O País de Salazar
quarta-feira, maio 09, 2007
Mas quem são aqueles jornalistas bifes para virem ao País do Choque Tecnógico, da Transparência da Admitração Pública, no fundo, à Filândia do Mediterrâneo exigir informação? Mas aquela cambada de esponjas alcoólicas não sabe que em Portugal temos o segredo de justiça?
Qualquer pessoa no mundo civilizado sabe que em Portugal existe o segredo de justiça. E que, portanto, mesmo que se tenham 180 inspectores no terreno, um embaixador no Algarve, polícias ingleses a aterrarem cá, dois países atentos ao desenrolar de uma situação – nada pode ser dito por obediência ao segredo de justiça.
Infelizmente, as pessoas só ficam a perceber o que é o ridículo do segredo de justiça com o desaparecimento de uma criança.
Que, por azar, é inglesa. E que, também por azar, mobilizou a comunicação social de lá. Que, por ignorância completa, está a transmitir o que de pior havia no Portugal de Salazar: Um Portugal fechado, onde as instituições não têm por hábito prestar esclarecimentos públicos, um País bolorento, na era medieval, enquanto o mundo inteiro já abraçou a sociedade da comunicação. Um País com o segredo de justiça. I Love Portugal!
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Impudor
terça-feira, maio 08, 2007
Há quem pergunte de que é que se ri, este indivíduo...
Nas circunstâncias presentes será difícil de dizer e nem o próprio, se calhar, o saberá muito bem. Não é com certeza da notícia que lhe esmaga o retrato e ampara o cabeçalho; não será também da que lhe vigia o flanco, vinda do Brasil.
Poderia pensar-se que o riso viria da alegria de doar medula óssea a desvalidos da sorte. Nem isso. Quem doa, fá-lo de modo anónimo. Aqui, para além da doação serôdia, subsiste a publicidade ao acto, procurada acima de tudo, juntando-se a utilidade do mesmo à agradibilidade do gesto humanitário reconhecido, numa falsidade de anúncio publicitário.
A fronteira entre a obscenidade mais pura e a causa humanitária mais nobre, aqui, é fiscalizada pela vergonha inexistente.
O riso é, por isso, mera circunstância atenuante da impunidade reinante.
Publicado por josé 15:37:00 23 comentários Links para este post
Inspecções privativas
Segundo o blog Do Portugal Profundo, a Inspecção-Geral do Ensino Superior, dirigida por Helena Dias Ferreira, entendeu agora, em 19 de Abril de 2007 que era altura de investigar documentos relativos a um aluno de uma universidade privada, cujo percurso académico suscitara já dúvidas fundamentadas, em Fevereiro de 2005.
O pedido então formulado pelo autor daquele blog, relativo ao percurso académico de um aluno específico e com altas responsabilidades políticas, acompanhado de referências suficientemente explícitas para suscitar uma investigação às diversas incongruências detectadas, a maior das quais consistia na obtenção de uma licenciatura de um curso superior, em 1996, relativa a um curso iniciado apenas um ano antes, segundo o mesmo blog, mereceu daquela inspectora- geral ( na altura sub-inspectora) uma resposta arquivada, datada de 7 de Abril de 2005, sucinta e reveladora de desinteresse numa eventual investigação:
“Por não ser assunto da nossa competência, tanto mais que não se trata de qualquer queixa, arquive-se”.
Como refere o autor do blog, a ausência de interesse em investigar, na altura da exposição dos factos que aliás, continuam actuais e alguns deles sem resposta satisfatória para o senso comum mais elementar, transformou-se agora em interesse de autoridade.
A Inspecção Geral da Ciência e do Ensino Superior, através de despacho assinado pela mesmíssima responsável, entende que tem todo o dever de exigir o acesso a vários documentos, entre os quais as pautas de Engenharia de 1993 a 1995, as informações estatísticas dos alunos de 1995 e 1996, “os documentos originais do processo do aluno n.º 95389” (José Sócrates) e os “livros de termos de Engenharia Civil de 1993 a 1996”.
Segundo o Correio da Manhã, de 19.4.2007, a universidade apesar da exigência governamental, “recusou entregar os documentos”, com a alegação de que os inspectores já lá tinham estado e não quiseram “levar os registos”, antes. Provavelmente por causa disto, o Governo apresta-se a aprovar legislação que consagre um dever explícito de colaboração das entidades inspeccionadas… para além de uma uniformização suspeita do regime jurídico das Inspecções-Gerais.
Estas atitudes públicas de altos organismos públicos inspectivos, levanta várias nterrogações:
O que dizer destas Inspecções Gerais da Administração Pública portuguesa?
Que confiança devem merecer ao cidadão que vê, ouve e lê?
Que democracia e que transparência democrática vamos tendo neste nosso país? Onde é que chegamos com esta displicência de arrogância pública, e como foi possível chegar até aqui?
A Inspecção Geral da Ciência e do Ensino Superior, à semelhança de outras Inspecções gerais, norteia-se obrigatória e legalmente, por princípios estruturantes, definidos além do mais, na Lei 4/2004 de 15.1 e nos estatutos respectivos. Um desses princípios é o da prossecução do interesse público e por isso o da “imparcialidade na actividade administrativa”, para além da “prestação de serviços orientados para os cidadãos”.
Em poucas palavras, uma Inspecção-Geral é um organismo público do Estado e que não deve estar ao serviço particular de um governo, um partido ou uma pessoa concreta, seja ela
ministro ou mesmo primeiro-ministro.
Isto que deveria ser claro como água, para qualquer país moderno em que a democracia não seja uma mera ficção formal, por cá, aparece turvo e fosco e com várias cortinas de fumo.
Os organismos inspectivos da Administração Pública, em qualquer país, cujo governo respeite os cidadãos que elegem os representantes do povo, merecem atenção e cuidado redobrado no seu funcionamento exemplar. Acontece isso mesmo em alguns países, mormente os que andamos sempre a imitar. Acontecia isso por cá, até há alguns anos atrás, em que as Inspecções Gerais e os seus altos funcionários tinham um prestígio de competência técnica, idoneidade moral e imparcialidade funcional, dignas de assinalar ao estado a que chegamos.
Um serviço público de inspecção, deve ter a suficiente autonomia para poder considerar-se um serviço que prossegue o interesse público, por vezes não coincidente com o interesse particular de tutelas específicas que nomeiam os dirigentes.
Os inspectores de carreira pública, altos funcionários do Estado, para além da idoneidade exigível, deveriam ser independentes de partidarismos e clubites partidárias, porque a lei e o dever de servir a causa pública não devem andar atrelados ao partido de momento no poder. Os poderes de supervisão do Estado não deveriam andar arrastados por poderzinhos de cliques partidárias e grupos de influência política que elege líderes. A democracia exige-o.
Porém, este tipo de afirmações, hoje em dia, em Portugal, provoca o riso generalizado em quem as lê, porque o descrédito a que se chegou nesse sector, é tão profundo e sistemático que os princípios básicos e fundamentais que continuam a ser escritos nos diplomas, apenas aí figuram por efeito mimético de outros em cuja redacção se basearam.
A prática, pela escolha generalizada de apaniguados partidários, de facção e de clique, para dirigir lugares de relevo, encarrega-se de colocar as coisas no seu devido lugar e de condicionar os princípios às conveniências.
A explicação encontrada pela Sub-Inspectora do Ensino Superior, em 2005, para chutar para o canto do desinteresse institucional, a investigação ao percurso académico de um aluno que exerce um relevante cargo público, com pormenores de escândalo evidente, baseia-se em algo absolutamente extraordinário.
No caso concreto, entendeu a alta funcionária que o assunto não era da competência da Inspecção e que aliás não se tratava de qualquer queixa…
Actualmente, e pelos vistos, já será assunto da competência da Inspecção e já existirá queixa.
Entre as atribuições da IGCES, encontram-se de facto as de “Atender e tratar as queixas dos utentes e agentes do sistema de ensino superior e do sistema científico e tecnológico, procedendo às necessárias averiguações”.
Quando um serviço inspectivo do Estado, decide arquivar um requerimento acompanhado de uma exposição de motivos tão explícita, como a efectuada em Fevereiro de 2005, pelo blogger em causa, com respostas evasivas daquele teor, que pensar desse serviço ( e de outros, aliás) , dos seus dirigentes e da qualidade da nossa democracia?
Aliás, segundo e vai sabendo, essa mesma inspecção não foi capaz de detectar nos estabelecimentos de ensino superior privado, como é o caso da Universidade Independente, factos, acontecimentos, documentos, modos de funcionamento, irregularidades, ilegalidades, crimes até ( a gestão administrativa, financeira e patrimonial também poderia ser sindicada pela inspecção). Nada se detectou. Nada se averiguou como devia ser, como a tutela já o confesspu explicita e implicitamente. Nada se esclareceu até que rebentou o escândalo. Escândalo esse publicitado através de jornais que repescaram a informação de 2005, do referido blog.
A Inspecção-Geral, sub-dirigida pela senhora Inspectora em causa, achava então que o assunto não lhe dizia respeito, não era da sua competência.
É altura de perguntar qual a sua competência para dirigir uma Inspecção-Geral e sugerir que saia. Não se percebe o que anda lá a fazer há tanto tempo...
