rosa ...
domingo, outubro 03, 2004
Acabou o Congresso do PS. José Sócrates é agora formalmente líder da oposição e putativo candidato a primeiro-ministro.
Um destes dias o João Morgado Fernandes escrevia ...
Dou-me cada vez pior com os lugares-comuns. Deve ser falta de paciência, uma forma educada de me referir à minha própria idade. Um dos lugares-comuns em que mais tropecei nas últimas semanas respeita à corrida para a liderança do PS. Que foi uma troca de insultos, ouvi. Que foi um deserto de ideias, li. Que nada de novo trouxe, disseram. O lugar-comum: a política caiu no vazio. Discordo. Como raras vezes antes, discutiu-se política. Com ideias, com propostas marcadamente diferentes. Com propostas construtivas, no caso, de uma alternativa. Até com elevação, apesar das picardias normais, e até desejáveis, nestas coisas. Parece-me que, nestes longos meses de campanha, ficou claro que Alegre e Sócrates têm um PS bem diferente um do outro na cabeça [parece que havia um terceiro candidato...]. A política de alianças, o papel do Estado, o aborto... uma data de coisas em que divergem e sobre as quais se pronunciaram. E tudo isto foi feito em público, com clareza de linguagem. Pela parte que me toca, estava bastante curioso acerca do desfecho, embora não tivesse dúvidas sobre o vencedor. Mas, pela primeira vez, ia ser esclarecido acerca do que pensa e que quer o eleitor médio do PS - parto do princípio de que os militantes são, de alguma forma, representativos do eleitorado. Após o recentramento da era Guterres, interessava-me saber que PS temos, onde exactamente se coloca ele no espectro partidário. Sobre isso, esta disputa pela liderança foi clarificadora. Como poucas vezes na política portuguesa. E é por isso que não entendo os comentadores.
Estive quase, quase, mesmo quase, para replicar na hora mas, por uma vez, esperei. Esperei pelo Congresso, pela entronização, a ver se se consumava algo que me tivesse passado ao lado. Não me parece que tenha passado.
Eu lembro-me de João Soares (aquele que falou vagamente em nacionalizações (!)) insinuar que Sérgio Sousa Pinto, apoiante de Sócrates, teria dito que os resultados seriam sempre num mesmo sentido, lembro-me de Alegre se queixar do peso excessivo da estrutura no universo eleitoral do PS, lembro-me de umas polémicas por causa da existência ou não de debates entre os candidatos e em que termos, e até me lembro das picardias ocorridas no final de um no Porto. Eu constatei a falta de speed de Sócrates na recta final (que antecedeu as directas) que fez voltar à ribalta a máquina de Coelho, o qual cobrará a seu tempo bem caro o elevado score que a sua gente conseguiu a Sócrates, também me lembro de um texto vago e nebuloso publicado no Público antecedido por um outro publicado no DN, lembro-me de isso tudo. Mas debate sobre temas concretos, reais, substantivos, projectos, reformas ? E sei que a esmagadora maioria dos militantes do PS que votaram em Sócrates o fizeram por uma, e uma só, razão bem prosaica - por o considerarem, só e apenas, como o mais bem colocado para recolocar o PS no poder, independentemente das teses, projectos e ideias que defenda que isso é secundário. O PS não virou à direita, ao centro ou à Armani, o PS simplesmente prepara-se para tentar reconquistar o poder e Sócrates estava lá. Hoje, ouvi atentamente o discurso da vitória de Sócrates, como ontem tinha ouvido o de Gama, e está lá tudo. O que devia estar, e o que se calhar não devia. Está lá a sede de poder, o desejo de vencer, está lá a energia, como está lá toda a tropa, e todos os vícios, da era Guterres. Sócrates não é líder, Sócrates é, por enquanto, quanto muito o farol. É ver o olhar reluzente de Coelho, o sorriso de António Costa ou a monumental lata do Tó Zé Seguro que negociou a sua continuidade na liderança do grupo parlamentar pelos jornais, o à vontade dos pesos pesados que apoiaram Alegre para se perceber que Sócrates é chefe, mas pouco. Até no caso da inclusão de Narciso Miranda e Manuel Seabra, o duo dinâmico de Matosinhos, nos orgãos nacionais, Sócrates perdeu ocasião de brilhar - foram os senhores que sairam pelo seu próprio pé, não o líder que disse alto e bom som que os não queria lá... Quanto ao discurso final no que tem de diagnóstico objectivo até eu o subscrevo em boa parte, no estilo é só e apenas um guterrismo new age, nas propostas, bem, nas propostas, vamos ter uns novos Estados Gerais, por outro nome, mas de substantivo nada, rigorosamente nada. E eu até nem sou muito exigente, só queria saber o que pensa, e o que propõe, José Sócrates em matéria de políticas económicas e financeiras, só e apenas. Revê-se no SPD alemão ? nas políticas do senhor Zapatero ? nas até há bem pouco tempo do senhor Chirac ? A mim bastava-me, não queria mais. Estou-me nas tintas para saber se o PS está mais à esquerda ou à direita, afinal se tal questão não preocupa o PCP que esperou que Sócrates fosse eleito para anunciar a sua disponibilidade para "acordos" então não preocupa ninguém logo e por muito que custe a Alegre todo o putativo debate em torno desta foi puro vapor... Muito provavelmente vai haver eleições antecipadas, muito provavelmente Sócrates terá boas hipóteses de as ganhar, ao contrários destes que estão no poleiro não está publicamente queimado e a memória é curta, mas substantivamente continuo sem saber o que irá realmente fazer muito menos quem será o seu Ministro das Finanças. Talvez o João Morgado Fernandes me saiba dizer...
