Maio de 1968: vermelho em fundo negro


O Maio de 1968, em França, faz agora 40 anos. Em França mesmo, já se comemora, há algumas semanas, em papel de jornal e revista. Porém, com pouco sucesso. A revista Nouvel Observateur, com excertos do livro "provocador" e imagem na capa, de Daniel Cohn-Bendit, um dos ícones do movimento, terá sido um flop nas vendas e até a especial emissão de tv, na France 2, foi pouco vista.
Pelos vistos, Maio de 68, em França, interessa pouca gente. Mesmo com a ajuda de Sarkozy, que há uns meses, prometeu acabar, liquidando completamente, a herança de 68. "Vocês destruiram a sociedade!", atira Sarkozy. "Nós mudamos a sociedade!", riposta-lhe Cohn-Bendit.
E, no entanto, Sarkozy, tem vários tiques de sessentaeoitista, segundo a revista Marianne desta semana que não poupa nas palavras da capa: "Comemoração do Maio 68, armadilha para palermas!" ( um trocadilho entre o slogan de 68, "Elections, piège a cons" e agora, "Commémoration, piège à cons")

E deixa uma pergunta, com resposta engatilhada:
"Quarenta anos depois, qual é o maior problema da esquerda ( francesa)? O povo. Uma herança de 68. " É que o povo francês, desertou os partidos da esquerda tradicional...

Quem estiver interessado em saber mais e ainda o que se passou por cá, pode entrar e espreitar Daloja.


Publicado por josé 22:42:00 2 comentários Links para este post  



«So Nice», Bebel Gilberto

Enleante.

Publicado por André 18:27:00 2 comentários Links para este post  



A causa em suspenso

Estou preocupado. Oito dias passaram e dali não sai mais nada. Nem uma arenga risível, nem um pensamento sintético, ou um encómio sequer, sobre este governo notoriamente de Esquerda.
Blogar, é preciso. E os sucedâneos não valem o original.

Publicado por josé 10:21:00 4 comentários Links para este post  



A prudência das ilações


O caso de Jaime Gama, indicado por um jovem ex-aluno da Casa Pia, como envolvido no escândalo sexual, continua a ser analisado em sede de julgamento de difamação, promovido pelo indigitado, contra o indigitador.
No julgamento que decorre com publicidade restrita, dois amigos de Jaime Gama, Mário Mesquita e Luís Salgado Matos, conhecidos publicamente, já declararam a sua crença na imaculada personalidade de Jaime Gama, apontando a perplexidade e inverosimilhança da imputação.
Hoje, no Público, Helena Matos, aponta o caso como revelação e sintoma do estado da Justiça: “(…)sentado ao lado do presidente da República, nesta sessão solene do 25 de Abril, estava Jaime Gama, que, na véspera, ouvira novamente serem proferidas contra si graves acusações de abuso sexual por parte de ex-alunos da Casa Pia. E ninguém se indigna nem se apieda. Porque já nos habituamos a que a justiça não absolva nem condene. Antes, se transforma numa espécie de via-sacra que trucida honras e deixa escapar os crimes.”

Dito assim, permanece uma dúvida: Jaime Gama, segunda figura do Estado, será responsável, por factos graves da sua vida privada, com óbvios reflexos na sua vida pública, por causa da infâmia dos crimes?
Tal não foi apurado, em sede de julgamento, porque nem houve julgamento.
Essa Verdade, indefinida judicialmente, não é conhecida. E o ex-aluno será um mero difamador, interessado em continuar a sustentar a sua história pessoal, por motivos imponderáveis, ou uma vítima real e plausível do queixoso?
É essa Verdade que agora se tenta descobrir, também judicialmente. Uma exclui a outra, naturalmente, no mundo do senso comum. Mas ambas podem subsistir, no melhor dos mundos da Justiça, por força de argumentos insondáveis do senso jurídico, que como é bom de ver, nem sempre coincide com o comum e diverge até vezes demais.
Por muito que alguns pensem em atribuir à Justiça propriedades mediúnicas, próximas dos oráculos da antiguidade clássica, não é assim que funciona, em Portugal ou qualquer outro lado, a máquina inventada para atribuir a cada um aquilo que lhe pertence, apurando a Verdade material das coisas que se conhecem.
Incidentalmente, atinge-se essa verdade. Acidentalmente, o simulacro mais perfeito. Verdadeiramente, o imponderável é regra e a incerteza, companheira habitual desta Justiça nossa que em muitos casos se mostra a si mesma, numa tragédia clássica, atropelada e desfigurada, pelas regras do seu próprio funcionamento, no palco de um tribunal.
Nessa altura, essa verdade processual, é apenas uma lição moral que resulta do entrecho representado, para simular a Realidade.
Uma absolvição ou uma condenação, nesse caso, são a expressão dessa lição, num epílogo da encenação.
Assim, quem julga que num tribunal, em exercício de representação da Justiça, se sentencia sempre a Verdade das coisas, confunde esta com a ilusão das ficções, em que a Verdade existe por si mesma, na sua lógica intrínseca, derivada do entrecho representado.
Qualquer mentiroso sabe isto e qualquer inocente o pressente.

Daí que a presunção de ilações, imponha a prudência no julgamento da inocência. E vice-versa: a presunção de inocência, imponha a prudência nas ilações.

Publicado por josé 17:26:00 10 comentários Links para este post  



A Grande Loja revela mais um talento

Publicado por Carlos 15:38:00 1 comentários Links para este post  



E você, já tem o seu Aguiar Branco?


