'proximidade', por uma 'net', e um mundo, mais humanos
quarta-feira, novembro 02, 2005
No mundo em brutal aceleração em que vivemos hoje, escasseia o tempo para pararmos um pouco para reflectir em situações que nos rodeiam, de forma mais ou menos próxima / mais ou menos afastada, relacionadas com pessoas carenciadas, sem voz que permita dar expressão às suas necessidades mais básicas.
Por este motivo, procurando lutar contra o "cultivo da insensibilidade" que de alguma forma se vai instalando, um conjunto de "bloggers" decidiu reunir-se num projecto comum ("Proximizade"), visando potenciar as virtudes da blogosfera, no sentido de "aproximar uma mão amiga" (que será a de todos os que decidam de alguma forma apoiar / colaborar com este projecto) dessas pessoas carenciadas. Como primeiro gesto prático e concreto, o "Proximizade" começou por "apadrinhar" uma criança carenciada em Moçambique, a Berta, de 3 anos.
Publicado por Manuel 19:00:00 0 comentários Links para este post
entretanto, aqui ao lado...
Guide for girls sparks Spanish sex storm
Publicado por Manuel 18:57:00 0 comentários Links para este post
mais uma reprise dispensável
PJ de um lado, DCIAP do outro, e vice versa... Os objectivos até era suposto serem os mesmos...
Publicado por Manuel 18:22:00 0 comentários Links para este post
outra frase
O combate à corrupção é ilusório. Não podemos continuara a falar de escândalos sem que nada aconteça ao nível da punição das condutas graves. A falta de consequências é o pior sinal.
Maria José Morgado
Publicado por Manuel 18:05:00 1 comentários Links para este post
Jorge Coelho
Segundo a Visão Online a PJ faz buscas em casa de Jorge Coelho. O dirigente socialista terá sido alvo de uma busca, no passado dia 24, na sua residência em Paço de Arcos, alegadamente no âmbito da Operação Furacão. Perdoem-me o cepticismo, mas isto está a chegar ao ponto em que preferia que existissem menos buscas 'destas', que só servem para - momentaneamente 'encher o olho'- e mais resultados. Lembram-se dos sobreiros ? Lembram-se do Freeport ? Lembram-se dos oito ministros sob escuta ao mesmo tempo? Deu em quê ? Dito isto, o evento levanta algumas questões interessantes. Jorge Coelho vem ao baile por causa dos seus negócios privados ? Vem porque, como dirigente do Governo e do PS, facilitou determinado tipo de esquemas ? Ou vem, porque o próprio PS possa estar metido na 'coisa' não só mas também como forma de contornar a legislação de financiamento partidário ? Ou será que ficam todos felizes 'simplesmente' por terem ido 'também' a casa dele, em nome dos equilíbrios do regime, e estas perguntas (legítimas) não interessam a ninguém ?...
Adenda - Bom, aqui falava-se na operação Furacão, aqui a Visão desmente-se e fala apenas em mercearia relacionada com empreiteiros... Obviamente, a alegada 'prenda' não foi encontrada. Oh, well.
Publicado por Manuel 16:31:00 4 comentários Links para este post
um paradoxo
A esmagadora maioria dos 'casos' que afligem a nossa justiça não se resumem 'incompetência' deste ou daquele 'operador', mas sim à tentação de fazer fretes, abrindo ou desviando conjunturalmente o olhar, ao poder político. Explicitando, uma boa parte das perplexidades que vamos tendo na justiça derivam de favores, não há outro termo, feitos a políticos, ponto. Face a este facto, público e notório, que é que se faz ? Aumenta-se a independência, encontrando-se mecanismos de a garantir funcionalmente? Aprofunda-se o escrutínio ? 'Abre-se' a justiça ao povo, de modo a que este possa aferir da racionalidade de certo tipo de procedimentos internos (como as promoções) ? Não, simplesmente, e a reboque do mesmo descontentamento, funcionaliza-se esta mesma justiça, tornando-a ainda mais dependente do poder político.
A este propósito António Cluny, que - abone-se - nunca deixou de ser político, ainda é presidente do sindicato do Ministério Público. Quando o deixar de ser, talvez a opinião pública perceba que aquele sindicato, e os seus membros, não só se levam a sério, como de facto discutem coisas sérias. Até lá, não se queixem.
Publicado por Manuel 16:17:00 0 comentários Links para este post
uma constatação
Num país normal, de gente séria e decente, a carreira política de Alberto Costa, José Junqueiro, António Vitorino, José Lamego tinha acabado hoje. Com efeito, ainda a propósito do escândalo Eurominas, João Cravinho veio hoje rebater inapelavelmente as 'clarificações' vidas a público - nomeadamente da parte de José Lamego - e que contextualizavam o negócio, e que acabou por redundar na choruda indemnização. Num país normal as coisas não ficariam assim. Em Portugal, muito provavelmente, vão ficar. 'Eles' sabem que 'o povo é sereno'.
Publicado por Manuel 15:18:00 0 comentários Links para este post
uma frase
A minha posição era a de não indemnizar os sujeitos. Isto é: não lhes dar aquilo que eles queriam. O meu entendimento e o do meu gabinete era o de que a pretensão da Eurominas não tinha razão de ser. (...) Nem sei que negociações é que houve, nem por por que razão é que se decidiu dar aquela pipa de massa à Eurominas.
