Viagem ao Mundo do Surreal..por Manuel Pinho
quarta-feira, julho 27, 2005
Neste link, poderá encontrar o discurso de Manuel Pinho proferido na segunda-feira à noite na Ordem dos Economistas.
Depois do Manuel Pinheiro, e de também por aqui, nos termos debruçado, sobre o monumental engano do ministro, aqui fica para a posteridade a prova do "crime"...
Recordo que os nossos vizinhos acabam de anunciar um programa gigantesco de 241 biliões de euros de investimento até 2020, quase duas vezes o Pib português, na expansão da sua rede de transportes. Só na rede ferroviária, serão 103 biliões de Euros. Se estivéssemos em Espanha, não se estaria a falar de dois “elefantes brancos”, estaria a falar-se de uma “manada inteira” .
De facto, Manuel Pinho nas suas contas, tem toda a razão em avançar com a OTA. O custo da obra - 5 mil milhões - representa face ao PIB Português - versão Pinho - pouco mais do que 0,02 %, algo perfeitamente displicente.
Acontece que o PIB português - versão real - é de 140 mil milhões de Euros...
Não é um erro. É um verdadeiro vírus no pai do choque tecnológico e no mentor do programa económico do PS... ao pensar que a Espanha poderia investir 10 vezes mais que o PIB Português... quando de facto o investimento espanhol se fica pelo 241 Mil Milhoes de Euros...
Publicado por António Duarte 16:02:00 12 comentários Links para este post
O que querem Cavaco e Soares?
Passado o primeiro choque sobre as surpresas prováveis das presidenciais e feita a devida crítica sobre as fortíssimas limitações dos actuais partidos de poder, demonstradas pelas escolhas em presença (crítica que não se encerra aqui), convém ir pensando no resto do cenário, no filme inteiro. Para isso recomendo hoje o editorial de Martim Avillez Figueiredo no Diário Económico (texto disponível aqui).
Para todos os efeitos acho saudável termos um governo do PS com quatro anos de maioria absoluta, completos. Uma coisa é acabar o estado de graça e ir fazendo marcação cerrada aos deslizes do governo, outra é pedir mudanças governativas em cada meio ano. Se juntarmos este vício à ineficácia dos partidos enquanto geradores de alternativas estruturadas percebemos porque é tivemos vários governos que se mostraram mal preparados para encarar a legislatura. Por agora lá vai recorrendo (o actual governo) ao melhor do preparar para fazer... fazendo. Felizmente quase todos os dias vão chegando algumas boas novas que amenizam os ácidos no estomogo sobre outras panfletárias, medidas que geram um mínimo de expectativas estimulantes como a digitalização de processos na justiça, o reafirmar da implementação do cartão de indentificação único (uma bomba anti-burocracia, a ser implementado), o acerto nos mecanismos de regulação das relações laborais, ou ainda a muito bem divulgada e promovida recuperação de prestações sociais.
Em suma, quando olharmos para as presidenciais temos de olhar também para que governação queremos e, ainda que qualquer um dos candidatos (do PS e do PSD) não sejam os melhores para a actual conjuntura (pós-dissolução e de descrença partidária), conjugando um bocadinho da memória de quem é Cavaco em matérias de autoridade, autoritarismo e exercício do poder, e de quem é Soares, até mesmo pela sua perspectiva jacobina de ver a política de que se falou há dias pela blogoesfera, prefiro claramente pagar para ver, ou seja, votar em quem me dá mais garantias de permitir que se complete o ciclo do executivo sem perder o sentido crítico sobre a governação.
Dez anos de travessia no deserto de Cavaco Silva não me fizeram esquecer os seus péssimos exemplos em matérias que muito preso na democracia, precisamente algumas das características que mais valorizo na figura do Presidente da República.
Quanto à idade, confesso que me preocupa mais o retirar de um certo socialismo ingénuo da gaveta do Soares recente (que não tenho grandes dúvidas voltará a engavetar se reassumir funções de mais alta figura do Estado) do que o que dizem as tábuas de mortalidade ou de morbilidade. Era só o que nos faltava andar a fazer contas de cabeça para reduzir as probabilidades de morte em exercício tendo por base a matemática. Porque não avaliar também o nível de obstrução das coronárias? Já agora que tal divulgar uns testezinhos à apetência para os candidatos desenvolverem doenças degenerativas a curto prazo? A idade apresentada como argumento isolado é demasiado perigosa para a nossa (minha?) própria ideia de sociedade.
Sinceramente, acho que a falência dos partidos em apresentarem novos e bons portugueses para a representação do país deveria ocupar-nos mais as discussões do que os anos dos candidatos. Afinal, a absoluta aversão ao risco (provavelmente reforçada pela fraca auto-confiança nas suas capacidades) é neste momento uma das principais causas de estrangulamento do sistema político em Portugal.