Publicado por Manuel 18:45:00 5 comentários Links para este post
Deus está em todo o lado ou não está em lado nenhum
O Vaticano (João Carlos Espada pronuncia-se na próxima semana) acha infeliz a aprovação do anteprojecto de lei espanhol que possibilita aos homossexuais casarem-se e adoptar crianças. falemos para já apenas do primeiro aspecto. O Vaticano não entende medidas destas como conquistas da modernidade e da democracia, antes como o início do fim. Eu, que passo a vida a reler o Livro do Apocalipse, nunca lá vi nada que me confirme as previsões do Vaticano, mas adiante. A família tradicional heterossexual está em crise? Pois está. Experimente o Vaticano passar a exigir às meninas casadoiras de branco vestidas que se apresentem virgens no altar, e a crise será ainda maior. Ensaie o Vaticano a monitorização do cumprimento das promessas de "união para todo o sempre" que esposos pios e beatos proferem no altar ( ou seja, excomungue os que seis meses depois já separaram o que Deus uniu) e a crise terá proporções biblícas.
Verifique o Vaticano se as estaladas e sovas de cinto com que o esposo brinda a esposa são conformes ao respeito pela santa figura da mãe de filhos baptizados, e crise será termo brando para definir a coisa.
Mas não. Parece que o problema da sagrada família para o Vaticano reside no facto de gays e lésbicas quererem a benção de Deus e a autorização do Estado, antes ou depois de juntarem os trapinhos. Parece que isso arruina a família tradicional.
Filipe Nunes Vicente no Mar Salgado
Publicado por Manuel 17:49:00 0 comentários Links para este post
A calico moor goldfish, an entry in the Jakarta Fish Fair 2004, swims in its tank on the last day of the three-day fish expo in Jakarta September 28, 2004. REUTERS/Darren Whiteside
Publicado por Manuel 16:11:00 0 comentários Links para este post
O "recado" espanhol
Lê-se no Portugal dos Pequeninos:
O presidente do governo espanhol. José Luis Zapatero deu na passada sexta-feira uma interessante entrevista ao jornal Público. Quando a li, fiquei com a sensação de que, apesar da proximidade geográfica, continuamos bovinamente a milhas dos nossos vizinhos, como aliás sempre estivemos, mesmo com Franco. Não obstante os sorrisinhos e as amabilidades que fazem as "cimeiras ibéricas", desde Gonzalez a Zapatero, a verdade é que nós jamais conseguimos acompanhar o estonteante "ritmo" espanhol. Nem na alegria nos podemos equiparar, muito menos nas prioridades ou na qualidade de vida. Zapatero explicou que cerca de um quarto do orçamento de Estado é destinado à ciência. Para mudarmos o modelo de crescimento temos de ter mais laboratórios, mais títulos académicos e menos tijolos, disse ele. Lopes terá percebido? E não o preocupa ficar na história como um "grande líder político". Prefere antes ser conhecido como "um grande democrata". De facto, e no momento em que decorria a primeira "cimeira" com Santana, o país de Zapatero introduzia uma modificação legislativa impensável há uns anos na catolicíssima terra do macho taurino, aparentemente com ampla caução da actual sociedade espanhola. Eu subscrevo a ideia de que nem o código civil nem qualquer igreja têm o direito de interferir na minha concepção de família. Não são quatro ou cinco artigos espúrios da lei ou um sermão que devem deterninar com quem é que cada um pode viver, dormir ou ser simplesmente feliz. De Espanha, finalmente, sopram bons ventos e bons casamentos.
Publicado por Rui MCB 13:53:00 11 comentários Links para este post
Hospitais SA - o "vale tudo"
Para início, ler a opinião de um médico no Bloga-me Mucho. Danado!