"Quando for grande, gostava de ter um Aguiar Branco"


António Cunha Vaz é um dos homens mais influentes em Portugal. Pode não ser muito conhecido pelo país, mas a sua intervenção em círculos económicos e políticos já deixou uma marca muito própria. Em entrevista ao jornal «Público», o ex-assessor de Luís Filipe Menezes no PSD aceitou comentar vários assuntos, nomeadamente a situação actual do partido.

E revela algumas opiniões diferentes, utilizando frases fortes, nomeadamente quando lhe é perguntado o que levou Menezes a demitir-se, considerando que «foi uma operação bem montada» pela sua oposição, tendo Aguiar Branco como «testa de ferro»: «O único que ficou caladinho, quase sem reagir, apesar de ter estado por trás, ter sido mandante, foi o dr. Rui Rio. Teve o seu factótum a falar em nome dele. Foi um grande serviço. Devo dizer que gostava de ter um»...


do Portugaldiário

Publicado por Carlos 14:37:00 2 comentários Links para este post  



Ana Gomes a jogar à batalha naval...







...no Causa Nossa

Publicado por Carlos 02:03:00 1 comentários Links para este post  



A ordenha democrática

(clicar para ampliar)

Segundo o jornal Sol, quatro grandes escritórios de advogados, receberam um terço do dinheiro gasto pelo(s) Governo(s), em pareceres, no período 2003-2006.

Sérvulo Correia, Rui Pena, Galvão Teles e José Miguel Júdice, são os felizes contemplados da prodigalidade de uns tantos indivíduos, eleitos por via indirecta, para nos governarem e que dispõem a seu bel-prazer, sem prestarem contas directas, nem mostrarem o que fazem concretamente, do dinheiro de todos nós. E até se dão ao luxo asiático, de recusarem mostrar números e nomes, a quem lhos pede para publicação. Têm vergonha, certamente. E com razão, diga-se.
Aqueles e mais uns tantos, receberam cerca de 15 milhões de euros, do erário público, para elaborarem pareceres... jurídicos! Sem qualquer concurso público, que isso é para os outros. A única excepção é a do ministro Jaime Silva que decidiu contratar por concurso e o escritório de Laureano Santos, recebeu 6 mil euros, durante dois anos.

O Governo, notoriamente, não tem assessores à altura destas luminárias incandescentes, para a tarefa, apesar de os contratar a peso de ouro, com ordenados fora da tabela e com justificações mirabolantes no diário da República. Os auditores jurídicos dos ministérios, também não contam, para este totobola.
Contam outros critérios, não esclarecidos pelo Governo. E fica muito, mas mesmo muito por contar.
Por exemplo, não se conta, quanto é que o Governo efectivamente gastou por via indirecta, com os famigerados Institutos públicos e as empresas de capitais públicos.
É com estes organismos que o erário público se esvai em pareceres jurídicos. Milhões e milhões, são gastos por conta de todos, nas Parpúblicas e outras que tais. Neste Orçamento que corre, há mais de 180 milhões para estas faenas, sem contabilidade directa e transparente.
Por isso mesmo, ficamos agora a saber que Vital Moreira, recebeu do Governo 21 175 euros. Para quê? Para dizer bem, certamente, em forma de parecer.
Ficamos a saber que João Pedroso, arrecadou a bela maquia de 62 910 euros, por dois pareceres ou estudos ou lá o que foi que de resto pouco deve interessar saber. Segundo consta, anda agora a receber por conta do ministério da Educação, para compilar legislação.

Porém, não ficamos ainda a saber quanto é que a Parpública pagou efectivamente ao escritório de José Miguel Júdice. E parece que não vamos saber tão cedo. A transparência democrática é um logro, com esta gente que faz de todos nós um bando de parvos.

Segundo o artigo do Sol, fica a saber-se que uma boa parte da legislação, é feita em completo out-sourcing. Privado. Afinal, o legislador, penal e não só, é uma entidade anónima ou nem tanto, que apresenta o trabalho feito, ao patrocinador, o Estado. E depois, guarda para si, o trabalho preparatório que lhe servirá para fornecer pareceres, mais tarde, a outros privados, carenciados de ajuda, na interpretação das leis aprovadas pelo patrocinador.
Entidade que sobre este assunto, nem tuge nem muge, nem mostra quem a ordenha.

Publicado por josé 17:23:00 9 comentários Links para este post  



mudam-se os tempos

34 anos depois do 25 de Abril que pode hoje dizer, um indivíduo que atingiu nesse ano a maioridade?

Que “foi bonita a festa, pá!”. Fiquei contente, de facto, como a esmagadora maioria do povo português , também ficou.

Por isso, a imagem que melhor define o 25 de Abril, para mim, é a de uma foto, supra, na revista Século Ilustrado, de 4.5.1974, em que se mostra o povo anónimo, em manifestação sem bandeiras ideológicas.

Outra imagem que reflecte o espírito do 25 de Abril, tal como o vivi, é a de um músico e da música de protesto que então apreciava, porque de valor e qualidade inquestionáveis, mesmo pelos padrões actuais.

José Mário Branco, cantor de timbre perfeito, tinha produzido, antes de 25 de Abril, em 1971, um disco de grande qualidade: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

De há 34 anos a esta parte, que mudou, nas vontades?

No dia 25 de Abril, durante a tarde e noite, e dias a seguir, podiam ouvir-se na rádio, algumas músicas que nunca tinham passado nos programas, por causa da censura. O soldadinho, de José Mário Branco, era uma delas. Tal como outras. Sabia bem, apreciar a novidade da liberdade de se poder ouvir cantar livremente.

No dia 25 de Abril, à noite, a tv mostrava os locutores de serviço, sem gravata. Sabia bem, poder ver que o formalismo retórico, não precisava de gravata, porque tinha sido esse o grito dos assistentes ao I Encontro da canção portuguesa, realizado uma semanas antes, no Coliseu de Lisboa: “tira a gravata, pá!”, ouvira gritar, Carlos Paredes.

