os corvos e as gralhas

“(...) se fosse outro o ambiente vivido nas terras portuguesas, se não se tivessem praticado, a nível político, legislativo e administrativo, tantos erros imperdoáveis, que se pretenderam, forçando a natureza, mudar a feição própria do nosso viver. Talvez a lamentável tragédia do sequestro de ontem ( quinta-feira, dia 7) acabe por servir de aviso salutar.”

Quem assim escreve, no O Diabo de hoje, é um salazarista convicto que nunca renegou as suas crenças nas virtualidades de um regime que afeiçoou: o Prof. Soares Martinez, que teve cátedra na faculdade de Direito de Lisboa.

Será este o discurso da Direita que ainda podemos ler? Se for, concordo com a Direita.

E o contrário, será ideia de Esquerda? E se for, concluiremos que temos legislação penal de Esquerda, em Portugal?
Pois, forçoso e lógico, será concluir que...sim. E falhou. Falharam os pressupostos de uma crença, inabalável, nas virtualidades do ser Humano e na sua invencível capacidade de regeneração social e integração recuperada nos valores que fazem parte do património de todos. Sendo essa a filosofia do Código Penal, será essa a filosofia que deve ser?

Terá já chegado a altura do balanço definitivo e da reforma que se impõe, entregando-a aos estudos de outrém- que não os do costume?
Estará a escola de Direito penal de Coimbra, preparada para as críticas? Assume-as? Entende-as, ao menos? Será capaz de reformular ideias erradas, demonstradas nos resultados funestos das leis que apadrinham e gizam, em cópias do estrangeiro?
Ou pelo contrário, vão continuar a fazer como a avestruz e esconder a cabecinha pensadora nos labirintos do Instituto Jurídico, com as suas associações de direito privado e sem fim lucrativo a funcionar em edifício públicos e centenários, de escola antiga e com regalias e privilégios inegáveis e sem paralelo noutros sectores? Tudo ao abrigo de qualquer risco ou insegurança de emprego que, aliás, reservam para os assistentes proletarizados?

Leiam ao menos a Newsweek desta semana. Há um artigo sobre Harvard e o novo paradigma do ensino universitário. O nome a atender, é Michal Crow. O Corvo. E os brasileiros já deram por ele.

Publicado por josé 16:20:00 3 comentários Links para este post  



A caminho de 4 de Novembro (XIV): afinal, John Edwards tinha ainda mais parecenças com Bill Clinton...

... e assim termina uma carreira política que, para muitos, poderia culminar numa vice-presidência de uma futura Administração Obama.

O ex-senador pela Carolina do Norte, segundo classificado nas primárias de 2004, escolhido por John Kerry para vice nas presidenciais de há quatro anos, terceiro classificado nestas primárias e um dos nomes apontados como possíveis escolhas de Barack Obama para seu running mate, escondeu do público um caso extra-conjugal com a realizadora Rielle Hunter, de 42 anos, que colaborou na sua campanha presidencial.

Depois de ter colocado a doença da sua mulher, Elisabeth, como um dos temas fortes da sua campanha, a bomba rebentou nas mãos de Edwards. A confissão, que podemos ver aqui em baixo, à ABC News, apenas agravou o mal feito. O que restava das ambições de Edwards terminou...

Publicado por André 14:56:00 2 comentários Links para este post  



A caminho de 4 de Novembro (XIII): Obama cinco pontos à frente

Barómetro diário Gallup:

-- Barack Obama 47
-- John McCain 42


(faltam 84 dias)

Publicado por André 14:49:00 0 comentários Links para este post  



Falta pouco

Publicado por Carlos 00:36:00 2 comentários Links para este post  



O neutralizador


Rui Pereira, ministro da Administração Interna , segundo o Jornal de Notícias, avalizou uma ordem para matar, numa situação em que a polícia usa o eufemismo “neutralizar”, num caso de roubo a um banco, acompanhado de sequestro. Os neutralizados eram dois assaltantes, inexperientes e sem antecedentes conhecidos.

