bater no fundo
sábado, agosto 27, 2005
Presidente do governo regional da Madeira diz que não embarca em «aventuras ibéricas» e que se for para isso, está preparado para seguir caminho sozinho
in Portugal Diário
Sempre gostei de desafios. Acredito que Portugal não está condenado a ser governado por políticos cuja única finalidade é preservar o sistema para beneficio de meia dúzia.Tenho para mim que é imperiosa uma mudança de atitude, de padrão de comportamento na arte da política. Em Setembro decidirei, definitivamente , qual a posição que vou tomar. Depois de pesar bem as implicações que qualquer atitude tem nas várias batalhas em que estou envolvido, ou seja, qual a repercussão que terá em 3 grandes processos que tenho em mão e que exigem de mim muito, pois não quero, nem posso, quebrar as esperanças que em mim depositaram os meus clientes.
Se me candidatar, a aposta é numa nova atitude, mais ética, mais humana, mais em prol dos interesses nacionais (...). Eu acredito que os portugueses são capazes de desenvolver o país , de criar riqueza para todos, de contribuir para uma mudança de sistema político e da forma de fazer política em Portugal, privilegiando a co-responsabilização do PR pelas políticas governamentais (...). O PR não pode ser uma espécie de rei, que é o que é em Portugal, servindo para cobrir a actuação do Primeiro Ministro, mas ficando sempre de fora quanto a responsabilidades pela catastrófica política que tem sido seguida nas últimas décadas.
José Maria Martins (proto candidato a PR)
Cidadania não é isto.
Publicado por Manuel 15:05:00 9 comentários Links para este post
'A ficção'
É confrangedor, e digo isto para não ser indelicado, ver confirmadas pelo próprio as piores expectativas em relação à "autoridade nacional de combate aos incêndios florestais". De facto, o General Ferreira do Amaral, numa curtíssima entrevista ao Expresso, explica delicadamente a função ornamental da sua "autoridade". "Eu estou aqui para dar apoio moral", para "sensibilizar" e para "motivar", diz candidamente o General. Pelo meio, confessa que não tem nenhuma "estrutura" ou "meios" que ultrapassem um patamar meramente risível. Pelos vistos, o General só serve para "aparecer" e para dar umas pancadinhas nas costas aos comandantes de bombeiros e a estes, correndo, mesmo assim, o risco de se tornar num estorvo. O Estado, cujo crédito anda pelas ruas da amargura nesta matéria, permite e alimenta esta estranha ficção à qual nós apenas assistimos, impotentes e pagantes?
João Gonçalves
Publicado por Manuel 14:20:00 3 comentários Links para este post
sem comentários
A falta de candidatos à GNR obrigou o Governo a abrir um concurso excepcional no qual deixa cair a obrigatoriedade de os concorrentes terem pelo menos dois anos de serviço militar. A decisão foi ontem publicada no Diário da República.
manchete do DN
Publicado por Manuel 00:51:00 8 comentários Links para este post
também estou interessado em saber ...
Publicado por contra-baixo 00:23:00 1 comentários Links para este post
a estatística, outra ciência exacta ...
In many countries, positive economic statistics have oftentimes reinforced underdevelopment. They have encouraged decision makers to focus their efforts away from the real thing or created the mirage of progress where there was none, discouraging reform. The latest and much-publicized United Nations report on Latin America falls into this category.in Mother Jones
Publicado por contra-baixo 00:07:00 3 comentários Links para este post
o direito, essa ciência exacta...
sexta-feira, agosto 26, 2005
Depois de o tribunal ter indeferido um primeiro pedido de impugnação das listas socialistas por parte do presidente da concelhia local do PS, por entender que este não tinha legitimidade para o efeito, a estrutura concelhia requereu uma reapreciação e esta sexta-feira um outro juiz decidiu revogou o primeiro despacho e reconheceu a legitimidade activa da concelhia para impugnar a regularidade do processo referente à candidatura socialista à autarquia.
in Portugal Diário
Publicado por Manuel 21:07:00 5 comentários Links para este post
A Ota bate com a perdigota
Afinal, os blogues andam mal informados. O Portugal Diário teve acesso a um estudo abrangente que conclui que o novo aeroporto da Ota gerará um "elevado volume de emprego e qualificação da mão-de-obra", além de vir a constituir uma "oportunidade de requalificação de paisagens degradadas e de melhoria da atractividade dos espaços públicos", colhendo sem surpresa a simpatia da esmagadora maioria dos autóctones (estes devem ser de fora).

