Ninguém se indignou, porque quem pode pode, mas Patrick Monteiro de Barros, apresentado como o maior accionista privado da Portugal Telecom, falou feio e grosso ao Expresso deste fim de semana. A vítima, numa primeira análise, foi Abel Mateus e a Autoridade da Concorrência, mas em última instância quem Patrick Monteiro de Barros insultou foi todo um país. Do alto da sua arrogância o amigo americano do BES veio dizer que não respeita o Estado, que não respeita o titular da golden-share, esse mesmo Estado, e dá-se ao luxo de dar conselhos e palpites ao Órgão, desse mesmo Estado, que deveria regular o Mercado, e garantir garantias mínimas de normalidade, lealdade, transparência e livre concorrência no mesmo - a Autoridade da Concorrência. Monteiro de Barros poderia até ter razão na substância, não tem. A PT que ele defende é a mesma que tem uma contabilidade tão má, tão má (é só um eufemismo) que não "consegue" calcular a rentabilidade da sua rede de cobre abstraindo-se assim de baixar os preços dos circuitos de cobre aos restantes operadores porque (!) não sabe ao certo quanto lhe custam a ela (foi esse o motivo da rusga ordenada por Abel Mateus)... A PT que ele defender pode ser dos maiores e mais rentáveis gigantes económicos portugueses mas, quanto dinheiro, e tempo, já perdeu o país por ter um monopólio de facto na área das telecomunicações ? Quanto já perderam os consumidores ? A PT que ele defende só existe tal como existe porque não há coragem, nem vontade, de a desmembrar, de a tornar mais competitiva e ao mercado, de separar o retalho do ramo grossista e o cobre do cabo, etc, etc, etc... Monteiro de Barros falou assim porque temos um Estado fraco, pesado e que não se dá ao respeito, e uma classe política mediocre e tibuteante perante os capitalistas do Olimpo, Monteiro de Barros, que não é parvo, não falou apenas para recordar que há valores acima do Estado, falou essencialmente com um e um só destinatário - José Sócrates. Não fosse o lider do PS ter ideias. É que está uma campanha à porta que vai custar muito dinheiro. Portugal também é assim.

Publicado por Manuel 14:18:00 2 comentários Links para este post  



Ontem em São Nicolau

Quis a sorte que eu ontem estivesse talhado para ir a São Nicolau com a minha moça. Um hábito esporádico como aliás já aqui relatei no Adufe em tempos.

Não sei se sabem o que se passou na Igreja de São Nicolau em Lisboa. Clero e poder político em auto-bajulação, ou quase... Os primeiros agradecendo aos segundos o dinheiro para a recuperação da Igreja - que ficou lindíssima confesso.

Auto-bajulação? Exagero um pouco. Consolou-me o nosso cardeal patriarca num muito suave sermão adventício. Perto do final, com os fieis e laicos à sua frente (incluindo Santana Lopes, Gomes da Silva e Carmona Rodrigues) apelou a que colocássemos "mais verdade nas nossas análises". Apelou e tornou a apelar: mais verdade, mais verdade, mais verdade. Três vezes apelou.

Não consta que São Nicolau oferecesse barretes às criancinhas mas o ministro do Vaticano ontem foi muito generoso. Amen.

Publicado por Rui MCB 13:32:00 0 comentários Links para este post  



Indicadores de Confiança - Novembro de 2004


Confiança recupera nos serviços e construção e degrada-se na indústria transformadora e comércio indicador de confiança nos consumidores mantém evolução negativa

O Indicador de Clima estabilizou face ao mês anterior, após ter mantido uma trajectória descendente entre Agosto e Outubro.

Em termos sectoriais, verificaram-se deteriorações dos níveis de confiança na Indústria Transformadora e no Comércio, tendo-se apurado recuperações na Construção e, particularmente, nos Serviços.

Em Novembro, o indicador de confiança dos consumidores registou, pelo quarto mês consecutivo, uma evolução negativa.

in INE

Destaco ainda este curioso lead que os dados do INE inspiraram no jornalista do Jornal de Negócios (mais um anti-Santanista primário...)

A confiança dos consumidores portugueses desceu em Novembro, pelo quarto mês consecutivo, tendo assim apresentado uma trajectória negativa desde a tomada de posse do actual Governo de Santana Lopes. O indicador de clima, que mede a confiança dos empresários, estabilizou o mês passado.





Publicado por Rui MCB 11:45:00 0 comentários Links para este post  



"Detenções Constitucionais"


Se falamos sem o necessário estudo, corremos, pelo menos dois riscos : de cometer erros e de ofender alguém.

Diz a Constituição no seu artigo 27, nº3 que a privação da liberdade pode ocorrer, no caso de:

b) Detenção ou prisão preventiva por fortes indícios de prática de crime doloso a que corresponda pena de prisão cujo limite máximo seja superior a três anos...

DR. I,S, 24/Julho, 2004, pág.4653 –

E no artigo 28, nº1:

1.A detenção será submetida, no prazo máximo de quarenta e oito horas, a apreciação judicial, para restituição à liberdade ou imposição de medida de coacção adequada...

idem, pág.4654 -.

Não é, pois, correspondente à Constituição da República, o afirmar-se que SÓ é constitucional deter um cidadão, quando seja “previsível” que a medida de coacção aplicar seja a da prisão preventiva, coisa que está prevista nos nºs 2, 3 e 4 do artigo 28, assim distinguindo a Constituição as outras medida da mais grave.

De “Direitos” recebo, com agrado, sugestões, ensinamentos e críticas, pois sempre fez jus a um tratamento democrático destas questões. E fá-lo de modo sério e fundamentado.

De “outros”, não recebo lições de respeito pelos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos... O meu passado e presente, nesse domínio, falam por mim.

Quanto às televisões e jornais, devo dizer que ainda está por provar que o Ministério Público ou a Polícia Judiciária tenham algo a ver com isso.

É que “quem se não sente, não é filho de boa gente”.

E mais não digo, por óbvias razões, embora suponha que, em matéria tão grave, fosse de exigir não só mais cuidado, mas ainda melhor estudo da situação.