Em tempo:
O presidente da República, Cavaco Silva, vem hoje reclamar publicamente, uma reforma das universidades, com vista à excelência e à comparação internacional: «Todos reconhecemos que faz falta uma reforma das nossas universidades, do governo das universidades, da avaliação das universidades e da acreditação das universidades".
Mas...então as leis e regulamentos dos governos de Cavaco SIlva, ele próprio professor, tal como a mulher, não chegaram para essa almejada excelência? Cavaco foi governante quase ininterruptamente, desde o início dos anos oitenta, no período importante da reforma do nosso sistema educativo, com excelências exaltantes e sumamente acreditadas, como João de Deus Pinheiro e Couto dos Santos. As suas políticas educativas marcaram o actual panorama das universidades, particularmente as privadas.
Pelos vistos, agora chega à conclusão que algo falhou estrondosamente, nessas políticas. Como bom político, em vez do mea culpa, atira as culpas para a frente. "Todos reconhecemos que faz falta uma reforma"...
Pois faz. Mais do que isso, uma barrela, é o que faz falta. A começar pelos serviços inspectivos e pelos profissionais da inspecção para inglês ver.
Se a Inspecção Geral do Ensino Superior, dirigido pelas altas individualidades referidas, tivesse feito o que era minimamente exigível; se tivesse aplicado e respeitado a lei vigente e tivesse dado cumprimento à sua missão e atribuições, não era preciso agora falar em reformas.
O presidente da República, também teria uma palavra a dizer, sobre isto, mas a sua palavra destina-se apenas a um efeito político imediato: fazer de conta que está atento e capitalizar politicamente.
É o costume. A burocracia e o dirigismo partidário, encarregam-se do resto.
Publicado por josé 12:11:00 1 comentários Links para este post
Não ofende
Publicado por Carlos 00:03:00 2 comentários Links para este post
O patético PCP
segunda-feira, maio 07, 2007
Não se faz! A RTP ignora a força do PCP, não convidando nenhum representante, para o debate televisivo sobre as esquerda/direita, num programa de grande audiência.
O que será a esquerda, hoje em dia?
Serão os valores republicanos, do laicismo, dos direitos de minorias e da defesa acirrada de um sector público, passando pela soberania popular e pela recusa do sistema económico liberal?
Então, se for assim, já há cá disso, no PS e até no PSD.
Que diferença oferece o PCP, digna de afirmação pública, para além da recusa do modelo liberal de organização social e económica?
O PCP defende sempre as mais amplas liberdades, como modelo para todos. Porém, quando se lhe mostra o panorama mundial, dos últimos cinquenta anos, não há resposta coerente para o pacto germano-soviético em 1939; para o apoio expresso ao estalinismo; para o apoio expresso à invasão da Hungria em 1956, pelo exército soviético; para o apoio expresso à repressão em Praga, em 1968, apesar do Maio de Paris. Para o deslize do apoio aos reaccionários contra Ieltsin, no golpe frustrado na URSS.
Onde temos hoje, no mundo, comunismo à PCP? Na Coreia do Norte? Um país fechado sobre si mesmo, com a mais baixa taxa de esperança de vida, onde se morre de fome. Na China? Um comunismo de pacotilha para assegurar a mão de ferro sobre a produção em cadeia do ultra liberalismo explorador do homem pelo homem, como nunca se viu em lado algum. Em Cuba? Deixem-nos rir, com Ibrahim Ferrer embasbacado na quinta avenida de Nova Iorque.
Que resta então da bandeira ideológica do PCP? O combate ao liberalismo globalizante?
Está bem, pode ser. É uma perspectiva de oposição a algo que a direita defende. Chegará isso para definir a esquerda? Não chega. A social democracia faz o mesmo, em certa medida e em Portugal já temos dois partidos social-democratas: o PS e o PSD. Serão esses partidos, a direita que o PCP combate, como oposição de esquerda que pretende ser, ou tenta ir mais além e convencer o povo de que o ideário comunista quase centenário, continua válido? Não é inteiramente clara, a proposta do PCP, et pour cause. O povo já não vai em loas, porque a informação circula e sabe-se hoje mais do que há trinta anos. Mesmo com toda a propaganda notável e avassaladora do PCP, ao longo destes decénios, ao ponto de ter marcado a linguagem corrente, vincando um omnipresente antifascismo como frente de combate a um falso fascismo, continua a não convencer mais do que um dígito na contagem de votos percentuais.
O PCP recusou sempre um aggiornamento e o desaparecimento da foice e do martelo. Em França, Itália e Espanha, os PC´s anularam-se e misturaram-se na social democracia de tendência mais puxada à esquerda.
O PCP resistiu sempre porque tem a seu favor a linguagem política que sempre dominou e conseguiu impor nos media, desde os anos setenta. O PCP condicionou durante anos a fio o pensamento político em Portugal de modo a não ser possível uma outra linguagem que não a de esquerda, em todos os sectores de media e culturais. Ainda hoje é assim.
Por isso será em vão que se poderá esperar um reconhecimento público de erros e malefícios à humanidade. A luta continua sempre. “25 de Abril sempre; fascismo nunca mais!”
Inútil a demonstração de que se o nazismo está associado aos campos de concentração e extermínio, o comunismo está estreitamente ligado aos gulags.
Inútil a demonstração de que a liberdade de expressão, de informação, de reunião, de associação, ou seja as mais amplas liberdades, sempre foram um mito, nos regimes comunistas. Inútil a demonstração dos factos sobre a repressão extremamente violenta aos “fascistas”, em nome do antifascismo definido pelo comité central. Inútil a demonstração de que os regimes comunistas foram extremamente mais eficazes na repressão política, do que os regimes ditatoriais da Europa do sul.
Nada disto conta, porque os antifascistas, por cá, são os heróis do tempo que passou. Com o apoio expresso daqueles que lhes conquistam os votos…
O protesto do PCP, por causa do programa, é patético, porque a esquerda que sempre aí residiu, mudou de casa.
Aburguesou-se, voilà.
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dar voz aos oprimidos
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Ganhou mesmo
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Os cantos das sereias
domingo, maio 06, 2007
José Mário Branco, aos 64 anos, acha que ainda é altura de se mudar de vida.A mudança, requere-a nas canções que vai criando e recriando, com reflexo nos próprios paradigmas políticos e sociais vigentes. Ao som de tambores e do seus rufos repetidos, José Mário Branco cinzela a sua ideia fixa, desde os anos setenta: “em tudo o que já fomos há um sonho antigo” .
A cantiga antiga de Gilberto Gil, já nos anos setenta da desilusão de Maio de 68, “O sonho acabou”, ainda não soou nos ouvidos de José Mário Branco, nos últimos 30 anos.
Para JMB, “Resistir é vencer” e “A cantiga é uma arma”, - contra a burguesia, sempre. “Fascismo, nunca mais” , “Até à vitória final”.
Qual é o mapa de JMB para “mudar de vida”? Explicitamente, não há. Nunca houve. O mais que houve de tangível para a mudança, foi uma bússola imaginária, com o norte marxista-leninista, nos anos setenta, à sombra da Luar ou dos grupos revolucionários de extrema-esquerda, com apogeu no Verão quente de 75 e o zénite no 25 de Novembro desse ano. O propósito de então, como o de hoje, era claro: apear o fascismo e a burguesia, em nome do povo em geral, mesmo sem o consultar. O fascismo e a burguesia eram todos os partidários à direita do PS, defensores do sistema económico de economia de mercado e com aceitação do sistema bancário, de seguros e de organização económica, dos países europeus desenvolvidos.
Para José Mário Branco, esse sistema, dos burgueses capitalistas, é o que precisa de mudança, para mudarmos de vida. A alternativa, que se lhe apresenta de evidência liminar, encontra-a no colectivismo antigo, repristinado em lado nenhum, a não ser na imaginação fertilizada pelo sonho dos amanhãs que hão-de cantar um dia. Líderes exemplares? Os mesmos de sempre, vindos do século XIX das lutas operárias e camponesas, dos países eslavos. Doutrina? A mesma de sempre, vinda dos filósofos do igualitarismo e do colectivismo. Prática? A mesma de sempre, vinda dos revolucionários que levaram os povos à miséria do século, em todos os lugares por onde passaram. Sem qualquer excepção.
Apesar dessa evidência de embuste, José Mário Branco ainda quer mudar para essa vida, a vida do povo que canta e fá-lo em nome da vida ideal que nunca foi cumprida. O melhor ainda está para vir, mesmo que poucos o queiram. E a razão de fundo, reside no ideal e nas tentativas para o alcançar, à custa de experiências que podem causar males maiores…para os burgueses, às vezes.
José Mário Branco, à semelhança de alguns outros que pegaram nas armas das cantigas, ainda chegou a apoiar as armas sem elas, nas mãos das FP25. A derrota fragorosa, nos anos oitenta, apenas remeteu à penumbra os adeptos de uma revolução contra a burguesia. Mas…resistir é vencer e aí o temos outra vez, disposto ao sacrifício geral, pelo povo particular que afeiçoa e pelas ideias que apregoa em canções sem tempo, sempre a tempo de mudar de vida.
