Depois do primeiro milho
quarta-feira, agosto 04, 2004
Continuando a acompanhar a campanha a secretário-geral do PS pelos media…
Temos hoje como facto relevante “Uma Indispensável Clarificação”, o artigo que José Sócrates apresenta nas páginas do Diário de Notícias [disponível no recentemente inaugurado site do candidato].
Nele propõe-se abordar seis temas. Seriam estas algumas das questões a discutir internamente?
Fosse como fosse, finalmente, José Sócrates apresenta alguma clarificação.
- A recusa e o combate à visão estreita daqueles a quem se deve dirigir o PS, demarcando-se claramente da opção pela cartilha da “luta de classes” de Manuel Alegre.
- A valorização daquilo que o governo socialista de António Guterres teve de melhor – a “marca social” respondendo aos argumentos de Manuel Alegre e denunciando a sua crítica não mais que velada aos últimos governos socialistas;
- A insistência na inovação tecnológica como principal característica da sua política económica, reforçando a ideia da necessidade de uns novos Estados Gerais dominados por esse “desígnio”;
- O ataque a Manuel Alegre destacando a incoerência deste, patente entre a defesa de debates abertos à sociedade e a opção por uma escolha de directório quanto à questão do primeiro-ministro;
- A recusa de coligações pós-eleitorias à esquerda e a denúncia dos malefícios estratégicos da predisposição assumida pelos restantes candidatos para esses mesmos cenários;
- E, finalmente, a apologia de António Guterres para Presidente da República.
Como apreciar o texto de José Sócrates? O título começa logo por dizer alguma coisa, atentem - "Uma indispensável clarificação".
O principal valor acrescentado do artigo em questão é o contributo para a demarcação pública entre as campanhas em termos de estratégia política.
No texto de hoje consegue mitigar a ausência de dados concretos quanto à linha de rumo político e às suas opções que pontificaram neste início de campanha e põe em cheque as lacunas e fraquezas dos seus opositores, em particular Manuel Alegre (João Soares, tem dito pouco que mereça digna nota até ao momento, convenhamos). Além da referida questão quanto à escolha do primeiro ministro, denuncia a carência de fundamentos na versão de socialismo que Manuel Alegre defende seguir, ao este se distanciar de todos os governos socialistas que estiveram em vigência pela Europa a sul da Escandinávia nos últimos anos.
No texto não falha sequer o text bit que caricatura a forma como Manuel Alegre e seus apoiantes engolem a opção António Guterres para presidente da República:
“Não queres, pois não?”Dito isto, esperemos que o artigo indefinido no título do texto de hoje permita adivinhar outras clarificações indispensáveis, fora do campo da política “pura”. Talvez um maior detalhe relativamente às opções de política económica e a concomitante clarificação quanto ao que não correu bem nos governos de Guterres.
Sublinhar como positivo apenas a política do ambiente e a “marca social” permite-nos deduzir que o resto falhou? De que forma, onde, porquê?
Se a resposta vier sob a forma de algumas propostas concretas em áreas chave da economia e do relacionamento de Estado com o cidadão agradece-se, dispensando-se maiores actos de contrição. Se quiser responder sublinhando o que é que pretende implementar do modelo do socialismo escandinavo que preza, também é bem vindo.
Este breve artigo era uma condição urgentemente necessária mas é manifestamente um esforço insuficiente. E isto que acabei de escrever é uma "mais que evidência", mas ainda assim, nestes tempos...
Que nos sobre alguma paciência para ir acompanhando o desenrolar dos acontecimentos que se espera retomem a elevação e dignidade que todos apregoam.
E já agora, cumprimentos ao José Lello e boas férias para ele. Diga-lhe para descansar uns mesitos, ele merece.
P.S. - Igualmente identificados na imprensa o artigo de Helena Roseta no Público e uma algo bizarra apologia de Sócrates de Pedro Cunha Serra no Diário Económico.
Publicado por Rui MCB 17:40:00 0 comentários Links para este post
"máxima" du jour
para quem enfiar a carapuça...

"You will not apply my precept," he said, shaking his head. "How often have I said to you that when you have eliminated the impossible, whatever remains, however improbable, must be the truth? We know that he did not come through the door, the window, or the chimney. We also know that he could not have been concealed in the room, as there is no concealment possible. When, then, did he come?"
