O argueiro e as traves
domingo, setembro 04, 2005
O nosso bravo Vital, zurzidor de mabecos e biltres, que aliás vota ao desprezo, à míngua de melhor preocupação, atira-se em pequeno postal, a… um “monstro arquitectónico” citadino. Explico...
Em Viana do Castelo, existe há um pouco mais de trinta anos, um prédio de habitação, com uma dúzia de andares e que foi encravado no lugar de um mercado municipal então existente, sobressaindo na paisagem devido a uma erecção despropositada e algo obscena para os olhares púdicos da estética recente e reinante.
A construção do bloco de arquitectura aceitável e moderna, para a época, foi autorizada pelos poderes de então, amplamente democráticos e recém saídos do 25 de Abril e que não viram o efeito estético que desfeia a paisagem harmoniosa dos restantes edifícios vetustos, de segundos andares e mansardas, junto ao jardim público que separa a cidade do rio. O efeito, para quem está habituado à paisagem da cidade, é quase nulo e não é garantido que a sua derrocada programada altere substancialmente o agradável skyline da cidade. Para além disso, o custo das operação é elevado e um luxo estético pode comprometer uma aplicação mais consentânea com as nossas pobres bolsas portuguesas, à espera da recessão. Porém, esse aspecto é questão de somenos sempre que se trata de dar andamento a decisões políticas polémicas e a tricas de poderes que teimam em se digladiar por questões de teimosia e prestígio.
Assim, na questão concreta do prédio a demolir, a ideia inicial foi inserida no projecto Polis, há já alguns anos e desde então, os decisores políticos, ligados ao PS, mesmo com a oposição maioritária dos moradores e de uma boa parte da população que se ficará inteiramente nas tintas para a operação, exclusivamente estética , insistem em provocar a derrocada do prédio que já estará até programada. O PSD já manifestou a sua oposição e durante os governos do PSD, o projecto de demolição ficou congelado e sem andamento. É assim a política em Portugal e Vital assenta que nem uma luva neste esquema de sectarismo cego, surdo e mudo aos argumentos que não venham do lado certo da sua barricada.
Porém, Vital, em vez de defender uma causa aparentemente espúria e que nem é da sua terra, fazendo-o por motivos óbvios de luta política, poderia muito bem, olhar para… Coimbra, por exemplo!
Coimbra, actualmente e para o visitante ocasional, é um lugar de exílio. A alta coimbrã, redesenhada nos anos de Salazar, mantém a estética que os planeadores lhe imprimiram. E diga-se em abono da verdade, que não desmerece e acolhe uma academia com honra e dignidade mínimas, conjugando os edifícios antigos, vindos da ancestralidade medieval e modificados ao longo dos séculos, com a arquitectura do Estado Novo.
Não me parece, no entanto que seja preciso defender nessa alta coimbrã, alguma demolição por causa do efeito estético pernicioso.
Mas desçamos as escadas monumentais e entremos na zona da Praça da República: quem lá esteve há trinta anos e quem a visita agora , vê largos e sérios motivos de preocupação estética, com a evidência da fealdade e mau gosto a entrar pelos olhos adentro do visitante: tendas desmontáveis na placa; esplanadas acrescentadas sem critério; sujidade a rodos; um teatro Gil Vicente degradado e uma Associação Académica a envelhecer muito mal; carros estaciondos em ambos os lados de uma rua estreita e íngreme chamada P.e António Vieira . Descendo ainda mais em direcção a uma baixa de uma dignidade notável, ao lado da igreja de Santa Cruz, vemos obras no mercado municipal que o deixaram ficar no mesmo sítio. Na baixa, a retirada de carros, permitiu que lojas comerciais assentassem arraiais, mas não modificou ou melhorou a estética existente.
Se quisermos subir para o lado nascente e formos parar a Celas que temos de notável em trinta anos de poder autárquico local?! Nada! Nada de nada que merece relevo. Uns mamarrachos piores do que o prédio do Coutinho e que se multiplicam como cogumelos e que não merecem a atenção do Polis nem de Vital; uns edifícios de habitação incaracterísticos e uma degradação quase completa e triste na zona antes chique e agora de chiqueiro, na parte mais alta.
Se virarmos a bússola e seguirmos a rota do sul, paramos naquilo que misteriosamente se chama Pólo II. A zona, foi recentemente fustigada pelos incêndios rompantes que invadiram as portas da cidade, vindos directa e em poucas horas de Penacova e que os poderes locais, regionais e nacionais não conseguiram suster. Arderam casas de habitação nessa zona. Vital, que me lembre, nem um postalzinho escreveu sobre o assunto... que incomodasse e interrogasse por que motivos reais, foi possível deixar avançar um incêndio que começou dezenas de quilómetros antes e entrou de rompante nas portas da cidade. Nada de especial. Um silêncio sepulcral e circunspecto.
Mas as desgraças não se resumem à catástrofe natural que assolou essa parte da cidade. Quem lá passar, tem muitos e vários motivos de perplexidade: é uma zona cara da cidade. Muito cara, aliás. Uma moradia que em Viana do Castelo pode custar 60 mil contos antigos, lá não custará menos de 100 mil, garantidamente.
Além disso, a qualidade de construção dos edifícios, alguns deles em cascata pelo monte abaixo, é deplorável. Basta entrar e ver com os próprios olhos…
Para não desfiar mais contas deste rosário de amarguras que deveriam preocupar qualquer habitante de Coimbra, digno desse nome, deixo apenas uma nota...
Recentemente, foi construída e já está em funcionamento o edifício da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, precisamente no âmago desse Pólo II, já de si envolvido em matagal esparso de pinheiros e eucaliptos à farta, que permitiram que o fogo chegasse literalmente às portas dos edifícios do departamento das Químicas. A zona, sendo de paisagem frondosa, é feia devido à completa ausência de arranjos paisagísticos mínimos e elementares. Para comparação e vergonha, os responsáveis deveriam ser obrigados a visitar outro Pólo Universitário, mas desta vez, em Vigo, na vizinha Espanha. Vão e aprendam!