Publicado por Rui MCB 15:20:00 1 comentários Links para este post
fazer sentido
A notícia vem serena e só surpreende os crentes. António Costa recupera negócio (o do SIRESP) que anulou a Santana, e faz a capa do Diário Económico. Ao que parece e depois do barulho todo não foram afinal encontrados vícios relevantes (estranho eufemismo). Renegoceia-se e pronto. Num país normal tudo isto seria um caso de polícia, antes, durante, e agora, mas como o que interessa são as formalidades e a ordem dos factores vai acabar tudo bem, para todos, pelo que até o Dr. Lopes pode ir de férias descansado.
Há, é claro, uma série de coisinhas que ninguém explica adequadamente, e uma delas é a necessidade última do SIRESP tal como está pintado neste estranho "concurso". De certeza que é preciso criar quase de raiz um novo operador móvel, com tecnologia proprietária - com o fim único de servir as forças de segurança e protecção civil ? De certeza mesmo ? Não seria possível - tal como acontece noutros lados - o Estado garantir para si - no âmbito das contrapartidas que os operadores fixos e móveis são obrigados a dar - serviços e largura de banda "mínima", para emergências, sendo que no topo desta largura de banda garantida, haveria então sim uma integração uniforme. Não ficaria assim tudo mais barato, escalável e funcional. A redundância que quatro ou cinco ou seis operadores podem dar é infinitamente superior à que um único dá mas... as coisas são o que são.
A propósito doutro grande mistério dos nossos tempos - a Ota - alguém dizia nos nossos comentários que...
acredito que a decisão do governo tem outros fundamentos. acredito que tenha sido pensada e estudada. de outra forma, nada faz sentido.
Pensemos pois que tudo faz sentido, que tudo foi pensado e estudado, e foi-o, por financeiros e banqueiros, e assobiemos para o lado. Há aliás tradição. Durante 40 anos vivemos numa ditadura "suave", onde - dizem - até não se vivia mal, no Leste era pior, desde que não se pensasse muito e não se fizessem perguntas. Os outros, os que sabiam, decidiam e pensavam por todos. Faz sentido.
Publicado por Manuel 13:13:00 4 comentários Links para este post
a chupeta do Estado
"É evidente que os grandes investimentos em infra-estruturas, dado a sua grandeza e o seu risco, só são, em geral, atraentes para as empresas privadas em regime de parceria com o Estado." afirma candidamente Vital Moreira. Eu - tanso - julgava que na essência da economia de mercado estivesse também o risco (calculado) que os privados cometessem no anseio de obterem os maiores prémios. Vital confunde as garantias (nomeadamente de estabilidade/segurança) que o Estado deve providenciar com a (falta de) sustentabilidade/racionalidade ou não - a médio/longo prazo - de um qualquer grande projecto. É evidente que os grandes projectos não devem ser lançados pelos privados contra o Estado e vice-versa mas, mas convinha que Vital meditasse um bocadinho num único caso - a Lusoponte. Admito que a uma certa esquerda tradicional seja dificil imaginar algo ou alguém a sobreviver sem chupetas do Estado, mas se se esforçar vai ver que chega lá.
Publicado por Manuel 12:57:00 0 comentários Links para este post
Contra os fundamentalismos
Portugal está numa situação sui generis em que o Governo defende o investimento em grande obras públicas independentemente da sua racionalidade económica, que se recusa a discutir e em que toma como dogma e em que os que se opõem a tais projectos defendem, igualmente independentemente da sua racionalidade económica, que qualquer grande projecto é má ideia.
Sendo, como sou, há anos, constestatário da solução Ota, custa-me ver o projecto do TGV metido, sem mais nem ontem, no mesmo saco.
Temos de ter presente que a actual rede ferroviária tem quase 150 anos, que tem uma característica física (a bitola, que representa a distância entre os carris) que nos torna incompatíveis com a Europa - uma decisão tomada após as invasões francesas para blindar a península - e, a prazo, com a própria Espanha, que está a fazer o que deve, usar a nova rede de alta velocidade, compatível com a Europa, para criar uma nova rede de caminhos-de-ferro que possa sustentar a mobilidade interna de pessoas e mercadorias e o tráfego internacional de mercadorias para o centro da Europa.
Os custos de ficarmos confinados, já não à península, mas ao território nacional, têm de ser incluidos na equação.
Publicado por irreflexoes 12:23:00 4 comentários Links para este post
Trata-se afinal de uma proibição que, a ter de existir, não abona nada a favor da classe (o que também só importa a quem acredita na superioridade moral das classes, para mim, como em todas as profissões, existem apenas bons e maus profissionais).
