Por uma vez Sampaio esteve muito bem. Hoje, humilhou, não há outra palavra, Soares, ao receber, e logo antes, Cavaco. Mal estiveram os actores secundários do costume, sempre à procura dum pretexto para se porem em bicos de pés e aparecerem, como António Pires de Lima, putativo candidato a candidato a líder do PP, que hoje de manhã acusava Soares de manipular Sampaio e à tarde dava o dito por não dito.
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lições para capitalistas, sindicalistas e politicos... da esquerda à direita.
Publicado por Manuel 20:40:00 2 comentários Links para este post
Not so easy!
Justiça suspende três administradores do BPI
Publicado por contra-baixo 19:45:00 3 comentários Links para este post
"Um caso nojento"
O contraste não podia ser mais chocante: de um lado, o interesse das grandes empresas, defendido pelos maiores escritórios de advogados; do outro, uma réstia de brilho no olhar de uma mulher simples, representada por dois advogados aguerridos.
Nove anos, cinco meses e dezanove dias depois da morte de duas crianças, durante as obras da Ponte Vasco da Gama, os responsáveis da Lusoponte e da Novaponte, que se sentaram no banco dos réus, no Tribunal da Boa Hora, conseguiram sorrir.
Uns passos atrás, a mãe de Conceição e Gregória Semedo, sentada ao lado de Fernando Ká, presidente da Associação Guineense de Solidariedade, não conseguiu esconder um esgar de revolta.
A última audiência começou com o atraso de mais de uma hora de Ana Peres, a juíza que presidiu ao colectivo. Foram precisas ainda mais de duas horas para se saber que um antigo administrador da Lusoponte, um director de projecto, cinco engenheiros, um director de segurança e um técnico de construção civil tinham sido absolvidos de terem ignorado as mais elementares regras de segurança e de prudência.
Poucos minutos depois, ficou-se a saber, também, que a indemnização à mãe das vítimas tinha sido fixada em 350 mil euros. Terminava, assim, um dos mais longos processos judiciais de todos os tempos, cujo acórdão deveria passar a ser um case study em todas as Universidades de Direito.
O tribunal absolveu todos os arguidos, mas considerou que foram ignorados os perigos relativos à presença de um estaleiro montado paredes meias com um bairro com centenas de imigrantes africanos.
Com base num depoimento em audiência, de um dos três elementos da comissão de inquérito independente, cujas conclusões arrasam o consórcio Lusoponte/Novaponte, Ana Peres fundamentou uma decisão, que, felizmente, deverá ser reavaliada em sede própria, no Tribunal da Relação de Lisboa. Mas este caso não pode ficar por aqui.
Um julgamento que começou sete anos e quatro meses depois de duas mortes e que se arrastou durante 770 dias tem de ser investigado. Certamente, não é por acaso que Gracinda Barreiros, a advogada que representou a mãe das vítimas, recordou que o «tempo mata muita coisa».
O processo relativo à morte de duas crianças, durante as obras da Ponte Vasco da Gama, vai ficar nos anais da história como um exemplo da vergonha a que chegou o sistema judicial.
Rui Costa Pinto
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One blog created 'every second' [BBC News]
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parafraseando...
... o Paulo Gorjão, e um slogan que ficou famoso «it's macau, stupid», talvez comece a ser tempo de recordar o caso de um outro aeroporto... o de Macau, as malas, o fax, e as melancias. gente que não tem emenda.
Publicado por Manuel 18:40:00 3 comentários Links para este post
já é oficial. A administração da RTP também foi vítima do safari governamental em curso.
Publicado por Manuel 18:32:00 1 comentários Links para este post
um retrato
ESTILOS Ninguém soube, mas Cavaco Silva esteve esta manhã em Belém com Jorge Sampaio. Desde ontem à tarde, pelo menos, que se sabia que Soares ia lá de tarde. Ele fez questão que se soubesse. Mesmo quando, à saída, não tenha dito nada sobre um "assunto" que os jornalistas "já sabiam" qual era. Eles só estavam lá para o verem sair. Cavaco, pelo contrário, pediu expressamente para que audiência não fosse divulgada com antecedência. O estilo faz um homem. O espectáculo faz um estilo. É só escolher.
João Gonçalves
Publicado por Manuel 18:19:00 0 comentários Links para este post
uma pergunta
Anda por aí muita gente babada com as performances do Dr. Vitorino, demasiada gente. Coreograficamente é muito bom, o tom do discurso manifestamente acima da média mas isso, só, não chega. Por estes dias tem faltado a António Vitorino uma característica básica e fundamental - seriedade. Hábil, Vitorino iludiu uns quantos quando sobre a Ota e o TGV disse, agora, não ter certezas e precisar de ver mais estudos, não se sabe se acompanhados pela sua nova sociedade de advogados. Acontece porém que António Vitorino foi o relator e coordenador do programa de governo do PS, do mesmo programa de governo onde constavam a Ota e o TGV, o mesmo que agora é usado como argumento legitimador já que terá sido nele, e só nele, e não foi, que os portugueses terão votado. Ora, não se percebe porque é que ninguém faz a Vitorino uma e uma única pergunta...
- Dr. António Vitorino, concorda afinal com o Programa de Governo que assinou ou, tal como na Ota e no TGV, cada medida concreta é boa ou má consoante as conveniências, sendo necessários mais estudos?
Publicado por Manuel 16:45:00 2 comentários Links para este post
PrEC
Enquanto o Dr. Soares vai a Belém ajudar o Dr. Sampaio a digerir o regresso de Armando Vara ao activo as reformas continuam, a alta velocidade, é só estar atento. Depois do DN, a TSF e o JN não escapam, sendo que para este último irão, consta, e directamente do CM, João Marcelino e Manuel Queirós, só faltando mesmo saber se os octávios também estã(r)o incluídos no pacote.
Na calha estão também, et pour cause, alterações de fundo na RTP, vamos ver se não regressa o Dr. Rangel, o que vendia sabonetes como quem vende presidentes da república, e... na PT.
Publicado por Manuel 16:24:00 2 comentários Links para este post
habituem-se!
Enquanto o país político anda varado com as mudanças na CGD, passando ao lado do essencial, a vassourada continua, desta feita por telecomando. A direcção do DN, um arranjinho ao melhor estilo do bloco central cozinhado ainda no tempo do Dr. Lopes, não tem a confiança do novo proprietário, a Olivedesportos, nem de quem apaparica os avalistas da estranha operação financeira. Assim, sai Miguel Coutinho e deverá entrar António José Teixeira, o interlocutor do dr. Soares na SIC/Notícias. Mal, ou bem, no filme ficará António Peres Metelo, da actual direcção, e que era visto como a continuidade, já que por ser do ismo errado (é considerado próximo da ala de Sampaio) não oferece à rapaziada do Dr. Coelho garantias suficientes. A Olivedesportos pode ser privada mas precisa do Estado, e da sua boa vontade, como do pão para a boca. É claro que podia ser ainda pior, podiam ter recuperado o Carlos Magno...
Agosto ainda vai no início, e o Verão vai ser mesmo quente. Habituem-se.