João Cravinho, hoje, no Público
Publicado por Manuel 15:11:00 1 comentários Links para este post
A crise no futebol: Pequenos passos para a frente
Se a Liga obrigasse os clubes a entregar a folha salarial dos seus planteis, e ao mesmo tempo a registar 14 garantias bancárias pelo valor dos salários acrescidos de encargos fiscais com salários, os problemas financeiros deixariam de existir. Para os jogadores e para o Estado. Em cada mês, a Liga responsável pelo pagamento dos salários, descontaria as garantias bancárias de todos os clubes e procedia ao pagamento aos jogadores e ao Estado. Se os clubes não tivessem capacidade financeira para registar as garantias, teriam três opções - Ou baixavam a folha salarial, ou recorriam à cativação de receitas da própria época ou pura e simplesmente desciam ao escalão não profissional.
Fácil, não é ?
Publicado por António Duarte 15:03:00 0 comentários Links para este post
O novo modelo de desenvolvimento espanhol
Publicado por contra-baixo 15:02:00 0 comentários Links para este post
frase do dia
Quando o rato ri do gato, há um buraco perto.
Provérbio nigeriano
Publicado por Manuel 13:50:00 4 comentários Links para este post
benedito Riollini
O presidente da Câmara do Porto, do alto da sua legitimidade de vencedor com maioria absoluta das recentes eleições, resolveu dar a conhecer melhor algumas das suas ideias e convicções quanto à forma de lidar com a comunicação social. A partir de agora, entrevistas dos autarcas da maioria PSD só por escrito e sobre assuntos que o próprio considere de interesse público. Só não explicou como conseguirá dar por escrito as entrevistas às rádios e televisões!
Lê-se esta notícia e custa a acreditar que tal seja possível. Mais grave ainda, a Nota da Direcção do JN afirma que Rui Rio, durante o anterior mandato, pressionou o poder e administradores da empresa proprietária do JN para substituir a Direcção do jornal. Estes factos são de uma gravidade extrema, mas não são de admirar. Basta lembrar que Rio moveu uma guerra aberta com o “Público”, chegando a boicotar o acesso deste jornal a conferências de imprensa da autarquia e sonegando-lhe informação, e congratulou-se com o encerramento d’ “O Comércio do Porto” pelo facto deste jornal ser muitas vezes crítico da sua actuação. Chegou mesmo a dizer qualquer coisa como “tiveram o que mereceram”. É a velha máxima de que “quem não é por mim é contra mim”.
A ajudar a esta “missa” está o seu pressuroso chefe de gabinete, Manuel Teixeira, ex-director d’ “O Comércio do Porto” e ex-administrador da RádioPress e da TSF. Aliás, era vê-lo de sorrisinho malandro a um canto da sala em que Rio anunciou estas novidades. Só gostava de saber o que verdadeiramente pensam destas medidas os vereadores de Rui Rio e alguns dos seus declarados apoiantes, como Pacheco Pereira ou Miguel Veiga. É nestas questões essenciais que podemos escrutinar melhor a matriz que guia os nossos actores políticos.
José Carlos Pereira
Publicado por Manuel 12:38:00 2 comentários Links para este post
Jovens licenciados que não necessitam de emigrar
Publicado por irreflexoes 12:02:00 10 comentários Links para este post
Reviver o passado em Macau
A entrevista de José António Barreiros, publicada no último “O Independente” e os comentários que se lhe seguiram, em que se falou de Macau, televisão, Emaudio, etc., fizeram-me procurar um exemplar do livro de Rui Mateus, esquecido desde 1996 numa estante e que só agora vim a ler. O livro contém estórias muito interessantes, escritas por um protagonista de muitos acontecimentos ainda hoje mal explicados.
É uma leitura interessante, principalmente neste período pre-eleitoral. Sobre o nascimento da Emaudio, transcrevo alguns excertos que me parecem elucidativos.
(...) No dia 17 de Fevereiro encontrar-me-ia, como combinado, em casa de Mário Soares onde Ivanka Corti era convidada para o almoço. Ali, embora ainda sob a emoção da vitória, Soares explicaria que tinha ideia de aproveitar os recursos de algumas fundações partidárias que lhe eram afectas, para participar na tão falada privatização dos meios de comunicação social e abertura da TV ao sector privado. Queria primeiro melhor estudar o assunto, mas desde logo pediria à convidada italiana que transmitisse um convite seu a Silvio Berlusconni para vir a Portugal. Este não perderia tempo e chegaria pouco tempo depois a Lisboa, no seu avião pessoal acompanhado de Ivana Corti. Estava disposto a associar-se ao grupo do Presidente Mário Soares se isso, estou convencido, lhe pudesse trazer mais benefícios que investimentos. Antes do jantar, no Palácio de Belém, os seus técnicos seriam autorizados a montar ali uma espécie de mini-estúdio de TV com equipamento, para a altura ultra-sofisticado, que trouxera consigo no avião. Depois da refeição demonstraria até altas horas o seu “produto” ao Presidente da República e aos seus convidados portugueses, os quais viriam a constituir o grupo Emaudio.
