
Dancers Robert Tannion (L) and Desiree Kongerod perform on stage in Austrian composer Klaus Obermaier's performance 'Apparition' at the Ars Electronica digital art festival in Linz in Austria September 4, 2004. The annual digital art festival Ars Electronica takes place from September 2 to September 7. Picture taken September 4, 2004. REUTERS/Rubra
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António Barreto
A Esquerda Enganou-se - I (Grandes Esperanças)
Foram anos de crença. E décadas de esperança. Durante muito tempo, a esquerda acreditou nas virtudes da educação do povo. Convenceu-se e convenceu muita gente, gerações atrás de gerações, que a educação era o instrumento essencial para mudar as sociedades, criar o "homem novo" ou, com menos pompa, libertar os oprimidos do capitalismo. Alfabetização obrigatória e universal, democratização do ensino, escola para todos, formação profissional para toda a gente, acesso aos estudos superiores, democratização da universidade e direito à universidade: estas foram, entre outras, algumas das suas palavras-chave que passaram para o vocabulário das sociedades contemporâneas. Para as suas crenças, a esquerda atraiu, sobretudo por má consciência e sentimento de culpa dos outros, pessoas e grupos sociais ditos do centro e da direita. A ideologia educativa da esquerda transformou-se, há muito, na ideologia dominante.
Os grandes valores da direita para a educação, raramente explícitos e sistematizados, têm hoje pouca saída, apesar de, aqui ou ali, parecerem ressuscitar e surgir de insuspeitas origens. São poucos os que hoje se atrevem a defender os grandes temas da direita para a educação: Deus, pátria e família, à cabeça; hierarquia e obediência; formação moral e religiosa dos jovens; a escola como extensão da família; escola empenhada nos valores "nacionais", morais e religiosos; primado dos estudos clássicos; e educação cultural e científica para as elites sociais, em contraste com a formação profissional para as classes populares. Nas suas versões mais modernas, a direita simpatiza com uma estratégia de formação de técnicos e de quadros em função e de acordo com as necessidades concretas da economia; defende uma concepção de permanente e feroz competição; e desenvolve políticas tendentes a mercantilizar a ciência e o estudo.
É verdade que alguns destes princípios foram adoptados (e adaptados) pelas esquerdas. Os republicanos, muitos socialistas e os comunistas também pretenderam, se é que ainda não pretendem, cultivar uma escola "empenhada", mas orientada, evidentemente, para a República, a democracia e o socialismo. Historicamente, tanto a direita como a esquerda condenam e lutam contra a "neutralidade da escola", só que com valores opostos. Todavia, apesar de algumas semelhanças, os valores da esquerda são, tradicionalmente, muito diferentes dos da direita.
Convém enumerar, simplificando, algumas dessas crenças. A educação permitiria lutar contra as desigualdades sociais, tornando mais fácil a mobilidade e a ascensão, mas sobretudo a igualdade. A educação seria uma exigência que precede o desenvolvimento. Noutras palavras, não haveria desenvolvimento sem educação prévia; ou então, mais simplesmente, a educação seria um factor de desenvolvimento. Com a educação, com uma "nova escola", seria possível eliminar os factores de "reprodução social" da ordem vigente e de domínio cultural e político das classes burguesas. As "novas" políticas de educação, populares e socialmente igualitárias, seriam condição necessária para promover e desenvolver a "inteligência social", para elevar o nível cultural das massas e para contribuir para a libertação das classes trabalhadoras, além de que seriam factor indispensável para desenvolver as forças produtivas. Para que tudo isto seja possível, necessário se torna que a educação seja a prioridade política absoluta, indiscutível, o que se traduz nas leis, nos orçamentos, nos vencimentos dos professores, nos investimentos públicos e nos recursos em pessoal. Em função desse objectivo, dever-se-ia gerar um "consenso nacional", interpartidário, duradouro, tão vasto quanto possível, a fim de evitar "guinadas" bruscas e mudanças de rumo políticas, tão prejudiciais para a harmonia escolar e educativa.
Além destes grandes princípios, as esquerdas souberam também desenvolver teorias sofisticadas de pedagogia e de organização escolar. Para realizar a "nova escola", seria necessário pôr em prática vários princípios instrumentais e diversos métodos. Por exemplo, promover a democracia na escola, seja através da participação dos jovens na gestão, seja adoptando o princípio eleitoral para a designação de responsabilidades. Afastar, tanto quanto possível, mas sem nunca o dizer abertamente, os pais, as famílias e os munícipes da vida da escola, dado que as inspirações mais reaccionárias têm origem nesses grupos sociais. Orientar os estudos e a aprendizagem para "a vida prática", as culturas locais e regionais e as exigências do emprego, a fim de tornar a escola acessível às classes populares, dando-lhes assim mais instrumentos de defesa e promoção. Reduzir significativamente os estudos clássicos e humanistas, assim como o tempo gasto com o património erudito, privilegiando, em substituição, uma "literacia funcional" e uma formação prática realista que aumente a igualdade de oportunidades. Baixar as exigências e as regras de disciplina a fim de atrair os jovens das classes mais desfavorecidas que tantas vezes ficam à margem dos estudos "livrescos" e demasiadamente eruditos ou científicos. Tornar o estudo mais fácil, atraente e democrático, a fim de evitar marginalizar os filhos das classes não burguesas, através de novos critérios pedagógicos, que incluem a subalternização dos exames (seriam factores de "stress"), a eliminação dos "chumbos" (que criariam traumas irrecuperáveis), a condenação da memorização (das tabuadas, de textos, de classificações, de datas, de nomes, de factos) e a abolição dos "trabalhos de casa" (dado que em casa só as classes favorecidas têm meios e ambiente para os levar a cabo). Substituir o "dever de estudar" pelo "prazer de aprender", revalorizando os aspectos lúdicos da escola e eliminando as noções de sacrifício e esforço. Alargar e facilitar o acesso de todos aos níveis secundários e superiores, diminuindo as exigências de mérito, torneando as provas de acesso, eliminando o "numerus clausus", reduzindo o papel dos exames, introduzindo a repescagem, as segundas chamadas, as segundas épocas, as épocas especiais, os recursos e as revisões de provas.
Estes e outros princípios, estas e outras regras, tiveram um inacreditável sucesso nas sociedades ocidentais durante muitas décadas. Desde o fim da segunda guerra, sem dúvida, mas a expansão destas modas já vinham de antes. A tal ponto que a ideologia extravasou as fronteiras das esquerdas e conquistou o centro político e mesmo muitas áreas da direita menos tradicional. Estas correntes de pensamento fizeram a unidade entre laicos e religiosos; entre políticos e tecnocratas; entre as classes médias e as classes trabalhadoras. O papel determinante, nesta caminhada vitoriosa, foi claramente o dos professores, suas associações e seus sindicatos, que fizeram sua e desenvolveram esta poderosa ideologia. Nada disso teria sido possível, evidentemente, sem a demagogia política ao serviço da democracia de massas e respectiva cultura. Se, em Portugal, olharmos para as políticas educativas praticadas desde finais dos anos sessenta até hoje, verificaremos, ressalvadas raras excepções, uma extraordinária continuidade visível tanto nas leis e nas políticas, como nas orientações e nas reformas, assim como nas estruturas e no pessoal dirigente. E não nos deixemos enganar com a sucessão de reformas e a instabilidade educativa tão frequentemente apontadas com dedo acusador: é verdade que a gestão do sistema tem sido errática, dada a oscilações, mas não é menos certo que, com mais ou menos cor, mais ou menos ruído, os princípios e as orientações essenciais se têm estranhamente mantido. Se repararmos bem, há um grupo de duas ou três dezenas de técnicos, especialistas, professores e políticos que, desde os anos sessenta e até hoje, participou em todas as reformas educativas levadas a cabo por todos os partidos nos vários governos que se sucederam.
in Público
Publicado por Manuel 11:44:00 2 comentários Links para este post
"Nunca conheci quem tivesse levado porrada."
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Álvaro de Campos
Publicado por Manuel 05:42:00 7 comentários Links para este post
"Pelos meninos de Beslan"
Olho as fotografias dos jornais e os olhos embaciam-se. Vejo crianças com a idade dos meus filhos, nús, a serem transportados ao colo dos pais e de militares, com o terror estampado no rosto, feridos nos corpos por muito tempo e feridos na alma para sempre.
Olho as fotografias, com os olhos cada vez mais baços, e vejo meninos e meninas, com a idade dos meus filhos, a serem transportados em macas, com a lividez da morte nos rostos.