Escrevo aqui para todos lerem: aquele edifício da FCTUC, é dos edifícios mais feios e pior construídos e acabados que me foi dado ver recentemente. É uma autêntica vergonha pública. Nem sequer é uma questão estética -. é apenas uma questão de gosto comum e simples.
Não percebo por isso que Vital veja um argueirinho em Viana e se esqueça das traves de betão que se lhe atravancam na frente… mesmo lá, em Coimbra. E parece que a responsabilidade da edilidade, durante anos e anos a fio esteve a cargo de um tal Manuel Machado. Do PS, precisamente. Mas a estes, Vital Moreira, não belisca. Vá lá saber-se porquê, prefere entreter-se a injuriar.
Publicado por josé 12:29:00 16 comentários Links para este post
As desgraças que não alimentam as causas da esquerda
sábado, setembro 03, 2005
No Zimbabwe, a ultra-minoritária população branca, fulcral na economia e desenvolvimento nacionais, foi recentemente perseguida, expoliada e assassinada. Acaso a esquerda europeia denunciou a apologia do racismo visceral de Mugabe? Ao ignorar o drama das vítimas que têm a cor errada, a esquerda tropeça na própria armadilha que monta do racismo.
Publicado por Nino 22:52:00 17 comentários Links para este post
Sons de estimação
Ladies and gentlemen! From Southern California: The Beach Boys!
A apresentação em altifalantes portentosos e no escuro, já tem barbas, de certo. Não as de um Mike Love , nem as de um Bruce Johnston que as cortaram, antes do grupo se ter reduzido a eles, acompanhados por uma banda de ocasião, sem nome nem mérito, mesmo com as violas vermelhas reluzentes nos acordes de Chuck Berry, pouco inspirados e mal tocados.
Mas são estes dois músicos originais que dão a cara e o cartaz a anunciar o nome de marca - Beach Boys. E será por esse nome mítico e pela nostalgia serôdia e já de algumas dezenas de anos que as pessoas vão aos concertos. Para recordar sons e ver gestos em camisas hawaianas, soltas nas cores e assertoadas no trato de imaginárias pranchas de surf.
Na versão original, o grupo compreendia os irmãos, Dennis, Carl e… Brian Wilson. Mike Love é primo deles e Bruce Johnston entrou em 1965, para suprir as faltas de Brian em palco. Falta assim Al Jardine, o bravo guitarrista e compositor de Califórnia Saga do LP Holland de início dos anos setenta e composto fica o ramalhete de um dos grupos mais importantes e significativos da música popular de expressão anglo saxónica.
Como parceiros de sonoridades excelentes, só se ouvem os Beatles. Como grupo de andarilhos de tournées, só duraram mais os Rolling Stones.
Na net, os sites dedicados ao grupo, são legião.
Com mais de sessenta anos cada um e vozes sumidas nos falsetes, Mike Love e Bruce Johnston fizeram-se acompanhar no espectáculo do Coliseu de quarta feira, 31 de Agosto, por um naipe de músicos jovens e… medíocres. O grupo disfarça em duas guitarras à Chuck Berry, as sonoridades de dois instrumentos de teclas que permitem a Bruce Johnston permanecer sentado durante a maior parte do concerto, enquanto Mike Love repete pela enésima vez os gestos de sedutor barato em bar de segunda.
Mesmo com uma sonoridade confusa que a mesa de controlo e mistura não aclara e antes amplifica, as canções aparecem na sua identidade primitiva: ritmos rápidos e sincopados por naipes de teclado, a saltear vozes em falsete e harmonias canónicas, algumas vezes intactas e outras apenas perceptíveis na cacofonia da mistura sonora.
Em poucos minutos, desfilam no palco sonoro, mais de uma dezena de canções clássicas como a calça de ganga: algodão azul que melhora com o tempo e o uso.
Mesmo torcidas nas harmonias das últimas oitavas, o ritmo acelerado do baixo e bateria, acompanha o essencial da melodia e permite a identificação e a referência esperada: não tem a sonoridade dos discos, mas ouve-se com os olhos e desculpa-se o massacre sonoro com a presença em palco dos génios originais que as criaram.
Desfilam num ápice os hits dos sessenta... I get around, surfin´safari, little deuce coup, dance dance dance, why do fools fall in love, and… then i kissed her (verdade, porque aguentou o canto já rouco e aceitou dançar).
Depois do meddle que abarcou virtualmente todos os hits dos sessenta, uns slows com destaque para Surfer girl e uma naipe de canções de setenta, introduzidas por I can hear music ( et pour cause). Ouviu-se uma versão sofrível, mas bem ritmada de sail on sailor, surf´s up e outras como Califórnia Dreamin´ dos Mammas and Pappas que deram lugar aos hits maiores e à homenagem que Mike Love, com toda a justiça prestou aos primos Wilson, Carl e Brian. A versão audível de Good Vibrations e principalmente a canção genial God only knows, do LP Pet Sounds de 1967 que ombreia em qualidade intrínseca com um Sergeant Peppers dos Beatles e outros clássicos de todos os tempos. Neste caso, nem a voz emprestada consegue estragar a canção , pela melodia intemporal que transporta.
O concerto destes Beach Boys abreviados dura pouco mais de uma hora e meia. E chega. As canções do grupo, às dezenas, são audíveis em disco, com toda a qualidade de um sistema de som e um espectáculo deste teor, permite outras alegrias que passam sem o som perfeito ou a execução melhorada: permitem dançar e acompanhar a energia que elas sempre transmitiram a quem se dispôs a ouvir. Mesmo com um grupo medíocre, cujos guitarristas arriscam um solo ou outro que assassina a memória de Chuck Berry em cada acorde de Surfin´in USA.