Publicado por Nino 20:30:00 20 comentários Links para este post
O nacional porreirismo

Publicado por Carlos 20:24:00 0 comentários Links para este post
as coisas como elas são
Sócrates e o PS começaram por desvalorizar politicamente esta realidade, no final de Julho e nas primeiras semanas de Agosto. E, na prática, acabaram por subestimar irresponsavelmente a dimensão da calamidade. O Governo reagiu tarde, mal e sempre a reboque dos acontecimentos. Na coordenação política e operacional do combate às chamas, na avaliação dos riscos e dos prejuízos ou no pedido de auxílio internacional de meios aéreos.
Nesta quinta-feira, dia 25 de Agosto, com a época de fogos já perto do final, José Sócrates levou o Conselho de Ministros a aprovar uma resolução que «dispensa do serviço os bombeiros voluntários que sejam funcionários públicos, para colaborar no esforço do combate aos incêndios». O país, em parte reduzido a cinzas, não deixará de avaliar o alcance deste gesto. A sua oportunidade. E o que significa, politicamente.
José António Lima, Expresso Online
Publicado por Manuel 20:01:00 2 comentários Links para este post
a task-force
Assentarm neste blog, e podem ser lidos nos comentários, elementos de uma nova task force, criada por este governo (?), cuja missão será (?) a de elevar a auto-estima dos internautas portugueses, e em particular dos nossos leitores. Assim podem ler-se pérolas como...
A economia pode estar em crise, mas o regime não. Tudo funciona normalmente. Com a burocracia do costume, é certo, mas normalmente. E as reformas profundas de Sócrates estão a mudar o horizonte, para melhor. Um regime democrático como o nosso tem sempre meios de se auto-regular e regenerar, se for o caso.
Se virmos certos rankings internacionais sobre transparência e corrupção, Portugal aparece bem colocado, no bom sentido, bem acima de alguns países mais evoluídos, como França, Itália, etc. Há meses vi um ranking onde Portugal aparecia em segundo lugar entre dezenas de países, logo a seguir aos Estados Unidos. Noutros rankings aparece nos dez ou vinte primeiros lugares.
Portanto o regime está de boa saúde e internacionalmente assim é reconhecido. E temos uma das imprensas mais livres do mundo (entre as cinco mais livres), segundo a Associação Internacional dos Jornalistas. Mesmo a economia tem desempenhos semelhantes a vários países europeus, com mais tradição democrática e com outros argumentos económicos, casos de França, Itália, Alemanha, Holanda, etc..
Muitos fascistas e estalinistas é que andam a vender esta da crise do regime para ver se inventam um golpe de Estado ou uma mudança brusca que ponha os amigos no poder. Fingidos de democratas, obviamente.
Portanto, este blog de JG deve ser deitado ao lixo depois de lido. Expressa uma opinião que não tem nada a ver com a realidade do país. País que progrediu mais em trinta anos do que em séculos. E porque foi e é assim o povo escarra nos inventores de crises de regime. Ainda bem.
Mais palavras para quê ?
Publicado por Manuel 19:46:00 16 comentários Links para este post
'malabarismos'
Num violento editorial, hoje no Público, Nuno Pacheco desanca num dos dois autarcas favoritos das élites lisboetas - Avelino Ferreira Torres (o outro é o major Loureiro). Nuno Pacheco escandaliza-se com uma habilidade de Avelino, candidato à Câmara Municipal de Amarante, que para efeitos de apresentação de contas ao Tribunal Constitucional apresentou as despesas da sua candidatura independente como sendo de... duas candidaturas dispares, uma à Câmara Municipal e a outra, à Assembleia Municipal. Desta forma Avelino pode gastar o dobro do permitido por Lei, não violando a letra mas assassinando o espírito. E Nuno Pacheco termina questionando(-se) 'Será possível corrigir a desvergonha ?'. É, claro que é, quando se tiver coragem de não olhar apenas para questões avulsas em deterimento da floresta, e esta é uma quesTão avulsa. Até, porque do ponto de vista da chico-espertice esta, mais uma, golpada de Avelino não é em nada diferente, no espírito, da feita pela candidata do CDS/PP à Câmara de Lisboa ao ter um mandatário no papel, e outro na prática, e, nessa altura, não me lembro, se calhar distração minha, de ver quaisquer indignação... Nuno Pacheco ignora as razões profundas da atracção - muito pragmática - que muitos tem pelos avelinos deste mundo, os seus eleitores conhecem-lhes os defeitos, sabem dos desvios, mas os avelinos 'trabalham' e 'roubam' para eles, são os 'ladrões' deles, por oposição aos outros, aos de Lisboa, que se sabe que existem, que só se conhecem da televisão, mas que não se misturam com o povo nem vão à Quinta das Celebridades. Enquanto existir esta dualidade de critérios, entre os grunhos, e os outros, os de colarinho branco, não se vai a lado nenhum, apenas se glorificam - na prática - ainda mais os chico-espertos que dão baile às leis de Lisboa.