Por outro lado, estranho que, no meio de todo o universo legislativo da função pública, não exista já uma lei aonde se encaixe esta conduta reprovável e que permitisse, a quem tinha a obrigação de o fazer, actuar contra os infractores, já que, à semelhança, imagino que também não seja permitido a funcionários de uma câmara, de uma repartição pública, ou de uma comissão de coordenação regional darem “explicações” privadas sobre como fazer melhor, a troco de dinheiro, não sendo, para o efeito, necessária nenhuma legislação especial a proibir.
Publicado por contra-baixo 12:22:00 4 comentários Links para este post
Aforismo partidário
A absoluta aversão ao risco, reforçada pela fraca auto-confiança nas suas capacidades, é neste momento uma das principais causas de estrangulamento do sistema político em Portugal.
Mais logo, depois de almoço, uma outra visão sobre as presidenciais.
Publicado por Rui MCB 11:03:00 4 comentários Links para este post
Bebés no Hospital S. Bernardo obrigam a transferir piolhos para outros hospitais
terça-feira, julho 26, 2005
Não fora assomar inesperadamente na Portela uma excursão de ingleses de jellaba e passa-piolhos, não haveria como transportar os milhares de piolhos e lêndeas hoje despojados da maternidade de Setúbal, uma vez que as ambulâncias não têm resistido aos inúmeros buracos do sistema nacional de saúde e foram colocadas entretanto no prego pelo saudoso Campos e Cunha para ajudar a conter o défice. Votados ao desprezo após séculos de relações estreitas e privilegiadas, os piolhos recordam que “foi graças a nós que, por exemplo, se aprimoraram aparelhos tão úteis como o pente anti-lêndeas, ou a ciência descobriu o gama benzeno hexacloreto, com a fórmula química C6H6CL6, também denominado lindano, um dos mais potentes insecticidas, larvicidas e acaracidas”. O mais grave de tudo, prosseguem, é “o manifesto desrespeito pelos mais idosos inculcado nas gerações mais novas, que se repercutirá tragicamente no futuro, pois, como é justo lembrar: bebé és hoje, piolho serás amanhã”.
Publicado por Nino 21:28:00 1 comentários Links para este post
Tragédia... na Ordem dos Economistas
Para começar, o ministro da economia procedeu à reinvenção do PIB Português, algo característico sempre que o PS chega ao Governo. É certo que Luís Viana no DN, transcreve da seguinte forma...
Recordo que os nossos vizinhos acabam de anunciar um programa gigantesco de 241 mil milhões de euros de investimento até 2020, quase duas vezes o PIB português, na expansão da sua rede de transportes
A verdade é que o Ministro não disse mil milhões... mas sim biliões.
Não é grave, e até Mário Soares já trocou milhares por milhões, o que é grave aqui é o ministro por momentos assumir que o PIB Português é de 120 biliões de euros. De facto assim a OTA era uma pequena migalha. O custo estimado da OTA situa-se nos 5 Mil Milhões de Euros.
Está claro que o Manuel Pinheiro, percebeu logo que deste debate surgiria uma lição da economia keynesiana, e a promoção do investimento público, como motor da economia. Várias vezes Manuel Pinho estabeleceu analogias entre a Coreia e Portugal, entre os kms de auto estrada que a Espanha têm e Portugal não têm, ou entre o TGV Espanhol, que curiosamente os espanhóis assumem não conseguirem rentabilizar e a necessidade de Portugal também possuir, sob pena de ficar ainda mais periférico.
Infelizmente, caí na tentação de questionar pessoalmente, Manuel Pinho...
- a) A semelhança do que conseguiu no Yahoo espanhol, lanço-lhe o desafio de publicar no portal do governo, os estudos que sustentam a decisão do governo em levantar a OTA.
- b) Quando fala na necessidade de mais investimento público, e da sua necessidade, não está a levar em linha de conta que o que Portugal precisa não é mais, mas sim melhor investimento público. Fala na logística de transportes e no conceito de rede, mas no seu discurso nem uma palavra sobre o porto de Sines.
- c) A OTA custará 5 mil milhões de Euros. Saberá o governo que existem melhores soluções e que não colocam Portugal num plano ainda mais periférico, como a OTA nos colocará ?
- d) Manuel Pinho, falou que a estratégia de longo prazo, passa pelo plano tecnológico. E as reformas na educação, na segurança social, na função pública, na organização administrativa do território ?
A tudo isto, Manuel Pinho remeteu-se ao silêncio. Ou melhor respondeu-me, que Portugal deve ombrear com a Espanha, a Coreia, e a Grécia em termos de investimento público. Que o plano tecnológico vai enviar 1.000 jovens para as melhores empresas mundiais de tecnologia - provavelmente já não regressam - Apenas isto !
