Temos a terra debaixo do pés,
Sólida, indiferente,
Felizmente.

Gustàve Guillevic

Publicado por contra-baixo 01:59:00 4 comentários Links para este post  



Vive la France!


O escândalo designado Clearstream, em França, atinge agora as mais altas figuras do Estado francês: o primeiro-ministro Dominique Villepin; Nicolas Sarcozy, ministro do Interior e, agora mesmo, o próprio chefe do Estado francês, Jacques Chirac, lui même.
O sumo do escândalo decantou logo que se suspeitou que Villepin poderia ter armadilhado Sarkozy por motivos inconfessáveis, mas compreensíveis: Sarkozy é um rival político, potencial candidato ao Eliseu.
Onde começa este escândalo? Num juiz de instrução julgado “incorruptível”, de seu nome Van Ruymbeke e que em 2001 instruía um processo crime por corrupção ao mais alto nível do Estado francês ( e não só), por causa de venda de material militar a países terceiros, Taiwan no caso, ocorrida nos anos 80.
Por causa deste assunto, Jacques Chirac, em Setembro de 2001 e na qualidade de presidente da República, recebeu o general Philippe Rondot e encarregou-o , sob proposta de Villepin então secretário geral no Eliseu, a investigar a investigação de certos serviços oficiais que suspeitava seriam instigados por opositores políticos ( Jospin) para o desacreditar.
O general Rondot, actualmente na reforma, sabe-se agora que coligiu notas que guardou, de todos os encontros que manteve, ao longo dos anos, com responsáveis políticos.
O escândalo actual começa a desenhar contornos precisos com o despedimento, em 2001( zangam-se as comadres…), de um alto funcionário de uma financeira luxemburguesa, precisamente a Clearstream, que entrega a um jornalista a lista informática que eventualmente provaria a natureza criminosa da sociedade, dedicada realmente ao branqueamento de capitais de origem duvidosa, como é por vezes o caso do negócio de armamento.
Esta lista de contas da sociedade Clearstream, como nomes sonantes da política e negócios franceses e não só, supostamente provaria o envolvimento de…Sarkozy, cujo nome, mal disfarçado, aí constaria. Não obstante, vem a provar-se a falsificação da listagem e o escândalo começa a revestir outros contornos de natureza política, com manipulação e jogo duplo à mistura, numa rocambolesca história, digna de um bom “polar” de ficção politico-policial, a que não falta sequer um “garganta-funda” com nome adaptado a “corvo”, cuja identidade se suspeita já que seja a de um alto figurão da indústria aeronáutica francesa, de nome Jean-Louis Gergorin, próximo de Villepin e que ontem foi “dispensado” das suas funções directivas, na EADS, grupo aeronáutico de defesa, franco-alemão.

Neste escândalo, há desde logo algo importante que ressalta: o poder judicial e de investigação, encarnado no petit juge Ruymbeke e noutros, nunca foi colocado em crise aberta de falta de legitimidade, pelo poder político, executivo, francês. Mesmo sabendo que a investigação se fez também com base em “cartas anónimas” como nomes e datas e que estes métodos são abertamente questionados, junto de quem os autorizou.
A natureza da investigação, implicou e continua a implicar as mais altas figuras do Estado, e a imprensa atira-se ao escândalo como gato a bofe, mas visa o essencial: a natureza do próprio escândalo e não os aspectos laterais da investigação oficial. Quem o investiga pode ser interpelado, mas não para a mais impúdica deslegitimação, como por cá acontece amiúde.
A prova?
Hoje, no Le Monde, aparecem transcritas as notas manuscritas entre 2003 e 2005, do general Rondot.
Tais notas foram apreendidas pelos juízes de instrução Jean-Marie d´Huy e Henri Pons, no âmbito de um Inquérito aberto por denúncia caluniosa.
Em várias notas, o general refere-se a “Proteger o presidente”; “risco: que o presidente seja atingido”, numa prova circunstancial de uma mentira do presidente que até aqui tem desmentido o envolvimento directo no affaire.
Tudo isto, de uma gravidade extrema, até ao ponto de se publicarem na imprensa de referência, notas apreendidas num processo crime, por dois juízes de instrução, não suscita em França qualquer reacção a pedir a exoneração do procurador geral da República; a responsabilização do poder judicial pelos desmandos e violações de segredo de justiça e muito menos a agitação para confundir papéis e responsabilidades, com recursos e advogados em alvoroço mediático e outras histerias nas hostes.
Em França, o essencial continua a ser a descoberta da verdade…mesmo através das várias manipulações.
E o próprio Villepin, em instruções aos seus serviços de investigação, anotou em 2004: “Deixar o juiz fazer a triagem e prever as suas investigações”, o que segundo o Le Monde, exprime com segurança a noção de que existe uma vontade em que se separem as águas da investigação judicial e a dos serviços oficiais governamentais. Um questão, por isso, de atenção à divisão de poderes e ao respeito pela soberania dos tribunais e da autonomia de quem neles investiga. O normal de uma sociedade democrática, quoi!
Estão a ver o paralelo, senhores deputados e governantes do PS actual?!

Actualização:

Mais novidades, por aqui.
E uma apreciação do papel dos magistrados, aqui.
E ainda uma infografia, elaborada pelo Le Monde, para perceber o caso, aqui.

Publicado por josé 14:50:00 9 comentários Links para este post  



Sob o signo da realidade

«Durante anos acreditei que era possível pôr em prática uma política social de combate à pobreza e às desigualdades, a partir de partidos de centro-direita, como penso que era o CDS, via doutrina social da Igreja. Foi isso que mudou: ao fim de 20 anos, cheguei à conclusão de que não é possível fazer uma política audaciosa a partir de partidos centro-direita, pelas suas ligações umbilicais aos grandes interesses económicos. Esses partidos vivem financeiramente dos contributos dos grandes interesses económicos.»(Freitas do Amaral, entrevista ao suplemento "Unica" do Expresso), por via do blog Causa Nossa.
Este blog, será, declaradamente, um “think tank”! Tal afirmação, provém de fonte limpa: veio directamente de uma colaboradora desse blog, Maria Manuel Leitão Marques, e que tal o disse em entrevista à Visão desta semana(que a apresentou como mulher de Vital Moreira e actual responsável pelo programa de simplificação administrativo-governamental, crismado de “Simplex” , cuja ideia, aliás, seria da autoria do próprio ministro)!
“Think Tank”… imagine-se!
Ontem , no lançamento de um livro de Manuel Maria Carrilho, foram proferidas afirmações de gravidade inaudita e sem qualquer fundamentação concreta audível.
A imprensa desta manhã, dá conta dos ataques de Carrilho à comunicação social em geral, e a certos comentadores encartados em especial, vitimizando-se pela derrota sofrida nas eleições autárquicas.
A principal “verdade” de Carrilho no livro que publicou, é uma acusação concreta a António Cunha Vaz, responsável por uma agência de comunicação e que se teria apresentado àquele, como candidato para fazer a campanha para a Câmara de Lisboa. "Vinha oferecer-se para tratar de tudo, insistindo muito em dois pontos da sua oferta a recolha - obviamente ilícita - de fundos, e a compra de opinião". "Hoje tudo se compra, afiançou-me com ar espertalhão, antes de, perante a minha incomodidade face a tais propósitos, começar a amaciar os seus apregoados trunfos".
No lançamento do livro, Emídio Rangel apresentou o volume de pouco mais de duzentas páginas “Sob o Signo da Verdade
De acordo com o Diário Digital, Emídio Rangel, secundou Carrilho nas críticas violentas à comunicação social , dizendo que «há agências de comunicação social com jornalistas avençados das formas mais variadas para o serviço sujo, para silenciar e comprar estratégias comunicacionais, para fabricar heróis, construir imagens positivas ou para destruir a imagem de alguém».
«O mau jornalismo tem vindo a impor-se e a ganhar muitas batalhas ao bom jornalismo. No mundo da política, então, assume proporções alarmantes perante a indiferença do Estado, do Governo, da tutela dos jornalistas», acrescentou.
Emídio Rangel terá afirmado ainda que as agências de comunicação «tudo compram» e
que «estes jornalistas que se vendem e se prostituem na praça pública têm de ser banidos dos meios para salvaguarda daqueles que exercem bem a profissão».
Aqui fica um retrato do país político-social de Maio de 2006.

