários que revelam um equívoco.
Não pretendo de modo algum associar a homosexualidade à prática da pedofilia, necessariamente. Seria estúpido e insensato. Como também o será se a separarmos sempre e em todas as circunstâncias.
A pedofilia implica a prática de relacionamento sexual com crianças. Mas com crianças pequenas. Não com pré-adolescentes porque é a própria legislação que o prevê e isso foi sempre um fenómeno de todas as épocas. Refiro-me à pederastia. Desde a antiga Grécia que assim é. Filmes, livros e outras referências, dão conta disso, segundo julgo.
Portanto, separe-se o que nunca se juntou: homosexualidade, pederastia e pedofilia pura, como perversão nociva e lesiva de qualquer moral que se possa imaginar.
Isso infere-se do que fica acima escrito, sobre aqueles que assumindo a sua condição natural de homosexuais, não a escondem por trás de um casamento fictício e de aparência, como foi de algum modo o caso de McGreevey, embora a situação deste, nem seja assim tão simples. Simples será porém, a circunstância de o mesmo se sentir atraído por pessoas do mesmo sexo e ter enganado a mulher por isso.
Ainda assim, o que pretendo dizer sobre o caso Casa Pia e tudo o que o envolveu, designadamente a defesa a outrance dos seus actores conhecidos, na política e não só, é que isso pode ter a ver com uma certa solidariedade de homosexuais, através de apoio permanente de um certo grupo que nunca se enganou nem teve qualquer dúvida sobre a condição dos indicados suspeitos. Uma solidariedade de pederastas também e que se distingue dos verdadeiros pedófilos que apenas se concentram em crianças.
E note-se, para ficar ainda melhor demarcado que não associo a homosexualidade todos os suspeitos ou todos os envolvidos, mas apenas aqueles que de algum modo a admitiram ( um ou dois, afinal). Que fique bem claro.
O exemplo, com McGreevey, no sentido de ocultação, pode ser flagrante na medida em que tal situação, pode ser escondida durante anos, não levantar suspeitas nem sequer aos próximos e isso, afinal, nem ser crime algum...
E é assim que surgem as cabalas, urdiduras e outras solturas.
De qualquer modo, esta distinção que nem sequer tem como alvo os suspeitos conhecidos, já foi feita por outros e só a chamo aqui à colação, para mencionar o fenómeno de todos aqueles que não seguem a norma geral que é a heterosexualidade.
Por muito que se queira transformar a excepção em regra, a verdade é que estatisticamente, de modo empírico ou até mesmo científico ( dentro das fronteiras em que tal é possível), so homosexuais, são uma minoria relativamente aos heterosexuais.
Felizmente, digo eu, porque se assim não fosse estaríamos em risco de sobrevivência da espécie humana. Ou alguém negará isso?
É um assunto que vejo pouco debatido. Os jornalistas não abordam a questão por esses lados mais obscuros dos nossos preconceitos, mas escrevem abertamente em 10 páginas do Público sobre os casamentos gay. Fantástico!
A propósito do caso Casa Pia:
Ferro Rodrigues, acaba de ver arquivado o processo crime em que se queixava contra quem o acusava de práticas sexuais, menos ortodoxas. O processo crime foi arquivado por decisão de juiz de instrução criminal. O Sol, escreve assim, sobre o assunto:
Aliás, o juiz do TIC afirma mesmo que «não se verificaram indícios de ter o arguido faltado à verdade», motivo que levou o Ministério Público a arquivar a queixa de «falsidade de testemunho» e a decidir não acompanhar a acusação particular movida por Ferro Rodrigues.
«Face ao exposto, não podem restar dúvidas quanto à ausência de responsabilidade criminal do arguido», pode ler-se na decisão instrutória.
No despacho, o magistrado do TIC deixa ainda um recado a Ferro Rodrigues, ao sublinhar que este é «mais um dos casos que enchem os nossos tribunais naquilo que não é mais do que um modo de compensar meros desagrados, incómodos e querelas pessoais!».
Recorde-se que os processos de difamação movidos por Paulo Pedroso e Jaime Gama contra testemunhas do caso ‘Casa Pia’ foram igualmente arquivados
Publicado por josé 23:29:00 38 comentários Links para este post
Mais um fim de semana.
Publicado por Carlos 16:45:00 2 comentários Links para este post
Estrela Serrano
quinta-feira, outubro 09, 2008
Por causa da deliberação da ERC, a que o Expresso deu espavento, dei por mim a focar a crítica na senhora conselheira, em modo metonímico e em sinédoques escusadas, mas de efeito sarcasticamente sonoro.
Sobre a ERC, só posso dizer que está quase tudo dito. Sobre Estrela Serrano, não.
A entrevista à Sábado, revela-me uma pessoa razoável, distensa na análise das críticas, tolerante e de fair-play que devo reconhecer como notável e que conquista simpatia. É o que resulta da entrevista e do mesmo modo que ajuizei pelas aparências, em preconceito, faço-o agora, com base na realidade de uma única entrevista, pela aparência da mesma.
A partir daqui, nem o facto de ser do PS, de um PS profundo e irreformável, do incrível ISCTE , sem conserto, e de uma ERC sem remissão, me permite desfazer na imagem da conselheira-vogal da ERC. Antes, antipatizava com a senhora. A partir desta entrevista, rodei o juízo de valor, pessoal, para o lado oposto. Damn it!
A entrevista que li na Sábado e que transcrevo por imagem, ( clicando lê-se) revela uma pessoa inesperada, para mim.
Sobre os blogs que a trataram abaixo de cadela, como no caso do Blasfémias, na sua caixa de comentários, diz apenas isto: "Sou uma grande defensora da blogosfera porque acho que significa um alargamento do espaço público".