A man sits by dead bodies of the Beslan hostage-taking drama victims at the morgue in Vladikavkz, North Ossetia. Top US newspapers decried "chaos on an almost apocalyptic scale" in the denouement of the hostage-taking in the southern Russian republic of North Ossetia but along with the sympathy came strong words for Moscow's handling of the Chechen conflict.(AFP/Viktor Drachev)
Olho as fotografias, com os olhos cada vez mais embargados, os músculos cada vez mais rígidos, e vejo mães e vejo pais, de olhar desesperado, à procura dos seus meninos, vivos ou mortos.
Olho as letras impressas mas não consigo ler, a não ser as maiores, por entre o baço dos olhos...
Tantas centenas de mortos, tantas centenas de feridos... Tantas vidas prematuramente ceifadas, tantas meninas e tantos meninos que já tiveram sonhos e ambições, ilusões e desilusões, amores pueris e desamores também pueris, estirados pelo chão, vivos ou mortos ou mortos-vivos...
Paramedics register bodies of victims killed in a school seizure in a morgue in Vladikavkaz, North Ossetia, Saturday, Sept. 4, 2004. The bodies were brought to Vladikavkaz for identification. More than 340 people were killed in a southern Russian school that had been seized by militants, a prosecutor said Saturday. (AP Photo/Sergey Ponomarev)
Não. Não me interessa saber quem tem razão nesta guerra entre Putin e os rebeldes tchetchenos. Nem me interessa saber se houve uma precipitação de alguém que levou ao massacre. Nem me interessa saber se os rebeldes independentistas tiveram ou não o apoio de mercenários russos ou árabes.
Mas há uma coisa que eu sei: os autores do sequestro de Beslan sabiam que estavam a sequestar uma escola onde havia centenas de crianças. E sabiam que ao agirem daquela forma estavam a pôr em risco a vida daquelas meninas e daqueles meninos, que usaram como escudos humanos.
Children who survived : Pctures of injured children who survived being held hostage by armed militants at a school in Beslan, line the hospital wall in Vladikavkaz, North Ossetia, to help people locate their loved ones. (AFP/Yuri Tutov)
E sabiam que o resultado final seria sempre uma catástrofe, em que as principais vítimas seriam aquelas meninas e aqueles meninos.
E não me venham com filosofias justificativas. Gente como os sequestradores de Beslan não é gente. Se fosse gente, não teria manifestado tamanho desprezo pela vida das meninas e dos meninos de Beslan...
Carteiro in Incursões
Publicado por Manuel 02:15:00 9 comentários Links para este post
Umberto Eco - "Testing, Testing"
sábado, setembro 04, 2004
Umberto Eco finds scientific method a suitable counterbalance to fundamentalism
in The Guardian
Many readers probably don't know exactly what black holes are and, frankly, the best I can do is to imagine them like the pike in Yellow Submarine that devours everything around it until it finally swallows itself. But in order to understand the news item from which I am taking my cue, all you need to know about black holes is that they are one of the most controversial and absorbing problems in contemporary astrophysics.Recently I read in the papers that the celebrated scientist Stephen Hawking has made a statement that is sensational, to say the least. He maintains that he made an error in his theory of black holes (published back in the 70s) and proposed the necessary corrections before an audience of fellow scientists.
For those involved in the sciences there is nothing exceptional about this, apart from Hawking's exceptional standing, but I feel that the episode should be brought to the attention of young people in every nonfundamentalist or nonconfessional school so that they may reflect upon the principles of modern science.
Science is frequently criticised by the mass media, which hold it responsible for the devilish pride that is leading humanity towards possible destruction. But in doing so they are evidently confusing science with technology.
It is not science that is responsible for atomic weapons, the hole in the ozone layer, global warming and so on: if anything, science is that branch of knowledge that is still capable of warning us of the risks we run when, even in applying its principles, we put our trust in irresponsible technologies.
The problem is that in many critiques of the ideology of progress (or the so-called spirit of the Enlightenment) the spirit of science is often identified with that of certain idealistic philosophies of the 19th century, according to which history is always moving on towards better things, or toward the triumphant realisation of itself, of the spirit or of some other driving force that is forever marching on towards optimal ends.
At bottom, however, many people (of my generation at least) were always left in doubt on reading idealist philosophy, from which it emerges that every thinker who came after had understood better (or "verified") what little had been discovered by those who came before (which is a bit like saying that Aristotle was more intelligent than Plato). And it is this concept of history that the Italian poet Leopardi challenged when he waxed ironic about "magnificent and progressive destinies".
But these days, in order to substitute a whole series of ideologies in crisis, some people are flirting more and more with a school of thought according to which the course of history is not leading us closer and closer to the truth.
According to these people, all that there is to understand has already been understood by long-vanished ancient civilisations and it is only by humbly returning to that traditional and immutable treasure that we may reconcile ourselves with ourselves and with our destiny.
In the most overtly occultist versions of this school of thought, the truth was cultivated by civilisations we have lost touch with: Atlantis engulfed by the ocean, the Hyperboreans, 100% pure Aryans who lived on an eternally temperate polar icecap, the sages of ancient India and other amusing yarns that, being indemonstrable, allow third-rate philosophers and writers of potboilers to keep on churning out warmed-over versions of the same old hermetic hogwash for the amusement of summer vacationers.
Modern science does not hold that what is new is always right. On the contrary, it is based on the principle of "fallibilism" (enunciated by the American philosopher Charles Peirce, elaborated upon by Popper and many other theorists, and put into practice by scientists themselves) according to which science progresses by continually correcting itself, falsifying its hypotheses by trial and error, admitting its own mistakes - and by considering that an experiment that doesn't work out is not a failure but is worth as much as a successful one because it proves that a certain line of research was mistaken and it is necessary either to change direction or even to start over from scratch.
And this is what was proposed centuries ago in Italy by an institute of learning known as the Accademia del Cimento, whose motto was " provando e riprovando ". This would normally translate into English as "to try and try again", but here there is a subtle distinction. Whereas in Italian " riprovare " normally means to try again, here it means to "reprove" or "reject" that which cannot be maintained in the light of reason and experience.
This way of thinking is opposed, as I said before, to all forms of fundamentalism, to all literal interpretations of holy writ - which are also open to continuous reinterpretation - and to all dogmatic certainty in one's own ideas. This is that good "philosophy," in the everyday and Socratic sense of the term, which ought to be taught in schools.
© 2004 Umberto Eco
N.A. Texto trazido à atenção pelo Pedro Caeiro.
Publicado por Manuel 22:48:00 1 comentários Links para este post
Olá!
Regresso de férias.
Ainda sem tempo para a leitura de todos os textos em atraso, acumulados em três semanas de ausência, duas notas breves:
A primeira para saudar a "aquisição" de Verão na Grande Loja (Henrique Medina Carreira) e a segunda...
(...) informo que procederei a uma queixa-crime contra o(s) autor(es) dessa publicação online [Grande Loja do Queijo Limiano], que conta com vários milhares de leitores diários, pelo que agradeço o envio URGENTE da identificação completa da pessoa que assina sob o pseudónimo de «Manuel», assim como dos restantes membros dessa vossa publicação online, informação essa que será entregue às autoridades competentes.
Jorge Van Krieken in GLQL
...Chegar ao blogue e descobrir que me oferecem um pedacinho de uma queixa-crime nas condições em que esta se tenta sustentar, é triste.
A Justiça portuguesa também precisa do auxílio dos litigantes.
Cordiais cumprimentos ao senhor reporter X.
Publicado por Rui MCB 20:13:00 6 comentários Links para este post

Still unnamed, a recently born baby zebra makes its first steps, in a Belgrade zoo, Friday Sept. 3 2004. (AP Photo/Srdjan Ilic)
Publicado por Manuel 18:07:00 1 comentários Links para este post
Barbárie
- 1.Toda a gente devia ter o direito a ter o que precisa.
- 2. Toda a gente devia ter o direito de escolher o que é que quer.
- 3. Toda a gente devia ter o direito a ser amado.
- 4. Toda a gente devia ter o direito de ficar muito perto das pessoas que ama.
- 5. Toda a gente devia ter o direito a que aqueles que amam saibam sempre quando precisa precisam deles.
- 6. Toda a gente devia ter o direito de se atirar de um muro de 50 metros de altura e ter em baixo quem o segure.
- 7. Toda a gente devia ter o direito a ter irmãos para sempre.
«Nota de intenções», poema da realizadora Teresa Villaverde Cabral, incluído na promoção do seu filme «
Três Irmãos», Ger/Arion Production, 1994
porque textos como este têm uma dimensão universal, a Grande Loja dedica-o, a posteriori, às crianças de Beslan que foram vítimas do infame acto terrorista que matou perto de 500 pessoas e deixará traumatizadas para sempre mais de mil pessoas.