Ainda sobre Avelino Ferreira Torres há que convir que, num ponto, o Público tem vido a fazer absoluto serviço público. A descrição que vai fazendo do desenrolar das investigações áquele autarca valem mais que mil entrevistas, como a de ontem publicada na Visão. Não há insinuações, palpites nem insinuações, apenas a crueza, e rudeza, dos factos.
Publicado por Manuel 19:02:00 1 comentários Links para este post
dois pesos, duas medidas
Ontem, na sequência da entrevistazinha de Paulo Morais à Visão, caía o Carmo e a Trindade. Foi pedida a intervenção da PJ pelo PSD/Porto, e a PGR e o IGAT acharam por bem intervir, não se sabe para quê, já que o próprio Paulo Morais hesitou no diagnóstico, nas suas próprias palavras «há projectos imobiliários que só podem ter sido aprovados por corruptos ou atrasados mentais», e proclamado herói. A propósito dessa entrevista, Miguel Carvalho, da Visão, cândidamente, apela ao civismo das massas, diz ele..
Enquanto cidadãos temos agora mais uma boa oportunidade de fazer chegar aos investigadores todas as pistas e tudo o que sabemos sobre situações que Paulo Morais tipifica. Se continuarmos a cochichar e a falar do que sabemos entre um café e duas de treta, Portugal continuará, isso sim, a ser um País de treta.
Tão lestos a elogiar os «mensalões» dos outros, somos mais rápidos a censurar e a tentar calar quem dá pistas para muitos «mensalões» à portuguesa. Se outros Paulos Morais falarem, mais se saberá e talvez mais se investigue. Até alguém tentar fugir com dinheiro nas cuecas será uma questão de tempo.
Poético, mas, a não ser que Paulo Morais de facto fale, a sério, em sede própria, a entrevista dele não passou de mais um cochicho. Porque 'pistas', e impressões, praticamente toda a gente tem, e é por o ter que o descrédito do sistema está como está. As pessoas não querem mais que lhes apontem o óbvio, as pessoas querem resultados. Miguel Carvalho contenta-se em que se saiba, e espera que 'talvez mais se investigue' (note-se o talvez) mas, esquece-se que já toda a gente sabe, toda a gente sente, e de, uma forma ou outra, todos já convivemos com isso. Esquece também que o drama não é apenas as coisas funcionarem mal e perfidamente é sobretudo as pessoas não acreditarem na maior partes das veszes que exista sequer uma solução alternativa. Resignam-se. Dito isto, e sendo patentes que há problemas, que se investiguem exemplarmente os casos já conhecidos, até ao fim, e que se debata sem tabús e sem barreiras uma reforma a sério do sistema político e administrativo. Não basta ansiar por homens providenciais, as coisas são o que são, e o facto é que as regras, as presentes regras, convidam à prevaricação. Para terminar, recordo que há uns anos por causa das declarações de uma jornalista, Helena Sanches Osório, então n 'O Independente, acerca do alegado preço de uma vírgula foi convocada, com grande estrondo, até uma comissão de inquérito parlamentar. Hoje, Bárbara Baldaia, do Diário Económico, também ouviu uma conversa. Ninguém vai pedir a convocação de uma comissão de inquérito parlamentar, a intervenção da PGR, ou sequer à jornalista que clarifique a suspeita que lançou sobre todos os políticos. Duvida-se mesmo que Pacheco Pereira, tão lesto da década de 90, quando líder da bancada do PSD, a 'inquirir' Helena Sanches Osório, se pronuncie sobre o assunto. Voltando a Miguel Carvalho, e ao seu apelo, pertinente, ao civismo das massas, estas se calhar estão à espera, à espera que os jornalistas, e basta olhar para o Brasil ou para os EUA, deixem de comprar tudo feito, de estar à espera de um herói providencial que fale em on e apareça com a papinha toda feita, comecem a fazer verdadeiro jornalismo de investigação. Aliás, onde está o verdadeiro jornalismo de investigação em Portugal ? É que se os jornalistas tem medo, como podem esperar que as tais massas não tenham ?