O Público de fim de semana, apresenta como exemplo do melhor da música portuguesa, três cd´s de colectânea que reúnem o canto e a voz da “música de intervenção” dos anos 70, toda ela feita de slogans da esquerda crescente e algumas pequenas maravilhas que encantam quem as ouve, separadas das letras de panfleto. José Mário Branco canta o magnífico Eh Companheiro! e junto às Vozes na Luta do GAC, reivindica que a Cantiga é uma arma. Contra quem? Contra a burguesia. Tudo depende da bala e da pontaria.
E pontaria, tinha José Mário. A bala saiu de borracha e embateu na muralha de aço. Mas a utopia continua.
Em França, a cantiga deixou de ser uma arma há muitos anos. Tantos quantos a revolução que por cá passou. Mas encantou menos que por cá, porque a França tinha tradição democrática arreigada desde os primórdios. Apesar disso, influenciou os cantores de intervenção e acolheu alguns dos seus intérpretes, fugidos à guerra colonial e ao “fascismo”.
A França não teve nunca os seus José Mários, ou José Afonsos ou até os seus Sérgios Godinho ou Faustos. Muito menos o seu Francisco Fanhais.
Teve como exemplar desta fauna do idealismo militante, Serge July e os seus companheiros de caminho, no Libération, jornal fundado em 1973, por Jean Paul Sartre, o filósofo desta esquerda florida ideologicamente e que pretende sempre “mudar de vida”, porque não vive satisfeita.
Para o Serge July de 2007, a luta de classes, acabou e a vida continua. Em entrevista à revista francesa Technikart, de Abril deste ano, Serge July, em resposta à pergunta sobre os herdeiros do esquerdismo, e em particular dos maoistas e trotskistas, disse que o extremismo destes era de natureza diferente do esquerdismo e que era agora o produto de uma degenerescência. E que Maio de 1968 fora um movimento violentamente anti-comunista.Desde então, entramos na decomposição, na digestão e na degenerescência do comunismo. Esta eleição de 2007 ( de Sarkozy, como se confirmou hoje), vai representar o desaparecimento do partido comunista. Um micro acontecimento, mas histórico.
Serge July acha que em França, o esquerdismo acabou em 1973.
Por cá, pelos vistos, continua vivo e com alguma saúde, 30 anos depois…

Imagens: Mundo da Canção nº25 de 20.12.1971 ( pleno marcelismo) e Flama de 17.5.1974. Do lado direito, de barbas, um José "cinco minutos de jazz" Duarte, dá vivas à mudança de vida...
Publicado por josé 22:14:00 5 comentários Links para este post
correio dos leitores
sábado, maio 05, 2007
Uma breve publicada hoje na 1ª página do Expresso revela que o nosso putativo engenheiro - PM Pinto de Sousa - resolveu ser criativo e num acto de abnegação e altruísmo decidiu doar a sua medula. Um acto louvável, se efectuado no anonimato e de acordo com as boas práticas.
No entanto, os seus assessores de imagem na sofreguidão de "implementarem" estratégias de reparação de danos olvidaram um pequeno pormenor: Só são admitidos dadores maiores de 18 anos e menores do que 45 anos. Se a biografia do natural de Vilar de Maçada está correcta, o jovem voluntário já passou o prazo.
Para confirmar os requisitos de dadores de medula basta consultar:
http://www.apcl.pt/PresentationLayer/ctexto_00.aspx?ctlocalid=13
Até breve!
(Recebido por email)
Publicado por Manuel 21:47:00 1 comentários Links para este post
Eu é que sou... o engenheiro civil da Junta
Publicado por Carlos 01:17:00 5 comentários Links para este post
'B I N G O'
sexta-feira, maio 04, 2007

Obviamente, não vai haver remodelação este fim de semana, pese a parada estar a ficar demasiado alta no jogo da Ota e, sobretudo, ... no jogo no Brasil, mas... não só.. E ainda temos España aqui ao lado...
Publicado por Manuel 17:16:00 0 comentários Links para este post
Risos na plateia
Segundo a TSF:
Mário Lino, o ministro das Obras Públicas, evocou esta manhã a sua qualidade de Engenheiro Civil, inscrito na Ordem, e arrancou uma gargalhada da plateia do Terceiro Congresso do Oeste. Em Alcobaça, o ministro disparou críticas aos que defendem mais estudos sobre a localização do novo aeroporto.
As gargalhadas sobre a licenciatura do Primeiro Ministro, também vão chegar à próxima reunião do Conselho de Ministros?
Publicado por josé 16:40:00 0 comentários Links para este post
suspeitos, arguidos e entendidos
Publicado por josé 15:27:00 0 comentários Links para este post
Barómetro França 07' - Sarkozy ganhou o debate
quinta-feira, maio 03, 2007

Clara tendência Sarkozy: o debate ajudou a separar águas, mostrou dois candidatos muito bem preparados, mas não permitiu a Ségolène passar a ideia de que a eleição de Sarkozy seria um perigo para a França. Sarko travou os seus instintos mais intolerantes, esteve mais sereno que a socialista e percebeu que, a tão poucos dias da decisão, só teria a ganhar se passasse uma imagem mais suave do que a que, até agora, revelou. Deve, por isso, vencer a 6 de Maio, embora não esteja totalmente afastada uma surpresa -- tudo dependerá da fatia de votos de Bayrou que irão para Ségolène
A 3 dias da segunda volta...
(e já depois do debate na TV)
-- Sarkozy 53,5
-- Ségolène 46,5
Publicado por André 22:48:00 0 comentários Links para este post
breves
- Ontem, também eu vi o debate presidencial francês. Qualquer um dos protagonistas é (bem) melhor, e muito mais bem preparado, do que a nossa prata da casa. Registei em especial que os moderadores mal intervieram, os candidatos não se atropelaram e ouviram-se um ao outro, deixando de facto os franceses mais esclarecidos. Dito isto, continuo a preferir a Sr.a Merkel.
- Lisboa. Marques Mendes, com um ligeiro 'atraso', fez o que tinha de fazer. Numa terra de cegos, chega. Indescritível, o cinismo e calculismo das oposições por aquelas bandas.
- Registo com apreço que algumas alminhas acordam agora para o inevitável fim do 'boom' em Espanha (Se veio no Finantial Times (28/Abril), deve ser verdade (24/Abril) não é ?). E Sócrates, à boleia da Independente, até tinha uma saída. Ciclos ? Quais ciclos ?
- Abaixo o José zurze - e bem - em Marçal Grilo. Esquece-se apenas de mencionar Veiga Simão, esse ex-'fascista' reconvertido em ilustre socialista, que começou a espatifar tudo, na educação, ainda nos tempos de Marcelo Caetano. Tudo o que se passou depois, foi a mera continuação desse descalabro inicial, e da 'educação' - só e apenas - para as estatistícas.
Publicado por Manuel 12:21:00 0 comentários Links para este post
Estão abertas as inscrições.
Mais vale ser um cão raivoso
do que um carneiro
a dizer que sim ao pastor o dia inteiro
e a dar-lhe de lã e da carne e da vida e do traseiro
mais vale ser diferente do carneiro
um cão raivoso que sabe onde ferra
olhos atentos e patas na terra.
Sérgio Godinho.
"Porque a questão do currículo do primeiro-ministro foi enterrada sem ter sido esclarecida ( quando o que estava em jogo era a autoridade moral de alguém que quer criar uma nova moralidade e racionalidade nos comportamentos dos portugueses), Não houve inscrição,nada sucedeu e o (pouco) protesto que se levantou foi abafado. Duplo-esmagamento que cria mais obediência irracional e passiva. Não é assim que se fomentam espíritos livres. À força de não inscrever em nome da vontade de inscrição, à força de segregar mais obediência quando se diz querer mais criatividade e inovação, de produzir mais confusão, irracionalidade em nome da racionalidade da modernização, esquece-se que só existe invenção, inovação, produção criativa deixando margem para o imprevisível, o inavaliável, a irrupção da singularidade. Só deixando passar o vento e a força do acaso nascerão os técnicos inventivos, os cientistas de ponta, os talentos na indústri, nas artes e no pensamento."
José Gil, na Visão de 3.5.2007
Publicado por josé 10:29:00 1 comentários Links para este post
Apetece-me dizer muito mal
quarta-feira, maio 02, 2007
Eduardo Carrega Marçal Grilo, antigo ministro da Educação do primeiro governo de Guterres, escreveu hoje no Público que lhe apetece dizer bem de muitas coisas em Portugal.
Apesar de saber que “há corrupção, incompetência, desleixo, falta de planeamento, gente sem qualificações em lugares onde não devia estar e muitos outros pecados que nos afectam e penalizam”, dizendo assim, mal de quase tudo, no próprio artigo em que lhe apetece dizer bem e atropelando-se por isso no próprio teor discursivo, Marçal Grilo elenca uma lista curiosa de coisas que “nos satisfazem e nos dão orgulho de sermos portugueses”. Algumas delas, são simplesmente hilariantes.