Na reunião que teria lugar na sua casa de campo em Nafarros, Soares reuniria os elementos escolhidos para formar o grupo, a quem explicaria os objectivos. O seu filho, que até então vivera numa relativa obscuridade política (...). Almeida Santos, a quem competiria a orientação jurídica do projecto, era desde há muito o braço direito de Soares. Bernardino Gomes, que anos antes tinha definido as “regras” para a viabilidade das empresas ligadas ao PS. Carlos Melancia, homem da sua máxima confiança e reconhecido pela sua competência técnica (...). Raúl Junqueiro, muito ligado a Melancia (...). Menano do Amaral (...). João Tito de Morais (...). Eu seria o oitavo elemento escolhido em virtude de deter a presidência da FRI, que assumira por sugestão de Mário Soares após a sua eleição.
(...) Entretanto em Lisboa, no dia 18 de março de 1987, tinha sido constituida na avenida António Augusto de Aguiar, na sede da Fundação de Realações Internacionais, a Emaudio, S.A., Sociedade de Empreendimentos Audio Visuais para ir ao encontro dos acordos que estávamos em vias de concretizar coma News International de Rupert Murdoch.
(...) Cada um de nós teria direito a receber graciosamente cinco por cento do capital do que a empresa viesse a ser, como remuneração pela nossa contribuição pessoal para o projecto. Cinco por cento do que viesse a ser o valor da empresa e não 5% de cinco mil contos. Os restantes 60% ficariam em meu nome, enquanto presidente da FRI e na qualidade de fiel depositário dos interesses do projecto político de Mário Soares, a ser desenvolvido por intermédio daquela fundação e que tinha dois grandes vectores: reconquistar o PS para a área “soarista” e ser reeleito Presidente da República em 1991. Ou vice-versa. Não sei bem !
Rui Mateus – Publicações Dom Quixote – pág. 289/296
Publicado por Nicodemos 00:43:00 11 comentários Links para este post
uma lição
terça-feira, novembro 01, 2005
Para melhor compreender certos fenómenos políticos internos convém ir aprendendo com os outros. Convém, por exemplo, meditar no que se passou nas últimas legislativas alemãs. A Sr.a Merkel começou com larga vantagem e acabou ganhando por uma unha negra. Convenceram Merkel que para segurar o centro (que vinha do SPD) não o poderia alienar, apresentando um discurso 'centrista' e cinzentão. Como resultado, muitos deixaram de ver vantagens na CDU, que de tão soft se tornou demasiado parecida - nas propostas e no discurso - com o SPD, o qual acabou com um resultado que inicialmente não esperaria...
Publicado por Manuel 21:14:00 4 comentários Links para este post

A homemade costume at West Hollywood's annual Halloween Costume Carnival in West Hollywood, CA. President Hugo Chavez cautioned Venezuelan parents to protect their children from Halloween with a spooky warning that the US tradition is rooted in 'terrorism.'(AFP/File/Robyn Beck)
Publicado por Manuel 21:12:00 1 comentários Links para este post
PREC à espanhola ou um efeito colateral da santa aliança Zapatero-Chavez
O excelente Falta de Tempo sublinha a surpreendente notícia de que em Granada dezenas de famílias foram constrangidas a abandonar as suas próprias casas sob ameaça de represálias físicas por centenas de forasteiros, que se escudam numa lei do solo do governo socialista de Zapatero, esboçada na imprensa, que usurpa os direitos legítimos dos proprietários de prédios alegadamente não habitados em Espanha e prevê a sua entrega aos derradeiros inquilinos.
Publicado por Nino 19:34:00 1 comentários Links para este post
um fantasma
A sério que achava bem mais piada ao António Ribeiro Ferreira quando aqui, relatava, em directo, e do relvado, com refinado humor, a metamorfose do DN, que culminou aliás na sua dipensa do onze com direito a indemnização. Em on, e na primeira pessoa, Ribeiro Ferreira desilude. Falta-lhe o humor, e até a humanidade. S0bra só o ressentimento, o ressabianço. E depois, havia necessidade disto ? Havia mesmo ?
Publicado por Manuel 18:51:00 2 comentários Links para este post
Faces da mesma (má) moeda
A trajectória biográfica de Mussolini permite inferir a estreita relação entre o socialismo, o comunismo e o fascismo e o nazismo. Comungam o totalitarismo, a opressão, a ausência de liberdade, a aversão ao conhecimento e à discussão, o estatismo económico, o culto de personalidade do líder e o desprezo pela sacralidade do indivíduo. Não tenho quaisquer dúvidas de que muitos dos actuais membros dos partidos de esquerda, e por maioria de razão os de extrema-esquerda, despontariam numa ditadura de direita como os obreiros mais diligentes e cruéis.
Publicado por Nino 18:09:00 3 comentários Links para este post
Reprise de Outono
Qual é o facto relatado pelo Público e que ontem encheu a primeira página? O título diz tudo...
Souto Moura recebeu denúncias sobre pressões no MP no caso de Felgueiras.
Novidade maior! Ribombem os sinos! Acordem os mortos, no dia deles! Como é sabido, de todos, em mais nenhum caso mediático, o MP sofreu pressões senão neste particular do saco azul de Felgueiras… Mas a notícia tem outro relevo e outro contorno, este sim, mais substancial e sumarento...
Houve um “alto quadro” (como se o MP fosse um organismo de quadros) do MP (e de quem não se dá o nome mas que se indica praticamente tudo o que o identifica, numa manobra subtil de alto jornalismo) que bufou a uma pessoa amiga e que na altura nem sequer era suspeita, o teor de uma denúncia anónima recebida na PGR, antes de a denunciada ter começado a ser investigada.
Este facto é grave? Parece.