Rui Pereira, apresentou-se publicamente muito satisfeito, por esta acção policial, tipo operação militar, com intervenção de um grupo para-militar da PSP ( GOE), por causa de um assalto a um banco, com tomada de reféns, realizado por dois punks.
Dois “desperados”, a lembrar cenas de filme ( Dog day afternoon com Al Pacino, por exemplo) sem antecedentes criminais, trabalhadores imigrados do Brasil, já apresentados como pessoas correctas para com os vizinhos, e que decidiram assaltar um banco, para roubar dinheiro.

O plano correu mal, porque a polícia, ao contrário do que é costume, apareceu logo e em força. A dupla de punks, armada em bandidos profissionais, decidiu tomar reféns, para garantir uma fuga em segurança. Vendo-se cercados, os bandidos estagiários, ibertaram-nos logo, retendo dois que manietaram com abraçadeiras de plástico ( o responsável máximo da PSP, na tv, usou a expressão "manipularam").

Ao longo de oito horas, a polícia, através de negociadores ad hoc, tentou convencer os sequestradores a renderem-se. Estiveram perto de o conseguir, mas não lograram esse objectivo primordial, por motivos ainda não esclarecidos.
Ao fim desse tempo, a polícia do GOE, por ordem de comando, avalizada, segundo os jornais ( pelo menos o JN) pelo ministro Rui Pereira, disparou e matou. Com atiradores furtivos, colocados estrategicamente, esperou a oportunidade de cumprir a ordem de execução ( não há outra expressão, por muito cruel que o seja, para definir o acto) e matou um dos sequestradores, ferindo outro.

Meio sucesso, portanto, se tivermos em conta que neste género de actuações, o objectivo , confessado pelo GOE, é sempre a neutralização completa e total, dirigida ao cerebelo dos alvos.
Ainda assim, o ministro bateu palmas à sua própria actuação. Para a polícia, a operação foi um sucesso, porque tudo correu segundo o objectivo desejado: a libertação dos reféns sãos e salvos.

Esqueceram no entanto, vários pormenores. A operação correu bem, de facto, segundo essa perspectiva, porque os sequestradores, como tudo indica, não quiseram abater os reféns.
Essa é a verdade lógica e consequente com os factos conhecidos, agora. E se os sequestradores quisessem mesmo matar os reféns, o que valeria a intervenção do GOE?

Os disparos dos snipers do GOE, não atingiram os objectivos tal como previsto no manual de instruções, publicitado aos media. Não foram efectuados simultaneamente; não foram letais, num caso e não foram suficientemente lestos para evitar a reacção de, pelo menos um dos sequestradores. Este, poderia ter morto um dos reféns ou até os dois, se optasse por disparar contra o fugitivo.

Em resumo: a acção do GOE foi temerária, afinal amadora ( apesar do profissionalismo dos seus militares) e só correu bem, porque a sorte os acompanhou e provavelmente, como se denota, os punks sequestradores, não estavam mesmo dispostos a matar os reféns.
Depois disto, vir deitar foguetes, pelo sucesso desta operação, parece, talvez, um pouco exagerado.

Mas o ponto principal, nem é esse.
Este mesmo Rui Pereira que agora aplaude pressurosamente e com amplo gáudio geral, esta operação executiva de morte de sequestradores, à ordem de um comando policial, avalizada por ele próprio, é o mesmo ministro que liderou a reforma dos códigos penais e a Unidade de Missão que disso se encarregou.

Nesta altura, o balanço efectuado por várias entidades oficiais, ( vários responsáveis do MP e a PGR, por exemplo), é denunciador de um estado de Direito, em Portugal, onde os criminosos de alta e baixa densidade ( como é o caso destes dois punks da banditagem amadora), têm ampla liberdade de movimentos.
Além do mais, por exemplo, os requisitos para a prisão preventiva estão agora tão restringidos que nem se percebe que este assaltante sequestrador que sobreviveu, possa de alguma forma ficar em prisão preventiva.
As penas e as exigências quanto aos requisitos de prova, do crime foram tão aprimorados que qualquer advogado de meia tijela, pode anular um julgamento ou uma prova recolhida em Inquérito, se nisso se empenhar.