Alberto Pinto Nogueira

Publicado por Manuel 11:43:00 27 comentários Links para este post  



Window cleaners work on a highrise building in Beijing. (AFP/Peter Parks)

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A Raposa e as Uvas

aqui lemos uma notícia.

aqui lemos uma outra

e

aqui lemos uma conhecida fábula de La Fontaine:


Certa raposa matreira, que andava à toa e faminta, ao passar por uma quinta, viu no alto da parreira um cacho de uvas maduras, sumarentas e vermelhas. Ah, se as pudesse tragar! Mas lá naquelas alturas não as podia alcançar. Então falou despeitada: Estão verdes essas uvas. Verdes não servem pra nada!

Publicado por Nicodemos 22:30:00 0 comentários Links para este post  



António Barreto
"O Mestre dos Silêncios"


O silêncio sempre foi considerado um atributo maior da política. O que deve decorrer do mistério que quase inevitavelmente dele resulta. Falar de mais é frequentemente considerado um erro. Falar pouco parece ser uma arte. Nunca falar é até arrepiante. Quem está calado deve estar a pensar. Tem seguramente muito para dizer ao mundo. Deve ser sábio. Estas ideias, superficiais, tanto estão certas como erradas. Mas os mitos subsistem. Quem não se deixava muito enganar por eles era o General De Gaulle, que escreveu nas suas memórias que nem sempre a admiração pelos esfíngicos se justificava. A sua experiência dizia-lhe que, por vezes, quando um desses seres se decidia finalmente a falar, a surpresa era geral, pois apenas diziam imbecilidades. Por isso é que, em verdade, o Mestre do silêncio é aquele que domina a palavra. E que a usa. Quando deve ser. Foi o que fez Cavaco Silva. Menos de uma semana depois de Santana Lopes o ter tentado aprisionar e diminuir, libertou-se do abraço homicida, limpou a face do beijo de Judas e, em cinquenta linhas de uma redacção quase infantil, destroçou a direcção de um partido e o governo de um país.

Este homem é um caso da política nacional. Desde o seu aparecimento que quase toda a gente se enganou. Foi desvalorizado por muitos, desprezado por alguns, posto em ridículo por bastantes. Denunciaram-lhe a falta de jeito, a má oratória, o aspecto crispado, a ausência de cultura humanística, a rigidez de raciocínio e a aversão pela política. Até o mau vestir, o feio penteado e o sotaque provinciano lhe foram criticados pelas classes ilustres de Lisboa, que só reconhecem valor aos do seu rebanho e que recorrem a indicadores ditos sociais, quando lhes faltam os políticos e os intelectuais. A sua ascensão, as duas maiorias absolutas, os dez anos de governo, a gestão da primeira década europeia de Portugal e a sua campanha eleitoral de 1995 estão aí para demonstrar que ele tinha trunfos e talentos que os seus adversários, do mesmo ou de outros partidos, foram incapazes de detectar. Igualmente de relevo é a década que passou afastado da política, em casa e na universidade. Poderia ter dito mil coisas, arranjado dezenas de empregos, presidido a vários organismos, aparecido constantemente nas televisões, apadrinhado os pobres, cortejado os ricos e desfrutado os prazeres de uma reforma dourada ou empenhada. Não o fez. Recolheu-se a um relativo e estudado silêncio. O que fez, não por maçada ou modéstia, mas antes meticulosamente, num exercício de contenção rara em Portugal, para assim maior valor dar às suas palavras. Cada vez que o fez (notoriamente com o "Monstro" do défice e, agora, o "governo dos incompetentes"), deixou a pátria incomodada, semeou esperanças, irritou interesses, incomodou os instalados e criou novas realidades. Tudo isto exige preparação, estudo atento das situações e das oportunidades, exame das circunstâncias e percepção fina dos momentos políticos e psicológicos. Pouco fica entregue ao acaso. Já quando da sua chegada ao pré-histórico congresso da Figueira da Foz, o que pareceu espontâneo, improviso e repentino era tudo menos isso.

É tímido e não terá efectivamente muito jeito para a retórica política habitual. Mas nada disso tem qualquer espécie de importância. Ou antes, tem, porque são aparentes deficiências transformadas em virtudes ou talentos. Em tempos de descaramento e de verbo excessivo, a timidez é uma qualidade. Como em tempos de corrupção e facilidade, a sua honestidade, que deveria ser um traço banal e corrente da nossa vida, é sinal de excelência. Da não política fez política por excelência. Da sua alegada competência profissional, fez autoridade política. E da sua crispação acanhada fez distância serena. Com a política, aprendeu a fazer política: em dez anos de governo, ficou outro homem. Percebeu que não fazer política era a melhor política de que era capaz e que ninguém o igualava nesse estilo. A sua circunspecção aumentou-o. Deixou naturalmente consolidar uma reputação inatacável de seriedade e autoridade. Sendo certo que os interesses económicos olham para ele com volúpia, a verdade é que as corporações e as empresas o receiam.

Quando foi Primeiro-ministro, deixou recordações. Durante um tempo, houve a impressão de que havia autoridade do Estado democrático. É verdade que descurou a justiça e a Administração Pública. Adiou a Segurança Social. E permitiu o desvario nas universidades e na reforma da educação. Além de nunca ter sabido conviver coma imprensa. Mas, do que tratou como prioridades (por exemplo as privatizações, os fundos europeus, as estradas e as infra-estruturas), foi eficiente e fez obra. E não são poucos os que, entre adversários e opositores, reconhecem os seus méritos e o respeitam.

Não são muitas as pessoas que se podem gabar de ter, com um só artigo de jornal, contribuído para dissolver um Parlamento e demitir um governo. Bem sei que toda a esquerda aplaudia ou reclamava; que, com o novo estilo de Jorge Sampaio, o gesto estava nas cartas; e que, na véspera da decisão presidencial, a Igreja e os empresários deram uma ajuda inestimável. Mas o seu escrito sobre os políticos incompetentes, de uma simplicidade a roçar a ingenuidade, teve certamente uma influência indelével. Daqui para a frente, tudo depende dele. Não está prisioneiro do partido, nem de organizações particulares. A sua reputação raramente esteve tão sólida. É legítimo que aspire a Belém, mas quem olha para ele pensa na fuga de Guterres, no abandono de Barroso e nos desastres de Santana. Não sei se consegue, de São Bento, organizar o país em segunda edição. Nem se, de Belém, tem a capacidade para presidir com competência e sem quezília. Mas sei que só ele, a partir de um ou do outro palácio, pode pôr o PSD em ordem. Já não é pouco.

in Público

Publicado por Manuel 10:06:00 1 comentários Links para este post  



crónicas de um futuro já presente ?...