Mesmo descontando a parte em que desvaloriza a parte da blogosfera que é "terra de ninguém, do anonimato e do insulto", sobra a valorização de um todo, que contrasta com a generalização de um António Costa e de um Pacheco Pereira.
Mesmo que a referência à "terra de ninguém", contradiga o dito final sobre nós sermos "descendentes de Ramalho e Eça", por inconsequência lógica, para sustentar os epítetos com que brindou Eduardo Cintra Torres, em declinações como "coitado", "cobarde" e "ignorante", coisa que nunca por aqui se disse da conselheira, a verdade é que o resto da entrevista suplanta essa contradição ( e não estou a gozar). Essa contradição, justifica, no entanto, tudo o que sobre a mesma se disse nos blogs. E sem que seja possível mandá-los para a sarjeta...
Estrela Serrano diz que vai continuar a responder a blogues sempre que tal se jusiificar para repor a verdade e desvaloriza os que pensam que uma vogal da ERC não o deveria fazer, por tal significar uma descida ao bas-fond e ao submundo.
Colocada perante uma reação individual de um blogger - maradona de um blog intitulado a causafoimodificada- que a teria insultado de modo soez ( não se consegue aceder ao blog para confirmar, mas quanto ao blogger em questão...acho que a idiossincrasia desculpa o exagero), Estrela Serrano apenas diz: "Não, esse tipo de comentários interessam pouco. Só me incomodam se apontarem algum erro que tenha feito".
Tem razão, Estrela Serrano. E isso revela um fair-play que gostaria de ver noutros lados de poder.
E assim, tenho que pedir desculpa, se ofendi pessoalmente, embora aquela coisa sobre o Ramalho e o Eça, me conforte na atitude.
A atitude que a mesma mostra na entrevista, é a contrária à que estaria à espera. Onde esperava sisudez, vejo descontracção. Onde esperava estupidez, leio inteligência. Onde descortinava gravitas de função, reparo numa leveza que só posso apoiar e aplaudir, mesmo que desvalorize o cargo.
Aqui fica a entrevista, na parte que interessa e em modo de bofetada de luva branca. Boa malha, para os entrevistadores.


Publicado por josé 20:53:00 29 comentários Links para este post
A caminho de 4 de Novembro (XLIII): quando a Sarah era apresentadora
Em novo capítulo da nossa embirração contra a inenarrável Sarah Palin, aqui vai mais uma pérola do passado da «vice» de McCain. Foi nos anos 80, quando assinava Sarah Heath e era uma jovem apresentadora da secções de desporto de um canal televisivo do Alasca...
Publicado por André 16:29:00 2 comentários Links para este post
A caminho de 4 de Novembro (XLII): Michelle, o lado racional dos Obama
Pragmática, realista, sem lançar foguetes antes da festa (apesar das sondagens cada vez mais animadoras para o ticket democrata), Michelle concedeu uma belíssima entrevista no «Larry King Live».
Que grande Primeira Dama ela poderá dar... (bem mais culta do que Laura Bush, bem menos polémica e divisiva do que Hillary Clinton).
Muito se tem dissertado sobre o poder transformador de se eleger um negro à Presidência, mas tomem nota: Michelle tem perfil para vir a ser uma Primeira Dama consensual e muito respeitada por um leque enorme de americanos. E isso, por si só, será quase tão histórico. Quem imaginava uma Primeira Dama negra há poucos anos?
Publicado por André 01:03:00 1 comentários Links para este post
A caminho de 4 de Novembro (XLI): 2-0 para Obama
quarta-feira, outubro 08, 2008
Barack Obama venceu o debate desta madrugada, realizado em Nashville, Tennessee. O segundo duelo entre os nomeados à Casa Branca foi moderado pelo jornalista Tom Brokaw, da NBC e contou com um formato de town hall – os candidatos responderam às perguntas de eleitores indecisos que se encontravam na plateia, bem como de eleitores que enviaram questões via internet.
Depois de, no primeiro debate, Obama ter obtido uma pequena vitória, desta vez o triunfo do candidato democrata foi claro: de acordo com uma pesquisa CNN/Opinion Research Corporation, 54% dos inquiridos deram a vitória a Obama, contra apenas 30% que acharam que foi McCain o vencedor.
Na CBS Poll, que ouviu um leque de eleitores indecisos, 40% gostaram mais de Obama, 26% de McCain e 30% apontaram um empate.
Um focus group de 25 eleitores indecisos do estado mais indeciso, o Ohio, também deu vantagem ao democrata. Esse grupo era composto por 10 republicanos registados; 9 democratas registados e 6 independentes registados. No final do debate, Obama obteve a preferência de 12 eleitores, McCain de 10 e os restantes 3 falaram em empate.
Tudo somado, o «ticket» democrata mantém o pleno dos debates já realizados: Obama venceu os dois duelos com McCain, Joe Biden ganhou o debate dos «vices», frente a Sarah Palin.
Falta, ainda, um terceiro debate entre Obama e McCain, marcado para a próxima quarta-feira, em Hampstead, Nova Iorque. Tradicionalmente, o primeiro debate é o mais visto e, por isso, o que conta mais.
A ideia forte a lançar do debate de ontem é a de que McCain terá perdido uma das últimas oportunidades para virar a corrida a seu favor. Com um atraso nas sondagens que oscila entre os 3 e os 12 pontos e, mais relevante ainda, com uma desvantagem nos estados decisivos que começa a ser muito significativa, o senador do Arizona necessitava de um «gamechanger». Mas a verdade é que não o conseguiu.
Obama voltou a mostrar-se muito seguro em debates. Com o vento a seu favor, insistiu na questão da crise financeira e marcou pontos na aposta num «plano de salvação à classe média».