Sherlock Holmes in The Sign of the Four, ch. 6 (1890)
Publicado por Manuel 17:35:00 0 comentários Links para este post
salon.com - "We will watch the watchers"

Publicado por Manuel 16:10:00 0 comentários Links para este post
"Reflexos"

Olho-te pelo reflexo
Do vidro
E o coração da noite
E o meu desejo de ti
São lágrimas por dentro,
Tão doídas e fundas
Que se não fosse:
o tempo de viver;
e a gente em social desencontrado;
e se tivesse a força;
e a janela ao meu lado
fosse alta e oportuna,
invadia de amor o teu reflexo
e em estilhaços de vidro
mergulhava em ti.
Ana Luísa Amaral, in Anos 90 e Agora
Publicado por Manuel 13:10:00 0 comentários Links para este post
Azares...
Na vida, como no jogo, se o sucesso surge ele advém do mérito caso contrário foi o azar. Se nos países que se regem segundo o Islão, os jogos de sorte ou azar, são proibidos e dão direito a prisão, nas sociedades ditas modernas os mesmos fazem parte do quotidiano.
São os jogadores de casino que se envolvem nas escolhas sempre difíceis entre o "vermelho" e "preto" e que como por artes mágicas, perdem sempre e para isto só há uma justificação - foi o azar.
São os alunos que depois da prova de Matemática, dizem que foi azar ter saído aquela pergunta. Foi a selecção portuguesa que na final do Euro'2004, teve azar em sofrer aquele golo. Depois foram os incêndios que deflagraram por azar.
Esta pequena teoria transporta-nos claramente, para um grande problema que existe em todas as cidades de Portugal mas com mais incidência no Porto e em Lisboa. Os prédios devolutos e em risco de queda.
Ontem em Lisboa a derrocada de um prédio na zona de Campo de Ourique levantou de imediato a questão sobre as obras, a sua responsabilidade e os efeitos nefastos que tal situação provoca quer nos moradores quer na cidade.
A questão é por si só complexa, uma vez que deve ser vista sobre três pontos de vista, o do inquilino, do proprietário, e da autarquia.
Os inquilinos, muitos deles, residentes em prédios em "ruínas" espalhados por essas cidades fora, pagam rendas que se encontram desactualizadas face ao valor de mercado. A lei protege em demasia os inquilinos, e coloca toda a responsabilidade do lado dos proprietários dos imóveis a quem compete executar toda e qualquer obra de melhoramento no prédio.
O proprietário, muitas vezes herdeiro do primeiro proprietário, sabe que as rendas que mensalmente recebe e quando as recebe não chegam sequer para pagar as contas da água, luz e limpeza quotidiana do imóvel. Por várias razões entre elas a sucessiva falta de coragem em vitalizar o mercado de arrendamento urbano por parte dos governos que tem passado por cá, o que leva nalguns casos a rendas com preços de 1970. Ainda que se proceda a obras de restauro, a lei permite que se suba as rendas até 8% face ao valor praticado até então. Se estivermos a falar de rendas na casa dos 30 euros, rapidamente se perceberá que 8% não chega a um aumento líquido de 3 euros.
A autarquia, a quem compete fazer cumprir a lei em vigor e em promover programas de reconstrução e requalificação urbana como é o caso do programa RECRIA, onde uma parte substancial é suportada pela autarquia e a outra remanescente pelos proprietários.
A lei é clara e dá poderes a autarquia de avançar com as chamadas obras coercivas, colocando os imóveis em questão sobre gestão camarária.
Ora em 5 de Janeiro de 2002, logo após a tomada de posse, Pedro Santana Lopes, dizia assim...
Decidimos fazer, até 15 de Janeiro, um inventário exaustivo dos prédios devolutos e degradados. A seguir far-se-á uma intimação colectiva para os proprietários entaiparem os prédios. Se não o fizerem, a câmara irá fazer esta empreitada e depois debitar-lhes os custos
O inventário, realizado chegou à conclusão que havia 1404 prédios devolutos e degradados a exigir intervenção urgente e 3021 edifícios afectados em menor grau e total ou parcialmente habitados e numa primeira fase a autarquia, através de um edital assinado pelo então presidente, deu 15 dias aos proprietários para emparedarem as portas e janelas dos prédios devolutos e em perigo e ordenou a demolição ou beneficiação de edifícios que ameaçam ruína.