TOKYO (AFP) - Japan's growing elderly population from will be able to buy companionship in the form of a 45-centimeter (18-inch) robot, programmed to provide just enough small talk to keep them from going senile.

Ver mais aqui...


Publicado por Manuel 01:49:00 6 comentários Links para este post  



remakes


Há 81 anos - o mesmo país

Quem desconheça a História de Portugal pode pensar que nunca o nosso país viveu uma crise como a que hoje atravessamos. Na realidade o que se passa hoje em dia é similar a periodos que Portugal atravessou no passado. Alguns bloguistas fazem citações de Eça, Ramalho, Guerra Junqueiro, que mais parecem ter sido escritas há poucas horas.

No meio do acervo de cartas que me encontro neste momento a estudar, encontrei uma que foi escrita por Alfredo de Magalhães (1870-1957), político da 1ª República, ministro da instrução de Sidónio Pais e Salazar, Reitor da Universidade do Porto e responsável pela construção da maternidade Julio Dinis no Porto.

Em 9 de Março de 1923, escreve ao General Simas Machado a propósito da morte recente de Basílio Teles, da carta destaco a seguintre passagem...

Esta gente portuguesa, toda ela, de alto a baixo, vai descendo vertiginosamente os últimos degraus da abjecção. Nada me surpreende. É a miséria integral. Algumas das individualidades que ainda ofuscam os olhos da nossa parvolândia com o esplendor da sua celebridade, tenho-as no na conta de malandros da pior estôpa. Com suas falas e maneiras graves, e o competente pigarro da respeitabilidade convencional, elas são a o modelo vivo da hipocrisia e da velhacaria triunfante, já se vê - bem comidos e bem bebidos - Modelos que este bom povo, corrompido até ao tutano da alma, vai seguindo e imitando fielmente, com tal ou qual nota de escândalo.[...] Tudo lama! Esperança? Só a tenho no Dilúvio Universal.[...]

Em Política só triunfam os homens de acção, Não basta ter caco. Em Portugal é mesmo preferivel ter cascos ....

Alfredo de Magalhães - 1923

in Nova Floresta

Publicado por Manuel 22:00:00 1 comentários Links para este post  

Quem me lê com regularidade sabe que eu não gosto do Dr. Portas. Não gosto e pronto. O que não me impede de reconhecer virtualidades no político. Hoje, Pulido Valente, no Público, diz que listas conjuntas são também a última esperança do Dr. Portas. Vale o que vale, VPV nunca foi muito bom a analisar o seu ex-director no Independente, mas agora, já esta tarde, vejo o PP afinal a admitir também a hipótese de listas conjuntas. Atendendo a que não é preciso ser bruxo para se inferir que a seguir ao PS o PP é quem mais pode beneficiar com legislativas antecipadas, ou é fogo de vista, ou das duas uma - ou o Dr. Portas é, afinal, menos inteligente do que se julga ou, escolham, está bem mais preso do que se julga. Nos próximos dias se saberá.

Ah, eu sei que não tem nada a ver, mas num destes posts eu antevi as próximas legislativas como a campanha eleitoral mais torpe, caceteira, suja e terrorista de que há memória. Espero, sinceramente, estar de todo errado.

Publicado por Manuel 18:01:00 4 comentários Links para este post  

O assunto pode parecer menor, face aos affaires de Pinto da Costa e às desventuras do Dr. Lopes e do Dr. Sampaio, mas devia fazer pensar muito boa gente, é que há muitas e boas razões para isso. Refiro-me concretamente aos valores obtidos pela candidatura de António Marinho nas eleições ontem ocorridas no seio da Ordem dos Advogados, porque se a vitória de Rogério Alves só surpreende os desatentos, o estrondoso segundo lugar, vencendo até em Coimbra e no Porto, de António Marinho é de registar. É que, para quem não reparou, uma certa forma de estar em público, frentista, corporativa, sectária até, na forma e no discurso bloquista, porventura anti-sistémica, pela primeira vez (des)colou. Um sinal, mais um, entre muitos...

Como nota de rodapé, há a registar a triste despedida do grande derrotado da noite de ontem, José Miguel Júdice, que tendo uma queda por submarinos mais parece um surfista nato, já que depois de todos os elogios ao actual titular da pasta da Justiça se despede com rasgados elogios a... José Socrates.


Publicado por Manuel 15:41:00 1 comentários Links para este post  



Governos e partidos

De um comentário de Maria da Fonte II a um post anterior, transcrevemos, com a devida vénia, a seguinte passagem...


Em Portugal a chegada de um partido ao poder traduz-se na diluição por osmose, deixando de funcionar como reserva crítica e distanciada dos actos de governação e dispensando a mobilização social para a concretização do programa eleitoral (diferente do programa de governo). Porquê? Se é verdade que noutras paragens se assiste a um abrandamento da actividade partidária, contudo a organização partidária continua a ter papel activo, crítico dos actos de governação, propondo ajustamentos, fazendo a ponte entre a governação e sociedade, mas não se confundindo com o poder e o Estado. Quanto ao facto de a candidatura a líder partidário "implicar" idêntica candidatura a 1º ministro (aplicável sómente ao PS e PSD) produz os riscos e erros protagonizados por C. Silva e A. Guterres, além dos provados com M. Soares, que deram lugar a episódios pouco edificantes. Precisaram dos seus partidos em determinadas alturas, mas noutras sentiram-se por eles embaraçados. Defendo separação higiénica das duas coisas.

Publicado por Nicodemos 14:56:00 1 comentários Links para este post  



Evangelho segundo Menezes

O sumo sacerdote tornou-lhe a perguntar: "És tu o Redentor, Filho Bendito de Sá Carneiro?" E Santana disse-lhe: "Eu o sou".

E o sumo sacerdote, rasgando as suas vestes, disse: "Para que necessitamos de mais testemunhas? Vós ouvistes a blasfémia, que vos parece?" E todos o consideraram culpado de morte.

E alguns começaram a cuspir-lhe em cima, e a cobrir-lhe o rosto, e a pontapeá-lo, e a dizer-lhe: "Salva-te se és capaz". E os servidores esbofeteavam-no.