Para ver e ouvir melhor, há sempre o primeiro episódio do filme Regresso ao Futuro, onde se compila em poucos minutos a história da música rock: três acordes e batida segura com muito panache e precisão técnica. Tudo isso falta ao grupo actual dos Beach Boys originais. Sobram-lhes prestígio e a memória do génio criador. E isso, para mim, bastou. E parece que para a audiência de uns poucos milhares de pessoas presentes também. Por isso, o encore refez-se em clássicos como Summertime Blues de Eddie Cochran. A canção perfeita do rock n´roll! Se ouvirem bem, começa com um som seco do baixo e bateria em quatro batidas bem nítidas e enérgicas. São fáceis de identificar pois já Beethoven as usou, ligeiramente modificadas numa das suas obra primas: a quinta sinfonia começa exactamente com esse som. Apenas com uma diferença. Na música de Beethoven a sonoridade é em tom dramático e majestoso e vai das notas altas para as baixas, num instante; naquela canção é leve e a toada convida logo á dança, pois as notas sobem…e baixam logo a seguir, como é normal... Para mim, é essa a diferença entre os dois géneros. O rock não tem grande mistério, mas tem um encanto - chama-se simplicidade e ritmo.
Nota: escrever sobre as sonoridades da California, numa altura em que uma região bem determinada do sul da América, sofre as consequências dramáticas de um desastre natural, só se compreende se for acompanhada de uma homenagem às pessoas e à música dessa região do nosso mundo. Homenagem às vítimas e tributo aos seus corajosos habitantes que sofrem. New Orleans, além disso, é terra de música e de músicos. E essa música é agora de todos nós. Mas foram eles quem a produziram.
Por isso, cito aqui uma das canções que mais aprecio de Arlo Guthrie...
Ridin' on the City of New Orleans
Illinois Central, Monday mornin' rail
15 cars & 15 restless riders
Three conductors, 25 sacks of mail
All along the southbound odyssey the train pulls out of Kankakee
Rolls along past houses, farms & fields
Passin' graves that have no name, freight yards full of old black men
And the graveyards of rusted automobiles
Good mornin' America, how are you?
Don't you know me? I'm your native son!
I'm the train they call the City of New Orleans
I'll be gone 500 miles when the day is done
Dealin' cards with the old men in the club car
Penny a point, ain't no one keepin' score
Pass the paper bag that holds the bottle
And feel the wheels rumblin' neath the floor
And the sons of Pullman porters & the sons of engineers
Ride their fathers' magic carpets made of steel
Mothers with their babes asleep, rockin' to the gentle beat
And the rhythm of the rails is all they feel
Good mornin' America, how are you?
Say don't you know me? I'm your native son!
I'm the train they call the City of New Orleans.
I'll be gone 500 miles when the day is done.
Night time on the City of New Orleans
Changin' cars in Memphis, Tennessee
Halfway home, we'll be there by mornin'
Thru the Mississippi darkness rollin' down to the sea
But all the towns and people seem to fade into a bad dream
And the steel rail still ain't heard the news
The conductor sings his songs again
"The passengers will please refrain:
This train got the disappea rin' railroad blues
Good night America, how are you?
Say don't you know me? I'm your native son!
I'm the train they call the City of New Orleans.
I'll be gone 500 miles when the day is done.
Publicado por josé 19:49:00 2 comentários Links para este post
As desgraças que alimentam as causas da esquerda
O El Pais e o Le Monde insistem que as vítimas são negras porque perdura a chaga do racismo nos Estados Unidos. O facto de Nova Orleães ser uma cidade de ampla maioria negra é irrelevante aos olhos dos comentadores de esquerda, obumbrados de jornalistas, incrédulos perante a escassa representação da ultra-minoria amish no estádio “superdome”... O serviço de meteorologia alertou precocemente os residentes da magnitude máxima do furacão na escala Saffir-Simpson, frisando que os seus efeitos seriam catastróficos caso a estrutura de diques circundando a cidade cedesse nos dias seguintes. Não cuidando da reservada monitória, o povo e a imprensa insanos jactaram-se por reencontrarem a capital do jazz aparentemente incólume à fúria imediata do ataque das notas prenunciadas, mas, nos compassos seguintes, a partitura, que não contemplava espaço para o improviso, inundou de temor e morte a população endemicamente pobre e ignorante, para gáudio dos optimistas que não sabem nada de finanças nem consta que tenham biblioteca.
Publicado por Nino 18:25:00 26 comentários Links para este post
défice democrático
Cansado, o país não tem grande pachorra para a política, nomeadamente para a autárquica, guardando os últimos cartuchos, o último estertor de energia para as presidenciais no horizonte. É pena, até porque (e, no actual modelo, mal) as autarquias vão sendo um esteio incontornável na nossa arquitectura político-administrativa. Como também é pena, o pouco destaque que vai sendo dado aos desenrolar dos debates televisivos, que vão decorrendo, nomeadamente na SIC/N. Não tanto por causa do concelho A ou B, não tanto por causa deste ou daquele artista, mas pelo nível, ou falta dele. Quanto Avelino Ferreira Torres arrasa e humilha os candidatos oficiais do PSD e PS a Amarante, iguais na má criação, indigentes no raciocínio, quando o Major Loureiro se passeia face à manifesta impreparação e amadorismo dos seus adversários na contenda de Gondomar, é altura de questionar quais são os critérios de selecção, o que terá levado uns e outros a escolher estes ou aqueles ? Não é novo, já há quatro anos Fátima Felgueiras arrasou os seus adversários na TV e arrasará de novo se for candidata e for a debate com estes, não se trata de telegenia, de passar na TV, melhor ou pior, trata-se de ter, ou não, nível, educação, preparação, desenvoltura de raciocínio... Habituamo-nos assim a não ter ilusões, a contar com o(s) piore(s), safando-se os mais reguilas, os que (no mather how) apresentam 'resultados'. Um destes dias, o Prof. Marcelo na Universidade de Verão do PSD saiu-se com um raciocínio anormalmente lúcido, comparando PS e PSD a partidos de 'cartel' por oposição a partidos de cidadãos. Matéria sobre a qual convinha reflectir, até porque talvez se chegue à conclusão que será excelente que as tais presidenciais que se avizinham, e para as quais muitos se estão a (res)guardar, sejam tudo menos uma mera contenda partidária, por entrepostas pessoas.