São várias e notáveis, incluindo o exemplar “relacionamento institucional entre o PR e o actual PM”, o que equivale a dizer mal dos outros relacionamentos anteriores . Proclama a excelência da rede de auto- estradas que tornaram o país mais “curto” e mais coeso, acompanhadas pela fantástica oportunidade dos novos projectos de energias renováveis, dizendo mal de quem não se lembrou antes, de tal panaceia ; ao referir um valor acumulado para contrariar maledicências, avulta a referência jornalística que é Nicolau Santos, do Expresso, por ser dos poucos jornalistas que não diz mal de tudo e de todos, dizendo por isso mal de todos os outros; inclui ainda nas preciosidades inestimáveis, escritores de grande vulto como Lídia Jorge e Agustina Bessa-Luís e até…Vasco graça Moura e Miguel Sousa Tavares, para além do óbvio Lobo Antunes, dizendo mal do seu próprio gosto.
Na música, também não poderiam faltar o Luís Represas e o Paulo Gonzo, esses grande s expoentes da música popular, o que revela também um mau gosto apurado e pérfido, no dizer mal implícito.
Segue no elenco, pela via bem dizente, dos restaurantes da praia das Maçãs e das Azenhas do Mar, antes de dizer bem dos nossos cientistas que ganham prémios e dos futebolistas que estão lá fora, deixando aos de cá, as despesas da mediocridade que assinala em contraposição.
Acha que se pode dizer muito bem dos actuais índices de leitura, que aumenta de forma evidente, como se comprova pelas listas de best-sellers, revelando alto sentido de análise empírica do conhecimento corrente.
Os médicos e enfermeiros também lhe merecem encómios, por trabalharem o que devem, mesmo que a custos incomportáveis e dizer bem por dizer bem, porque não mencionar os professores ( embora só uma maioria, mesmo que larga) que formam as nossas crianças e os nossos adolescentes, “muitas vezes frequentando problemas para que não foram preparados”, acabando assim por dizer mal de quem os não preparou. Diz bem do seu banco e do seu gestor de conta que lhe resolvem tudo pelo telefone e a Valquíria (ópera de Wagner), no S. Carlos foi das melhores óperas a que assistiu.
Diz bem dos que ganham prémios na matemática e dos atletas medalhados, bem como dos inúmeros eventos culturais que pululam por esse país fora. Acha que o 112 funciona bem, tal como o INE e que agora há urbanizações que substituíram os “abortos” de há alguns anos, dizendo mal dos governos e autarquias do passado recente.
Dizendo bem de tanta coisa, Marçal Grilo, diz mal de muitas outras, com assento na crítica dos lamuriosos, maledicentes e daqueles que apenas sabem dizer mal. Por isso, encomia as rádios que o informam sem o massacrar com os contestatários das políticas governamentais.
Também não arriscarei muito em dizer, porque o afirmo quase de graça, que Eduardo Carrega Marçal Grilo é um dos responsáveis directos pelo estado lastimoso em que nos encontramos, no capítulo do ensino. Eduardo Carrega Grilo é um dos principais culpados pelo estado calamitoso do ensino em Portugal, precisamente porque fez do assunto um tema de paixão assolapada que contagiou governantes e redundou en catástrofes atrás de catástrofes, em todos os graus de ensino, particularmente no superior privado. Eduardo Carrega Marçal Grilo é uma das pessoas que mais contribuiu para a nossa desgraça colectiva, no domínio da educação. É a minha opinião, claro está. A dizer mal.
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o ministro das Obras
Publicado por Manuel 19:57:00 0 comentários Links para este post
Onde é que você estava no 25 de Abril?
Baptista-Bastos ( BB) execra delatores numa coluna, no DN. Quem não?
A ideia básica é esta:
Quando um governo "socialista" promove a delação como conduta, e consubstancia a infâmia num folheto sórdido, tal acontece porque ainda nos encontramos moralmente enfermos. Logo após Abril, os números do aviltamento sobressaltaram os espíritos mais cândidos: quatro milhões de portugueses com ficha na PIDE, e cerca de quatrocentos mil informadores. Agora, na Socratolândia, propõe-se a setecentas mil pessoas que delatem, sugerindo-lhes que praticam uma acção moralizante quando se trata de procedimento desonroso. Este Governo, incapaz de cortar cerce a raiz da corrupção, avilta-nos a todos, ao acirrar à denúncia. E, ao incorrer no crime de corrupção moral, coloca-se na zona da delinquência que propugna punir.
E a explicação viria daqui:
Três séculos de Inquisição deram cabo do assomadiço que éramos. O terror da fogueira, a purificação das almas, o preço da salvação com que a Igreja pagava a denunciantes colocou-nos no lazareto espiritual. O mar desconhecido infundia-nos apreensão e susto. Não tanto quanto o dedo indicador do vizinho despeitado, do familiar desavindo, da amante abandonada.
Quer dizer, antes de 1600, éramos um povo de angélicos, numa solidariedade perfeita entre clero, nobreza e povo. Gil Vicente, já o sabia e fartou-se de o proclamar em autos pastoris, éclogas e farsas. Camões, aliás, também o menciona na epopeia.
Depois, a maldita inquisição que veio de Espanha, invadiu-nos e assolapou-nos a suprema nobreza com que nascemos, na Idade Média. Uma nostalgia tremenda, com saudades do futuro, sobrevive desde então, nos espíritos nobres destes impolutos idealistas, tipo BB.
Foi a Inquisição espanhola, aliás, que entrou portas adentro dos povos eslavos e os submeteu ao ferrete da ignomínia delatora, fazendo renascer séculos depois, a NKVD e KGB, nos Balcãs durante todo um século XX.
Antes disso, na Rússia Imperial, os dominicanos de Gusmão, dominadores de albigenses, submeteram camponeses, formando a elite do futuro poder popular.
Conta-se que na antiga RDA, vizinha dos eslavos e que lhes copiaram os hábitos, ainda há menos de vinte anos, sobrevivia bem viçoso o espírito de Judas, em forma de STASI, em milhões de almas que denunciavam por escrito os seus vizinhos e até familiares, em nome dos amanhãs que iriam cantar dali a pouco e que BB aplaudia com ambas as mãos da sua escrita.
Aliás, parece que nunca denunciou tais práticas, a tempo. Coerentemente, aliás.
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Uma democracia moderna e independente
terça-feira, maio 01, 2007
Em 11 de Março de 1999, a revista Visão, publicou uma parte de um relatório do SIS, sobre a Universidade Moderna, efectuado durante o ano antecedente. Segundo a revista, o SIS interviera numa investigação a pedido de Jorge Coelho, então ministro socialista tutelador da administração interna, por causa de “crescentes rumores sobre a universidade e a ocorrência de factos insólitos em torno dos seus principais dirigentes”.
Entre os vários factos insólitos, então relatados, avultavam a explosão de uma granada junto à residência do secretário-geral da universidade, a descoberta de microfones em gabinetes da reitoria e um alegado assalto à sede da Maçonaria Regular, a Casa do Sino, em Dezembro de 1996. A existência de negócios imobiliários e na comunicação social e as alegações de negócios internacionais de tráfico de armas e droga, para além de fortes suspeitas de tráfico de influências de altas figuras públicas nacionais, misturadas com interesses de obediência maçónica, deram o motivo e o pretexto legal para a intervenção do SIS, por ordem do ministro Jorge Coelho.
O relatório preliminar publicado na Visão, apresenta conclusões de uma gravidade extrema, para justificar plenamente a intervenção da secreta portuguesa, sob dependência do governo, tais como: utilização da Universidade em negócios imobiliários de grande amplitude, com ilícitos fiscais à mistura. Tentativa de criação de uma rede clientelar, a instalação de um centro de sondagens, o investimento na comunicação social e ainda tentativas de controlo da Maçonaria Regular. Tudo isso, para o SIS de então, indiciava que “poderia já estar em condições de exercer fortes pressões sobre os meios políticos e governamentais, bem como sobre altos funcionários da Administração Pública”!
Devido às queixas de lesados, a universidade e os seus dirigentes de cooperativa Dinensino, já estavam, aliás a ser investigados criminalmente, pela PJ, por crimes de natureza pública, de ordem patrimonial.
No fundo, qual era o motivo legalmente justificativo para a intervenção do SIS, numa investigação de segurança interna? O abalo do Estado de Direito, pela família dirigente da universidade? O tráfico de armas e droga, suposto? Como é óbvio, apenas um motivo de ordem pública, suficientemente grave e atentatório dos fundamentos da segurança do Estado de Direito o poderia justificar. Justificou mesmo?
Na mesma semana da notícia da Visão, o Público de 10 de Março de 1999, relatava que o M.P de Cunha Rodrigues, PGR de então e numa antecipação curiosa de um futuro enquadramento de política criminal, tinha dado uma directiva à Polícia Judiciária para afectar todos os meios necessários à investigação do caso Moderna. Dirigia então a PJ, Fernando Negrão, um juiz em comissão de serviço, hoje deputado pelo PSD.
O que é que isto deu, em concreto?
A mesma Visão, de 21 de Janeiro de 2001, relata o teor de “toda a investigação da Judiciária no caso Moderna”.
