Ana Gomes, uma pia de ética

Sobre Ana Gomes, já por aqui, nesta Loja, elogiei a sua desassombrada atitude de afrontar correligionários, quando estes a apunhalam pelas costas- o que parece frequente, aliás.
Nessa altura, o espanto da desassombrada, virava-se para o seu correligionário Lello, apanhado e enxofrado em escutas comprometedoras, em putativo espeto de adaga nas espaldas, por causa do futebol. O acólito informador do despautério lelliano, fora outro, um dos cavaleiros andantes da modalidade que não estava com meias medidas e afiançava ao interlocutor comprometido: "...vou-lhe chegar”, “...essa vai comer...” ou “...para a gaja desandar...”. E continuava, mas o melhor é (re)ler a história toda, para ver a fibra da desassombrada.

Ana Gomes, parafraseando uma expressão antiga do agora noticiado José Rodrigues dos Santos, sobre a sua colega Cecília do Carmo, é "uma mulher de barba rija".

Seja apenas por isso que o seu postal, - pia a ex-provedora-a desfazer Catalina Pestana, vale um tostão furado de indignação. A sua piadética referência ao processo da Casa Pia, está casada com a sua extraordinária visão de prè-cog, sobre o futuro de um acusado de abuso sexual, vir a tornar-se um futuro primeiro-ministro deste pobre país. Escrevia assim, a prè-cog, em 9.11.2005: "Tomem nota: Paulo Pedroso vai ser um dia Primeiro Ministro de Portugal."

O problema da prè-cog, vem todo daí, desse estado de transe, que lhe afecta de vez em quando o bestunto. Como desta vez. Mais uma vez. E já são muitas vezes. Demais.

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boletim meteorológico

Ontem, passei a noite a fazer zapping. As aventuras dos 'Tudors', e por agora de Henrique VII, na RTP/1, e mais um episódio do Polvo, na RTP/Memória. Tudo muito pedagógico. Quase tão pedagógico e elucidativo como este post de Ana Gomes no 'Causa Nossa'.

Com efeito, 'dantes' podia haver bons e maus, mas cada lado sabia exactamente o que representava, assim como o que (não) representavam os 'outros'. Isto era dantes. Agora, sinal dos tempos, não há bons nem maus, como não há bem nem mal, é tudo relativo, fruto da conveniência, e do posicionamento de cada instante. Os princípios que se lixem, o que interessa é tão só e apenas tratar da vidinha.

Eu já escrevi aqui muito sobre o Caso Pio, quem quiser que consulte os arquivos. Continuo a achar que - tudo ponderado - foi uma honrosa excepção, pela positiva, na forma como se tratam casos a partir de determinada dimensão (nomeadamente pela qualidade do trabalho desenvolvido pela equipa do MP) mas não tenho ilusões. Ainda falta muito tempo para que muita coisa fique óbvia. Dito isto, Catalina Pestana tinha feito melhor em estar calada, ou pelo menos em ser mais discreta. Não vou explicar porquê - é-me óbvio. Transporta outra vez o domínio dos factos (dos que chegaram, e estão, a julgamento) para o da caça aos gambuzinos, enquanto matéria de fé (vide as declarações da nova Provedora), com a poeira resultante a gambuzinar e relativizar o julgamento em curso. Enfim.

Quanto a Ana Gomes, bem, quanto a Ana Gomes, o que vale é que ninguém liga pevide aos estados de alma da senhora, porque senão o País e as instituições tinham um grave problema para debater. Pelo meio há coisas que se percebem na lógica refinada da €uro-deputada. Que Catalina, na opinião de Ana Gomes, não é perfeita e também terá rabos de palha, logo, não tem moral para acusar/denunciar quem quer que seja. E que o grande osso atravessado nas goelas de Ana Gomes não tem a ver com Pedroso ou Ferro mas com o facto simples de a 'Caterine Deneuve' não ter tido sido mais que uma nota de rodapé em todo o filme. Assim, como ninguém é perfeito - e acusar só Deus - todos são inimputáveis.



Obviamente, Ana Gomes não percebeu nada de nada. Mistura factos, boatos, rumores, com ficção descarada, tudo condimentado com doses marcianas de 'convicção' e 'fé'. Mas há outra questão, igualmente relevante, que, apesar de tudo, agiganta Catalina ao pé de uma liliputiana Ana Gomes. Catalina, antes de falar com o Sol, foi à PGR, dizer do que suspeitava. Ana Gomes, a Ana Gomes que fala de malas, e coisas que tais, e clama por investigações 'sérias', antes de escrever no blog, foi aonde ? Q.E.D.

Publicado por Manuel 17:03:00 0 comentários Links para este post  



O professor Marcelo do Porto

Publicado por Carlos 13:37:00 2 comentários Links para este post  



Os protocolos

Vital Moreira, assina hoje um artigo num jornal, o Diário Económico, como "presidente do CEDIPRE

O artigo é sobre as ordens profissionais e Vital Moreira expende considerações judiciosas sobre o estatuto e a conveniência em que o Estado estabeleça " um conjunto de regras comuns básicas sobre a organização, o governo e o funcionamento das ordens profissionais", para "definir de uma vez por todas as atribuições das ordens na regulação do acesso à profissão, pondo termo a abusos que não podem continuar."