Publicado por Manuel 17:46:00 7 comentários Links para este post
não é propriamente...
..uma notícia de última hora. É mesmo um post requentado, mas a questão tem gerado dúvidas, interrogações, puras e simples perguntas e até mesmo assomos de serviço público.
Continua a não se passar nada. Esta não interessa a Pacheco Pereira. Nem, pelo que se vê, ao mainstream informativo. Mas que vale a pena reler vale. É educativo.

Publicado por irreflexoes 17:28:00 3 comentários Links para este post
E investigar?
E pôr nomes nas coisas? E dizer, ao menos, quem é o sujeito activo na conversa?Orçamentos de campanha
Acabo de ligar para um dirigente de um dos partidos com representação parlamentar.
Atende-me o telefone desprevenidamente, presumo, tendo em conta o que se segue. Falando com outra pessoa, noutra linha:
-Pois é, 1500 é muito pouco... Vou falar com o (...) para ver se duplicamos isso.
-(Resposta do lado de lá da linha, que eu não oiço)
-Vou fazer uns 'outdoors' pequenos....
-(Resposta)
-Vou-lhe dizer uma coisa... Eu ando a pedir dinheiro aos empreiteiros. Os empreiteiros dão dinheiro a toda a gente
A signatária é, ao que tudo indica, jornalista de profissão. Não é uma reles anónima que possa ser acusada de cobardia, nem que se limite a mandar bocas ou viva a propagar boatos e possa ser mandada para a casota. Portanto, é uma questão de tempo. Esperemos ...
Publicado por irreflexoes 17:01:00 7 comentários Links para este post
A mão esquerda de Deus (II)
Publicado por João Gonçalves 15:13:00 5 comentários Links para este post
sobre a noção das coisas
O DN de hoje, baseado em dados estritamente ciêntificos, e oficiais, anunciou pomposamente, em estridente manchete, que Só 20% dos incêndios [ocorridos este ano] são por fogo posto . Não tenho razões para duvidar dos números, apenas da lucidez da manchete. Esta, e a lógica de que resultou, são o espelho latente do muito que está mal em Portugal, e da patente falta de visão macroscópica dos factos. Quer-se tanto ser preciso, confia-se tanto nos números, nos estudos, nas médias, que se perde a visão global das coisas, o peso relativo destas, e a escala. É que o que interessa saber aos portugueses não é que percentagem dos incêndios resultam de fogo posto, mas, sim que percentagem da área ardida resulta de incêndios comprovadamente derivados de fogo posto, e essa não é... seguramente, 20%.
Publicado por Manuel 13:18:00 3 comentários Links para este post
a esquerda eugénica (para não dizer nazi)
Uma mulher sem nada de especial deverá ocupar a chancelaria da Alemanha, depois das eleições de 18 de Setembro. Uma mulher sem carisma, sem gosto a vestir, insegura na televisão, que repete gafes atrás de gafes, prepara-se para bater o elegante, telegénico e fluente Gerard Schröder. Em condições normais, Angela Dorothea Kasner (Merkel do primeiro marido), nascida em Hamburgo há 51 anos e formada na antiga Alemanha de Leste, seria uma presa fácil para Schröder. Mas o chanceler sofre o desgaste de sete anos em que o desemprego aumentou, a economia quase não cresceu e o modelo social alemão deu sinais de esgotamento.