1.Do país em que um alto responsável político, actualmente ministro de um governo e que esteve inserido na política partidária durante anos a fio, fazendo parte do gotha de políticos que tudo acompanhou nesta III República, muda entretanto de orientação política e denuncia( que outro termo se pode utilizar- Insinua?!) que os partidos de centro direita vivem de esquemas que o desagradaram e justificaram a mudança de posição ” pelas suas ligações umbilicais aos grandes interesses económicos. Esses partidos vivem financeiramente dos contributos dos grandes interesses económicos.”
2. De um país em que uma responsável máxima por um serviço governamentam de ambiciosa inovação administrativa, declara que colaborou num “think tank” que é afinal…um blog como o “causa nossa”!!!
3. De um país em que um membro destacado de um partido político da área de poder real e efectivo, ( tanto que está no Governo), declara publicamente a existência de tentativas óbvias de corrupção a vários níveis, com destaque para a recolha ilegal de fundos e a manipulação da opinião pública através da pura e simples “compra” de opinião publicada.
Para confirmar estes esquemas, temos um especialista em comunicação e que lançou a SIC, tendo chegado quase a afirmar, em tempos, que a tv poderia fabricar um presidente…
Presumindo-se que sabe do que fala, confirmou o mais grave: “ há agências de comunicação social com jornalistas avençados das formas mais variadas para o serviço sujo, para silenciar e comprar estratégias comunicacionais, para fabricar heróis, construir imagens positivas ou para destruir a imagem de alguém”.

"Portugal, que futuro? "

Publicado por josé 12:03:00 10 comentários Links para este post  



Não tenho grande fé de encontrar-te ...

Não tenho grande fé de encontrar-te
na vida eterna.
Era já problemático falar-te
na terrena.
A culpa é do sistema
das comunicações.
Descobrem-se muitas mas não aquela
que tornaria ridículas, e até inúteis,
as outras.

Eugenio Montale

Publicado por contra-baixo 12:47:00 5 comentários Links para este post  



vira-lata

Freitas do Amaral é o Souto Moura da política: é preso por ter cão e também por não ter. Devia saber, aliás, que quem não tem cão, caça com gato.

Publicado por josé 12:30:00 15 comentários Links para este post  



O divórcio da credibilidade

Portugal é o País onde há mais divórcios

É o que revela o relatório do Instituto de Política Familiar, que será apresentado terça-feira em Bruxelas.

Divórcio é uma palavra cada vez mais comum no vocabulário familiar. As estatísticas confirmam que, a cada 33 segundos, há registo de mais um divórcio na União Europeia (UE) e Portugal assume a «camisola amarela» nesta corrida.

De acordo com um relatório do Instituto de Política Familiar (IPF), que será apresentado terça-feira no Parlamento Europeu em Bruxelas, a Europa totaliza quase um milhão de rupturas conjugais por ano.

Portugal, com um crescimento de 89%, é o País da UE-15 onde se verificou o maior aumento da taxa de divórcios em 10 anos (1995-2004). Logo a seguir vem a Itália com um aumento de 62% de divórcios e a Espanha com uma subida de 59%.

[Fonte: TVI, 2006-05-07 16:59]


Vários meios de comunicação social, incluindo o jornal de referência Público, anunciaram em grandes parangonas no início da semana que Portugal é o país europeu "onde há mais divórcios". Escalpelizado o artigo, percebia-se afinal que é apenas aquele onde "se verificou o maior aumento de divórcios" nos últimos anos. Se o Público rapidamente emendou o deslize, pelo contrário o "moderno" Diário Digital e a "independente" TVI conservaram durante vários dias o título falso, denunciando a pouca credibilidade que merecem.

Publicado por Nino 21:58:00 2 comentários Links para este post  



20,000,000 Chávez Fans Can't Be Wrong


Joe Wezorek, in The Nation

Publicado por contra-baixo 11:58:00 1 comentários Links para este post  



Maçã dentada













Em meados de 1967, todo o mundo ocidental ouvia San Francisco( Be sure to wear flowers in your hair), na voz de Scott Mackenzie, no pico do chamado Flower Power de inspiração Hippie. Paz e amor, generosidade e altruísmo eram os valores recomendados e a sinalética digital do V de vitória, reunia consenso com os cabelos compridos, as roupas coloridas e a pose fumarenta e deletéria que durou dois anos, se tanto.
Nessa altura, os Beatles publicaram uma das suas obras primas: Sergeant Pepper´s lonely hearts club band, disco charneira da música pop. A Day in the Life, deu inspiração a muitos outros que se lançaram na aventura da música e formaram grupos, criando tendências.
Em 1968, ainda no refluxo da vaga de “paz e amor” que invadiu a costa oeste e particularmente a California dos States e se espalhou a outras paragens, também em plena explosão criativa, surgiram, na cena musical anglo- saxónica, dezenas de grupos , cujos membros sabiam arpejar pelo menos três acordes de guitarra distorcida, em consonância com uma secção rítmica. A imitação dos Kinks, dos Rolling Stones, dos Beach Boys e também dos Moody Blues, Procol Harum ou Bob Dylan , sugeriu aos maiores deles todos – os Beatles – a ideia de criação de uma etiqueta própria, para apoio da sua produção exclusiva, então no pico da excelência, e das experiências criativas de muitos anónimos em busca de lugar ao sol, na música pop.
Foi assim que surgiu a etiqueta Apple, em Abril de 1968, por iniciativa dos Beatles, algo filantrópica no começo e algo subsidiária do espírito hippie da época prestes a terminar.
A Apple foi “mais uma manifestação da ingenuidade de Beatle”, disse John Lennon, em meados dos 70. “ Queríamos ajudar toda a gente, mas fomos apanhados pela leva de todos os que se aproximavam e que não eram de modo nenhum, os melhores artistas. Rapidamente, tivemos de mudar de estratégia e fechar a porta aos que chegavam até nós, porque se tornou um trabalho demasiado insano.”
E assim a Apple virou rapidamente para a corporação Apple Corps Ltd e para Apple Records Ltd, produtora dos discos dos Beatles e de uns poucos mais que ficaram esquecidos pelo tempo, como foi o caso dos Badfinger ou Mary “Those were the days” Hopkin, ou ainda Jackie Lomax. Para a memória dos Elephant Memory, ficam os primeiros Lp´s de James Taylor, Billy Preston ou o Christmas Álbum, do grande Phil Spector.
A Apple, depressa se tornou uma empresa de tomo no universo que gira à volta da música dos Beatles, gerando milhões de dólares que interessam a muitas pessoas da indústria musical.
Uma década depois, na mesma área onde os Hippies surgiram, apareceu também, em 1976, uma dupla de Steves, saídos da adolescência e curiosos da electrónica florescente- Steve Jobs e Steve Wozniak- que numa garagem montaram um computador a que deram o nome de Apple I.
Na altura, mesmo durante alguns anos, até ao início dos anos oitenta, não houve qualquer problema no nome da maçã nem sequer no logotipo que sugeria e mostrava um byte numa maçã estilizada e bem distinta da mação beatleiana.
Mais dez anos depois, a dupla e a empresa Apple Computer Corp. já facturavam milhões de dólares e tinham 4000 empregados e o primeiro Macintosh, surgido em 1983, fazia furor.
Nesta máquina original, já se notavam facilidades ímpares no domínio da criação artística. De tal modo que hoje em dia, quase toda a música industrializada e comercializada, passa pelos Mac, já na geração G5, a dos Power Mac, depois dos iMac. A música que se vende em cd´s é também gravada e misturada em PowerMac e o trabalho gráfico e artístico produzido em PowerMacs.
No início do séc. XXI, a Apple, lançou outro pequeno objecto destinado a reprodução musical: o iPod, actualmente em 5º geração e declina-se em modelos Shuffle, Nano e outros mini, capazes de reproduzir iTunes, captados por via etérea, na net global e reproduzidos em sonoridades próximas da original.
Esta capacidade ubíqua dos iPod que se vendem aos milhões, cativou também a atenção da velhinha Apple dos Beatles que accionou em tribunal a novíssima Apple Computer, pela quarta vez e pelos mesmo motivos de sempre: cópia ilegal do nome de marca!
A questão parecia arrumada desde 1991, em que ficou definida a compatibilidade na partilha do nome da Maçã e do logotipo da tentação.
A Apple Corps Ltd dos Beatles, detinha o direito de uso do nome em trabalhos criativos cujo principal conteúdo fosse a música. A Apple Computer Corps, restringia-se ao uso do nome em bens ou serviços que utilizasse para reprodução desses conteúdos, ficando excluído o direito de distribuição desses conteúdos em “physical media”, o que significava a proibição de venda ou distribuição de material musical em suporte físico, para além da metafísica do iPod…
Ora aconteceu que o sistema de distribuição iTunes, da Apple Computer,no entender da Apple Corps dos Beatles, infringia o acordo de vários milhões de dólares e vai daí, no início deste ano, a produtora dos Beatles, accionou judicialmente a companhia de Steve Jobs.
Ontem, 8 de Maio de 2006, um tribunal de Londres, pronunciou o veredicto: Não houve quebra de acordo e a Apple Computer, via iTunes, pode usar o logo da Maçã, à vontade.