Mas esta gravidade não é assim tão grande como a que vem a seguir na notícia: por causa desta bufadela e doutras pressões, passados três anos, houve uma queixa de um advogado à PGR e a que Souto Moura, segundo a notícia, não deu seguimento. Esta notícia é que é o prato forte! É este o efeito que se pretende e subrepticiamente se enrola no texto. Souto Moura abafador-mor! O cúmulo para quem tem uma imagem precisamente ao contrário e ao contrário de quem o precedeu! Uma autêntica vingança de chinês... macaense quiçá.
Vejamos então... Quando é que teriam ocorrido os factos? Diz-se que foi em 21 de Janeiro de 2000, numa altura em que a arguida de quem se fala nem sequer ainda tinha sido constituída arguida, pois… a PJ de Braga ainda nem tinha iniciado as investigações. O outro facto, ocorreu em início de 2003, na altura em que o advogado Garcia Pereira pediu a intervenção da PGR para o caso concreto, devido às tais pressões fortíssimas. Destas pressões e desta não interferência directa da PGR no caso, não vou glosar muito mais por aqui, por desconhecer o que se passou. Segundo o Correio da Manhã, de hoje, "Souto Moura investiga procurador”! Pois que investigue!
O comunicado da PGR diz que a PGR não teve conhecimento do facto mencionado pelo Público, ou seja de que havia magistrados do MP pressionados, em benefício da então suspeita. O comunicado da PGR, nesta parte, esvazia totalmente a notícia mais bombástica do Público.
Mas sobra o mais interessante... Ao lado da notícia do Público, José Manuel Fernandes, director do jornal, escreve um editorial a pôr abertamente em causa a credibilidade do Partido Socialista e de vários intervenientes no processo. Aliás, confirma que houve contactos de membros do secretariado do PS com Fátima Felgueiras a propósito da sua vinda para o país, depois da (alegada…) fuga para o Brasil! Esta afirmação, só por si, tem maior valor do que toda a notícia sobre o “alto quadro” do MP! E porquê?
Pela simples razão que é dada pelo próprio José Manuel Fernandes - houve conhecimento prévio do que se passava em Felgueiras porque cópias da denúncia inicial, foram remetidas para...
...a Comissão Nacional do PS; a Comissão Permanente e a Comissão Política Nacional.E ainda foram remetidas a essas entidades cópias da carta que foram remetidas à própria Fátima Felgueiras e ao líder distrital do Porto, Narciso Miranda e ainda a Jorge Coelho (parece que até existe um fax comprovativo, segundo José Manuel Fernandes). Ora bem - onde reside então a novidade da notícia do Público ao envolver o “alto quadro” do MP numa manobra de aviso antecipado a quem vai ser investigado?
A questão pode revelar uma subtil manipulação da opinião pública? E se efectivamente, o tal "alto quadro" tiver entregue à suspeita cópia da denúncia que a própria já conhecia por outras vias, como o director do Público deixa implícito?
Enfim, mesmo assim, pode dizer-se que a actuação do alto quadro é grave e merece inquérito. Pelos vistos vai ser feito. Mas então, veja-se qual o crime em causa em que incorreu o tal “alto quadro”.
Parece-me que poderá ser o do famigerado artigo 371 do C.P. P.. Sim, a violação do segredo de justiça, aqui na sua forma mais própria e que tem a ver com a a perturbação da investigação. Coisas que o director do Público está farto de ver fazer no jornal que dirige, sem que tal o perturbe minimamente, pois está no exercídio do “dever de informar”!
Qual a pena para este crime? No máximo, 2 anos de prisão. Quando prescreve o procedimento criminal? Segundo o artº 118 nº1 al. c) do C. Penal… em cinco anos!
De quando são os factos? 21 de Janeiro de 2000? Pois então, é fazer as contas, como dizia o outro que também deve saber disto… e que está calado na num lugar de relevo.
Além disto, o que resta parece muito pouco para uma notícia do Público que obviamente pretende encalacrar um “alto quadro” do MP por um facto que medidas todas as perspectivas tem uma gravidade relativa. Então o que faz mexer o Público?! Ora, aí não restam dúvidas de espécie alguma: encalacrar a sério, outra vez, o PGR Souto Moura!
Porquê? Ora, desta vez, porque não deu andamento às graves denúncias de Garcia Pereira…
Parece que já vi este filme várias vezes e reprises só mesmo quanto a filmes de qualidade. Por exemplo, o Regresso ao Futuro, de Zemeckis. Arre, Público!
Publicado por josé 18:05:00 4 comentários Links para este post
um corpo estranho
Quem ler jornais, e vir TVs, nos últimos dias, verifica a existência de um fenómeno, consciente ou não, de redução das presidenciais a um embate entre Cavaco e Soares, dois titãs, com dois 'actores' de suporte à mistura, Louçã e Jerónimo, e um corpo estranho pelo meio - Alegre. Simplesmente, a imprensa, habituada que está a determinado tipo de 'regras', não sabe lidar om Alegre, nem o que 'fazer' com ele. Não se trata tanto de um boicote, ou de uma cabala, mas simplesmente de uma deficiência real e tangível - no mundo 'deles' a candidatura de Alegre nunca deveria ter acontecido e, logo, não sabem o que fazer com ela, que não deveria fazer parte 'deste' filme. Alegre, pela sua parte, agradece. A situação convém-lhe e muito. Por um lado, esta aparente secundarização, só legitima e impulsiona a sua mensagem de 'outsider', à margem do sistema, grageando-lhe ainda mais apoios, e, por outro, enquanto andam todos entretidos com Cavaco e Soares o seu discurso 'poético', de longe o mais frágil ideologicamente, não é escrutinado, nem as suas múltiplas inconsistências.