Ora o que chama a atenção, é aquela particular qualidade de "presidente do CEDIPRE".
O que é o CEDIPRE? É um "instituto de investigação e pós-graduação da FDUC", na Universidade de Coimbra, portanto.
Para além disso, é uma associação de direito privado sem fins lucrativos, que se rege por estatutos e pela lei, com sede na própria FDUC, ou seja nas instalações da Universidade pública.
Como é que se relaciona esta associação privada, com a universidade pública?
Assim: por protocolo (!) que define a utilização de espaços, pessoas, instalações, equipamentos, e até a própria aquisição de livros. Além disso, toda a actividade académica da associação privada, deve ser aprovada previamente pela FDUC que também pode impedir actividades da associação, na escola. É também aí que se definem as contrapartidas da associação para com a escola pública. E que virão no protocolo.
Assim, a FDCU, manda nos espaços, no pessoal, no equipamento, nas instalações e nas iniciativas que a associação dispõe e exerce, no local que é da FDUC, ou seja, um local público, como é o de qualquer escola do Estado.
A Universidade de Coimbra, em face da lei, como os demais estabelecimentos públicos do ensino superior, tem uma amplo grau de autonomia, estatuária, académica, científica, pedagógica e naturalmente de autogoverno, com órgãos próprios.
É no exercício desta ampla e regalada autonomia que a FDUC e a Universidade, sustentam outras associações de direito privado sem fins lucrativos, em que participam uma boa parte dos professores da própria universidade.
Várias associações deste teor, apoiam e organizam quase dúzia e meia de cursos de pós-grauação, com duração variável e destinados a licenciados, em regime "pós-laboral", ou seja, nas últimas horas das Sextas-feiras e aos Sábados.
Quem frequenta estes cursos, de pós-graduações, paga bom dinheiro - a quem? À entidade privada ou à pública?- pela inscrição e pelas propinas.
Segundo as contas do CEDIPRE, por exemplo no ano de 2005, a maioria das despesas da associação, contabilizadas como "custos", foi para..."honorários" (sic). Isso, mesmo com altos patrocínios público-privados, obtidos por protocolo, de empresas com óbvias ligações ao Estado, como Anacom, ERSE, Banco de Portugal, Instituto de Seguros de Portugal e Instituto Nacional de Transporte Ferroviário.

Esta orgânica e esta mecânica de funcionamento dos cursos de pós-graduação, pode aparentemente estender-se às outras associações privadas que funcionam simultaneamente, nas instalações da FDUC, com pessoal da FDUC e com equipamento da FDUC, ao fim de semana e que ministram uma profusão de cursos e cursinhos de pós-graduação.

É certo que o propósito destes cursos e destas actividades é altamente louvável. Não é isso que está em causa, com esta exposição. São verdadeiras oportunidade de valorização cultural e profissional aquilo que oferecem. Mas...ainda assim, há anos que me intrigam. Cursos destes, em escolas públicas, num regime híbrido, porquê, exactamente?
Ocorre perguntar, como é que isto funciona, assim, com tanto curso e tanta gente, ligada umbilicalmente à universidade pública, agregada ao mesmo tempo em associações privadas, com as características que se conhecem e a funcionar deste modo e nesta- há que dizê-lo- promiscuidade do público com o privado que pelos vistos é vituperada em relação a certas instituições e neste caso- moita carrasco?
Directamente, então: quem é que mais ganha com isto? Os alunos? A universidade pública? Os docentes? E quanto a estes, como é que se compatibiliza a sua especial natureza de funcionários públicos, pagos pelo Orçamento do Estado, com o pagamento de "honorários", obtidos deste modo?
Quanto a estes, escusado será dizer que a ampla margem de autonomia, permite a contratação de juristas que também são profissionais de outras áreas que não o ensino, técnicos de outras profissões, etc. etc.
Estará certo, isto? Será este o ensino público que se pretende, deseja e incentiva? Que diferença fazem, neste aspecto particular e organizativo, das universidades que concedem brindes aos alunos?

Ficam as perguntas, com a promessa de retornar ao tema. Depois de saber onde e quais são os protocolos. Porque de facto, mesmo procurando, não os encontrei. Podem mostrá-los?

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Observatório 2008 - Iowa é o «must-win state» para Obama


No segundo capítulo desta ronda pelas candidaturas com hipóteses de chegar à nomeação, falaremos hoje sobre os pontos fortes e fracos de Barack Obama, senador pelo Illinois e segundo classificado da corrida democrata.

Trata-se de uma candidatura que vive num dilema: o que já conseguiu é fantástico, tendo em conta que Obama tem 46 anos e só é conhecido a nível nacional há apenas dois anos e meio, mas a dureza dos números mostra que, se nada de substantivo acontecer, o que Barack já conquistou de nada lhe valerá para 2008.

Inteligente, jovem, bem-parecido, Obama tem passado a mensagem de ser o candidato do futuro, aquele que não está comprometido com os vícios de Washington e com os erros dos últimos anos, contrapondo com a excessiva colagem de Hillary aos anos Bill Clinton e mesmo ao que se passou desde 2000, dado que a senadora votou a favor da guerra no Iraque, ao contrário de Barack que, enquanto membro do senado estadual, em Chicago, foi dos primeiros líderes democratas a estar contra a intervenção no Iraque.

O problema de Obama é que a sua realidade é o segundo lugar. Como nem sequer é provável que Hillary o vá convidar para seu vice-presidente (Joe Biden ou Bill Richardson são hipóteses mais prováveis), isto significa que o fenómeno Obama só pode vir a colher frutos no plano nacional em... 2016, se Hillary vencer em Novembro do próximo ano, ou em 2012, na hipótese de a Casa Branca se manter no lado dos republicanos.

Capaz de atrair multidões, campeão da arrecadação de receitas até ao mês passado (no somatório, ainda tem mais dinheiro do que Hillary, mas se contarmos a partir do Verão, a senadora por Nova Iorque já o ultrapassou, fruto da normal capacidade de atracção de quem vai à frente), Obama sabe que terá que ser, nos próximos três meses, ainda mais extraordinário se quiser sonhar com a nomeação.

Não contestando as capacidades da sua principal adversária, Obama considera-se, no entanto, em melhores condições para «reconciliar a América», fazendo uso de um discurso inspirador, que apela ao sonho.

Só que a eficácia de Hillary, que tem conseguido passar a mensagem de que é a candidata mais bem preparada, mais experiente e em melhores condições de ganhar a eleição nacional (as duas primeiras premissas talvez estejam certas, a terceira ainda não é líquida) tem levado a que, nos últimos meses, a diferença entre Hillary e Obama se tenha aproximado dos... 20 pontos percentuais.

Barack está, pois, num autêntico contra-relógio para tentar contrariar o superfavoritismo de Hillary Clinton. Se uma consulta pelas sondagens a nível nacional nos levaria a achar que a missão de Obama é quase impossível.

Mas vários analistas avisam: a nomeação ainda não está fechada do lado democrata. No caucus do Iowa, tudo está em aberto: alguns estudos dão uma escassa vantagem a Hillary, mas outros põem Obama à frente, com John Edwards sempre muito perto dos dois principais candidatos.

E, olhando para exemplos como os de John Kerry ou Bill Clinton — que partiram para as primárias atrás de Howard Dean e Paul Tsongas, respectivamente, mas acabaram por obter a nomeação pelo balanço ganho por bons resultados nas primeiras consultas — convém não colocar, desde já, Obama do lado dos derrotados.