Estando Jorge em baixo no átrio, chegou uma das criadas do sumo sacerdote. Vendo-o enrubescido, desafiou-o: "Tu também estavas com Santana há quatro meses".

Mas ele negou-o, dizendo: "Não o conheço, nem sei o que dizes". E saiu em direcção ao alpendre, e o galo cantou. E a criada, vendo-o outra vez, começou a dizer aos que ali se encontravam: "Este é um dos tais".

Mas ele negou-o outra vez. E pouco depois os que ali estavam ripostaram: "Verdadeiramente tu és um deles, porque és também leão, e a tua pronúncia é semelhante". E ele começou a praguejar, e a jurar: "Não conheço esse homem de quem falais".

E o galo cantou segunda vez. E Jorge lembrou-se das palavras que Santana lhe tinha proferido: "Antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás". E, retirando-se dali, chorou.

Publicado por Nino 14:21:00 7 comentários Links para este post  


BRANQUEAMENTOS DE GOSTO MUITO DUVIDOSO:

Segundo parece, no 24 HORAS terá sido publicado um artigo de opinião de Clara Pinto Correia onde esta considera que a pedofilia é uma "escolha de gosto duvidoso", embora entenda que "de gosto mais duvidoso ainda, e mais moralmente repreensível, é (...) andarem a farejar-se os segredos (...) das figuras públicas".

Não sei de que site CPC foi desta vez buscar as suas opiniões; espero apenas que não as tenha tirado da sua cabecinha e que nem sequer se tenha apercebido do que transcrevia pois de outra forma é grave. É extremamente grave que alguém minimamente lúcido catalogue a pedofilia de "uma escolha" e que não a consiga qualificar de outra forma que não seja apenas "de gosto duvidoso".

Mais grave ainda é pretender que a bisbilhotice coscuvilheira dos jornalistas sobre aqueles que geralmente se põem em biquinhos dos pés para saírem nos jornais é "de gosto mais duvidoso" e "mais moralmente repreensível" do que a pedofilia.

A pedofilia é, aliás, tratada por CPC como um simples vício e estes devem ser escondidos como CPC esconde os seus vícios pessoais dos seus filhos.

Pois eu não tenho nada a ver com os vícios pessoais de CPC e acho até natural que quem os tenha os esconda dos filhos: quem não quer que os filhos andem permanentemente a escarafunchar as narinas não anda propriamente a catar catotas à frente das crianças. O que já não é natural é que CPC escreva sobre a pedofilia de uma forma tal que nos leve a pensar que, se um dos seus filhos infelizmente chegasse a casa queixando-se de ter sido molestado por um bárbaro pedófilo, CPC se limitaria a dizer: "Oh... que desagradável!... É incrível como há gente com "escolhas de gosto tão duvidoso", não é, minha querida da mamã?..."


Vasco Lobo Xavier, Mar Salgado

Publicado por Manuel 04:11:00 2 comentários Links para este post  



"Windows" de oportunidade...



retirado, com a vénia devida, d' As Ruínas Circulares...


Publicado por Manuel 20:05:00 1 comentários Links para este post  

Jorge Sampaio, a mais alta figura da nação, o mesmo que despediu Santana por incompetência, esqueceu-se de avisar a segunda figura do Estado, e Presidente da Assembleia da República, de que ia dissolver essa mesma Assembleia da República. Um exemplo de competência e profissionalismo, já se vê. E se eu, um destes dias, muito realisticamente dizia que não havia tempo nem condições para correr com Santana do PSD e ir o PSD a votos com um candidato e um programa decentes, espero, sinceramente, que muito em breve não tenha de chegar à conclusão, também eu, que, concordando em abstracto com a decisão de Sampaio de provocar a queda desta legislatura, ter de reconhecer que ela se veio a verificar errada, porque Sampaio, o tal que é o mais alto magistrado da nação, não tem, também ele, estaleca nem sentido de Estado para aguentar o barco e o País até às legislativas. Isto quando se pode avizinhar, e Sampaio tem obrigação de o saber, a campanha eleitoral mais torpe, caceteira, suja e terrorista de que há memória. E se tal ocorrer, sê-lo-á, única e exclusivamente, por culpa do actual inquilino de Belém, que pelos seus silêncios, gaffes e omissões tal propiciará... Assim, ou Jorge Sampaio emenda rapidamente a mão, ou provará de uma vez por todas que, na hora da verdade, não é afinal melhor que o Dr. Lopes. Porque em Política o que parece é.

Publicado por Manuel 15:05:00 10 comentários Links para este post  




O economista e social-democrata António Borges assumiu hoje estar disponível para renovar o PSD, mas considerou que «infelizmente» não há tempo para discutir um novo candidato do partido às eleições legislativas.

Em entrevista publicada hoje no Diário Económico, o vice-presidente da Goldman Sachs considera que a situação do país é «suficientemente séria» para que ninguém possa dizer que fica de fora. «Nenhum de nós se pode alhear e estaria disposto a participar numa equipa que tivesse como missão renovar o PSD, desde que as pessoas fossem da minha confiança», declarou. O empresário disse ainda que «há a disponibilidade de muita gente para assumir um papel de responsabilidade» e que «isso tem de passar por uma grande renovação do PSD». «E é isso que acontecerá seguramente no PSD nos próximos meses», estimou.

Questionado se o primeiro-ministro, Santana Lopes, deve ser o candidato do PSD às próximas legislativas, António Borges afirmou que «infelizmente parece que essa questão não se põe». «Não haverá tempo para discutir o assunto antes das eleições. Em qualquer caso, vamos precisar de fazer uma profundíssima renovação no PSD», acrescentou o antigo vice-governador do Banco de Portugal. António Borges criticou ainda Santana Lopes por ter falhado a função de coordenar o Governo. «A função do primeiro-ministro é coordenar o Governo, dar-lhe credibilidade, comunicar correctamente uma direcção e uma política económica em particular. E nessa matéria temos as maiores reservas e as maiores razões de queixa, como admitem os ministros que saíram. Isso estava a falhar redondamente», comentou.