Mais tarde percebeu-se que a própria autarquia também tinha imóveis em avançado estado de degradação, e seis meses depois, apesar de ter enchido as ruas com cartazes tapando as fachadas de prédios estrategicamente colocados, com " Obras Coercivas" , a verdade é que a mesma autarquia do Lopes, ainda não tinha emparedado os seus próprios imóveis em risco.
O caso assume enorme gravidade por duas razões...
- A Protecção Civil tinha evacuado na véspera todos os habitantes do prédio por risco iminente de queda.
- A Autarquia de Lisboa havia notificado várias vezes o proprietário para realizar obras, em Outubro de 2003, foi realizada uma vistoria da autarquia e aberto um concurso municipal para a realização de obras. Ora a responsabilidade pelo sucedido ontem está num edital afixado na junta de freguesia dos Prazeres onde a Câmara Municipal de Lisboa responsabilizou-se pelo edifício e pelas suas obras de recuperação. A vereadora Eduarda Napoleão determinou, através de um despacho, tomar posse administrativa do edifício para execução das obras de conservação e no mesmo documento os moradores receberão uma notificação para passarem a depositar a renda na Caixa Geral de Depósitos. Mas, apesar do edital ter sido afixado no mês de Maio, os moradores até hoje não receberam qualquer informação nesse sentido.
Se por um lado existem esperanças dos proprietários que as rendas aumentem para que se possa pagar as obras e do lado dos inquilinos que exigem obras que justiquem o aumento das rendas, a realidade assume contornos demasiado duros...
- Num imóvel com 10 fracções, e com obras totais em média na casa dos 75.000 Euros, é difícil que o aumento das rendas compense o custo da obra.
Por isso a nova lei do arrendamento, não poderá estar apenas do lado do inquilino, mas também terá que dar alguns benefícios e poderes aos proprietários.
Mas não se pense que os proprietários são as vítimas deste problema, nada disso. Lembram-se que no princípio deste artigo termos falado de sorte ou de azar ?
Pois bem, e como a lei o permite, o proprietário do imóvel que ruiu ontem recebia mensalmente perto de 500 euros mensais de rendas provenientes de 12 fracções. Tal rendimento se aplicado em obras, permitiria pagar as obras em 20 anos sem incluir o custo do recurso ao financiamento bancário. Com a queda do imóvel irá certamente surgir um projecto para um condomínio de luxo na zona chique de Campo de Ourique aprovado com pompa e circunstância pela autarquia, que ainda afirmará que...
Estamos a mudar Lisboa
Os proprietários esses tiveram sorte, pois o prédio ruiu, não gastaram dinheiro nenhum em obras como era sua obrigação, e agora realizam uma mais-valia interessante na venda do terreno, e se souberem negociar ainda levam uma fracção no novo imóvel.
E o azar ? O azar foi o prédio ter caído. Ora tal afirmação vinda de um incauto munícipe seria constrangedora mas aceitável, mas vinda de Carmona Rodrigues, actual presidente da autarquia, levanta questões importantes ao nível da responsabilidade ou melhor da irresponsabilidade com que se governa.
A posse administrativa só é feita a partir do momento em que se faz a consignação da obra e estávamos a uma semana de a fazer. Foi azar mas já podíamos ter começado se o primeiro concurso não tivesse ficado vazio.
Ora perante isto, eu mesmo não sei se foi azar, ou sorte a mais, o prédio não ter caído antes. Se foi azar Carmona Rodrigues ter chegado a presidente da autarquia sem ter passado pelas mesas de votos.
O que sei é que independentemente da sorte ou do azar, os políticos não podem justificar-se no jogos de sorte ou de azar para justificar os seus próprios erros, sob pena de um dia, os eleitores terem que escolher se votam no azar ou na sorte, no "preto" ou no "vermelho", isto porque, uns de uma maneira outros de outra, todos quando chegam à hora de justificar, tem apenas uma palavra...o azar !