Neste aspecto, gravíssimo para um Estado de Direito que se preze e ao contrário do que afirmam alguns responsáveis governamentais, pode Rui Pereira limpar as mãos à parede. Aliás, a isso, foi já aconselhado, na prática de argumentos apresentados pessoalmente e num colóquio, por um dos autores de comentários às leis penais- Costa Andrade.

O sentimento de impunidade da banditagem de pequena e média dimensão é tal que os pequenos punks do assalto a carros e da prática reiterada de car-jacking, home-jacking e outros exercícios , já nem se dão ao cuidado de ter cuidado com a polícia. Já-que- isto- está – assim- vamos- lá- experimentar-um- pequeno- assalto- que-no fim de contas-pouco ou nada- nos acontece.
É este o sentimento geral e evidente e que só não nota quem não quer notar.
As notícias diárias, no Correio da Manhã e no 24 Horas, já nem espantam o transeunte que toma conhecimento, na rua, de mais assaltos violentos, de mais assaltos a bancos, de mais assaltos com gangs e outras malfeitorias que não preocupam muito os Ruis Pereiras, enquanto as estatísticas oficiais, contradisserem numericamente a realidade por todos vivida.

Este pathos e este ambiente deletério na sociedade, foi criado objectiva e reiteradamente pelos Ruis Pereiras que assentam lições nas faculdades de Direito e depois as vertem em letra de lei, nos códigos penais e de processo, com ideias peregrinas que só podem resultar em laxismo de comportamentos sociais.
Os acontecimentos na Quinta da Fonte e noutros lados, fogem ao alcance dos snipers do GOE, mas têm um reflexo social muito mais profundo. Nesses casos, Rui Pereira está no Brasil, ou algures, ausente da realidade vivida por cá.
Agora, o politicamente correcto, veiculado por um director da PSP que não sabe distinguir o verbo manipular do verbo manietar, é iludir a nacionalidade dos assaltantes. “São pessoas como eu e você”, disse o dito cujo. Pois são. E que foram condenados à morte, por execução do verbo neutralizar.
Talvez ainda vão a tempo de conjugar o verbo prevenir. Vão sempre a tempo, aliás. Desde que tenham inteligência suficente para tal e se eximam ao ridículo de aplaudir operações militares contra dois punks. Falhadas, ainda por cima, nos objectivos de neutralização definitiva.

Um dos assaltantes sobreviveu. Está fora de perigo, dizem do hospital.

Vamos então fazer uma prognose do que lhe irá acontecer, tendo em contas as belíssimas leis que este mesmo Rui Pereira fez aprovar, por trabalho que dirigiu numa Unidade de Missão.

Logo que saia do hospital, o suspeito vai ser constiuido arguido. Como?

Oh! Se vocês soubessem o trabalho que o MP e o JIC de turno vão ter, para lhe imputar os factos que já são conhecidos!
Aí, é que Rui Pereira deveria estar presente, para perceber o resultado prático da Unidade de Missão que liderou e a lei que a AR ( PS s PSD) aprovou.

Ao suspeito, em primeiro lugar, vão ser lidos os seus direitos, onstituindo-o arguido, com assistência de advogado, escolhido por ele ou nomeado pelas autoridades judiciárias. D
epois, vai ser-lhe lido o relato dos factos, pormenorizado e com indicação obrigatória de todas as provas que existem nos autos e suportam aqueles factos.
Depois, o magistrado do MP, vai escrever tudo isto e remeter este expediente, para o JIC, a fim de o interrogar sobre os factos relatados, indicando-lhe obrigatoriamente todas as provas que o indiciam na prática desses factos.