É certo que a vantagem de Hillary é muito grande, mas se Obama vencer no Iowa (o que, neste momento, é perfeitamente possível) tudo pode mudar. «Iowa is a mus-win state for Obama», titulava o Rasmussen Reports, na semana passada.

E a verdade é que, há poucos dias, a Newsweek fez uma sondagem no Iowa com números animadores para Barack: Obama surge à frente, com 28 por cento, com Hillary em segundo, 24, e Edwards em terceiro, reunindo 22 por cento das intenções de voto.

Mas uma vitória no estado de arranque pode não chegar: Obama terá, depois, que confirmar o balanço ao vencer pelo menos um dos dois estados seguintes: New Hampshire e Carolina do Sul.

Para que tal seja possível, terá que conseguir ser mais eficaz a captar votos junto do eleitorado negro, muito numeroso na Carolina do Sul (onde Hillary ainda domina, capitalizando a enorme simpatia que Bill Clinton tinha junto dos negros).

Outro trunfo que Obama ainda conserva, na comparação com Hillary é o facto de se revelar mais forte no duelo com os dois mais prováveis candidatos republicanos. Obama está à frente de Giuliani com um avanço entre os 4 e os 10 pontos e lidera o duelo com Fred Thompson entre os 6 e os 12 pontos, números superiores aos de Hillary.

Um estudo do Gallup, maior instituto de sondagens dos EUA, avaliou, itens fundamentais, quem se encontra em melhores condições junto dos americanos: Hillary ou Obama. A senadora ficou à frente em temas mais ligados à economia, aos impostos e à saúde, mas Obama mostrou-se mais forte em questões como «inspirar os americanos», «relações entre diferentes raças» ou «capacidade de unir o país».

Aqui ficam os resultados desse interessante estudo:
«QUE CANDIDATO LHE INSPIRA MAIS CONFIANÇA NOS SEGUINTES TEMAS...»

SAÚDE: Hillary 65-Obama 14

ABORTO: Hillary 61-Obama 14

ECONOMIA: Hillary 58-Obama 21

RELAÇÕES EXTERNAS: Hillary 54-Obama 21

RELAÇÕES ENTRE AS RAÇAS: Obama 58-Hillary 30

CAPACIDADE DE UNIR O PAÍS: Obama 47-Hillary 34

RECONCILIAR A AMÉRICA: Obama 55-Hillary 29

Publicado por André 20:14:00 2 comentários Links para este post  



Não há um Prémio Nobel para este médico???


Médicos na Austrália salvaram a vida de um turista italiano envenenado alimentando-o durante três dias com vodca por via intravenosa (do SOL)

O turista italiano de 24 anos foi levado ao Hospital Mackay Base, no norte do Estado de Queensland, depois de ter ingerido uma grande quantidade de etilenoglicol, um componente de aditivos de radiador de automóveis, numa suposta tentativa de suicídio

O etilenoglicol pode paralisar o funcionamento dos rins e é fatal.

O médico Pascal Gelperowicz, que liderou a equipa de tratamento em conjunto com Todd Fraser, afirmou que o italiano estava inconsciente quando chegou ao hospital. O tratamento foi iniciado imediatamente com o álcool farmacêutico, que funciona como um antídoto para o etilenoglicol.

Mas os suprimentos de álcool farmacêutico do hospital de Queensland acabaram.

«Rapidamente usámos todos os frascos disponíveis e decidimos que havia outra opção: fornecer álcool ao paciente através de bebidas alcoólicas colocadas na sua sonda nasogástrica» , disse Gelperowicz ao jornal The Australian.

Todd Fraser disse que o tratamento pode não ser convencional, mas foi bem sucedido, pois o paciente recuperou totalmente.

«O paciente recebeu o equivalente a três doses comuns a cada hora, durante três dias, enquanto permaneceu na unidade de terapia intensiva» , afirmou Fraser.

«A direcção do hospital foi compreensiva quando explicamos as nossas razões para a compra de uma caixa de garrafas de vodca» , acrescentou.

Publicado por Carlos 18:37:00 4 comentários Links para este post  



A festa e a farsa

Ontem, era o PCP. "Os do costume", no dizer do primeiro ministro. Hoje, depois de reflectir no efeito da frase, perante os manifestantes na escola da Covilhã, já é "a festa da democracia".

Há coisas fantásticas... Não há?

Publicado por josé 20:06:00 10 comentários Links para este post  



O ministério da oposição interna

Os cultores da imagem do governo e demais núncios em geral, têm afazeres suplementares estes dias, para se desfazerem da estupidez de alguns zeladores.
Depois da inteligente medida da PSP da Covilhã, em prevenir manifestações sem aviso prévio, recolhendo papéis subversivos, já têm outro assunto com que se entreter: o processo disciplinar ao jornalista da RTP, José Rodrigues dos Santos, para o despedir por delito de opinião.
Parece incrível? Nem por isso. Basta ir ao Abrupto e ler a arguta argumentação, do director de informação do canal informativo do Estado.

Às vezes, nem é preciso oposição. A gente do governo, generosa, fá-la. Muito bem feita.

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Escutas? Que escutas?!

Ontem, no final do Prós e Contras, da RTP1, Rui Pereira e Paulo Portas, foram perguntados pela animadora do programa, sobre os costumes que se podem ouvir nas conversas gravadas no processo Portucale e recentemente transcritas pelo Sol.

Ambos disseram nada, o que é sintomático do conceito particular da democracia que praticam.

Paulo Portas, ainda se desplantou a dizer que não comentaria o teor dessas escutas, porque…”estaria a validar uma ilegalidade “! E Rui Pereira, passou as marcas do desplante ao perguntar mesmo, à animadora: “Escutas? Que escutas?!’

Esta malta goza connosco, como feitores de quinta abandonada pelo dono. O Povo parece não querer perceber a gravidade destes assuntos e os candidatos a eleições, eleitos e reeleitos e sempre nas listas para as candidaturas de arranjo, já perceberam que reinam na mais completa impunidade popular. Quem manda, sabem eles muito bem, são os partidos. E se eles mandarem nos partidos, o povo vota e acabou a conversa. Satisfações, só na urna. De voto na mão.

Só assim se compreende que mandem os demais curiosos da coisa pública, que também votam, dar uma volta ao bilhar grande. Como ontem fizeram.

