Nem tudo é mau

Portugal surge num honroso 22.º lugar no Growth Competitiveness Index. Atrás da Estónia, é certo, mas à frente da Irlanda, do Luxemburgo, da Espanha, da França, da Bélgica, da Grécia, da Itália. Membros da União Europeia, à nossa frente, só mesmo os países do norte da europa (Finlândia, Suécia, Dinamarca e Holanda) e os gigantes Reino Unido e Alemanha. Pudessem todos os nossos índices serem tão bons. E portadores de semelhante esperança implicita. Depois de sucessivos maus tratos por sucessivos Governos é um desempenho notável aqui para o rectângulo. Para quem quiser aprofundar o que está em causa na formação deste índice aconselha-se a consulta desta nota técnica.

post em stéreo

Publicado por irreflexoes 17:00:00 8 comentários Links para este post  



abre los ojos

Yo no creo en brujas...

Margarida Pinto, 31 anos, jornalista free-lance, foi substituída por Miguel Mora como correspondente do El País em Portugal. Miguel Mora, jornalista da secção cultural do El País há nove anos, disse ao PÚBLICO que a nova prioridade é que "a imagem de Portugal deixe de ser inexistente ou catastrófica, que não tenha de ser apenas a má notícia". O jornalista propõe-se mostrar "mais aspectos positivos de Portugal, de âmbito cultural ou político" porque "nem tudo são incêndios ou pederastia". O PÚBLICO rematou a notícia escrevendo: "Margarida Pinto, 31 anos, iniciou funções no começo de 2003 e vários dos seus artigos e vários dos seus artigos foram amplamente citados em Portugal por relatarem o estado de crise que o país tem vivido."

João Pedro Henriques

Publicado por Manuel 16:50:00 6 comentários Links para este post  



magistrados
G R E V E

um postal de Alberto Pinto Nogueira.

Anunciaram as associações respectivas que os magistrados (do Ministério Público e Judiciais ) fazem greve lá para o fim do mês que ora se iniciou. Ora, eu sou pelas greves, justas ou injustas, tanto mais que, para quem as faz, são sempre justas e sempre injustas (leia-se: políticas) para o poder político. Agrada-me importunar tudo quanto é poder, sendo essa, aliás, uma das poucas vantagens que actualmente se goza no nosso país democrático.

E uma das formas mais consequentes de chatear o poder é fazer greve, embora passe este a vida a palrar sobre a legitimidade de todas as greves, mesmo a daquelas que sempre são políticas. Assente-se, pois, nisto: não sou fura-greves, nem nunca o fui.

Porém, o que me está a suceder nesta altura é um estranho sentimento de que não sei bem por que vou fazer greve, não se tratando, pois, de justiça ou injustiça da mesma. Não me parece bastante a supressão dos serviços sociais, nem a redução das férias a trinta dias: Ali porque restam outros serviços, aqui porque se tratava, quer se queira quer não, de um tratamento desigual, ante tudo quanto é trabalhador. Nesses pontos, os sindicatos deixaram-se enredar na estratégia manhosa do governo de José Sócrates.

Só me passa pela cabeça que seja compreensível uma greve de magistrados quando se trate de lutar por causas sérias e referentes à Justiça.

Quando me demonstrarem que o Executivo, directa ou indirectamente, se imiscui na independência dos tribunais, na isenção dos magistrados e na sua imparcialidade, pelas mais diversas formas, que as há, então, sejam ou não os tribunais órgãos de soberania, e são-no, não há argumento formal que abale o direito à greve, pois que esta se faz em defesa da democracia e em defesa da Justiça. Faz-se por causas.

Aquém disso, do que se tem falado, tudo deixa a marca indelével de que se luta por coisinhas domésticas, por interesses de classe e isso o tal povo em nome do qual se faz justiça não vai compreender. Em tudo, os magistrados fazem justiça em nome do povo, mas este não pode ser invocado em vão.

Alberto Pinto Nogueira

Publicado por josé 16:04:00 11 comentários Links para este post  



escárnio e mal dizer


O oásis imbecil

Parece que o Governo se prepara para convocar 50 “notáveis” para ajudar a “relançar” a imagem de Portugal no estrangeiro. Não sei é o que será mais espantoso: se o facto de homens como o Eng. Belmiro embarcarem nesta imbecilidade, ou a própria ideia em si. Convinha explicar ao “visionário” que teve esta ideia que um produto só se vende, de forma consistente, se for realmente bom...

Nada disto, porém, espanta. Vem na mesma tradição dos “oásis” e das declarações do género “a crise acabou”. Ou seja, se todos fingirmos que as coisas estão bem não só tudo fica bem de repente como convencemos os investidores estrangeiros que isto é o paraíso. Parece que estou a ver um investidor a olhar para o documento que concerteza vai sair daquelas geniais cabeças e a dizer: “É aqui que vou investir. Isto é tão bom que nem preciso de saber da burocracia, nem da legislação laboral, nem da corrupção, nem nada”. Esperem por isso. Mas esperem sentados.

Pedro Marques Lopes


Sendo verdade que um produto só se vende, de forma consistente, se for realmente bom..., é também verdade que esses produtos penetrariam melhor noutros mercados, caso a imagem do País fosse substancialmente diferente da que hoje tem. Tirando raras e honrosas excepções como foi por exemplo a vitória na taça da liga dos campeões pelo FCP ou a inauguração da Casa da Música, no Porto, que teve as honras de ser notícia, por exemplo no New York Times, ou o Euro 2004, Portugal é quase sempre notícia pelas piores razões e não pela nossa capacidade de executar projectos. É pois importante ouvir empresários neste processo, tendo estes a responsabilidade de dar o seu melhor contributo para a construção e passagem da mensagem da nossa dimensão imaterial e criativa enquanto País. Para além das nossas idiossincrasias como nação – que são apenas diferentes das de outros países e que precisam de ser corrigidas, como outros o fazem - é facto assente que Portugal tem uma má imagem lá fora, o que para os nossos produtos representa uma menos valia muito grande e um maior esforço na conquista dos mercados. Neste detalhe um bom marketing pode ajudar a resolver desde que seja verdadeiramente estratégico, e para isso são necessários estrategas, e não apenas o cozinhado pelos encarregues da empreitada que já deverão estar à coca para que a factura seja a mais alta possível e sem a exigência de resultados. Pensa-se por isso que referências empresarias como Belmiro de Azevedo e outros terão muito mais para dizer do que alguns sex advisors, but still virgins da nossa diplomacia económica, a tal que os ex-ministros Carlos Tavares e Martins da Cruz andaram a apregoar como sendo a fórmula mágica para o aumento das nossas exportações.

Publicado por contra-baixo 16:02:00 4 comentários Links para este post  



Especial OE 2006
Aumentos Salariais na Função Pública (I)

A decisão de aumentar os funcionários públicos abaixo da inflação, merece-me uma reflexão profunda. Economicamente e face à situação das finanças públicas é uma medida que se saúda. Moralmente, e quando existem nomeações políticas, quando existem processos de intenções de levantar 5 mil milhões de euros, para um aeroporto que ninguém ainda conseguiu explicar bem como será rentável, é que...