Já sabia que este governo era mau. Ontem fiquei a saber que o mesmo governo, não só é mau, como é moralmente incapaz, e tecnicamente incompetente, e que de facto não há qualquer estudo para implementar a OTA... Para eles é apenas uma questão de feeling !
Publicado por António Duarte 20:00:00 18 comentários Links para este post
A culpa é da vontade
A culpa não é do sol
se o meu corpo se queimar
a culpa é da vontade
que eu tenho de te abraçar
A culpa não é da praia
se o meu corpo se ferir
a culpa é da vontade
que eu tenho de te sentir
a culpa é da vontade que vive dentro de mim
e só morre com a idade
com a idade do meu fim
a culpa é da vontade
A culpa não é do mar
se o meu olhar se perder
a culpa é da vontade
que eu tenho de te ver
A culpa não é do vento
se a minha voz se calar
a culpa é do lamento
que suporta o meu cantar
a culpa é da vontade que vive dentro de mim
e só morre com a idade
com a idade do meu fim
a culpa é da vontade
Antonio Variações
Publicado por contra-baixo 19:49:00 1 comentários Links para este post
Depois descobriu que eliminaria os apoiantes indefectíveis no Ocidente
Bin Laden tentou envenenar toneladas de cocaína nos EUA.
Publicado por Nino 19:15:00 1 comentários Links para este post
democracia musculada
Há certas medidas que, se forem submetidas a processos prévios de consensualização, como tantas vezes aconteceu no passado, não conduzem a nada
Alberto Costa, o déspota esclarecido, Público - 26/07
Publicado por Manuel 17:42:00 1 comentários Links para este post
equivocos & presidenciais.
Já o escrevi, por aqui, em tempos - que tecnicamente não sou um cavaquista, mais, duvido muito que o cavaquismo, tal como é apresentado por detractores e adeptos, alguma vez tenha existido. Dito isto, é penoso, verdadeiramente penoso, assistir recorrentemente a uma espécie de coligação entre uns e outros com vista a reescrever o passado, que nunca é apresentado como foi mas ou mitificado ou diabolizado. Por estes dias é dislate, atrás de dislate, uns donde se esperaria, outros nem tanto.
O Prof. Cavaco, e a sua governação, é assim apresentado ou como a fonte de todas as virtudes, ou como a raíz de todos os males, não havendo, ao que parece, espaço nem para o meio termo, nem para um mínimo de sensatez. Falta a uns e a outros um mínimo de humildade, a uns, reconher que Cavaco foi de facto o melhor primeiro-ministro da Democracia Portuguesa, e a outros, que tendo sido um excelente primeiro ministro, e até por via da sua qualidade humana, cometeu erros, alguns grandes.
Parece contudo, que não é por via do que Cavaco fez ou deixou de fazer enquanto foi primeiro-ministro que agora - em meu entender - deixa de ser a personalidade adequada para exercer o cargo de Presidente da República. O prof. Cavaco é - no momento - o presidente da república ideal essencialmente por aquilo que fez, e não fez, sobretudo desde que deixou de ser primeiro ministro.
Alguns apontarão a alegada frieza do personagem, outros a alegada falta de cultura, outros ainda o não elitismo do natural de Boliqueime como factores que o desqualificam para o cargo mas, no balanço das virtudes e defeitos, e até por via da sua própria evolução pessoal, Cavaco personifica o cocktail ideal que se espera do próximo presidente da República.
Ao contrário do que se pode dizer de outros - vide o Dr. Soares - nunca, mas nunca em tempo algum, se viu o professor Cavaco interferir desde que abandonou a actividade política activamente na mercearia política. Desligou-se completa e cabalmente do PSD, deixando-o entregue ao seu destino. Todas as intervenções do Professor Cavaco o foram dirigidas ao país, e ao sistema político em geral, abstraídas de questiúnculas partidárias, e grosso modo sempre dessa forma foram - a seu tempo - assim interpretadas. Mais, foi o primeiro a chamar a atenção para o monstro - em tempo de vacas gordas - pelo que não deixa de ser soez a acusação de que o pai do dito é afinal ele (factualmente Portugal e Espanha só começaram a divergir com Guterres já Primeiro-Ministro...). Dito isto, só por má-fé ou manifesta ignorância é que se pode insinuar que Cavaco será - por definição - um Presidente belicoso vocacionado para salvar e vingar a honra das direitas (mas quais ?). Cavaco, ao longo do tempo, sempre demonstrou um apurado sentido de estado e de responsabilidade que o levaram aliás a ser acusado por (ex?!) correlegionários seus de traidor já que ainda no Verão passado pôs claramente os interesses do país - face aos delírios santanistas - à frente dos da força política de que foi líder.