Publicado por josé 19:20:00 2 comentários Links para este post  



Os subversivos

A visita do primeiro-ministro José Sócrates, a uma escola secundária, na Covilhã, já deu que falar, hoje, daquilo que o mesmo não gosta: críticas certeiras a atitudes erradas.
A CGTP, agregada de vários sindicatos de professores, como o sindicato dos Professores da Região Centro, planearam uma acção de eventual protesto contra o governo deste primeiro-ministro, à semelhança do que tem ocorrido noutros locais do país.
Para o primeiro-ministro, de riso amarelo afivelado, estas acções são promovidas pelo partido comunista que ainda não se adaptou à democracia e só sabe protestar através de insultos.
Até aqui, tudo normal, se não quisermos analisar mais além , a subtileza da noção de democracia de José Sócrates que o leva a execrar seja que manifestação for que não traga sorrioso e aplausos para as suas políticas excelsas que nos puseram com mais de 8% de desempregados.
Os manifestantes que aplaudem, são ordeiros, pacíficos e em nada perturbam a ordem pública. Mesmo não avisando com antecedência, são sempre bem vindos.
Os demais, como os dos sindicatos, são uma corja antiga, sempre a mesma e que se compõem dos maledicentes do costume, associados aos derrotistas que nunca vêem a luminosidade das medidas deste governo ou doutros. Como tal, bastão para cima deles e processos crimes por injúrias à autoridade e por se manifestarem ilegalmente- porque não avisam antes. Os outros já são avisados por naturez, porque são educados e de bom tom e só não trazem bandeirinhas para acenar, porque ainda ninguém se lembrou disso.

Soube-se agora que uns agentes voluntariosos da PSP da localidade, visitaram a sede daquele sindicato, para se inteirarem sobra a natureza dos “protestos”, perante um simples funcionário que os atendeu e passou a novidade, contada em única e primeira mão.
A atitude, no contexto daqueloutras, sumamente inteligentes, do primeiro-ministro, assumiu logo foro de escândalo maior, com direito a forum na TSF e rasganço de vestes variadas, do BE ao CDS, incluindo o próprio PS.
A atitude dos esbirros foi imediata e livremente assimilada às acções da antiga polícia política, que andava sempre à cata de subversivos.
Para o PCP, o gesto é simplesmente pavloviano: mais uma oportunidade de ouro para se falar na PIDE e no regime de ditadura feroz que capava as liberdades democráticas, como se o regime que sempre defenderam fosse capaz de agir de modo diverso.
Os apaniguados, Vital, Magalhães e associados, desta vez, clamam pela estupidez da análise que os incrimina. Seriam lá capazes de mandar fazer uma coisa destas! Como se viu no caso Charrua, o respeitinho, tem que havê-lo, mas não se castiga ninguém pelo zelo. Seria excessivo.
Palpita-me que desta vez, alguém na PSP da Covilhã, não vai ter a sorte da professora Margarida. O zelo também tem dias.

Publicado por josé 15:53:00 1 comentários Links para este post  



Elis, 1981, no último concerto, já muito perto do fim

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El Che morreu há 40 anos.





















Faz hoje 40 anos que Che Guevara foi executado, por um comando boliviano, poucos minutos depois das 13 horas locais, num Domingo boliviano.
Começara o mito. A sua denúncia, só agora se revela ao mundo, em termos mediáticos. Da Loja, faz-se um relato, pequeno, de uma reportagem da revista francesa L´Express, com uma passagem em que se transcreve o que conta o seu executor, Felix Rodriguez - um cubano, antigo agente da CIA, hoje exilado nos Estados Unidos.
Segundo relatos recentes, Che, enquanto comandante da prisão de Cabana, foi responsável directo e até executor, de dezenas de prisioneiros.

Félix conta que até ao último instante, El Comandante, pensava que iria ser poupado. Não foi, por ordem superior. No momento da execução, disse-lhe: Diz à minha mulher que volte a casar e tente ser feliz." Aleida March de la Torre, parece que tentou.

A última imagem do Che, minutos antes de morrer, é esta. Félix, está atrás, à esquerda de quem olha de frente para a imagem.


Nota: A hora exacta da execução, é apontada por Rodriguez, na L´Express como sendo as 13h e 20m. Na entrevista à Veja brasileira, refere 13h e 10m. Tanto faz, mas o pormenor da foto, interessa mais: quando foi tirada, Che ainda pensaria que sobreviveria. Logo a seguir, uma chamada, codificada, dos comandantes bolivianos, indicou a Félix Rodriguez, o que fazer: execução imediata. Segundo Rodriguez, El Che, quando se apercebeu do destino iminente, ficou lívido. Pudera.

O Público de hoje, consagra duas páginas centrais à efeméride. Duas páginas que acrescentam ao mito e nada fazem para o trazer à realidade dos factos históricos, só agora conhecidos. Há opções que definem outros mitos e lêndias.

Publicado por josé 01:19:00 8 comentários Links para este post  



Estado, religião, tradição, costume e cultura

O laicismo tem dias. Um destes dias, ainda percebe o lugar que ocupa nesta sociedade.











Imagens tiradas do Público

Publicado por josé 14:25:00 11 comentários Links para este post  



moca filosofal

Em Fevereiro de 2005, José Sócrates entendia que a taxa de 7,1% no desemprego, era a prova provada do falhanço do governo anterior e que os portugueses precisavam de um novo governo. Os portugueses, deram-lho. Com uma maioria absoluta anexa.
Que fizeram dela, estes filósofos de nome e curso saído na farinha Amparo?

Passados quase três anos, o desemprego subiu para mais de 8%. Conclusões? Ah... coisa e tal, estamos no bom caminho, o melhor vem já a seguir e isto vai ser uma maravilha, connosco no poder.Votem em nós!
Em política, o que hoje é verdade, amanhã, pode ser mentira. Como no futebol da liga milionária, sem fundos à vista.
Não têm um pingo de vergonha naquele jeito de propaganda de "bichinho álacre e sedento, de focinho pontiagudo que fossa através de tudo num perpétuo movimento."