O problema é que a administração pública e os seus problemas não se resolvem com limitações salariais, resolvem-se em primeiro lugar com um correcto rightsizing das suas funções, em segundo lugar e, porque é inevitável, com o despedimento de 100.000 a 200.000 funcionários públicos excedentários, em terceiro lugar, com a clara distinção entre administração pública técnica e administração pública política. Bom depois há a questão das reformas e da reforma paradigma na segurança social que até hoje ninguém ousou sequer falar, há a questão da extinção de juntas de freguesia, de assembleias municipais ou até mesmo dos municípios, colocando-se as CCR´s profundamente renovadas a funcionar verdadeiramente.

E não é difícil. Cerca de 65 % da administração pública existe apenas para sustentar o seu funcionamento, logo há que emagrecer e reestruturar funções que possam ser centralizadas. Uma rápida vista de olhos por exemplo ao quadro de funcionários públicos afectos ao ministério da agricultura, permite-nos constatar que existem 3 funcionários para 1 agricultor, e convém não esquecer a importância reduzida da agricultura na economia. Finalmente, e porque há sectores na administração pública carentes de pessoal e já agora de instalações e informatização condigna, aí devia recair a aposta de um qualquer Estado.

Ao limitar os aumentos salariais abaixo da inflação, o governo corre um risco assumido. Um crescimento abaixo do verificado este ano no consumo privado no próximo ano, e consequentes efeitos conhecidos por todos. Mas este é provavelmente o risco menor. Mas certamente que todos saberão que os problemas não se resolvem por aqui.

Obviamente, que economicamente em tempos retraccionistas, esta é uma medida corajosa, mas ficar por aqui significa não realizar nada, porque existem promoções automáticas, que por mero exemplo no ministério da educação, oneram o orçamento em 3,3 % de um ano para o outro.

Se quisermos ser ainda mais precisos, veremos que o impacto na redução do consumo privado gerado pelos fracos aumentos salariais, trará em segunda linha mais desemprego e consequente mais encargos do Estado, o que devidamente enquadrado, se traduzirá numa expansão e não numa contenção da despesa pública.
Nota : Um lamentável erro devidamente elogiado, colocou o rácio de funcionários públicos face aos trabalhadores do ministério da agricultura completamente invertido. Existem em Portugal 526 mil trabalhadores no sector agrícola, pescas e silvicultura segundo o INE. O rácio correcto são 30 agricultores para 1 funcionário do ministério público. As minhas desculpas pelo erro.

Publicado por António Duarte 16:01:00 5 comentários Links para este post  



condenado

O Paulo Gorjão pretende agora lançar-se numa cruzada romântica acerca da 'accountability' noticiosa do jornal Público. Infelizmente, escolheu como mote uma questão menor, dificilmente confirmável ou (in)desmentível, relativa a uma matéria em que todos, ou quase, romancearam, e bastante, e na qual o 'cenário' apresentado pelo Público se afigura pelo menos como estritamente lógico, e espectável, conhecendo os personagens envolvidos. O problema do Público não é o de desmentir, ou apresentar provas, (se fossem eles... e o Expresso, noutras frentes ? ) dessa matéria em concreto, mas um de identidade. E o Público neste momento não tem identidade, é uma amálgama simplesmente. Em suma, não tem alma, nem classe. Tem-se safado porque, de facto, não tem tido concorrência, com um DN a arrastar-se penosamente há anos, conformou-se no papel de 'único' jornal de referência. Este Público 'conformado' mas ao mesmo tempo autista e (intelectualmente) arrogante é o espelho possível de um certo regime, de umas certas castas, e do apimbalhamento de um país. Está, naturalmente, condenado... a mudar.

Publicado por Manuel 14:48:00 3 comentários Links para este post  



O mordomo ?

Vital Moreira, hoje no Público, historeia. Apelida de “feudalismo de Estado”, a situação “ a que se chegou”.

A “situação” é aquela em que “uns tantos segmentos do Estado, se constituíram em corpos especiais, dotados de estatutos particulares, caracterizados por várias benesses e regalias face ao regime geral do sector público e ainda mais face ao sector privado.”

Ao ler este segmento da historiadela, ocorreu-me imediatamente que Vital iria finalmente pronunciar-se sobre uns certos segmentos do Estado que se acantonam nas Universidades públicas como a de Coimbra, em pomposos Institutos, emoldurados em certos Centros de Estudos, sustentados por particulares estatutos de Associações privadas sem fins lucrativos, ao abrigo de particulares e interessantes regulamentações, e que se dispõem a filantropias exageradas, numa profusão cursos de pós-graduação destinados a brasileiros. Enganei-me, porém.

O alvo da incursão histórica não são afinal esses pequenos feudos universitários, privados e instalados por direito próprio em universidades públicas e de que se desconhecem as contas do deve e haver.
Atentemos por isso, no palimpsesto de hoje no Público...
Duas características são comuns a todos esses regimes especiais: a criação de privilé¬gios sectoriais sem nenhuma justificação e os pesados custos para as finanças públicas. Na verdade, trata-se de formas de captura do Estado e de apropriação de vantagens económicas e sociais de grupo à custa da colectividade. Para só referir um exemplo, os subsistemas de saúde privativos dos mi¬litares, das forças de segurança e da área da justiça custam muitas dezenas milhões de euros ao erário público por ano. Ora, havendo um subsistema de saúde geral da função pública (o regime da ADSE), que já de si constitui uma vantagem face ao sector privado, não existe a mínima razão para essa prerrogativa específica daqueles sectores profissionais. Uma tal violação do princípio constitucional da igualdade de tratamento só pode ser superada pela eliminação das vantagens sectoriais indevidas, face à absoluta impossibilidade de estender a todos o regime mais favorável.

Ninguém gosta de perder privilégios, desde logo por que quem goza deles nunca os reconhece como tal. Para os seus beneficiários, os privilégios são sempre justíssimas compensações para a sua situação especial. Um dos traços verdadeiramente "feudais" dessas situações consiste na consideração dessas regalias como parte do "estatuto próprio" dos respectivos corpos. Na verda¬de,foi em nome da "dignidade" e da "especificidade" do "estatuto" de cada sector profissional que foram justificadas as acções de resistência à eliminação dos regimes especiais, como se o pres¬tígio e autoridade das respectivas profissões dependessem não da sua natureza e importância intrínseca, mas sim das benesses materiais diferenciadas em relação a outros sectores. Ora, o que é o "estatuto próprio" dos "corpos especiais" senão uma tentativa de compartimentação do Estado de acordo com os interesses de grupo e a sobreposição destes ao interesse geral, que cabe ao Estado defen¬der? Tal como no "antigo regime", também agora cada sector beneficia de um estatuto jurídico distintivo, não tanto caracterizado pela diferença de deveres, mas sim pela mais-valia de regalias.