Publicado por Manuel 16:06:00 8 comentários Links para este post
Mau Maria
Ou, talvez fosse melhor título, Mau Manuel. Não o nosso, Venerável, o outro.A defesa do projecto tem vindo a ser feita nas feiras de imobiliário e construção, o que não é surpreendente uma vez que grupos como Tiner/Renit, Turiprojecto e ESAF são os donos da maior parte dos terrenos das freguesias da Ota, Alenquer e Azambuja.
Aparentemente a ESAF é a Espírito Santo Activos Financeiros, pertencente ao grupo do BES, que até Março de 2005 tinha como administrador ... Manuel Pinho.
Publicado por irreflexoes 15:43:00 1 comentários Links para este post
Talvez fosse proveitoso aos cabo-verdianos se os seus governantes, sempre tão ciosos, independentemente do partido que se encontre no poder, em manter excelentes relações com a sua ex-potência colonial, conseguissem olhar para Portugal de forma mais isenta e distanciada. Assim perceberiam que uma das grandes razões do atoleiro em que Portugal continua metido se deve em larga medida à hostilização permanente dos seus cérebros mais proeminentes formados ou residentes no estrangeiro.
Fátima Monteiro, in Expresso.pt
Publicado por contra-baixo 13:21:00 0 comentários Links para este post
a mula da mercearia
O Dr. Marques Mendes, mal, muito mal, classificou como um "acto descarado de saneamento político" a substituição de quatro membros da administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) anunciada ontem pelo Ministério das Finanças, mais, em declarações ao "Diário Económico", o líder do principal partido da oposição considera que "esta decisão só se explica por uma vontade insaciável de controlar todos os centros de poder", adiantando que, "estando em causa a Caixa Geral de Depósitos e a sua relevância no sistema financeiro português, a decisão assume uma particular gravidade". Marques Mendes afirma ainda que a reformulação da CGD é um reflexo do "carácter de autoritarismo e da arrogância do primeiro-ministro e do seu Governo". Errado, redondamente errado, e ao lado da verdadeira questão. A CGD é um banco público, detido exclusivamente pelo Estado, e com um peso significativo no subsistema bancário e na economia em geral, logo, formalmente, nada mais natural que possa e deva existir uma relação de confiança política entre o Governo e a Administração da CGD, já que em boa medida as acções da administração, para lá da gestão corrente, s(er)ão também uma materialização das políticas do governo. Foi sempre assim, e vai continuar, com as regras presentes, a ser assim. Chorar pelo Dr. Vitor Martins, o saneado, certamente com uma indeminização milionária, nos moldes em que foi feito é pois dispensável, até porque tem subjacente uma certa visão de "partilha" de lugares, de bloco central, perfeitamente dispensável. A verdadeira questão não é pois a substuição de Vitor Martins, nem sequer a subida, normal nestes tempos, do Dr. Vara, esse esteio da inteligentzia socialista, a administrador da CGD, a verdadeira e única questão é o timing e o arrazoado atabalhoado apresentados pelo novo ministro das finanças e o que isso implica e revela. Recorde-se que este, há meia dúzia de dias no cargo, tinha garantido, genericamente, uma continuidade das políticas, de rigor, do crucificado Campos e Cunha, recorde-se que e em relação a estas não haveria divergências entre o Ministério das Finanças e a Administração de Vitor Martins pelo que, é bom de ver, estas só surgiram com a entrada em cena de Teixeira Santos. Se somar-mos a isto os grandes investimentos que Teixeira Santos se comprometeu a caucionar de cruz, que motivaram a saída de Campos e Cunha, está encontrada uma das grandes razões que "fragilizaram, objectivamente, a imagem interna e externa da actual administração, bem como a relação de confiança que deveria existir entre ela e o accionista", do comunicado exarado pelo Ministério das Finanças. Teixeira Santos pretende usar, e pelos vistos Vitor Martins - bem - foi contra, o arcaboiço financeiro da CGD como suporte para engenharias financeiras megalómanas, de viabilidade mais que duvidosa, na certeza de que a banca privada só vai quando e aonde tem a certeza de não perder, ora, com a CGD, o Estado, dono e patrão, já não precisa de fiador. É tão somente isto que está em causa, e não é pouco. Devendo a CGD cumprir e executar as políticas económicas do Governo, até numa óptica normalizadora e reguladora do mercado, até onde é que o Estado, o Governo, pode ir na utilização que faz dos recursos da CGD, que podem aliás por em causa a sua estabilidade futura ? Isto é o importante, isto é o crucial, e mereceria até um comentário do Presidente da República, se tivessemos um, o resto são meras questões de mercearia.
Publicado por Manuel 13:06:00 4 comentários Links para este post
Pelo fogo, não!
No séc. XIV, a Inquisição santa, instituída em 1229, segundo A. Herculano (História da Inquisição em Portugal), era uma instituição tão banal como o era a Comissão de Censura do regime de Marcelo Caetano, em 1972, em Portugal.
Porém, neste ano, as edições Afrodite de Fernando Ribeiro de Melo, uma personagem deveras original da nossa contemporaneidade e que a TV devia recordar, publicaram o livro O Manual dos Inquisidores, ou Directorium Inquisitorum, atribuído a Nicolau Emérico (N. Eymerich, 1320-1399), um frade da ordem dos Pregadores (dominicanos) e grande inquisidor de Aragão.
O Manual publicado pela Afrodite em 1972 é uma repescagem de textos da penúltima edição do livro, datada de 1607, sendo certo que as práticas aí relatadas eram aplicadas aos herejes desde meados do séc XIV e a primeira impressão do livro data de 1578.
É um manual de literatura jurídica, importante pela precisão de conceitos.
Começa assim...
Há três maneiras de iniciar o processo em matéria de heresia, a saber: A Acusação, a Denúncia e a Inquisição. O processo é intentado por acusação, quando um Delator se ofereça para provar aquilo que afirme, submetendo-se à pena de talião quando tal não consiga provar. (...) Denuncia-se alguém como culpado de heresia, sem aceitar ser parte, unicamente por causa da excomunhão que atinge todos aqueles que não denunciam(...) e por via da Inquisição, a qual se emprega quando não há nem Denunciador nem Acusador. (...) Há duas espécies de Inquisição; uma geral que é a busca de heréticos; (...) outra tem lugar quando o qualquer rumor público faça chegar aos ouvidos do Inquisidor que tal pessoa disse ou fez qualquer coisa contra a fé.O primeiro inquisidor português, no entanto, só aparece em 1376 e com pouca força ou convicção, ao contrário da vizinha Castela, onde pujava o fanatismo. Em 1482 aparece em Castela e Aragão, Tomás de Torquemada, o frade dominicano símbolo último da Inquisição e que escreveu um código da Inquisição, tendo como fonte o livro que no século antecedente, Nicolau Emérico escrevera. A obra deste Torquemada, de terror contra os marranos, judeus, obrigou-os a vir em debandada para Portugal e outros sítios, mais amenos e propícios à tolerância. Mas esta durou pouco e em 1531, foi restabelecida a Inquisição em Portugal, com muitos dos ademanes da de Castela.