Publicado por Manuel 17:20:00 2 comentários Links para este post
uma reflexão
Abaixo transcrevi um texto publicado noutro sítio onde, a partir de de três factos concretos, também amplamente debatidos por aqui, se parte para uma elaborada tese onde nada acontece por acaso. Eu, até acho, em concreto, que pelo menos num dos casos, o de Fátima Felgueiras, as razões do 'fenómeno' mediático são bem mais simples - a senhora 'vende' e 'garante' audiências, ponto. Quanto ao resto, ao enunciar da tese, que não é nova (passe o excessivo pendor anti-PS, que infelizmente não detem a exclusividade nestes departamentos) é um triste sinal dos tempos. Com efeito, já não interessa apenas se a notícia é verdadeira ou falsa, interessa é o timing, a motivação, o target. Dito isto, numa sociedade altamente mediatizada seria útil que existisse ums debate amplo e sereno sobre quais os critérios de selecção e triagem de matérias jornalísticas. Sobre o que é manchete, e o que não é, sobre o que abre noticiários, e o que não abre. É que a melhor maneira de fazer censura não é omitir as notícias, é antes publicá-las, e garantir que, na voragem diária, ninguém lhes liga. Para tal não é 'sempre' necessária uma elaborada cabala, basta muitas vezes a passividade do leitor,e até uma visão genuinamente distorcida do que é notícia e do que não é, do que é normal, e do que não é. Juste-se a isto o fenómeno que temos e que faz com que a esmagadora maiorioa dos 'bons' jornalistas estejam fora das redações, a fazer spin para terceiros, em agências de comunicação, e a produzir 'fast-food' noticioso para maçaricos nas comunicação social e percebe-se muita coisa. Aliás, se porventura se fizesse uma sondagem pelas redações rapidamente se perceberiam algumas coisas - que todos acham Macau, a Eurominas e a Fátima situações 'normais'. Neste último caso estabeleceu-se uma simbiose entre quem notícia e quem é noticiado, como no passado se estableceu entre Vale e Azevedo e a SIC, por enquanto mutuamente benéfica, nos outros dois casos, a notícia é dada por dar. Ninguém acha, em bom rigor, que aquilo vá a lado nenhum, porque eles são 'bons', já se safaram várias vezes, e eles estão no 'topo'. Logo, estão-se borrifando. O problema, o verdadeiro problema, é que não são só os jornalistas que se estão borrifando (compare-se o jornalismo de investigação que cá (não) se faz com o que se faz no Brasil, ou até aqui ao lado em Espanha), uma boa parte da população, prefere assumida e conscientemente não saber, ponto.
Publicado por Manuel 16:55:00 1 comentários Links para este post
uma história cor de rosa
É espantosa a forma como são tratadas na comunicação social as notícias sobre certos acontecimentos. A forma como se elegem alguns casos e se faz por ignorar outros... A diferença de critérios é abissal e não pode ser inocente.
Vejamos alguns casos recentes. Segundo foi relatado pelo jornal Público, na edição desta segunda feira, 31 de Outubro, um alto quadro do Ministério Público, que foi secretário de Estado da Justiça num governo de Guterres é suspeito de ter dado uma preciosa ajuda a Fátima Felgueiras. Os factos foram denunciados a Souto Moura, mas parece que não tiveram qualquer consequência. E ainda houve umas pressões sobre testemunhas, etc e tal. Pois bem, a TSF agarrou este caso com unhas e dentes e durante todo o dia não se calou com o assunto. Em todas as aberturas de noticiário, a cada meia hora, lá vinham as pressões e as denúncias no caso Felgueiras. Nos telejornais, evidentemente, o assunto não podia passar em claro. O país todo ficou preso (se é que ficou) com mais umas tranquibérnias no caso de Fátima Felgueiras. Como se, para nós, tais factos constituissem uma grande surpresa. Já todo o país percebeu que a Dona Fátima só está em liberdade porque beneficiou e continua a beneficiar de grossas cumplicidades na máquina judicial e no próprio Governo socialista.
Em contrapartida, o mesmo jornal Público, há cerca de um mês, no dia 23 de Setembro, fez a denúncia de um caso escabroso, a que já aqui, aqui e aqui, nos referimos e que envolveu seis "notáveis" socialistas (José Lamego, António Vitorino, Alberto Costa, Vitalino Canas, Narciso Miranda, José Junqueiro e Luis Patrão) um caso que ficou conhecido (mas pouco ...) por Dossier Eurominas, em que o Estado Português foi prejudicado em 12 milhões de Euros, mas que não teve qualquer reflexo na comunicação social. Alguns comentadores fizeram-lhe referência, mas tudo acabou rapidamente, sem grandes perturbações.
E na passada sexta feira, o semanário "O Independente" publicou uma entrevista com o advogado José António Barreiros, em que este fala de um caso, tanto ou mais escabroso que o do Dossier Eurominas, passado em Macau, há cerca de 17 anos, com o actual ministro da Justiça, Alberto Costa, que revela o baixo carácter deste cavalheiro e a sua evidente cumplicidade com a empresa Emaudio, uma criação do clã soarista. Ao tempo, a Emaudio estava empenhadíssima em "sacar" a televisão de Macau ao património do território, mediante uns truques baixos que o entrevistado não revelou, mas que um dia destes posso aqui contar com mais pormenor. Desta denúncia, nem uma palavra ecoou na rádio. A TSF não lhe pegou. A Antena 1 também não. Não passou nas televisões. Logo, não existe. É assim que se controla a opinião pública.