Publicado por josé 14:09:00 2 comentários Links para este post  



Ciclo Clarice Lispector: capítulo II


«Se o leitor possui alguma riqueza e vida bem acomodada, sairá de si para ver como é às vezes o outro. Se é pobre, não estará me lendo porque ler-me é supérfluo para quem tem uma leve fome permanente. Faço aqui o papel de vossa válvula de escape e da vida massacrante da média burguesia. Bem sei que é assustador sair de si mesmo, mas tudo o que é novo assusta»

in «A Paixão Segundo G.H.», romance publicado em 1964, talvez o seu melhor livro. As iniciais G.H. referem-se a 'Género Humano', sobre o qual a autora discorre em todas as suas obras
"...uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente"...
«Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida»
Tudo o que Clarice escrevia tinha uma marca de água e era matéria para pensar. Até ao próximo dia 9 de Dezembro, data do 30.º aniversário da sua morte, a Grande Loja dedicará um ciclo à escritora brasileira, nascida na Ucrânia e que chegou a Maceió aos dois meses, tendo vivido a maior parte da sua vida no Brasil, com passagens pela Europa.
Escritora surpreendente, por vezes cortante na frieza das suas análises, aliava uma visão quase cruel da existência com um lado místico que chegou a levá-la a participar no Congresso Internacional de Bruxas, na Colômbia, em 1975.
Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores intelectuais brasileiros do século XX, definiu-a assim:
«Clarice veio de um mistério e partiu para outro. Continuamos sem conhecer a essência desse mistério. Ou talvez não fosse essencial descobri-lo, pois o mais importante era Clarice viajar nele».
Para conhecer ainda mais sobre Clarice Lispector, pode consultar «http://haialispector.blogspot.com», um blogue de José António Barreiros exclusivamente dedicado à escritora.

Publicado por André 01:19:00 1 comentários Links para este post  



Clo Clo em repetição

Epá! Acabou agora mesmo a retoma do Isto é uma espécie de magazine, na RTP1.
Espero pelo próximo. Desta vez, só passaram o ensaio. Mas já se nota a qualidade reforçada; a originalidade repetida e a inventividade recalcitrada.
Vai longe, esta espécie de humor.

Publicado por josé 22:21:00 1 comentários Links para este post  



Xaile em Belém



É o reconhecimento da qualidade de um grupo que, com quatro meses de existência, ainda está em afirmação, mas já bem maduro na forma e no conteúdo.

Este «Xaile», estou certo, ainda dará muito que falar. Para já, foi a exibição, em pleno Palácio de Belém, a convite do Presidente Cavaco Silva e perante dois mil convidados, num concerto integrado nas comemorações da implantação da República, no passado dia 5 de Outubro.

Uma escolha adequada, tendo em conta que o Xaile reúne, no estilo, na memória e na tradição, uma síntese do ser português: folclore misturado com sonoridades sofisticadas, a remeter, em simultâneo, para o passado e para o futuro.

A Grande Loja continuará, pois, a seguir de perto a carreira do grupo de Lília, Bia, Marie, Johnny Galvão e Rui Filipe.

Publicado por André 20:27:00 2 comentários Links para este post  



Os manhosos do costume

Continua o desentendimento dos entendidos do costume: a entrevista de Cravinho, tal como o artigo de VPV, não visam um qualquer corrupto de Câmara, ou um venal da Assembleia.
Esses, estão bem alçados na lei penal- se forem apanhados, mas isso são contas de outro rosário que o mostrengo traz consigo.
Aquilo que eles disseram tem a ver com o sistema político que temos e que produz luminárias para quem a corrupção é apenas um problema restrito, de polícia e de lei.
Tudo o resto, que envolve incompatibilidades, conflitos de interesses, ética e deontologia, serviço público exclusivo e a bem da causa pública, é verbo de encher para essas luminárias de memória apagada.
Todos os valores republicanos se cingem à lei, para estes positivistas desentendidos.
A moral, o costume, os princípios de boa governação em prol do bem e da coisa públicas, a ética republicana, plasma-se na lei e daí não sai, nem daí ninguém a tira.

Publicado por josé 19:30:00 0 comentários Links para este post  



E que tal uma informação a sério?

E depois temos o atavismo de dezenas de anos de dependências várias. "A administração da RTP "passa recados" do poder político", diz no Público de hoje, o pivot- jornalista, da RTP1, José Rodrigues dos Santos, já com 16 anos de experiência e o único que ainda não vi a pender em entrevistas, para o lado mais correctamente político.
A entrevista da RTP1 a José Sócrates, por ocasião da explicação pública acerca de dois anos de governa...perdão, da licenciatura, foi uma autêntica vergonha que define o tipo de jornalismo que actualmente se espera, também tristemente, de uma estação pública subordinada ao poder que lhe pode alterar os cargos de gerência bem paga: atenta, veneradora e obrigada ao respeitinho.
Juntando a isso uma SIC coordenada na informação por uma luminária tipo Ricardo Costa, temos um panorama televisivo a que só falta a TVI. Essa, tem um tudólogo, às terças-feiras à noite e que explica ao telespectador o que ele nunca entendeu nem entenderá: como é possível uma coisa daquelas passar por exemplo de isenção, competência e imparcialidade na análise de tudo e mais um par de botinhas.
Nos jornais, o problema já diverge: as audiências dos mais lidos, ficam-se pela centena de milhar. E os putativamente mais influentes, na intelligentsia, vendem um cabaz deles que nem dá para mandar cantar um cego. Dependem por isso de um poder que os alimenta a publicidade.
Nas rádios ? Impera a voz do dono publicitário. Sem grandes modulações de frequência. Na pública, manda o mesmo da RTP e nas outras, fica tudo assim.

Para quando um jornal a sério?

Publicado por josé 17:32:00 1 comentários Links para este post  



A lógica dos do costume

Vasco Pulido Valente retoma a entrevista de Cravinho à Visão, já por aqui glosada, para lhe dar a interpretação extensivamente correcta e que alguns correligionários do actual consultor do BERD, manifestamente não quiseram entender e encaixar:

VPV diz muito simplesmente que “não existe um Estado independente do “bloco central” e muito menos dos “negócios”, que o apoiam e sustentam: da banca e da energia, a quatro ou cinco escritórios de advogados”.

Nesta afirmação, carrega-se a tinta da corrupção do Estado, daquela que não vem no Código Penal e assenta arraiais na praça pública da anomia.