Documentos...
- 1. Proposta de ACT, do Governo
- 2. Análise da proposta, da FNAM
- 3. Análise do ACT pelo SIM
Tabela tirada de 2
| NIVEIS MÍNIMOS DE REMUNERAÇÃO DA CARREIRA ACTUAL E DA PROPOSTA DE ACT E CÁLCULO DA DIMINUIÇÃO DAS REMUNERAÇÕES EM TERMOS NOMINAIS (em termos reais é maior) | ||||||
| CARREIRA ACTUAL | PROPOSTA ACT- HOSPITAIS SA | Diminuição % | ||||
| CATEGORIA | Remuneração Mês | Hora/dia | CATEGORIA | Remuneração | Hora/dia | Remuneração |
| Mês | Horal | |||||
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| 42H semana | Euros |
| 45H semana | Euros |
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| Euros | Euros | |||||
| MÉDICOS |
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| Diminuição % |
| Chefe Serviço | 4.480,9 | 26,7 | Medico Principal | 3.398 | 18,9 | -29% |
| Assistente Graduado. | 3.712,8 | 22,1 | Médico sénior | 2.717 | 15,1 | -32% |
| Assistente | 3.072,6 | 18,3 | Médico | 2.273 | 12,6 | -31% |
| Interno Complementar | 2.304,5 | 13,7 | Médico Interno | 1.749 | 9,7 | -29% |
| ENFERMEIROS | Rem./mês-42Hsem. |
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| Rem/mês/45Hsem. | Hora/dia | Diminuição % |
| Enfermeiro Chefe | 1.995,0 | 11,9 | Enfermeiro Principal | 1.913 | 10,6 | -10% |
| Enf. Especialista | 1.695,0 | 10,1 | Enfermeiro sénior | 1.659 | 9,2 | -9% |
| Enfermeiro Graduado | 1.418,0 | 8,4 | Enfermeiro | 1.356 | 7,5 | -11% |
| Enfermeiro | 1.263,0 | 7,5 | Enfermeiro interno | 1.232 | 6,8 | -9% |
| TÉCNICOS AUXIARES | DE CUIDADOS DE | SAUDE | TÉCNICOS AUXILI- | 45 HORAS | Hora/dia |
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| ARES DE C. SAÚDE | Euros | Euros |
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| ESTE GRUPO PROFISSIONAL NÃO EXISTE ACTUALMENTE | Tec. Aux. Especialista | 945 | 5,3 | Menos 51% | ||
| AS SUAS FUNÇÕES SÃO FUNÇÕES DOS ENFERMEIROS | Tec. Aux. De Saúde | 759 | 4,2 | que | ||
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| Tec. Aux. Saude Júnior | 605 | 3,4 | Enfermeiros |
| TEC. DIAGNÓSTICO | Rem./mês | Hora/dia | TEC. DIAGNÓSTICO | Rem./mês | Hora/dia | Diminuição % |
| E TERAPÊUTICA | 35H/semana | Euros | E TERAPÊUTICA | 40H/semana | Euros |
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| Tec.Esp. 1ª classe | 1.577,0 | 11,3 | TDT Principal | 1.695 | 11 | -6,0% |
| Tec. Especialista | 1.416,0 | 10,1 | TDT Sénior | 1.485 | 9 | -8,2% |
| Tecnico 1ª classe | 1.026,0 | 7,3 | TDT | 1.205 | 8 | 2,8% |
| Técnico 2ª classe | 921,4 | 6,6 | TDT Interno | 1.095 | 7 | 4,0% |
| ESPECIALISTAS | Remuneração/mês | Hora/dia | ESPECIALISTAS | Rem./mês | Hora/dia | Diminuição % |
| INFORMATICA | 35H/semana | Euros | SERVIÇO SUPORTE | 40H/semana | Euros |
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| Euros |
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| Euros |
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| Especialista grau 3 | 2234 | 16,0 | Esp. Suporte Principal | 2.140,0 | 13,4 | -16,2% |
| Especialista grau 2 | 1861 | 13,3 | Esp. Serv.Sup.Sénior | 1.900,0 | 11,9 | -10,7% |
| Especialista grau 1 | 1303 | 9,3 | Esp. Serv.Suporte | 1.515,0 | 9,5 | 1,7% |
| Estagiário | 1055 | 7,5 | Esp.Serv.Sup.Júnior | 945,0 | 5,9 | -21,6% |
| REGIME GERAL | Remuneração/mês | Hora/dia | TECNICOS | Rem./mês | Hora/dia | Diminuição % |
| ADMINISTRATIVOS | 35H/semana | Euros | ADMINISTRATIVOS | 40H/semana | Euros | Proposta/Actual |
| Chefe Secção | 1195 | 8,5 | Tec. Ad. Coordenador | 1.195,0 | 7,5 | -12,5% |
| Ass. Ad. Especialista | 870 | 6,2 | Tec. Ad. Sénior | 870,0 | 5,4 | -12,5% |
| Assistente Principal | 700 | 5,0 | Tecnico Administrativo | 700,0 | 4,4 | -12,5% |