Há - é claro - um fantasma que persegue o Prof. Cavaco - os proclamados cavaquistas. Acontece que ao contrário de outros, e mais uma vez temos a inevitável comparação com o Dr. Soares, nunca o Prof. Cavaco fez questão de ter uma corte, uma quota, ou uma seita, à diposição, nunca, do Além, negociou lugares ou deixou que os regateassem em seu nome, percebendo sempre, e em todo o momento, rigorosamente qual era o seu lugar. É verdade que deixou um estilo, estilo esse pessoal e intransmissível, impassível de ser imitado. O cavaquismo é se o quisermos uma mistura blended de competência e eficâcia, associada a uma gestão política apurada e nunca - como muitos, até auto-proclamados cavaquistas, o querem pintar - uma mera associação de tecnocracia com carisma.
A votos em Janeiro de 2006 vai um Homem, apenas é só um Homem. Um ex primeiro-ministro que não enriqueceu à custa da política, que não se deslumbrou com o poder, e que enquanto o deteve fez o melhor que pode e soube. É verdade que cometeu erros - a sua falta de sensibilidade - à época - para áreas fundamentais como a educação e a saúde - onde teve tantas políticas (divergentes) como ministros ainda hoje saem caro ao país, sendo que - registe-se - ninguém ao tempo questionou verdadeiramente essas mesmas politicas. É verdade que se enganou em algumas escolhas pessoais que fez, quem não engana ? É fácil - dizer-se agora - que com os recursos de que Cavaco dispôs se faria melhor. Talvez se fizesse, mas outros tiveram tantos ou mais recursos e nem aos calcanhares lhe chegaram. Dentro do - humanamente - possível ninguém fez mais, e melhor, que ele.
Por outro lado Cavaco tem uma característica rara num político - o desprendimento, total e absoluto, pelo poder. Nunca o acusaram de pôr o PSD, e os seus interesses, à frente dos interesses do País, e - recorde-se - quando em consciência achou que não tinha mão no PSD saiu. E se o PSD ao fim destes anos todos ainda não se libertou de alguns dos tiques que levaram Cavaco a afastar-se, ninguém em seu pleno juízo pode acusar Cavaco de verdadeiras responsabilidades. Os tabús, os incompreendidos tabús, são, e foram, apenas e só a corporização da rejeição aos timings do sistema e do politicamente correcto.
Desenganem-se pois aqueles que veêm em Cavaco o salvador, ou o derradeiro redentor. Não é por isso, ou para isso, que Anibal Cavaco Silva deve ser Presidente da República.
Devê-lo-á ser porque - em tempo de crise - Portugal e os portugueses precisam de um referencial de estabilidade, de credibilidade, de alguém que saibam, tenham a certeza, que não tem agendas secretas ou camufladas. De alguém que mais do que deixar uma derradeira herança quer apenas e só servir Portugal.
Mas, há ainda uma outra classe de razões para se desejar que o Prof. Cavaco chegue a Presidente da República. É um facto que o actual sistema político funciona mal, tem vícios, e está, mais dia, menos dia, condenado ao fracasso, e também é um facto que per se não se regenerará tão cedo. Ora, a candidatura de Cavaco Silva não será nunca partidária, uma boa parte do aparelho do PSD abomina-o até, mas popular, basista, não será a esquerda vs a direita, mas sim o confronto entre diferentes maneiras de ver Portugal e o mundo, reconciliará pois os eleitores com o eleito, porque sendo desintermediada e livre de vícios aparelhístico-partidários.
Queira Cavaco e, nesta campanha presidencial que se avizinha, pode iniciar uma autêntica revolução - desde logo ao nível do financiamento - aceitando só e apenas , com toda a transparência, doações dos seus apoiantes, desde logo ao nível da participação, fugindo à habitual triagem aparelhistico-partidária, desde logo ao nível dos temas já que pode falar de tudo sem constrangimentos.
O Prof. Cavaco tem hoje - como ninguém - condições objectivas e subjectivas, de fazer o que o país mais precisa - de pensar sobre si próprio - sem auto-censuras politicamente convenientes - e de olhar para o futuro. Dele não se espera que seja tutor ou fiador de coisíssima nenhuma, apenas que seja um garante de progresso e desenvolvimento.
Associada a este upgrade qualitativo - nomeadamente quando comparado com o perfil do ainda titular do cargo - teremos a inevitável, e que só peca por tardia - requalificação do sistema politico-partidário, à esquerda e à direita. À esquerda por cairem de vez os mitos, à direita, porque o Prof. Cavaco será, não duvidem, o primeiro a distanciar-se, e a exigir distância e responsabilidade, até porque qualquer neocavaquismo para o poder ser terá de ser primariamente descavacaínado...