Para muitos comentadores, com destaque para os situacionistas do momento, escrever algo como isto, releva mais de estultícia ou pura heresia que de sageza. Parece-lhes patético que alguém se atreva a dizer publicamente que a honra do Estado está perdida há muito e quem a deitou a perder foram precisamente os seus guardiães mais responsáveis, com destaque para os dois partidos de bloco central.

E no entanto, é meridianamente evidente que as leis do Estado para combater a corrupção, focam apenas no desgraçado que é apanhado em troca de favores directos, de toma lá, dá cá, tipo Domingos Curto Felgueiras e poucos mais. E as novas leis que se vão refazendo, vão protegendo cada vez mais, objectivamente esse núcleo duro e reservado, onde se acoita o mostrengo. Sempre, porém, com um discurso diverso e enganador.

O aparelho investigador e repressivo do Estado, foi capado, há muitos anos, para não andar a incomodar demasiado, as virgens púdicas da política portuguesa que se abanca à mesa do Orçamento como gente grande e com os amigos de sempre.

Aqueles desgraçados, apanhados ainda assim, pela investida libidinosa dos capados, e peranto o mostrengo que conhecem de gingeira, indignam-se com toda a naturalidade: eu?! Cadê os outros?- simulando a já antiga indignação brasileira que lhes serve de refúgio e exemplo.

Um exemplo, desta pequena criminalidade de ratolas da democracia e que distrai da outra que nem chega a tal patamar legal, mas que avança para além do tolerável em democracia?

Abílio Curto, membro destacado do PS, logo que condenado sem mais apelo, a cinco anos de cárcere por delitos associados a corrupção de que cumpriu já metade da pena) em Fevereiro de 2004, apelou à compreensão pública: “"Todo o dinheiro foi para o PS".

Confissão de condenado. Sem outro objectivo que não a verdade das coisas e de entendimento lógico e singelo para o comum dos cidadãos.

Perante isto, de uma evidência de fazer corar as pedras da calçada, que fazem os apaniguados do sistema que dele vivem e à sua sombra vicejam? Renegam o traidor. E do mesmo passo, defendem o sistema à outrance, se o ataque visa o partido protegido.

Vital Moreira, no próprio dia da confissão pública, apontou logo, no blog, que tal coisa era impossível. Se até a própria condenação dizia que o dinheiro tinha ido para a campanha autárquica do condenado! É ler para crer.

E também perceber porque é que o sistema não muda: precisamente porque anda ratado e minado por dentro, por interesses e lógica de poder partidário.

Trinta anos desta lógica, deu nisto que agora Cravinho denuncia e VPV reanuncia.

Em 25.1.2005, nos pactos para patos, escrevia-se nesta Loja, além do mais, algo que parece ainda actual. Aí se menciona que Joaquim Fortunato, presidente da AECOPS, numa entrevista ao DN dizia, expressamente e sem grandes rodeios:

Ou há pacto de regime ou há revolução para que entre uma nova classe política. Tem de haver uma política coerente, uma estratégia para os grandes projectos de infra-estruturas que tenha o acordo dos dois principais partidos, para não haver sobressaltos.

Publicado por josé 16:49:00 1 comentários Links para este post  



Discussão para um domingo à tarde


Contrapondo com a visão do «Anónimo» (http://oanonimoanonimo.blogspot.com, de Coutinho Ribeiro, cuja leitura recomendamos), que cita um estudo da Forbes, a Grande Loja considera, no mínimo, estranho que Jennifer Aniston venda mais revistas que a menina acima retratada.
Por isso, e sobretudo desde que é a musa de Woody Allen, o nosso prémio irá sempre para Scarlett Johansson.
Está, pois, lançada a polémica...

Publicado por André 15:27:00 1 comentários Links para este post  



Onde está o Walter?


Na semana passada, foi Filomena Mónica, a assestar baterias de crítica fundamentada, sobre o secretário de estado Valter Lemos, o licenciado em Biologia, Master od Education, já em tempos remotos, pela universidade americana de Boston.
Hoje, é António Barreto no Público, a castigar o mesmo indivíduo governante, apontando-o como flagrante exemplo dos males do nosso ensino.
Depois de transcrever um despacho normativo, assinado pelo secretário de Estado, António Barreto escreve: " É fácil compreender as razões pelas quais chegamos onde chegamos. E ainda por que, assim, nunca sairemos de onde estamos."

O tal despacho, cita um Decreto Lei de 2004, revisto e alterado, através de declarações de rectificação, sucessivas e exemplares, para António Barreto, da "obsessão normativa e regulamentadora, na origem de um afã legislativo doentio".
Nada mais diz, António Barreto. Mas diz o suficiente, porque o resto já ficou dito na semana passada.

Publicado por josé 14:58:00 9 comentários Links para este post  



Espalhem a Notícia


«Espalhem a notícia

do mistério da delícia

desse ventre

espalhem a notícia

do que é quente e se parece

com o que é firme

e com o que é vago

esse ventre que eu afago

que eu bebia de um só trago

se pudesse


Divulguem o encanto

o ventre de que canto

que hoje toco

a pele onde à tardinha

desemboco tão cansado

esse ventre vagabundo

que foi rente e foi fecundo

que eu bebia até ao fundo

saciado


Eu fui ao fim do mundo

eu vou ao fundo de mim

vou ao fundo do mar

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher


vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher bonita

A terra tremeu ontem

não mais do que anteontem

pressenti-o

o ventre de que falo

como um rio transbordou

e o tremor que anunciava

era fogo e era lava

era a terra que abalava

no que sou


Depois de entre os escombros

ergueram-se dois ombros

num murmúrio

e o sol, como é costume,

foi um augúrio de bonança


sãos e salvos, felizmente

e como o riso vem ao ventre

assim veio de repente

uma criança

Eu fui ao fim do mundo

eu vou ao fundo de mim

vou ao fundo do mar

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher


vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher

bonita


Falei-vos desse ventre

quem quiser que acrescente

da sua lavra

que a bom entendedor

meia palavra basta,

é só adivinhar o que há mais

os segredos dos locais

que no fundo são iguais

em todos nós


Eu fui ao fim do mundo

eu vou ao fundo do mim

vou ao fundo do mar

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher

bonita...»