No Manual dos Inquisidores, aparece a menção aos livros, em nota apócrifa...
Se os inquisidores podem inquirir e reprimir os que se atrevem a pregar certas proposições, com mais razão, sem dúvida, poderão proibir livros que as contenham: com efeito, estes pregam não uma vez nem duas; mas sempre, de dia e de noite, inculcam aqueles arrazoados aos ouvidos de quem os lê.(…) portanto, ou se devem proibir de todo, ou se podem deixar de vir a público, depois de terem sido muito bem emendados. ( …) A mesma opinião se deve ter também acerca daqueles livros ou tratados que versem assuntos inúteis, infrutíferos, ou de coisas ligeiras e ridículas. Em meu entender, os bispos não devem deixá-los ser impressos ou espalhados em suas dioceses; seja como for, convém, nestes casos, usar de senso e prudência.
Ora, esta história abreviada é contada a propósito do artigo no Público sobre a o despacho de Rui Grácio, logo a seguir ao 25 de Abril de 1974 a mandar destruir livros e revistas “de índole fascista”. Tal ordem fundamentou-se na pretensão do autor em “levar o 25 de Abril à Educação, libertando-a desses domínios da ideologia fascista.”
O antigo director geral do Ensino Básico, Rogério Fernandes, justifica-se perante os leitores do Público, dessas actuações, recusando o epíteto de colaborador em “autos de fé”, através da ordem emitida para destruição pela maneira como os encarregados das bibliotecas das escolas acharam “mais conveniente”. Algumas escolas, como se vê pela fotocópia de um “auto de destruição” de livros de “índole fascista”, publicada na reportagem, acharam que o método mais “conveniente” era… o do fogo! Porém, é isso mesmo que o antigo governante e professor catedrático jubilado de Psicologia e Ciências da Educação (!!) da UL recusa terminantemente e aparentemente o aflige: fogueiras, não! Fala no assunto, pelo menos três vezes, na pequena entrevista que dá ao jornalista e no artigo de opinião que escreve para sacudir a água do capote que lhe assentaram e minimizar a importância do aguaceiro. Acrescenta até no artiguinho de opinião que “ (…) em nenhum documento oficial do Ministério, figura a ideia ou se alimenta o propósito de destruir pelo fogo as bibliotecas.”
Fogueiras, não! Destruição?! Sim! Á vontade! A diferença?! Meramente semântica…
Na simbologia própria à langue de bois que começou a fazer escola na época, a mera referência a “auto de fé”, atribuído justificadamente a quem usava a expressão para combater o “fascismo”, deve ser um suplício em si mesmo.
Atrás da expressão, cavalgam os demónios todos dos Eméricos, dos Torquemadas e dos Savonarolas e isso é insuportável para quem queria à viva força mostrar que havia que “desfascizar”!
É preciso ter lata para vir com a palavra “desfascizar”! Ainda hoje?!! É que o tipo não se mostra sequer arrependido! Nem um pouco sequer.
O que era isso de “desfascizar”?! Quem é que era o “desfascizador”?! Quem era o Emérico, o Torquemada, o Savonarola que veio nessa altura com as teses peregrina da “desfascização”?!
Temos a resposta: João Freitas Branco, Rui Grácio, Maria Justina Sepúlveda e Rogério Fernandes, pelo menos. Logo em 1974, a ideia era muito simples: “libertar a Educação dos domínios da ideologia fascista”! Ou , nas palavras preclaras do catedrático Rogério, poupar os leitores desprevenidos e culturalmente desarmados à propaganda do Estado Novo, do colonialismo, etc. Para cumprir tal desiderato, nada melhor do que recorrer aos velhíssimos métodos já descritos no Manual de Inquisidores! Destruir livros! Queimá-los?! Bem, até aí, nem tanto! Destruí-los bastava! Savonarola destruiu, em 1497, numa enorme fogueira de vaidades, obras literárias, de arte e tutti quanti afrontasse a sua particular visão religiosa.
Rogério Fernandes, Rui Grácio e João Freitas Branco não chegaram a tanto: limitaram-se a mandar destruir livros para “desfascistizar” a Educação. Assim, como quem “desparasitiza” bibliotecas públicas e lhes limpa o cadastro para registo futuro, substituindo os livros “maus”, “fascistas”, pelos livros bons, de acordo com a fé que os iluminava e ilumina, desgraçadamente.
Umberto Eco, no Nome da Rosa, tem uma belíssima alegoria para tais feitos: o bibiliotecário criminoso e que esconde os livros “maus” dos olhares profanos e dos que “ se encontram desprevenidos e culturalmente desarmados à propaganda” ... é um cego!
Publicado por josé 01:02:00 3 comentários Links para este post
Lovely Head
It starts in my belly
Them up to my heart
Into my mouth I can’t keep it shut
Do you recognise the smell
Is that you tell
Us apart
I fool myself to sleep and dream
Nobody’s here
No-one but me
So cool
You’re hardly there
Why can’t this be killing you
Frankenstein would want your mind
Your lovely head
Your lovely head
Goldfrapp (album Felt Mountain)
Publicado por contra-baixo 01:00:00 0 comentários Links para este post
Números
segunda-feira, agosto 01, 2005
Com quantos milhares de euros mensais vai para casa Vítor Martins, que presidiu à CGD durante menos de um ano?
Publicado por Nino 21:57:00 8 comentários Links para este post
A vingança de Bagão
Teixeira dos Santos começa a mostrar a sua "raça". Para um dos panteões do regime, a Caixa Geral de Depósitos, o PS - sim, Teixeira dos Santos "é" o PS -, escolheu manter a Sra. Dra. Celeste Cardona - seguramente pelas excelentes competências evidenciadas pela senhora na sua passagem pela vida pública - e seleccionou um velho aparatchik do partido, o sr. Armando Vara, para lhe fazer companhia na administração. E removeu, com método, tudo o resto, colocando Carlos Santos Ferreira, um gestor socialista do eixo Lisboa-Macau e um homem simpático que, nos anos 80, me ensinou finanças públicas, no topo. Esta "aliança" PS/PP, cuja "lebre" mais evidente é Maria José Nogueira Pinto, em Lisboa, contra Carmona - digo isto com a mesma clareza com que (ainda) apoio Carrilho -, parece prometedora. Celeste e Vara, constituindo-se num produto híbrido, não são, no entanto, uma dupla que desmereça. Pelo contrário. Estão muito bem um para o outro. E Bagão Félix está muito bem vingado e já pode rir à vontade.
Publicado por João Gonçalves 21:48:00 2 comentários Links para este post
a pista angolana, ou porque é que os diamantes são mesmo eternos...
OTA
Reparei que no BdE tem havido um certo défice de debate sobre a grande questão do momento - a OTA e o TGV. Tenho de confessar que, pela minha parte, tal se deve a uma enorme falta de informação pertinente.