Publicado por André 16:10:00 0 comentários Links para este post
"XXIX - Nem Sempre Sou Igual"
Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.
Mudo, mas não mudo muito.
A cor das flores não é a mesma ao sol
De que quando uma nuvem passa
Ou quando entra a noite
E as flores são cor da sombra.
Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.
Por isso quando pareço não concordar comigo,
Reparem bem para mim:
Se estava virado para a direita,
Voltei-me agora para a esquerda,
Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés —
O mesmo sempre, graças ao céu e à terra
E aos meus olhos e ouvidos atentos
E à minha clara simplicidade de alma ...
Alberto Caeiro
Publicado por Manuel 13:05:00 0 comentários Links para este post

An unexplained radio signal from deep space could -- just might be -- contact from an alien civilization, New Scientist magazine reported on September 2, 2004. The signal, coming from a point between the Pisces and Aries constellations, has been picked up three times by the massive Arecibo radio telescope in Puerto Rico. New Scientist said the signal could be generated by a previously unknown astronomical phenomenon or even be a by-product from the telescope itself. But the mystery beam has excited astronomers across the world. The Arecibo observatory is seen in this January 2002 satellite image. (Space Imaging/Reuters)
Publicado por Manuel 04:18:00 0 comentários Links para este post
slate.com
Hit Me With Your Best Shot
Which vodka is the best?
sexta-feira, setembro 03, 2004

Publicado por Manuel 23:29:00 0 comentários Links para este post
Suficiente
Dizer que Pedro Santana Lopes é o primeiro-ministro de Portugal é já elucidativo do país que temos — e, sobretudo, do estado a que chegámos.
Mas o exemplo ocorrido hoje em São Bento, num acto aparentemente sem grande relevância, diz mesmo tudo sobre o que nós somos. Uma representação de atletas para-olímpicos foi à residência oficial do PM. Mas faltaram muitos deles pela simples razão de que nem uma morada tão importante tem condições de acessibilidade para deficientes em cadeiras de rodas!!
Teria piada, de tão ridículo que é. Mas é tão revelador do país que somos que nem dá vontade de fazer humor com a nossa própria desgraça.
Publicado por André 22:48:00 0 comentários Links para este post
O turno da senhora juíza e o «totoloto» da Justiça
Sucedeu num turno de serviço urgente de férias judicias, em Portugal.
A história é conhecida: a Dra. Filipa Macedo, durante o seu efémero turno no Tribunal da Boa Hora decidiu ordenar oficiosamente a prisão preventiva de seis arguidos num processo que, por acaso, é um dos processos com mais repercussões socio-políticas e mediáticas de sempre.
Contra a posição do Ministério Público (exclusivo titular da acção penal) e durante a pendência de um recurso em que se questiona, precisamente, a situação processual de alguns desses arguidos.
Sem que invocasse qualquer facto novo. Apenas com um argumento: tais arguidos seriam indivíduos perigosos e teriam tendências compulsivas para a prática de factos idênticos aqueles pelos quais estão acusados.
Com a inaudita e inaceitável admissão de não ter estudado todo o processo, mas de ter, apenas, lido o despacho de pronúncia e algumas declarações das vítimas.
Como o magistrado do Ministério Público esteve louvavelmente atento – mais uma vez sendo o garante da legalidade democrática – promovendo a revogação do despacho que ordenava a emissão dos mandados de detenção, o colega da senhora juíza (do turno seguinte) não hesitou em revogar o despacho da colega e mandou recolher os mandados.
O que aconteceu é de uma gravidade extrema. Apesar disso, uma vez mais, tal situação parece estar votada à autista complacência do órgão de gestão da magistratura judicial. Como é possível ser ordenada a prisão de uma pessoa (cuja libertação fora ordenada por um tribunal superior), durante um turno de férias judiciais (de serviço urgente), com base na leitura de poucas peças processuais num dos processos com maior importância mediática e sócio-política de sempre?
A singular interpretação que a senhora juíza faz do que é «o seu poder jurisdicional» revela-se de um puerilidade patética, inadmissível num Estado de Direito.
O Conselho Superior da Magistratura continua ensurdecedoramente silencioso. Silencioso perante a ilegal atitude jurídico-processual da magistrada em causa e perante o teor das declarações por ela prestadas à comunicação social, em que manifestava o seu desapontamento perante a posição do seu colega (que acolheu a promoção do Ministério Público) e do que disse ser o «branqueamento por parte da PGR» da posição do procurador do processo.
Face a incidentes deste tipo, não serão de estranhar as crescentes tentações por parte do poder político para criar condições de restringir a margem de independência do poder judicial, como meio de evitar a repetição de ocorrências semelhantes.
A bem da transparência e da reposição da legalidade da conduta da senhora juíza, impor-se-ia, no mínimo, uma posição oficial e peremptória do CSM.
Ah. É verdade. A dita magistrada tem classificação de Muito Bom. Não tarda, será promovida a desembargadora.
Talvez, então, possa voltar a pegar («julgar»?) no processo, em fase de recurso.
Não desespere. Quem sabe?
Mangadalpaca©
Publicado por josé 21:33:00 11 comentários Links para este post
Pobreza : Energia e Desenvolvimento Económico
Primeiro foi a análise do conceito de pobreza e sobretudo as suas
as causas da aludida pobreza, depois por aqui escrevemos sobre a importância vital que hoje o crescimento demográfico crescimento demográfico chegando à conclusão que este crescimento elevado tem obviamente custos para o desenvolvimento durante demasiado tempo o produto interno dos países da Àfrica Sub-Sahariana cresceram no sentido inverso ao da população, tornando os pobres cada vez mais pobres.
Por aqui tentei demonstrar a influência que a a existência da água sempre condicionou a sedentarização das populações e em muito influencia a situação de pobreza, e finalmente a importância da terra quer na segurança alimentar aliada ao crescimento económico, quer no desenvolvimento económico. Aqui chegamos à conclusão que um olhar sobre os dados macro económicos, dos 3 sectores das economias africanas mostra-nos uma dependência da agricultura, que a manter-se envolverá enormes pressões sobre a terra e as situações de escassez de alimentos e fome continuará a aumentar e obrigará os países a recorrer a ajuda alimentar e importação de alimentos sobrecarregando assim a balança comercial.
Hoje é dia de nos debruçarmos, sobre a Energia e as fontes energéticas.
Com recursos substanciais ao nível do combustível, carvão e o urânio, apresenta-se a Nigéria como maior exportador de petróleo e representando cerca de 27% da produção em 1991. A África do Sul possui 90% da produção de carvão e das reservas e dois terços do urânio renovável.
Embora África explique 12% da população global, consome somente 4% da energia global, e adicionalmente, 40% do seu consumo de energia está ligado á chamada energia de biomassa. Dentro desta região 5 países consomem quase todo o óleo produzido – Nigéria, Angola, Gabão, Congo, RCA, sendo a maior proporção exportada apesar da região necessitar de petróleo para produzir, a Nigéria sozinha explica aproximadamente ¾ das quotas reguladas de petróleo da OPEC para África, sendo que no total o petróleo consumido está abaixo dos 25%.
As reservas de gás natural no continente são enormes e observa-se que as reservas actuais compensam as reservas do petróleo se a taxa de produção for tida em consideração na apreciação.
As reservas de carvão, que são concentradas mais no sul, esperam-se que durem por aproximadamente 300 anos, a taxa de crescimento da produção de carvão foi feita, em parte devido a uma aposta no petróleo para a energia e devido aos problemas infraestruturais e ambientais.
Há também recursos renováveis extensivos, como a energia hidroeléctrica e a madeira, sendo esta bastante utilizada a nível local pelas populações como fonte de energia principal, no entanto esta região apresenta-se ainda num estado embrionário de exploração destes recursos pois não existe nem capital financeiro nem capital humano capaz de fazer gerar o processo e tal como em tudo nesta região do globo nada mesmo nada é homogéneo, nem mesmo a distribuição dos recursos energéticos.

O quadro acima mostra-nos a composição dos recursos energéticos (biomassa – não renováveis), e se é verdade que a região possui 17% do potencial hidroeléctrico a nível mundial, o suficiente para quadruplicar a capacidade de electricidade distribuída, os problemas severos no sector energético estão a atrasar o desenvolvimento em África, apesar de possuir reservas substanciais ao nível das energias renováveis como a geotérmica, vento, solar, as más condições infra estruturais não permitem a aplicação destes novos adventos energéticos.