O economista manifestou-se ainda contra a aprovação do actual Orçamento de Estado, por considerar que «é muito difícil pedir à Assembleia da República» que o faça «depois de ter sido anunciado que será demitida». Se o orçamento para 2005 não for aprovado, António Borges não prevê grandes impactos na economia portuguesa: «porque este orçamento não se estava a revelar estabilizador, tranquilizador». O empresário manifestou ainda esperança de que Cavaco Silva seja o futuro Presidente da República.

in Expresso Online

Publicado por Manuel 10:20:00 6 comentários Links para este post  

O Dr. Macário Correia, militante do PSD e autarca do PSD, exprimiu uma opinião pouco abonatória sobre o Dr. Lopes, instado a comentar o líder do PSD considerou sobre Macário que "é uma pessoa que não considero relevante". Muito democrático, exemplar mesmo. Pôr o lugar à disposição em frente ao espelho, naturalmente não conta, mas é o que temos...

Publicado por Manuel 23:59:00 3 comentários Links para este post  



depois das agruras do Inverno, a Primavera...



Publicado por Manuel 21:01:00 2 comentários Links para este post  



Sampaio e arredores...



Esperar que o Sr. Presidente acerte duas ou três vezes consecutivas é manifestamente pedir demais.

Não só vamos ter um Orçamento (mirabolante) aprovado por um governo já (politicamente, de facto) destituído como ainda por cima Jorge Sampaio está a contribuir objectivamente para uma maior pantanização da vida política portuguesa, facto que dizia querer evitar e que aliás terá sido a causa última da queda do governo. Eu não quero lavagem de roupa suja, mas já era tempo de o Dr. Sampaio explicar ao País formal e solenemente porque dispensou os serviços desta troupe.

Que o Dr. Lopes, na mais completa impunidade, não preste esclarecimentos, nomeadamente sobre o que se passou nas últimas três semanas, até pode ser considerado normal, que Jorge Sampaio o não faça é que já custa a engolir. É que não falando Sampaio arrisca-se a meter-se, e ao País, em mais um atol - o de ficar com a fama de ter tomado a decisão certa com todas as consequências erradas...

Entretanto, e a provar que ainda sensatez nas hostes do PSD estão as declarações Marques Mendes esta tarde quando afirmou que «um Congresso neste momento é uma questão que não se põe, com um líder votado há três semanas. A não ser que o próprio Santana Lopes sinta que não tem condições para ir a eleições e disputar com sucesso o cargo de primeiro-ministro»...

Uma última palavra para Paulo Portas, em grande forma, há que reconhecer. Para quem não reparou o líder do PP não reconheceu, ontem, "fundamentos" a Sampaio, sempre dava muito nas vistas, mas foi dizendo que foram dados "pretextos" a Belém, para depois, já hoje, o PP, pela voz de Pires de Lima Jr, pouco delicadamente recusar claramente qualquer nova coligação pre-eleitoral com o PSD.

ainda só passaram dois dias.

Publicado por Manuel 17:58:00 2 comentários Links para este post  



Um tiro falhado

A anunciada intenção de dissolução da Assembleia da República pelo Presidente Jorge Sampaio foi um acto reactivo e emocional.

Em Julho, quando Durão Barroso abandonou o barco e havia mais que motivos para dissolver o parlamento, o Presidente não o fez. Pensou, hesitou, ouviu todos e mais algum, voltou a hesitar e acabou por nomear Primeiro-Ministro um individuo que, manifestamente, tinha poucas condições pessoais e políticas para exercer essa função.

Por causa dessa sua decisão, foi o PR acusado de tudo e mais alguma coisa, maltratado pelos partidos de esquerda, acusado de traição ao seu eleitorado.

Isto deve-o ter marcado profundamente. Quem conhece Jorge Sampaio, sabe que é um homem emotivo, de bom coração, que se emociona com muita facilidade. Sentiu certamente remorsos. Começou a ver aproximar-se o termo do seu mandato e a pensar que iria ficar para a história como o presidente de esquerda que fizera um frete à direita. Não aguentou a pressão. Decidiu que, à primeira oportunidade, emendaria o erro. O tempo, contudo, era curto, pois a partir de Junho próximo deixaria de poder dissolver a AR. Começou, então, a ficar impaciente. Tinha que ter um motivo forte, não podia ser visto como o principal gerador de uma crise.

Os tempos que se seguiram proporcionaram-lhe algumas oportunidades, como o caso Marcelo. Mas eram oportunidades frouxas, sem justificação para o uso do meio mais drástico que o sistema constitucional permite.

Ainda tentou algumas provocações, como o veto à criação do Gabinete de Propaganda. Poderia ser que o Santana respigasse e, aí, poderia abrir-se a desejada crise que lhe permitisse a dissolução. Mas o Santana percebeu a intenção e, com falsa humildade, encolheu-se.

A semana passada, inesperadamente, um obscuro ministro abriu-lhe a tal “janela de oportunidade”. Um amigo, até aí indefectível, de Santana, acusava-o de falta de lealdade e de ser mentiroso.

Jorge Sampaio julgou ser o momento. Ou é agora ou nunca. E vai daí, sem hesitar e sem chamar a Belém a habitual corte de conselheiros, anuncia a intenção de iniciar o processo de dissolução do parlamento.

Precipitou-se!

Com a sua decisão, neste momento, provavelmente mergulhou o País num prolongado período de instabilidade.

Porquê?

Em primeiro lugar, não é certo que, neste momento, o PS esteja em condições de ganhar as eleições com maioria absoluta. Sócrates ainda não se instalou devidamente na cadeira de secretário-geral, o show das “Novas Fronteiras” ainda não arrancou e os cofres do PS não devem estar a abarrotar de dinheiro para a campanha.

O mais provável, assim, é uma vitória do PS em Fevereiro, com maioria relativa.

Para suportar um governo com um mínimo de estabilidade, Sócrates precisará, pelo menos, do apoio parlamentar do PCP e do BE, senão mesmo de uma coligação com um deles, ou com ambos. Mas, para ter esse apoio, terá que fazer muitas concessões, nomeadamente ao nível de aumentos de salários da função pública e de regalias socais, de aumento das despesas públicas. Ou seja, o regresso a um Guterrismo encapotado, mas com efeitos altamente perniciosos no futuro.

Basta ler o post de Medina Carreira mais abaixo para perceber o que significará um governo PS sem maioria. Tenho para mim que só um governo de maioria absoluta, sem PCP ou BE, permitiria fazer as reformas, dolorosas, que o Pais precisa.

Por outro lado, em termos de alternativas, o momento também não poderia ser o pior.