Mas há uma questão que, por ser cada vez mais recorrente, me intrigou: os terrenos. O Paulo Gorjão, dia sim dia sim, quer saber de quem são os terrenos do futuro aeroporto. Eu não sei se tal será um argumento válido ou um mero deslize para a demagogia. Afinal, os defensores da Ota há algum tempo que esgrimem a mesma pergunta contra o aeroporto em Rio Frio. Mas, sem outros meios disponíveis para ter informações mais fidedignas, atirei-me ao Google para tentar descobrir. Não demorou muito até encontrar um dossier do Diário Económico onde se afirma que a maior parte dos terrenos envolvidos no aeroporto da Ota pertencem às empresas Tiner/Renit, Turiprojecto e ESAF. Indo um pouco mais longe, concluí que a Tiner/Renit é um grupo empresarial de capitais brasileiros do imobiliário e construção civil, com ligações à aeronáutica e responsável pelos principais retail e outlet parks lusos. A Turiprojecto é um aglomerado de empresas ligadas ao imobiliário, à engenharia e à construção civil, liderado por um tal José António Carmo, que incidentalmente é também membro da direcção da Associação Empresarial de Lisboa. ESAF é, palpite meu, o acrónimo de Espírito Santo Activos Financeiros, uma holding de investimentos mobiliários e imobiliários do Grupo Banco Espírito Santo e, coincidência talvez, cliente do grupo Turiprojecto.
Isto foi o que descobri com uns minutos de pesquisa. Talvez alguém com mais conhecimentos dos meandros políticos e económicos que eu possa fornecer mais dados ou unir mais pontinhos. Quanto à minha opinião sobre a Ota, ela continua pouco esclarecida, mas os posts que li que me pareceram mais informativos e equilibrados foram este e este.
Adenda: Repito que eu não estou suficientemente informado para tirar conclusões, afirmar ou insinuar nada. Só penso que se fosse ministro com uma nota de rodapé destas teria a precaução deixar tudo muito bem esclarecido. E, se fosse um grupo bancário que teve problemas com um governo recente, gostaria de garantir que era tudo muito clarinho como a proverbial água.
in BDE
A linha recta nem sempre é a mais curta distância entre dois pontos
Publicado por Manuel 19:08:00 10 comentários Links para este post
Tropicalidades (2)
Amigos para sempre
“Comigo, vocês ainda vão ver este homem ir para o PS!” Era risota, lançada entre abraços de compinchas, mas lá lembra a sabedoria popular que não há fumo sem fogo. Era Mário Almeida, o socialista que lidera a Câmara de Vila do Conde e ex-presidente da Área Metropolitana do Porto, quem fazia a ameaça, trazendo debaixo do abraço o sr. major. Sim, esse de Gondomar. Valentim Loureiro, o desprezado pelo PSD. Foi na inauguração da Linha Verde do Metro do Porto.
in JN "Caras & casos " (edição de 31/07, link não disponível)
Publicado por contra-baixo 18:13:00 0 comentários Links para este post
um narciso chamado... Cunha Rodrigues
Na vida, as pessoas que se safam são como os gatos: fazem e tapam logo.
máxima atribuída por Pedro Santana Lopes, em entrevista ao Expresso este fim de semana, a... Mário Soares.
Pedro Santana Lopes não está totalmente certo, como o não estará Mário Soares. A regra para se fazer - seja o que for - não é tapar logo, a regra para se sobreviver é não hesitar, não olhar, não reparar e, sobretudo não fazer perguntas. Não são precisas nem necessárias cabalas elaboradas para perceber e interpretar profundamente as regras do jogo político em Portugal nas últimas décadas, basta, simplesmente, conviver com a nossa "aristocracia" e observar. Em Portugal, tudo é natural, tudo é expectável, vive-se da reputação, do prestígio, se fulano, ou fulana, chegou aonde chegou, tem que ter mérito, e tudo o resto serão bocas mesquinhas, vive-se, sobretudo, da, e na, aparência, da, e na, aparência de legalidade, de riqueza, de sobriedade. Vive-se também, e obviamente, dos conhecimentos, toda a gente sabe algo de toda a gente. Em Portugal os negócios nunca são formais, antes informais, e quem fala de negócios fala de princípios. A norma viver com o sistema, e em função dele. Não é preciso um especialista em teorias da conspiração (com mais buracos que um bom queijo suiço, aliás, e para quem o caso pio, além de importado, nunca terá existido... ) vir dizer que a Democracia acabou. Não acabou mas está doente. Está doente porque as perguntas que não se podem fazer, as respostas que não se podem dar, os poderes fácticos que não se podem enumerar, levam muitas vezes a decisões - nomeadamente por omissão - complicadas. Não que sejam precisam elaborações complicadas,porque normalmente a lógica é sempre muito simples e pragmática. E se, mesmo assim, se quiser falar de coisas complicadas, sem cabalas nem devaneios, então falemos, a sério, e por exemplo, de um narciso chamado... Cunha Rodrigues.
Publicado por Manuel 18:04:00 2 comentários Links para este post
tropicalidades
Valentim queria povo, que é "quem decide e tem o direito de escolher" e agradeceu a sua presença, assinalando também as manifestações de apoio que recebeu de "magistrados judiciais e do Ministério Público"
in Público, 29 de Julho
À primeira vista as boutades de Valentim Loureiro na apresentação da sua candidatura tem pouco a ver com o mensalão no Brasil, com as atribulações do caso Casa Pia ou sequer com as tentativas peródicas de mudar - mais ou menos encapotadamente - a orgânica do Ministério Público, assim como redefinir a sua "independência", em Portugal, mas é só à primeira vista. No Brasil... [via Aviz]
o presidente do Supremo Tribunal Brasileiro, Nelson Jobim, tenta de tudo para «blindar» Lula seja qual for o resultado das investigações. Há um ano no cargo, Jobim foi um aliado firme do PT para que o Judiciário perdesse a sua independência e se submetesse ao governo e ao partido de Lula.
Publicado por Manuel 15:37:00 0 comentários Links para este post
"Não há mais ninguém?"
Ontem, qual Cassandra, Vasco Pulido Valente condoía-se, mais uma vez, na sua crónica no Público, sobre a falta de alternativas no regime. O diagnóstico é, no registo ácido habitual, no geral correcto, mas não na totalidade. E não o é na totalidade porque as culpas não podem ser única e exclusivamente atribuídas aos políticos, essa casta maléfica, mas também, em parte substancial, a uma certa sociedade civil, e intelectualidade, da qual Vasco Pulido Valente é parte integrante e até referência. Vasco Pulido Valente, como muitos outros, só comenta as ideias, de quem existe, de quem já lá está, no limite, e usando as suas próprias palavras, "de quem subiu ou tolerou a mentira, a intriga e uma traiçãozinha ou outra". Vasco Pulido Valente tem, por mera preguiça, uma visão palaciana, e mais ou menos florentina do país, que de tão asfixiante não lhe deixa espaço a alternativas. E assim se chega ao paradoxo - para o sistema, o tal que ele abomina mas que no fundo o venera, só existe, só conta, quem é mencionado, crucificado, por... Vasco Pulido Valente. O autor da biografia de J. C. Vieira de Castro (o sublime Glória, provavelmente um dos melhores livros escritos em lingua portuguesa nos últimos 100 anos) merecia melhor do que ser sistematicamente tomado como um reles barómetro, uma espécie de Contra Informação da imprensa escrita, e no entanto a culpa é só dele, única e exclusivamente dele. A reforma e regeneração do sistema passa e muito por olhar à volta, só existe aquilo de que se fala, pelo que se calhar é preciso começar a falar de mais coisas, e mais alto, ou... assistir da poltrona resignado. Alternativas existem, resta saber se Vasco Pulido Valente ainda se vê com forças para contribuir e ajudar a reinventar Portugal, ou se se acomodou a uma certa amostra do País que o venera embevecida. As coisas são o que são.