Com uma taxa de crescimento elevada a população e o aumento drástico das suas necessidades de energia, os povos deparam-se com faltas no fornecimento de energia que associados ao fenómeno de urbanização e industrialização faz a situação piorar. Actualmente com o elevado preço do barril do crude necessário para a laboração de fábricas a crise tende a agudizar-se.
As taxas de fertilidade elevadas estão a contribuir para o crescimento da população.
Com países a apresentarem taxas de urbanização a volta dos 6%, o crescimento da população apresenta consequências a longo prazo, para os recursos existentes. A crise económica, com as suas taxas de desemprego elevadas e baixos rendimentos intensificou o uso da madeira como energia, tornando-se muitas cidades africanas autênticos entrepostos de comercialização de madeira. Com a pressão da população no crescimento do uso da terra, foi necessário as autoridades locais autorizarem exploração de recursos energéticos como a madeira e consequente desflorestação.
Com isto não é só a sustentabilidade do ambiente que está em causa mas sim o próprio desenvolvimento dos povos e futuro dos países, pois apesar de os países possuírem sistemas políticos e culturais diversos, possuem ambos uma características comuns em termos de exploração de recursos: de um lado a falta constante de petróleo para uns sectores industrial e comercial que se quer mais competitivo, por outro uma falta já abundante de madeira para as populações rurais, havendo já quem fale na crise da “outra energia”.
A grande questão é saber até que ponto maiores ou menores níveis de acesso/utilização de energia levam a maiores ou melhores níveis de vida?
Na verdade ter acesso a recurso energéticos não significa poder utiliza-los pois sabemos que a maioria dos recursos energéticos se encontra sob administração de multinacionais que apenas olham ao lucro.
Já sabemos que de uma correcta utilização dos recursos energéticos depende não só as actividades económicas como o acesso a cuidados de saúde, educação, agua potável, ora com as elevadas taxas de crescimento é necessário que os recursos cresçam a uma taxa superior, o que em parte é impossível (recursos esgotáveis).
Também a poluição devido a crescente urbanização implica enormes transformações nas cidades, e consequentes aumentos das taxas de emissão de CO2 para a atmosfera.

O quadro acima mostra-nos que o crescimento da população obriga a diminuições nos consumos p/c de energia, o que vêm realçar a necessidade de África em apostar numa maior transformação do seu sector energético como porta para o futuro.
A promoção de um desenvolvimento em África é um desafio para o qual não há soluções fáceis, pois a região ainda luta pela satisfação das necessidades básicas e a tarefa da expansão encalha numa das regiões mais numerosas do globo, sendo a energia a chave para o futuro.
Primeiro porque sem fontes de energia capazes de garantir o fornecimento constante e sem interrupções, será impossível cativar qualquer tipo de investimento directo estrangeiro, essencial ao desenvolvimento da economia e criação de emprego local. Segundo porque e face ao crescimento demográfico, as necessidades energia ainda que não satisfeitas, são manifestamente superiores, pois parece óbvio que mais população gera maiores consumos de energia. Terceiro, África tem sido palco de numerosos conflitos armados internos , quase todos resultantes de processos de descolonização mal efectuados, e tal situação apenas veio destruir as deficitárias condições de abastecimento energético. Mas que ninguém duvide que alguns países apresentam riquezas no subsolo e no mar, que nenhum país do mundo ostenta, mas aparentemente de nada tem servido.
Próximo Artigo : O Desenvolvimento e a Ajuda Pública ao Desenvolvimento
Publicado por António Duarte 15:49:00 1 comentários Links para este post
"Relógio, morre"
Quem vende a verdade, e a que esquina?
Quem dá a hortelã com que temperá-la?
Quem traz para casa a menina
E arruma as jarras da sala?
Quem interroga os baluartes
E conhece o nome dos navios?
Dividi o meu estudo inteiro em partes
E os títulos dos capítulos são vazios...
Meu pobre conhecimento ligeiro,
Andas buscando o estandarte eloqüente
Da filarmônica de um Barreiro
Para que não há barco nem gente.
Tapeçarias de parte nenhuma
Quadros virados contra a parede ...
Ninguém conhece, ninguém arruma
Ninguém dá nem pede.
Ó coração epitélico e macio,
Colcha de crochê do anseio morto,
Grande prolixidade do navio
Que existe só para nunca chegar ao porto.
Fernando Pessoa
Publicado por Manuel 13:49:00 0 comentários Links para este post
O Paradoxo da Educação em Portugal : 1ª Parte
Numa altura em que o nosso país se encontra mergulhado numa crise de valores que sendo dos mais importantes senão mesmo o mais importante, uma vez que falamos do direito à vida, e até onde pode ir a intervenção humana na tentativa de mexer nessa mesma lógica de vida, tudo diga-se provocado pela visita de um barco, o país adormece embalado pelas ondas desse tal “ BornDiep”, enquanto ao mesmo tempo se prepara um dos Orçamentos de Estado mais importantes da última década.
Numa altura, em que e ao que parece o Orçamento de Estado irá contemplar mais 4 Milhões de Euros para o Ensino Superior, o que implicará um gasto total de 711 Milhões de Euros, apenas para as universidades, torna-se relevante colocar um conjunto de questões que nos interessam a todos.
Inevitavelmente chegamos à conclusão ...
Que o Ensino Superior em Portugal deve ser de uma forma geral, redimensionado as necessidades do mercado de trabalho, e sobretudo dotado de mais e melhores infra estruturas, que permitam uma fortíssima aposta na investigação e no desenvolvimento, essencial, segundo relatórios externos para o desenvolvimento de Portugal.
Mas e invariavelmente, tem sido cometidos alguns erros no passado, sendo o primeiro e talvez o mais grave, relacionado com a politização da educação. Isto é, de uma àrea que todos há muito chegamos à conclusão ser de importância vital para Portugal, um novo partido no governo, significa uma mudança no rumo até então seguido. Se é grave o facto de sempre que a cor em São Bento muda se jogarem for a, os milhões de euros aplicados nas reformas educativas anteriores, mais grave é o facto de não se conseguirem a maioria dos políticos imiscuirem da necessidade de pensarem numa política educativa de forma supra-partidária e sem laivos de inveja. Infelizmente muito poucos os titulares da pasta tem conseguido manter o que de bom herdam, quando de facto o herdam.
Outro problema que normalmente fica esquecido na análise do ensino superior em portugal, prende-se com a natural e desejada afectação das vagas e cursos superiores às necessidades de mercado. È isto só é possível se optarmos claramente por controlar a expansão das universidades privadas. È inadmíssível para um Estado pobre em recursos financeiros, permitir que este despesismo continue. E despesismo em duplo-sentido, primeiro nas despesas de investimento em cursos que não têm saídas profissionais, e depois acrescido dos naturais subsídios e fundos de desemprego de récem-licenciados que apenas conseguem trabalhar 6 meses.
Ignorar este problema, significa não querer começar por resolver o problema por onde ele tem que se resolvido, e taxativamente falta de coragem em afirmar que mais licenciados não significam melhores licenciados e muito menos um melhor país.
Mas, para tudo isto é necessário investir, ou talvez não, dependendo de quão liberais formos. Por norma a corrente que defende a obrigatoriedade do investimento total pelo Estado, apresenta um argumento de peso, que passa pelo facto de um licenciado, quando licenciado irá dotar o país de melhores recursos humanos. Por norma a outra parte que se afasta da noção de Estado- Providência, entende que o Estado não tem a obrigatoriedade de suportar por inteiro essa despesa, e ousa afirmar que o princípio do utilizador-pagador é socialmente mais justo e eficiente.
Para mim uma das maiores falhas do Ensino Superior Público Português, passa pelo facto de se permitir que se utilize um bem público (Universidades) que dele se recolha benefícios (cursos superiores) e não se pague absolutamente nada por estes benefícios, com agravante de poder simplesmente e por mérito escolher outro país legitimamente para exercer a sua actividade. Assim se define o princípio do utilizador-pagador aplicado ao ensino superior público em Portugal.
Em Portugal a celeuma foi levantada por que o Governo decidiu primeiro fixar limites máximos de propinas a pagar e transferir depois a fixação do valor a pagar para as próprias universidades. As Universidades decidiram consoante os seus orçamentos, fixar o valor da propina no máximo alegando que o Estado estava a desinvestir no Ensino Superior e que utilizaria as propinas como meio de financiar o ensino superior não deixando ao mesmo tempo de ser irónico que as universidades que tanto lutaram pela independência financeira, hoje que a tem, não tem capacidade de a exercer.