É, para terminar, redondamente falso que o embate entre o Dr. Soares e o Prof. Cavaco seja o embate entre duas figuras do passado. Se pode ser dúbio que o Dr. Soares tenha evoluído nestes últimos 10 anos (e convinha que ele precisasse de novo a sua interpretação dos poderes presidenciais até para o Dr. Sócrates poder dormir mais descansado), não se percebendo o que pode ter a acrescentar, só por manifesta cegueira é que se pode arguir que o Prof. Cavaco não evoluiu, e sobretudo não aprendeu com muitos dos seus erros passados.
Face ao panorama e para alguns, a tentação abstencionista poderá até ser grande mas, na hora da verdade, a pergunta a que é preciso responder é uma e uma só - num momento de aperto, de crise, de incerteza, em quem se confia para tomar uma decisão dura (e que tanto pode passar por exemplo por deixar cair como por segurar Sócrates, a quem já muitos no PS querem de facto e desde já dar a cicuta), difícil mas necessária ? Em Cavaco? Em Soares ? Quem estará mais livre, e imune a pressões ? Tudo o resto, não sendo assessório, quase que passa para segundo plano.
É por tudo isto, e com o à vontade de quem já criticou e há-de, com certeza, voltar a criticar, que eu não posso deixar de votar no Prof. Cavaco.
Publicado por Manuel 16:30:00 12 comentários Links para este post
não deve ser verdade mas...
Ao que parece não é só no seio do Governo que tem havido falhas de comunicação, já que também no interior do Partido Socialista muito boa gente não gostou de ter sabido tarde e a más horas de uma ou outra coisinha. A última que corre é a hipótese de a antiga ministra da igualdade do Eng Guterres, a Dr.a Maria de Belém, ter estado, e ainda estar, a ponderar uma candidatura presidencial, agora, alternativa à do Dr. Soares, impulsionada, não só mas também, pela entourage do Dr. Alegre... stranger things already had happened before.
Publicado por Manuel 15:37:00 0 comentários Links para este post
Publicado por contra-baixo 12:56:00 0 comentários Links para este post
The boogie man
Publicado por irreflexoes 10:21:00 2 comentários Links para este post
O Museu de Cera da República já abriu ao público. Entrada 2€.

Publicado por Carlos 00:04:00 8 comentários Links para este post
Pura Dedução...
segunda-feira, julho 25, 2005
- 1. Na questão do novo aeroporto na Ota, o governo assume que a Portela é para encerrar.
- 2. Na questão da privatização da Ana-Aeroportos de Portugal, o governo insiste em não inserir nos activos da empresa, a % que a mesma detêm nos terrenos da Portela.
- 3. Os terrenos da Portela valem qualquer coisa como 980 Milhões de Euros.
Publicado por António Duarte 19:00:00 5 comentários Links para este post

A boy stands near sand sculpture 'Balance' made by Nederlands' sculptors, Martijn Smits and Martijn Rijerse, during a festival of sand sculpture in St. Petersburg, Russia, Friday, July 22 , 2005. Teams from Europe take part in the IV International Festival of Sand Sculpture with motto 'Revolution' at the beach of the St. Peter and St. Poul Fortress. (AP Photo/ Dmitry Lovetsky)
Publicado por Manuel 18:46:00 0 comentários Links para este post
Publicado por Manuel 15:42:00 2 comentários Links para este post
Quadratura do círculo
Já não é só na TV que podemos ver JPP tentar meter quadrados dentro de circulos.
Independentemente de se achar que a candidatura de Mário Soares é uma má ideia (desde logo para o próprio) é um erro crasso afirmar que...
"A candidatura de Soares será o protótipo do intervencionismo presidencial, ao modelo do seu segundo mandato, dominado pela utilização do lugar presidencial para derrubar a todo o custo o governo." para concluir que "Soares será o candidato da instabilidade e Cavaco da estabilidade"
Porque pressupõe que Soares se ocuparia de derrubar um governo de esquerda. Um racíocinio que careceria, pelo menos, de algum aprofundamento.
Porque omite o facto de, muito provavelmente, Cavaco vir a ser pressionado pela direita para demitir este Governo tão breve quanto possível, o que transformaria um episódio único (a "demissão" de Santana Lopes) numa alteração estrutural do equílibrio presidencial-parlamentar que nos rege, que serviria bem o conhecido voluntarismo e autoritarismo do homem de Boliqueime.
Porque serve muito bem uma certa estratégia que a direita possa ter, de virar o PS mais "blairiano" contra o PS mais "puro" mas não é por isso que transparece menos da adopção de tal estratégia um certo desespero de quem pensava que tinha a eleição presidencial no bolso (análise com a qual eu próprio concordei).
A candidatura de Mário Soares deve gerar preocupações, certo, nomeadamente as que se referem à atrofia da classe política e à total incapacidade de o actual sistema político-partidário se renovar. Mas quanto a estabilidade ...