O "feudalismo funcional" em que se fragmentou o Estado tem raízes profundas na sobrevivência de quadros mentais pré-modernos, na valorização de formas exteriores de reconhecimento do status (com reflexo inclusive nas formas de tratamento social), na prevalência da "condição" sobre o desempenho, no papel de certas profissões ou ocupações públicas (juiz, militar, professor, etc.) como veículos de ascensão social, na resistência ao nivelamento de tratamento jurídico e ao desaparecimento de estatutos pessoais privativos, que é próprio da organização moderna do Estado. Mas esta serôdia sobrevivência cos quadros mentais tradicionais não teria sido possível sem a contribuição de formas de organização e de acção governamental que fomentam a segmentação sectorial do Governo e favorecem a cumplicidade entre os ministros e as corporações profissionais do respectivo sector.. A "captura" do Estado pelos corpos profis¬sionais de elite do sector público é resultado, antes de tudo, da fraqueza daquele.
Curiosamente, a reivindicação de estatutos privilegiados privativos é acompanhada da mais latitudinária utilização dos instrumentos sindicais dos trabalhadores comuns, incluindo a manifestação e a greve, mesmo quando o seu estatuto público é manifesta¬mente incompatível com eles, como sucede com os militares e os juízes, os primeiros porque a natureza das suas funções o não pode consentir, os segundos porque nem sequer são funcionários ou trabalhadores, mas sim titulares de cargos públicos, a quem não se podem estender de pleno os direitos próprios dos trabalhadores. O caso dos juízes e magistrados do Ministério Público é especialmente elucidativo, visto que, se existe algo contraditório com o "estatuto" diferenciado que eles reivindicam, é justamente a ideia de greve como instrumento de luta laboral.

Independentemente da sua licitude, a greve dos juízes é sobretudo uma questão de incongruência com a natureza das suas funções e com a imagem que os juízes reivindicam para si mesmos, que não é propriamente uma imagem "laborai" ou "proletária".

Infelizmente, a apropriação do Estado para sustentar privilégios profissionais não se limita aos corpos especiais do sector público. Nos últimos tempos vieram a lume situações intoleráveis de parasitação do Estado por alguns sectores profissionais privados, como os advogados e os jornalistas. Os primeiros beneficiam de uma generosa contribuição de dinheiros públicos (taxa de justiça) para o seu sistema privativo de assistência na saúde e segurança social; os segundos beneficiam de um regime privativo de cuidados de saúde financeiramente suportados pelo Estado, muito mais favorável do que o SNS. São situações insustentáveis que importa revogar imediatamente , sob pena de perda de autoridadee do Governo para eliminar as benesses indevidas dos próprios corpos do Estado.”

Esta longa tirada catilinária contra os feudalismos de Estado, como lhes chama Vital Moreira, num rigor histórico digno da Voz dos Ridículos, é um discurso para enganar tolos. Ao reafirmar que foram eles próprios que se constituiram em “corpos especiais”, dotados de estatutos particulares, fá-lo como se tal correspondesse à maior das verdades! A Assembleia da República e os governos que fizeram e refizeram o Estatuto da Função Pública, são relegadas para o fundo do cesto da argumentação, como entidades menores que foram manipuladas.

Esta retórica oca, obriga a que se cite quem sabe de história e possa contribuir para uma muito oportuna lembrança ao professor de Coimbra, director de um centro de estudos de direito público e regulação.

A invenção Feudalismo

Os reis merovíngios que se seguem a Clodovico são exemplos cada vez mais acabados de inépcia e, tal como no caso de incompetência do ministro quem manda é o secretário de Estado, quem mandava na corte merovíngia era o chefe do palácio, também chamado mordomo (o popular apelido alemão Meier deriva de maior domus). Um dos mais hábeis entre eles, Carlos Martel, chamado o martelo, viu-se a contas com os árabes. A fim de os poder repelir, teve de reorganizar o exército. Para tal, teve uma ideia inovadora. Combinou o princípio da lealdade germânica com a concessão de bens eclesiásticos. Quem se empenhava militarmente com os seus vassalos recebia terras para uso próprio que, em parte, podia conceder, por seu lado, aos seus vassalos. Deste modo Carlos Mamei reforçou as defesas e, cerca de 732, deteve o avanço dos árabes em Tours e em Poitiers.

Mas o princípio da sua organização militar sobreviveu, cresceu e acabou por determinar toda a organização da sociedade: a combinação entre a vassalagem e a concessão de feudos. Tal acabou por criar uma pirâmide social: um vassalo superior, por exemplo, um duque, concedia feudos por seu lado, e o vassalo dele tinha, por sua vez, os seus próprios vassalos. Deste modo, o Estado territorial romano converteu-se num Estado baseado em vínculos pessoais.

O princípio do feudalismo

Se quisermos entender como este sistema funciona do ponto de vista político, temos de dar uma vista de olhos aos partidos actuais. O chefe do partido determina quem vai ocupar os cargos partidários superiores, os lugares cimeiros das listas eleitorais, os postos dos chefes regionais do partido e as chefias dos governos regionais: esses são os duques. Dos seus cargos dependem, por seu lado, redes de cargos, cujos detentores, os condes, margraves, condes imperiais, landgraves, têm, por seu lado, cargos a atribuir. Quem tem a maior probabilidade de alcançar um posto alto, tem o maior séquito. Este apoia-o porque espera obter em troca um rico saque em termos de cargos, isto é, feudos. Só aquele que, devido à sua capacidade, à sua audácia, ao seu bom nome junto do senhor feudal supremo ou por ser da família da respectiva mulher, tem as maiores perspectivas de poder distribuir muitos cargos, também tem o maior número de vassalos e subvassalos. A ele é que se guarda lealdade.

Esta teia de relações constitui um circuito fechado. Quem tem feudos a conceder, tem vassalos, e quem tem vassalos é o primeiro a ter acesso aos cargos. No entanto, o mesmo circuito fechado também actua ao contrário, quan¬do a fortuna trai o homem do topo. Se cometer demasiados erros, se contrair a peste, se a sorte o abandonar, o seu séquito também o abandona. É precisamente por isso que, na Idade Média, se apela tanto à fidelidade. A concorrência entre os legítimos e os hábeis é constante. Isso faz da Idade Média a época das querelas partidárias. O programa do partido reduz-se invariavelmente ao homem do topo, ao cabecilha de uma teia de influências. Por isso o mote sempre será: aqui Guelf (GuelFos), aqui Ghibelline (Gibelinos), aqui Lencastre, aqui lorque, aqui Capuleto, aqui Montéquio.

Dietrich Schwanitz - Cultura, tudo o que é preciso saber, d.quixote, 2004, pág.81-82.

Resta perguntar, qual será o papel de Vital Moreira nesta orgânica denunciada. Para mim, parece-me que se aparenta muito ao do mordomo, deste poder actual. E acabámos de ler como esse esquema funciona...

Publicado por josé 14:43:00 9 comentários Links para este post  



B R A S I L


Publicado por Manuel 10:16:00 0 comentários Links para este post  



Justiça
uma história triste, novos episódios (I)

Acabou o Prós e Prós na RTP/1, com um finalle patético, absolutamente patético, para não dizer trágico. Pateta o Ministro, tão, ou mais, patetas os representantes sindicais de magistrados, judiciais e do MP. Merecem-se absolutamente. Quem não os merecerá é um país, que não se revê numa 'élite' que resume o miolo dos problemas graves da justiça a meras questões de 'estatuto' e 'mercearia'.

Publicado por Manuel 00:48:00 32 comentários Links para este post  



sobre o inferno, o purgatório e...