Ora o Estado não desinvestiu no ensino superior. A despesa consolidada do Ministério da Ciência e do Ensino Superior atinge 1.890,4 milhões de euros, o que corresponde a 1,4% do PIB e a 3,8% das despesas da Administração Central, crescendo 7,2% em relação à estimativa de 2003.
Em Portugal, o executivo da legislatura 1995-1999 ( Partido Socialista ) gastou em transferencias para o Ensino Superior no ano de 1999, € 789 milhões de euros, excluindo as transferencias efectuados no ambito do investimento do plano. O orçamento de estado para 2004, previa que a despesa consolidada do Ministério da Ciência e do Ensino Superior seja de 1.890,4 milhões de euros, o que corresponde a 1,4% do PIB e a 3,8% das despesas da Administração Central, crescendo 7,2% em relação à estimativa de execuçaõ orçamental de 2003. O aumento de 126 milhões de euros, face a execuação orçamental de 2003 privilegia, por um lado, os Investimentos do Plano (+51,4 milhões de euros), designadamente na área da Fundação para Ciência e Tecnologia, e, por outro, as transferências para a Acção Social (+24 milhões de euros). Relativamente as faculdades, mais propriamente ditas, temos uma variação de 4,9 % face a estimativa orçamental de 2003.
Ora com base nos numeros da proposta orçamental de 2004 e comparando com a execução orçamental de 1999, temos um variação de 37,3 % em investimento no ensino superior excluindo em ambos os casos as transferencias no ambito de investimentos do plano.
Provada que está assim a acusação de que o Estado deixou de investir na educação e no ensino superior, ganha peso a afirmação que o Estado continuou a gastar mais e pior na educação.
Todos nós concordamos que a educação é uma vertente essencial do desenvolvimento, a sua importância é realçada em todos os discursos políticos, independentemente do quadrante de onde venham. Todos nós concordamos que a despesa com a educação tem tido um forte crescimento, tendo a escolaridade pública e gratuita generalizado-se.
Mas até que ponto deve ela ser gratuita ? Até que ponto não falamos de excesso de governamentalização na educação ?
A segunda e última parte será publicada na segunda-feira.
Publicado por António Duarte 11:35:00 12 comentários Links para este post

The deadly bird flu, which killed 27 people in Asia this year, can infect house cats, potentially leading to infections in humans and other mammals, according to a Dutch study.(AFP/File/Mladen Antonov)
Publicado por Manuel 21:03:00 1 comentários Links para este post
Escrever direito por linhas assimétricas
Meio distraído, ontem, durante o telejornal de um dos canais públicos ouço a seguinte dedução metafísica pelo pivot de serviço em algo como;
Reunião entre Câmaras da zona de grande Lisboa para assinatura do documento que veicula a recepção de forte subsídio (não me lembro quantos quarks ou zilliões de milhões) da EU para a zona da Grande Lisboa de forma a colmatar a grande assimetria regional em Portugal.
Peço ao digníssimo público leitor que me corrija caso a distracção tenha sido tal que de facto o contrário se tenha, em antes, verificado.
Por esta linha dedutiva adivinho já as notícias prováveis, seguindo a mesma lógica Cabírica, dos próximos dias; UNESCO atribui subsídio milionário à Microsoft de forma a colmatar a fome em Africa, ou UNICEF atribui metade do orçamento do ano vigente à Coca-Cola como forma de resolver a mortalidade infantil no planeta.
p.s- Quero desde já pedir as minhas desculpas ao Excelentíssimo senhor Bill Gates e ao não menos Excelso senhor Cola pelo acima transcrito. Foi um profundo erro da minha parte que somente visava a chalaça e o riso imberbe associado ao sadio convívio tascal. Por amor às vossas placas dentárias, don't sue me.
Vosso Humilde manipulador de Celulóides
Publicado por Visconti 18:34:00 0 comentários Links para este post
"Italiano Reformado Procura Família
"Professor reformado procura família que queira adoptar um avô. Dá-se recompensa". O anúncio rezava mais ou menos assim e foi posto num dos jornais diários italianos com mais tiragem, o "Corriere della Sera", no último fim-de-semana.
O apelo é de Giorgio Angelozzi, de 79 anos, um professor reformado ,e atingiu o coração de dezenas de famílias, que desde segunda-feira,lhe ligam, de todo o país, mostrando a sua disponibilidade para acolhê-lo.
Angelozzi vive nas redondezas de Roma, sozinho, tendo por companhia sete gatos, desde 1992, ano em que a mulher morreu. O resultado do anúncio surpreendeu-o. "Tantas famílias que me querem adoptar, tantos que querem que eu ensine os seus filhos e os seus netos sobre Horácio e outros autores clássicos", conta o professor. Entre os que responderam ao apelo está Antonello Venditti, cantor de música popular italiana e antigo aluno de Angelozzi.
O reformado, que oferece 500 euros mensais a quem o acolher, não esperava tanta receptividade, contou ao "Corriere della Sera", citado pela Reuters. Angelozzi lembrou ainda que muitos idosostêm o mesmo problema que ele e sofrem de solidão.
Apesar da Itália ser conhecida pelo importante papel da família, à medida que os anos vão passando e com as alterações na vida familiar, os mais velhos vão ficando esquecidos. No Verão do ano passado, 4175 idosos morreram com a canícula.
in Público
... ou o retrato possível de uma certa sociedade urbana e egoista.
Publicado por Manuel 15:11:00 4 comentários Links para este post
Pobreza: Terra e Desenvolvimento Económico
Depois de ontem me ter aqui, debruçado sobre a problemática da àgua no desenvolvimento económico dos países tidos como sub-desenvolvidos, e na sua influência na questão da pobreza, hoje o tema versará a questão da terra, esse recurso natural que todos têm em mais ou menos abundância, mas que nem todos aproveitam da melhor forma.
A questão aqui está implicitamente relacionada com a produção agrícola, como forma de sustentação e segurança alimentar, aliada ao vertiginoso crescimento económico que os países da África Sub-Sahariana enfrentam. Ainda que as taxas de mortalidade sejam elevadas, a verdade é que não há hoje garantias da chamada sustentabilidade alimentar. E haverá sob o ponto de vista técnico, social e económico indicador que reflicta de melhor forma o nível de pobreza de um população do que o indíce calórico per capita ?
Há várias maneiras de classificar as terras quanto a sua ocupação mas é usado o simples método “adhoc” que permite a relação entre recursos e população, onde a terra é vista como recursos básico para a produção agrícola, elemento vital em várias economias subsahariana.
O quadro abaixo mostra-nos a ocupação das terras, onde um modo global 34% representam pastagem, 30% floresta, e apenas 7% de área de cultivo, sendo o restante 30% composto por rochas, areias, terrenos pobres, estradas e cidades, sendo também importante realçar que a expansão da área de cultivo é possível pois 16% desta parcela possui todas as condições para a agricultura não estando sujeita a qualquer espécie de limitação técnica. Outra questão coloca-se ao nível do preço da terra que sendo escassa atinge preços elevados e associado á questão que nem todos os países possuem terrenos para expansão.

Fonte : PNUD (C) Grande Loja do Queijo Limiano
Países como Burundi, Mauritânia, Ruanda e Nigéria possuem as maiores taxas de ocupação de terra para cultivo mas a verdade é que países com mais baixas taxas de ocupação de terra para efeitos de agricultura ao possuírem sistemas de agricultura mais modernos tem mais produtividade, logo maior produção alimentar ao que alguns autores se referem que quando o fenómeno atrás referido surge, a esperança média de vida a nascença aumenta, mas será verdade?

Os dados acima mostram-nos que não, e mais grave é que uma comparação entre dados demográficos e da ocupação da terra dá-nos um carecimento populacional que será considerado uma ameaça para a capacidade dos países em continuarem a fornecer alimentos aos seus habitantes, pois é lógico que se a população aumente o homem vá conquistando terra para habitar.
Um olhar sobre os dados macro económicos, dos 3 sectores das economias africanas mostra-nos uma dependência da agricultura, que a manter-se envolverá enormes pressões sobre a terra e as situações de escassez de alimentos e fome continuará a aumentar e obrigará os países a recorrer a ajuda alimentar e importação de alimentos sobrecarregando assim a balança comercial.
África com a sua agricultura dispersa, longas distâncias entre o produtor e o consumidor associados a elevados custos de transporte o que encarece o produto, acaba muitas vezes por ter de recorrer á importação de alimentos, mas verdade seja dita a importação não é o efeito de uma baixa produtividade mas sim a causa.