McCain reforçou o tom agressivo já mostrado no primeiro debate. Acusou Obama de «não saber lidar com as ameaças aos EUA» e chegou a mesmo a mostrar desdém pela forma como Barack «anunciou alto e bom som o que iria fazer com o Paquistão».
Obama ripostou de pronto, lembrando que «foi McCain quem cantou em público 'bomb, bomb Iran...'»
A avaliar pelas primeiras sondagens, o registo de McCain não agradou aos eleitores. O tom elegante de Barack voltou a favorecê-lo – tem a ver com o seu estilo e tem, também, a ver com o facto de estar à frente e poder, assim, minimizar danos, arriscando o mínimo possível.
Se quiser ver o debate desta madrugada, clique em baixo (o link YouTube tem 1 hora e 33 minutos)
Publicado por André 15:29:00 0 comentários Links para este post
A dor crónica de Rui Rangel
À semelhança de outros, ataca indiscriminadamente os "blogueiros anónimos", com esta crónica fria, onde chama "gente rasteira" a quem "só tem arte para discutir pessoas e não ideias". São os tais do "submundo da blogosfera".
Os quais, porém, não páram de aumentar, como cogumelos na humidade e que já vicejam, até no grupo dos blogueiros com nome, alguns apaniguados do cronista, em caixas de comentários e afins, incluindo os jornais e media em geral.
Uma praga, portanto e que os denunciadores dos "blogueiros anonimos", não perderão tempo em tentar meter na ordem, para restauração plena do respeitinho. Como havia dantes.
Esta praga é ainda uma desgraça para os cronistas de nome posto que já não sabem o que fazer à vida sossegada das croniquetas de jornal, por convite pessoalizado na relevância mediática, obtida de modo casual .
Fora desse terrível bas-fond, onde vegetam os piores boateiros, principalmente aqueles que têm a lata de lhes atirar com certas verdades, à fronha dos artigos de opinião, comentando-os sem cerimónia de maior e confrontando-a com um contraditório a que nunca estiveram habituados.
E assim, em vez de responderem no local próprio, servem-se novamente do palanque da crónica para zurzir a cobardia dos anónimos do submundo da blogosfera.
Esta classificação distintiva, no entanto, não deve abranger de todo em todo o blogueiro anónimo, juiz ainda por cima, para desgosto profundo do "juiz desembargador", e que lhe apontou as asneiras jurídicas que escreveu na croniqueta da semana passada. E que por tal, o cronista entende hipoteticamente alguém dever denunciar ao CSM, indicando o caminho certo do respeitinho. Um desaforo, portanto.
Como se pode ler aqui, no lugar certo no blog InVerbis, lugar dos tais "blogueiros anónimos", nenhum deles ousou ofendê-lo, para além de lamentarem o escrito e a excessiva exposição mediática, em tons de protagonismo, de um juiz, desembargador ainda por cima e com responsabilidades especiais por isso mesmo, uma vez que assim assina o escrito. Portanto, críticas leves, mas contundentes quanto às ideias e à atitude pública de uma pessoa que se assume na escrita como juiz.
E num comentário certeiro, de um comentador Manitu, juiz suposto, uma crítica objectiva às tais ideias, erradas ainda por cima, como lhe foi apontado sem grande escapatória.
Terá sido esta a razão principal, para a destilação de insultos aos anónimos, na crónica de hoje?
Não sei.
Leia-se a crónica:
Neste mundo global, ninguém questiona as virtualidades e as vantagens dos blogues, enquanto ferramenta multifuncional que promove uma nova forma de comunicação, uma forma de expressão completamente livre. De facto, quando o blogue é usado correctamente constitui um importante instrumento de debate público, de debate pertinente e sério, prestando um bom serviço ao exercício da Democracia.Mas o blogue que permite que a grande maioria dos bloguistas se refugie no anonimato não é sério, nem presta um relevante serviço à sociedade. Bem sei que o anonimato foi uma conquista para fugir à opinião massiva, para poder discordar sem ser identificado, evitando ser colocado à margem do grupo. Mas também sei que esta característica específica dos blogues, assente no anonimato, tem servido para proteger gente cobarde e mesquinha, que se refugia nesta forma de comunicar para vinganças pessoais, para ofender a honra e o bom-nome das pessoas que dão a cara e que não têm medo de pôr a assinatura em tudo o que fazem. Esta gente rasteira que se esconde por detrás do biombo do anonimato só tem arte e engenho pa-ra discutir pessoas e não ideias e princípios. A espiral de silêncio de que nos fala a socióloga Noelle Neumann é a fronteira que distingue a qualidade e a honestidade intelectual entre os blogues.
O blogueiro anónimo é, infelizmente, também juiz. Também este, que é o rosto visível da Justiça, de uma Justiça que se quer de cara destapada e transparente, se refugia nesta forma desprezível de comunicar, torpedeando o que lê, caluniando, sem qualquer respeito e tolerância. Talvez o Conselho Superior da Magistratura devesse estar atento a alguns blogues que acompanham as questões da Justiça e que em nada dignificam o Poder Judicial.
As ofensas anónimas estão nos antípodas da crítica construtiva, proporcional e adequada. É bom que o juiz anónimo saiba que o blogue não foge às regras do ordenamento jurídico português nem aos limites do exercício de liberdade, de manifestação e de pensamento. E é bom também que saiba que o titular do blogue é responsável, civil e criminalmente, pelos comentários injuriosos. Para cada direito criado há limites.
Quem se esconde na caverna do silêncio e da penumbra, para ter o momento de glória quando escreve sem se identificar, demonstra fraca personalidade e não tem o mínimo de respeito e de amor pelos direitos de personalidade.