O Partido acima de tudo
( uber alles ! de má memória )

Nos últimos dias, ouvi duas distintas figuras socialistas - Mário Soares e Manuel Alegre - responderem que votariam sempre à esquerda, um no outro, na hipótese de um deles vir a disputar a segunda volta das eleições presidenciais, de Janeiro de 2006, contra o «tenebroso» Cavaco Silva. Como, de resto, acrescentaram, votam sempre à esquerda. Ou seja, isto é a confirmação de que esta gente pratica uma espécie de voto étnico, de seita, de clã.

Qualquer que seja o mérito dos candidatos em liça, votam sempre nos seus. Eis aqui a comprovação, se acaso ela fosse ainda necessária, de que esta gente coloca sempre o Partido, a sua Facção, acima de tudo : o Partido por sobre a Nação, a cavalo nela e esta só lhes merece atenção se forem eles a mandar nela, como a tal se julgam especialmente habilitados : ou porque foram anti-fascistas ou porque estiveram presos ou porque fugiram à guerra, ou porque estiveram exilados, mesmo se na Sorbonne ou nos Boulevards de Paris, no Quartier Latin, ou nas esplanadas de Saint Germain des Près, etc., etc.

Desde há décadas que esta gente tece as suas teias sociais : de amigos, de aliados, de comprometidos, de servos, de áulicos, com as quais foi estendendo a sua vasta influência, com tanto êxito, que se acham já com direitos indiscutíveis a ocupar, em regime de exclusividade, os altos lugares do Estado e das Empresas. De tal forma, que toda a oposição ou intromissão nos seus aplainados caminhos lhes parece insuportavelmente afrontosa. Até quando os restantes cidadãos deste velho país que é Portugal lhes aturarão esta arrogante presunção ? Quando é que a Democracia deixará de sustentar esta imensa parasitagem que lhe vai exaurindo os recursos, que a vai deixando exangue, ao mesmo tempo que ameaça os outros com o corte das mais pequenas regalias que, ainda assim, estes foram capazes de colocar a bom recato.

O nosso «louco da Madeira», como «louco» que é, por vezes consegue dizer coisas que todos escondem, por medo, por pudor, por excesso de escrúpulo, mas que, na verdade, mais ninguém diz. E, quando se trata de tocar nas «venerandas figuras do anti-fascismo», aí então, é o recuo geral. Será que isto irá mudar com Cavaco na Presidência ? Infelizmente, não estou nada seguro, apesar da preferência de candidatos ser óbvia.

António Viriato

Publicado por Manuel 00:07:00 3 comentários Links para este post  



dogmas
uma história que se repete

Uma das coisas mais irritantes das, e nas, esquerdas era a colagem fanática e fundamentalista, pesassem todas as evidências, a um determinado modelo. Falhasse o que falhasse, o que contava era sempre o modelo e tudo o resto pequenos desvios de circunstância. A história demonstrou que era o modelo que estava simplesmente errado. Infelizmente, nestes tempos que se dizem do fim das ideologias, a história está-se a repetir... à direita. Com efeito, parece querer emergir por aí uma nova direita, dita de 'liberal', que só conhece o liberalismo dos livros, dos autores (con)sagrados, da teoria, uma nova 'direita' (onde há muitos nominalmente de esquerda) para quem o que conta são simplesmente as grandes linhas, as grandes teorias, os grandes planos, por oposição ao concreto, e ao real, ao contexto. Um exemplo patente deste deslumbramento ingénuo pelas regras abstractas do mercado (como se este fosse perfeito) é o recente plano de reestruturação do sector energético apresentado por Manuel Pinho. No papel setá (academicamente) brilhante, perfeito até. Fala de concorrência, de liberalização, até menciona os consumidores. Na prática é alta traição, um suícidio autêntico que vai entregar, de bandeja, um sector estratégico inteiro a Espanha, e a estrangeiros. Com grandes mais-valias, claro. E no entanto, andam por aí todos contentes, e felizes, a fingir que não sabem que é isto que vai acontecer. Como é, ao menos que se assuma publica e politicamente. por aí quem defenda que aos portugueses não interessa rigorosamente nada saber quem é o patrão da EDP, da Galp, da Iberdrola, ou da Endesa, já que todas elas e muitas outras possuem acções umas das outras e o mercado bolsista é dinâmico. Pois é. É só a diferença entre o dinheiro sair ou entrar do país... Para estes liberais a Pátria também não existe.

Publicado por Manuel 19:48:00 15 comentários Links para este post  



O presidente do STJ

Logo, na RTP/1, o programa Prós & Contras reincide na temática da Justiça.

A propósito das greves que se anunciam no sector, estão anunciados intervenientes de tomo: o ministro da Justiça e ainda o presidente do STJ, José Moura Nunes da Cruz, entre outros. Homem de quase 70 anos, prepara-se para concluir o mandato "herdado" de um outro juiz, parecido com ele no dizer e seu amigo, Aragão Seia, falecido há poucos meses.

Não é costume, nem é vulgar, um presidente do Supremo Tribunal de Justiça, quarta figura do nosso Estado, aparecer em público a falar sobre assuntos judiciários. Tirando uma entrevista ou outra, brevíssima, em jeito de comentário e a correr para um microfone que se lhes coloca, a propósito de uma cerimónia protocolar, um juiz do STJ, tem sempre pouco a dizer.E é pena.

Por isso, aguarda-se com expectativa acrescida o que hoje vai ser dito pelo presidente do STJ. Entretanto e como aperitivo, fica aqui um excerto de uma outra entrevista concedida ao Correio da Manhã na revista Domingo:


CM - Como é que se exercia a Magistratura no tempo da ditadura?

JMNC
- Normalmente. Nunca tive problemas com a ditadura. Sempre fui muito independente.
comentário: é óbvio que não é um juiz de "esquerda" e mesmo que o fosse, essa faceta nunca o afectou de molde a projectar o discurso contra o "fassismo".

CM- Mas era possível essa independência?

JMNC- Era. O facto de ser independente e de decidir sem a interferência de ninguém era a única vantagem. A única tentativa que o poder político poderia ter feito para nos ter na mão era aquilo que nos pagava. Tão mal, tão mal, que não podíamos recalcitrar. Além do mais, estas coisas passavam de comarca para comarca e quando lá chegávamos já sabiam que tipo de juiz iriam enfrentrar.

CM - Nas comarcas do interior o juiz é uma das personalidades mais importantes. Nas cidades, esse respeito está mais diluído.

JMNC - Há uma crise de valores actualmente em que as pessoas quase se não respeitam mutuamente. Na comarca éramos poucos, tínhamos uma posição de recato. Não andávamos em festas. A certa altura, a magistratura até foi acusada de se meter numa concha e de estar desfasada da realidade. Agora os juizes são diferentes. Quem é que se lembraria de vestir jeans? Gravata? Tenho a impressão de que nunca a tirei. Agora os mais novos tentam a parecer nos jornais e na televisão porque acham que é mais vantajoso para eles. Acho que o recato é muito bom.
Comentário: é tão bom que a mensagem que está a passar para a oinião pública é a de os juizes serem uns privilegiados; trabalharem pouco e ganharem demais. O autismo em certas profissões pode não ser prejudicial. Noutras, é pecado mortal. The times they are a changin´, cantava Bob Dylan em 1964. Quantos anos teria o juiz Nunes da Cruz nessa altura? Pouco mais de trinta anos...e parece seguro que não ouviu a canção e muito menos a mensagem.