Santana Lopes, ainda que relativamente desacreditado ao nível da opinião pública em geral, ainda não está suficientemente desacreditado dentro do próprio PSD. Os barrosistas, depois da fuga de Barroso, passaram quase todos para declarados santanistas de alma e coração e ainda não tiveram tempo de arranjar um líder de facção. A tendência social-democrata, por outro lado, está fragilizada e ainda um pouco perdida. Mesmo a descolagem de Marques Mendes no último congresso ainda não teve tempo de começar a produzir os seus frutos, o que só se poderia sentir daqui a alguns meses, quando se começassem a dar as eleições para as concelhias e as distritais.

Assim, neste momento, qualquer alternativa à actual liderança, é um caso praticamente perdido. Bem pode Pacheco Pereira ou Miguel Veiga, suspirar pelo regresso de Cavaco, ou de outro líder, que isso não sucederá. Santana vai agarrar-se ao poder interno como a lapa à rocha e terá grandes hipóteses de sobreviver, que mais não seja por falta de alternativa suficientemente organizada.

Do lado do PP, por seu lado, o mais provável é a radicalização do discurso, com vista à tentativa de arregimentação do eleitorado mais à direita.

Assim, o cenário mais provável para 2005 é um governo Sócrates apoiado por Jerónimo de Sousa e Louçã.

Será um governo fraco, de curta duração, em que Sócrates estará diariamente sujeito a pressões de perda de apoio se não aumentar 10% os funcionários públicos, se não abolir todas as portagens de pontes e auto-estradas, se não começar a pensar em algumas nacionalizações e, quem sabe, numa nova reforma agrária.

Qual poderá ser, face a este cenário, a reacção previsível do eleitorado do centro, moderado, daquele que, inclinando-se ciclicamente para o PS ou para o PSD, faz perder e ganhar eleições ?

Tenho para mim que esse eleitorado, assustado com o peso que o PCP e o BE terão no governo ou na maioria que o suportará na AR, voltar-se-á para o PSD, não obstante a liderança de Santana.

Assim, o mais provável é que, lá para 2006 ou 2007, haja outra vez eleições antecipadas e que, então, revigorado por meses de aglutinação do eleitorado do centro e da direita, Santana possa ter uma maioria absoluta, sozinho ou de novo com o CDS de Paulo Portas.

Ou, pior ainda, que nenhum partido consiga a maioria absoluta e tudo volte, de novo, ao princípio, eventualmente com outros protagonistas.

Por isso é que digo que o bom do PR se precipitou, que agiu emocionalmente, que não viu que o ideal seria deixar a legislatura ir até ao fim porque, nessa altura, haveria certamente melhores condições para termos um governo de maioria absoluta, de legislatura, que garantisse a estabilidade de que o País, manifestamente, tanto precisa.

Enfim, um tiro falhado !

Publicado por Nicodemos 13:37:00 9 comentários Links para este post  



E agora Portugal ?

O país inteiro soube da triste notícia pela televisão. O director clínico desligou a ventilação assistida. Um comunicado simples e curto, assinado pela casa civil e dirigido à comunicação social, para que esta se dignasse a informar o país, de que iriam ser dados os passos necessários para a dissolução da Assembleia da República e convocação de eleições antecipadas.

Importa antes de tudo, analisar as motivações e sobretudo as razões que levam um presidente a dissolver a Assembleia da República - que ele próprio há 4 meses decidiu legitimar e caucionar-, mas com a condição de o orçamento de Estado para 2005 ser aprovado. Ora se bem percebi, Jorge Sampaio, promulga o orçamento de estado, concordando por isso, com a política orçamental do governo cessante, mas depois decide dissolve-lo.
Bem sabemos que hoje o Partido Socialista está mais bem colocado para ganhar as eleições do que há 4 meses, e as últimas sondagens dão conta disso. Ora se Sampaio concorda com a política orçamental, é sinal que para ele a coligação promove vida para além do défice.

Nada faz sentido, e Jorge Sampaio que há 4 meses, cometeu o primeiro erro, decide emenda-lo e cometer outro ainda de maior gravidade, com efeitos gravíssimos para o país, senão vejamos:

Com o orçamento de 2005, aprovado, um governo de gestão que será aquele que funcionará desde a dissolução até a tomada de posse de um novo governo, provavelmente no início de Março de 2005, não poderá e segundo a constituição portuguesa, efectuar mais do que a gestão corrente do país.

Ora, parece hoje legítimo pensar, e até pelo que Sócrates afirmou, que em caso de vitória do PS, o mesmo terá um orçamento substancialmente diferente do que a coligação propôs. Sócrates aliás terá que lidar com muito mais do que a sua intuição. Ao afirmar que o país não tinha condições para suportar ainda uma descida de impostos, Sócrates estabeleceu - e porque no máximo a realidade que o PS encontrará se for eleito será sempre igual à que o PSD/PP sempre mostraram - que não irá mudar o orçamento, eliminando a descida de impostos.
Um outro sentido de rumo neste campo, e Sócrates assume-se como mais um político sem política de responsabilidade.

Depois, e em caso de vitória do PSD, sozinho, o orçamento que o PSD apresentar será sempre diferente do que a coligação aprovou.

Ora, está implícito que a diferença entre viver seis meses em regime de duodécimos, não para o país, não é nenhum cataclismo, e parece-me muito mais coerente, que o governo que seja eleito não possa nunca afirmar que 2005 foi um ano sobre o qual não se lhe podem pedir responsabilidades, porque aquele não é o seu orçamento.

É verdade que qualquer um partido, apresentará em Maio um orçamento rectificativo, mas também é verdade que a ser aprovado o orçamento de 2005, existem pressupostos que jamais podem ser eliminados, como o aumento dos funcionários públicos em 2,2 % ou o aumento propostos das pensões.

A tudo isto Jorge Sampaio responde com um silêncio. Ele que no dia que anunciou a dissolução, deveria ter-se dirigido ao país, e explicado literalmente, quais as razões que o levaram a tomar tal medida, já que sabemos parece estar de acordo com a política orçamental levada a cargo.

Aprovar pois o orçamento de Estado de 2005, e a seguir dissolver a assembleia da república, constitui o maior erro dos últimos 25 anos em Portugal. Algo de único e de surrealista que Sampaio decide assinar por baixo.
Viver em duodécimos durante 6 meses, permite um controlo eficaz do défice e ao mesmo tempo que :
a ) Se utilize um critério de restrição aos valores a utilizar nas autarquias em ano de eleições autárquicas.
b ) Mantem a máquina do Estado a funcionar.
c ) Não permite pagar despesa de pessoal com verbas alocadas no investimento do plano.