«Espalhem a Notícia», Sérgio Godinho, in «Canto da Boca», 1981

Publicado por André 00:42:00 1 comentários Links para este post  



A avoenga da criatura

José Pacheco Pereira, registou a paternidade da palavra Populismo: é dele. Vem no artigo da Sábado desta semana.
Não vem lá a definição do termo, que isso é outra loiça. Vem apenas o pechisbeque de quem o usa, sem lhe reconhecer a procedência legítima.
Da Loja, vem a explicação. Do termo e da avoenga da criatura.

Acrescento em 6.10.2007:

Depois do grande divulgador, Pacheco Pereira, ter assumido a paternidade da revelação do bicho populista, aparece hoje Vasco Pulido Valente a enunciar os termos sumários da definição, em modo de crónica na última página do Público.

O populismo é, em substância,uma doutrina ou uma prática política que nega ou tenta enfraquecer o princípio da representação. O populismo promete ao "homem da rua" ou às "bases do partido" ( ao povo numa variante ou noutra) o exercício directo do poder.

Numa coisa coincidem , JPP e VPV: Luís Filipe Menezes é um populista.

A base do argumento definidor de VPV é algo deletério, sintetizado na afirmação de um dos jovens turcos: “ a ligação directa ( do chefe) ao país real”. Essa ligação, liberta o chefe de qualquer programa ou obrigação programática, porque tudo passa a depender da vontade do chefe, em ligação privilegiada à vontade do povo.

Esta definição já tinha sido enunciada por Edward Shill,, nos anos 50 e este conceito de populismo, enunciado por VPV, parece-me o mesmo, escrito em 1989, na Vida do Independente, para definir Cavaco Silva e o seu modo de governar, como já foi apontado no escrito anterior.

O que traz um problema suplementar: Se Cavaco Silva também era ( é?) um populista, que dizer do conceito, assim definido?

Talvez elaborar um pouco mais e não ficar pelas análises perfunctórias, mal acabadas e que ressumam a mero preconceito, seja a solução. E no caso português, vamos provavelmente descobrir que o sistema político-partidário, não admite grandes populismos. Antes, suporta grandes partidos entrosados já em sub-sistemas oligárquicos de manutenção de poder.

Balsemão, um dia destes num Prós e Contras qualquer, dizia-se muito satisfeito pelo sistema político português que congrega já um número assinalável de profissionais da política.

Marques Mendes é o quê, senão um profissional da política que um ressabiado Belmiro dizia há uns anos que nem para porteiro o queria? Sócrates, com a engenharia que tem, é o quê, também?

E quem é que atende verdadeiramente ao aperfeiçoamento da democracia, através da criação e incentivo a instituições políticas, sólidas e autónomas, com regras de igualdade para todos e empenhadas em fazer respeitar as regras de mercado, sem intervenção na economia, para realizar interesses próprios , no dizer de David Grassi?

O que dizer da governamentalização do sistema político, com subalternização do Parlamento, como se tem visto em Portugal? E que dizer do modo como se escolhem deputados e comissários vários?

Isso é o quê? Democracia avançada, para o século XXI?

Publicado por josé 20:20:00 0 comentários Links para este post  



As benevolentes


A entrevista de Catalina Pestana ao Sol, é explosiva no que diz, no que deixa adivinhar e no que fica por dizer. Mas suficiente para se ficarem a saber as suas convicções de pessoa que lidou com o assunto por dentro, ouviu os menores concretamente abusados, ouviu pessoas ligadas à instituição e sabe aquilo que muitos comentadores de secretária, tipo Ana Gomes ou Adão Silva, entre uma imensa caterva, nunca sabem, nem lhes interessa saber.

Publicado por josé 13:15:00 11 comentários Links para este post  



Os zangãos

As reacções zangadas de Vitalino Canas e de Alberto Martins, dois líderes do PS actual, habituais entronizadores de chefes, à entrevista de Cravinho, mostram que não querem dar a entender o que perceberam - porque de facto, perceberam- da mensagem de João Cravinho, com a entrevista à Visão de hoje.
Para eles, é tudo um problema de leis. Para inglês ver. Para Cravinho, é muito mais do que isso: é o espírito das próprias leis e aquilo que as precede: a consciência ética dos princípios.
Cravinho, na entrevista, fala expressamente do desentendimento a propósito do "juizo político e ético sobre a situação da corrupção em Portugal e o seu efeito corrosivo sobre as instituições democráticas".
Claro que o dr. Vitalino e o dr. Martins, fazem-se desentendidos. China, Stanley Ho, Angola, interesses económicos diversos, contratos milionários, pareceres avulsos aos milhões para algumas dezenas, advocacia de negócios rendosos, por conta do Estado ou umbilicalmente a ele ligados, são assuntos que têm a ver exclusivamente com leis, como toda a gente sabe. E quem não sabe, nem precisa de saber.
É por demais evidente que João Cravinho há tempos que pretende atingir o porta-aviões dos interesses avulsos e anónimos.
Ética? Conflitos de interesses? Que é isso?! Já temos leis que cheguem e Portugal até está muito bem no ranking mundial da corrupção.
Ah! E ainda falta a reacção do timoneiro Jorge Coelho, mas estamos certo que ainda se há-de ver. Correctamente pronunciada, desta vez.

Publicado por josé 00:32:00 1 comentários Links para este post  



Suzanne Vega em ponto de «Caramel»

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Coragem portugueses, o futuro será grandioso

«Adolescentes fumam menos e têm mais sexo»

in jornal «Público» desta quinta-feira

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Bye bye, mr. Cravinho

Venha o tema “corrupção” para a discussão pública e é certo que o nome de João Cravinho saltará como um exemplo de político preocupado com o assunto, de modo a enquadrar o fenómeno no seu habitat natural: entre a classe política.

Cravinho foi deputado e como tal, escreveu dos artigos mais cáusticos contra a anomia reinante e apontou o sítio concreto onde o bicho se acoita: no seio do aparelho de Estado.

As propostas legislativas de Cravinho para estancar a sangria de custos éticos e políticos, foram apresentadas ao público e tiveram pouca repercussão entre os pares. Et pour cause?

Cravinho, indicado por este governo socialista, foi para Londres, para o BERD, numa fuga entendida publicamente como uma capitulação no combate, por dentro do sistema ,ao cancro que o corrói. No limite, foi mais uma vítima do mostrengo de mil caras e outras tantas máscaras.