CM - Como é possível existirem decisões diferentes sobre a mesma questão?

JMNC - Há sempre um acórdão a dizer que sim e outro a dizer que não. Como sabe, o Direito não é uma ciência exacta. Ainda agora com o problema que está no Constitucional de saber se isto é uma nova Legislatura ou não, Marcelo Rebelo de Sousa defende que é e Jorge Miranda diz que não. E, no entanto, são dusa sumidades em Direito Constitucional. Muitas vezes, interpretar a lei é difícil. E nem todos interpretam da mesma maneira.

Comentário: um Professor de Coimbra, Orlando de Carvalho, já falecido, dizia em entrevista ao Público, há uns anos, que "o Direito é uma aldrabice secante". O motivo está à vista...
CM - De certeza que mediatismo e aparência não interferem no resto ? As decisões dos juizes correspondem a certezas absolutas?

JMNC-
Nunca condenei com dúvidas, nem tive dúvidas depois de uma condenação. Nunca se me pôs esse problema, mas pôs-se imensas vezes quando absolvia. É como diz o outro: "os juizez vão para o inferno, mas no mínimo vão cavalgando as testemunhas". Foram as testemunhas que os induziram, de maneira que temos cavalos para ir para o inferno. Isto para dizer que temos de ter bem a noção de que a dúvida tem de ser fundada. Não pode ser por comodismo.
Comentário: julgar é muito difícil. Mesmo. E quem não entende isso, acha que os magistrados são uns calaceiros e uns malandros comuns. Os nomes dos vilipendiadores? São legião, mas à frente, com a bandeira da ignomínia desfraldada no jornal onde escrevem vão um tal Sousa Tavares e um tal Marinho e Pinto. E um Vital Moreira parece apoiar a bravata.

Publicado por josé 19:36:00 10 comentários Links para este post  



'Bora todos viver para a Alemanha?

Um estudo esclarecedor da Watson Wyatt sobre os desejos dos trabalhadores europeus...

Mais de um terço dos trabalhadores portugueses em empresas privadas considera a hipótese de mudar de emprego no próximo ano, acima da média europeia, de acordo com um estudo da Watson Wyatt, divulgado esta segunda-feira.

O estudo europeu Total Reward Survey, que envolveu cerca de 600 grandes empresas e mais de 8.500 trabalhadores de Portugal, Bélgica, França, Irlanda, Itália, Alemanha, Holanda, Suécia, Reino Unido, Suíça e Espanha, revela que 37 por cento dos colaboradores portugueses quer mudar de emprego, dois pontos acima da média europeia. Em Portugal, 82 por cento dos colaboradores que pondera mudar de emprego, fá-lo porque sente que a empresa em que trabalham é instável e não oferece segurança, 69 por cento sente pouca abertura à opinião individual e ao pensamento independente e 68 por cento sente pouca flexibilidade nos benefícios.

Cerca de 62 por cento dos colaboradores revelam vontade de sair quando existe a percepção do salário base estar abaixo do mercado. Pelo contrário, a vontade de permanecer na empresa é manifestada por 95 por cento dos colaboradores quando há a percepção de que o salário está acima do mercado. A Alemanha é o país onde as pessoas têm menos vontade de mudar de emprego (apenas 14 por cento dos colaboradores revelaram a intenção de abandonar o seu emprego no próximo ano), seguida da Suíça (17 por cento), Holanda (20 por cento) e Bélgica (27 por cento). Com maior vontade de mudar de emprego, surgem os trabalhadores da Suécia (49 por cento), Espanha (45 por cento), França (42 por cento), Irlanda (41 por cento), Reino Unido e Itália (ambos com 40 por cento). A Watson Wyatt observou as alterações que as empresas europeias têm estado a introduzir nos seus programas de remuneração e concluiu que o número de empresas em Portugal que praticam uma gestão independente do salário base se situa nos 23 por cento, mas somente 2 por cento tencionam fazê-lo no futuro. Ao mesmo tempo, só 21 por cento das empresas se baseiam na remuneração total, seja através de elementos financeiros ou de não financeiros, como a formação e o ambiente de trabalho. No entanto, 57 por cento das empresas afirmam que planeiam usar a remuneração total no futuro.

O estudo da Watson Wyatt refere ainda que os elementos-chave da remuneração que têm maior influência nos comportamentos positivos dos colaboradores são o desenvolvimento e perspectiva de carreira, flexibilidade nos benefícios, formação e desenvolvimento e incentivos de desempenho a curto prazo.

Em Portugal, França, Alemanha, Irlanda, Itália e Reino Unido as empresas que fizeram parte do estudo indicam como uma das principais metas de remuneração no futuro, a remuneração por desempenho. Na Bélgica, Holanda, Espanha e Suécia os assuntos-chave relacionam-se com o controlo dos custos de remuneração e de produtividade. «É crucial desenvolver uma estratégia de retenção direccionada para as motivações dos colaboradores de modo a garantir que estes não sintam a necessidade de procurar outras oportunidades», sublinhou Frederico Jorge, director-geral da Watson Wyatt em Lisboa e coordenador europeu do estudo Total Reward.»

in portugaldiario.iol.pt

Publicado por André 19:06:00 0 comentários Links para este post  



Energia
A luz ao fundo do túnel não passa de um comboio (II)

Ao final de 10 meses, avista-se uma luz ao fundo do túnel na questão energética. Depois de tanto pensar, de tanto atrasar, o governo em funções, está a trabalhar numa solução perfeitamente inovadora. A questão resolve-se assim...

A empresa ENI - Investments SPA
  • Liberta 33,34 % da Galp Energia, adquiridos por 963 Milhões de Euros.
    • Recebe 50 % da GDP-Gás de Portugal avaliados em 800 Milhões de Euros acrescidos de 650 Milhões de Euros, resultantes da colocação da sua tranche de 33,34% no mercado.
      • Mais-Valia realizada : 400 Milhões de Euros.

A empresa Galp Energia
  • Posiciona os seus 33,34 % no mercado. 22,34 % destinam-se a investidores escolhidos pelo Estado - Petrobras ou Sonangol, ou mesmo consórcio entre eles - e os remanescentes 11 %, seram adquiridos pelo consórcio nacional e pela Iberdrola, que se compromete a sair do capital da EDP.

Ora, perante este enquadramento, convém recordar que a operação que Tavares e Barroso montaram era igual. Previa a integração dos activos do gás na ENI. Fica, apenas por explicar, que no modelo Pinho, onde as empresas EDP e Galp vão concorrer nos mesmos mercados, qual será o papel da espanhola Iberdrola...

Publicado por António Duarte 15:57:00 7 comentários Links para este post  



Breves

  • i) O plano para o sector da energia - há quem goste e há quem não goste - pode muito bem ser a herança política de Manuel Pinho;
  • ii) A nomeação dos novos administradores da CP, REFER e Metro do Porto pode muito bem ser a herança política de Mário Lino;
  • iii) Sabe Deus o quê será a apropriada herança política de Freitas do Amaral.