Publicado por Manuel 16:11:00 5 comentários Links para este post
...para bellum
No Expresso de hoje, um certo Vítor Ramalho cuja notoriedade, para mim, apenas advém de o ver sempre, sempre, ao lado de Mário Soares, assina um pequeno texto para-bélico, em que apela a “Tercer armas”.
A expressão soou-me a zumbido de mosca, antes de sair a asneira e fui ver, no dicionário, a expressão “tercer armas” não existe, porque a palavra certa para o verbo correcto é “terçar”. Sempre foi, aliás. Vindo de um étimo latino que se declina a partir de “tertio”.
Então, por que razão deixou o Expresso passar a aleivosia?! Para mostrar que um deputado não deveria passar além da chinela?! É escusado responder, para dizer que o roto se ri do esfarrapado e que “para-bélico” não existe…
Publicado por josé 16:02:00 6 comentários Links para este post
'Servir Portugal' ?
No comício da rentrée, José Sócrates não resistiu a começar pelo fim. Ou seja, usou a candidatura do seu partido a Belém para se "escudar" dos escolhos evidentes destes primeiros meses de governação. Nunca é demais lembrar que Soares "apareceu" na sequência da "crise" Campos e Cunha e imediatamente após a entrevista "presidencial" de Freitas do Amaral. O pesado véu que a sua simples presença em cena representa, "alivia", por ora, o primeiro-ministro das suas evidentes dificuldades. Eu, no entanto, vejo nisto uma perigosa ilusão. Nem as dificuldades desaparecem por Soares ser candidato, como prevejo que se agravem quando ele tiver necessidade de começar a falar. O "negócio" entre Sócrates e o seu candidato é uma espécie de "pescadinha de rabo na boca" em que qualquer coisa que saia fora do contexto pode ter um efeito contrário ao inicialmente previsto. Preso por ter cão, e preso por não o ter. No meio desta inverosimilhança política, Soares deseja "meter no bolso" Freitas do Amaral, o ministro-fantasma de Sócrates, a pagar agora o preço da sua pusilanimidade "presidencial". Depois de ter torpedeado, com a sua habitual gentileza, Manuel Alegre, Soares precisa de garantir o silêncio comprometido de Freitas do Amaral que talvez tenha finalmente percebido no que é que se meteu com a sua esquizofrénica entrevista de Julho último. Soares, como ontem notava Vasco Pulido Valente, não aprecia ao pé de si quem tenha uma vontade própria. Prefere cortesãos encartados e sabujos inexperientes que ele possa manipular à vontade. Daqui para diante, as coisas não se vão definir a partir de quem é "pró Sócrates", mas a partir de quem é "pró Soares". O "regime", não lhe bastando o estado em que está, ficou prisioneiro da aventura narcísica e fantasiosa do dr. Mário Soares. Lá pelo meio "anda" o governo do país e a sua putativa "autoridade". Chama-se a isto "servir Portugal"?
in Portugal dos Pequeninos
Publicado por Manuel 12:34:00 1 comentários Links para este post
salon.com
'The culture war over Katrina'
Right-wingers point to blacks looting and see a Hobbesian war of all against all. Liberals see a failure of civilization to help the poorest among us.
To make the case for a strong sovereign, Thomas Hobbes (1588-1679), whom many consider Britain's greatest political philosopher, asked his readers to imagine what would happen in a state of nature. Without authority, he wrote, there would be a perpetual war of all against all, and the conditions of life would be "nasty, brutish, and short." We no longer have to imagine a state of nature; in the wake of Katrina's devastation, we see one raging full force in our own country. Remove authority, and what you get is what you see: Although there exists a remarkable amount of heroic self-sacrifice and care-giving beyond dedication in New Orleans, humanity's most altruistic instincts are overwhelmed by images of looting, rape, vigilantism, starvation and death.
Responses to Katrina, like responses to Hobbes, can be divided into two broad camps. There are those who say that a state of nature reveals humanity as it really is; we are little more than animals, depraved creatures burdened by sin and self-interest and desperately in need of the firm guidance that only a deity or armed force can provide. For others, by contrast, the state of nature is a reminder of where we would be if we had not invented civilization; we are not animals driven by nature but builders of societies capable of keeping nature at bay. Reminded by anarchy of what a precious achievement civilization is, we transform examples of humans acting at their worst to do everything in power to help them act their best. [continua aqui]
Ainda a propósito do Katrina, Vital Moreira, herói da República e ex futuro candidato presidencial, assinou uma prosa perversa e relativista, cheia de ressentimentos. Diz ele...
Sectarismo
Há pessoas que passaram estas semanas a catar todas as oportunidades, ou mesmo sem elas, para condenar as falhas (as reais e as imaginárias) da luta contra os fogos florestais em Portugal, mas quando alguém, ecoando aliás os media norte-americanos, critica entre nós as monumentais falhas da entidades responsáveis em relação ao furação Katrina, logo surge a inevitável acusação de "antiamericanismo"! Haja paciência para tanta duplicidade...
À boleia do Katrina Vital contextualiza - relativizando as críticas - o escândalo - anual - dos incêndios, determinístico, face às 'monumentais falhas da entidades responsáveis em relação ao furação Katrina' nos EUA! É que se tal catástrofe era espectável num futuro indeterminado o facto é que ainda não tinha acontecido nunca, o que não se pode dizer dos incêndios, recorrentes, ano sim, ano sim.
[ sobre os incêndios Vital esquece-se que a incompetência na casa do vizinho não é desculpa, nem pode ser, para o nosso próprio desleixo e incúria, não vou sequer entrar no capítulo da mercearia onde se poderia, até, demonstrar com números que - a prazo - os danos na nossa economia provocados pela catástrofe dos incêndios são percentualmente maiores que o abanão que a economia dos EUA está sofrer...]