“You say you want a revolution”?!

Publicado por josé 00:18:00 5 comentários Links para este post  



O sole mio!


I can't light no more of your darkness
All my pictures seem to fade to black and white
I'm growing tired and time stands still before me
Frozen here on the ladder of my life

Too late to save myself from falling
I took a chance and changed your way of life
But you misread my meaning when I met you
Closed the door and left me blinded by the light

Don't let the sun go down on me

Elton John, Caribou, 1974

Segundo o Diário Digital:

Depois da apresentação do novo jornal na quarta-feira, a Impresa acredita que o layout tem muitas semelhanças com o semanário anteriormente dirigido por Saraiva. O ex-director do Expresso admite algumas coincidências na primeira página, mas acredita que o formato tablóide vai distinguir as duas publicações. «O Sol não é um projecto contra ninguém», defendeu. Segundo o Jornal de Negócios de hoje, Freire afirma que a hipótese de avançar com uma acção judicial ainda não foi analisada.

Bom, para além desta pequena contrariedade, há um aspecto curioso e de relevo luminoso:
O título “SOL” não é original.
Em 10 de Fevereiro de 1976, apareceu pela primeira vez nos quiosques e bancas, um novo jornal semanário que repristinava um velho título da imprensa nacional: O Diabo.
O semanário, dirigido por Vera Lagoa, pseudónimo de Maria Armanda Falcão, que escrevera uma coluna de “bisbilhotices” no Diário Popular e depois disso crónicas no jornal Tempo de Nuno Rocha, foi logo suspenso preventivamente por determinação do Conselho da Revolução da época( e com base na Lei de Imprensa então em vigor), por causa de um artigo em que Vera Lagoa atacava de modo julgado violento e inadmissível a figura do presidente da República,general Costa Gomes. Vera Lagoa, no artigo em causa mimoseava-o como “o senhor Gomes de Chaves” e com outras atenções ainda mais primorosas, como seja a de recusar legitimidade ao então PR para ocupar um cargo, ´usurpado` em função de um “golpe de Estado”.
A esquerda de então, aplaudiu a medida de suspensão decretada pelo CR. Segundo O Jornal da época( 20.2.1976), temiam a ofensiva das forças de direita, representadas pelo O Diabo que lhes pareciam “ descaradamente a tentar dominar os órgãos de informação”.
Diga-se que era a segunda vez que Vera Lagoa se via a contas coma Justiça por causa de escritos em jornais. A primeira também recente, ficara a dever-se a um artigo no Tempo.
O julgamento por aquele facto lesivo da honra de Costa Gomes, também foi alvo de alguma atenção ( pouca) na imprensa da época.
Um artigo de O Jornal, assinado pelo falecido José Silva Pinto, mereceu uma carta de Vera Lagoa, publicada integralmente no O Jornal de 5.3.1976, na qual dava conta das suas razões e informava que Vera Lagoa era militante do …PS! O que mereceu uma queixa à comissão de Conflitos do partido…
As peripécias do julgamento, foram-se desenrolando ao longo dos meses seguintes e a revista Opção nº4 de 20 a 27 de Maio de 1976, cronicava que o julgamento decorria “à porta fechada” e que o advogado de Vera Lagoa, de seu nome Proença de Carvalho, tecera na audiência “severas críticas ao juiz Hermínio Ramos, acusando-o de constantes intervenções abusivas e lesivas do interesse da sua constituinte”. Anunciava ainda que entre as testemunhas de defesa de Vera Lagoa, se contavam Raul Rego, David-Mourão Ferreira, Maria Barroso e o major Manuel Monge.
Para saber o resultado deste julgamento, é escusado ler o Expresso da época( em 15 de Abril publicava uma entrevista com Jean-François Revel a propósito de A tentação Totalitária) ou até mesmo o O jornal ou a mesmíssima Opção. Nada de nada se encontra noticiado, sobre o assunto já acabado. O Jornal, em 7.5.1976, trazia um artigo intitulado “Seminário sobre a informação em tempo de mudança”. Nem uma palavra sobre a suspensão do semanário ou sobre o julgamento. No entanto, em coda ao artigo refere-se a outro semanário maldito – A Rua, dirigido por Manuel Maria Múrias- para noticiar que o jornal, “de extrema direita”, anunciara um livro maldito nas suas páginas: “O pequeno livro negro” de…Hitler.
Na edição de O Jornal de 2.4.1976, no entanto, uma pequena referência ao julgamento, com esta menção: “ Sol e sombra. O julgamento de Vera Lagoa , motivado por um artigo em que visava o general Costa Gomes, foi adiado sine die, devido ao estado de saúde daquela jornalista.”
A referência a Sol e sombra, grafava a palavra “Sol”, porque o Diabo tinha entretanto, sido transformado em …Sol, um título fugaz que durou o tempo de suspensão preventiva do jornal e que terminou com o julgamento, noticiado apenas pela revista Vida Mundial, de 27.5.1976, dirigida então por…Natália Correia que colocou aquela entre os que naquela semana “riam…”, referindo-se à absolvição da jornalistas e exaltando “O exemplar magistrado [ o tal que Proença vituperara…] não só absolveu Vera Lagoa como a exortou, em considerações finais, a continuar a pôr a sua pena ao serviço da liberdade e da Independência do País.” É sabido que a visada não se fez rogada, sendo igualmente previsível que Proença de Carvalho, dessa vez não terá protestado…mas também é sabido que o Sol foi de pouca dura: em 1979, a directora do revivificado Diabo teria outra vez a justiça á perna, por causa de Eanes. E dessa vez, perdeu.
Neste contexto, será que o Sol que se anuncia, poderá de algum modo render homenagem ao Sol que já se pôs e que sendo mesmo de pouca dura, existiu o tempo suficiente para haver memória desse tempo?
Não haverá por aí um qualquer equívoco?