Uma herança supõe um de cujus? Eu sei.

Publicado por irreflexoes 15:08:00 0 comentários Links para este post  



'Se a moda pega...'

Do jornal El Pais, da Espanha...

A Justiça belga entende que a participação de um marido em fóruns eróticos da internet constitue para a mulher um "motivo válido" de pedido de divórcio, já que é considerado um comportamento incompatível com o respeito mútuo. Um tribunal de Bruxelas que devia se pronunciar sobre um caso de divórcio por adultério levou em conta extratos impressos de conversas em um chat erótico.



via Blog do Noblat

Publicado por Manuel 12:08:00 2 comentários Links para este post  



Energia
A luz ao fundo do túnel não passa de um comboio (I)

Depois de tanto esperar, lá saiu uma solução para resolver o problema da questão energética portuguesa e das suas empresas. Colocar a Galp Energia e a EDP a competirem directamente quer no gás natural quer na electricidade.

A EDP fica livre de proceder à aquisição de activos ligados ao gás natural sem se preocupar com a capacidade de produção de energia, e a Galp Energia fica livre de atacar os activos eléctricos sem que com isso se veja obrigada a reduzir a sua intervenção na comercialização de gás.

Por outras palavras, é a liberalização total das empresas energéticas portuguesas. Há quem veja nisto, um bom sinal, um oásis na intervenção que costuma pautar a condução de empresas estatais. Mas não o é.

Por muito que se possa pensar, o facto de EDP e Galp concorrem entre si, não fará o preço ao consumidor descer. Mas sim, o simples facto de dois gigantes em áreas distintas como o gás e a electricidade se tornarem operadores concorrentes nas mesmas áreas. E o pouco benefício que daqui advém, esbarra no facto de serem empresas cujos conselhos de administração são nomeados pelo Estado. A juntar a tudo isto, temos o MIBEL, onde ontem existiam dois key-players portugueses. Hoje existem dois operadores portugueses que vão dividir o mercado.

Há um mês atrás a EDP tinha o mesmo valor da Iberdrola, e a EDP tinha o dobro da capitalização bolsista da Union Fenosa. Com a OPA da Gás Natural sobre a Endesa e consequente passagem de activos que valem entre 7 a 9 mil milhões de euros, a Iberdrola passa a valer duas vezes e meia a eléctrica portuguesa e a Union Fenosa vale sensivelmente o mesmo que a EDP.

Pode ser um sucesso em termos de regras de mercado, mas representa um completo fracasso em termos de estratégia das empresas portuguesas.

Publicado por António Duarte 11:32:00 8 comentários Links para este post  



auto-estima

Semana a semana nem a bola parece querer salvar a auto-estima indígena. Uma excelente notícia, já que pode ser que assim sobre - finalmente - tempo para discutir um, ou outro, assunto mais sério...

Publicado por Manuel 23:48:00 7 comentários Links para este post  



O desafio

Ouvido mesmo agora, no telejornal da RTP1. Alberto João Jardim, aparentemente sóbrio, pausado e em pose de desafio, dirigiu-se directamente ( através do écran...) a Jorge Coelho, desafiando-o para um duelo:

"Dizem que é o homem mais poderoso de Portugal!"
- "Pois aqui estou eu!"

Em que país civilizado e ocidental, teríamos direito a um show off deste tipo?!

Publicado por josé 20:50:00 20 comentários Links para este post  



Portugal e Brasil - descubra as diferenças
'uma semana'

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), pela voz do seu presidente, Luiz Zveiter, anunciou hoje de manhã a anulação dos onze jogos do Campeonato Brasileiro apitados pelo árbitro Edílson Pereira de Carvalho. A CBF emitiu já comunicado com as novas datas de quase todas as partidas a ser repetidas.

Desde a revelação do escândalo pela revista Veja passou uma semana. Neste período a CBF e a Federação Paulista afastaram os dois árbitros envolvidos. Armando Marques, presidente da Comissão Nacional de Arbitragem, demitiu-se para não ser demitido e foram anulados os jogos contaminados pelo esquema, tendo sido já remarcadas as partidas de repetição para este mês aínda.

No caso do Apito Dourado passaram-se 75 semanas desde as primeiras notícias. Apenas a título de exemplo, Carlos Esteves, arguido no processo, continua membro do Conselho de Arbitragem da FPF, presidindo mesmo ao organismo. Este fim de semana, Carlos Xistra e Serafim Nogueira, também arguidos, foram, respectivamente, árbitro e árbitro assistente do Paços de Ferreira-Sporting e Paulo Paraty dirigiu o Desp. Chaves-Desp. das Aves.

in Gândavo

[Technorati]

Publicado por Manuel 20:28:00 4 comentários Links para este post  

MADRID.- Los bailarines de la ópera más famosa del Mundo, La Scala de Milán, han anunciado que irán a la huelga en los próximos días. ¿El motivo? El tamaño de los camerinos del renovado edificio. Son tan pequeños, denuncian los artistas, que no pueden cambiarse sin darse pisotones. Dicen que les han quitado sitio para dárselo a la orquesta.


Según informa la cadena ABC, el colectivo tiene pensando suspender unas diez actuaciones, para llamar la atención sobre el estado de sus camerinos, un detalle que no fue tenido en cuenta en la multimillonaria remodelación del edificio de los últimos años.

in El Mundo



Compreende-se que, tal como em Portugal, caiba aos trabalhadores italianos definir o âmbito de interesses a defender através da greve. O que não se compreende é que em ambos os sistemas não estejam previstos mecanismos de atribuição de responsabilidades directamente imputáveis aos trabalhadores aderentes pelos danos económicos graves e irreparáveis causados à organização de que são parte integrante. Os julgamentos e as consultas podem ser adiados, a laboração contínua pode ser sempre retomada da mesma forma e o que não se vende num dia pode sempre ser vendido no dia seguinte. Agora um espectáculo de ópera, que é algo que demora meses ou mesmo anos a preparar e ao longo dos quais foram investidos milhões que é necessário recuperar, não deveria poder ser atirado ao lixo sem outras consequências que não apenas a suspensão do direito à retribuição nos dias de greve cirurgicamente escolhidos pelos trabalhadores. Depois não se admirem estes que as profissões artísticas sejam cada vez mais modos de vida essencialmente assentes em esquemas de emprego precário.

Publicado por contra-baixo 18:53:00 3 comentários Links para este post  



despesas confidenciais

Portugal, as reformas económica de Schroeder, a Volkswagen e... o 'elefante branco'. Falta saber quem foram os cicerones portugueses...

Publicado por Manuel 18:28:00 19 comentários Links para este post  



coffee break

É que, dizia para mim mesmo, eu não era uma pessoa monógama. Sentia-me demasiado atraído pelo mistério dos primeiros encontros, gostava demasiado do teatro da sedução, sentia demasiado apetite pela excitação de novos corpos, de maneira que ninguém poderia contar comigo para planos a longo prazo. Bom, pelo menos esta era a lógica que eu aplicava a mim mesmo e devo dizer que funcionava como uma eficaz cortina de fumo entre a minha cabeça e o meu coração, entre o meu tesão e a minha inteligência. Porque a verdade é que eu não fazia a menor ideia do que andava a fazer. Eu estava literalmente fora de controlo; fodia pelas mesmas razões que levavam outros homens a beber: para afogar as minha mágoas, para embotar os meus sentidos, para me esquecer de mim.