Foi por isso com grande satisfação que foi possível ver, na revista Flama , quinze dias depois, a reunião dos cantores do canto livre, da canção portuguesa.

Entre eles, José Mário Branco, na foto aqui publicada (acompanhado de Francisco Fanhais e outros na foto a seguir, como Zeca Afonso, José Jorge Letria e Adriano Correia de Oliveira) , na mesma revista Flama, de 17.5.1974


Na revista Tabu, hoje publicada com o Sol( foto abaixo), José Mário Branco , dá uma entrevista “de vida”, onde reflecte sobre 34 anos de democracia e utopias. Sobre o dia 25 de Abril de 1974, diz assim:

“Pergunta: aquilo foi uma revolução? Ou foi uma descompressão social depois de 48 anos de ditadura? A 24 de Abril de 1974 quantas pessoas estariam dispostas a vir para a rua protestar e exigir a fábrica, a herdade, a democracia? Quantas? Houve uns militares descontentes que por razões completamente corporativas se começaram a juntar e vieram para a rua. A minha discussão muitas vezes com os meus companheiros de luta é esta: “se não for capaz de fazer a revolução dentro de mim próprio, vou ser capaz de a fazer na sociedade? ´”

E o resumo de uma vida, que deixa muito que pensar:

“Tenho 65 anos e ando entalado há 50 entre duas igrejas. Uma que me conta a história de Cristo de uma maneira que não posso aceitar e outra que me conta a história do socialismo de uma maneira que não posso aceitar. Quer isso dizer que tudo o que li e em que acredito está provado que não funciona? Não. O que está provado que não funciona é a distorção de tudo aquilo em que acredito. Os se faz a sério ou não se faz. “

Percebo muito bem este discurso. O da utopia permanente e que redundou em desgraças maiores, quando levada a consequências organizativas, com armas na mão. As FP 25, por cá, são o exemplo.

Será que a mudanças dos tempos, trouxe mudança de vontades?

Tal como John Lennon escreveu: Dizes que queres fazer uma revolução. Está bem, mas primeiro deixa lá ver os planos...”


Publicado por josé 20:52:00 2 comentários Links para este post  



RCP Edições

A contagem decrescente para a abertura está em marcha. Um projecto do Rui a seguir atentamente.

Publicado por Carlos 22:10:00 0 comentários Links para este post  



A Esquerda laboral

O novo Código do Trabalho é um código de Esquerda. Disse-o o ministro Vieira da Silva e proclamou-o, o arauto Vital Moreira.

Na lugar de expressão da sua causa, escreveu, para vincar este simbolismo politicamente correcto e comprometido ao leit-motiv ideológico:

"As propostas de revisão do Código do Trabalho visam claramente dois objectivos: por um lado, aumentar a capacidade de adaptação das empresas às mudanças temporais do ciclo produtivo (flexibilidade do tempo de de trabalho); por outro lado, apostar na estabilidade do emprego, combatendo eficazmente a precariedade, nomeadamente os contratos a prazo e os "recibos verdes".
Não é impossível favorecer simultaneamente as empresas e os trabalhadores.. [Publicado por Vital Moreira] [22.4.08] "


Desgraçadamente, muitos começam a duvidar seriamente dos propósitos desta esquerda de folclore, para eleitorado ver e eleições ganhar, e apontam efeitos perversos e inequívocos, contrários aos proclamados.

"Mais opções para despedir";"Aumento da precaridade do emprego"; "Maior possibilidade de despedimento de empregados mais velhos e mais caros", são títulos dos jornais de hoje que citam especialistas em direito laboral.

Ontem, na televisão, Bagão Félix, um dos vituperados autores do código de trabalho, em tempos crucificado por apresentar propostas de Direita, disse que a medida que permite o despedimento de trabalhadores por inadaptação ao posto de trabalho é inadmissível.

Bagão é de Direita. Vital e Vieira são de Esquerda. Não são?!

Publicado por josé 12:26:00 8 comentários Links para este post  



Grão a grão

Já se sabe, via oficial, o que o Sol, andou a tentar saber, pedindo directamente ao Governo a informação que devia ser simples, directa, pública e sem reservas, sobre os gastos com pareceres, pagos com dinheiro de todos nós.

Diz o Diário Económico:

O Governo gastou 6,7 milhões de euros na contratação de serviços jurídicos externos entre 2005 e 2006.

O jornal ainda não publicou os nomes dos contemplados, com as avenças perdulárias, mas a seu tempo, o Sol, publicará. É mais que certo, tanto mais que o tribunal Administrativo achou que o assunto, em vez de caso de tribunal, era mais um caso de... "jornalismo de investigação"!
.
O ministro mais carenciado desta ajuda suplementar da parecerística por encomenda, é o pobre Manuel Pinho, da Economia, confesso apreciador de alpercatas italianas, de marca. À conta da sua necessidade de obtenção de esclarecimentos jurídicos, especializados, torrou nesses dois anos, 1,2 milhões de euros.

Será caso para perguntar: se estivesse no gabinete no BES, teria feito a mesma coisa? E se fizesse, caso seria ainda para saber, o que lhe aconteceria nas reuniões de ceo´s., com o patrão Ricardo a olhar de esquina os números a a querer saber para quem foram os milhões.

Como não tem patrão, senão de quatro em quatro anos, é gastar. À tripa forra, que no controlo do Orçamento, não há condimentos salgados. Só ovos moles e patos.

Veremos agora, quem serão os esgravatadores do erário público.