Mário Rui Cardoso, na Visão (via Acidental)
Publicado por Manuel 13:09:00 2 comentários Links para este post
"Brasileira de 80 anos filma e acaba com rede de droga"
Dona Vitória, nome atribuído pela polícia para protecção desta octogenária brasileira, não se conformava com o tráfico de droga a que diariamente assistia da janela do seu apartamento na Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, Rio de Janeiro. Gritava e insultava os traficantes, atirava-lhes baldes de água, fazia denúncias na polícia. Até esta semana, a única coisa que tinha conseguido foi ver os vidros de casa alvejados por duas vezes.
Decidiu mudar de estratégia: comprou a prestações uma câmara de vídeo e durante dois anos filmou às escondidas o movimento diário de vendedores e consumidores de droga na favela vizinha. Gravou 22 cassetes, com cerca de 33 horas de imagens e os seus próprios comentários às cenas que ia registando. Fê-las chegar à polícia, que, perante as evidências, iniciou a investigação.
Público
Publicado por Nino 08:01:00 7 comentários Links para este post
Três capas completamente, completamente abruptas



Publicado por Carlos 02:28:00 1 comentários Links para este post
Os apitos de ouro
quinta-feira, agosto 25, 2005
Há entre nós um hábito - já com algumas decénias- de execrar bufos e quejandos. As razões são compreensíveis e justificadas para quem sofreu na pele os efeitos da bufaria. Antes de 25 de Abril de 1974, o regime de Salazar e depois o de Caetano, aprimorou as técnicas que também no bloco leste soviético se usavam com grande proveito: apanhar opositores políticos, ainda que meramente putativos. Bastava uma leve suspeita e aqueles que por incumbência escreviam ofícios "a bem da Nação", informavam os poderes constituidos, concentrados na rua António Maria Cardoso em Lisboa, e também no Terreiro do Paço, que determinada pessoa não estava ao serviço do "bem da Nação". Isso constituía um anátema fatal para as aspirações profissionais de quem quer que fosse rotulado pelas informações venenosas. Salazar não tinha pejo em afirmar em discurso que " quem não é por nós é contra nós" e segundo reza a lenda, tinha uma noção precisa de que "em política o que parece, é".
Talvez por força dessas memórias trágicas da repressão derivada do autoritarismo salazarista, levemente suavizado por um Caetano aggiornado aos fenómenos de finais dos anos sessenta, ficou na mente colectiva dos perseguidos pelo regime, o horror ao pide e ao bufo que arruinavam carreiras e pessoas.
Em regime democrático, os antigos reflexos condicionados, continuam a impor uma ética e uma moral que se vai tornando avessa ao próprio costume.
Hoje em dia, na sociedade portuguesa, ainda há quem veja os responsáveis que denunciam desmandos e os apaniguados que resolvem tocar no trombone da denúncia de malfeitorias públicas, como herdeiros bastardos de bufos, pides e até os configuram como fantasmas dos antigos inquisidores, zeladores da ortodoxia.
Em países mais civilizados, porém, não é bem assim que as coisas se passam, pois os fantasmas do passado, não conseguiram penetrar mais do que um nível: o do olvido rápido.
Os americanos, nação com um pouco mais de duzentos anos e herdeiros directos da matriz anglo-saxónica, na religião e costumes, têm uma figura institucionalizada para enquadrar aquelas pessoas que trabalhando no interior de uma organização relvante para o interesse público, se apercebem dos desvios graves que detectam nas estruturas dirigentes. Chamam-lhes WHISTLEBLOWERS! Apitadores! A imagem é apropriada, pois reflecte a noção de que há pessoas que sinalizam publicamente, através de avisos nos media, as faltas graves, no interior das organizações a que pertencem. Públicas ou privadas com relevância pública.
E não ficam pelo informalismo do fenómeno. Enquadraram-no e deram-lhe um estatuto, relevante aliás para a democracia que defendem. Até uma ética lhes arranjaram, que se sintetiza nestes princípios:
- -that the act of whistleblowing stem from appropriate moral motive of preventing unnecessary harm to others;
- that the whistleblower use all available internal procedures for rectifying the problematic behavior before public disclosure, although special circumstances may preclude this;
- that the whistleblower have ‘evidence that would persuade a reasonable person’;
- that the whistleblower perceive serious danger that can result from the violation;
- that the whistleblower act in accordance with his or her responsibilities for ‘avoiding and/or exposing moral violations’;
- that the whistleblower’s action have some reasonable chance for success.