Publicado por irreflexoes 11:13:00 8 comentários Links para este post
prémio de consolação

Para compensar estes engulhos não seria de espantar que o mandatário de Mário Soares venha a ser... Freitas do Amaral. Sim, esse mesmo.
Publicado por Manuel 00:17:00 5 comentários Links para este post
delírios
O conceito da angústia
Li e voltei a ler o último post de Pacheco Pereira, intitulado Candidaturas presidenciais. Há laivos de uma angústia que a face do Prof. Cavaco também evidenciava ontem, quando afirmou perante as câmaras que teria de consultar a família antes de tomar uma decisão sobre a candidatura a Belém. Há no entanto uma diferença abissal: o post de Pacheco Pereira destina-se a atravancar a renúncia do Prof. Cavaco (e não a beliscar Soares), enquanto a audição da família (que não deve conversar sobre outro assunto para aí há dez anos) deixa entreaberta a porta para a desistência. É a segunda vez que o Prof. Cavaco se vê empurrado para Belém – e é a segunda vez que se vê encurralado. Da primeira conhece-se o fim.
podem lêr-se no Diário da República
Publicado por Manuel 00:08:00 1 comentários Links para este post
este também não estudou programa do PS...
domingo, julho 24, 2005
Fernando Pinto, administrador-delegado da TAP, deu uma entrevista ao Diário de Notícias que será publicada, na integra, segunda-feira e onde fala sobre o aeroporto da Ota e o da Portela. «Nunca vi um estudo a justificar a Ota. Nem eu, nem ninguém na Associação Portuguesa de Transportadoras Aérea (Aportar)», garante.
Publicado por Manuel 20:56:00 0 comentários Links para este post
semi-quê ?
Ao que tudo indica, aos 81 anos, Mário Soares vai mesmo ser candidato presidencial. A confirmar-se, e com ou sem, o prof. Cavaco na corrida será inevitável uma mudança de regime.
Há, desde já, a registar o dado curioso de que ao mesmo tempo que Vitor Ramalho - amigo intímo de Soares - apela à federação de todas as esquerdas em torno de Soares, nem no PS, este é consensual tendo sido preciso Sócrates erguer a voz, para sair ao menos por cima. A ala esquerda do PS, mormente os sampaistas, fez de tudo para lançar Alegre, e ainda não se lhes ouviu uma palavra de rendição ao tsunami soarista.
Publicado por Manuel 20:06:00 2 comentários Links para este post
Previsão
Atentado terrorista em Portugal em Janeiro de 2006, na semana precedente ao sufrágio presidencial. Ultimato da Al-Qaeda clamando o esboroamento das relações transatlânticas e a eleição de um humanista reconhecido internacionalmente paranifando o diálogo entre a Nação Islâmica e o Ocidente Infiel.
Publicado por Nino 19:06:00 2 comentários Links para este post
Bem-vindo, dr. Soares
1. José Sócrates, famoso em Portugal e arredores pela sua presuntiva autoridade, sofreu, em apenas uma semana, dois reveses nessa sua "qualidade". O primeiro, constituiu-se na "fala" amplamente comentada de Freitas do Amaral, algo que ele suportou menos mal, ruminando a "inteligência" do exercício. Como quase sempre, Freitas marcha a reboque dos acontecimentos. Também aquela sua "fala", como escrevi, antecipou a verdadeira. E chegamos assim à segunda machadada na famosa autoridade. Ainda há poucos dias, Sócrates disse que as presidenciais não estavam nem na sua agenda, nem na agenda dos portugueses. Ninguém, acrescentou, lhe arrancaria o mais vago comentário sobre o assunto, de que cuidaria oportunamente. Engano dele. Mário Soares "obrigou-o" a dizer publicamente quem era o candidato do PS. Ou seja, Soares começa ao contrário. "Encolheu" da nação para o partido, quando normalmente um aspirante presidencial "cresce" de um partido para a nação. Não obstante, é o primeiro melhor último recurso depois de Guterres, Vitorino ou de Alegre que -imagino - deve estar nesta altura "invadido" pelos melhores sentimentos.
2. Os desenvolvimentos dos últimos dias, no seio do governo, trouxeram de volta a lembrança da verdadeira "génese" política de Sócrates. Primeiro, o "aparelho" local partidário, depois o "aparelho" geral partidário, com o mesmo apoio "logístico" de que Guterres já tinha beneficiado contra Sampaio, o omnipresente dr. Jorge Coelho. A grunhice de Mesquita Machado, o "patrão" dos autarcas socialistas, proferida acerca da demissão de Campos e Cunha, avivou-me definitivamente a memória. Mário Soares vem porventura tentar tapar o último buraco da sua carreira política, ao mesmo tempo que ajuda a tapar o do partido e o de Sócrates, manifestamente já "a reboque" do "fundador". O "modelo" presidencial, protagonizado durante algum tempo por Soares e durante todo o tempo por Sampaio, está claramente ultrapassado. Já não basta ser "moderador e árbitro". Vai ser, sobretudo, preciso um "orientador". Soares, de novo em Belém, não quererá deixar de o ser, especialmente em relação a um Sócrates que intimamente deve desprezar e que, mesmo sem ainda ter anunciado nada, já "comanda". Chamar-se-á a isto "estabilidade"?