Publicado por josé 20:24:00 0 comentários Links para este post  



PSD: é mesmo Manuela

Lançámos a hipótese logo a seguir à demissão de Menezes e, esta tarde, ela confirmou-se:

Manuela Ferreira Leite é candidata à liderança do PSD e, perante o quadro de adversários já apresentado, será, muito provavelmente, a senhora que se segue na presidência do maior partido da oposição.

Em função da realidade do actual PSD, parece-me, claramente, a melhor alternativa.

Veremos...

Publicado por André 19:47:00 11 comentários Links para este post  



As diferenças










O da esquerda, de acordo com o Público de hoje, tem "um escritório de advogados e é consultor das fundações Oriente e Stanley Ho e do governo de Cabo Verde. Administrador não executivo de uma seguradora, a Sagres ". É do PS.
Nada disso constitui problema de incompatibilidade com a função de deputado. O PCP levantou agora o problema da incompatibilidade pelo facto de o mesmo ser provedor, numa associação particular ( APESEP) que lida com trabalho temporário. Associou-o aos pequenos empresários e Vitalino tem defendido uma maior flexibilização dos contratos laborais. Pecado mortal para o PCP. O resto, são amendoins...

O da direita, ainda segundo o mesmo jornal, lidera uma comissão parlamentar de Orçamento e Finanças, no âmbito da qual se organiza o inquérito à supervisão bancária, na sequência do caso BCP. Porém, é assessor do BPN, precisamente, um dos bancos mais em foco, nesse inquérito.
Jorge Neto, antes disso, esteve na berlinda por ser uma das figuras em grande foco, na OPA à PT, desencadeada pelo grupo Sonaecom. Jorge Neto, defendeu os pobres accionistas minoritários da PT. Depois, veio a saber-se que afinal, estava ligado a um grande investidor da mesma PT, o dono da Ongoing, Nuno Vasconcelos. É do PSD.

No mesmo jornal de hoje, Vital Moreira, defende com denodo a diferença abissal, entre a Esquerda e a Direita. Do lado certo da sua causa, a afamada Esquerda, está o PS. Do lado escuro, na famigerado Direita, anda o PSD.
E Vital garante que as diferenças entre os dois partidos, são grandes, enormes, de vulto gigante e visível. Gritantes, mesmo.
Tantas como as que separam Vitalino Canas, de Jorge Neto. Ou, para o caso, Vital Moreira, de Pina Moura.
ADITAMENTO, em 24.4.2008:
No Público de hoje, fonte da notícia sobre Jorge Neto, o escritório de advogados do mesmo, ( Jorge Neto João Carlos Silva e Associados), através de "direito de resposta", vem desmentir totalmente a notícia do Público, sobre o pretenso facto de Jorge Neto ser assessor do BPN, com a indicação concreta de que o deputado e advogado "nunca foi, nem é, advogado ou consultor do BPN ou da Sociedade Lusa de Negócios ou de qualquer outra empresa deste grupo financeiro". Jorge Neto nunca falou com Oliveira e Costa ou qualquer administrador do BPN, pessoas que, aliás nem conhece."
Pronto. Aqui fica o desmentido à notícia do Público e que se lamenta que não tenha sido apurada, antes de se publicar o que se publicou. O jornalismo, por vezes, parece-se com a escrita em blog, em que a verdade parece atrapalhar uma boa história.
Quanto às diferenças aludidas, fica a informação, essa não desmentida, acerca da participação na OPA da Sonae, versus Pt.

Publicado por josé 10:00:00 5 comentários Links para este post  



Sempre gostei de violinos

Publicado por Carlos 23:59:00 2 comentários Links para este post  



Gamão, definitivamente

A RTP1, em reportagem de Maria Cerqueira, acaba de mostrar o habitat natural do célebre investidor do Boavista, Sérgio de nome e bom rapaz de origem, segundo os seus conterrâneos e até o próprio patrão, ouvido num café de aldeia.

O cunhado do Sérgio, mostrava-se ainda mais seguro de si: " não podia ter sido ele sózinho"!

Pois não. Mas, lendo os jornais, não se lobriga sequer uma frincha de luz, por onde possa vislumbrar-se uma nesga da verdade que o testa de ferro, afinal, nem conhecerá.

Para que serve o jornalismo de investigação? Para quê?!

Publicado por josé 13:19:00 4 comentários Links para este post  



Xadrez ou gamão?


A Sic-Notícias, acaba de dar notícia sobre a "crise no Boavista". Referiu a existência de auditorias que referem explicitamente uma descapitalização do clube, nos últimos anos. Os números e casos concretos apontados, são assustadores.

Ou muito me engano, ou a blogger Ana Gomes, um dia destes, ainda vai escrever sobre futebol.
Se o fizer, está cá um leitor atento. Pelo menos.
Ao pé disto, o Apito Dourado, parece brincadeira de giroflé.


Publicado por josé 22:53:00 0 comentários Links para este post  



A protecção dos bandos

Segundo relato o jornal Sol, online, a tentativa de roubo de um carro, na Maia, resultando num quase homicídio da vítima, inspector da PJ, poderá ter sido obra de um gangue. "O gangue de Valbom", já referenciado pela polícia. De tal modo que...

(...)em meados de Janeiro, tinham sido detidos dois elementos do núcleo duro do gangue de Valbom. Desde essa altura que Daniel Faria, 19 anos, conhecido por Cubilhas, e o irmão, Filipe Faria, 16 anos, conhecido por “Biket”, aguardam em liberdade o julgamento por associação criminosa, assaltos à mão armada, carjacking e tentativa de homicídio (de Mauro Santos, alegado número dois do gangue da Ribeira e preso preventivamente).