Das muitas lições, e há muitas a retirar, que desde já se podem obter da tragédia que se abateu sobre os EUA há uma que convem reter - não dá para confiar na sorte, e há que estar sempre preparado para o pior, algo muito útil para um país - o nosso - que faz do nacional porreirismo ideologia do regime e onde caem pontes sem necessidade de furacões tropicais. O que está em causa não é a crítica, a perplexidade, às tais falhas, é estas serem usadas como pretexto - hábil - para criticar uma alegada superiodade moral americana, e desculpar as nossas próprias falhas. Ora, nenhuma daquelas falhas, e a lógica que as catalizou, é um exclusivo americano, sendo que onde alguns - rápidos - veêm negros a sofrer, eu vejo cidadãos americanos, sendo que os que agora mais depressa notam a cor de alguns dos mais pobres (ecoando aliás uma cassete da extrema direita americana...) são os mesmos que de cada vez - cá - que há arrastões, ou disrupções similares, omitem e branqueiam a cor dos participantes. Nem na América, nem em lado nenhum, há, ainda, uma sociedade sem pobres, sem excluídos, pelo que a pergunta que todos deveriamos fazer, antes de atirar com pedras (e algumas são mais que justas, note-se) é...
e se fosse cá ? se (por absurdo) 1755, o terramoto, se repetisse, estavamos preparados ? seria diferente ?
É óbvio que é mais confortável andar a discutir apenas a cor dos mais pobres, como se os pobres, enquanto pobres não sejam todos iguais, independentemente da côr, raça, sexo ou credo. Na América há vidas que valem mais que outras, sendo a côr certamente um dos parametros, mas cá, também não é assim ? Com a cor, o apelido, a zona onde se teve a sorte de nascer, e por aí fora ? É óbvio que o modelo americano, e ocidental, de desenvolvimento tem falhas, como todos, infelizmente, mas ninguém as tem discutido seriamente, há apenas apontares de dedo, neste quintal à beira mar plantado, e basta ler o texto que se citou ao início para se perceber da distância que vai entre o nível do debate lá e cá...
Publicado por Manuel 04:23:00 11 comentários Links para este post
O mensalão
Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve
Você pode e você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu
Num quer dizer que você tenha que sofrer
Até quando você vai ficar usando rédia
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédia
Pobre, rico ou classe média?
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura
Até quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?
Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente
Seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
Você tenta ser contente, não vê que é revoltante
Você tá sem emprego e sua filha tá gestante
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
Você que é inocente foi preso em flagrante
É tudo flagrante
É tudo flagrante
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?
A polícia matou o estudante
Falou que era bandido, chamou de traficante
A justiça prendeu o pé-rapado
Soltou o deputado e absolveu os PM's de Vigário
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?
A polícia só existe pra manter você na lei
Lei do silêncio, lei do mais fraco:
Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco
A programação existe pra manter você na frente
Na frente da TV, que é pra te entreter
Que pra você não ver que programado é você
Acordo num tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar
O cara me pede diploma, num tenho diploma, num pude estudar
E querem q'eu seja educado, q'eu ande arrumado q'eu saiba falar
Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá
Consigo emprego, começo o emprego, me mato de tanto ralar
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar
Não peço arrego mas na hora que chego só fico no mesmo lugar
Brinquedo que o filho me pede num tenho dinheiro pra dar
Escola, esmola
Favela, cadeia
Sem terra, enterra
Sem renda, se renda. Não, não
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?
Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doeça sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro
Até quando você vai levando porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai ficar de saco de pancada?
Até quando você vai levando?
Gabriel, o Pensador
Publicado por Carlos 01:35:00 0 comentários Links para este post
CRIME! disse ele
Publicado por Manuel 01:16:00 10 comentários Links para este post

A hand-painted sign outside a New Orleans business warns away looters in the wake of Hurricane Katrina Thursday, Sept. 1, 2005. Ethicists and social psychologists said in interviews that rules of human behavior _ including respect for others' property and for social order itself _ dissolve quickly in desperate circumstances like the storm's aftermath. (AP Photo/Bill Haber)
Publicado por Manuel 19:38:00 1 comentários Links para este post
a linguagem da selva
Vital Moreira resolveu, no seu blog semi-pessoal intitulado causa-nossa (!) dedicar um pequeno postalzinho endereçado a incertos, intitulado “desprezo” e que não custa reproduzir...
Há para aí, na blogosfera, uns mabecos (como diria o saudoso Joaquim Namorado), por vezes anónimos, que se dedicam regularmente a tentar morder-me as canelas. Em vez de criticarem ideias e refutarem argumentos (para o que lhes falta estofo), chamam nomes feios aos adversários. Como não recorro aos mesmos métodos, ignoro-os. Voto-os ao desprezo que eles merecem.
Perante a virulência da objurgatória intelectualmente caucionada, mas nem por isso menos injuriosa, a contradizer nos próprios termos o propósito do postalzito despeitado, poderia a mesma autorizar a que se lhe chamasse “macaco” e ficaríamos talvez todos excitados e empatados, num putativo rincão de selva africana, a ulular injúrias uns aos outros.
Fica mal, porém. Nem o professor merece, nem o discurso apetece. Pelo menos a mim que nem me sinto aqui com o ar de mabeco, por nem o ter ofendido, e que conheço o professor, enquanto ele, um pouco mais velho que eu, já nos apontava, de óculos montados em bigode de época, nos Gerais de Coimbra, numa qualquer sala Marnoco e Sousa, as referências exigíveis para sustentar que...
Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular empenhada na sua transformação numa sociedade sem classes.
Esta expressão, que Vital Moreira, constituinte de 1976, ajudou a verter no texto Constitucional, logo no artº 1º da Constituição então aprovada, não ficou órfã e para a paternidade ficar mais clara, escorou-se a mesma com um artº 2º que rezava assim (!!!) ...