Depois, uma vez que isto vai demorar várias horas, longas horas em que os jornalistas ansiosos irão relatar os acontecimenntos à maneira de uma incrível Sandra Felgueiras, iremos perceber uma coisa simples que resulta directamente das leis aprovadas comesforço, pelo esforçado responsável pela Unidade de Missão: o arguido não deverá ficar em prisão preventiva. Não deve e adianto já porquê.

Só ficaria se houvesse receio de o mesmo fugir, segundo a lei processual penal actual. Será que um juiz vai entender de modo diverso, quando o suspeito, tem residência em Portugal, trabalha, tem até um primo que jura pela sua permanência em sossego? Não, não acredito nisso.

Depois, podemos sempre especular acerca da pena que o mesmo, eventualmente e em julgamento poderá sofrer, aplicada por um tribunal criminal de Lisboa, daqui a uns bons meses (nunca antes de um ano).

O crime de roubo, está praticamente provado. Em co-autoria com o assaltante morto, em execução da ordem avalizada por Rui Pereira.
Moldura da pena, segundo o artº 210ºC.Penal ( roubo): 1 a oito anos de prisão ( sobe para 15 se o agente provocar perigo para a vida da vítima. Mas, neste caso, quem é que realmente provocou perigo para a vida da vítima? Foi o bandido?)

Tendo em conta que o arguido não tem antecedentes penais, o critério para a ponderação da pena concreta, nunca irá para cima dos 4 anos, com toda a probabilidade de ficar aí nos três anitos de prisão. E depende, em concreto, do que se roubou...se é que se roubou.

Depois, o sequestro, punido no artigo 158º do Código Penal, com pena de prisão máxima de...três anos!
Temos por isso, dois crimes imputados indiciariamente. Um de roubo e outro de sequestro ( o suspeito, se o advogado tiver cuidado, só deverá ser acusado por um crime, porque os outros, podem muito bem ficar a cargo do morto...) .
Ainda que lhe seja imputada a co-autoria de seis crimes de sequestro, o que aumentará a moldura penal, a verdade é que dificilmente passará do máximo de três anos de prisão. Com a redução da praxe, no cálculo da pena concreta, poderá alvitrar-se, com suficientemente margem de manobra, e a permitir até, uma aposta , que o arguido sobrevivente, dificilmente apanhará uma pena de prisão efectiva, superior a cinco anos de prisão.

Mas isso, se tudo correr processualmente bem. Ou seja, se a entidade investigadora e a cusadora, não cometerem qualquer falha. As nulidades e simples irregularidades, no actual Código Processo Penal, são como minas pessoais, espalhadas no campo de batalha do processo: quando menos se espera, qualquer sujeito processual pisa uma- e lá vai tudo ao ar.
Se o arguido escolher um advogado que prefira estudar essas possibilidades de sucesso que o Código de Processo Penal, aprovado pela Unidade de Missão de Rui Pereira, garante efectivamente aos arguidos. então vamos assistir a um autêntico show de probabilidades semânticas e jurídicas. E com sorte, pode até dizer-se que o arguido ainda escapa. De qualquer pena.
Tudo isto, obra de quem?
Além de outros, naturalmente, de Rui Pereira. O mesmo que avalizou a ordem para “neutralizar”.

Adenda, em 11.8.2008:

O texto foi corrigido na sua sintaxe e alteradas algumas palavras, para conformar a escrita em português, com uma redacção menos apressada.
Quanto ao prurido, que li nos comentários, sobre o facto de o Grupo de Operações Especiais, da PSP, não ser um grupo para-militar, só deixo uma pergunta: é o quê, então? Uma força civil, como alguns pretendem, sem ponta de característica militar? E já leram os objectivos e missões que lhe estão confiadas estatutariamente?
Então, para esses que fazem figura de cadelas apressadas, aconselho a leitura desta discussão e deste texto.

A foto é do Expresso e acompanha um excelente artigo de reportagem, assinado, além de outros por um certo Carlos Rodrigues Lima. Parabéns.

Publicado por josé 15:41:00 16 comentários Links para este post  



A caminho de 4 de Novembro (XII): McCain volta a reduzir a desvantagem

Barómetro diário Gallup:

-- Barack Obama 46
-- John McCain 43


(faltam 88 dias)

Publicado por André 19:56:00 0 comentários Links para este post  



Sempre o mesmo cromo.