Apetece perguntar aos génios da Unidade de Missão para a Reforma Penal, com particular incidência em dois ministros do actual governo - Rui Pereira e Alberto Costa- o que acham disto.

Em privado, em conversa caseira, porque em público, já conhecemos a lenga-lenga do costume, principalmente a do ministro da Justiça.

Sim, porque é da directa responsabilidade destas pessoas e de quem aprovou a actual lei processual penal, a tendência para a diminuição drástica da prisão preventiva. Por causa das malditas estatísticas europeias...que nos colocam sempre de "bem com os outros e de mal connosco".

E se o carro que os gangsters quiseram levar, fosse de um desses tutores da legislação penal ou de um familiar próximo e o resultado fosse o que ocorreu?

Nem assim, reflectiriam nas opções políticas de manifesta protecção de bandidos?

Publicado por josé 18:52:00 2 comentários Links para este post  



PSD: a hora de Manuela Ferreira Leite



Já chega de recusas e esperas estratégicas.

Se ainda for possível recuperar o melhor PSD, a solução para a crise terá que passar pelo avanço de Manuela Ferreira Leite.

É só um wishfull thinking, mas seria bom que se concretizasse.

Ou será que o barco já foi mesmo ao fundo?

Publicado por André 18:10:00 6 comentários Links para este post  



O Portugal real

Se o futuro è já hoje, o presente foi ontem. O relato do tempo que passa, pelo Público e pelo Sol.
Boavista: empresário Sérgio Silva abandona Estádio do Bessa acompanhado pela PJ
Investidor do Boavista detido

Publicado por josé 16:18:00 0 comentários Links para este post  



Demissão de Menezes: não era difícil de prever...

fatalidades que, como diria o outro, são tão... fatais como o destino.

Menezes durou meio ano e vale a pena recordar o post que nesta Loja publiquei a 21 de Setembro do ano passado, em vésperas da insensata escolha das bases laranjinhas.

Eu sei que não era assim muito difícil de prever isto, mas aqui vai a lembrança:

«Perante a escassez de qualidade das escolhas (Menezes inconsistente, Mendes pouco mobilizador), é fácil perceber esta enorme indiferença em torno das directas no Partido Social Democrata.

Apesar de não ser o partido no qual habitualmente voto, devo dizer que essa indiferença me preocupa. É que não faz muito sentido que os analistas aumentem o tom de crítica e a impaciência em relação aos tiques autoritários do Governo Sócrates e, depois, olhem com esta indiferença perante a falta de alternativas no maior partido da oposição.

Uma democracia saudável necessita de projectos alternativos, sob pena de cair naquilo em que estamos, precisamente a cair
— numa nova Ditadura da Maioria, agora cor-de-rosa, duas décadas depois da ditadura laranja do Prof. Cavaco.

Olhando para outros candidatos à liderança do PSD, desde a sua fundação, Marques Mendes e Luís Filipe Menezes estarão, certamente, abaixo da dimensão de Sá Carneiro, Cavaco, Durão, Marcelo, Balsemão ou mesmo Fernando Nogueira (o acidente Santana Lopes nem entra nestas contas...)

E há mesmo quem pense que no actual PSD haveria soluções melhores, como Manuela Ferreira Leite, Aguiar Branco, Rui Rio ou António Borges. Mas esse, sinceramente, parece-me ser um dos principais problemas da maneira como se faz política em Portugal: em vez de se valorizar quem vai a jogo, quem arrisca, quem dá a cara em momentos menos oportunos, disserta-se sobre soluções salvíficas de quem nunca se incomodou em arriscar parte do seu crédito político e profissional.

Já critiquei esse fenómeno quando António Vitorino se recusou a avançar para a liderança do PS (três anos depois, continuo a achar que teria sido uma solução bem melhor do que este arrogante PM) ou quando se negou a dizer sim aos apelos para ser o candidato da área do centro-esquerda às Presidenciais de 2006.

Porque a política é «o homem e a as suas circunstâncias», interessa, pois, olhar para as soluções reais e não para D. Sebastiões que se recusam a voltar do nevoeiro.

Num PSD ainda traumatizado pelo desastre da governação Durão/Santana, e com a facção barrosista sem saber muito bem o que fazer (esperar pelo regresso do chefe, que está em Bruxelas, limitar-se a gerir o timing para as presidenciais de 2016?), com os cavaquistas hesitantes entre um apoio tímido a Mendes e um silêncio incomodativo, estas eleições não são, claramente, uma representação normal das principais tendências dos laranjas.

Tenho-me esforçado por conhecer as principais propostas de Menezes e Mendes e assisti ao debate na SIC Notícias. E devo dizer que, na escolha possível que é oferecida aos militantes laranjas e, por consequência, ao País (dado que desta disputa sairá o candidato a PM em 2009, alternativo a Sócrates), Marques Mendes é, claramente, a melhor solução.

Menezes não consegue fugir de um registo inconsistente: vive de soundbytes, de uma constante contradição entre um discurso populista e a proclamação de que não é aquilo que é -- populista; apesar de o seu trabalho em Gaia ser apontado por muitos como positivo (não é bem essa a minha opinião), Menezes não consegue atingir uma dimensão nacional. E, depois, há o seu histórico altamente sinuoso: já apoiou Cavaco, Nogueira, Durão, Marques Mendes e Santana Lopes! Alguém falou em... coerência?

Marques Mendes pode não ter carisma, pode ter exagerado no discurso moralista da «limpeza da classe política» (que acabou por lhe explodir nas mãos com a queda da gestão de Carmona em Lisboa), mas é um político com um percurso consistente e uma longa experiência governativa. Aceitou estar no lugar que ninguém quis (ser líder do PSD logo depois do desastre de 2005) e a verdade é que sobreviveu — se, como tudo indica, bater Luís Filipe Menezes no próximo dia 28, não há razões para se voltar a falar em crise de liderança no PSD até 2009.