Conforme se compreende, o que verdadeiramente conta é o eco que uma determinada notícia encontra na rádio, sobretudo nas rádios de noticiários frequentes, que de meia em meia hora voltam à carga com os assuntos. Quais são essas rádios? Principalmente a TSF e a Antena 1. Quem controla essas rádios? Pessoas ligadas ao Partido Socialista !
Ora, se atentarmos bem nestes três exemplos, não custa perceber que o caso de Fátima Felgueiras, não obstante toda a máquina tenebrosa que está por detrás, tem como figura central uma pilha-galinhas de âmbito regional, que mais tarde ou mais cedo desaparecerá de cena. Os outros dois casos fiam mais fino. Envolvem altas figuras do Partido Socialista, alguns deles membros do Governo ou deputados da Assembleia da República. O caso de Alberto Costa, actual ministro da Justiça (imagine-se em quem mãos se encontra a Justiça portuguesa!) é mais revelador e comprometedor. Naquela aventura da televisão de Macau é o próprio Mário Soares que está envolvido. É ele o principal responsável pela golpada que a Emaudio estava a preparar-se para fazer em Macau. O governador, Carlos Melancia, foi colocado por Soares em Macau. Era conivente com o esquema, assim, como todos os outros elementos, membros do PS, envolvidos na operação. Esta golpada, por sinal falhou, mas outras tiveram melhor desfecho para eles. A jóia da coroa foi a Fundação Oriente.
Não surpreende, por isso, que a TSF e a Antena 1 tenham ignorado os dois casos que comprometem altas figuras socialistas. Sobretudo no caso da Emaudio e da aventura de Macau, nem o mais leve suspiro. Está em causa o grande patriarca Mário Soares, ainda por cima um dos actuais candidatos à presidência da República. Quanto ao caso de Felgueiras, embora envolva umas quantas cumplicidades socialistas, a figura central é a mediática Fátima, que consegue atrair mais atenções do que os cúmplices dos bastidores. Os danos são mais fáceis de controlar. Algumas cabeças rolarão, mas de personagens menores. Falar do caso de Macau é que nem pensar. O grande peixe que poderia vir à rede seria o próprio Mário Soares.
(..) A agitação em torno do caso de Felgueiras e de outros que hão-de aparecer, não é inocente. Eles têm necessidade de inundar o circuito noticioso com questões menores, mais popularuchas, que permitam desviar as atenções dos casos que podem beliscar a imagem dos socialistas no governo e, principalmente, a imagem do grande timoneiro, agora em campanha eleitoral. (...)
Sokal Bricmont
Publicado por Manuel 16:36:00 3 comentários Links para este post
Receios completamente infundados
Os receios sobre a perda de autonomia do Ministério Público são completamente infundados. Sejamos claros, jamais o Ministério Público irá perder o actual grau de autonomia. Direi mesmo que, tendencialmente, a autonomia será reforçada, e com jeitinho até ficam a mandar na PJ. Basta recuar a 2003, e a uma conversa entre o actual ministro de Estado e da Administração Interna, António Costa, com três magistrados dos MP, que,por mero acaso, descobri aqui.
Há uma discussão já antiga sobre os papéis do Ministério Público e da Polícia Judiciária no sistemas processual penal, nomeadamente relativa à relação entre estas duas entidades. O PS tem sempre defendido autonomia do MP e a dependência funcional que a PJ deve ter em relação a este. Assim, e na actual conjuntura parlamentar, o PS é o "último dique" que garante aquela concepção funcional".
E pronto! Pra quê perder tempo a discutir matérias completamente ultrapassadas. Enfim....
Publicado por Carlos 14:55:00 0 comentários Links para este post
Jesualdo Ferreira
O melhor treinador a actuar na Primeira Liga continua a ser preterido na comunicação social a favor de plantadores de tulipas.
Publicado por Nino 06:35:00 2 comentários Links para este post

Carne retirada do mercado português após intoxicações graves em França
Várias pessoas foram hospitalizadas em França com intoxicações graves por ingerirem hambúrgueres congelados de uma marca que também é comercializada em Portugal, mas o grupo responsável pela distribuição garantiu hoje que os produtos já foram retirados do mercado. [Público]
Publicado por Nino 06:16:00 0 comentários Links para este post
Efeméride
Há 250 anos nascia a expressão "Caiu o Carmo e a Trindade".
Publicado por Nino 06:02:00 1 comentários Links para este post
250 anos depois
O grande terramoto de Lisboa aconteceu há, exactamente, 250 anos. Nos últimos dias, a imprensa tem publicado trabalhos muito extensos e completos sobre o tema. Destaco a edição de domingo, dia 30 de Outubro, do «Público», no qual, entre várias páginas de informação interessante, se pode ler um texto intitulado «Uma muito rica e ‘formosa estrebaria’», com a assinatura de Francisco Neves.
Há extractos muito curiosos, como este...
Diz José-Augusto França que muitos dos palácios não impressionavam os viajantes por ‘as casas não seguirem os planos durante a construção, aceitando ocasional conselho de curiosos’.