Em relação a interrogação colocada acima, a esperança de vida de uma pessoa não pode ser calculada só com base naquilo que a pessoa come, mas num país onde o défice nutricional é tão grave e onde milhares de crianças morrem antes dos 5 anos por má nutrição, um sistema inteligente de gestão de recursos e que promova a sustentabilidade das terras devia permitir uma melhoria nos índices calóricos fornecidos diariamente.
A Africa subsahariana, é uma região de contrastes, onde a Étiopia com elevadas taxas de crescimento populacional e a baixa produtividade significam um sacrifício cada vez maior da população para a satisfação das necessidades básicas, mas também o Quénia com elevadas taxas demográficas possuem uma produtividade elevada como reconhecimento do desenvolvimento empreendido nos últimos anos.
O crescimento populacional não é a principal causa da pobreza e declínio de Àfrica, mas isto significa que elevadas taxas de crescimento na produtividade devem ser alcançadas e se possível melhoradas nas economias locais.
O Banco Mundial afirma que as economias devem crescer 4 a 5 % ao ano e que o crescimento agrícola deverá se cifrar nos 4%, de forma a garantir a segurança alimentar com base no crescimento demográfico.
A seguir... A Energia Fonte de Desenvolvimento
Publicado por António Duarte 11:27:00 2 comentários Links para este post
"O homem em eclipse"
Ora foi que certo dia
o homem eclipsou-se
a data digam a data
a datazinha faz favor
qual data foi por decreto
que a gente se eclipsou
foi só manobra espertice
um dois três e pronto é noite
que nem a lua apareça
seja de que lado for
Uns seguraram-se logo
eram espertos bem se viu
outros cairam ao mar
com cabeça pernas e tudo
quanto a mim perdi a calma
fiquei desaparafusado
tradição cultura estilo
certeza amigos fatiota
tudo fora do seu sítio
um desaparafuso terrível
Segurem-me camaradas
sinto pernas a boiar
cheiro fantasmas enxofre
estou aqui mas posso voar
o parafuso da língua
vai partido vai saltar
agarrem-me! agarra!
pronto
pari o mais leve que o ar
Mário Cesariny in nobilíssima visão
Colecção Poesia e Verdade, Guimarães & C.ª Editores, 1976
Publicado por Manuel 01:14:00 0 comentários Links para este post
enfim, uma "prenda" de aniversário como deve ser...
quarta-feira, setembro 01, 2004
From: Jorge Van Krieken
Reply-To: jvk@reporterx.com
To: grande.loja@gmail.com
Cc: correio@porto.tr.mj.pt, correio@porto.diap.mj.pt, mailpgr@pgr.pt, directoria.lisboa@pj.pt
Date: Wed, 1 Sep 2004 17:58:47 -0400
Assunto: apresentação de queixa-crime contra oe membros da publicação online http://grandelojadoqueijolimiano.blogspot.com
1. Fui informado por um leitor acerca de um artigo publicado na vossa publicação online em http://grandelojadoqueijolimiano.blogspot.com/ , no dia 1 de Setembro, pelas 12:28 horas, assinado por um me´mbreo do vosso grupo, de pseudónimo Manuel, e onde se lê o seguinte:
«Em bom português a lógica que rege a cabecinha da juíza Filipa Macedo não é em nada diferente da que rege certos agentes a soldo das defesas como Jorge Van Kriecken»
2.
a) Dado que estamos perante uma difamação e calúnia grave, que atenta ao meu bom nome pessoal e profissional, assim como à honorabilidade da minha família;
b) visto que estamos perante uma conduta difamatória continuada, que visa consciente e dolosamente provocar-me prejuízos pessoais e profissionais;
c) conduta essa agravada pelo facto de vários dos membros dessa publicação serem magistrados, a quem cabe não só a defesa da legalidade como o exemplo de uma conduta séria;
informo que procederei a uma queixa-crime contra o(s) autor(es) dessa publicação online, que conta com vários milhares de leitores diários, pelo que agradeço o envio URGENTE da identificação completa da pessoa que assina sob o pseudónimo de «Manuel», assim como dos restantes membros dessa vossa publicação online, informação essa que será entregue às autoridades competentes.
3. Informarei igualmente o Conselho Superior do Ministério Público, dado estarmos perante indivíduos magistrados, a quem solicitarei a abertura urgente de inquérito.
4. Também o Ministério da Justiça (dado que o tal Manuel parece ser funcionário do sector de informática) será contactado formalmente, no sentido de apurar responsabilidades dessa estrutura no envio de informação caluniosa, e utilização indevida de meios públicos.
5. Agradeço o envio urgente da informação solicitada, e que este mail seja entregue a todos os membros dessa pblicação, entre eles o magistrado Pinto Nogueira, que julgo exercer o seu cargo no tribunal da Relação do Porto.
Mais informo que procederei a análise exaustiva sobre a conduta difamatória da vossa publicação, nomeadamente o que nela foi publicado acerca de várias outras pessoas, entre elas o próprio Presidente da República.
Jorge Van Krieken
Jornalista
Carteira Profissional nº 2687
1 de Setembro de 2004
Neste País o direito à opinião e até ao disparate é livre para todos e não só para alguns ungidos ou inimputáveis. É certo que desafiamos e furamos o status quo de que JVK é tão acérrimo defensor e, podem estar certos, que responsavelmente mas sempre sem medos ou tibiezas continuaremos a fazê-lo.
Quanto ao resto aguardamos serenamente sem pesos na consciência e sobretudo sem medo de ameaças, sendo que por estas bandas cada um sempre foi responsável pelo que escreve pelo que o artifício rasca de pedir a identificação (!) de todos os nossos escribas mais não é que uma tentativa soez de censura encapotada que visa tão somente tentar calar as vozes livres e insubmissas que por aqui opinam...
Publicado por Manuel 23:52:00 70 comentários Links para este post
Em Portugal espera-se, se é que não se exije, que os diversos monstros sejam tratados assim...

... porque o respeitinho é muito bonito.
Publicado por Manuel 21:51:00 1 comentários Links para este post
"ARRE, que tanto é muito pouco!"
ARRE, que tanto é muito pouco!
Arre, que tanta besta é muito pouca gente!
Arre, que o Portugal que se vê é só isto!
Deixem ver o Portugal que não deixam ver!
Deixem que se veja, que esse é que é Portugal!
Ponto.
Agora começa o Manifesto:
Arre!
Arre!
Oiçam bem:
ARRRRRE!
Álvaro de Campos
Publicado por Manuel 19:38:00 0 comentários Links para este post

This artist's concept released by NASA/JPL represents the newly discovered Neptune-sized extrasolar planet circling the star Gliese 436.(AFP/NASA/JPL-HO)
Publicado por Manuel 18:17:00 0 comentários Links para este post
Ainda sobre a edição de hoje do 24 Horas e do nosso Venerável Irmão José nos comentários ...
Bem, acabo de ler o 24 horas que tenho aqui à minha frente. Lá, a págs. 10/11 vem a "Grande entrevista à juiza que quis voltar a meter na cadeia dos arguidos do processo Casa Pia "
Grande entrevista?! Nem por isso. De substancial diz apenas uma coisa: que o MP não recorreu do seu despacho e que por isso considera ilegal a promoção do procurador. Ao mesmo tempo, acha que o despacho do juiz Raposo que contraria o seu é admissível legalmente, pois segundo ela "ele podia ter feito o que fez. Quem não devia ter feito o que fez e fez uma coisa, na minha opinião, ilegal foi o senhor procurador Aibéu (sic). Esse é que fez um acto ilegal."
O 24 Horas é um jornal interessante... vejamos o conteúdo desde a primeira página, até chegar à 10...
Título em manchete, com foto da juiza em roupa de inverno (antecipação do mau tempo que virá) - "Estou desiludida com o meu colega"
Pág. 2 e 3 - Belas & Perigosas e um kit para construir, recortando, o vestido da "noiva perfeita". Tudo profusamente ilustrado com fotos de Paula Neves,Lúcia Garcia e Leonor Seixas, as casadoiras em voga!
pág. 4 - "Brasa do Dia" com uma foto de "Uma nortenha cheia de cuidados" que diz a certa altura da coluna que a entrevista: " Na minha família somos todos muito morenos e por este motivo nunca apanho escaldões. Mesmo assim, uso protector elevado(...)"
Pág. 5 - "Sou uma mãe galinha" afirma desavergonhadamente Alberta Marques Fernandes, apresentadora de televisão que aqui aparece a toda a altura da página, acompanhada pelo namorado Jorge Grade. Sob o título:" Pivô da RTP está realizada na profissão e no amor". Olha que sorte!