Paremos, pois, de imaginarmos soluções milagrosas: as do mundo real são estas duas e, na hora de escolher, Marques Mendes é o único que mostra condições de manter o PSD com os seus traços de partido de poder, interclassista, com bases heterogóneas mas uma elite bem definida. Nesse sentido, e apesar das críticas que recebeu, tenho que dizer que concordo com Paula Teixeira da Cruz quando afirmou que «uma vitória de Menezes seria a debandada das elites».

O PSD terá que escolher o seu caminho. Se, por hipótese menos provável, escolher Menezes, será, a partir de dia 28, um partido menos confiável e, por consequência, menos apto a voltar a governar Portugal.»

(GLQL, 21 de Setembro 2007)

Publicado por André 02:35:00 1 comentários Links para este post  



"genica", "clube lutador", "ter na alma a chama imensa"? "papoilas saltitantes" são

Publicado por Carlos 23:46:00 1 comentários Links para este post  



Jogos viciados

Só uma grande equipa é que, depois de estar a ganhar 0-2, perde um jogo por 5-3. Agora percebo o Luís Filipe Vieira. Há jogos viciados.

Publicado por Carlos 22:37:00 2 comentários Links para este post  



A inoperância do Estado

O Público, noticia hoje que no julgamento do caso Lanalgo, foram absolvidos seis dos sete arguidos. E o que foi condenado, numa pena de multa, foi-o por delito menor: peculato.
E acresenta ainda o jornal que "Os juízes do tribunal criminal da Boa-Hora que julgaram o caso Lanalgo deixaram implícita na sentença uma crítica à investigação da Polícia Judiciária (PJ), referindo que se ficou "na fronteira" e que a "única solução era a absolvição".
Deixando de lado a "crítica implícita" de quem não a deverá fazer, porque extravasa o limite das competências, atentemos no essencial.
O caso foi mencionado aqui nesta Loja, em Março de 2004. Para ecoar notícias de escândalos.
Antes, aliás, tinha sido mencionado no Parlamento, pelo PCP, nestes termos:
"De um edifício que valeria entre 800.000 contos e um milhão de contos o Estado vendeu-o por 10% do seu valor (80.000 contos) a uma sociedade sediada no paraíso fiscal (off-shore) de Gibraltar, que ninguém a começar pelo Estado, parece saber a quem pertence mas que há quem afirme que a ela não serão estranhos os próprios antigos proprietários da Lanalgo, devedores do Estado, designadamente à Segurança Social onde as dívidas ascendem a 389 mil contos.
Isto já não é só delapidação do património público, e já seria grave.
Está nas fronteiras da corrupção e no caso vertente, a opção por soluções que não asseguram a defesa dos direitos dos trabalhadores
."
Ou seja, a fronteira, parece agora, não foi ultrapassada.
Então para quê a "crítica implícita"? E a quem, já agora?
A Maria José Morgado, sem dúvida, porque se encontrava na PJ, nessa altura.
E por causa do impacto de uma acusação, afinal sem base de sustentação suficiente.
Por isso, o escândalo, à semelhança de muitos outros, acaba sempre por ser metáfora do nosso Estado de coisas.
A inoperância do Estado, dá sempre à luz, os ratinhos de montanha...que ratam o erário público e apanham umas multinhas, ficando tudo em águas de bacalhau.
As ratazanas, porém, ficam de fora, no esgoto habitual. E não há ratoeiras que as apanhem.

Publicado por josé 11:51:00 4 comentários Links para este post  



Os melhores

Publicado por Carlos 23:40:00 0 comentários Links para este post  



Por falar em Fernanda Câncio

Vamos recordar um clássico:

Luís Marques Guedes nomeou Gonçalo Santana Lopes, filho do antigo primeiro-ministro, para "técnico de apoio parlamentar de 1.ª do grupo parlamentar do PSD" (continua)

Publicado por Carlos 12:59:00 36 comentários Links para este post  



quanto mais depressa melhor

A gente pensa que está sossegada no exílio, na terreola do W. Bush, que, no rectângulo pátrio, é viró-disco e toca o mesmo, mas eis que surgem factos novos...

TSF/DN — Se a decisão fosse sua, Portugal participaria nos Jogos Olímpicos de Pequim?
António Cluny — Não vejo problemas. Por essa ordem de ideias teríamos de estar a pensar, se houvesse Jogos Olímpicos em Espanha, na situação no País Basco. E esse raciocínio pode fazer-se em muitos outros sítios do mundo (…).

O ridículo não mata, e uma magistratura que não se importa de ter como seu sindicalista-mor alguém capaz destas tiradas, merece bem as agruras e as humilhações por que está a passar, ponto.

Quanto ao resto, o Benfica - o alegado clube dos seis milhões - é um bom retrato - é toda a gente a comer e a engolir em seco, e a esperar que a seguir não venha pior. Vai vir, e quanto mais depressa melhor (para o País, que do 'glorioso' não tenho pena nenhuma)...

Publicado por Manuel 01:44:00 3 comentários Links para este post  



O Vasco do Restelo

Não vale a pena! Isto foi sempre assim, desde Fontes Pereira de Melo, pelo menos.

E ainda poderia dizer-se mais: no Estado Novo, era mesmo assim e no novo Estado a que chegamos, continuamos no passado.

Portanto, se continuamos assim-assado, não há meio de cozinharmos uma democracia com os condimentos certos. Aliás, parece que lá fora, também o cozido é à portuguesa.