(e cont.)



in Leviathan, Paul Auster, edições ASA, pág 112.

Publicado por contra-baixo 17:00:00 5 comentários Links para este post  

WWill Science Trump Politics in Resolving Abortion Debate?

For better or worse, new reproductive technologies are redefining the ground rules of reproduction. (And, no, the force of law can not hold back scientific 'progress,' as authorities have discovered repeatedly since Galileo's day.)

New reproductive technologies may also redefine the politics surrounding reproduction, including the issue of abortion. I welcome the prospect. It is difficult to believe that science could do a worse job with the issue than courts and fanatic rhetoric. At the very least, science may offer new methods of ending a pregnancy without destroying an embryo or fetus.

para ler na integra aqui

Publicado por Manuel 16:14:00 1 comentários Links para este post  



anatomia de um silêncio (II)

É o silêncio - sepulcral - à volta da Eurominas, é o silêncio sepulcral à volta de tudo. O que se sabe, nunca é para publicar, para acusar, para condenar, é simplesmente para ir gerindo. É o pântano, é o que é.

partes 1 a 3 publicadas aqui

O Polvo, Parte 4

publicado a 24 de Setembro de 2005, na Grande Reportagem nº 246.

por Joaquim Vieira.

Ao investigar o caso de corrupção na base do “fax de Macau”, o Ministério Público entreviu a dimensão da rede dos negócios então dirigidos pelo Presidente Soares desde Belém. A investigação foi encabeçada por António Rodrigues Maximiano, Procurador-geral adjunto da República, que a dada altura se confrontou com a eventualidade de inquirir o próprio Soares.

Questão demasiado sensível, que Maximiano colocou ao então Procurador-geral da República, Narciso da Cunha Rodrigues. Dar esse passo era abrir a Caixa de Pandora, implicando uma investigação ao financiamento dos partidos políticos, não só do PS mas também do PSD – há quase uma década repartindo os governos entre si. A previsão era catastrófica: operação “mãos limpas” à italiana, colapso do regime, república dos Juízes.

Cunha Rodrigues, envolvido em conciliábulos com Soares em Belém, optou pela versão mínima: deixar de fora o Presidente e limitar o caso a apurar se o Governador de Macau, Carlos Melancia, recebera um suborno de 250 mil euros.

Entretanto, já Robert Maxwel abandonara a parceria com o grupo empresarial de Soares, explicando a decisão em carta ao próprio Presidente. Mas logo a seguir surge Stanley Ho a querer associar-se ao grupo soarista, intenção que segundo relata Rui Mateus em Contos Proibidos, o magnata dos casinos de Macau lhe comunica “após consulta ao Presidente da República, que ele sintomaticamente apelida de boss.

Só que Mateus cai em desgraça, e Ho negociará o seu apoio com o próprio Soares, durante uma “presidência aberta” que este efectua na Guarda. Acrescenta Mateus no livro que o grupo de Soares queria ligar-se a Ho e à Interfina (uma empresa portuguesa arregimentada por Almeida Santos) no gigantesco projecto de assoreamento e desenvolvimento urbanístico da baía da Praia Grande, em Macau, lançado ainda por Melancia, e onde estavam “previstos lucros de milhões de contos”.

Com estas operações, esclarece ainda Mateus, o Presidente fortalecia uma nova instituição: a Fundação Mário Soares. Inverosímil? Nada foi desmentido pelos envolvidos, nem nunca será.


O Polvo,Parte 5, conclusão
publicado a 1 de Outubro de 2005, na Grande Reportagem nº 247.

por Joaquim Vieira.

As revelações de Rui Mateus sobre os negócios do Presidente Soares, em Contos Proibidos, tiveram impacto político nulo e nenhuns efeitos. Em vez de investigar práticas porventura ílicitas de um Chefe de Estado, os jornalistas preferiram crucificar o autor pela “traição” a Soares (uma tese académica elaborada por Estrela Serrano, ex-assessora de imprensa em Belém, revelou as estratégias de sedução do Presidente sobre uma comunicação social que sempre o tratou com indulgência.)

Da parte dos soaristas, imperou a lei do silêncio: comentar o tema era dar o flanco a uma fragilidade imprevisível. Quando o livro saiu, a RTP procurou um dos visados para um frente-a-frente com Mateus – todos recusaram. A omertá mantém-se: o desejo dos apoiantes de Soares é varrer para debaixo do tapete esta história (i)moral da III República, e o próprio, se interrogado sobre o assunto, dirá que não fala sobre minudências, mas sobre os grandes problemas da Nação.

Com a questão esquecida, Soares terminou em glória uma histórica carreira política, mas o anúncio da sua recandidatura veio acordar velhos fantasmas. O mandatário, Vasco Vieira de Almeida, foi o autor do acordo entre a Emaudio e Robert Maxwell. Na cerimónia do Altis, viram-se figuras centrais dos negócios soaristas, como Almeida Santos ou Ílidio Pinho, que o Presidente fizera aliar a Maxwell. Dos notáveis próximos da candidatura do “pai da pátria”, há também homens da administração de Macau sob a tutela de Soares, como António Vitorino e Jorge Coelho, actuais eminências pardas do PS, ou Carlos Monjardino, conselheiro para a gestão dos fundos soaristas e presidente de uma fundação formada com os dinheiros de Stanley Ho.

Outros ex-“macaenses” influentes são o ministro da Justiça Alberto Costa, que, como director do Gabinete da Justiça do território, interveio para minorar os estragos entre o soarismo e a Emaudio, ou o presidente da CGD por nomeação de Sócrates, que o Governador Melancia pôs à frente das obras do aeroporto de Macau.

Será o Polvo apenas uma teoria de conspiração?

E depois, Macau, sempre Macau.