Publicado por josé 00:42:00 9 comentários Links para este post  



O Sol chega em Setembro


Here comes the sun,
Here comes the sun, and I say
It's all right

Little darling, it's been a long cold lonely winter
Little darling, it feels like years since it's been here
Here comes the sun,
Here comes the sun, and I say
It's all right

Little darling, the smiles returning to the faces
Little darling, it seems like years since it's been here
Here comes the sun,
Here comes the sun, and I say
It's all right
Beatles- Abbey Road, 1969

Vem aí o SOL! Chega em Setembro, mesmo na rentrée. As espectativas são altas e o horizonte ainda está longe, mas o oráculo já disse que o Homem mais sábio da cidade era…Sócrates!
Sócrates não acreditou, tanto mais que só sabia que nada sabia e foi à procura de sabedoria e de quem a representasse condignamente. Não encontrou e concluiu que afinal o oráculo tinha dito a verdade…
Ora a verdade deste dia, é esta que nos é oferecida pelo…Correio da Manhã, com um título sugestivo- "Batemos o Expresso em três anos!" Assim! À Mourinho...

Correio da Manhã – Apresente-nos o novo semanário. Sempre se chama ‘Sol’?

José António Saraiva – O nome é ‘Sol’, de facto. Não tem nada a ver com o ‘The Sun’ [tablóide britânico]. Queria um nome que rompesse com o habitual. ‘Sol’ é a ideia mais brilhante: é luz, energia, calor. É positivo e memoriza-se bem. O formato é tablóide e quisemos fazer um jornal para a frente, para que os outros pareçam de outra época. Este é um tempo de viragem e o ‘Sol’ tem uma estrutura completamente diferente dos jornais que existem.

CM– Em que medida?

JAS– O jornal não tem uma concepção tradicional, com as secções habituais. Cada zona tem várias secções e cores distintas. Dentro do caderno principal, será incluído o suplemento de economia, que tem dentro a revista que, por sua vez, integra o guia, ao estilo caixa de Pandora.

CM– ‘Sol’ é tablóide e mais popular de forma a conquistar um nicho de mercado?

JAS– Procurámos fazer um jornal que não copie modelos mas que aproveite as experiências para um impacto maior no mercado. E não temos complexos em usar uma paginação tablóide, por exemplo, na zona do País Real, e mais institucional na Política e Cultura.

CM– Qual é o ‘target’?

JAS– O leitor do semanário, parcialmente o mesmo do ‘Expresso’. Mas vamos à procura de novos leitores, jovens, que querem publicações mais agressivas, novos temas e maior interactividade. E público feminino. Com a independência e ascensão feminina a todos os níveis, os jornais têm de deixar de ser concebidos com modelos masculinos.

CM– Expectativa para uma média de vendas no primeiro ano?

JAS– Cinquenta mil. Não é um número ambicioso.

CM– 50 mil roubados ao ‘Expresso’?

JAS– Metade serão novos leitores. Este projecto não é contra o ‘Expresso’.

CM– Mas a expectativa está a causar muita tensão no jornal. Quantos jornalistas vai lá buscar?

JAS– São vinte e poucos jornalistas e profissionais de outras áreas (gráfica e produção). E vai também a Felícia Cabrita.

CM– Estava cansado do ‘Expresso’?

JAS– Não. Mas sentia que estava a chegar o momento da sucessão. Estava num lugar de visibilidade há 22 anos e, como nunca fui de arrastar, percebi o ‘timing’. Mas não estava cansado, havia sempre refrescamento no jornal.

CM– O novo director, Henrique Monteiro, disse que estava a “tabloidizar” o ‘Expresso’...

JAS– Desde há muitos anos, estava empenhado no rejuvenescimento do jornal. Uma das vias é não ignorar o fenómeno dos tablóides, independentemente de se manter a matriz de referência do ‘Expresso’. Não se pode cristalizar.

CM– Essa matriz mantém-se?

JAS– A tendência do ‘Expresso’ é para involuir, andar para trás. Eu era quem mais protagonizava mudanças e a minha saída terá, naturalmente, essa consequência.

CM– Quanto tempo demorará a bater o ‘Expresso’?

JAS– Em três anos seremos o maior jornal português. Não só batendo o ‘Expresso’, como qualquer outro semanário que apareça entretanto.

CM – Quando começou a idealizar este projecto?

JAS – Apresentei-o ao dr. Balsemão há dois anos. Mais tarde ou mais cedo, surgiria um concorrente. Se era inevitável, que fosse no grupo Impresa.

CM– Mas assim haveria o risco da canibalização dos títulos...

JAS– A ideia era essa. As transferências de leitores e anunciantes far-se-iam dentro do grupo. Mas o dr. Balsemão achou uma loucura. Já numa fase final, quando lhe disse que ia sair para fundar o jornal, disse-me que poderia estar interessado.

CM– Mas a Impresa desmentiu o interesse de Balsemão...

JAS– Sim, que eu desmenti.

CM– Porque sugeriu Mário Ramires para director se o iria buscar para a direcção do ‘Sol’?

JAS– Se o Ramires tivesse sido nomeado director do ‘Expresso’, não poderia avançar com este projecto. Aí, teria ficado como director editorial do grupo.

CM– Então porquê a sugestão?

JAS– Por lealdade. Mas Balsemão escolheu o Henrique Monteiro.

CM– E como ficaram as suas relações com Pinto Balsemão?

JAS– Muito bem, embora não falemos desde que saí. Foi uma relação quase exemplar. Só acho que ele falhou no momento da sucessão da direcção do ‘Expresso’.

CARACTERÍSTICAS

- Semanário com 64 páginas a cor Suplemento de Economia ‘Confidencial’ (16 páginas); Guia de espectáculos ‘Essencial’ (40 pág.) e Revista ‘Tabu’ (100 pág.)

- Logótipo do pintor Pedro Proença. Cores distintas do logótipo consoante estações do ano (verde, azul, dourado e cinzento)

- Áreas editoriais: ‘Política e Sociedade’, letra clássica, tons azuis e negros. ‘País Real’, ‘lettering’ agressivo, tons vermelhos. Terceiro bloco, em rosas e verdes, “mais feminino”, secções de gente, decoração, lar, inquéritos, moda. ‘Ciência, Tecnologia e Cultura’

- Redacção: 40 jornalistas; metade serão jovens (formação em Junho). Equipa total – 60/70 pessoas

- Opinião/Colunistas – Contratados, mas Saraiva não revela. “São de primeiríssima linha”

- Lançamento: Sábado, 16 de Setembro. Preço – 2 euros

- Sociedade, com cerca de 25% do capital – Saraiva, José António Lima (director adjunto), os subdirectores Mário Ramires e Vítor Rainho, Manuel Botto (consultor) e Frutuoso de Melo (advogado)

- Sede – Rua de São Nicolau, 114, na Baixa de Lisboa

- Gráfica – Por definir.