| Assistente Administrativo. | 617,56 | 4,4 | Tec. Adm. Júnior | 650,0 | 4,1 | -7,9% |
| REGIME GERAL | Remuneração/mês | Hora/dia | ESPECIALISTAS | Rem./mês | Hora/dia | Diminuição % |
| TECNICOS SUPERIORES | 35H/semana | Euros | SERVIÇO SUPORTE | 40H/semana | Euros |
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| Assessor Principal | 2203 | 15,7 | Esp. Suporte Principal | 2.140,0 | 13,4 | -15,0% |
| Técnico Principal | 1582 | 11,3 | Esp. Serv.Sup.Sénior | 1.900,0 | 11,9 | 5,1% |
| Técnico sup.1ª classe | 1427,5 | 10,2 | Esp. Serv.Suporte | 1.515,0 | 9,5 | -7,1% |
| Técnico sup. 2ª classe | 1241,3 | 8,9 | Esp.Serv.Sup.Júnior | 945,0 | 5,9 | -33,4% |
| OPERÁRIOS ALTA- | Remuneração/mês | Hora/dia | TECNICOS | Rem./mês | Hora/dia | Diminuição % |
| MENTE QUALIFICADOS | 35H/semana | Euros | AUXILIARES | 40H/semana | Euros |
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| Encarregado | 834,79 | 6,0 | Tec. Aux. Coordenador | 820,0 | 5,1 | -14,1% |
| Operário Principal | 633,07 | 4,5 | Tec. Aux. Sénior | 650,0 | 4,1 | -10,2% |
| Operário | 440,67 | 3,1 | Técnico Auxiliar | 530,0 | 3,3 | 5,2% |
| Ajudante | 403,43 | 2,9 | Tec. Aux. Júnior | 370,0 | 2,3 | -19,8% |
| SERVIÇOS | Remuneração/mês | Hora/dia | TECNICOS | Rem./mês | Hora/dia | Diminuição % |
| GERAIS | 35H/semana | Euros | AUXILIARES | 40H/semana | Euros |
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| Encarregado | 757,2 | 5,4 | Tec. Aux. Coordenador | 820,0 | 5,1 | -5,2% |
|
|
|
| Tec. Aux. Sénior | 650,0 | 4,1 |
|
| Aux. Ac.médica Principal | 561,7 | 4,0 | Técnico Auxiliar | 530,0 | 3,3 | -17,4% |
| Auxiliar acção médica | 440,7 | 3,1 | Tec. Aux. Júnior | 370,0 | 2,3 | -26,5% |
Não deixam de ser caricatas as violações grosseiras dos direitos dos trabalhadores, e do próprio "filho do Bagão", o Código do Trabalho!
Não vi nenhum comentário às novas "classes" criadas, os "Iniciados" (serão mafiosos, maçónicos, protegidos, ou apenas alunos em estágios?).
A destruição das Carreiras Médicas começa com as alterações de nomes e uma escondida correspondência ao que existe - o retorno é impossível, sem perdas de regalias e tempo de serviço.
A criação de uma nova categoria, com funções sobrepostas às do Enfermeiro, é obviamente ilegal.
Pretende-se fazer dos Hospitais SA uma "mercearia de doentes", onde o patrão/Conselho de Administração manda como quer e faz o que quer, a quem quiser, sem prestar contas e sem possibilidade de recursos?
Publicado por off-line 09:05:00 1 comentários Links para este post
A bull elk stands on the shore of Coldwater Lake near Mount St. Helens at first light Saturday, Oct. 2, 2004 in Washington State as mist rises from the lake's surface. The massive 1980 eruption of Mount St. Helens formed Coldwater Lake, and now the terrain surrounding the mountain is ideal for elk habitat and the site is home to the largest herd of elk in the state. (AP Photo/Ted S. Warren)
Publicado por Manuel 04:17:00 0 comentários Links para este post
Quem tem medo do Narciso Seabra?
sábado, outubro 02, 2004
(...) O secretário-geral tem direito a designar os primeiros nomes da lista para a comissão nacional, órgão que é composto por 251 dirigentes. Parte substancial da lista é designada, contudo, pelas estruturas locais do partido e pelos delegados eleitos ao congresso, que propõem os nomes ao responsável máximo pela lista. Nesse âmbito, a estrutura local de Matosinhos propôs os nomes de Manuel Seabra, presidente da concelhia, e Narciso Miranda, presidente da Câmara. Nomes que não foram rejeitados por Sócrates. (...)
in Público
O orgão tem 251 membros. Demasiados para que o PS se possa dar ao luxo de propiciar um certo "low profile" aos dois senhores ?