Publicado por Manuel 14:54:00 17 comentários Links para este post  



Lista de escritores que granjearam o Nobel da Literatura 'sem' subsídios

  • 2004 Elfriede Jelinek
  • 2003 J.M. Coetzee
  • 2002 Imre Kertész
  • 2001 V.S. Naipaul
  • 2000 Gao Xingjian
  • 1999 Günter Grass
  • 1998 José Saramago
  • 1997 Dario Fo
  • 1996 Wislawa Szymborska
  • 1995 Seamus Heaney
  • 1994 Kenzaburo Oe
  • 1993 Toni Morrison
  • 1992 Derek Walcott
  • 1991 Nadine Gordimer
  • 1990 Octavio Paz
  • 1989 Camilo José Cela
  • 1988 Naguib Mahfouz
  • 1987 Joseph Brodsky
  • 1986 Wole Soyinka
  • 1985 Claude Simon
  • 1984 Jaroslav Seifert
  • 1983 William Golding
  • 1982 Gabriel García Márquez
  • 1981 Elias Canetti
  • 1980 Czeslaw Milosz
  • 1979 Odysseus Elytis
  • 1978 Isaac Bashevis Singer
  • 1977 Vicente Aleixandre
  • 1976 Saul Bellow
  • 1975 Eugenio Montale
  • 1974 Eyvind Johnson, Harry Martinson
  • 1973 Patrick White
  • 1972 Heinrich Böll
  • 1971 Pablo Neruda
  • 1970 Alexandr Solzhenitsyn
  • 1969 Samuel Beckett
  • 1968 Yasunari Kawabata
  • 1967 Miguel Angel Asturias
  • 1966 Samuel Agnon, Nelly Sachs
  • 1965 Mikhail Sholokhov
  • 1964 Jean-Paul Sartre
  • 1963 Giorgos Seferis
  • 1962 John Steinbeck
  • 1961 Ivo Andric
  • 1960 Saint-John Perse
  • 1959 Salvatore Quasimodo
  • 1958 Boris Pasternak
  • 1957 Albert Camus
  • 1956 Juan Ramón Jiménez
  • 1955 Halldór Laxness
  • 1954 Ernest Hemingway
  • 1953 Winston Churchill
  • 1952 François Mauriac
  • 1951 Pär Lagerkvist
  • 1950 Bertrand Russell
  • 1949 William Faulkner
  • 1948 T.S. Eliot
  • 1947 André Gide
  • 1946 Hermann Hesse
  • 1945 Gabriela Mistral
  • 1944 Johannes V. Jensen
  • 1939 Frans Eemil Sillanpää
  • 1938 Pearl Buck
  • 1937 Roger Martin du Gard
  • 1936 Eugene O'Neill
  • 1934 Luigi Pirandello
  • 1933 Ivan Bunin
  • 1932 John Galsworthy
  • 1931 Erik Axel Karlfeldt
  • 1930 Sinclair Lewis
  • 1929 Thomas Mann
  • 1928 Sigrid Undset
  • 1927 Henri Bergson
  • 1926 Grazia Deledda
  • 1925 George Bernard Shaw
  • 1924 Wladyslaw Reymont
  • 1923 William Butler Yeats
  • 1922 Jacinto Benavente
  • 1921 Anatole France
  • 1920 Knut Hamsun
  • 1919 Carl Spitteler
  • 1917 Karl Gjellerup, Henrik Pontoppidan
  • 1916 Verner von Heidenstam
  • 1915 Romain Rolland
  • 1913 Rabindranath Tagore
  • 1912 Gerhart Hauptmann
  • 1911 Maurice Maeterlinck
  • 1910 Paul Heyse
  • 1909 Selma Lagerlöf
  • 1908 Rudolf Eucken
  • 1907 Rudyard Kipling
  • 1906 Giosuè Carducci
  • 1905 Henryk Sienkiewicz
  • 1904 Frédéric Mistral, José Echegaray
  • 1903 Bjørnstjerne Bjørnson
  • 1902 Theodor Mommsen
  • 1901 Sully Prudhomme

Publicado por Nino 09:59:00 3 comentários Links para este post  



Ayaan Ali, a negra que a esquerda enjeita


Vítima de mutilaçăo genital, aos seis anos, Ayaan deixou a Somália, vivendo sucessivamente na Arábia Saudita, Etiópia e Quénia, mas sem nunca se libertar das amarras sociais, que marcam o espaço fechado das sociedades muçulmanas que se estende ao reduto familiar, onde, afinal começa a opressăo e a discriminaçăo. Colocada perante mais um desafio, ditado pela decisăo do pai, que a pretendia utilizar como moeda de troca e lucro fácil num casamento negociado com um primo afastado, Ayaan Ali toma a sua primeira grande decisăo (...) e meteu-se num comboio só desembarcando na Holanda.

Decorria o ano de 1992 e tinha entăo 23 anos e uma vontade férrea de vencer e sobretudo de cortar com um passado carregado de tantas marcas nefastas. Neste país de tradiçăo liberal, a jovem somali apostou tudo na sua formaçăo. Trabalhou arduamente. Sem direito a opçőes laborais compatíveis com a sua formaçăo e a exemplo dos demais imigrantes africanos fez o que lhe era permitido: trabalho de limpezas. Nada disto impediu a sua afirmaçăo e inserçăo na sociedade holandesa. Aprendeu a língua com perfeiçăo, obteve um diploma de estudos superiores em Cięncias Políticas, acabando por enveredar pela carreira política, sendo eleita deputada pelo Partido Liberal (VVD).

Mas a verdade porém é que Ayaan, năo só queria libertar-se, como pretendia desmascarar. Optou por um protagonismo consequente na luta contra os sectores mais conservadores do mundo muçulmano, denunciando casos e situaçőes incompatíveis com os direitos humanos. Acompanhou e ajudou a documentar milhares de casos de mulheres maltratadas e abusadas no seio da comunidade islâmica. Na sequęncia de um percurso coerente, em que nem sempre conta com os apoios necessários, decide participar no filme “Submissăo” do realizador Theo Van Gogh. Dez minutos foi quanto bastou para despertar a ira dos movimentos islâmicos radicais que consideraram o documentário, uma afronta aos valores do Islăo.

A reacçăo năo tardou e foi brutal. O realizador foi assassinado e no seu peito ficou cravado uma faca com uma mensagem em árabe dizendo que a próxima vítima seria Ayaan Hirsi Ali.

[África lusófona]

Publicado por Nino 09:50:00 3 comentários Links para este post  



Condoleezza Rice, a negra que a esquerda abomina


Se pensam, como eu, que a principal causa do 11 de Setembro foi a expressão violenta da ideologia extremista mundial fundada na opressão e desespero do Médio Oriente moderno, então devem tentar suprimir a fonte desse terrorismo transformando o conjunto da região

Devemos reconhecer que a liberdade e a democracia são as únicas garantias de uma verdadeira estabilidade e uma segurança duradoura

Condoleezza Rice

Publicado por Nino 09:10:00 6 comentários Links para este post  



Reforma cultural à espera de Godot

O teatro português reclama subsídios estatais para poder subsistir, uma vez que a maioria da sua actividade, que se cinge a representar em palco aquilo que outros criaram a expensas próprias, não desperta o mínimo interesse dos cidadãos contribuintes.

Publicado por Nino 08:51:00 2 comentários Links para este post  



o texto 'inútil'

Enquanto andava noutros voos, e era útil, não faltou quem desse corda ao Dr. Noronha do Nascimento. Aparecia, por tudo e a propósito de tudo, em todo o lado, e se hoje o sindicalismo judiciário está como está,desacreditado e frentista, também a ele , e a muitos dos seus números, se deve. Derrotado, e bem, na eleição para o Supremo Tribunal de Justiça, depois de uma período de ressabianço inicial excessivamente exuberante, para qualquer magistrado que se preze, Noronha remeteu-se finalmente a um prudente recato que interrompeu para rebater um editorial do Público, de José Manuel Fernandes, que considerou menos correcto. O Público optou por ignorar uma posição relevante, pela substância, por contrária à sua verdade oficial, e por vir de quem veio, alguém que agora já não conta. Fez mal, a réplica censurada do Dr. Noronha do Nascimento pode ser lida aqui, quanto ao Público já foi tudo dito.

Publicado por Manuel 01:46:00 0 comentários Links para este post