Ecco!

Publicado por josé 19:29:00 10 comentários Links para este post  



estád(i)os de espírito

- Ouça! Isto já deu o que tinha a dar... está tudo podre. Só falta, como me dizia um amigo meu, chegar o dia em que não haja mais espaço para meter betão... Aí, ou se começa a construir no meio dos rios, ou os construtores civis começam a falir, os bancos a perder os grandes clientes, e os partidos os grandes financiadores, os governos caem sucessivamente e isto vira a Colômbia da Europa.

Publicado por Manuel 15:00:00 6 comentários Links para este post  



Prolegómenos a um discurso deslegitimador

Vital Moreira volta a carregar numa das suas particulares bêtes noires, neste caso “os juízes”.
São já incontáveis os artigos e artiguelhos em que os arreia de críticas, uma boa parte traduzindo meras afirmações opinativas, parentes chegadas do “sound byte” disperso e da frase assassina de cariz populista, filha de uma ligeireza cruzada com um qualquer acinte ou despeito ou até mesmo bastarda de um despautério.
Os textos breves, sobre “os juízes” e demais magistrados, servem para destilar vitupérios subtis ou desbragados requisitórios.
Constituem a prova de que um Professor de Direito, Constitucional ainda por cima, não escreve sempre da cátedra e senta-se muitas vezes em bancos de rua, em mochos coxos, talhados em preconceitos e caboucados em tosco ou até, por vezes, em cadeiras de café, a soltar caralhadas, ao som do jogo da bisca lambida.
Ao ler esses parágrafos avulsos, quem conhece os escritos de cátedra, fica perplexo e põe-se a cogitar como será possível ao articulista, debitar lições tão ligeiras sobre instituições.
Ao falar do Estado, nos estudos Gerais, onde integra os “juízes”?! Num limbo de “corporativos”, ajoujados de privilégios e retoucados em prebendas?!
Como legitima lições e anotações onde escreveu que “ Os tribunais são órgãos do Estado em que um ou mais juízes procedem à administração da justiça”( CRP anotada), com insinuações de que “os juízes” pretendem que “austeridade é só para os outros”?!
E como compaginará o Professor de Direito Constitucional o escrito escorreito de que “Só aos tribunais compete administrar justiça”( CRP anotada), com a afirmação bloguístico-populista, de que vão julgar pleitos “em causa própria”?!
Os juízes, na pena de Vital, são vituperados por serem “corporativos” e privilegiados; por saírem da função judicial para ocupar função executiva; por se manifestarem sindicalmente, por melhores condições de trabalho; por decidirem assim ou assado; por escreverem cozido ou frito e por…decidirem em causa própria, como agora foi escrito no lugar da causa.
Os magistrados do MP, vêm por arrastamento , para este requisitório alargado, onde assume lugar de bode expiatório o procurador-geral Souto Moura. A este, então, nem uma escapa! Basta que um verdadeiro 24 Horas , um DN situacionista ou um Público onde se aboleta, se adiantem numa qualquer desinformação que na sua casa terá logo abrigo certo e eco seguro, numa demonstração de prudência e bom senso só atingidas em lugares tão prestigiados como um qualquer Speaker´s corner.
Este tipo de discurso sobre assuntos de magistratura e poder judicial que já se vai tornando vitalício naquela casa dele, só tem um nome e uma designação: Deslegitimador!
Vital Moreira, como jurista, sabe muito bem o que significa tal conceito. E leu com certeza Batista Machado e outros autores esquecidos.
Torna-se, por isso, penoso ler sempre o mesmo tipo de análise perfunctória de acontecimentos e realidades, sempre que se apresenta um caso de interesse público que envolva actos da magistratura e do poder judicial.
Tanto mais penoso, quanto se sabe que existe necessária discrepância entre o discurso escrito em manual, para ensino público e as anotações a uma Constituição da República que subscreveu e estes escritos avulsos, onde se ataca sempre e, de algum modo, terrorista, a essência e função de um órgão constitucional que é um dos poderes maiores de qualquer regime que se preze. Em escritos avulsos de Vital, sempre que o tema é “tribunais” ou “poder judicial” ou “juízes” ou mesmo “ministério público”, há um parti-pris contra as instituições de poder judicial. Sob a capa da crítica, por vezes legítima, circula a afirmação desonesta, a opinião malsã e o preconceito chão de onde exala quase sempre uma exaltação do poder de facto derivado do voto, executivo, onde se inclui o parlamentar e onde se procura assentar toda a excelência da legitimidade democrática em detrimento de outros poderes que são apresentados quase como usurpação ou no mínimo, ersatz dos supremos escolhidos.
Há por isso, nesta atitude, algo stevensiano que não é, infelizmente, ficção.
Aconselha-se por isso, mesmo que seja perfeitamente inútil, a leitura do magnífico discurso de tomada de posse do vice-presidente do STJ, António Henriques Gaspar.
Aí se escreve em tom rebuscado, tudo o que é preciso para se entender o discurso de Vital Moreira, como verdadeiramente deslegitimador do poder judicial, nos blogs e artigos de jornal.

Publicado por josé 14:28:00 17 comentários Links para este post  



Revel


Jean-François Revel, morreu no Sábado.
Autor francês, responsável editorial na Robert Laffont, editorialista no L´Express, defensor do liberalismo em sentido amplo( mas que apoiou Mitterrand no início...) e denunciador de totalitarismos, escreveu vários livros. Alguns merecem destaque:
- Nem Marx nem Jesus, em 1970, no qual profetizava que a Revolução do século XXI viria...dos Estados Unidos e não seria nem comunista nem cristã.
Em 1988 escreveu outro que intitulou "O conhecimento inútil ", no qual denuncia as mentiras recorrentes da informação corrente, mostrando aspectos particulares de uma desinformação constante, e parte da seguinte questão: será que os inúmeros conhecimentos e informações de que dispomos, nos conduz a tomar melhores decisões?"
Nessa altura, por ocasião da publicação de tal livro, declarava à revista Lire:
"A mentira institucional joga um importante papel na circulação das informações. Mas creio que o homem contemporâneo, mesmo nos países com forte tradição democrática, não tem a maturidade correspondente aos seus meios intelectuais e aos seus conhecimentos."
E pegou noutro exemplo de "mentira ideológica": em 1976, aquando do lançamento de outro livro seu- A tentação totalitária- tendo sido convidade do programa Apostrophes ( um programa de divulgação literária na tv francesa, animado por Pivot), afirmou aí, na presença de Jacques Delors e René Andrieu que na então URSS, a agricultura funcionava muito mal. Tal discurso contrastava com a verdade oficial acerca do sucesso económico nos países comunistas, o que era apresentado como verdade corrente pela propaganda soviética. E segundo J-F Revel, nessa emissão de tv, fez figura de urso por pretender o contrário, tendo sido mesmo desautorizado pelas eminências presentes...Delors incluído.
Segundo J-F. Revel, essa cegueira instituída, permanecia apesar das informações disponíveis, por falta de receptividade ao discurso que fosse para além do maniqueismo esquerda-direita, com a identificação do discurso da " esquerda" com o comunismo e o da direita com o anti-comunismo.
Em 1976, ainda no dealbar do período pós PREC em Portugal, a obra A tentação Totalitária, ocupou algumas páginas com o "caso português". A revista L´Express da época ( 12-18 Janeiro 1976) dedicou um número especial a tal livro. NUma das passagens, uma declaração singela sobre o nosso PREC: " Confesso não compreender o que estas asneiras e as suas consequências têm a ver com o socialismo"!