Permite que apenas aquele e só aquele valor seja utilizado mensalmente. E o país não para, porque o regime de duodécimos, permite que os investimentos inscritos em 2004, tenham continuação e despesa em 2005.

O que pensarão os investidores estrangeiros quando souberem que há um orçamento que vai valer durante 6 meses? É este o sinal de confiança e estabilidade que Sampaio quer dar ao país?

Por uma razão de coerência, mas acima de tudo de competência, o presidente Jorge Sampaio não pode primeiro remeter-se ao silêncio sobre as razões que o levaram a tomar esta decisão, sob pena desse mesmo silêncio ser gerador de instabilidade e mais grave não pode caucionar novamente uma decisão sua, ao pretender que o governo aprove um orçamento, para depois o governo empossado apresentar um novo.

Sampaio, uma vez mais demonstra que não possui qualidades nem qualificações para ocupar o maior cargo da república portuguesa. Não porque tenha iniciado o processo de dissolução, mas porque consegue emendar um erro com outro ainda maior.
Caro Presidente, aceite a sugestão e prefira mil vezes os duodécimos de Manuela Ferreira Leite do que um orçamento de Bagão Félix, que conta mas depois mesmo para si não conta. Tal é melhor para o país e evita que se caia no ridículo, mais um vez infelizmente.

E agora Portugal ?

Publicado por António Duarte 13:18:00 2 comentários Links para este post  


Depuis son entrée en fonctions, le 17 juillet, le gouvernement de M. Santana Lopes a cumulé les avanies : déclarations contradictoires entre ministres, soupçons de pressions sur les médias, polémique avec le gouverneur de la Banque du Portugal, et défiance des milieux d'affaires comme de l'opposition de gauche à l'égard du projet de budget pour 2005.

dans Le Monde

Publicado por Manuel 10:42:00 0 comentários Links para este post  



"Estamos entregues aos bichos"

O julgamento do Caso Pio recomeça amanhã. A esse propósito vale recordar, e meditar, esta posta do MacGuffin, porque sim...


Ontem, no programa "O Eixo do Mal", e com a cumplicidade de todos os presentes, o tema foi: “A total descredibilização da Justiça em Portugal e a prematura absolvição de Carlos Cruz.”

Nada nem ninguém – judiciária, ministério público, juizes, procurador, prisões, polícia, trolhas – foi poupado. O retrato é claro: a justiça em Portugal é uma merda. En passant, a absolvição de Carlos Cruz esteve ao rubro. Clara Ferreira Alves, por exemplo, agitava o livro de Carlos Cruz e quase que gritava “eis a Verdade”. Daniel Oliveira garantia, como só ele consegue garantir: o processo já nasceu torto e vai acabar morto. Sobre as vitimas, nada se disse. Houve apenas uma referência ao facto de «as crianças raramente dizerem a verdade» ou «mentirem muito» (o que vai dar ao mesmo). As vítimas, aliás, são todos (arguidos, queixosos, etc.), o culpado, esse é só um: a justiça portuguesa. O velho princípio da “presunção da inocência” veio à baila dezenas de vezes, mas ninguém ousou presumir um resquício de competência a magistrados e investigadores, apesar de, e para além dos inevitáveis erros de um mega processo extremamente complexo e com muita gente interessada em achincalhá-lo (o que se poderá também presumir é a infalibilidade dos presentes nas suas profissões). Depois, mostraram-se imagens de populares a gritar «morte aos pedófilos», e a coisa ficou composta. Ninguém se mostrou na disposição de esperar pelo desenrolar e fim do julgamento, porque a disposição é já outra: tudo não passa de uma grande farsa! Por que é que esta cambada de idiotas não leu o livrinho do Cruz e pronto? Para quê tanta investigação? E os jornalistas, igualmente trucidados no programa por via da generalização, por que razão foram mexer na porcaria? Em suma: estamos entregues aos bichos. E assim aconteceu: estiveram todos de acordo, todos se revelaram esclarecidos. O tema era, afinal, trivial e as conclusões «evidentes». Bonito, o programa de ontem. Quero mais.

Publicado por Manuel 22:24:00 4 comentários Links para este post  



Francamente, Durão Barroso terá consciência? alguma vez (a) teve ?...

Publicado por Manuel 20:43:00 0 comentários Links para este post  



[n]o dia seguinte...


Num país normal a carreira política de Pedro Santana Lopes tinha acabado ontem. Todavia não acabou, nem vai acabar em breve. É não conhecer a criatura, Pedro Santana Lopes, e muitos dos que o rodeiam não sabem fazer mais nada, rigorosamente mais nada, que não seja viver daquilo, ou seja, da política. Não desistirão nem capitularão sem luta, sem fazer uso de todos os meios legítimos e ilegítimos para se manterem à tona. É dramático, mas é um facto. Não há, de um ponto de vista interno do PSD, condições objectivas para agora se tentar um abalroamento de Pedro Santana Lopes; este controla o aparelho, que ninguém sério, em seu perfeito juízo, quer recauchutar, e sobretudo precisa, e merece, ir a votos para que de uma vez por todas se exorcize o (pseudo)mito.

Com eleições em Fevereiro, na primeira semana ao que parece, não há pura e simplesmente tempo para reinventar o PSD e acabar com o divórcio deste com o País. Não há, e se Pacheco Pereira não sabe isso, e sabe, então temos mais um problema.

Sócrates é mau ? É sim, senhor, e dali não se augura nada de genial, e de facto se a maioria dos portugueses, dos que ainda tinham dúvidas, não queria Santana (alguem viu uma manif que fosse de protesto contra Sampaio? até o Alberto João está calado que nem um rato) isso não significa um endorsement automático ou eufórico a José Sócrates e à sua troupe Coelhonista. Mas também é verdade que pior, mais destrambelhado, que esta seita santanista nem Barroso nem Guterres.

Num país normal, nas próximas legislativas o PSD seria uma alternativa séria e credível, no país real vamos ter Santana Lopes candidato a primeiro ministro, porque, à falta de melhor prova, é a única maneira de não o vermos todos por perto nos próximos 20 anos, a ele e à sua entourage. É - em bom rigor e em bom Português - a única maneira de "matar o bicho".