Publicado por Manuel 14:52:00 15 comentários Links para este post
Patek Phillipe, em ouro, sff
Às vezes, o pior que pode acontecer a quem é roubado e se queixa do roubo é que apanhem o ladrão. A história hilariante, mas profundamente sintomática, do roubo de que foi vítima Isaltino Morais, relatada na última edição do Expresso, devia dar que pensar. Não, pela amnésia de Isaltino, ao não acertar nos valores surropiados (declarou um furto inicial de 600 contos mais tarde corrigido para 5.600 depois de o assaltante, apanhado, ter confessado ter levado valores superiores), não pelo pitoresco. A notícia não é obviamente o roubo, nem sequer a amnésia - que se percebe já - de Isaltino, a notícia é que o dinheiro era de donativos e contribuições, em numerário, para a campanha de recandidatura de Isaltino (o roubo foi em setembro de 2001), a notícia é o relógio Patek Philippe, em ouro, que também foi levado, avaliado entre 1500 a 2000 contos, e que também foi fruto de uma generosa oferta. Isaltino Morais gosta de se mostrar como uma autarca modelo, com métodos e resultados modelo. Será que estas contribuições em cash e em géneros são caso único ? Não, claro que não. Quis o destino que se desvendasse uma ponta do véu. Em cash, sem recibos e actas como no saco azul Felgueiras, sem espinhas, assim paga a sociedade civil o serviço público dedicado de uns quantos cidadãos exemplares. Devia dar que pensar, mas enquanto nos rimos à custa de Isaltino, de Fátima Felgueiras, e de mais um ou outro mais azelha ou desafortunado, o vento continua a soprar, até que haja coragem de mudar as coisas a sério, e não apenas fazer leis simpáticas, para entrar em vigor não se sabe quando de limitação de mandatos... i.e. de fazer uma verdadeira reforma do sistema político e administrativo.
Publicado por Manuel 14:40:00 1 comentários Links para este post
clareza
José Manuel Fernandes subscreve ontem no Público um editorial elíptico; ao mesmo tempo que assina por baixo o programa "Ligar Portugal" apresentado pelo governo, que diz "faz um diagnóstico correcto e establece objectivos ambiciosos", lamenta-se por não haver condições de "concorrência leal na oferta de internet de banda larga". Não vou dissertar, agora, sobre o "Ligar Portugal", apenas sobre a PT. Até posso perceber que José Manuel Fernandes não queira atirar explicitamente na PT, já que o grupo económico proprietário do Público, tem interesses no principal concorrente (a NOVIS) e até - potencialmente - numa das redes físicas que podem suportar a banda larga, a da TV Cabo, mas, que diabo, bastava recordá-lo e ir directo ao assunto em vem de andar linhas e linhas às voltas. O que se passa, preto no branco, é que o mercado de telecomunicações português não é livre, nem aberto, sendo que existe um monopólio de facto da PT, monopólio esse que eleva exponencialmente o custo de entrada de novos operadores, que basicamente vão até onde a PT os deixar ir. O que José Manuel Fernandes não disse mas devia ter dito é que aquilo que ele designa com problema de concorrência só se resolve de uma forma - o break up da PT i.e. a alienação por parte desta da rede de cabo, e uma clara separação entre os negócios grossista e retalhista. Toda a gente sabe isto, toda. O que parece que José Manuel Fernandes ainda não sabe é que omiti-lo só abrirá portas a remendos, como os vários implementados nos últimos anos, que não resolvem nada, e apenas servem para perpetuar a posição dominante da PT, desvirtuar o mercado assim como penalizar os consumidores.
Publicado por Manuel 14:22:00 0 comentários Links para este post
Publicado por contra-baixo 12:40:00 0 comentários Links para este post
"filha minha"
Que Herman José é uma sombra de si próprio e se arrasta penosamente rumo à decadência absoluta não é novidade para ninguém, há quem goste. Mas há limites. E ontem, quanto a mim, Herman passou dos limites. No final do Herman/SIC foi emitida uma "reportagem"/"visita guiada" à Feira Erótica que recentemente decorreu em Lisboa onde a cara (?) da SIC fez pelo menos um comentário suficientemente asqueroso para não ser passível de ser tolerado... Mas às estrelas tudo se permite...
Publicado por Manuel 11:40:00 0 comentários Links para este post
Ota é um Erro Histórico
O debate sobre a Ota não deve acabar com a demissão de Campos e Cunha. Pelo contrário. Trata-se de um dever de cidadania.Inserção no território
A Ota inserir‑se‑á num eixo rodo ferroviário a norte de Lisboa, já actualmente muito sobrecarregado. Além do custo da obra em si a OTA obriga a construir uma nova auto-estrada (a A10), paralela à actual A1, a necessidade de inventar um canal de entrada para o TGV, a par dos já existentes Linha do Norte, A1 e IC2, em terrenos fortemente povoados, com custos de expropriação elevados, para além da saturação no eixo Lisboa - Vila Franca – Santarém. Uma visão limitada, mesquinha, e que significa desperdiçar boa parte do pouco território que temos. Não só nesta matéria como em tantas outras.
A zona para onde está planeado o Aeroporto não permite expansões. A zona de implementação técnica apenas permite duas pistas. A zona da OTA tem também problemas ao nível dos solos, muito barrentos e arenosos e atravessados por linhas de água à superfície, sendo por isso de assumir que o risco geológico é, muito elevado, associando-se por isso o elevado custo de implementação.
O Efeito multiplicador
Em primeiro lugar, há que assumir, que na OTA, já se encontram estabelecidos custos imobiliários elevadíssimos. Em segundo lugar, o investimento público dadas as externalidades que lhe são associadas, não é automaticamente rentável nem as suas vantagens automaticamente assumidas por serem mais difusas. Assumindo o efeito multiplicador a realizar na área da construção civil, não é menos verdade que o emprego gerado será sempre definido pelo ciclo de construção. Tudo transitório. Tudo ilusório. Portugal carece não de mais investimento público mas sim de melhor investimento público. Mas acima de tudo de uma estratégia concertada, algo que nem este nem os anteriores governos, conseguiram criar. O défice não é a causa dos problemas, mas sim uma consequência do simples facto da economia não convergir devido as más opções tomadas. Como a Ota. Depois a relação entre investimento público e crescimento económico mostra-nos, que aumentando o investimento público, não se tem conseguido, mais crescimento económico.