Foram então acusados pelo MP, três membros da família Braga Gonçalves por crimes patrimoniais, falsificação e de corrupção. Mais dez indivíduos, foram acusados de crimes como administração danosa e englobados numa espessa teia de uma associação criminosa. Condenados, no final de 2003, em pena de prisão efectiva, apenas um- o filho do reitor, cumprindo sete anos e meio que se foram reduzindo a quatro, até sair em liberdade condicional em Outubro de 2005. Declarou que os falsos amigos o traíram…
Sobre o tráfico de armas, droga, branqueamento de capitais e tutti quanti, tinha justificado a intervenção pronta e atenta do SIS, nada de nada.
Sobre o abalo aos alicerces do Estado de Direito e sobre o direito de intervenção do SIS, também nada se apurou. A questão principal, resumiu-se a…dinheiro. Muito dinheiro que circulou por várias mãos e arruinou a universidade que chegou a ter 10 mil alunos e actualmente conta com algumas centenas.
Porém, um pormenor não escapou à imprensa do tempo e um acusado principal, José Júlio Gonçalves subscreveu no recurso da sentença que lhe foi desfavorável, em Fevereiro de 2004, que o processo tinha sido consequência do acordo de coligação política entre Paulo Portas pelo CDS e Marcelo Rebelo de Sousa pelo PSD. O penalista Germano Marques da Silva, advogado no processo confirmou nesse recurso, o processo intencional de ver no PS o principal interessado e beneficiado com a investigação. Afirmou-o com base meramente teórica, porque não tinha elementos factuais…
O ataque aos alicerces do Estado de Direito, que sustentou a intervenção do SIS, estava por isso justificado. Ou não? Si non e vero e bem trovato, diria um cínico. Mas ninguém se preocupou em saber se tal se justificou ou não.
Porém, era a mesma revista Visão que, na edição de 30 de Abril de 2003, afirmava que “O julgamento da Moderna tem cada vez mais uma dimensão política”. Porquê? Paulo Portas, evidentemente, e nessa altura…por causa de uma factura mal explicada no processo e no julgamento!
Em 25.3. 2000, “O mau da fita”, José Braga Gonçalves, o único condenado no processo em prisão efectiva, declarava ao Independente a sua indignação pelo conteúdo do relatório do SIS, eventualmente da responsabilidade de um advogado, Ricardo Sá Gomes e que dava aulas na própria UM, sobre branqueamento de dinheiro e tráfico de droga. A entrevista de José Braga Gonçalves é um modelo de explicações de alguém acossado por vários lados e sem defesa possível que aliás, o julgamento e condenação em finais de 2003, confirmaram de algum modo, deixando a desejar a explicação para a investigação do SIS.
Agora, com a Universidade Independente, felizmente, nada disto se passa. O SIS aparentemente não quer saber; não há realatórios apócrifos, com autoria negada pelos serviços como então houve; embora as denúncias sejam quase as mesmas e até envolvam tráficos vários, neste caso de diamantes e o habitual branqueamento de capitais.
A PJ prendeu alguns dos suspeitos e o MP já disse que está tudo na PJ e no DCIAP, o que parece factual.
Aparentemente, não há cabalas directas, só as indirectas por causa do diploma do aluno exemplar.
Aparentemente também, voltou a normalidade democrática, depois do estado de terror de 1999, em que o Estado de Direito perigou a sério…e levou à intervenção pronta e atenta do ministro Jorge Coelho.
O mesmo que diz agora estarmos perante uma cabala, no caso da Independente…
Ainda mais actual:
No blog Mais actual, o repórter da Visão, Rui Costa Pinto glosa esta prosa, em termos equívocos. Esclareço, então: Aqui não há conclusões apressadas. Nem precipitações intensas. Há apenas ironias esforçadas. E muito- que isto não dá riso algum e até é bastante triste. E para reforçar a meia palavra para entendidos, ficam aqui imagens de época.

A segunda, é de 21 de Junho de 2001, já com assinatura RCP, a meias:
A terceira já é totalmente RCP:

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Barómetro França 07'- Sarkozy aguenta-se
Nicolas Sarkozy: o candidato do centro-direita conserva uma vantagem curta, mas relativamente segura, e parece ter conseguido travar o avanço de Ségolène nos últimos dias -- falta saber que efeito terá o apelo à abstenção por parte de Le Pen, cujos apoiantes tenderiam a preferir Sarkozy
Publicado por André 17:26:00 0 comentários Links para este post
Imagine-se...
segunda-feira, abril 30, 2007
Directamente da caixa de comentários do blog Do Portugal Profundo, copio uma ideia que complemento com uma história ficcionada de proveito e exemplo.
A história começa em 1975. Marques Mendes, o actual primeiro ministro de Portugal, matriculou-se em Setembro no primeiro ano do curso de Direito da Universidade de Coimbra.
Devido a afazeres da futura profissão, em Fafe, sua terra natal, onde o seu pai advogado tem uma posição de relevo político, o curso começa quase por correspondência. O jovem Mendes, passa mais tempo em Fafe do que em Coimbra e consegue passar em claro as aulas inflamadas de retórica do professor Aníbal Almeida e furtar-se às práticas dos assistentes de Introdução ao Estudo de Direito.
Mesmo assim, Mendes, que revela esperteza acima da média, consegue estudar por conta própria e matricula-se como estudante trabalhador para usufruir das vantagens da política local, em nome do PSD que se afirma, sem sofrer as desvantagens da política nacional educativa.
Ao fim de três anos consegue obter as cadeiras necessárias para se afirmar bacharel. Porém, em 1979, o PSD prepara-se para ser governo e Marques Mendes, está na linha da frente da luta política local, seja em Braga, seja em Famalicão, seja na capital. O curso fica em Coimbra e o bacharelato chega por ora.
Em 1980, vem a AD e a consagração de Sá Carneiro. Marques Mendes é figura de estilo importante e já com experiência política, no partido.
O curso de Direito fica a aguardar melhores dias, até meados dos anos noventa, altura em que Marques Mendes já é governante, no governo de maioria absoluta de Cavaco Silva. Nesse tempo de vacas gordas, o PSD no governo, tem alguns personagens do tempo de Coimbra, da faculdade de Direito que Marques Mendes frequentou, uma dúzia de anos antes.
Até aqui a história é parcialmente ficcionada, pois Marques Mendes acabou o curso de Direito em Coimbra, com licenciatura limpa e sem margem para dúvidas.
Por isso, cum grano salis, leia-se o que vem a seguir, pura ficção de proveito e exemplo e com a devida distância aos acontecimentos recentes.
Portanto, imaginemos que Marques Mendes, suposto bacharel em Coimbra, decide em meados dos anos noventa e quando era deputado com vista para o governo nascente de um PSD, acabar o curso de Direito.
Como está em Lisboa, iria para onde? Para a Nova por exemplo. Imaginemos que na Nova leccionava um professor que viera também de Coimbra; era do PSD e até tinha amigos comuns com Marques Mendes, embora este alegadamente nem o conhecesse. Imagine-se que Marques Mendes começa a frequentar o curso de Direito, na Nova, como estudante trabalhador e à noite. Imaginemos que na primeira aula, o tal professor que é de Coimbra, é do PSD e é amigo de amigos comuns, se apresenta a Marques Mendes, no fim da primeira aula.
Imaginemos agora que as cadeiras que são feitas na Nova, durante esse ano, são custosas, difíceis e o tempo não chega para tudo o que um Secretário de Estado pode fazer.
O que poderia resolver Marques Mendes, com ajuda explícita do tal professor? Mudar para outra universidade, por exemplo? Imaginemos então que a mudança se dá para a Independente, onde o tal professor também dá aulas, precisamente aos últimos anos do curso. Imaginemos que é esse mesmo professor quem assegura as equivalências de Marques Mendes, na mudança e lhe vai leccionar quatro das cinco cadeiras que segundo esse plano de equivalências, aprovado por quem nem tinha competência para tal, faltariam para concluir a licenciatura. A última cadeira do curso, é leccionada por um reitor que não existe nessa qualidade nem é sequer professor da cadeira. A prova final , é a um Domingo, como atesta o diploma entregue, assinado pelo tal reitor.
Imagine-se agora que passados dez anos se descobre num blog de um indivíduo que persiste na curiosidade em saber como tal curso se fez, que afinal não há documentação fiável e disponível para assegurar a validade formal dessa licenciatura.
Imagine-se ainda que um jornal de referência, começa a inquirir Marques Mendes, entretanto primeiro ministro de um governo com maioria absoluta na Assembleia, a propósito do percurso académico, dez anos antes e recebe como resposta, uma ameaça velada de processo judicial acompanhada de esclarecimentos que levantam mais dúvidas do que esclarecem, a menor das quais não será o facto de Marques Mendes nem se lembrar de quem lhe leccionou as cadeiras que faltavam, para concluir o curso.
Marques Mendes, então governante muito ocupado, aluno do tal professor, então colaborador do mesmo governo e partido, acaba o curso, num dia de Domingo de Setembro, com uma última cadeira leccionada pelo reitor da universidade, que se vem a descobrir depois que nunca poderia ter sido reitor, pois o verdadeiro reitor era outro professor catedrático que deu o seu nome e honra e que agora se cala e ainda se descobre que nem era sequer professor da cadeira de fim de curso, obtida de modo caricato, por correspondência.