Rui Rangel, Juiz Desembargador
Publicado por josé 14:17:00 4 comentários Links para este post
Subliminar
Daqui, passando por aqui, chega-se aqui. Vale a pena transcrever e comentar:
A ERC tinha divulgado hoje no site uma carta enviada pelo primeiro-ministro, na qual este acusa o director do PÚBLICO de faltar à verdade “de forma especialmente covarde”. E acusa-o de “deixar a pairar uma suspeita indefinida” sobre a eventual existência de pressões. Em causa está a divulgação da audição de José Manuel Fernandes à ERC, sobre uma conversa telefónica com o primeiro-ministro. “(O primeiro-ministro) fez uma referência subtil ao facto de ter estabelecido uma boa relação com o eng. Paulo de Azevedo durante a OPA, o que queria dizer: fiquei com uma boa relação com o seu accionista e vamos ver se isso não se altera”, cita o documento originalmente divulgado pela ERC. “É uma interpretação subliminar dizer que sempre existiu uma boa relação com o accionista (e admitir que ela poderia ser posta em causa?)”, refere também, como fazendo parte da mesma resposta.
Já a versão definitiva, só hoje divulgada no site, é diferente: “O PM fez então uma referência ao facto de ter estabelecido uma boa relação com o eng. Paulo de Azevedo durante o período que durou a OPA, o que me levou a reflectir sobre o sentido daquela referência e se nela havia alguma mensagem, pois não me pareceu vir a propósito”. Questionado sobre se iria reagir em tribunal contra a carta do primeiro-ministro, José Manuel Fernandes disse que não. Já o presidente da ERC indicou que “em relação à carta, o primeiro ministro é que terá de considerar se se justifica ou não um novo esclarecimento da sua parte”.
Das duas, uma: ou o primeiro-ministro, mentiu; ou foi o director do Público a fazê-lo. As diferenças subtis nas declarações do director do Público à ERC, não são significativas, para o caso.
Significativo é o silêncio pessoal do director do Público, sobre este assunto.
Aceitam-se apostas.
ADITAMENTO, em 8.10.08, às 23h20
Aqui fica o editorial de José Manuel Fernandes no Público de hoje, sobre o assunto ERC e que o mesmo considera um "tema triste". E triste porquê?
Por uma razão aparente e outras ocultas, no meu entender.
A aparente, tem a ver com a adulteração , eventualmente involuntária, da resposta que o mesmo deu, aquando do seu depoimento na ERC, como melhor explica o próprio ( basta clicar para ler).
Por outro lado, percebe-se do escrito de JMF que afinal José Sócrates, disse quase aquilo que lhe foi atribuido. Essencialmente, com esse significado inequívoco, que lhe foi atribuído: " vê lá se te portas bem, porque eu dou-me bem com o teu accionista e pode ser que isso venha a mudar..."
JMF, entendia e volta a entender que José Sócrates o tentou pressionar de modo inadmissível e intolerável, para um indivíduo que exerce como primeiro-ministro.
Este, aproveitou o lapso manifesto, na transcrição do depoimento, para sair em defesa de uma honra putativa: " eu não disse isso!" E ainda atribuindo ao director do Público intuitos mentirosos, falsos e cavilosos. A defesa do costume que já cansa.
O melhor exemplo desta história, reside num pormenor, contado por JMF e confirmado por José Sócrates, como primeiro-ministro: este, afirma que JMF lhe solicitou um encontro de almoço que o mesmo veio a recusar. Aquele, devolve-lhe a intenção do almoço, atribuindo-a aos seus assessores, com grande afã inicial e afinal negada, numa oportunidade perdida. Posterior à publicação do primeiro artigo sobre o percurso académico, a vários títulos notável, do primeiro-ministro.
É bom de ver que este primeiro-ministro, tratou deste assunto, de um modo habitual e que se lhe vai conhecendo: com uma lisura acima de qualquer suspeita.
JMF já veio comparar com o caso Watergate e o Washington Post. Cá tem mais um episódio comparativo. Nixon a diligenciar por um almoço, com Ben Bradlee. E este a desligar o telefone e a dar carta branca a Bob Woodward...
Tem mesmo sentido, a comparação?
A atitude deste PM, neste como noutros assuntos, lembra-me a de um animal feroz e sinuoso no percurso de ataque. Uma atitude boa. Constrictor.
E JMF dá conta disso. Agora. É pena que não tenha dado antes, logo na altura.
Publicado por josé 00:07:00 3 comentários Links para este post
Paulo P
terça-feira, outubro 07, 2008
Paulo Pedroso, daqui para a frente, Paulo P., accionou criminalmente o autor do blog Do Portugal Profundo, imputando-lhe a prática de uma caterva de crimes de difamação, por causa de escritos no blog, a propósito dos desenvolvimentos processuais, no caso Casa Pia.
Já tinha, aliás, accionado criminalmente este blog, mas as coisas sairam-lhe mal, por causas que a si mesmo deve imputar.
Escritos, como disse o autor, em contestação e declaração de aceitação de desistência, que se limitaram a comentar notícias publicadas.
O julgamento, ao fim de algumas sessões, e após arrolamento para a acusação, de uma série de testemunhas notáveis, de um partido político, findou, por desistência de queixa de Paulo P. e consequente aceitação da mesma, pelo autor do blog, formalmente obrigatória em processo penal.
Em jeito de justificação da desistência de queixa, de sua iniciativa, que se supõe sempre livre, após o arrolamento dos notáveis e a iminência da sua audição pública, sobre o assunto Casa Pia, Paulo P. escreveu num seu blog, no submundo da blogosfera, algo que merece resposta porque vem do bas-fond.
Insulta o autor do blog Do Portugal Profundo, chamando-lhe directamente mitómano e irresponsável.