Quem quiser saber mais, pode consultar este sítio e verificar que a revista Time, publicou há relativamente pouco tempo, um número especial de fim de ano, em que nomeou Pessoa do Ano, precisamente uma dessas pessoas - Sherron Watkins que denunciou más práticas comerciais e corrupção numa grande empresa americana, a Enron! Sabe-se agora que tinha toda a razão.
Uma pessoa ao ler estas coisas das democracias estrangeiras, sonha o que seria se por cá existisse alguém que se dignasse apitar forte e feito no seio da Galp. Ou da PT. Ou até da Refer. Para não falar em certas sociedades de advogados. Sonhos... porque se alguém o fizesse, não demoraria um dia até que aparecesse alguém a dizer que o denunciador mais não era que um abjecto caluniador. Um desavergonhado de um traidor, pulha fassista e bufo da pior espécie.
Vem isto a propósito da entrevista de Paulo Morais, à Visão de hoje, já comentada neste e noutros blogs.
A atitude de Paulo Morais, bem como a de outras pessoas que ao longo dos anos tem aparecido com o mesmo tipo de denúncias, é desvalorizada através dos habituais mecanismos, atávicos na sociedade portuguesa, de neutralização de esforços cívicos.
Como não há a noção do autêntico serviço público que essas denúncias podem revestir, mesmo naquilo que todos reconhecem como óbvio e claro, eventualmente por causa daquele atavismo dos tempos do autoritarismo salazarista, a generalidade dos comentadores, entram por uma de duas vias: ou pela do cinismo mais perturbador, como aconteceu neste caso com Fernando Ruas e um tal Agostinho Branquinho; ou então por outra mais sofisticada e que é a daqueles que retiram valor e legitimidade à apitadela, por causa de o autor ter o apito guardado e escondido e só agora fazer uso dele. Extraordinário!
Então, o facto de alguém se cansar e resolver apitar, com base e razão, não deveria chagar para lhe darem atenção?!
É certo que neste caso, terão dado. A PGR (leia-se o DCIAP), parece que irá fazer algo. Esperemos que sim. Mas o cepticismo é grande, tendo em conta experiências anteriores. Como dizia um antigo director da PJ, o saudoso Adelino Salvado, "não vale a pena: isso não vai dar nada!..."
Veremos. No entanto, o que gostaríamos de ver, seria o aparecimento de mais apitadores. Já tivemos os exemplos de Garcia dos Santos e de Pedro Ferraz da Costa e temos uma profissional em campo: Maria José Morgado que felicitou - e bem, no meu entender,- o novel apitador.
Venham as apitadelas de ouro! E quem tem de ouvir que oiça e seja consequente.
Publicado por josé 23:08:00 29 comentários Links para este post
"Toma"
toma a minha boca nos teus olhos,
razão radical das minhas palavras,
do desejo que percorre texto e corpo,
riso inesperado,
iluminadas as horas.
toma os meus olhos nas tuas mãos
e terás nelas todas as palavras que não digo,
alegria desmedida
por cada um dos passos dados.
toma a minha pele nos teus lábios,
o passeio inequívoco,
desiderium.
minhas raízes fincadas na terra,
asas voando ao céu.toma o que quiseres,
tudo.
que não é teu,
nem meu.
mas é nosso,
quando nos olhamos.
Publicado por contra-baixo 23:07:00 0 comentários Links para este post
Os proxenetas
A limpeza coerciva das matas portuguesas tem o mesmo valor real que teria a alimentação coerciva dos refugiados de Darfur. Uma medida inexequível, na medida em que a maioria dos proprietários, trabalhando a tempo inteiro numa actividade díspar, não dispõe de meios nem de tempo. No entanto, cai bem junto dos eleitores urbanos, distantes do mundo rural e incapazes de destrinçar um castanheiro de um cacto. Corajoso seria repor a distribuição das espécies anterior à prostituição da floresta.
Publicado por Nino 21:49:00 7 comentários Links para este post
Há oportunidades imperdíveis
Depois disto aqui, eis que agora surge isto
Publicado por Carlos 21:30:00 2 comentários Links para este post
os amigos são para as ocasiões
Segundo a Lusa, o Tribunal Constitucional (TC) considerou hoje que não existe inconstitucionalidade nas alterações aprovadas em Julho sobre os prazos dos referendos e que tornam possível a realização de uma nova consulta popular sobre o aborto até Dezembro. O PS pretende apresentar uma proposta de referendo dia 15 de Setembro, mal o Parlamento reabra, para que uma nova consulta popular sobre a despenalização do aborto decorra até Dezembro, depois das autárquicas de Outubro e antes da convocação das eleições presidenciais.