A capacidade da Portela
Não está esgotada a capacidade de expansão, quer pela absorção do espaço ocupado por Figo Maduro, quer pela racionalização das estruturas existentes, tendo em conta o espaço a libertar pelas empresas de transporte de carga aérea. Ora tal permite ganhar capacidade para absorver mais de 25 milhões de passageiros/ano, valor que nunca se atingirá antes de 2020, mesmo sem ter em conta o efeito das ligações ferroviárias Lisboa-Porto, Lisboa-Faro e Lisboa-Madrid na redução do tráfego aéreo, e na criação de um verdadeiro hub de transportes. Em suma, a Portela pode ter fôlego para mais 30 ou 40 anos de bons serviços ao País.
Dado importante, no mercado europeu da localização de conferências, a proximidade do Aeroporto ao centro das cidades é de vital importância. O caso da conferência da Microsoft, que será realizada em Lisboa, é sintomático. Mais-valia que a Ota nunca terá.
A solução alternativa
As alternativas que se propõem são claras e partem desta ideia central: bem melhor e mais barato para o país era segmentar o tráfego e criar um cluster de aeroportos, ligados por TGV, entre si e Lisboa, em que teríamos:
- i) O renovado Aeroporto da Portela para os voos de valor acrescentado.
- ii) Tires para a aviação particular, recreativa e de luxo.
- iii) O Aeroporto de Beja para mercadorias e charters de baixo custo, servindo simultaneamente Lisboa, Algarve e todo o Sul de Espanha.
- iv) Manutenção do Montijo como base militar com funções de apoio em situações excepcionais (como fez no Euro 2004).
Este cluster está a duas horas e pico de Madrid (Portela e Beja), a uma hora de Sevilha (Faro) e a duas horas da Galiza (Lisboa). A fachada Atlântica, apoiada a norte pelo renovado Francisco Sá Carneiro (mera hora de viagem) seria toda ela servida pelos aeroportos nacionais, com capacidade para atracção de todo o tráfego oriundo desde Madrid (inclusive) até à costa atlântica.
O aeroporto de Beja, em termos técnicos, possuí uma pista de aterragem que está classificada como pista de emergência dos vaivéns da NASA, associada a disponibilidade dada a ausência de pressão urbanística, e a capacidade de receber aviões em rotas de aproximação a 360.º da pista, sem qualquer constrangimento.
Beja funcionaria como verdadeiro entreposto de passageiros das chamadas companhias de aviação low-cost, com verdadeiros ganhos de competitividade aérea face a Espanha.
A sua proximidade com o Algarve iria permitir, que funcionasse como aeroporto de retaguarda a Faro nas complicadas operações de Verão. A sua proximidade com a Costa Vicentina, iria permitir a exploração do turismo da Costa Vicentina, nos mercados internacionais. Já para não mencionar os novos fluxos turísticos a gerar pelo maior lago artificial da Europa, que resultará do enchimento da albufeira do Alqueva.
E não se pode deixar de ter em conta que o mercado low-cost para o Sul de Espanha poderia vir a ser atraído, especialmente se estiverem criadas condições de deslocação ao destino em menos de 1 hora (em suma, estamos a falar da zona entre Ayamonte e Huelva, em que concorreríamos com Sevilha). Para isto, basta apenas concluir a ligação entre Beja e a A2 em auto-estrada, e terminar a ligação Grândola-Sines.
Isto no que respeita a passageiros. Quanto a mercadorias, o modelo é ainda mais doce, conseguindo uma das melhores integrações de um porto de águas profundas (Sines), com apoio a Norte (Setúbal e Lisboa), com uma linha de caminho-de-ferro para a Europa (a construir, e já prevista no Plano Ferroviário Nacional), acesso à Rede Transeuropeia de auto-estradas e um aeroporto à mão de semear para a mercadoria mais frágil. Junte-se a isto espaço, muito espaço, para instalar empresas e temos o céu de qualquer encarregado de logística. Depois há ainda a cereja no bolo, o abastecimento de combustível ao aeroporto, poderia ser feito em pipeline directamente de Sines. Ambientalmente correcto e muito mais económico.
È claro que, em Portugal, provavelmente poucos pensaram nisto. Talvez por isso estejamos condicionados à opção espanhola do TGV. Alinhar pela construção da OTA, irá abrir um oportunidade de ouro para Espanha. A construção de um aeroporto em Badajoz com ligação de alta velocidade, que curiosamente ou talvez não, os espanhóis não abrem mão, que por lá passe, irá permitir que a partir de Badajoz, todo o tráfego aéreo do sudoeste ibérico se centralize ali, com inerentes consequências para Portugal, remetido num plano se actor secundário. Com Beja, o actor principal seria Portugal. A dinamização do Terminal XXI uma realidade, e o desenvolvimento uma certeza.
Portugal pode e deve olhar para as alternativas que existem. Agora. Com seriedade. O futuro de todos nós assim o obriga.
- António José Duarte
Economista ( antonioduarte@gmail.com )- Marco Capitão Ferreira
Docente Universitário FDUL ( mcferreira@mail.fd.ul.pt )publicado na última edição do jornal Expresso
Publicado por António Duarte 10:11:00 18 comentários Links para este post
Leitura recomendada - António Borges
Alguns mais atentos já terão percebido que o que se passa no Instituto Nacional de Estatística me é um assunto muito caro. Hoje peço-vos que dediquem alguns minutos a ler o artigo de opinião de António Borges publicado no Diário Económico.
Quase em surdina chama a atenção para mais um sinal preocupante que corre o risco de passar despercebido e que pode indiciar mais uma vez que pouco se aprendeu com o passado. De novo a falta de coragem política para atacar os problemas existem por essa administração pública fora resolvendo os problemas como se fossemos um menino rico, estragado com mimos. Mas leiam (os sublinhados são meus)...
A politização das contas
Este é mais um exemplo de um dos principais males da vida política portuguesa.
ANTÓNIO BORGES
Segundo as notícias que vão chegando à opinião pública, a Assembleia da República e o Banco de Portugal estariam em estreita colaboração a preparar um novo organismo que assumiria a responsabilidade de acompanhar as contas públicas e fornecer a análise independente e rigorosa que alegadamente tem faltado. Sob a responsabilidade política do Parlamento e com a competência técnica do Banco de Portugal, acabariam as controvérsias quanto aos verdadeiros valores do 'déficit' da execução orçamental, etc. A ideia é péssima.
Em primeiro lugar, este é mais um exemplo de um dos principais males da vida política portuguesa. Se não se está satisfeito com o desempenho de algum organismo ou departamento do Estado, cria-se um novo. Reformar o que existe é um esforço sem esperança. Mais vale começar de novo. Mas como também não se pode pôr fim a nenhuma instituição, a nova e a antiga ficam a funcionar em paralelo, com duplicação de funções e total desperdício.
Depois, é no mínimo estranho que se pretenda obter uma avaliação independente das contas públicas quando ela fica sob a responsabilidade política do Parlamento. A Assembleia da República é, constitucionalmente, o mais político de todos os órgãos de soberania, aquele em que a lógica partidária é mais forte e onde a perspectiva estritamente política mais peso tem. Vê-se bem como, em todas as questões importantes, as decisões da Assembleia ou das suas Comissões seguem linhas estritamente partidárias. A Assembleia existe para dar voz às posições diferentes dos vários partidos, não para gerar consensos ou visões independentes.