E como uma “parte considerável do sector privado vive, de facto, de apoio e dos favores do Estado(...) não se acaba com esta situação arranjando um bode expiatório. Sacrificar Jorge Coelho às frustrações da Pátria não resolve nada.”

É este o teor do artigo de Vasco Pulido Valente, no Público de hoje. Um discurso de conformismo de Estado que derrota qualquer ideia regeneradora.

Um discurso de velho do Restelo, portanto.

Tomemos, para contraste, a notícia de primeira página do Público:

Estado comprou pro 485 milhões sistema que podia ter custado 250” .

Refere-se ao famigerado SIRESP, sistema de comunicações de segurança e emergência, adquirido pelo governo de Santana Lopes, sob orientação de Daniel Sanches, antigo magistrado do MP, no DCIAP, antes director do SIS e do SEF, depois, empregado de três empresas da Sociedade Lusa de Negócios, e do BPN, como administrador por conta da Plêiade, ministro entre 2004 e 2005 e depois disso, membro de pleno direito da sociedade civil.

A notícia da adjudicação do sistema SIRESP, três dias depois das eleições que deram a vitória à actual maioria em Fevereiro de 2005, por um valor noticiado de cerca de 600 milhões de euros ( ou 538, segundo outros), daria origem a polémicas e a um parecer da PGR que considerou nulo o acto de adjudicação, ao mesmo tempo que assegurava a legalidade do mesmo, nos seus trâmites processuais.

Por causa disso, António Costa, então ministro do MAI, sucessor de Daniel Sanches, manteve o negócio, conseguindo no entanto, um valor mais consentâneo com um desconto substancial: ficou em 485,5 milhões de euros. Menos 100 milhões de euros, quase.

As investigações da PJ e do MP, entretanto deram em nada. Não se descobriu fumo de corrupção e por isso, o incêndio anunciado ficou apagado. Incêndio arquivado.

Agora, vem um especialista, o presidente de um consórcio que perdeu o concurso, a Siemens, dizer que afinal, por metado do preço, teria feito a mesma festa.

E explicação que dá para ter perdido a oportunidade de deitar foguetes, é curiosa e merece leitura atenta, no Público de hoje: em resumo, declarou que o concurso foi organizado para evitar riscos. Um deles, exigia o pagamento de uma caução de 5 milhões de euros. À cabeça...

Publicado por josé 23:23:00 0 comentários Links para este post  



As nojices


É evidente que António Mota quer recrutar Jorge Coelho pelos seus contactos políticos. Pela sua influência no PS, que governa. Porque a Mota-Engil está prestes a renegociar com Mário Lino os contratos de concessão de estradas. Porque estão anunciadas oito novas auto-estradas. Mas qual é o mal de querer contratar alguém pela sua rede de contactos?

É assim que escreve, hoje, em editorial, o director do Jornal de Negócios, Pedro Santos Guerreiro.
Alguns parágrafos antes, escrevia no mesmo editorial, intitulado “o nojo”:

A indicação de Jorge Coelho para presidente da Mota-Engil convocou o debate das promiscuidades entre política e empresas. E dividiu o país em duas facções: os moralistas e os ingénuos. A demagogia adora divisões assim.
Pensar que Coelho está a ser pago por favores prestados é um insulto à inteligência de António Mota. Não é pelo que fex no passado que Coelho é o preferido pela família que controla a empresa, mas pelo que pode fazer no futuro. Politicamente, é claro


Este tipo de argumentação em editorial de jornal económico, explica-se a si mesma. Nem precisa de comentários. O que revela o estado anómico a que chegamos e que perpassa por todos os sectores que entendem o exercício democrático pela via do realismo que o advogado Lobo Xavier, demonstrou no último programa da tv, da Quadratura do Círculo: é a vida! Ou, melhor dizendo, a vidinha.
A ética, nesta altura, já nem é tida nem achada. O que se passa, tem mais a ver com a estética, o modo de aproximação à vidinha. Quem conseguir o melhor disfarce, ganha o jackpot.

Sendo assim, retoma-se a velha discussão, caindo na crónica de José Miguel Júdice, hoje, no Público, intitulada “as regras da calúnia.”

Ultimamente, tudo são calúnias para o actual apaniguado PS, ex- PSD. E a vitimização sucedânea, é recorrente.

Na essência do escrito, porém, ressaltam algumas frases de injúria à inteligência colectiva. Por exemplo, esta, em que estabelece comparações entre Jorge Coelho e ele mesmo, Júdice, por causa dos ataques públicos à reputação:

As nossas situações são aparentemente diferentes e os movimentos são até opostos: Jorge Coelho serviu o país, bem ou mal, para o caso pouco importa, durante anos; entendeu agora dedicar-se à vida empresarial. No meu caso, sempre estive no mundo privado, profissional e empresarial e decidi agora dedicar parte substancial do meu tempo durante três anos a tentar servir Lisboa, (…) aliás de forma não remunerada.”
“No caso de Coelho, com tais comentários assume-se que quem foi ministro, poderoso dirigente partidário, quase líder do PS, só pode ser incompetente e incapaz e por isso só pode ser chamado para uma empresa para assim viabilizar tráfico de influências
.”

Júdice acha depois que toda a gente tem direito ao seu bom nome e que está instalada em Portugal, “uma atmosfera miasmática, doentia que enlameia tudo e todos. Essa atmosfera nasce em blogs, e comentários anónimos em jornais on-line. “

E depois adianta uma novidade:

Veja-se outro exemplo: uma vez, um jornal afirmou que o meu escritório de advogados recebia um milhão de euros de avença mensal de uma entidade pública ou ( noutra versão) um milhão de euros por 15 dias de trabalho. As notícias ( melhor seria falar em manobras de intoxicação) eram falsas e nada tinham de verosímil, foram desmentidas várias vezes, mas volta meia volta regressam.”