Marques Mendes, agora primeiro- ministro, é confrontado com este problema da obtenção do seu diploma de Direito, pelo jornal que repescou uma informação publicada dois anos antes, num blog animado por um professor universitário. O professor interessou-se pelo percurso académico de Marques Mendes depois de ter desconfiado do modo como o mesmo o poderia ter obtido sendo governante e ao mesmo tempo, numa época em que a universidade Independente apenas iniciara o curso de Direito em causa.
Apesar de fustigado pela imprensa durante mais de quinze dias, para esclarecer as já muitas dúvidas que se levantam, Marques Mendes reduz-se ao silêncio, enquanto se descobrem outros pormenores através de entrevistas de responsáveis pela universidade Independente.
Os jornais não desistem e descobrem que afinal, o curso frequentado por Marques Mendes nem sequer tinha sido apresentado ao Ministério pela universidade, deixando a suspeita de que nem pudesse ter sido realizado naquele ano, quanto às últimas cadeiras dos últimos anos do curso.
Marques Mendes decide então dar uma entrevista à RTP na qual se defende dos factos conhecidos e divulgados, apresentando um diploma passado com data de Agosto do ano de conclusão do curso, desmentindo assim em directo o facto aventado de a licenciatura se ter concluído a um Domingo.
Imagine-se que no dia seguinte, se publica o facto de Marques Mendes que dissera apenas ter conhecido o tal professor enquanto aluno, ter sido aluno do tal professor, um ano antes do ingresso na universidade Independente e de ter sido o mesmo quem lhe avaliara as equivalências.
Imagine-se que Marques Mendes, afinal, dias depois, é obrigado a dar o dito por não dito e a reconhecer que afinal o diploma de curso era mesmo o do Domingo, porque se descobre entretanto, sem explicação plausível , que o diploma apresentado na Tv, está falsificado.
Imagine-se ainda que Marques Mendes confrontado com o facto, remete todas as explicações para a Universidade Independente.
Imagine-se ainda que se descobre que Marques Mendes, enquanto deputado, assinou e entregou uma ficha biográfica onde consta como profissão a de advogado e qualificações académicas, licenciado em Direito quando ainda era apenas bacharel. E que existe outra ficha rasurada. Ambas são cópias de um original que entretando desapareceu, sem explicação plausível. E que se descobre que como governante, Marques Mendes aceitou que a si se referissem oficialmente, no Diário da República, como licenciado, quando ainda o não era de todo.
Imagine-se ainda o que veio a seguir, as explicações contraditórias para os factos; a falta de documentos credíveis sobre a putativa licenciatura; as amizades perigosas que se mantiveram com o tal professor, nos anos seguintes a essa licenciatura, relacionadas com negócios que envolvem o Estado onde governavam amigos de Marques Mendes, ele mesmo e o tal professor.
Perante esta imaginação toda, prefigure-se o que diria disto tudo o líder da oposição, José Sócrates, no Parlamento e na televisão…para além do que diria toda a imprensa, rádio TSF e televisões em prise.
Ah! E o que faria o Presidente da República? Diria também que há assuntos mais importantes que este, não é assim mesmo?
E os jornais em geral? E a televisão?
Imagine-se, porque é um exercício fácil. E depois, veja-se a realidade que se nos vai deparando
Publicado por josé 21:58:00 6 comentários Links para este post
Contar para viver
O director do semanário O SOL, José António Saraiva, escreve na revista Tabu desta semana, uma espécie de texto desconstrutivo, sobre a polémica (alimentada aliás pelo próprio jornal que dirige) do percurso académico de José Sócrates.
Começa por explicar às crianças e lembrar ao povo adulto, como é que tudo isto começou, numa abordagem algo marxizante, porque tributária de uma certa concepção de luta de classes que conduziu à separação do ensino técnico das escolas comerciais e industriais, do ensino nos liceus de antigamente. Em resumo, nos liceus estavam os ricos; nas escolas técnicas, os pobrezinhos.
A seguir, conta a sua anedota habitual, com vários episódios e de riso garantido. Leiam:
(...)Foi mais ou menos esta a história de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, que tanta tinta tem feito correr e afinal se resume a muito pouco.Fez o liceu na Covilhã, como os meninos ‘ricos’. Mas o encerramento, a seguir ao 25 de Abril, da Faculdade de Engenharia do Porto, onde o pai o tinha matriculado, levou-o a inscrever-se num curso médio que lhe dava apenas direito ao título de ‘engenheiro técnico’. Assim, mais tarde, como milhares de outros engenheiros técnicos, Sócrates sentiu necessidade de ter um curso superior, de usar o título de engenheiro sem complexos por não o ser verdadeiramente – e matriculou-se numa universidade que, por não ter grande exigência, não o obrigava a muito trabalho: a Universidade Independente.Deram-lhe as equivalências que entenderam dar (justas ou injustas), fizeram-lhe os exames que entenderam fazer (concedendo-lhe mais ou menos facilidades) – e Sócrates lá ficou engenheiro sem a palavra ‘técnico’ à frente.
À semelhança de muitos outros agentes técnicos, regentes agrícolas e contabilistas por esse país fora, José Sócrates quis limpar essa ‘nódoa’ do seu passado, esse ferrete que significava para quase todos uma marca de classe.Isso constituirá um crime?E que necessidade há de remexer na ferida, de lhe atirar à cara que antes não era bem engenheiro e hoje o é por favor?No fundo, aqueles que atacam Sócrates fazem-no ou por uma mal disfarçada ‘superioridade de classe’ – como quem diz: tu não és um dos nossos – ou por um certo sentimento de inveja – por não se terem formado e não quererem que Sócrates passe por ser mais do que eles.
A mim, a licenciatura do primeiro-ministro não faz nenhuma confusão. Admito que tenha havido aqui ou ali uma certa facilidade. Mas isso terá importância para encher páginas e páginas de jornais ditos ‘sérios’? E quantos alunos se formaram em universidades privadas e públicas sem terem o mínimo de capacidades para serem doutores ou engenheiros?Compreende-se, por todo o envolvimento social, que Sócrates tenha querido ter um canudo. Mas isso não o faz melhor nem pior primeiro-ministro. E quantos têm um canudo que ninguém contesta e não serviriam sequer para dactilógrafos da presidência do Conselho de Ministros?
Publicado por josé 19:04:00 2 comentários Links para este post
são Rosas, Senhores (banda sonora)
Publicado por Carlos 16:49:00 3 comentários Links para este post
São rosas, senhores
Este Relatório, publicado em 30.3.2007, contém 250 páginas e é assinado por um colectivo de juízes, em plenário, da 2ª secção do Tribunal de Contas.
São eles, os Conselheiros:
Carlos Moreno que foi o autor do Relatório e os adjuntos:
João Pinto Ribeiro, José Alves Cardoso, Armindo Sousa Mendes, António José Avérous Mira Crespo, Lia Olema Ferreira Videira de Jesus Gomes e Manuel Henrique de Freitas Pereira.
Os Conselheiro, unanimemente, subscreveram o Relatório nos seus aspectos e observações mais críticas e pertinentes, para o governo actual e antecedentes. Todos subscreveram as recomendações severas e os avisos à navegação à vista de interesses imediatos na contratação desenfreada de pessoal ajudante.
Manuel Henrique de Freitas Pereira, entendeu formular uma declaração de voto, também subscrita por João Pinto Ribeiro, relativamente a um único aspecto do Relatório que terá ficado menos esclarecida: o que respeita às “transferências correntes” no valor de 12,4 mil milhões de euros que representam o financiamento do Estado para as despesas de Segurança Social, canalizadas do Orçamento Geral do Estado para o Orçamento da Segurança Social, através de inscrição como despesas dos gabinetes governamentais da Segurança Social. Foi esse apenas o sentido da declaração de voto daqueles dois conselheiros.
Quanto ao resto do Relatório, é ler. Apesar das suas 250 páginas, o arranjo gráfico e os quadros exemplares, reduzem-no a muito menos e dão-nos um retrato aprimorado do funcionamento dos gabinetes governamentais, no que se refere ao regime de contratações de pessoal para ajudar ministros e outros governantes.
As críticas do Tribunal de Contas são demolidoras da credibilidade de qualquer governo que se atreva, depois disto, a reafirmar valores como transparência nas contratações de pessoal para os gabinetes e esforço de diminuição ou contenção de despesas, para além dos aspectos de estrita legalidade e que parecem completamente ausentes, nesses casos, da preocupação de quem governa. A lei, nestes casos, é simples indicação, sem conteúdo vinculativo e os exemplos sucedem-se, às dezenas, numa espiral de descontrolo evidente.
Basta citar um pequeno exemplo, documentado, entre muitos do mesmo género:
Em 2005, foram contratados 7 assessores, em dois gabinetes, que auferiam remunerações mensais superiores ao limite previsto, sem justificação em termos de prossecução do interesse público. Perante estes factos, os argumentos que se podem aduzir, para criticar o Relatório, precisam de desmentir os números expostos que desgraçam a imagem de qualquer governo que se preze. Além disso, os números foram fornecidos pelo próprio governo, actual!
Outros comentadores, lacaios de profissão e oficiantes habituais do pálio governativo, limitam-se a abanar a cauda do contentamento do patrão. Mesmo que a realidade dos espinhos expostos lhes esfregue o focinho da sabujice e os arranhe o senso, continuam a cheirar as rosas adjacentes.