Publicado por josé 00:14:00 17 comentários Links para este post  



não haverá maneira de pôr o Pereira a acordar assim?


(*)

Publicado por contra-baixo 14:58:00 9 comentários Links para este post  



As portagens, quando nascem, deviam ser mesmo para todos

Publicado por irreflexoes 11:39:00 8 comentários Links para este post  



Double standards

Aqui e aqui. Porquê? Bem, dois exemplos apenas:



Publicado por irreflexoes 11:37:00 5 comentários Links para este post  



batendo no ceguinho
(literalmente)

Publicado por Manuel 22:59:00 11 comentários Links para este post  



"Os dias loucos do PREC"

Foi publicado recentemente o livro Os dias loucos do PREC, recolha de textos publicados em jornais, pelos jornalistas Adelino Gomes e José Pedro Castanheira. Como bons jornalistas que são, relatam os anos de brasa da Revolução vistos das redacções e do ponto de vista editorial do momento que passou. Falta a perspectiva histórica fina e afinada pelo saber, cultura e reflexão crítica.
Aqui vai uma tentativa, das melhores que conheço.
É um texto interessante, esquecido, vindo do fundo dos tempos de 1979 e ...da Alma Lusíada.

O 25 DE ABRIL E A HISTÓRIA
António José Saraiva Diário de Notícias 26-01-1979

"Se alguém quisesse acusar os portugueses de cobardes, destituídos de dignidade ou de qualquer forma de brio, de inconscientes e de rufias, encontraria um bom argumento nos acontecimentos desencadeados pelo 25 de Abril.

Na perspectiva de então, havia dois problemas principais a resolver com urgência. Eram eles a descolonização e a liquidação do antigo regime.Quanto à descolonização havia trunfos para a realizar em boa ordem e com vantagem para ambas as partes : o exército português não fora batido em campo de batalha; não havia ódio generalizado das populações nativas contra os colonos; os chefes dos movimentos de guerrilha eram em grande parte homens de cultura portuguesa; havia uma doutrina, a exposta no livro "Portugal e o Futuro" do general Spínola, que tivera a aceitação nacional, e poderia servir de ponto de partida para uma base maleável de negociações. As possibilidades eram ou um acordo entre as duas partes, ou, no caso de este não se concretizar, uma retirada em boa ordem, isto é, escalonada, ordenada e honrosa.

Todavia, o acordo não se realizou, e retirada não houve, mas sim uma debandada em pânico, um salve-se-quem-puder. Os militares portugueses, sem nenhum motivo para isso, fugiram como pardais, largando armas e calçado, abandonando os portugueses e africanos que confiavam neles. Foi a maior vergonha de que há memória desde Alcácer Quibir.

Pelo que agora se conhece, este comportamento inesquecível e inqualificável deve-se a duas causas. Uma foi que o PCP, infiltrado no Exército, não estava interessado num acordo, nem numa retirada em ordem, mas num colapso imediato, que fizesse cair esta parte da África na zona soviética. O essencial era não dar tempo de resposta às potências ocidentais. De facto, o que aconteceu nas antigas colónias portuguesas insere-se na estratégia africana da URSS, como os acontecimentos subsequentes vieram mostrar.

Outra causa foi a desintegração da hierarquia militar a que a insurreição dos capitães deu início e que o MFA explorou ao máximo, quer por cálculo partidário, quer por demagogia, para recrutar adeptos no interior das Forças Armadas. Era natural que os capitães quisessem voltar depressa para casa. Os agentes do MFA exploraram e deram cobertura ideológica a esse instinto das tripas, justificaram honrosamente a cobardia que se lhe seguiu. Um bando de lebres espantadas recebeu o nome respeitável de «revolucionários».

E nisso foram ajudados por homens políticos altamente responsáveis, que lançaram palavras de ordem de capitulação e desmobilização, num momento em que era indispensável manter a coesão e o moral do exército, para que a retirada em ordem ou o acordo fossem possíveis. A operação militar mais difícil é a retirada; exige, em grau elevadíssimo, o moral da tropa. Neste caso, a tropa foi atraiçoada pelo seu próprio comando e por um certo número de políticos inconscientes ou fanáticos, e em qualquer caso destituídos de sentimento nacional. Não é ao soldadinho que se deve imputar esta fuga vergonhosa, mas aos que desorganizaram, conscientemente, a cadeia de comando, aos que lançaram palavras de ordem que, nas circunstâncias do momento, eram puramente criminosas.

Isto quanto à descolonização, que, na realidade, não houve. O outro problema era o da liquidação do regime deposto. Os políticos aceitaram e aplaudiram a insurreição dos capitães, que vinha derrubar um governo, que, segundo eles, era um pântano de corrupção e que se mantinha graças ao terror policial : impunha-se, portanto, fazer o seu julgamento, determinar as responsabilidades, discriminar entre o são e o podre, para que a nação pudesse começar uma vida nova. Julgamento dentro das normas justas, segundo um critério rigoroso e valores definidos.

Quanto aos escândalos da corrupção, de que tanto se falava, o julgamento simplesmente não foi feito. O povo português ficou sem saber se as acusações que se faziam nos comícios e nos jornais correspondiam a factos ou eram simplesmente atoardas. O princípio da corrupção não foi responsavelmente denunciado, nem na consciência pública se instituiu o seu repúdio. Não admira por isso que alguns homens políticos se sentissem encorajados a seguir pelo mesmo caminho, como se a corrupção impune tivesse tido a consagração oficial. Em qualquer caso já hoje não é possível fazer a condenação dos escândalos do antigo regime, porque outros talvez piores os vieram desculpar.

Quanto ao terror policial, estabeleceu-se uma confusão total. Durante longos meses, esperou-se uma lei que permitisse levar a tribunal a PIDE-DGS. Ela chegou, enfim, quando uma parte dos eventuais acusados tinha desaparecido e estabelecia um número surpreendentemente longo de atenuantes, que se aplicavam praticamente a todos os casos. A maior parte dos julgados saiu em liberdade. O público não chegou a saber, claramente; as responsabilidades que cabiam a cada um. Nem os acusadores ficaram livres da suspeita de conluio com os acusados, antes e depois do 25 de Abril.

Havia, também, um malefício imputado ao antigo regímen, que era o dos crimes de guerra, cometidos nas operações militares do Ultramar. Sobre isto, lançou-se um véu de esquecimento. As Forças Armadas Portuguesas foram alvo de suspeitas que ninguém quis esclarecer e que, por isso, se transformaram em pensamentos recalcados.

Em resumo, não se fez a liquidação do antigo regímen, como não se fez a descolonização. Uns homens substituíram outros, quando os mesmos não substituíram os mesmos; a um regímen monopartidário substituiu-se um regímen pluripartidário. Mas não se estabeleceu uma fronteira entre o passado e o presente. Os nossos homens públicos contentaram-se com uma figura de retórica: «a longa noite fascista».