Na mini entrevista, diz a Alberta: "Preocupo-me muito em dar o meu melhor a um público que é seleccionado e muito específico" Esta, não compreendi muito bem...
Pág. 6 - "A pior loucura qye fiz foi comer sardinhas com donuts" . Esta é a frase chave do título e uma das 24 confissões arrancadas a ferros pelo 24 horas ao "cantor" Miguel Ãngelo que também se apresenta a todo o comprimento da página em foto colorida, em roupa de inverno.
Pág. 7 - publicidade de página inteira da... PT! "Em Setembro, você não vai parar de falar." Pois não...
Pág. 8 - "Ele adora surfar". Quem? Litos, jogador do Málaga e que "teve de optar entre o futebol e o bodyboard". As letras da revelação são garrafais e apreto e azul.
Pág. 9 - "Bush e Castelo Branco são primos!" Quem diria...
Aliás, o 24 horas lembra que já se havia descoberto tal ligação impressionante e fantástica da genealogia, em relação a... Paulo Portas que aparece aqui em foto de pé-de-página, com um copo frio na mão e a legenda: "Olha o primo Portas!"
Pág. 10 - a notícia central e com chamada na manchete!
O resto do jornal também tem interesse. Quanto a mim a parte melhor é a foto da pág.47. Uma imagem vale mil palavras. Vão lá ver...
Publicado por Manuel 16:40:00 4 comentários Links para este post
Pobreza: Água e Desenvolvimento Económico
No seguimento da exposição que a GLQL tem vindo a efectuar, eis chegado o momento de contrabalançar os recursos com o crescimento económico e numa perspectiva mais abragente com o desenvolvimento económico.
Para um correcto enquadramento, é assim importante visualizar o que noutros dois posts se encontra escrito aqui e aqui .
A pergunta naturalmente impõe-se, serão os recursos factor condicionante e relevantes da pobreza ? Será a abundância de recursos sinónimo de crescimento e desenvolvimento económico ?
- Água - Fonte de Vida
Se existe recurso importante, e que inclusivé já motivou guerras bem recentes, recordando-me por exemplo do conflito entre a Etiópia e a Eritreia, é a água.
Desde sempre que a existência de água condicionou a sedentarização das populações. Elemento essencial à humanidade a água é fonte de vida.
Infelizmente muitas zonas do globo sofrem de secas permanentes ou de cheias abundantes. Chove muito pouco ou então em demasia, em locais e tempo errados, tudo consequência das alterações climáticas que temos vindo a assistir. Os invernos são mais rigorosos e os Verões mais quentes. Os tempos de seca tem na Àfrica Sub-Sahariana vindo a intensificar-se.
A áfrica subsahariana é uma dessas regiões e aquela cuja situação atinge contornos mais dramáticos. A escassez de água põe em perigo a segurança alimentar bem como o crescimento de todos os sectores económicos.
Apesar das advertências de vários organismos internacionais os recursos hídricos não têm merecido a atenção desejada. A grande maioria das bacias hidráulicas africanas são partilhadas por vários países cujas relações são por vezes conflituosas, impedindo assim uma gestão conjunta e equilibrada, ao invés cada um gasta o que pode sem controlo nem respeito pelos ecossistemas naturais que cada vez mais se vão degradando.
Muitas são as áreas desertificadas já completamente irrecuperáveis. Nas regiões rurais mais pobres, a água existente não é já suficiente mesmo para praticar uma agricultura de subsistência, e são estas as populações que mais carecem de água potável e saneamento básico.
No entanto quer os governos locais, quer a comunidade internacional têm feito algum esforço neste sentido, nos quadros seguintes temos a da percentagem da população com acesso a água potável e os m3 de água per capita.
Através da análise deste último indicador ficamos com a percepção que em alguns países o problema passa pela má gestão e falta de infraestruturais e não pela falta do recurso em si.

Fonte : PNUD (c) Grande Loja do Queijo Limiano
Se pensarmos no conforto que os países do ocidente têm para oferecer aos seus habitante à beira do século XXI, estes valores, apesar das melhorias significativas em muitos países, continuam a parecer irreais: em Moçambique somente 32% da população tem acesso a água potável e em Angola 16% a saneamento básico.
Esta falta de qualidade de vida reflecte-se obviamente no crescimento da população.
A mortalidade infantil e doenças como a cólera e a malária que continuam a matar milhões por ano, chocam o mundo desenvolvido.
No quadro 2 vemos que normalmente a países com percentagem de população com acesso a saneamento básico mais elevadas corresponde um índice de mortalidade infantil mais baixo.

Fonte : PNUD (c) Grande Loja do Queijo Limiano
A crescente urbanização implicou também problemas ao nível da gestão dos recursos hidrícos. Muitas das cidades africanas são autênticos guetos, sem infra-estruturas ou instituições que assegurem a sua correcta utilização, o seu uso desregulado provoca graves problemas ambientais, não existem redes de esgotos, os rios estão cada vez mais poluídos, criando um ciclo vicioso do qual é difícil sair.Para esta questão, a cada dia que passa urge encontrar resposta, o empenhamento individual de cada país não basta, a solução tem que ser partilhada, principalmente a nível regional, bem como pela comunidade internacional.
Convém reter que a água é um bem escasso e um problema de todos, ricos e pobres, o seu uso tem que ser feito de forma sustentada pois sem ela o futuro não tem vida.
A seguir... Pobreza: Terra e Desenvolvimento Económico
Publicado por António Duarte 14:30:00 1 comentários Links para este post
a juíza tabloide...
Uma meritissíma juíza de turno do tribunal da Boa Hora resolveu dar uma olhadela na diagonal por um dos processos mais complexos de que há memória num passado recente e vai daí resolveu fazer justiça (?) pelas próprias mãos.

Em tese poder-se-ia admitir que tais devaneios se poderiam dever apenas e só a um excesso de voluntarismo mas só em tese. Porque depois das demarches do Ministério Público - que revelou uma sensatez, paciência e bom senso notáveis - as declarações da senhora primeiro em off e agora urbi et orbi em on, e num registo de todo sensacionalista, são absolutamente inaceitáveis, como é absolutamente inaceitável uma agente judicial - juiz - afirmar alegre e descaradamente sobre matéria que se supõe de facto que "cada cabeça sua sentença" (!).
Em bom português a lógica que rege a cabecinha da juíza Filipa Macedo não é em nada diferente da que rege certos agentes a soldo das defesas como Jorge Van Kriecken mas é antes rigorosamente a mesma, é a lógica do "whatever it takes". Assim Filipa Macedo a quem se pretendia isenção e neutralidade transformou-se objectiva e tão somente no mais precioso avançado de uma das equipas (as defesas) pelo que resta somente uma e uma só dúvida - se tem consciência disso ou não tem, se não tiver é um caso clínico, se tem é um caso de polícia.
Com justiceiros destes as vítimas não precisam de inimigos...
Uma nota a fechar para registar o silêncio atroz do Conselho Superior de Magistratura, e que vale por milhares de palavras e comunicados... É o sistema eu sei.
Publicado por Manuel 12:28:00 3 comentários Links para este post
"Acção Penal e Política"
Miguel Sousa Tavares (MST), no Público de 27 de Agosto, apresenta cinco dezenas de medidas que tomaria se fosse primeiro ministro. Não o será nunca, como ele próprio considera. Felizmente, mas que não esqueça que, há uns tempos, vaticinou, no mesmo diário, que ninguém, nem o próprio, cria alguma vez chegar a tal cargo, referindo-se a Durão Barroso. Daí que nunca se sabe o que lhe reserva o seu futuro promissor.
De entre tais medidas, saliento, por deformação, duas que respeitam á justiça...
- 1ª - "revogação do estatuto de independência funcional do Ministério Público, com a sua submissão hierárquica ao ministro da Justiça...."
- 2ª - "eleição por sufrágio universal do presidente do Supremo Tribunal de Justiça...".
Há cerca de dez anos, MST entendia ser, o então procurador-geral da República, o Rasputine do regime que violara o segredo de que se fala, a propósito do caso que envolveu a Drª Leonor Beleza...
...não ficou dúvidas na cabeça de ninguém que a violação do segredo veio do gabinete do procurador-geral
...escrevia.
Nessa altura, Marques Mendes dizia, colocando-se em bicos de pés, ao Diário de Notícias que se o PSD fosse governo a primeira medida na área da justiça que tomaria era a de propor ao presidente da República a demissão do procurador-geral.
Proença de Carvalho, conhecido e eminente jurista da defesa dos direitos, liberdades e garantias dos mais necessitados, apregoava no mesmo Diário que o Ministério Público deixara de ser uma instituição ao serviço da comunidade e estava só ao serviço de si próprio.