Na Sic Notícias, em directo, assistiu-se ao desenrolar dos acontecimentos do sequestro, no banco, em Campolide. Em directo, assistiu-se à operação de libertação de dois reféns e ao abate de dois sequestradores.
Enquanto passam as imagens em directo, aparece em voz telefonada, o inevitável presidente da Câmara de Santarém, a palpitar opiniões sobre o caso.

Confesso que já estou farto de ouvir, em casos que envolvem polícias e bandidos, sempre o mesmo autarca, a falar em directo, debitando lugares comuns, frases de circunstância anódina e com base numa difusa imagem de polícia, cuja função exerceu há dezenas de anos; depois passou a guionista de tv, depois a político e depois a autarca e nunca mais consegue mudar de farpela.

Arre!

Publicado por josé 00:06:00 6 comentários Links para este post  



Trabalhar no mês de Agosto dá nisto

Publicado por Carlos 19:59:00 3 comentários Links para este post  



A caminho de 4 de Novembro (XI): as preferências por segmentos

A América é um país profundamente segmentado e estas presidenciais voltam a marcar diferenças nítidas, que se espelham nas preferências por Obama ou McCain.

Vejamos:

HOMENS: Obama 45-McCain 45

MULHERES: Obama 56-McCain 34

BRANCOS: McCain 49-Obama 41

NEGROS: Obama 90-McCain 4

LATINOS: Obama 65-McCain 24

JOVENS: (até 30 anos): Obama 63-McCain 26

IDOSOS (+ de 65 anos): McCain 47-Obama 42

DOS 30 aos 45: Obama 47-McCain 43

DOS 46 aos 64: Obama 50-McCain 41

(fonte: Research 2000)

Publicado por André 14:32:00 0 comentários Links para este post  



A política real

Alexandre Soares Santos, empresário da área comercial de distribuição de produtos, sobre Angola, citado anteontem no editorial do Público:

"Lá só há os muito ricos e os muito pobres, o dinheiro do petróleo fica só nas mãos de alguns. De estado de direito nem se pode falar e, para mais, não há estradas decentes, não há logística, não há garantia de que pudéssemos servir os clientes."

Ainda segundo notícias recentes, a Sonangol, apresta-se a tomar posições de influência estratégica, na Galp e no BCP.

Teremos assim, a breve trecho, os angolanos de José Eduardo dos Santos e família, a mandar em duas importantes empresas portuguesas?

O Portugal socialista de Sócrates, dá-se bem com estas coisas. E para justificar qualquer hipótese injustificável, segundo o Público, um membro do gabinete de Sócrates, até acrescenta sem qualquer pejo ideológico-moralista: " Não somos nós, antigos colonizadores, que podemos ir lá dar lições de moral sobre a democracia."

"Nós"?! "Antigos colonizadores"?

Então, esta gente que agora governa, assume-se como herdeira do colonialismo, ao ponto de lhe suportar as dores do fardo que outros carregaram? E aceita com todo o agrado, o estreitamente de relações económicas, que permitem já a intrusão do governo angolano, de um Estado que não tem sombra de Estado de direito ( através da Sonangol), em empresas da dimensão daquelas apontadas?

E que dirá Ana Gomes desta real politik? Só pode estar contra, naturalmente. Até porque José Lamego, está a favor...

Publicado por josé 11:53:00 3 comentários Links para este post  



Dois tempos























À esquerda, o exemplar da Time de 5.11.1973, onde na página 11 e seguintes, se escreve sobre os "sonhos desagradáveis" do Portugal prè-25 de Abril, pela pena anónima de Martha de la Cal. Aí, nesse escrito publicado na revista que por cá se vendia livremente ( e eu comprei-a ,como se comprova), dizia-se, entre outras coisas que o regime marcelista não cumpriu as promessas de abertura política que surgiram cinco anos antes ( precisamente em 1968, faz agora 4o anos), com a queda de Salazar e a sua substituição no poder executivo.