Cá está mais uma prova de que a tentação portuguesa para a marosca e para os desvios urbanísticos tem, pelo menos, dois séculos e meio.
Leiam isto...
Não existiam jardins públicos, nem iluminação nocturna ou policiamento, o saneamento era incipiente e a insegurança muita. No final do século XVII, o padre François de Tours diz: ‘Não sai o lisbonense à rua sem espada, adaga, punhal e longa capa negra, que sempre lançam aos ombros mesmo que seja para irem a dois passos de suas casas’.
Quem disse que a insegurança urbana em Portugal é um problema recente, decorrente do… 25 de Abril??
Publicado por André 02:31:00 0 comentários Links para este post
A primeira rigorosa, objectiva, exacta entrevista de Rui Rio
Numa atitude sem precedentes, reveladora de um vasto e magnânime espírito, cultura, vivência, mundi-evidência, ciência, democráticas, o presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, revelou hoje aos jornalistas as restrições nas suas relações com a autarquia e proibiu qualquer vereador de falar à comunicação social sem prévia autorização do seu gabinete. Numa intervenção sem direito a perguntas por parte dos jornalistas, Rui Rio anunciou ainda que a partir de agora só dará entrevistas por escrito, depois de recebidas previamente as perguntas também por escrito...
Apesar dos habituais, e ressabiados, apupos, a medida é de uma inteira justeza. Convenhamos... é preciso ordem, rigor, exactidão, colocar um fim nas especulações, algo que, aliás, levar àvante no Boletim Municipal. Por isso, impõe-se estas medidas aos jornalistas. Num rigoroso exclusivo, a Grande Loja fez a primeira entrevista por escrito, com conhecimento prévio por escrito das perguntas a serem feitas por escrito e para serem respondidas por escrito pelo presidente.
Grande Loja do Queijo Limiano (GLQL) - Como está?
Rui Rio (RR) - Aqui me encontro meus concidadãos. Foi por vós que aceitei este desafio. Para mim e para a cidade, que precisa de respirar, precisa de um novo rumo mobilizador de vontades para traçar um novo conceito de cidade, capaz de responder aos desafios da modernidade, não esquecendo todo um passado, do qual apenas nos temos que orgulhar. A minha tarefa depende de vós. Só com a vossa força e determinação posso levantar a grande obra que projectei. Vamos fazer juntos este caminho.
GLQL - Foi uma vitória dura, não foi?
RR - Foi a vitória do tolerância, do Porto de quem atravessa o rio, junto à serra do Pilar. Daqueles que encontram nesta cidade um velho casario que se estende até ao mar. Dos que entre ruas e calçadas descem da Ribeira até à Foz. Foi a vitória de um Porto sentido que quer olhar em frente.
GLQL - A pergunta, tal como as ideias que tem para o relacionamento com os media, impõe-se: e agora Porto?
RR - Agora é preciso derrubar fronteiras, ver claramente visto que uma cidade não é apenas um espaço geográfico: é um mole de atómos culturais partilhados por uma determinada região, que transfere para os seus cidadãos uma forma de estar...
GLQL - Acredita mesmo nisso?
RR - Esta entrevista é concedida por escrito com conhecimento prévio das perguntas e sem direito a interrupções
GLQL - Não estávamos a interromper, apenas queríamos clarificar esse seu pensamento.
RR - Eu sabia. Quando li as perguntas por escrito previamente enviadas, disse logo que não haveria lugar a interrupções.
GLQL - O tempo começou a arrefecer, não foi?
RR - É preciso dar tempo ao engenheiro (escrever engenheiro e não utilizar a abreviatura eng.), como estava a dizer, ao engenheiro Sócrates tempo para implementar as medidas. Como sabem, o programa do governo prevê um reforço substancial de verbas para as autarquias para fazer face aos problemas climatéricos. A verba está cabimentada, faltam apenas algumas questões de pormenor.
GLQL - É a vida, não é?
RR - É e sempre será a vida, essa eterna incerteza que nos amadurece, mas que ao mesmo tempo faz de nós eternos jovens, com vontade de mudar, de transformar com rigor, com disciplina, sem especulações.
GLQL - E é assim...prontos...
RR - Então, tive muito gosto. É preciso que haja debate, sem inexactidões, deturpações, especulações. A informação quer-se rigorosa, isenta, objectiva. O emissor deve ter a capacidade de dizer o que relamente quer dizer, sem ser alvo de interrupções. Bem hajam!
Publicado por Carlos 02:10:00 2 comentários Links para este post
as rabecadas da opinião
- Francisco Sarsfield Cabral
Director de Informação da Rádio Renascença e colunista do jornal Diário de Notícias. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa. Comentador de assuntos económicos e de integração europeia, com colaborações regulares na RTP, TVI, Expresso, Diário de Notícias, A Luta, Primeiro de Janeiro, Semanário, A Tarde, Jornal da Tarde, Público, Fortuna. Foi jornalista do Diário Popular, do semanário O Jornal, da Rádio Renascença e da RTP, onde foi sub-director para a Informação. Desempenhou ainda o cargo de director do jornal Público. Foi igualmente adjunto do Ministro dos Negócios Estrangeiros, assessor do Primeiro-Ministro e director do Gabinete em Portugal da Comissão Europeia.