A República Portuguesa é um Estado democrático (…) tem por objectivo assegurar a transição para o socialismo mediante a criação de condições para o exercício democrático do poder pelas classes trabalhadoras.Este texto, vigorou tal e qual, durante anos a fio, até 1989, com o inteiro aplauso e a vigilância constitucional de Vital, então membro aguerrido e destacado do Partido Comunista Português (tal como aquele incrível Pina Moura, delfim de Álvaro Cunhal) e que aliás, a partir dessa data foi abandonando, não se sabendo muito bem se por esforço reflexivo se por reflexão esforçada. No entanto, ele e um grupo como ele, resolveram publicar documentos e até um livrito de Reflexões sobre o PC, em vésperas do Congresso de, de... 1990, salvo erro. 1990, senhores e senhoras!! Foi ontem…
O partido que acolheu uns bons anos da vida de Vital e de outros como o incrível Pina Moura, viu-se então alvo das investidas intelectuais de Vital que descobria nessa época gloriosa, que o marxismo-leninismo era “uma inanidade”. Mas…nuance! Mesmo então, Vital não desdenhava do conceito matricial e afirmava-se, ainda, garbosamente “comunista”! Só exigia do PC pós queda [do muro], a sua “desconfessionalização” e a “democratização”!! Pasme-se! Em mais de uma dúzia de anos de militância nunca percebera essas características intrínsecas ou conformara-se com elas, o que redunda na mesma limitação de entendimento.
Como se sabe, o PCP deu pleno andamento às críticas de Vital e do grupo dos seis, e basta olhar para a figura retórica de Jerónimo de Sousa para entender a evidência.
E nesse desvio de rota, onde foi parar Vital, depois da frustrada “desconfessionalização” e democratização, do seu antigo seio político-maternal? Ficou na paragem mais lógica e que dava acesso a lugares de poder amplamente desconfessionalizado e democratizado. Tal como o incrível Pina Moura, parece que parou no Rato.
À míngua de renovar o PC, foi o partido quem o renovou, tornando-o neófito, malgré lui, de novos credos, companheiros e estratégias.
E é nesse papel de cristão novo que se nota o empenho, muitas vezes à outrance, na defesa da nova cartilha. E é nessa defesa que o excesso se mostra e vem novamente ao de cima a revelha táctica de desqualificação do adversário ou do simples interlocutor: ou é por ser anónimo, ou por lhe querer morder as canelas (!) ou por dá cá aquela palha que o atinge numa susceptibilidade despropositada e de desajeitada prima-donice.
Pelo simples facto de se ter enganado uma vez, séria e gravemente, num percurso político, tal circunstância deveria obrigá-lo a um maior respeito por quem sempre pensou como ele pensará agora - com as ideias mais claras sobre a tal democratização e “desconfessionalização” e por isso, ficará diminuído sempre que procurar diminuir intelectualmente os outros, atirando-os sumariamente para a selva de um desprezo que aparentemente cheira a despeito mal disfarçado.
O povo costuma dizer que só não muda quem é burro. E Vital, apesar de tudo, não costuma relinchar baboseiras e merece por isso respeito intelectual, pelo menos. Que deve ser mútuo, entre blogonautas, sem prejuízo da linguagem, que por vezes se apimenta na retórica, se tornar mais agreste.
Quem não gostar, pode protestar, mas se o fizer em termos de linguagem de selva, está a autorizar o confronto… verbal, desnecessário e inútil. Mas duro, como é uso na selva.
Publicado por josé 17:47:00 22 comentários Links para este post
Quando tudo se desmorona
A calamidade causada pelo furacão Katrina trouxe à superfície as divisões raciais e de classe que continuam a ser uma característica da sociedade norte-americana.
Se é verdade que as câmaras de televisão podem distorcer a verdade ao concentrarem-se num aspecto de uma realidade mais vasta, em Nova Orleães não se pode contornar o facto de serem negros e pobres a esmagadora maioria dos deslocados que não têm para onde ir.
Centenas, senão milhares, de norte-americanos de todas as raças perderam os seus haveres e familiares em várias zonas do Alabama e Mississipi, mas são as imagens da cidade de Nova Orleães com milhares de negros isolados, desesperados e em alguns casos a pilharem lojas, farmácias e lojas de armas de fogo que têm enchido os noticiários das cadeias de televisão, fazendo lembrar cenas até agora vistas em locais distantes como a Libéria.
Isto reflecte claramente a pobreza da população negra nas grandes zonas urbanas dos Estados Unidos, tornada mais visível em Nova Orleães por ser uma das cidades norte-americanas onde a maioria da população é negra e onde 33 por cento da população total vive na pobreza.
"Nova Orleães é uma cidade dividida em duas: uma relativamente rica, pequena, e bonita, que é predominantemente branca, e outra que é pobre, grande e feia e é quase totalmente negra", escreveu o comentarista Eugene Robinson.
Dados estatísticos indicam, com efeito, que 67 por cento por cento da população de Nova Orleães é de raça negra. Das sete zonas mais afectadas pelas inundações, cinco são de maioria negra e a pobreza, aí, abrange 34,6% da população, segundo as estatísticas oficiais.
Estes números, no entanto, não reflectem os altos níveis de pobreza em certos "bairros negros" da cidade afectados pelas cheias. Na zona central da cidade (Central City) que está debaixo de água, 87 por cento da população é de raça negra e 50 por cento vive na pobreza.
in Portugal Diário
São situações como esta que me fazem recordar o que aconteceria num caso de calamidade total imaginada por José Saramago em «O Ensaio Sobre a Cegueira», sem dúvida o seu melhor livro. Quem já leu, por certo se recorda. Quem ainda não leu, deve fazê-lo rapidamente. É universal e obrigatório.
Nem simpatizo com a figura, mas enquanto escritor tem méritos indiscutíveis. Há três ou quatro obras dele que me marcaram profundamente: além de «O Ensaio Sobre a Cegueira», também o «Memorial do Convento» e «O Ano da Morte de Ricardo Reis» são livros magníficos. É, sem dúvida, um caso em que o escritor se sobrepõe, em muito, ao homem.
Publicado por André 17:19:00 7 comentários Links para este post
sem condições ?