É o Portugal que temos? Parece. Um Portugal amorfo, desmotivado da crítica e da exigência e conformado, submisso até, à sabujice reinante.
Topa tudo o que argueira o olho adversário e nunca se dá conta das inúmeras traves que lhe atravancam já o bestunto mais chão.
Por isso, já não lhe dou troco, porque nem adianta. Quem acha que os conselheiros do Tribunal de Contas não são juízes, nem conselhos merece.
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Os sons da Página Um
domingo, abril 29, 2007
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Barómetro França 07'
Ségolène Royal: a candidata socialista tem conseguido recuperar diariamente cerca de 0,5 por cento, mas está ainda a 5 pontos de Sarkozy. A única hipótese que tem de chegar ao Eliseu é conquistar a esmagadora maioria dos votantes em Bayrou
-- Sarkozy 52,5
-- Ségolène 47,5
(Fonte: Ipsos/Dell)
Tendências:
-- Sarkozy partiu com uma boa vantagem da primeira volta e a soma dos candidatos que não passaram parecia dar-lhe avanço confortável
-- No entanto, a rivalidade com Bayrou pode custar problemas a Sarkozy na tentativa (crucial) de conquistar a maior fatia dos votos do candidato da UDF
-- Ségolène recupera cerca de 0.5 por cento todos os dias, mas ainda tem muitos votos para recuperar, até 6 de Maio
-- A candidata socialista necessita de fazer o pleno nos candidatos à sua esquerda e precisa, pelo menos, de 65 a 70 por cento dos votos de Bayrou e ainda de uma boa percentagem (20 ou 30 por cento) dos votos de Le Pen . Não é fácil, mas olhando para os sinais dos últimos dias, não é impossível...
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Anomias políticas
Primeiro foi a notícia de primeira página, de 12.3.2007, do Diário de Notícias dirigido por João Marcelino, o putativo fautor do sucesso do Correio da Manhã, junto do leitorado.
A notícia era devastadora para a imagem do Governo, laboriosamente construída ao longo de meses de spin assessorado: “Governo efectuou 2773 nomeações em dois anos”. E ainda, Primeiro-ministro tem 13 adjuntos, 19 assessores, 15 secretárias e sete motoristas." A notícia refere-se à actualidade, do ano de 2007...
A mensagem que passava, era a realidade: o governo actual que pede sacrifícios ao cidadão comum, nomeia pessoal que se farta e faz como o frade Tomás.
Esta mensagem, aparece ao mesmo tempo que uma outra, com o selo de autenticidade de um tribunal de Contas, renovado por um socialista nomeado que ainda assim jurou a independência exigida.
O tribunal de Contas, além disso, é um Tribunal que entra na orgânica geral do nosso poder judicial, tal como definida no artigo 209º da Constituição e sustenta os mesmos princípio referenciados no artigo 202º: a independência e a especial atribuição de administrar justiça em nome do povo, na defesa dos direitos e interesses legalmente protegidos dos cidadãos.
O relatório do Tribunal de Contas em análise e em crise, refere-se ao resultado da auditoria às despesas dos gabinetes governamentais, num triénio: 2003, 2004 e 2005.
As inevitáveis comparações suscitaram as notícias desprimorosas para o actual governo, ferido na fachada da sua susceptibilidade, logo que se escreveu no relatório difundido que este governo tinha feito 148 nomeações para o gabinete do primeiro ministro. A verdade governamental fixara em apenas 53 , as nomeações da imagem da desgraça. O pormenor, era de relevo e mesmo com alguma distorção, poderia surtir efeito se fosse aclarado, para demonstrar a incompetência de um tribunal e a má fé dos que pretendem beliscar a suprema competência e eficádia deste governo constitucional.
Tal disparidade, deu azo a críticas públicas, pelos visados no governo, destacando-se até neste exercício, o próprio primeiro-ministro. Havia o pormenor...a fazer lembrar o papel das propinas, mostrado como prova de autenticidade de frequência do ensino...
O Governo, sob a chancela do Gabinete do Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministro, na batuta de um inefável e inoxidável Jorge Lacão, durante anos e anos, presença permanente nos corredores da Assembleia da República, no Largo do Rato e noutros locais socialistas, tinha já respondido em Dezembro de 2006. Fizera-o no "contraditório" a um relatório preliminar do mesmo tribunal, presidido durante quatro anos, por um outro socialista, habituado aos mesmos lugares e cuja nomeação suscitou controvérsia.
A resposta-ofício, em modo de “competente contraditório”, datada de 27 de Dezembro não deixa de suscitar também algumas perplexidades formais: “Sem embargo não deixa o Governo de exprimir ao Tribunal de Contas o seu melhor empenhamento e disponibilidade para a cooperação construtiva, sempre exigível em quem se esforça por contribuir para aperfeiçoar o fuincionamento e as práticas da Administração Pública”. Foi assim, o modo como o inefável Jorge Lacão entendeu, endereçar ao Tribunal de Contas, a sua resposta-contestação-contraditório em que elencava depois, várias “confusões”, “insuficientes dilucidações” e “incorrecções de avaliação”, para concluir pela geral “deficiência analítica” do mesmo tribunal na auditoria ás despesas dos gabinetes.
Essa resposta, ainda assim, não foi suficiente para que o relatório publicado em Abril, deixasse de merecer mais críticas do Governo, porque os números como o algodão do anúncio, pareciam não enganar e a imagem impoluta do governo saía beliscadíssima.
Em Abril de 2007, o Governo, perante a divulgação do Relatório, requereu ao TC, aquilo que em linguagem jurídica se chama uma aclaração do Relatório, sustentado argumentos que desfizessem a imagem passada para a opinião pública de que o Governo tinha sido despesista, ao contrário do repetidamente afirmado. “Qualquer labéu despesista é efectivamente inaplicável ao Governo”, diz a comunicação de pedido de aclaração, no qual reafirma a “ melhor disponibilidade para a cooperação institucional, no respeito pela autonomia e separação de funções”. Acrescenta ainda que “ O XVII Governo Constitucional espera do Tribunal de Contas a devida ponderação destes elementos, tendo em conta os efeitos de um Relatório de Auditoria que, com insuficiente tratamento da factualidade disponível e insuficiente distinção da natureza das coisas, acarretou um objectivo episódio de desinformação da despesa pública sob a égide de um Governo que, patentemente, tem feito do rigor orçamental um desígnio da sua actuação."
Afinal, que disse o Tribunal de Contas, na resposta à aclaração requerida pelo Governo?
Aclarou agora que “todos os números constantes dos quadros (…) constam de listas nominativas, exaustivas quanto ao respectivo conteúdo, preparadas e elaboradas e posteriormente corrigidas na presidência do Conselho de Minsitros, ente 25.8.2006 e 23.10.2006.”
Diz ainda que nos documentos da Presidência do Conselho de Ministros, referidos especificamente ao Gabinete do Primeiro Ministro, constavam 148 indivíduos, expressa e literalmente considerados, pela dita Presidência do Conselho de Ministros, como “pessoal do quadro e além quadro do Gabinete do Primeiro Ministro, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa”.
Refere ainda, outra coisa muito importante: Se erro houvera, tal ficaria a dever-se exclusivamente aos serviços da actual Presidência do Conselho de Ministros e ainda salientou que se agora essa Presidência viera corrigir dados relativos ao Governo actual, não poderia omitir correcções aos outros Governos abrangidos pela Auditoria, como acontecera.
Desmentiu ainda, categoricamente, a alegada “confusão”, referida pelo inefável Lacão e refutou os termos do pedido de aclaração do Governo que afirmava em tonalidade de linguagem política, a ocorrência de um “objectivo episódio de desinformação ".
Os jornais, de ontem e hoje, tratam este assunto de um modo curioso.
O Expresso, “O TC não muda relatório”, e no artigo assinado por dois (!) jornalistas anuncia-se que o TC decidiu não rectificar o relatório e endossa toda a responsabilidade pela informação incorrecta, ao próprio Governo. Ainda assim, relata as diligências do inefável Lacão, para “minimizar os danos políticos”, acrescentado que “é possível que a guerra acabe aqui”.
No Sol, duas jornalistas (!) escreve-se que “Tribunal de Contas diz não a Sócrates”, para explicar que Sócrates pediu uma “rectificação” com o argumento de que “só contratara 46 pessoas, tendo enviado uma lista corrigida, com a indicação de quem está a trabalhar consigo”.
A Auditoria, lembre-se, é restrita ao triénio 2003, 2004 e 2005. Estamos em 2007…
No Público, ontem, uma jornalista, escrevia um pouco mais. Dizia que “Tribunal de Contas rejeitou “erros”, na auditoria sobre gabinetes ministeriais”. “Responsabilizando o Governo, o tribunal rejeita críticas, regista novos dados sobre o número de assessores e mantém críticas à falta de controlo na despesa”.
No Portal do Governo, estão disponíveis as diversas posições institucionais do Governo, nesta matéria.
Ontem, o Primeiro Ministro, numa declaração para a televisão, no decurso de uma feira, em Beja, disse, para toda a gente ouvir bem, que estava satisfeito com a deliberação do Tribunal de Contas, aprovada, na terça-feira passada, sobre o Relatório e sobre as nomeações e despesas governamentais. Cinismo maior, será difícil de encontrar em matéria política.