E para sustentar a mitomania, aponta-lhe a condição de marioneta.
É este indivíduo que regressado à política, apoiado num grupelho mais vasto, que o acha imprescindível, após uma aberta provisória, se destina a si mesmo, um futuro na política portuguesa.
Não satisfeito com o adereço pessoalizado, endereça a este blog, uns mimos de costume urdido no processo intencional mais soez e um espelho daquilo de que se queixa.
Afinal, os escritos do autor Do Portugal Profundo, sobre o assunto, não provieram da sua lavra directa, do seu empenho na causa que tem defendido, da sua pessoa publicamente exposta e despudoradamente perseguida, criminalmente, por exprimir o que entende seu dever.
Não. Para Paulo P. , provém apenas do incitamento, cobarde, dos anónimos deste blog e doutros lados, que acometem aquele e o manipulam, “mexendo os cordelinhos” da insídia que o consome .
Para mitomania, não está nada mal. Como processo intencional, sobra ainda a vertente da urdidura, única resposta que Paulo P. e amigos, apresentam para os problemas lógicos das imputações repetidas e sem retractação.
Que não haja dúvidas, de Paulo P. ou de quem quer que seja, sobre uma coisa bem simples: se algum dia, um só dos acusadores conhecidos, se retractar publicamente e explicar que se enganou, se deixou manipular ou apresentar outra explicação plausível para uma ignomínia, nesse caso inominável, trarei aqui à colação o exemplo de Outreau.
Não preciso de pedir desculpa, porque não imputei a Paulo P. ( ao contrário do mesmo, nesse escrito) qualquer crime. Apenas dei conta do que se passava publicamente com o processo. E analisei juridicamente como sabia e podia.
Até lá, continuarei a defender que Paulo P. e outros na sua situação, deveriam afastar-se do exercício de cargos políticos de relevo,incluindo o de deputado.
É uma opinião que já expliquei várias vezes e para isso nada adiantam os insultos ou ameaças veladas de Paulo P. ou dos seus amigos bem colocados.
Quanto ao anonimato, apontado como exercício vicioso, é simples a resposta a Paulo P. e aos que o apoiam: anónimos, há muitos. Até amigos do sr. Paulo que escrevem em blogs a defender a sua causa que é verdadeiramente corporativa e de grupo restrito. E que têm neste momento, todo o poder executivo. E que estão dispostos a exercê-lo com revindicta. Fizeram-no já com diversas leis penais, como já foi denunciado por outros.
Quanto à cobardia, estou farto de escrever o mail pessoal, desafiando quem quiser a apresentar as suas queixas e razões. Logo, desafiando, mais uma vez, Paulo P. ou seja quem for, a escrever ou a comentar nos postais. Nesta loja, também há endereço de mail.
Portanto, sobre mitomanias, cobardias e outras aleivosias, estamos conversados.
ADITAMENTO, em 12.10.08:
Após uma breve visita a um certo submundo da blogosfera, reparei que o Paulo P. aqui referido, no seu lugar recolhido, persiste na senda da aleivosia e do insulto barato, pessoalizando agora no josé que isto escreve, apodando-o de cobarde e, principalmente, realçando a "gravidade" do que tenho escrito aqui e que putativamente assume como lhe dizendo respeito, com o desafio à assunção de responsabilidades, através da colocação de nome reconhecido.
É escusado bater nessa tecla, porque não tenho duas caras. Já disse que aqui, assumo assim o que escrevo. E não adianta desafiar para mais. Se quiser outra forma de confronto, não fugirei, desde que justificada.
Para além disso, o desafio em modo de bravata, responde-se da mesma maneira. Já desafiei outros, pelo que o Paulo P. é mais um: aponte exactamente quais são essas gravidades, em concreto e com precisão. Aponte, nos comentários e na caixa de mail. Ou no seu lugar de recolhimento no tal submundo que o seu correligionário enquadrou.
Não se faça de ignorante , para esconder defeitos que aponta a outros.
Responda no lugar certo, apenas e que é aqui ou aí.
Diga onde resulta, dos escritos, a responsabilidade objectivável. Não a que gostaria de objectivar, para perseguir por gosto de o fazer, com os apoios de que dispõe, mas a que resulta dos escritos concretos. Não a que resulta apenas, do seu desgosto de ler aqui quem não aceita as suas razões para regressar à política e para se defender como defende.
Escuso de me repetir: não lhe imputo como nunca lhe imputei algum crime, ao contrario do que muitos terão feito por esse submundo fora.
Apenas lhe digo que as suas razões não convencem, para lhe permitir ocupar o lugar que ocupa. E tenho o direito de lho dizer, sem que se sinta ofendido, porque quem ocupa um lugar electivo, público, tem o dever de ouvir estas críticas, sem as julgar ofensivas, sem mais.
Responda às mesmas, apenas.
É só isso. Comprove os insultos que acaba de proferir, apontando as razões concretas que lhe permitem escrever o que escreveu.
Porque enquanto os não comprovar, dovolvo-lhos integralmente, e com juros de demora na resposta.
É natural que não goste do que escrevo. Também não gosto do que faz, em nome do povo que o elegeu.
Publicado por josé 23:25:00 4 comentários Links para este post
A caminho de 4 de Novembro (XL): Sarah Palin revisitada
E agora para algo completamente bizarro...
A «vice» de McCain nos tempos áureos de jovem beldade do Alasca, a concorrer a miss do seu estado (ficou em terceiro) e a tocar flauta com ar angelical.
Perdeu-se uma modelo, rezemos para que não se tenha ganho uma Vice-Presidente dos EUA. Seria mau demais -- e nem uma Administração McCain merecia isso.