- António Barreto
Investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Professor convidado da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa. Licenciado e doutorado em Sociologia pela Universidade de Genebra. É colaborador permanente do jornal Público. Foi director da revista Análise Social e da Imprensa de Ciências Sociais; membro da Comissão Instaladora da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa e ainda deputado à Assembleia Constituinte, Secretário de Estado do Comércio Externo, Ministro do Comércio e Turismo, Ministro da Agricultura e Pescas e Deputado à Assembleia da República. Publicou, entre outros, Douro, 1993, Tempo de Mudança, 1996, Sem emenda, 1996, Justiça em crise? Crises da Justiça, 2000, Situação Social em Portugal, 2000, Tempo de Incerteza, 2002 e Novos Retratos do Meu País, 2003.
- José Manuel Fernandes
Director do diário "PÚBLICO". Jornalista desde 1976. Frequência do curso de Biologia, na Faculdade de Ciências de Lisboa. Jornalista do semanário "EXPRESSO" entre 1980 e 1989. Fundador e subdirector do jornal "PÚBLICO" desde Maio de 1989.Director-Adjunto do jornal PÚBLICO entre Outubro de 1996 e Setembro de 1997. Nomeado Director Editorial e Administrador em Setembro de 1998. Fundador e membro da direcção do Observatório da Imprensa. Membro do “board” do Fórum Mundial de Directores. Membro da equipa de coordenação, dirigida por Carlos Pimenta, que escreveu o livro "A Aposta no Homem". Autor de três livros sobre temas de defesa do património natural e cultural: "O Homem e o Mar", 1998; "Rios de Portugal", 1990; e "Serras de Portugal", 1994 e da colectânea de textos sobre a crise internacional pós-11 de Setembro "Ninguém é neutro", 2003. Prémio Gazeta de jornalismo ambiental em 1994. Grande Prémio do Clube Português de Imprensa em 1998. Professor convidado da Esc. Sup. Comunicação Social de Lisboa (desde 1997) e na Universidade Católica (desde 2002).
- Miguel Sousa Tavares
Colunista do jornal Público, colaborador do jornal A Bola, antigo advogado e comentarista da TVI, fala e escreve sobre tudo: política, literatura, desporto e outros. Escreveu alguns livros: Sobre Viagens (Sul – Viagens), crónicas (Anos Perdidos), ficção (Não Te Deixarei Morrer, David Crockett), romance (Equador)...
Todos estes profissionais da comunicação pública, cujas biografias sairam daqui, têm em comum, o costume de se pronunciarem sobre todos os assuntos que vêm à rede da sua atenção. A Justiça é um deles. Como é a Europa. Ou a Educação. Sabem sempre qualquer coisa de tudo isso, como qualquer josé que se atreve diletantemente a escrever em lojas. Mas enquanto um qualquer José não tem pretensão a ser ouvido para além do próprio limite do écran do computador, esses notáveis da opinião, marcam agendas, às vezes.
E as pessoas que os lêem costumam dar-lhes algum crédito por escreverem em jornais e por merecerem uma imagem que foram construindo ao longo dos anos. Têm, se assim se pode dizer, um mercado, nas ideias gerais, ao qual vão buscar rendimentos e fazer carreiras.
Normalmente, o tom das opiniões que expendem sobre assuntos de Justiça é o do bota-abaixo: não presta! Está sempre atrasada! Não tem dignidade! É uma vergonha e uma calamidade públicas, são alguns dos mimos com que esses profissionais brindam o sector. Os profissionais do sector, apelidados agora de “operadores judiciários” ficam perplexos, ao repararem que lhes são dirigidos como mísseis de ignomínia, os epítetos que eles próprios poderiam - e muito bem,- também dirigir ao monstro sagrado!
Deste equívoco alimentado por esses opinionistas habituais que dos tribunais sabem o que vêem, lêem ou perscrutam com a inteligência que têm, vai sendo moldado o perfil da opinião pública geral. De nada adianta que os profissionais mostrem as subtilezas do sistema processual que obriga a que se vá por caminhos que muitas vezes só conduzem a atrasos e a mais perplexidades pela complexidade das interpretações possíveis das leis. De nada adianta que esses profissionais se lamentem vezes sem conta das condições de trabalho, com melhorias atrasadas mais anos do que os próprios processos . De pouco ou nada adianta que os mesmos profissionais, anos a fio, denunciem este deletério estado de coisas e mostrem a quem quiser ver, ler ou ouvir, que o sistema não funciona bem por causas várias relacionadas com modelos errados de organização e com leis que complicam em vez de simplificar.
Esta redundância de motivos denunciados, caiem sempre em saco roto, perante os argumentos autorizados daqueles opinionistas que só percebem os efeitos e apontam as causas a olho e com mira técnica assestada às aparências, escapando-lhes sempre a essência das questões. Por muito que os profissionais falem, escrevam, digam ou repitam , o esforço é inglório.
Haverá sempre demagogos a aproveitar as ideias que gratuitamente lhes são entregues por aqueles reputados cronistas da nossa indigência intelectual. Porém...
os únicos argumentos que podem esgrimir contra os "operadores judiciários" são apenas dois... Questionar a competência técnica, profissional dos mesmos e a adequação à profissão que exercem, segundo os respectivos estatutos.
Tudo o resto transcende os "operadores judiciários". Mas para isso, os opinionistas teriam que perceber do que estão a falar, pois as aparências iludem, como todos sabem.
Publicado por josé 01:40:00 11 comentários Links para este post