3. Eu estive no MASP I e II, há mais de vinte e de quinze anos respectivamente, correndo riscos de expulsão partidária no primeiro caso. Quando o desvario Barroso/Santana Lopes estava no auge, defendi aqui uma recandidatura "soarista". Sobreveio inesperadamente Sócrates e, com ele, a maioria absoluta do PS, que apoiei. A entrada de Mário Soares na "corrida" de 2006 confere-lhe indiscutivelmente uma densidade política bastante mais interessante do que se esperava. E, seja qual for o resultado, dará uma legitimidade democrática robustecida ao novo presidente que eu continuo a defender que deve ser Cavaco Silva, por razões que a seu tempo detalharei. Desta vez não o acompanho, dr. Soares. Mas seja bem-vindo.
Publicado por João Gonçalves 18:32:00 3 comentários Links para este post
Curiosidades de além mar
sábado, julho 23, 2005
Corrijam-me se me engano.
Nos Estados Unidos da América o combate ao défice orçamental do Estado Federal é motivo de distinção política: os republicanos estão-se pouco lixando com o amanhã e rebentam alegremente com as finanças públicas, reduzindo os impostos que recaem sobre os rendimentos dos mais abastados e investindo exorbitâncias na área da defesa, por exemplo, enquanto minam tudo o que é função social do Estado (cuidados de saúde, segurança social, meios de comunicação social públicos, escolas públicas...), bem como, o estatuto dos funcionários públicos retirando-lhes regalias e direitos adquiridos.
Por lá são apenas os liberais (democratas) que erguem a bandeira do equilíbrio orçamental propondo a reposição da carga fiscal do passado, racionalizando as despesas militares (tentando pela via diplomática arranjar cofinanciamento para as soluções das aventuras militares que desencadearam quase unilateralmente), liberalizando o mercado dos medicamentos (um pouco na linha do que o actual governo português se está a preparar para fazer) e reafirmando o carácter universal dos cuidados médicos, entre outros. Reconhecem contudo que o equilíbrio das contas públicas é condição necessária para ser possível ter um estado interventivo e capaz de assumir as responsabilidades sociais e o carácter regulador, políticass mais caras à esquerda. No ar fica mesmo a sensação de que o desequilíbrio orçamental que George W. Bush iniciou ainda antes do 11 de Setembro de 2001 faz parte da agenda conservadora: não há nada mais eficaz do que rebentar com o Estado levando-o ao ponto de serem necessários varios anos de políticas com o fito quase exclusivo de equilibrar as contas para garantir que o Estado não terá condições de meter o bedelho onde os lobbys que dominam as políticas conservadores não querem.
Sendo ou não verídica esta interpretação o resultado prático das políticas dos republicanos terá inevitavelmente esta consequência.
Por cá, é virtualmente impossível perceber diferenças a este nível. Por cá, seguramente a esquerda não teve o seu Bill Clinton que conquistou um superavite em período de crescimento económico. Por cá todos, da esquerda à direita se preocupam com o défice, todos são corresponsáveis pela situação actual, todos apresentam as mesmas (más) soluções para o problema.
Pior que o ridículo tabu de Cavaco sobre as presidenciais (mais um, igualmente revelador do calibre da figura) é o tabu latente que se encontra na esquerda em querer enfrentar o problema pelo lado das despesas estruturais e definir e assumir os seus valores políticos.
Tão cedo não haverá outra maioria absoluta do PS, perante o desafio nacional existente e o singular ciclo eleitoral (com mais de três anos de poder executivo após as próximas autárquicas e presidenciais) tudo o resto deveria ser pouco mais que insignificante
Políticos com vistas largas perceberiam que esse também é o melhor interesse do partido socialista e, acima de tudo, do país.
(.)
Publicado por Rui MCB 22:45:00 7 comentários Links para este post
jobs for the sons
Segundo o último O Independente a PT emprega, ou empregou, filhos de António Guterres, Marcelo Rebelo de Sousa, Jorge Sampaio, Francisco Pinto Balsemão e... Otelo Saraiva de Carvalho. O Estado é grande e manifesta-se das formas mais curiosas.
Publicado por Manuel 19:11:00 6 comentários Links para este post
mel com fel
Publicado por Manuel 19:02:00 1 comentários Links para este post