Com Joe Liberman, Mitt Romney, Mike Huckabee, Rudy Giuliani, Tim Pawlenty, Kay Bailey Hutchinson, tanto mais por onde escolher nas opções republicanas, o que terá dado na cabeça de John para dar este tiro no pé???
Publicado por André 02:17:00 1 comentários Links para este post
A caminho de 4 de Novembro (XXXIX): o tom vai ficando mais duro
CADA VEZ MAIS ATRÁS NAS SONDAGENS, JOHN MCCAIN LANÇA A PERGUNTA: 'QUAL É O VERDADEIRO BARACK OBAMA'?
OBAMA RESPONDE À LETRA E ACUSA MCCAIN DE NÃO SER 'MAVERICK NENHUM'...
(faltam 28 dias)
Publicado por André 01:24:00 0 comentários Links para este post
O inferno está aí...
segunda-feira, outubro 06, 2008
O sr. Trichet ainda está no Banco Central Europeu, e o sr. Barroso ainda está na Presidência da 'Comissão'. Não será por muito tempo. O inferno está aí, e veio para ficar...(...) We are fast approaching the point of no return. The only way out of this calamitous descent is “shock and awe” on a global scale, and even that may not be enough.
Drastic rate cuts would be a good start. Central bankers still paralysed by a misplaced fear of inflation – whether in Europe, Britain, or the US – have become a public menace and should be held to severe account by our democracies. The imminent and massive danger is now self-feeding debt deflation.
The lesson of the 1930s is that any country trying to reflate in isolation will be punished. The crisis will ricochet from one economy to another until every one is crippled. We are seeing it play again in this drama as our leaders fail to rise above their narrow, parochial agendas.
The European Central Bank – which raised rates into the teeth of the crisis in July – has played a shockingly destructive role in this enveloping slump. Its growth predictions this year have been, and still are, delusional. Neglecting its global role, it has vastly complicated the fire-fighting efforts of Washington.
It could have offered “cover” to the US Federal Reserve this spring when Ben Bernanke was forced by events to slash rates to 2pc. It could at least have signalled an end to monetary tightening. That is how an ally ought to behave.
Instead, it stuck maniacally to its Gothic script, with equally unhappy consequences for both sides of the Atlantic, as well as for China, Japan, and India. The euro rocketed yet further, which it turn set off an oil shock as crude metamorphosed into an anti-dollar with leverage.
The ECB policy was self-defeating, even on its own terms. It merely drove headline inflation even higher, while deeper forces of underlying debt deflation pulled the real economies of Germany, Italy, France, and Spain into a recessionary vortex.
Far from offering reassurance, the weekend mini-summit of EU leaders served only to highlight that nobody is in charge of this runaway train. There is still no lender of last resort in euroland. The £12bn stimulus package is risible.
Angela Merkel has revealed her deep limitations. It was she who vetoed French efforts to launch a pan-EU rescue package, suspecting that any lifeboat fund would prove to be Trojan Horse – a way of co-opting German taxpayers into colossal transfers of wealth to Latin Europe.
In that she is right, but it is too late now for dysfunctional EU political games. By demanding that those who caused the damage should pay for it, she crossed the line into caricature, or worse.
Her comments echo word for word the “we’re alright Jack” attitudes of Euro-pols during the first US banking crises in 1930-1931, until the storm hit Europe and the entire cast was swept away by furious electorates, or simply shot. Thankfully, this EU stupidity is at last drawing serious criticism.
“We have to make sure Europe takes its responsibilities, like the US: action must be taken quickly and in a concerted manner,” said IMF chief Dominique Strauss-Kahn.
As for the US itself, it has not yet exhausted its policy arsenal. It can escalate further up the nuclear ladder. The Fed can cut interest rates from 2pc to zero. If that fails, it can let rip with the mass purchase of US debt. (...)
Publicado por Manuel 16:08:00 1 comentários Links para este post
A caminho de 4 de Novembro (XXXVIII): Obama sete pontos à frente
BARÓMETRO DIÁRIO GALLUP:
-- Barack Obama 50%
-- John McCain 43%
Obama acusa McCain de lançar questões laterais para que os eleitores se distraiam da crise financeira...
McCain atirou a desconcertante Sarah Palin para a arena do combate mais baixo...
(faltam 29 dias)
Publicado por André 01:51:00 1 comentários Links para este post
O caso Freeport
sábado, outubro 04, 2008
"Autoridades inglesas descobrem transferências em dinheiro para personalidades portuguesas".
E ainda adianta que as "autoridades inglesas propuseram à PGR a criação de uma equipa conjunta para investigar o caso Freeport."
Na página sete, o jornal noticia que houve "fluxos financeiros" que vieram de Inglaterra , da Freeport, para Portugal, designadamente, para um escritório de advogados em Lisboa. O jornal acrescenta que "é preciso apurar as razões-lícitas ou ilícitas- dessas transferências de dinheiro".
O jornal, adianta ainda que "os ingleses transmitiram que têm indícios do envolvimento de um político português no caso".
Obviamente, é esta última revelação que se torna importante na notícia, porque senão o jornal, nem daria importância a uma investigação que decorre há mais de três anos, sem resultados visíveis, publicamente.
E torna-se também importante, agora, para perceber a atitude das "autoridades portuguesas", mormente a PGR. No caso Maddie, apesar de tudo, os ingleses foram bem recebidos, na colaboração prestada.
E neste caso, como vai ser?
É que o assunto já teve resultados, para outras pessoas que passaram no mesmo, incidentalmente.
Que o diga o ex-inspector da PJ, José Torrão que apanhou com um processo por violação de segredo de justiça e foi condenado...
Esta história, aliás, foi contada pela revista Visão, no seu número de 23 a 29 Junho 2005, de que se juntam cópias da capa e do artigo, então assinado por Paulo Pena, Ricardo Fonseca e também Rui Costa Pinto.