Uma das afirmações mais impressionantes e que parece andar muito esquecida nos tempos que correm, é a de que Portugal gastava na época, com a guerra no Ultramar, nas colónias, entre 35 a 40% do Orçamento ( budget). Além disso, dava-se conta de cerca de 1 600.000 portugueses emigrados. Balsemão, citado na revista, dizia que Portugal estava atrás de todos os países, em todos os indicadores económicos- "só a Albania competia connosco" segundo o então director do Expresso.
Passados quase outros 40 anos, estamos...na mesma? E Balsemão, não é o militante nº 1 do PSD? Que dirá o tipo destas coisas, agora?

À direita, um número da mesma revista, de 25 deFevereiro 1974, no qual se dava conta, da expulsão da então União Soviética, e deportação para a Suíça, de Alexandre Soljenitsine, por determinação do Soviete Supremo e por causa de "actividades incompatíveis com a cidadania soviética". O problema de Soljenitsine eram os livros, particularmente o Arquipélago Gulag, publicado primeiro em Paris, no início dos anos setenta e que constitui um requisitório contra o regime comunista de Lenine e Estaline.

Curiosamente, o seu primeiro livro, Um dia na vida de Ivan Denisovitch, de 62, foi até aplaudido no tempo da sua publicação, na União Soviética de Krutshev e por causa da desestalinização. Dez anos depois, já nos anos setenta, após a queda de Krutschev, começou a perseguição política. Dura. Implacável e que culminou com a expulsão do país. Soljenitsine morreu no Domingo, na sua Rússica natal.

Naquele número de Novembro de 1973, ainda havia espaço para mencionar o caso Sakharov, outro perseguido pelos soviéticos, igualmente por causa de críticas à repressão do regime comunista.

A diferença entre estes dois números da revista e a situação portuguesa vivida antes de 25 de Abril de 1973 e a da União Soviética na mesma época, aparece, com toda a evidência dos factos indesmentíveis: a revista Time, mesmo aquele número onde se criticava o regime de Caetano, mesmo com Censura ainda vigente e vigilância da DGS, herdeira da Pide de Salazar, permitia a venda destas revistas estrangeiras, em quiosques, acessíveis a qualquer pessoa. Comprei esses números em quiosques públicos. A revista custava então, 17$50 em Novembro de 73 e já custava 20$00 em Fevereiro 74.
Na União Soviética, na mesma época era virtualmente impossível ler ou comprar a Time. Ou outras revistas ocidentais.
Para os comunistas portugueses de 74, essas diferenças eram irrelevantes. Aliás, continuam a ser.
Sinais do Tempo... (basta clicar nas imagens para ler).



























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A caminho de 4 de Novembro (X): mais sondagens por estados

Aqui vão números frescos de alguns dos estados que podem ser decisivos na disputa para a Casa Branca:

FLORIDA
-- McCain 50
-- Obama 44

OHIO
-- Obama 46
-- McCain 44

ARIZONA
-- McCain 52
-- Obama 40

NEW HAMPSHIRE
-- Obama 49
-- McCain 45

MICHIGAN
-- Obama 46
-- McCain 43

MISSOURI
-- McCain 49
-- Obama 44

CALIFÓRNIA
-- Obama 50
-- McCain 35

Barómetro diário Gallup:
-- Obama 47
-- McCain 43

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Anjos

Publicado por Carlos 01:34:00 0 comentários Links para este post  



Sem comentários

Do semanário Sol:

"Luís Nazaré deixou a presidência dos CTT mas continua a receber parte do salário, como presidente de um ‘comité de estratégia dos Correios’ que acumula com funções privadas. Nazaré diz que não há incompatibilidade, garantindo que é prática comum em muitas empresas".

O único comentário, é que estas coisas, vergonhosas, de escândalo indecente, nunca serão comentadas no Causa Nossa.

Publicado por josé 12:54:00 3 comentários Links para este post