Sócrates já começou a pagar as facturas. Não se estará a vender por pouco?
Ou temos Maquiavel? Quem tem medo do Narciso Seabra?
(.)
Publicado por Rui MCB 23:48:00 1 comentários Links para este post
Newsweek
"The Race is On"
With voters widely viewing Kerry as the debate’s winner, Bush’s lead in the NEWSWEEK poll has evaporated.
Publicado por Manuel 20:43:00 2 comentários Links para este post
Saudades do futuro?
Soneto, s/ título, dedicado a J. Félix dos Santos
Sempre o futuro, sempre! e o presente
Nunca! Que seja esta hora em que se existe
De incerteza e de dor sempre a mais triste,
E só farte o desejo um bem ausente!
Ai! que importa o futuro, se inclemente
Essa hora, em que a esperança nos consiste,
Chega... é presente... e só à dor assiste?...
Assim, qual é a esperança que não mente?
Desventura ou delírio?... O que procuro,
Se me foge, é miragem enganosa,
Se me espera, pior, espectro impuro...
Assim a vida passa vagarosa:
O presente, a aspirar sempre ao futuro:
O futuro, uma sombra mentirosa.
Antero de Quental, “Sonetos” (1860-62).
Publicado por Gomez 16:02:00 0 comentários Links para este post
File photo from July 22, 1980 showing the eruption plume from Mount St. Helens, with Mount Rainier in the background. Mount St. Helens again spewed steam and gray ash from a small explosive eruption in its crater on October 1, 2004, as the volcano awoke from its slumber for the first time in nearly two decades. A plume rose in a column from the crater on Friday in the first eruption since 1986, but was well below the scale of the catastrophic 1980 eruption that blew off the top of the mountain and spread ash across North America. REUTERS/Jim Valance/USGS/Cascades Volcano Observatory
Publicado por Manuel 01:06:00 0 comentários Links para este post
executive summary
sexta-feira, outubro 01, 2004
Ontem, tecnicamente, ocorreu mais uma reunião do conselho de ministros, em Coimbra. Isto na teoria, porque na prática por causa de falhas de comunicação relativas à metodolgia a adoptar para resolver as mesmas houve foi muito, mas mesmo muito, wrestling verbal mais umas propostas direitinhas para o lixo.. Assim não há assessores milionários que adociquem o supositório, e isto até vai estar calmo até à aprovação do orçamento.
Publicado por Manuel 23:41:00 1 comentários Links para este post
White House'04
Bush vs Kerry (XIII)
E depois do debate?
Kerry ganhou o primeiro debate, mas é ainda cedo para se determinarem as verdadeiras consequências desse triunfo. O avanço de Bush nas sondagens forçava o candidato democrata a apostar quase tudo no duelo de Coral Gables.
O senador pelo Massachussets respondeu bem: foi mais claro que o seu opositor e assumiu as rédeas do confronto. Tinha a necessidade de provar aos americanos que, com ele, não têm a temer novos ataques terroristas. Kerry subiu o tom das críticas à política externa de Bush e prometeu que retomará o multilateralismo, em contraponto com o isolacionismo de Bush, pós-11 de Setembro.
O tema favorecia, aparentemente, o texano — é a luta contra o terrorismo e o medo de novos ataques que estão a manter o Presidente à frente nas sondagens. Mas Kerry soube enconstar Bush às cordas, acusou-o de ter mentido aos americanos e de não saber como irá resolver o problema do Iraque, e, de acordo com os números publicados hoje, esta estratégia resultou.
Bush apareceu, por vezes, impaciente e até um pouco irritado. O melhor poder oratório de Kerry veio ao de cima e, tudo somado, a eleição parece ter ficado relançada. Os analistas referiam, antes do debate, que uma vitória clara de Bush praticamente selaria a eleição ontem à noite. Mas o cenário que ocorreu permite uma ainda maior aproximação entre os dois: Kerry terá, nos próximos dias, que saber vender a ideia de que o seu campo está a a recuperar e ganhou um novo fôlego.
O democrata soube confirmar a ideia de que, em debates, é mais forte do que Bush. Para mais, o de ontem não foi propriamente um debate: os candidatos não podiam dirigir-se um ao outro directamente, nem fazer perguntas (havia dois minutos para cada resposta, com 90 segundos de contra-resposta do adversário).