Publicado por António Duarte 11:15:00 2 comentários Links para este post
Em recuperação...
E ao terceiro dia útil - com excepção de Setembro - eis que se avalia a confiança...
Inquéritos de Conjuntura às Empresas e aos Consumidores - Julho de 2004
Indicador de clima e indicadores de confiança dos consumidores e dos serviços mantêm tendência de recuperação
Em Julho, o Indicador de Clima 1 evoluiu favoravelmente. Com as indicações agora recolhidas e atendendo à revisão do valor apurado em Junho, registou-se a quinta recuperação consecutiva do indicador.O indicador de confiança dos consumidores apresentou uma melhoria em relação a Junho. O indicador de confiança dos Serviços manteve a evolução recente, tendo recuperado face a igual período do ano anterior.
Fonte: INE para mais detalhes é saltar até aqui.
1 Considera informação relativa aos sectores da Indústria Transformadora, Comércio e Construção.
Publicado por Rui MCB 10:32:00 0 comentários Links para este post
"O Diário Secreto de Santana Lopes com a Idade de 48 Anos"
1 de Agosto - Finalmente, tenho um pouco de paz, pelo que decidi escrever um diário. Faz hoje onze dias que tomei posse. Diante das câmaras, o Presidente Sampaio deu-se ares, mas eu quero lá saber do que ele pensa. Nem eu, nem ninguém. O importante - a não concretização de eleições - consegui-o. Na política, como disse Maquiavel, os resultados é que interessam. A tomada de posse foi bonita. Eu estava bem, com o cabelo ajustado à nuca e um aspecto aprumado. Mesma a Cinha teve de o reconhecer.
Alguns jornais, especialmente o PÚBLICO, tentaram ensombrar a minha imagem, mas, em geral, as reportagens, nacionais e internacionais, foram excelentes. Houve aquela página, inteira, do "The Sunday Times", a dizer que me zangara com o meu querido amigo Durão Barroso por, em tempos, ter tido um affaire amoroso com a mulher dele (até declaravam que existiam cartas secretas!), mas o Portugal profundo não tem por hábito ler os jornais do Rupert Murdoch.
A minha presença no Parlamento decorreu igualmente de forma esplêndida. Planeei tudo com cuidado. Decidi não ligar aos deputados, especialmente aos da oposição. Com o calor que fazia, foi fácil. Gostei de ver na galeria, coitadinha, a minha querida Conceição Monteiro, uma das mulheres - e não são poucas - que me compreende. Até os esquerdistas do PÚBLICO foram forçados a citar a sua frase no sentido de que a minha cabeça "fervilha" de ideias. Só os velhos queques do Porto, como o Miguel Veiga, a Mona Lisa de Lisboa que dá pelo nome de Teresa Gouveia, e o sex symbol da Lapa, o romântico romancista Miguel Sousa Tavares, não querem admitir o facto. São umas múmias a quem ninguém dá importância.
A minha passagem pelo poder continua a correr gloriosamente. As ideias saiem do meu crâneo em catadupa. Aquela, de mandar os secretários de Estado, sem lhes ter dito nada antes, para Braga, Aveiro, Coimbra, Santarém, Évora e Faro, foi sensacional. De uma cajadada, matei dois coelhos. Demonstrei aos partidos, mesmo ao meu, que isto da descentralização é comigo; por outro lado, livrei-me de um ninho de intriguistas. Claro que sei que 80 por cento da população vive no litoral - não sou analfabeto - mas ninguém conhece este número. Toda a gente, à direita e à esquerda, tem pena do "interior". Não me esquecer de dizer ao Arnault, um bom rapaz mas que precisa de orientação, para fornecer argumentos aos autarcas, se algum jornalista atrevido lhes vier com esta estatística no bolso. Os autarcas não primam pela inteligência.
O futuro é meu. Basta olhar para o estado da oposição. Sob as vagas de deslocalização das indústrias (dizer ao António Monteiro que deixe de pensar em Paris e faça antes um plano para irmos a Pequim), os intelectuais anti-globalização estão em vias de agonizar. Embora, sendo quem são, não se tenham apercebido do facto. Depois de ter acusado Sampaio de, ao nomear-me PM, ter morto a engº Pintasilgo, eis que, a 29 do mês passado, na sua coluna da "Visão", o Prof. Sousa Santos declarava estar "Portugal no grau zero das alternativas". Se fosse a ele, estava caladinho. Caso contrário, ainda divulgo os poemas que publicou, num livrinho chamado Têmpera, editado pela Centelha, em 1980, sobre as "rachas das meninas". Quanto à extrema-esquerda e ao PCP, estamos conversados.