Se, por absurdo, no original em inglês da mensagem de condolências e solidariedade enviada pelo presidente Sampaio ao seu homólogo americano estiverem de facto as expressões 'shock and awe', nome de código dado recentemente a uma certa intervenção militar norte-americana, se a expressão 'assombro e choque ' derivar de um texto 'oficial' da Presidência da República, então - pura e simplesmente, Jorge Sampaio não tem mais condições para exercer o cargo. Mais, caso se - por absurdo - tal se confirmasse só me restaria afirmar que nesse caso teria nojo de o ter como PR. Aguarda-se um esclarecimento.
Publicado por Manuel 16:32:00 7 comentários Links para este post
a inveja...
... é dos sentimentos mais antigos. Há por aí quem se espante com a reação à tragédia que se abateu sobre os EUA, derivada do furacão Katrina, mas tal reação é normal e natural, nos tempos que correm. É a mesma de quem se sentia reconfortado, nos circos romanos, por ver outros pior, na arena, é a de quem se sente secretamente feliz, por ver o gigante sangrar, ingratos, são como aquele dirigente político do Kuwait 'libertado' que vê no furacão um agente da vontade de Alá, é a mesma reacção de quem, doente, fica feliz por também os outros ficarem doentes, é uma reacção infantil, mesquinha, primária de terra queimada, e é uma doença da civilização. Só e apenas.
Publicado por Manuel 15:58:00 4 comentários Links para este post
'nova' quê ?
As águas continuam agitadas no PSD, pese a mais que certa vitória autárquica, que muitos dirão ser apesar de Marques Mendes, o facto é que a intriga interna está muito longe de ter terminado. Nos últimos tempos tem-se sedimentado um grupo eclético de profissionais, que estiveram com Barroso e Santana, e depois orfãos destes, e que agora sentem chegada a sua hora. Modestamente, classificam-se com a nova 'Nova Esperança' do PSD e estão dispostos - vá lá, cada vez mais às claras - a disputar a liderança do PSD, primeiro e país, depois. Temos assim, como cabeças de cartaz, nomes como Nuno Morais Sarmento, José Luis Arnaut, José Correia e Miguel Relvas e Rui Rio, sendo o primeiro e o último putativos candidatos a líderes do PSD. Ainda não perceberam que há uma diferença entre ser-se parte do problema, e parte da solução.
Publicado por Manuel 15:42:00 2 comentários Links para este post
fair play
Fiz o que pude - reconheço que podia muito pouco... - para convencer o dr. Mário Soares a não ser, uma vez mais, candidato a Belém. Tratou-se de meia dúzia de conversas de amigos, em que as negativas de Soares nunca me pareceram definitivas - para minha preocupação e para alegria de outros amigos que tinham opinião diferente. Referência política e cívica da minha juventude, pensava - e penso - que Soares merecia ser poupado a este último esforço e que já tinha dado à Democracia e à República um contributo ímpar e irrepetível. Não foi essa a sua vontade íntima. Por «culpas» próprias e alheias, Soares vai, uma vez mais, fazer o que gosta e o que sabe, como ninguém. E reconheço, sem qualquer dúvida, que o movem os propósitos de sempre. Por isso terá o meu voto. No entanto, se perder para Cavaco, desde já afirmo que não terei insónias...
Bettencourt Resendes
Publicado por Manuel 15:26:00 8 comentários Links para este post
Ora aqui está uma sugestão!
E se os media deixassem de ser “todos iguais” e começassem a debater os Concelhos verdadeiramente problemáticos nas questões fundamentais como a Segurança?. Antes que a insegurança lhes bata à porta?. É que se continuam com a mesma atitude, quando o crime alastrar talvez consigam vender mais jornais e tempo de antena com as notícias correspondentes...mas os seus jornalistas não terão a certeza de regressar a casa descansados!
António Neto da Silva
Publicado por contra-baixo 15:15:00 2 comentários Links para este post
Media Capital/TVI/Prisa
'contingência e risco de perda das identidades editorial e nacional'
Há pouco menos de um mês chamou-se, por estas bandas a atenção, a propósito da anunciada entrada dos espanhóis da PRISA na Media capital/TVI para um mensalão à espanhola, seus entretantos e preâmbulos, e até se alertou para preparos de potenciais 'coisas' parecidas por cá. No mainstream Eduardo Cintra Torres pegou bem no assunto , e Marques Mendes primeiro bem e depois desastradamente, mas a coisa foi correndo, sem escândalos e indignações de maior. Até ontem. Ontem, João Van Zeller, um dos homens fortes da Media Capital, accionista e administrador, demitiu-se, com estrondo.
Na TVI desde 1992, Van Zeller, que já foi responsável pelos pelouros financeiro e jurídico, justifica a sua saída, que rotula de “pacífica”, pela “contingência e risco de perda das identidades editorial e nacional”. No comunicado que veicula a sua posição, a agência de comunicação Weber Shandwick/D & E frisa que a saída surge “na sequência das alterações desenhadas para a estrutura accionista da Media Capital”. Reconhecendo o negócio da Media Capital com a Prisa como “genial, do ponto de vista empresarial”, Van Zeller não deixa de antever potenciais riscos decorrentes da operação com o grupo espanhol: “A independência editorial dos títulos da Media Capital pode vir a ser posta em risco”, admitiu ainda. Já sobre o grupo espanhol que detém o diário ‘El País’, é muito claro: “São conhecidas as afinidades políticas da Prisa, com o PSOE, e não subscrevo essa linha editorial. Não posso partilhar a gestão de uma empresa com estas contingências”, reforça, confirmando manter-se como accionista do grupo, mas “sem nenhum tipo de intervenção”.