A fórmula dos outros dois pode favorecer ainda mais John Kerry. Recorde-se que a 8 de Outubro haverá um debate na Universidade de Saint Louis, Missouri, e o último a 13 de Outubro, na Universidade de Tempe, Arizona. Pelo meio, a 5 de Outubro, em Cleveland, Ohio, John Edwards e Dick Cheney farão o duelo dos vice-presidentes.
Numa actualização dos números que a Grande Loja libertou esta tarde, aqui fica uma nova pesquisa do American Research Group sobre quem terá ganho o debate de Miami: Kerry 56 por cento; Bush 41; Empate 3.
Entre os eleitores republicanos: Bush 88; Kerry 6; Empate 6
Entre os eleitores democratas: Kerry 98; Bush 2
Entre os eleitores independentes: Kerry 56; Bush 40; Empate 4
Nos media norte-americanos, a ideia de que Kerry venceu o debate foi praticamente unânime: «Kerry marca pontos e continua a perseguição», titula «The Nation»; «Um vencedor na substância, o outro no estilo», observa o «New York Post»; «Não foi vitória por KO, mas há boas notícias para Kerry», sentencia o «Chicago Sun Times».
Durante o decisivo mês de Outubro, a Grande Loja conta-lhe tudo sobre a Grande Eleição de 2 de Novembro. E a coisa está mesmo a aquecer...
Publicado por André 22:38:00 0 comentários Links para este post
Alta Voltagem... Baixa Preocupação
A notícia foi publicada mas a sua principal conclusão passou despercebida a todos. A comissão europeia está à beira de chumbar o processo de integração da Gás e da Electricidade na empresa EDP Gás. Ao que parece os serviços da CE já aconselharam o comissário italiano, Mário Monti, a lançar um ultimato às empresas sob a forma de um ‘comunicado de objecções’ o qual, regra geral, indicia um chumbo ao processo.
Bom, e o que é isto tem de bombástico ?
Apenas, isto, sem a fusão aprovada não há reorganização de accionistas na Galp Energia para ninguém, apenas e só por isto :
A italiana ENI, aproveitou o erro do Engº Guterres, que vá se lá saber porque, e fez o negócio da China. Comprou os 22,34% á Petrocontrol e os 11,00% á Parpública. Pagou por eles 917 Milhões de euros.
A ENI recebeu 650 milhões pela saída. Mais 17 Milhões de dividendos. Mais 49% da futura EDP Gás avaliada em 800 milhões de Euros. Ou seja 1017 Milhões de Euros, realizando uma mais-valia de 100 Milhões de Euros, coisa pouca em menos de 2 anos.
Leram bem... EDP Gás ... a tal empresa que resulta da fusão do Gás na Electricidade, a tal empresa que se a Comissão Europeia vetar poderá resultar apenas nisto :
- Ou o Estado Português paga os 800 milhões de euros acrescidos de algo mais, para compensar os 49% do capital da EDP Gás que a ENI iria deter.
- Ou a ENI Spa impugna o concurso por incumprimento de uma cláusula, e isto meus caros, um reles detalhe, só implica que a Petrocer fica fora da Galp Energia.
Sim porque está implicto no acordo que sem EDP Gás a ENI SPA, não vende à Parpública os 33,44 % do capital da Galp Energia...
Meus caros, se isto não é Alta Voltagem...
Publicado por António Duarte 19:17:00 3 comentários Links para este post
A 29 de Setembro de 2004, pelo Governo da República Portuguesa
14 710- (2) DIÁRIO DA REPÚBLICA— II SÉRIE N.o 232 — 1 de Outubro de 2004 - PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Gabinete do Primeiro-Ministro
Despacho n.o 20 381-A/2004 (2.a série).— Considerando que, no ano de 2004, o feriado de 5 de Outubro recai numa terça-feira;
Considerando que, no ano de 2004, muitos dos feriados estipulados na lei coincidiram com fins-de-semana:
Ao abrigo da alínea d) do artigo 199.o da Constituição e no uso dos poderes delegados pelo n.o 3 do artigo 3.o do Decreto-Lei
n.o 215-A/2004, de 3 de Setembro, determino:
1 — A concessão de tolerância de ponto aos funcionários e agentes do Estado, dos institutos públicos e dos serviços desconcentrados (...)
Publicado por Rui MCB 16:32:00 1 comentários Links para este post
White House'04
Bush vs Kerry (XII)
Kerry ganhou o primeiro debate
John Kerry venceu o primeiro dos três debates presidenciais, realizado esta madrugada, na Universidade de Miami, Florida.
Uma sondagem feita pela estação televisiva CBS mostra que 43 por cento dos espectadores analisados disseram que Kerry esteve melhor, contra apenas 28 de Bush. 29 por cento acham que houve um empate.