Fala-se agora muito do Professor Cavaco, que é indubitavelmente uma referência para o País e para o PSD, mas omitem-se vários dados óbvios, já que não consta que o homem, que nunca teve pachorra para a politiquice, logo para o Partido, queira, ou tenha sequer um mínimo de condições para tomar conta do Partido com este aparelho onde ululam nulidades como Isaltino, António Preto, Marco António ou Fernando Ruas, ou sequer que, mesmo eleito, com esta Constituição, pudesse governar à revelia ou à margem do sistema, que não é presidencialista. As coisas são o que são, e é com elas que tem que se contar, e não consta que Pacheco defenda a criação de um novo Partido à margem deste PSD, para sustentar Cavaco...

E não se trata de qualquer incoerência ou cobardia do Professor Cavaco, trata-se de um vício do nosso sistema, tal como está desenhado; o mesmo sistema que achava, e ainda acha, que não era altura ideal de chutar com Santana.

Ironicamente, no imediato, o grande beneficiário de tudo isto é Paulo Portas e o seu PP. Não foi ele, de facto, quem estourou com esta legislatura; bem ou mal, cultivou com eficácia (quem se lembra hoje de Cardona?) a imagem de que os seus ministros eram mais competentes e trabalhadores que os dos PSD e vai pescar votos a um eleitorado PSD, puro e duro, que não se vai abster, não vai votar branco ou nulo, ou engolir um crocodilo chamado Santana, preferindo votar no PP. Não precisam de ser muitos votos, mas vão ser os suficientes para manter o PP na linha da frente, por mais uns anos.

Não se pense, porém, que está tudo definido ou que já são tudo favas contadas para Sócrates, porque isso, mais uma vez, é não conhecer o Dr. Lopes e os seus acólitos. Farão tudo, rigorosamente tudo, para lançar a confusão.

Aquilo que compete agora à Sociedade Civil é garantir, exigir mesmo, que nas próximas legislativas os Partidos, nomeadamente o PS e o PSD, falem verdade. Verdade sobre a situação das contas públicas, verdade sobre a necessidade imperiosa das reformas, verdade sobre o estado real do País.

Aquilo que PS e PSD devem, ou deveriam, pedir é um mandato claro e inequívoco para reformar de facto o que precisa de ser reformado, numa lógica de médio/longo prazo que extravaze o tradicional imediatismo. Aquilo que quem quer ser Governo deve pedir claramente aos Portugueses é uma licença clara e objectiva para impor sacrifícios na premissa de que esse é o único meio para que Portugal regresse ao caminho certo. O resto é conversa de chacha.

[to be continued]

Publicado por Manuel 17:43:00 5 comentários Links para este post  



Dançou, né?

Hail to Mr. Sampaio, que fez este senhor perder o primado do circo a que nos condenava a todos ultimalately. O fim do terror para todos nós, dirão os ventos de bombordo. O carnaval das turvas léguas das eleições, dirão os agouros do tacho frio. Não se pode ter tudo e estar vivo é o contrário de estar morto, diría a Lili Caneças muito a propósito, convenhamos! É uma senhora, é o que é...



Lurch is a tall, brutish - looking fellow. His size and demeanor has a tendency to intimidate visitors to the mansion. The rare grimace or even rarer smile is about the most facial expression he seems to be able to achieve. Lurch is a man of VERY STRANGE words, preferring the basic primal grunt as his form of verbal communication

Lurch can also be called upon to entertain the family. He is an accomplished Harpsicord and organ player. Just don't ask him to dance.

Publicado por Visconti 14:34:00 2 comentários Links para este post  



Pró-Vida

Dia Mundial da SIDA

Via Lua

Publicado por Rui MCB 13:28:00 1 comentários Links para este post  



"A Morte à Sorte"


Nunca como hoje houve tanta informação disponível sobre a Sida, as suas causas e consequências, na Internet, em livros, em folhetos, em publicações generalistas e especializadas. No entanto, apesar de os inquiridos serem, segundo os responsáveis pelo inquérito (encomendado pela Comissão Nacional de Luta Contra a Sida), "uma casta privilegiada" em matéria de informação, preferem o jogo da sorte. É como no caso das mortes na estrada: as causas são por demais conhecidas, mas nem a divulgação dos mais terríveis acidentes de automóvel, com as mais absurdas causas e brutais consequências, chegam para evitar que, todos os dias, milhares de portugueses arrisquem por conta própria o seu jogo da sorte. A esmagadora maioria sai de casa e volta ilesa. Mas há quem veja transformada a sorte em morte.

Nuno Pacheco
in Público

Publicado por Nino 09:06:00 0 comentários Links para este post  



Ironia das Ironias

Jorge Sampaio pensou e decidiu, vai convocar o Conselho de Estado para dissolver a Assembleia da República e convocar eleições antecipadas. O reconhecimento de um erro, que só a ele pode ser imputável, ao caucionar há 4 meses atrás este governo.

Com a convocação de eleições antecipadas, e a menos que Sampaio decida cometer um erro de lesa pátria, aprovando o orçamento de Estado de Bagão Félix, algo que a verificar-se significa que nada mais neste país faz sentido, obrigará à governação em regime de duodécimos até Maio de 2005.

Mas a ironia das ironias, é que durante 60 dias, Bagão Félix e Pedro Santana Lopes, terão que governar o país sob o regime de duodécimos com base única e exclusivamente no orçamento geral de Estado de 2004, aquele que foi aprovado pela mão da senhora que "alegadamente" se esqueceu de pagar as quotas do partido.

Isto quer dizer, que durante 60 dias, Santana Lopes gastará o que Manuela Ferreira Leite em 2004, gastou e nem mais um cêntimo. Ora se muitos pediam que Manuela se pronunciasse sobre este orçamento de Estado de 2005, Manuela não se pronunciou e " provou" que afinal o seu orçamento era o menos mau....

Uma bofetada de luva branca...ou apenas a ironia das ironias...

meanwhile, a CNN, esse gigante da comunicação, dá destaque ao país que temos... The government has also locked horns with the media for alleged meddling with editorial decisions of newspapers and TV networks.

Alguém falou em aldeia global ?

Publicado por António Duarte 01:17:00 1 comentários Links para este post