É certo que nos Estados Unidos da América a análise das contas públicas e as projecções orçamentais são feitas por um organismo do Congresso. Mas o paralelo não se aplica a Portugal. Nos EUA o orçamento é da responsabilidade do Congresso, os congressistas têm um papel extremamente activo na sua preparação e nas inúmeras modificações que introduzem e não poderiam seriamente fazer esse trabalho político sem ter ao seu dispor um órgão profissional que os apoiasse. Ora em Portugal, como em todas as democracias europeias, o orçamento não é elaborado da mesma forma: é preparado pelo Governo e apresentado à Assembleia, que eventualmente vota modificações que têm de novo de ser estudadas e preparadas pelo Governo.
Há ainda um elemento muito negativo no envolvimento do Banco de Portugal na análise das contas públicas em conjunto com a Assembleia da República. O Banco de Portugal está hoje isento de influência política directa e conquistou uma mercada e importante reputação de seriedade e de independência. O seu envolvimento em questões de uma sensibilidade política extrema não é desejável, sobretudo se feita sob a orientação da Assembleia, onde a perspectiva política nunca pode estar ausente. O banco central provavelmente já ultrapassou o limite do que seria prudente, ao pronunciar-se de forma tão comprometida sobre as "verdadeiras contas públicas" de 2001 ou o "verdadeiro orçamento" de 2005. A forma como as suas análises são utilizadas e as controvérsias a que essa utilização dá origem não contribuem para manter a imagem de isenção e independência do Banco de Portugal que é absolutamente essencial ao País.
É muito deplorável que o País aceite sem pestanejar que a Administração Pública não é de confiar e que, sujeitos a pressões políticas, os funcionários públicos são incapazes de fazer trabalho honesto: no caso concreto das contas públicas, por maioria de razão, uma vez que várias entidades independentes se tem de pronunciar sobre elas. Desde logo o Ministério das Finanças, que centraliza toda a informação; depois, o Banco de Portugal que, no contexto da sua responsabilidade de análise económica e financeira e de produção de estatísticas monetárias e financeiras, tem uma perspectiva separada e insubstituível; e, por último, o Instituto Nacional de Estatística, a quem compete produzir contas nacionais isentas, rigorosas e a tempo.
Todos aqueles que não estão contentes com o actual estado de coisas, no que respeita à fiabilidade da informação sobre as contas públicas, fariam melhor em insistir na independência do INE, dotá-lo de meios e responsabilizá-lo pelos resultados do seu trabalho, ao mesmo tempo que deveriam insistir na seriedade dos departamentos do Ministério das Finanças e na colaboração estreita com o Banco de Portugal, fora de pressões políticas de qualquer natureza.
in Diário Económico de 1/Ago/2005
Publicado por Rui MCB 10:04:00 0 comentários Links para este post
Fazer como o gato...
Nas leituras recentes de fim de semana, calhou reparar num jornal que folheei por causa de uma entrevista de… Ricardo Salgado! No interior do jornal, Semanário Económico, dirigido por João Vieira Pereira, os dedos tropeçaram num suplemento gordo de referências a “quem é quem nas empresas portuguesas & espanholas”.
Dos Advogados aos Transportes, passando por Agências de Meios, Banca, Energia Imobiliário, Seguros e Telecomunicações, os nomes não são muitos - pouco mais de uma dúzia de firmas a representar os mais de 24 mil advogados portugueses! Duas dúzias de bancos, entre os quais o do Ricardo Salgado que também é Espírito Santo e que é vice-presidente, sendo o califa o António Luís Roquette Ricciardi; o Banco Bilbao Viszcaya Argentaria, SA ( de Portugal) por seu lado, à esquerda, é presidido por… José Vera Cruz Jardim (quem sabia?!). O banco BPI, presidido por Artur Santos Silva. O Banco Comercial dos Açores, por Horácio Silva Roque que acumula com o Banif. O BCP (Millenium) por… Paulo Teixeira Pinto. O BPN por José de Oliveira Costa. A Caixa Económica Montepio Geral, por José da Silva Lopes (pca). A CGD por Vítor Martins. O Finibanco por Álvaro Costa Leite e os outros bancos por… ilustres anónimos ou quase. Entre todos os nomes, o mais espantoso é o de Maldonado Gonelha, como vice-presidente do conselho de administração da CGD! São estes os nossos capitalistas, ou o capitalismo desenvolve-se por outros lados?! Por exemplo, nas chamadas “Financeiras”? Também temos disso, em quatro dezenas de designações. Entre elas várias ligadas ao Espírito Santo e até JP Morgan- Chase Bank cá está, embora reduzido a um consultor e a um director geral. Será nas seguradoras? Temos disso, mas como se escreve em título, é um “sector liderado pelo Estado”, pois é a Caixa Seguros que lidera com uma quota de mercado de quase 30%!
Na Construção Civil, há um pouco mais de trinta firmas no ranking e o título do pequeno texto que as apresenta é : “À espera da calendarização das obras públicas…”. Está tudo dito, sobre o nosso capitalismo de risco e de iniciativa privada! Mas, fazendo as contas aos nomes que soam a directores gerais, financeiros, comerciais, de produção (?!), de recursos humanos, sem esquecer os administradores, temos umas boas centenas de bocas para alimentar a salários de vários milhares de euros por mês e que naturalmente estão à espera da tal calendarização.
Na energia, temos mais duas dúzias de firmas com a EDP desdobrada em várias! Uma delas, chama-se EDP Soluções Comerciais e tem um presidente e dois administradores!
Nas águas, o panorama é idêntico: governo por todo o lado e boys and girls everywhere. Na Galp?! A Galp não precisa de apresentação, como dantes a pasta medicinal Couto: é portuguesa, com artistas portugueses, mas participada pela ENI italiana e no texto refere-se...
Seja qual for a configuração empresarial que está na mente do governo o seu desenho final depende do accionista de referência da Galp: a ENI.Vamos a ver o que dá a actividade de consultadoria intensa desenvolvida por um dos escritórios de advogados mais cotados: a PLMJ de J. M. Júdice. São eles quem acompanha o processo de privatização. Isso, apesar de a Galp ser do Estado, ter um gabinete jurídico e ter um José Rodrigues Pereira dos Penedos na Administração, lugar que acumula com a de presidente da REN-rede eléctrica nacional. Fiat lux! Confiem na luz, fiem-se na luz…haja luz! E também uma candeia e um Rui Oliveira Horta e Costa e um Joaquim Pina Moura!