José Sócrates salientou um aspecto de relevo no que interessa à imagem do Governo. De uma eficácia a toda a prova, disse simplesmente que “o que pretendia está conseguido” e que era demonstrar que apenas fizera 53 nomeações para o seu gabinete, em vez das 148 anunciadas.
Foi esta a mensagem que passou e a imagem que fica, é de que o Tribunal de Contas errou as contas e fez má figura. Mas…fez mesmo?
Quem ler os jornais, não fica a perceber muito bem o que se passa. Percebe que há uma discrepância. Percebe que o Tribunal de Contas teve que aclarar um Relatório, mas nem se dá conta dos contornos legais que tal aclaração significa. Pela leitura dos jornais, que falam em “rectificação”, seria uma espécie de resposta à tutela. O Tribunal de Contas, é apresentado como uma espécie de tribunal, o que é notório dos ofícios do inenarrável Lacão.
Para o Governo, o TC é mesmo uma espécie de tribunal, pratica e objectivamente incluído no âmbito dos “órgãos de supervisão” sobre os quais o Governo tem alguma espécie de tutela, porque tem palavra a dizer na nomeação dos juízes presidentes.
É óbvio que o inenarrável Lacão sabe que assim não é nem pode ser. Mas o timbre dos ofícios, para além da incrível pesporrência institucional, trata o TC como se fosse um departamento da A.R. em que o incrível Lacão percorreu os seus anos incríveis. No seu perfil profissional,no portal governamenta, apresenta-se como "advogado". Advogado?!
Por outro lado, é sabido que os jornais representam uma fatia do leitorado, relativamente pequena. A televisão representa mais o eleitorado do que o leitorado e é aí, na pantalha dos milhões que os assuntos de decidem, em termos de imagem e comunicação.
O primeiro ministro José Sócrates, um sem-vergonha que pretende passar incólume por cima de uma trapalhada inominável e não esclarecida, sobre os seu percurso académico, mais uma vez, se serve da pantalha dos milhões para confundir a opinião pública.
Até quando estas mentiras sucessivas e sem remissão, farão o seu curso, com plena impunidade?
A reacção dos partidos é sintomática da anomia reinante:
Miguel Macedo, pelo PSD, ouvido pela mesma televisão e usufruindo do mesmo espaço de esclarecimento, perde-se em justificações platónicas. O líder do BE, aponta um trocadilho inócuo para a falta de vergonha, reduzindo tudo a uma questão de contas e contabilistas.
Restam os blogs. Que audiência têm os blogs? Mínima. Sem qualquer efeito de beliscadura na imagem falsa de um primeiro ministro com total falta de vergonha. Sem paralelo na União Europeia.
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Carta ao director do Público
sexta-feira, abril 27, 2007
Pelos vistos, o Público caiu outra vez nas vendas e não acerta com o mercado a que se dirige.
Pois bem. Compro o Público desde o primeiro número que me desiludiu logo nessa altura, pois esperava um jornal mais aberto às realidades das notícias que o Jornal de Notícias então fazia. Esperava então do Público um jornalismo real, de rua e não de cadeira ou poltrona, do tipo que alguns tipos ainda faziam. Já aqui citei, várias vezes, um jornalista sem peneiras e com muita classe chamado Aurélio Cunha. Porque é que o cito- já o conhecendo pessoalmente- e não me lembro de mais nenhum?
Pela simples razão de me parecer o símbolo do jornalismo que já não há. O jornalista Aurélio Cunha, chegou a investigar factos concretos de casos concretos e falava com as pessoas, procurando ligar factos a realidades e pessoas a acontecimentos. Em poucas palavras, procurava perceber o assunto sobre que ia escrever e não costumava atabalhoar notícias para colocar cachas de primeira página. Em certo sentido, estava nos antípodas do jornalismo tipo Independente de Portas, MEC, Helena S. Osório e Inês Serra Lopes. Todas estas personagens do jornalismo luso, acantonaram-se em lugares esconsos que o actual ministro Santos Silva diria da sarjeta. Desvirtuaram à sua maneira o jornalismo de qualidade, em função da pressa, da avidez de notícias e de cachas para encher papel moeda. Dizem que terão feito jornalismo de causa. Provavelmente sim, manifestamente não.
Voltando ao Público, este tipo de jornalismo, ainda vai vicejando numa ou noutra reportagem, mormente aquelas que vieram recentemente a lume, por causa da Independente, das habilitações do primeiro ministro e dos negócios, com e Estado, de alguns apaniguados. Mas é um jornalismo que tende a desaparecer ou pelo menos não marca a agenda diária do Público. Sendo meramente episódico, por vezes suscita algumas suspeitas de motivações obscuras e dá azo a comentários dos visados que não abona nada a favor do jornalismo independente e separado do poder político.
Sendo assim, qual a razão do declínio progressivo do Público e como é que me atreveria a dar razões para ultrapassar a crise do (ainda) melhor diário português?
O declínio, quanto a mim, está na direcção, quero dizer na linha editorial seguida de há alguns anos a esta parte.
Se o Correio da Manhã ou o Jornal de Notícias, se destinam a um público que pretende ler as notícias e os pormenores sobre os casos de faca e alguidar e ainda os que abalam os telejornais, sobre o mundo judiciário, por que razão o Público continua a manter como repórteres, pessoas que já deram sobejas provas de falta de isenção, noticiando acontecimentos, intrometendo palpites avulsos e pessoais que desvirtuam o sentido das coisas que o leitor pode aquilatar por si, através de outras vias de conhecimento?
As notícias do Público, muitas vezes carecem de densidade informativa. Explico: ontem, a primeira página dava conta da notícia de que o Governo incentivaria funcionários públicos a denunciar a corrupção. Lá dentro, na pág 12, três colunas em nem sequer meia página, procuravam explicar o que era o tal guia de boas práticas. O artigo assinado por Paula Torres Carvalho não dava a ninguém, muito menos aos leitores do Público que frequentaram escolas e sabem ler alguma coisa, a noção exacta do guia e do significado do mesmo. Em algumas frases desgarradas, percebe-se que a autora não percebeu o assunto, nem deu a perceber ao leitor.
Exemplos destes são diários e repetidos, num declínio acentuado na qualidade exigível a um jornal de referência.
O Público, para sobreviver tem que ser melhor que os seus leitores e dar-lhes a conhecer aquilo que eles não sabem! Só isso justificará que o continuem a ler e comprar.
Poderia continuar com os exemplos práticos, mas fico por esse.
Na edição de hoje, o assunto transversal é a liberdade de imprensa e de informação. A ideia geral que perpassa nas notícias e comentários, é a de tentativa de arreata por banda do poder político. Pois bem! Estude-se melhor o assunto. Aprofunde-se o mesmo. Convidem-se peritos e entrevistem-se conhecedores.
A matéria é tão escorregadia que qualquer notícia, sem consistência devidamente embalada, foge do controlo de quem a solta e torna-se…inócua.
O jornal, hoje, Sexta-feira, traz dois ou três suplementos. O de Economia que é dispensável. O Ípsilon que não presta por aí além e deveria ser reformulado. A cópia da net, por vezes é demasiado aflitiva e nunca traz referências como deveria. Neste aspecto, é uma vergonha. Ponham alguém a consultar a net, sobre o que querem escrever e citem os sítios! Duas páginas chegavam! O melhor ainda são as fotos, vá lá. O Inimigo Público que se alarga em páginas repetitivas com o mesmíssimo tipo de humor que de tão previsível e estereotipado, poderia muito bem reduzir-se a meia página com efeitos de riso mais assegurado.Poupem as meninges! Ninguém quer rir tanto de tanta coisa!
No capítulo dos comentários, nada a assinalar. Está bem assim. No aspecto gráfico, idem. Melhorou em relação ao anterior.
Em resumo: mudem o estilo de jornalismo. Sejam mais autênticos e consistentes. Procurem a realidade e não inventem realidades paralelas. Arranjem urgentemente quem faça o que os jornais americanos fazem: fact-checking. Assegurem-se que o que escrevem não traz lapsos graves, noções erradas ( um crime público não é aquele cuja investigação é obrigatória, mas o que não depende de queixa para se investigar), informações factualmente incorrectas, desinformação.
Por hoje é tudo, senhor director.
Publicado por josé 19:40:00 1 comentários Links para este post
avisos à navegação
All the World's a Bubble
TheStreet.com
How high will the Dow go? 15,000? 20,000?How about 36,000?
While euphoria sweeps stock markets here and worldwide, there are at least a few voices of dissent.
One, unsurprisingly, is legendary value investor Jeremy Grantham -- the man Dick Cheney, plus a lot of other rich people, trusts with his money. Grantham, chairman of Boston firm Grantham Mayo Van Otterloo, has been a voice of caution for years. But he has upped his concerns in his latest letter to shareholders. Grantham says we are now seeing the first worldwide bubble in history covering all asset classes.
Everything is in bubble territory, he says. Everything. [continua aqui]
Publicado por Manuel 18:55:00 0 comentários Links para este post