Com estes começos e fundamentos, falta ao regime que nasceu do 25 de Abril um mínimo de credibilidade moral. A cobardia, a traição, a irresponsabilidade, a confusão, foram as taras que presidiram ao seu parto e, com esses fundamentos, nada é possível edificar. O actual estado de coisas, em Portugal, nasceu podre nas suas raízes. Herdou todos os podres da anterior; mais a vergonha da deserção.

E, com este começo, tudo foi possível depois, como num exército em debandada: vieram as passagens administrativas, sob capa de democratização do ensino; vieram «saneamentos» oportunistas e iníquios, a substituir o julgamento das responsabilidades; vieram os bandos militares, resultado da traição do comando, no campo das operações; vieram os contrabandistas confessos e os falsificadores de moeda em lugares de confiança política ou administrativa; veio o compadrio quase declarado, nos partidos e no Governo; veio o controlo da Imprensa e da Radiotelevisão, pelo Governo e pelos partidos, depois de se ter declarado a abolição da censura; veio a impossibilidade de se distinguir o interesse geral dos interesses dos grupos de pressão, chamados partidos, a impossibilidade de esclarecer um critério que joeirasse os patriotas e os oportunistas, a verdade e a mentira; veio o considerar-se o endividamento como um meio "honesto" de viver. Os cravos do 25 de Abril, que muitos, candidamente, tomaram por símbolo de uma primavera, fanaram-se sobre um monte de esterco.

Ao contrário das esperanças de alguns, não se começou vida nova, mas rasgou-se um véu que encobre uma realidade insuportável. Para começar, escreveu-se na nossa história uma página ignominiosa de cobardia e irresponsabilidade, página que, se não for resgatada, anula, por si só, todo o heroísmo e altura moral que possa ter havido noutros momentos da nossa história e que nos classifica como um bando de rufias indignos do nome de nação. Está escrita e não pode ser arrancada do livro.

É preciso lê-la com lágrimas de raiva e tirar dela as conclusões, por mais que nos custe. Começa por aí o nosso resgate. Portugal está hipotecado por esse débito moral, enquanto não demonstrar que não é aquilo que o 25 de Abril revelou. As nossas dificuldades presentes, que vão agravar-se no futuro próximo, merecemo-las, moralmente.

Mas elas são uma prova e uma oportunidade. Se formos capazes do sacrifício necessário para as superar, então poderemos considerar-nos desipotecados e dignos do nome de povo livre e de nação independente. »

( Texto corrigido, por sugestão de António Viriato, do blog Alma Lusíada, em 28.4.2006)

Publicado por josé 22:50:00 10 comentários Links para este post  



falso alarme

Magistrados protestam contra medida que anula processos contra políticos. Sosseguem! Que não é cá, é no Brasil...

Publicado por Manuel 19:39:00 4 comentários Links para este post  



News Flash

Para os Drs. Marques Mendes e o Dr. Spin Bloguitica:

Rescisões amigáveis na função pública já são possíveis. Não dão é direito a indemnização. É mesmo isso que estão a sugerir? Que se paguem dezenas (ou centenas) de milhares de euros a funcionários públicos para que saiam? É isso? E de onde é que vem o dinheiro?

Era só para saber.

Publicado por irreflexoes 17:15:00 9 comentários Links para este post  



Porque é que será

Que parece haver uma relação de proporção inversa entre o grau de profissionalismo dos políticos e a sua capacidade de fazerem política?

Reflexão provocada por, mas não apenas, convenhamos, esta biografia de Marques Mendes. Da faculdade para o poder autárquico, daí para o Parlamento, daí para o Governo. Depois disso, mais do mesmo.

Publicado por irreflexoes 17:11:00 1 comentários Links para este post  



Brincalhões

Durão Barroso retira-se.

Em todo o caso, e para memória futura, desde já declaro que não aceitamos devoluções.

Publicado por irreflexoes 16:52:00 1 comentários Links para este post  



Levemente requentado

Mas ainda assim inacreditável.



Publicado por irreflexoes 16:32:00 5 comentários Links para este post  



À atenção de zés pereiras, gigantones e zabumbas

Nem de propósito! A conceituada revista Economist, ( lida até por Cavaco Silva, segundo consta...), desta semana, destaca um suplemento dedicado aos Novos Media!
Por cortesia da própria publicação que disponibiliza ao público leitor interessado certos conteúdos, o extenso artigo, dividido em partes, pode ler-se por aqui.
E por aqui ficam também alguns excertos interessantes, do artigo que exalta uma nova era que se aproxima a passos certos e largos: a da eventual substituição dos meios de comunicação de massa, pelos meios comunicação pessoais e participativos.

This survey will examine the main kinds of new media and their likely long-term effects both on media companies and on society at large. In so doing, it will be careful to heed a warning from Harvard's Mr Weinberger: “The mainstream media are in a good position to get things wrong.” The observer, after all, is part of the observation—a product of institutional media values even if he tries to apply the new rules of conversation. This points to the very heart of the coming era of participatory media. It must be understood, says Mr Weinberger, “not as a publishing phenomenon but a social phenomenon”. This is illustrated perfectly by blogging".
(...)
the essence of blogginess is “the unedited voice of a single person”, preferably an amateur. Blogs, in other words, usually have a raw, unpolished authenticity and individuality. This definition would exclude quite a few of the blogs that firms, public-relations people or newspapers set up nowadays. If an editor vets, softens or otherwise messes about with the writing, Mr Winer would argue, it is no longer a blog.”
(...)
Conversations have a life of their own. They tend to move in unexpected directions and fluctuate unpredictably in volume. It is these unplanned conversational surges that tend to bring the blogosphere to the attention of the older and wider (non-blogging) public and the mainstream media. Germany, for instance, has been a relatively late adopter of blogging—only 1% of blogs are in German, according to Technorati, compared with 41% in Japanese, 28% in English and 14% in Chinese.