Nas telecomunicações, o título de apresentação dispensa mais comentários: “Portugal Telecom mantém monopólio”! Monopólio! No segmentos de telefono fixo e móvel, cabo e Internet. A PT é um mundo… aparentemente privado, pois o Estado só lá está através da CGD e de uma golden share de 500 acções e dois terços das acções está nas mãos de investidores internacionais. Mesmo assim, a acreditar em certas notícias, há empregos à larga para distribuir a filhos de gente importante…
A entrevista de Ricardo Salgado não adianta nada de especial sobre este mundo. Só diz que a PT tem uma comissão executiva “pro-activa”! E estende-se em considerações técnicas sobre a performance do seu banco - o BES- que aparentemente não tem apresentado resultados brilhantes, ao contrário da Impresa do agora inimigo(?!) Balsemão que vai de vento em popa.
Quem parece também estar bem de saúde económica é a EDP: 318 milhões de euros de lucro no primeiro semestre. E segundo a JP Morgan, os lucros superaram as expectativas.
Por falar em JP Morgan, ando a ler um livro de Jim Marrs, intitulado Rule by Secrecy. Aí se descrevem várias organizações secretas que alegadamente governam a América e o mundo. A Trilateral, o Council on Foreign Relations que patrocina a Foreign Affairs) , e os Bilderbergers são esquematizados enquanto organizações e relacionados com factos aparentemente indesmentíveis e nada conspirativos.
O sistema bancário americano (e mundial) devidamente escalpelizado nas suas origens remotas e com referências concretas aos seus mais directos responsáveis e a biografia dos mesmos, cruzada com as várias genealogias do dinheiro que se envolveu e misturou irremediavelmente com a política americana e mundial.
Os Rockefellers, com o negócio do petróleo da Standard Oil e das companhias que surgiram após 1870. Os Morgans que arquitectaram o sistema bancário, tal como o conhecemos (um puro e simples negócio de usura, segundo o senso comum); os Rothschilds do outro lado do Atlântico e que se lhes uniram em esforços e por laços de família. Os vários cruzamentos de sangue que originaram as grandes fortunas mundiais actuais e o protagonimso da América, tal como a conhecemos hoje em dia, está lá descrito com a precisão possível e até com o aviso de que alguns podem tomar o texto como mais uma teoria de conspiração. Porém esse aviso apenas contempla o facto de ser desconhecido o âmbito e a amplitude da influência das sociedades secretas nos acontecimentos mundiais, através do controlo e manipulação de eventos. Todas essas sociedades secretas têm a sua origem no dealbar do capitalismo americano.
À medida que se avança na leitura, chegamos ao “skull and bones”, à maçonaria e a outras sociedades secretas que se entrecruzam através dos seus membros que o são de umas e de outras e que estão embrenhados na política e nos negócios.
Estes negócios que envolvem sectores importantes para a economia mundial como a energia e a circulação de capitais, são dominados por elementos que descendem dos pioneiros e novos políticos que se lhes associam em comandita.
Através das histórias do livro de Jim Marrs, jornalista do New York Times, chegamos rapidamente às guerras do Golfo e seus antecedentes e aos negócios americanos de Bush e outros republicanos e democratas. Kissinger é uma figura de proa, como são os secretários de Estado americanos, desde sempre.
E surge uma dúvida: Portugal e os seus governantes que pouco ou nada têm a ver com o esquema americano de transmissão do poder (não é assim?), terão alguma coisa a ver com estas pessoas e organizações secretas?! Trilaterais, Bilderbergers e outras maçonarias de obediência regular, têm assento em Conselho de ministros?!
Uma busca rápida por lugares interessantes revelou este sítio que nos fala de democracia e nos apresenta um filme: o argumento e respectivos actores são já de 1980 e um pouco antes até. Alguns desses actores são Cavaco Silva (olha! Olha!), Mário Soares (enfim…), Sá Carneiro, Amaro da Costa e caso da avioneta caída em Camarate, o Expresso de Balsemão e Vicente Jorge Silva (!!), Kissinger, Oliver North, Pires de Miranda (dos petróleos), o jornal Portugal Hoje, dos socialistas de então, e um facto concreto que falta esclarecer cabalmente e que ninguém, no entanto, parece ligar demasiada importância - Portugal em finais de 1980 (alguns referem até a data de 5 de Dezembro, um dia após a queda da avioneta), vendeu armas ao Irão?! Vendeu ou não vendeu?! Quem autorizou?!
Há duas pessoas que sabem obrigatoriamente a resposta: Mário Soares e …Cavaco Silva, a acreditar no filme que passa naquele blog para todos verem e cuja montagem é da autoria de Frederico Duarte Carvalho, autor de um livro sobre conspirações e que aparentemente pouca gente levou muito a a sério.
Não será mesmo de levar este assunto com maior seriedade, mesmo em época de palermices, como é próprio das silly seasons?!
E já agora que se fala nisto, porque não reler com atenção estoutro livro, também já algo datado mas de assunto sempre actual e perguntar agora, aberta e frontalmente, ao putativo pai da nossa democracia o que diz sobre os assuntos que lá vem contados com pormenor?!
Sobre esse personagem, outro também interessante, chamado Santana Lopes, na revista do Expresso, em entrevista alargada esta semana, diz isto que lhe terá sido dito por Mário Soares, a título de sabedoria de vida
Na vida, as pessoas que se safam são como os gatos: fazem e tapam logo.
Publicado por josé 00:04:00 16 comentários Links para este post
Mas
Segundo as notícias que vão chegando à opinião pública, a Assembleia da República e o Banco de Portugal estariam em estreita colaboração a preparar um novo organismo que assumiria a responsabilidade de acompanhar as contas públicas e fornecer a análise independente e rigorosa que alegadamente tem faltado. Sob a responsabilidade política do Parlamento e com a competência técnica do Banco de Portugal, acabariam as controvérsias quanto aos verdadeiros valores do 'déficit' da execução orçamental, etc. A ideia é péssima.
É certo que nos Estados Unidos da América a análise das contas públicas e as projecções orçamentais são feitas por um organismo do Congresso. Mas o paralelo não se aplica a Portugal. Nos EUA o orçamento é da responsabilidade do Congresso, os congressistas têm um papel extremamente activo na sua preparação e nas inúmeras modificações que introduzem e não poderiam seriamente fazer esse trabalho político sem ter ao seu dispor um órgão profissional que os apoiasse. Ora em Portugal, como em todas as democracias europeias, o orçamento não é elaborado da mesma forma: é preparado pelo Governo e apresentado à Assembleia, que eventualmente vota modificações que têm de novo de ser estudadas e preparadas pelo Governo.
Há ainda um elemento muito negativo no envolvimento do Banco de Portugal na análise das contas públicas em conjunto com a Assembleia da República. O Banco de Portugal está hoje isento de influência política directa e conquistou uma mercada e importante reputação de seriedade e de independência. O seu envolvimento em questões de uma sensibilidade política extrema não é desejável, sobretudo se feita sob a orientação da Assembleia, onde a perspectiva política nunca pode estar ausente. O banco central provavelmente já ultrapassou o limite do que seria prudente, ao pronunciar-se de forma tão comprometida sobre as "verdadeiras contas públicas" de 2001 ou o "verdadeiro orçamento" de 2005. A forma como as suas análises são utilizadas e as controvérsias a que essa utilização dá origem não contribuem para manter a imagem de isenção e independência do Banco de Portugal que é absolutamente essencial ao País.