A revista Visão de hoje, entrevista Cravinho, sobre esse e outros assuntos. No essencial, diz Cravinho:

os diplomas foram , de facto, debatidos nessa altura. Esgotei a minha missão, os meu poderes como deputado. Fui até ao limite do que podia. Após um processo longo e muitas discussões, formei uma ideia sobre as razões das divergências profundas – porque as havia e eram manifestas- entre mim e a direcção do grupo parlamentar em questõs fulcrais. A primeira tem a ver com um juízo político e ético sobre a situação da corrupção em Portugal e o seu efeito corrosivo sobre o funcionamento das instituições democráticas. Penso que é um fenómeno grave, extenso e sem mecanismos de contenção à altura.. Alguns dos meus camaradas não são nada dessa opinião. O presidente do grupo, Alberto Martins, disse que o fenómeno existia, mas que Portugal não estava numa situação particularmente gravosa. Pelo contrário, nas comparações internacionais estava muito bem. Fiquei de boca aberta. Nem rebati, porque um homem como Vera Jardim disse logo que, pelas informações que lhe chegavam de homens de negócios, a corrupção era grave e estava em crescendo. Mas também não estávamos de acordo sobre a natureza do fenómeno.
(…)
Prevaleceu no debate uma visão eminentemente policia da corrupção. A minha é que existe esse lado policial, que também é importante – e não podem acusar-me de o ignorar, porque pedi e fiz propostas orçamentais que, aliás, só foram aprovadas parcialmente, para reforço do combate policial e da investigação criminal. Depois, o PSD e o CDS pegaram nisso, mas estive bastante isolado. Só que a corrupção como fenómeno novo, associado à globalização, torna a concepção policial obsoleta. Um dos nossos grandes problemas é a corrupção de Estado, a apropriação de órgãos vitais de decisão ou da preparação da decisão por parte de lóbis. Embora, aparentemente, tudo se faça segundo a lei, com mais ou menos entorses. A corrupção, antes de ser um fenómeno do domínio policial, é um problema de risco, de sistema, a ser gerido e não reprimido como se fosse um conjunto de factos isolados. Deve ser objecto de uma responsabilização total a nível administrativo e político. E ficou evidente que esta ideia não era partilhada. Assim como o papel do Parlamente no controlo do combate á corrupção. “Um dos nossos grandes problemas é a corrupção de Estado, a apropriação de órgãos vitais de decisão ou da preparação da decisão por parte de lóbis.”

A frase, assim proferida, rebola como uma granada por despoletar. Visa atingir o quê e quem? Os lóbis, é uma expressão vaga, de significado equívoco.

Os escritórios de advogados do PS e respectivo bloco central, organizam-se como lóbis?

Estou a referir-me em concreto aos escritórios de pessoas conhecidas, do próprio PS e de figuras gradas, ou do PSD e de bloco central. Há vários e para gosto variado, pelo que seria injusto para uns não os citar aqui, com outros que merecem igual citação. Assim, não cito nenhum. Toda a gente os conhece, porque estão sempre a aparecer e têm os seus deputados de estimação que podem acumular tarefas e trabalho em part-time, ou subrogado em substitutos legais, na Assembleia.

São esses que João Cravinho pretende atingir? Que o diga!

No caso de um dos escritórios mais conhecidos, a PLMJ, de Júdice, já se sabe que um dos sócios de capital, o fiscalista catedrático Mota de Campos, carrasco de Saldanha Sanches , já afirmou publicamente que não conhecia nenhum caso de corrupção. Ora, é exactamente isso que Cravinho diz: o problema é não haver corrupção como caso de polícia, mas sim ético-político. É aí que entronca a discussão cívica que não se faz, ou se renega.

Serão também esses lóbis que indica genericamente, as grandes empresas de construção civil, como a Somague e a Mota & Companhia e outras e os grupos que gravitam à volta dos seus negócios?

A REFER, outras empresas públicas e ainda as empresas de saneamento das autarquias, por exemplo, nadam neste pântano denunciado por Cravinho? E quem é que mergulha de alto nesse lodo?

Um caso como a da Bragaparques, em que há acusações oficiais e concretas de corrupção, é diferenciado deste tipo de fenómeno ou é farinha do mesmo saco?

E em que se configura exactamente aquele fenómeno apontado como sendo das franjas da corrupção que assim nem é considerada, porque foge à previsão legal?

Uma coisa ficamos a saber pela certa: é o PS deste grupo liderado por Alberto Martins que se recusa a aceitar a discussão nos termos propostos. Não querem. Acham que não há corrupção em Portugal que possa fazer perigar a estatística internacional e a boa imagem que temos de ficarmos quase no primeiro quarto dos 100 países mais corruptos, com tendência para aumentar exponencialmente. Contentam-se com essa mediocridade, por razões inconfessáveis, mas fáceis de adivinhar: o país é pobre e muitos não têm emprego compatível com o trem de vida. Aliás, quem é que paga em Portugal, mais de 5 mil euros por mês a licenciados de meia tijela que passaram toda a vida nas sedes partidárias e nada mais sabem fazer, se não à sombra do Estado protector, deles e dos seus?

Cravinho não responde agora e nem se aproxima de uma resposta que em tempos deu numa entrevista notável ao Público, em 5 de Dezembro de 2006, na qual dizia que a corrupção era um problema de sistema que vicejava "entre grupos, de certos sectores da administração".
Que grupos de que administração? São as autoestradas mais caras, talvez a saúde mais cara, as casas mais caras, tudo."

Nessa entrevista, Cravinho aproximou-se tanto do mostrengo que só tinha um destino à porta: o da chupeta internacional, no BERD ou noutro sítio onde se amamentam desiludidos.

A desilusão agora é tanta que perante a pergunta do repórter Visão ( Emília Caetano, em Londres), sobre o caso da licenciatura de José Sócrates, Cravinho nada melhor teve para responder do que isto:
Depois da investigação da PGR, o assunto está esclarecido”.
Pois está. Eticamente coerente, ficamos assim todos esclarecidos quanto ao realismo do combate de Cravinho e com a espinha encravada daquilo que podia ser o vislumbre de uma saída airosa e a tempo deste pântano em que meteram a vida colectiva deste pobre país.

Bye, bye, mr. Cravinho. You´re deceiving us all. E desculpe o tecnicismo do inglês...

Publicado por josé 15:51:00 3 comentários Links para este post  



Durão Barroso versão MRPP



(com a devida vénia ao PortugalDiário)

Publicado por André 02:39:00 3 comentários Links para este post