Freitas do Amaral, professor de direito administrativo, defendia o retorno a um Ministério Público próprio do "procurador régio", ou do antes do 25 de Abril.
Há vários pontos comuns em todos estes entendimentos.
O essencial é que todos eles pretendem transmudar uma magistratura num corpo de funcionários sujeitos às ordens e instruções do Executivo.
Suponho que é em nome da eficácia - o ministro manda, os processos findam. O ministro não manda, os processos não se iniciam ou não findam.
A perversidade está à vista. Retoma-se o estatuto judiciário que vigorou até 25 de Abril de 1974 e tudo é muito mais eficaz, como sempre é mais eficaz governar com autoridade musculada a fazê-lo com respeito pelas regras democráticas.
Voltava-se ao ofício confidencial, ao telefonema do chefe de gabinete, à "encomenda" do procurador, do presidente da câmara, ou de qualquer ministro ou secretário de estado.
Não se me apresentam dúvidas de relevo que um sistema de Ministério Público funcionalizado seja, quem sabe?, muito mais eficaz. Até, talvez, se lhe concedam os tão falados meios e instrumentos para investigar e mandar investigar. A questão é a de se saber o que se passa a investigar e o que se não passa investigar. Por encomenda ministerial.
Por outro lado, a separação de poderes começa no Ministério Público, pois é este que apresenta ou não ao juiz os feitos a decidir. Dirigido de fora, não é o Ministério Público quem decide o acusar ou arquivar, mas antes o poder político. E isto não tem nada que ver com preconceitos quanto a este poder. Tem que ver com democracia, com independência e isenção dos tribunais, com regras de teor democrático.
E a eficácia, sempre argumento para estas e outras coisas, não pode abstacular aos direitos, liberdades e garantias, nem estes são, só por si, obstáculos àquela. O que a história demonstra é que, a pretexto da eficácia, se atropelam os mais elementares direitos do cidadão.
No sistema implícito às propostas de Miguel Sousa Tavares e outros, a investigação depende sempre e hierarquicamente do Executivo (a Polícia Judiciária, a Polícia de Segurança Pública, A Guarda Nacional Republicana, a Guarda Fiscal, a Direcção-Geral dos Impostos, a Inspecção-Geral do Trabalho, a Direcção-Geral das Alfândegas), dado que o Ministério Público é "funcionalmente" dependente do Ministro da Justiça. Com esta dependência o edifício fica completo - a acção penal exercida pelo MP também depende do mesmo ministro, do executivo.
Não me atrevo a dizer que o Ministério Público, ao longo de todos esses anos de autonomia, tenha sido um modelo de eficácia, um modelo de produtividade e mesmo um modelo de isenção. Digo apenas, e numa só palavra, o que li, não sei onde e dito por Poincaré que
...tudo quanto seja separar justiça da política é uma questão de saúde pública...
A autonomia do Ministério Público a que MST chama de independência funcional está na Constituição, no que ele diz de "sagrada Constituição", mas não é isso que, só por si, a autoriza a prazo (pode ser alterada) importando, isso sim, saber o modelo de Ministério Público - funcionalizado ou autónomo, magistratura? O debate nunca esteve arquivado, está a aguardar melhor prova, mas virá ao de cima, penso eu. Mais tarde ou mais cedo, com estes ou outros condimentos.
Quanto à eleição do presidente do STJ por sufrágio universal, resta-me dizer que nem só o voto universal, em democracia, legitima este ou aquele poder. Mas que a legitimidade e legitimação do mesmo presidente necessita ser reforçada, isso necessita, não se limitando à eleição pelos "membros da casa". Disto tratei, com desagrado para muitos, numa pequena crónica no DN, de 24/05/04.
Alberto Pinto Nogueira
Publicado por josé 10:43:00 3 comentários Links para este post
365 dias depois...
Já muito se escreveu sobre a extraordinária ênfase dada à imagem pela entourage santanista mas ainda não o suficiente.
A linha oficial tem dito que é tudo uma questão de comunicar (não que se vislumbrasse muito bem o quê) mas os últimos dias foram verdadeiramente pedagógicos, absolutamente pedagógicos. Com a preciosa colaboração do Bloco de Esquerda o eixo Santana/Portas anestesiou literalmente por uns tempos o País.
O episódio do barco do aborto, onde espantosamente ou talvez não apenas a Igreja Católica - pela voz corajosa e lúcida de D. Januário Torgal Ferreira - parece ter um mínimo de sensatez, tinha tudo para ser apenas e só um mero fait-divers mais ou menos patético sobre um assunto demasiado sério para ser discutido panfletariamente mas objectiva e deliberadamente Portas e Santana, com a prestimosa colaboração de Sampaio, e gáudio de Louçã e sus muchachos, tranformaram-no no facto político do momento.
Não houve amadorismo, não houve precipitação, foi tudo rigorosamente calculado ao milimetro, tudo. O País, catatónico, a comunicação social, pavloviana, vai todo atrás, como se de repente todos os dramas do País se resumissem a um barco. A questão do Aborto é um drama, um drama demasiado sério, mas não é o maior drama deste país, muito menos resume este País.
Portas e Santana sabem-no perfeitamente, enquanto se debate o barquito não se discute o descalabro das contas públicas, não se discute a reforma da administração pública (adiada sine die), não se discute a reforma do sistema político, da justiça, enfim de tudo o que está mal em Portugal.
Não se discute porque não se quer, porque é incómodo, porque é mais prático pensar e governar a 6/8 meses que a 6/8 anos, não se discute porque de facto não há ideias que não sejam a perputuação de uma e mesma casta no poder.
Num artigo, ontem aqui publicado, de uma lucidez atroz Medina Carreira explicou que na prática e de há muitos anos para cá Portugal anda gerido ao Deus dará. Os números são dolorosamente óbvios - da Europa dos 15 só Portugal, apenas e só Portugal, não efectuou nenhuma reforma estrutural de fundo na última década e não a efectuou porque se dá sempre primazia ao imediato, ao fácil, ao adiar, ao atirar os problemas para debaixo do tapete, em suma à estratégia da avestruz.
E depois para quê ser "cruel" e dizer as verdades ? quando o que dá, o que rende é ser pragmático, falar e alinhar em "Missões" e "Compromissos" que mais não são que meras e promiscuas vias verdes para um qualquer tacho, subsídio ou negociata...
Enquanto se discute o barco do aborto ninguém fala do Orçamento de Estado para 2005, ninguém fala das reformas que não se farão, ninguém repara no Congresso do PSD que Santana marcou pela calada numa tentativa ínvia de monarquizar o PSD, deixou-se até de discutir a absoluta indigência que caracteriza o processo de sucessção do PS, em suma para quê a realidade quando o que o bom povo de facto aprecia é uma boa novela...
Benvindos pois à era santanista onde tudo - mesmo tudo - se resume a um reality-show. Por estes dias foi o barco do aborto, a seguir eles hão-de inventar outra coisa qualquer...
... e qual moscardo, 365 dias depois, nós cá continuaremos para os denunciar e a agitar consciências, porque a arma mais poderosa é a Verdade.
Entretanto e para os humanistas de aviário que tanto se preocupam com os dramas das mulheres segue o link para o drama real de uma (o link com o NIB correcto para quem quiser dar donativos é este) que nos vem sendo revelado no Púrpura Secreta. Aproveitando a onda, num mundo onde o facilitismo e a eugenia imperam, é imperativo dar uma olhada ao blog de uma jovem, e babada, futura mamã brasileira que não hesita em levar a sua gravidez até ao fim apesar de saber que o seu filho será sempre especial (via um pouco mais de azul).
Publicado por Manuel 01:12:00 13 comentários Links para este post
Foram anos de crença. E décadas de esperança. Durante muito tempo, a esquerda acreditou nas virtudes da educação do povo. Convenceu-se e convenceu muita gente, gerações atrás de gerações, que a educação era o instrumento essencial para mudar as sociedades, criar o "homem novo" ou, com menos pompa, libertar os oprimidos do capitalismo. Alfabetização obrigatória e universal, democratização do ensino, escola para todos, formação profissional para toda a gente, acesso aos estudos superiores, democratização da universidade e direito à universidade: estas foram, entre outras, algumas das suas palavras-chave que passaram para o vocabulário das sociedades contemporâneas. Para as suas crenças, a esquerda atraiu, sobretudo por má consciência e sentimento de culpa dos outros, pessoas e grupos sociais ditos do centro e da direita. A ideologia educativa da esquerda transformou-se, há muito, na ideologia dominante. 