Saborosa, é esta pequena história:
Jung von Matt, uma empresa publicitária da Alemanha, surgiu com uma campanha nos velhos media , intitulada “Du bist Deutschland” ( Tu és a Alemanha) .O anúncio destinava-se a combater o comportamento medíocre da estagnada economia do país, conforme revelou o patrão belga da firma, Jean-Remy von Matt.
Bloggers alemães não acharam muita piada á ideia, topando-lhe o aspecto kitsh e foram desenterrar uma fotografia de uma convenção Nazi de 1935 a qual mostrava um inconveniente retrato da cara de Hitler ao lado de um outro slogan similar “Denn Du bist Deutschland” ( Porque tu és a Alemanha).
Na conversa imediata que surgiu e se gerou na net e nos blogs, a campanha de von Matt, “Tu és a Alemanha” foi arrastada pelas ruas das ignomías e das amarguras, da maledicência dos bloggers acostumados a “dizer mal de tudo e de todos”.
Indignado, o próprio von Matt enviou um email a colegas de profissão no qual se queixava do amargo de boca que lhe deixou a maledicência bloguística e desabafou:
“Os blogs são as paredes das retretes da Internet!” E não se ficou por aí!
Exprimindo tudo o que qualquer Zé pereira frustrado pelo bombo de pele furada, gostaria de proclamar, adiantou em proclamação geral, à espera de apoio da velha guarda:
“Mas porque carga de água é que um tipo qualquer que tenha um computador, deverá ter o direito de dar palpites e opiniões gratuitas, na Internet?”
Logo que este e-mail chegou às mãos dos bravos bloggers alemães, as questões colocadas por von Matt tiveram uma resposta tão pronta e esclarecida que o pobre do publicitário, retirou-se da lide e pediu desculpas públicas.
Por cá, como podemos ver, os tempos ainda não estão para tais Zés pereiras e outras zabumbinhas de mau cheiro, fazerem marcha atrás e repensarem estratégias comunicativas.
Conforme refere a revista, a propósito desta pequena história:
Inadvertently, Mr von Matt had put his finger on something big: that, at least in democratic societies, everybody does have the right to hold opinions, and that the urge to connect and converse with others is so basic that it might as well be added to life, liberty and the pursuit of happiness. “It's about democratisation, where people can participate by writing back,” says Sabeer Bhatia, who in March launched a company called BlogEverywhere.com that lets people attach blogs to any web page with a single click. “Just as everybody has an e-mail account today, everybody will have a blog in five years,” says Mr Bhatia, who helped to make e-mail ubiquitous by starting Hotmail, a web-based e-mail service now owned by Microsoft. This means, Mr Bhatia adds, that “journalism won't be a sermon any more, it will be a conversation.
Dos bombos dos pequenos zés pereiras e das zabumbas que os cortejam e que se abespinham com os outros ocupantes do mesmo espaço de liberdade, apontando-lhes baterias despeitadas, procurando abafar o som dos outros, tocando mais alto, pouco mais se poderá dizer senão que a parada está para durar e cada vez entram mais figurantes que lhes retiram o protagonismo de pretensioso mestres de grupo e de banda .
Por enquanto ainda são poucos. Mas o número aumenta e inevitavelmente a democracia ficará melhor, sem estes bonzos de opereta que não se enxergam nas limitações que espelham a cada postal ou mesmo ilustração.
A democracia é mesmo uma chatice, para certos bonzos e bonzesses.

Publicado por josé 16:14:00 26 comentários Links para este post  



Não penses

que não fazes falta.

Publicado por irreflexoes 20:22:00 2 comentários Links para este post  



Uma luta de titãs

Dan Brown bate Margarida Rebelo Pinto.

Publicado por irreflexoes 20:00:00 3 comentários Links para este post  



Retratos do trabalho no Abrupto

Uma ilustre comentadora que usa o pseudónimo Maloud, foi ontem apoucada, enquanto tal, no jornal Público e depois no blog Abrupto, juntamente com outros comentadores anónimos ( apenas quanto à identidade completa, pois usam pseudónimos) na blogosfera e que para o autor de tal blog, não passam de uma fauna especializada na produção de insultos a esmo, maledicentes por natureza, que não poupam nada nem ninguém, na sua frustração de não conseguirem a fama e o proveito de que a elite revista em tal blog disfruta. Ressabiados da fama, portanto, e cuja ambição seria almejarem o estatuto de pequenos abruptos, para o que lhes falha a arte e o engenho.

Esse foi o mimo mais suave, pois outros foram produzidos pela excelsa inteligência que anima tal lugar, incluindo uma subtil analogia com alguns bloggers onde a tragédia e a morte rondam por perto...

Para aquilatar melhor da ética que se respeita por lá, e que sustentará a capacidade de inspecção de condutas blogosféricas, poderemos apreciar o que sucedeu com a comentadora Maloud, após a remessa de um e-mail a protestar contra o despautério, e que foi publicado.
Não obstante essa remessa, logo a seguir e após ter lido o artigo em causa, a mesma comentadora remeteu outro e-mail, para o mesmo endereço do Abrupto. Não teve a mesma sorte e não foi publicado.
Tendo aqui reproduzido esse mesmo e-mail, na caixa de comentários, deixa-se o mesmo, para verificação dos critérios de publicação no blog em causa.

Dr. Pacheco Pereira
O e-mail que lhe enviei há horas, foi como lhe disse, antea de ler o seu artigo no Público. Escrevi-o com a mesma boa fé com que vivo. Agora, que já li o artigo, porque o meu filho já o tinha comprado, sabendo que a mãe era citada, não o faria com a mesma candura. Apesar do parágrafo, o senhor insulta-me não me conhecendo. Não sou populista, nem proleta da Rede, nem represento o povo, nem invejo mesquinhamente o poder. Sou muito simplesmente uma cidadã livre, num país livre, que tem um PC e que tem o supremo luxo de não dar contas a ninguém do uso do seu tempo. Este luxo levou alguns a considerarem-me snob e elitista e leva-o a si a catalogar-me psicologicamente. Não vale a pena dar-se ao trabalho, porque eu, se precisar da ajuda de psiquiatra ou de psicólogo, procuro-os e pago. Não vivo à custa do Estado, nem à sombra das suas benesses.
Cumprimentos
Assinatura devidamente identificativa.

Como se pode verificar e aliás também é referido por um outro comentador anónimo maldito e visado- e-konoklasta- os critérios de selecção de publicação variam.
O que não varia, é o estilo do trabalho que agora se mostra em todo o esplendor.

Publicado por josé 14:18:00 44 comentários Links para este post  



questões de semântica

O 24 Horas faz hoje mais uma lancinante capa à custa do jovem e malogrado actor, dos Morangos com Açúcar, que por estes dias faleceu. Legítimo. Vende e há quem goste do 'produto'. Um destes dias ainda vão organizar uma sessão espírita, para do Além, o porem em contacto com os fans. Continuará a ser 'legítimo' - não chamem é 'aquilo' jornalismo, nem a quem lá trabalha jornalistas. 'Criativos' talvez, agora 'jornalistas' ?

Publicado por Manuel 14:01:00 6 comentários Links para este post  



Intermezzo

Nas muitas coisas que me têm impedido de postar para partilhar esta ideia.

Não será contra-producente andarem todos, pela blogosfera fora, a promoverem activamente a ultrapassagem do Dr. PP ao Pitas Nuas, ao Sexo na Banheira, e afins?

Publicado por irreflexoes 13:49:00 3 comentários Links para este post  



sobre mais uma abrupta pulhice

Sem grande tempo disponível, e ainda sobre a última prosa do Dr. Pacheco, ontem no Público, não há muito mais a dizer, excepto que há, por lá, uma nuance , insidiosa e terrorista, que não deve passar em claro. Pacheco usando de técnicas soezes da velha cartilha que no passado professou, e de que nunca se libertou, associa en passant os blogueiros diletantes, que se atrevem a escrever - porventura até disparates - em vez de ler os profissionais como ele, a uma série de eventos criminosos, ocorridos no estrangeiro. Uma pura e absoluta pulhice. É que sendo verdade que o que se passa na blogosfera não é uma transposição exacta de uma conversa informal entre desconhecidos quer esta seja num café, ou num estádio de futebol, sendo verdadade que não é exactamente o Fórum da TSF ou a Bancada Central, também da TSF, anda infinitamente mais perto disso do que da visão delirante e apocalíptica descrita por Pacheco.

Mais uma vez veio ao ler o texto do Dr. Pacheco me veio à cabeça um livro de Umberto Eco, bastante conhecido por sinal, O Nome da Rosa. Lá um velho monge assassinou uma boa parte dos personagens impreparados para perceberem uma obra perdida de Aristóteles - sobre o Riso. Só os ungidos é que estariam preparados ler o Mestre. Crueldade das crueldades, Eco quis que o velho monge - guardião da ortodoxia, e o único com acessou ao tesouro, o único exemplar - fosse cego. No caso presente a única assassinada é o que resta(va) da credibilidade do Dr. Pacheco.

Publicado por Manuel 13:01:00 3 comentários Links para este post