Publicado por Manuel 21:23:00 2 comentários Links para este post
segunda-feira, 12
Publicado por Manuel 20:50:00 1 comentários Links para este post
A má imagem dos políticos é da responsabilidade dos próprios
O Estado deverá poupar, com as novas regras de aposentação, 200 milhões de euros em quatro anos.
O Estado deverá gastar cerca de 42 milhões de euros para ajudar a suportar as despesas de campanha do PS, PSD, CDU, PCP e Bloco de Esquerda durante doze dias.
Em doze dias, os partidos vão gastar um quinto do dinheiro sacrificado pelos trabalhadores durante quatro anos. Sabendo nós que a Democracia tem custos, alguém espera uma campanha autárquica esclarecedora, participada, enfim, verdadeiramente útil ?
Publicado por Nino 20:21:00 13 comentários Links para este post
Ba-be-bi-bo-bu
Americanos interessados em conhecer os meandros do processo Casa Pia, que decorre a passo de caracol. Qualquer dia, ninguém se recorda sequer dos acusados pelo ministério público, corrijo, dos acossados pela infâmia.
Publicado por Nino 19:21:00 2 comentários Links para este post
um exemplo
Autarca abdica de dinheiro de campanha para apoiar população [vítima dos incêndios]
Publicado por Manuel 19:11:00 4 comentários Links para este post
na mouche
Publicado por Manuel 19:07:00 4 comentários Links para este post
'só' agora ?
O vice-presidente e vereador do Urbanismo da Câmara do Porto, Paulo Morais, acusa várias autarquias do país de cederem a pressões de empreiteiros e partidos políticos para a viabilização de determinados projectos urbanísticos. O edil afirma que "o urbanismo é, na maioria das Câmaras, a forma mais encapotada e sub-reptícia de transferir bens públicos para a mão de privados" e que "nas mais diversas Câmaras Municipais do país há projectos imobiliários que só podem ter sido aprovados por corruptos ou atrasados mentais", sem no entanto especificar a que projectos e municípios se refere.
O Ministério Público anunciou hoje que vai investigar as declarações do vice-presidente e vereador do Urbanismo da câmara do Porto, Paulo Morais, que acusou as autarquias de cederem a pressões para a aprovação de projectos imobiliários "Face ao teor da entrevista na revista ‘Visão’ do vereador Paulo Morais, o Ministério Público [MP] irá encetar as diligências consideradas necessárias para o apuramento da existência de factos com eventual relevância criminal", disse uma fonte do gabinete de imprensa da Procuradoria-Geral da República, não identificada pela agência Lusa.
O autarca social-democrata diz que a Câmara Municipal do Porto é uma excepção ao cenário negro que traça, afirmando que o executivo autárquico liderado pelo social-democrata Rui Rio nunca licenciou projectos que estivessem contra os instrumentos de planeamento.
Público Online
Mal, muito mal, a PGR. Pessimamente, ao, ingénua e pateta, uma vez mais, aceitar entrar no circo autárquico. Paulo Morais não disse que o tentaram 'corromper', apenas que foi 'pressionado', e teve o cuidado de dizer o que está mal é noutras edilidades que não a dele. Assim sendo, o conhecimento que terá é sempre indirecto. Dito isto, é díficil de perceber como é que as declarações de Paulo Morais servem de fundamento a uma investigação judicial, sem um alvo definido, em abstracto, a - em potência - todas as autarquias do país, e naturalmente... condenada ao fracasso. A não ser que o MP saiba desde já que nessa (meta-)investigação contará com a colaboração de... Paulo Morais. Dito isto, os problemas que Paulo Morais enunciou são essencialmente políticos, são conhecidos desde há muito, e terão que ter uma solução politica que passa por um novo modelo funcional de partidos e Estado. Simplesmente, é mais confortável para Paulo Morais lançar a confusão, na secreta esperança de ser o Henrique Chaves de Rio, do que apresentar medidas concretas e exequiveis que resolvam o problema, de vez.
Publicado por Manuel 18:26:00 2 comentários Links para este post