Confesso que estou surpreendido por ainda ninguém ter exigido a presença de Zeller numa comissão parlamentar, e mesmo na AACS, já que o corolário lógico das suas declarações, conhecida que é a 'mediação' de Sócrates - e do Governo, e sem cujas garantias provavelmente nunca haveria uma consumação do negócio - na aproximação da PRISA à Média Capital, configura uma intervenção gravíssima do Estado, um abuso de poder inaceitável, num sector fundamental, como o da comunicação social, a qual pode resultar - segundo vozes insuspeitas - numa perda da liberdade e independência editorial de um dos maiores grupos media portugueses, e que transforma as pantominas de um tal Rui Gomes da Silva, que resultaram na saída de Marcelo da TVI numa brincadeira de crianças. Jorge Sampaio também vai estar calado, e não vai chamar ninguém a Belém. Portugal é assim.
Publicado por Manuel 12:21:00 6 comentários Links para este post
A declaração de candidatura de Mário Soares é uma peça política excelente: mostra como se pode falar tanto, de tantas coisas importantes, sem dizer rigorosamente nada de importante sobre eles.
Inês Serra Lopes
Publicado por Manuel 12:00:00 3 comentários Links para este post
no se pasa nada
quinta-feira, setembro 01, 2005
Publicado por Manuel 23:40:00 3 comentários Links para este post
sinais
Bloggers, Citizen Journalists See Katrina From The Inside
Bloggers and other citizen journalists have once again proven the growing importance of the Internet in covering the biggest news events, contributing heart-wrenching, personal accounts in living the tragedy from Hurricane Katrina.Along with first-person descriptions of relief efforts, looting and flooding in New Orleans, bloggers living in the path of the hurricane have steered readers to information ranging from the latest news reports and warnings from government officials to advice on filing damages with an insurance company.
"Traditional journalism is the outside looking in," Mitch Gelman, executive vice president of CNN.com, said. "Citizen journalism is the inside looking out. In order to get the complete story, it helps to have both point of views."
continua aqui
Publicado por Manuel 23:05:00 1 comentários Links para este post
a ler...
O post de "adkalendas" sobre o desemprego dos professores que não obtiveram colocação. Acrescentaria, para além das razões expostas, que esta situação decorre do laxismo com que se aprovaram, um pouco por todo o lado, cursos superiores de formação de professores, quando já se antevia a regressão da população escolar. Um outro problema: a mim ninguém me diz que os milhares de professores que estão agora no desemprego não são melhores profissionais do que alguns que conseguiram colocação. Falta completar o sistema de concursos com um novo modelo de recrutamento que permita aferir do mérito e qualidade de quem entra na carreira.
David Justino
Publicado por Manuel 20:27:00 8 comentários Links para este post
O "centro moderado"
Publicado por João Gonçalves 19:38:00 4 comentários Links para este post
promiscuidade, factos e 'ficção'
- Luis Delgado está a negociar com a PT a rescisão do vínculo que o ligava a esta, enquanto presidente do CA da Lusomundo Media, entretanto vendida a Joaquim Oliveira.
- Luis Delgado ontem, no DN, apontava Nuno Morais Sarmento como 'um nome de futuro, credível, carismático e com capacidade de liderança', do PSD e do País.
São factos... Já só pode ser ficção que...
- Luis Delgado peça qualquer coisa como 300 000 €uros para 'sair'.
- Luis Delgado seja representado nas negociações com a PT por um advogado chamado... Nuno Morais Sarmento, ex ministro que tutelou a Comunicação Social e pela mão do qual aterrou na Lusomundo, vindo da Lusa.
Publicado por Manuel 19:01:00 5 comentários Links para este post
um livro, um filme
'Frio', desencantado, súbtil, e no entanto a transbordar de esperança, é assim o "The Constant Gardener" de Le Carré. Agora em filme, a não perder, por gente de esquerda e de direita.
Publicado por Manuel 15:46:00 1 comentários Links para este post
voluntarismos
O INEM e a Liga dos Bombeiros andam outra vez às turras, e já há ambulâncias paradas. O lítigio pode ser visto como mais uma guerra de capelinhas, entre o MAI e o M. Saúde, por entrepostas partes, ou... como uma oportunidade de repensar todo o funcionamento dos bombeiros (voluntários) em Portugal. Pese o voluntarismo, pese a dedicação, será desejável e responsável que uma parte fundamental da infraestrutura de imergência seja had-hoc e dependente da carolice de uns tantos ? Já era altura de um debate sério, e a sério, sobre o tema.
Publicado por Manuel 13:19:00 8 comentários Links para este post
'exigência'
Soares deixou, porém, uma porta entreaberta para Cavaco - o discurso da exigência. Uma exigência, uma necessidade de rigor, que Cavaco poderá contrapor ao facilitismo que certamente colará a Soares. E se é certo que Portugal necessita de optimismo, mas também de exigência, resta saber por que discurso optarão desta vez os portugueses
João Morgado Fernandes, editorial DN
Publicado por Manuel 13:01:00 8 comentários Links para este post
água fria
Se as próximas presidenciais se resumirem a um duelo, combate 'esquerda'/'direita' então Soares, e a esquerda, tem boas hipóteses de ganhar, até porque, apesar de Cavaco ser o candidato, as direitas andam a precisar de uma 'lição definitiva' usando as palavras do Francisco José Viegas. Já, se Cavaco colocar a eleição presidencial como um confronto entre duas formas de fazer política, entre o passado e o futuro, a realidade (porventura dura) e a ficção (delicodoce) entre a defesa de reformas e a recusa destas, Soares não terá qualquer hipótese. Goste-se ou não, há reformistas e inconformados à esquerda e à direita, há quem não se resigne em todos os quadrantes, e é a esses que Cavaco tem primordialmente de se dirigir. A candidatura não pode ser uma candidatura alienante em que há uma casta aristocrática de eleitos que periodicamente se dirige, com tédio e (in)contido desprezo, ao povo, como a de Soares, mas algo de inclusivo que faça ver às pessoas que o seu voto conta, e que sobretudo as faça voltar a acreditar na política.
Publicado por Manuel 10:41:00 11 comentários Links para este post
he's back
Francisco José Viegas, num blog perto de si.
Publicado por Manuel 01:38:00 0 comentários Links para este post