Esta tendência é reforçada por pesquisas da CNN/Gallup e do American Research Group. O Gallup dá o triunfo a Kerry por 53/37, ao passo que o ARG estabeleceu dois critérios de análise: do seu painel habitual e uma votação dos seus leitores. O painel dá a vitória ao candidato democrata por 52/42 sobre Bush. Os visitantes conferem um triunfo bem mais expressivo do senador pelo Massachussets: 59/37.
Tradicionalmente, o primeiro debate é o mais relevante nos resultados eleitorais. E os últimos dados apontam para que haja ainda 17 por cento de «persuadíveis» (eleitores que podem ainda mudar o seu sentido de voto) e cerca de seis milhões de indecisos (talvez mesmo um pouco mais).
Falta saber que peso na votação irão ter os debates. Uma coisa é certa: se a vantagem de Bush não era definitiva, a partir de hoje a eleição está relançada com este novo fôlego de Kerry.
A Grande Loja publicará, ainda hoje, uma análise mais aprofundada sobre o conteúdo e a forma do debate de ontem. Será esta noite, com mais dados entretanto publicados e reacções dos comentadores. A não perder, portanto...
Publicado por André 15:40:00 5 comentários Links para este post
Perceber as SCUTS....
Basicamente o que divide a sociedade neste capítulo, e a escolha entre o utilizador-pagador ou o modelo onde o Estado paga directamente ao concessiónario por cada veículo que lá passa. Infelizmente para mim, falar de SCUTS significa ir muito mais além.
A origem das SCUTS, surgem da necessidade do executivo de António Guterres em cumprir um plano rodoviário nacional que continha cerca de 3.000 kms de estradas e auto-estradas. Existem vantagens ao adoptarmos o modelo SCUT, e a principal prende-se com a entrada antecipada da via em funcionamento ao público, o que até veio a não verificar-se.
Perceber o processo SCUT é perceber um pouco do que foi a governação de António Guterres, um país sem capacidade de dotar anualmente o Instituto de Estradas de Portugal em mais de 500 milhões de Euros .
O processo SCUT não é mais que uma vã tentativa de se erguer obra sem possuir recursos financeiros para tal alongando no tempo esses custos, diluídos de uma forma que extravasa o modelo tradicional, através de um mecanismo de cobrança virtual com um ponderador de flutuação de tráfego no futuro e , imagine-se com fortes restrições durante o período da concessão na construção e beneficiação de vias principais adjacentes. O maior exemplo choque, chama-se Estrada Nacional 125 no Algarve.
Discutir de uma forma coerente as SCUTS, é assim relativizar sobre os seus custos e raramente a sociedade portuguesa tem sido colocada à prova, com questões sobre a verdadeira utilidade em termos de criação de riqueza nacional com estradas sejam elas SCUTS ou não. Parece-me que o tempo do betão que Cavaco Silva levou a cabo, deveria dar lugar a uma aposta noutro material também cinzento, mas denominado massa...a massa cinzenta. Mas é óbvio que o país necessita de melhores vias de comunicação, mas elas já não deviam hoje ser encaradas como um prioridade como o foram e bem, durante os primórdios do recebimento dos fundos estruturais.
Veja-se por exemplo, o caso da SCUT da Costa da Prata , que liga Vagos a Coimbrões, pouco mais de 80 Kms, em termos de execução financeira, e perceba-se, que o custo total final é :

Modelo Tradicional : € 77 Milhões de Euros
Modelo SCUT : € 129,4 Milhões de Euros
Perceba-se na leitura do gráfico, o que nos falta pagar, por uma estrada que agora e bem vistas as coisas se calhar até não era lá muito necessária.
Perceba-se que este é apenas um exemplo de uma SCUT e não das 9 existentes. Perceba-se que o diferencial em 80 Kms é superior a 55 Milhões.
Perceba-se que o sistema SCUTS tem activos neste momento perto de 1.400 kms.
Perceba-se de uma vez por todas este dilema, independentemente do sistema adoptado, que jamais nós deveríamos ter aventurado em algo que não conseguiríamos pagar no futuro, esse sim o verdadeiro erro, as SCUTS foram apenas a pior forma encontrada de consumar o erro.
A seguir... As razões insensatas de António Mexia para acabar com as SCUTS
Publicado por António Duarte 15:39:00 2 comentários Links para este post
"Moções"
Está tudo vulgarizado. As moções de confiança e as de desconfiança.
No tempo do PREC, era jovem e crente na Revolução, fazíamos moções de manhã num sentido, de tarde noutro e à noite noutro ainda. Ao sabor da conjuntura e do frenesim dos acontecimentos.