Pois bem.
Como este blog tem sido um dos divulgadores da notícia que Júdice diz ser falsa, nada melhor do que o próprio Júdice esclarecer as coisas como elas devem ser esclarecidas.
Este blog, limitou-se a divulgar a notícia do tal jornal que é nada menos do que o Pùblico, onde Júdice escreve. Se tal notícia era falsa, ninguém deu por nada na altura, porque ninguém a desmentiu, publicamente e que se saiba. E os arquivos dos jornais, estão aí para serem lidos.

À semelhança do que Júdice pretende atirar para a opinião pública, sobre a sua vitimização por via caluniosa, também não adianta afirmar algo que não corresponde à verdade, procurando o efeito contrário…
Este blog, limitou-se depois, a reproduzir um requerimento de um deputado do PS, António Galamba, na altura na oposição, dirigido ao Governo e com indicações precisas sobre o teor da notícia: um milhão de dólares ( e não euros), quinzenais, pagos pela Parpública, durante tempo não definido, ao escritório de advogados PLMJ, de que Júdice faz parte e que ele refere como “meu escritório de advogados”.

Esse requerimento de Galamba, nunca foi publicamente respondido, pela entidade requerida. Quanto aos desmentidos, a única vez que li ou ouvi qualquer coisa parecido, foi uma breve e lacónica declaração, numa revista esconsa e de suplemento, no sentido que o número dos milhões e a regularidade do pagamento, não estavam certos. Só isso, uma vez e de um modo nada, mas mesmo nada, esclarecedor. Pode sempre perguntar-se o seguinte, a Júdice:
Se entende que existe calúnia, nesse caso, porque não divulga o teor do contrato com a Parpública, em vez de se miasmar em explicações que nada explicam? Porque não respondeu, ele mesmo, ao requerimento de António Galamba? Não ouviu falar nele?

Esse esclarecimento cabal, é essencial para que Júdice, e não só, reganhem a confiança do público que sabe desse assunto e tem todo o direito se saber o que se passou. E é simples de responder. Embora não bastem os desmentidos que nada de essencial desmentem, e não limpam a imagem que foi publicamente focada como dúbia, numa vertigem da denúncia pública, no próprio Parlamento.
Se Júdice, neste caso, se pode queixar de alguma coisa, é dele próprio, e nunca dos comentários anónimos em jornais online, ou em blogs. E pode queixar-se do jornal onde escreve. Não dos blogs...

Júdice, é repetente nesta vitimização pública sobre as calúnias, maledicência e má-vontade de comentadores.
Mas não esclarece a essência do que deveria esclarecer. Fica-se na atoarda aos caluniadores e julga que assim fica sanado o problema. Não fica. Para além de deixar totalmente em claro, por falta de sensibilidade para o mesmo, o problema mais profundo e básico: a organização do Estado e as suas relações com os privados que dele dependem cada vez mais, por via dos contratos de parceira e dos negócios de consultadoria e afins.
Esse é que é o verdadeiro problema, a que Júdice, tentou dar uma solução: o Estado deveria consultar, para esse efeito e sempre, as três maiores sociedades de advogados. As outras, incluindo os singulares, que se amolassem.

Assim, problema de Júdice pode muito bem não ser a calúnia e a maledicência de que se diz vítima.
O problema de Júdice e o de alguns outros, poucos, na ordem dos milhares de beneficiários directos, é, antes de tudo o mais, a transparência entre a actividade privada, com regras de negócios e contratos, bem definidas e precisas, e a coisa pública que é de todos e é negociada por vezes com regras diferentes dos privados. Negociada por entidades públicas, entenda-se.
E como é de coisa pública que se trata, o público, todos nós, temos o pleno direito de saber como é que as coisas se passam. É um direito, legítimo e reconhecido legalmente. Por isso é que os deputados legislaram sobre essas regras que devem ser o mais transparentes possível.
É essa transparência que incomoda Júdice e os demais. É um valor democrático, demasiado oneroso para quem prefere o segredo como alma de negócios.
É essa a essência do problema. Seja o de Júdice, seja o de Coelho.
Setrá que eles entendem bem o que isso significa? Já começo a duvidar.

Publicado por josé 11:57:00 5 comentários Links para este post  



O círculo dos ceos

Neste Reino de Pacheco,
ó meus senhores que nos resta
senão ir ao maus costumes,
às redundâncias, bem-pensâncias,
com alfinetes e lumes,
fazer rebentar a besta,
pô-la de pernas prò ar?

Por isso, aqui, acolá
tudo pode acontecer,
que as idéias saem fora
da testa de cada qual
para que a vida não seja
só mentira, só mental (...)

Alexandre O´Neill.

O melhor comentário, involuntário, é certo, sobre o assunto da ida do político Jorge Coelho, para a Mota- Engil, deu-o ontem, o participante no programa Quadratura do Círculo, Lobo Xavier.
O advogado, revelou que era administrador “independente”, da Mota-Engil.
A um remoque de JPP, Lobo Xavier, adiantou algo como “lá vou fazendo a minha vidinha, o melhor que sei”.

Portugal, regressou aos tempos de O´Neill. Se é que de lá alguma vez saiu…
A vidinha, pois. A “vidinha tilintada em magros cobres” deste “país em diminutivo”, onde as pessoas se condenam ao “modo funcionário de viver”.
É uma vergonha? Claro, e os intervenientes da Quadratura serão os primeiros a reconhecer. Mas a vida é como é. A vidinha, claro.

Publicado por josé 13:22:00 5 comentários Links para este post