A revista, resumia assim, os factos:
Em 1999, o promotor imobiliário RJ McKinnay pede um parecer sobre a viabilidade de um complexo comercial, nos terrenos da antiga fabrica Firestone, em Alcochete.
Em Março de 2002, é aprovado em conselho de Ministros, o DL que altera os limites da Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo.
Em Junho desse ano, associações ambientalistas entregam uma queixa à Comissão Europeia contra a alteração dos limites da ZPE e a consequente viabilização do empreendimento.
Em Setembro, o DL é suspenso e a C.M. Alcochete começa a emitir as licenças de construção.
Em Setembro de 2004 é inaugurado o Freeport.
Em Fevereiro de 2005, a PJ apreende documentação na CMAlcochete e nos escritórios da Freeport Leisure e noutras empresas.
Pela leitura das duas colunas expostas, ( que se podem ler, clicando na imagem) do texto principal, percebe-se o essencial, depois disso:
No começo do processo, em Fevereiro de 2005, em plena campanha eleitoral, alguém terá "apimentado" um documento oficial, de modo apócrifo, no sentido de comprometer de algum modo, o então candidato José Sócrates, no processo.
O semanário Independente, de Inês Serra Lopes, deu o espavento à coisa e assim se criou um escândalo político, à moda portuguesa, e que nunca deu nada a não ser a vitória do PS, com maioria absoluta. A jornalista foi também acusada de violação de segredo de justiça, mas acabou absolvida...
Na época, como se refere, a PGR, em comunicado, esclareceu que "os elementos recolhidos até ao momento permitem avaliar que não existe nenhuma suspeita de cometimento, por parte do engº José Sócrates, de qualquer ilícito criminal".


"Os actores destes eventos ( ou pseudo-eventos consoante os casos) não são, em regra, jornalistas, mas elementos de equipas especializadas em contra-informações que trabalham junto dos partidos ou dos grupos de pressão. Aos jornalistas fica reservada a decisão de lhes dar voz ou de limitar as vias de disseminação do boato".
Ele lá saberia o que queria dizer com os tais elementos das equipas especializadas em contra-informações, mas por mim, só me ocorreu pensar nos profissionais da coisa, ou seja, os assessores que recebem do erário público para dourar a imagem de quem governa.
Não foi isso que se disse deste caso, então?
Publicado por josé 18:20:00 13 comentários Links para este post
A caminho de 4 de Novembro (XXXVII): Biden ganhou o debate
sexta-feira, outubro 03, 2008
Joe Biden ganhou o debate dos «vices», realizado esta madrugada, em Saint Louis, Missouri, moderado pela jornalista Gwen Iffil, da PBS.
Numa sondagem realizada, minutos após o final, pela Opinion Research Corporation, na CNN, 51% dos espectadores consultados deram o triunfo ao senador pelo Delaware, número dois do ticket de Barack Obama; 39% consideraram que foi Sarah Palin a vencer.
No entanto, 84% consideraram que a governadora do Alasca, «vice» do ticket de John McCain, esteve melhor do que o esperado, sendo que Biden se comportou melhor do que o esperado para 64%.
Ao contrário de certas previsões um pouco precipitadas, a governadora do Alasca não se espalhou ao comprido: preparou-se bem, não cometeu gaffes disparatadas (disse mal o nome de um general americano, mas a coisa passou quase despercebida e Biden preferiu manter a elegância e não a corrigiu).
Palin fez o papel da hockey mum do Alasca e falou para o americano comum, insistindo que não é «de Washington», vem de «Main Street, não de Wall Street». Teve um discurso terra-a-terra, carregou, propositadamente em expressões tipo «You bet...» Mas exagerou na tecla de que «McCain é um maverick» (repetiu essa frase mais de uma dezena de vezes), pensando que essa explicação conseguiria encobrir a sua falta de preparação.
Na comparação por conteúdos, Biden bateu aos pontos a inexperiente governadora do Alasca. Joe provou estar muito mais dentro dos dossiers, foi concreto nas propostas e proferiu respostas mais esclarecedoras, que geraram reacções mais favoráveis ao painel de eleitores indecisos do Ohio, cujas impressões eram vistas, em tempo real, na emissão televisiva.
Biden mostrou-se sempre sintonizado com a mensagem de Obama e soube transmitia-la. Palin tentou mostrar que estava sintonizada com a de McCain – mas nem sempre sabia responder às perguntas porque, simplesmente, não estava dentro dos assuntos, sendo forçada a dar a volta, em círculos, aos temas questionados.
Tudo somado, o debate de ontem não deverá ser influente na decisão final dos eleitores. Mas provou que Obama tem um número 2 muito mais preparado do que a «vice» de McCain. Nada que não se soubesse já, claro...
Se quiser assistir ao debate desta madrugada, clique no link YouTube em baixo:
Publicado por André 17:00:00 1 comentários Links para este post
'99%'
Abaixo o José, indigna-se com, mais uma, 'boutade' da dupla Pacheco Pereira/António Costa, acerca do 'lixo' (uns míseros 99%) na blogolândia... Provavelmente - no número - a dupla terá razão. Não tem razão, é em tudo o resto. É que esperar que os 'blogues' - como regra geral - sejam muitos melhores que o resto, do seu país, é esperar demais. O nível médio de discurso do 'mau' blog, não é pior, do que o nível médio da (falta de) de discurso/raciocínio/profundidade/perspicácia do 'sistema' que tanto agrada a Pacheco e Costa (e que aliás os inventou, transformando-os em algo que nunca foram - acima do banal ). Atente-se, como exemplo máximo, nas direções dos principais - senão todos - orgãos de comunicação social - Alguma delas tem um módico de 'qualidade' ? Não, não tem, ponto, basta ler as baboseiras que se leêm, em editorial. Quanto muito uns maquilham-se, a blogosfera não.