Depois, após Novembro, tudo isso foi arquivado sem melhor prova que o estado democrático fora, finalmente, restaurado. Entrámos na República, a sério. Mas ficou-nos essa coisa das moções que os políticos usam nos partidos e a própria Assembleia da República usa com alguma parcimónia.
Os tempos foram decorrendo e as moções de confiança ou censura foram perdendo algum significado, mas existem, são praticadas, mesmo quando pouco inteligíveis, sobretudo quando provenientes de certas fontes.
Uma moção, mesmo em tempos em que se lhe reconheça algum significado político, carece, fatalmente, de sentido se é parida num centro de poder que nada tem que ver com quem quer ou não apoiar.Aí é um acto meramente inócuo.
Se, só a título de exemplo, friso eu, mas friso mesmo, o Conselho Superior da Magistratura (CSM) se lembrar de ir agora aprovar uma moção de apoio ao seu Venerando Presidente, entra pelos olhos adentro que isso não faz qualquer lógica. Porque o CSM não tem essas competências, porque o Presidente não depende do mesmo conselho. Exerce um cargo que se alicerça numa eleição, com muita ou pouca legitimação.
O mesmo se passa com o Conselho Superior do Ministério Público (CSMP). Porque o CSMP não tem tais atribuições, porque o seu Presidente, o Procurador-Geral da República (PGR), depende, não do conselho, mas da confiança do Governo e do Presidente da República.
O Conselho não pode "censurar" o PGR, como, do mesmo passo, não pode votar moções de louvor ou confiança. É inverter as coisas.
O PGR, como tal, e como Presidente do CSMP, é o agente máximo do Ministério Público e que, pelo seu estatuto constitucional e legal está, com cristalina evidência, acima de moções de censura ou de confiança. De censura pela natureza das coisas ( o inferior não censura,juridicamente, o superior, podendo, óbvio, censurar noutras perspectivas ), de confiança por lhe falecer competência para o efeito.
Ao censurar ou louvar o Presidente do CSM, , ao louvar ou censurar o PGR, se o fizessem, os conselhos estariam não a censurar ou louvar, mas antes a colocar-se indevidamente num grau superior a esses cargos, assim os descaracterizando e desvalorizando.
É claro que há momentos históricos em que o processo político como que nos arrasta para o abismo, nos perturba e calamos a nossa revolta num silêncio de trovão.
Mas é aí, nesses momentos, que se encontram aqueles que, "malgré tout" ainda conseguem gritar que pode não ser assim, como "ninguém" aqui fez em tempos contra a corrente e clamando por decência (1).
Passada a tempestade, acalmados os ânimos, não interessa antes buscar as razões de eventuais fracassos do que esconder debaixo da mesa o incorrecto, fazer de conta que está tudo bem, bater palmas sem que o espectáculo tenha findado? Ainda por cima não pertencendo à comissão de festas?
Alberto Pinto Nogueira
(1) Posts, "Contra A Corrente" (23.8.04) e " Haja Decência" (9.9.04)
Publicado por josé 10:34:00 0 comentários Links para este post
"Obscenidades"
De um nosso leitor, Mário Rodrigues, recebemos para publicação a seguinte missiva, que se transcreve...
Como cidadão português, neste momento em que se fala no início da recuperação económica e se exige aos portugueses mais trabalho e mais produtividade, considero obsceno que o Governo, conduzido que assessores e dirigido por manipuladores de imagem, conceda tolerância de ponto na próxima segunda-feira, em especial quando as sondagens revelam um sério tombo que o Executivo se apresta a dar. Como funcionário público, fico envergonhado perante todos os demais trabalhadores do meu País que na véspera do 5 de Outubro terão de labutar enquanto alguns privilegiados podem ir gozar de um suplementar período de férias...
Como professor sinto um profundo nojo quando o Governo permite às escolas adiarem ainda mais o início das actividades lectivas, depois do escandaloso processo de colocações e do atraso que provocou na abertura do ano escolar, julgando que com estas "papas e bolos" diminui o descontentamento de um grupo de profissionais que estes políticos de terceira categoria tomam
ignobilmente por tolos...
Mesmo tendo sido espoliado do lugar a que tinha direito, ao ser ultrapassado no destacamento por docentes ordenados quinhentas e mil posições atrás de mim graças às novas regras pejadas de injustiças que o dr. David Justino urdiu, espero que a minha escola tenha a dignidade de me
permitir comparecer na sala de aula no próximo dia 4, facultando aos meus alunos uma oportunidade de aprenderem alguma coisa cultural e cientificamente útil, fenómeno que é cada vez mais raro neste miserável sistema educativo que faz dos professores técnicos de ocupação dos tempos livres e dos alunos um bando de analfabetos..
Publicado por Manuel 00:07:00 1 comentários Links para este post