Publicado por Manuel 14:19:00 1 comentários Links para este post
Os blogs do círculo
quinta-feira, outubro 02, 2008
António Costa, colaborador no programa Quadratura do Círculo, agora mesmo, no programa que passa na Sic-Notícias, lançou mais um anátema sobre a blogosfera.
Apelidou o fenómeno de "submundo da blogosfera", como sendo um meio de calúnia, de ligeireza etc. etc. mas garante que não pretende calar ninguém na blogosfera. Uff!
José Pacheco Pereira, que há muito não se pronunciava sobre o fenómeno, não perdeu tempo:
"99% do que se escreve na blogofera é do pior que há", depois de ter dito que não haverá pessoa que tenha sido mais insultada, levado tanta pancada e sido mais crucificada do que ele.
Não sei se é assim ou não. Sei que JPP nunca mais aprende. Nada esquece e nada compreende de novo.
Mas, ao contrário do que acontecia há uns anos, tanto faz. JPP já pouco representa na blogosfera, para além de um blog, onde já se sabe o que se pode ler: militância política em prol de uma facção do PSD.
E pouco mais.
Publicado por josé 23:40:00 3 comentários Links para este post
Exposição mediática
Juiz desembargador na Relação de Lisboa, em secção cível, segundo parece, escreveu uma crónica no Correio da Manhã, citada pela revista In Verbis, a zurzir nos catedráticos, ausentes da prática, e que não entendem as particularidades da aplicação da prisão preventiva, pelos juízes de instrução.
Rangel que já disse numa entrevista, a propósito da lei de política criminal que era preciso pôr o MP na ordem e que essa Lei de Política Criminal, do governo que está, era “equilibrada e sensata”, descobriu agora, na lei penal e processual penal , uma fonte de equívocos e desmandos, por conta do mesmo Executivo, por causa de o limiar da prisão preventiva se situar agora nos cinco anos de prisão, como medida abstracta de penas.
E escreveu então, assim, na croniqueta do jornal, citada pela revista In Verbis:
Assim, nos crimes de violência doméstica, de falsificação de documentos e passagem de moeda falsa, de burla qualificada, de furto qualificado (como os praticados como modo de vida), de corrupção activa, de sequestro (em certos casos), de lenocínio de menores, de pornografia de menores, de abuso sexual e de violência de crianças (em algumas situações), de maus tratos a menores e idosos, de subtracção de menores, de associação criminosa, de insolvência danosa, de resistência e coacção sobre funcionários, de tráfico de influências, de ameaça ou coacção, de falsidade de depoimento ou de declaração, de denúncia caluniosa, de favorecimento pessoal, de ofensa à integridade física (em algumas situações), não pode ser aplicada a prisão preventiva, porque a moldura penal abstracta é igual ou inferior a cinco anos de prisão e desde que, naturalmente, não estejam reunidos outros pressupostos para a sua verificação.
Tais crimes representam a maior fatia dos previstos no Código Penal.
A prisão preventiva transformou-se no buraco-negro da reforma penal.
Um comentador em pseudónimo, na referida revista, fez as contas, foi ler a lei e escreveu assim:
Não, nem tudo o que está escrito no texto é correcto.
E deixa um comentário que é a razão desta subscrição dos dois textos tirados ao InVerbis:
Antes de se opinar, devem fazer-se os trabalhos de casa, exigência se aumenta quando se trabalha num tribunal superior. Não há pior coisa para combater uma reconhecidamente má reforma legislativa do que usar argumentos maus e errados.
Oribem.
Publicado por josé 14:41:00 1 comentários Links para este post
A caminho de 4 de Novembro (XXXVI): seis estados cruciais
Do lote de 12/15 estados com pendor indefinido no mapa eleitoral americano, haverá seis que se mostram cruciais -- pelo seu peso no Colégio Eleitoral.
Barack Obama surge à frente em todos eles, o que é novidade no caso da Florida (que há duas semanas mostrava vantagem de 4 a 8 pontos para McCain) e, no caso da Virgínia, não deixa de ser impressionante, dado que é um estado onde um nomeado democrata não vence há 44 anos (Johnson foi o último democrata a lá vencer, em 1964).
Aqui vão números de hoje sobre eles:
FLORIDA(27 Grandes Eleitores): Obama 51-McCain 47
OHIO (20): Obama 47-McCain 46
VIRGÍNIA (13): Obama 53-McCain 44
MISSOURI (11): Obama 49-McCain 48
MINNESOTA (10): Obama 54-McCain 43
NEVADA (5): Obama 51-McCain 47
(fonte: CNN/Time Polls)
(faltam 33 dias)
Publicado por André 00:47:00 0 comentários Links para este post
Pequeno ensaio sobre a cegueira
quarta-feira, outubro 01, 2008
Fossem outros os inquilinos e tínhamos Batista Bastos a zurzir impiedosamente, nos privilegiados da autarquia lisbonense; a vituperar a herança bastarda dos homens de Abril que isso permitiram; a fustigar a pouca-vergonha, em termos mais sediciosos que os da investida contra os terratenentes antigos e os proprietários, latifundiários e outros beneficiários.
Assim, cegou a razão e deixou besuntar o bestunto com exemplos espúrios.
Aconselho-o a ler este postal, sobre um fado descosido, hoje citado no Público. Para desviar um pouco a sombra que se lhe atravancou na frente da razão.
E fica a sua crónica, como exemplo de falta de senso comum.
Publicado por josé 20:48:00 7 comentários Links para este post