No PS, a balbúrdia é total. O Sócrates, que se acha "um esteta", disse à Judite de Sousa, na RTP, que o seu escritor preferido era o Bernstein. Deve haver confusão: este não era o maestro que aparecia na televisão? Quereria ele referir-se ao "renegado" dos anos 1930? Mas, tanto quanto me lembro, este chamava-se Kautsky. De qualquer forma, cheira-me a marxismo. Vou pedir à Carmo Seabra para mandar averiguar.
2 de Agosto de 2004 - O país está a arder mas a culpa, disse o Presidente da República, é de todos. Fico descansado. O Alegre declarou que, caso seja eleito secretário-geral do PS, defenderá o Estado Estratega". Vou pedir ao Portas para mandar averiguar. Por outro lado, o Presidente Sampaio "pediu-me" para governar - como se eu carecesse de pedidos! - e à oposição para "criar alternativas". Talvez se esteja a referir ao João Soares, mas duvido: tenho de observar se o Soares-filho "olha em frente" como o Presidente quer.
O Alberto João, que é um querido, declarou que não se ia candidatar à Presidência da República, o que me deixa o caminho aberto. Apesar do Prof. Marcelo - é um pena ele ser tão inteligente! - andar para aí a vender a ideia de que o Cavaco Silva é melhor do que eu, o homem não vai lá chegar. Depois de uns meses de governação minha, o povo não vai desejar a ressureição do cara de pau. Antes de partir para Bruxelas, o Durão Barroso apresentou-me o Raffarin (interrogar o António Monteiro sobre o que são os previstos "seminários temáticos", certamente mais uma parvoíce europeia).
Continua a fazer muito calor, mas, como não tenho de ser internado no Hospital de Faro, onde a taxa de ocupação é de 120 por cento (perguntar à Graça Carvalho se esta estatística tem pés para andar) não me importa. Em S. Bento há ar condicionado.
Falar com a Maria João Bustorff sobre a aquisição do quadro de Bacon, intitulado "Estudo segundo o Retrato de Inocêncio X de Velasquez", que não encontrou comprador no Reino Unido. Talvez ela saiba como o avô manobrava para adquirir antiquidades.
Fiquei contente com a sentença do Tribunal Administrativo quanto às obras em redor do Convento de Alcobaça. Desta vez, o malandro do José Sá Fernandes não obteve a providência cautelar que pretendia. Este advogado tem a mania de que, antes de proceder ao que quer que seja, as câmaras são obrigadas a fazer estudos. Ia dando cabo de mim por causa do túnel do Marquês de Pombal. Mas afinal quem é que os lisboetas tinham eleito: a ele ou a mim? Felizmente, já me vi livre daquele sarilho. Há dias, a propósito da nova Cidade Judiciária, criou outro. Mas já não recordo se Caxias pertence à Câmara de Lisboa ou à de Oeiras.
Já agora, enquanto a política está a banhos, mimar os barões locais. Preciso de ter a meu lado estes tiranetes das cidades, vilas e aldeias. Os maiorais do PSD que se lixem. E os outros também. Por ora, prefiro não falar das minhas aventuras amorosas. Ainda me lembro do que aconteceu a um tal Alan Clark quando se conheceu o conteúdo do seu diário. Em Portugal, é preciso manter as aparências. Por isso me comportei tão bem durante a missa do aniversário do nascimento de Sá Carneiro.
Maria Filomena Mónica in Público
Publicado por Manuel 07:33:00 1 comentários Links para este post
Bagão Félix e o próximo Orçamento
terça-feira, agosto 03, 2004

Publicado por Manuel 17:49:00 3 comentários Links para este post

A squirrel allows his legs to dangle freely as it lounges on a section of fence. (AP Photo/Gerald Herbert)
Publicado por Manuel 15:16:00 0 comentários Links para este post
Havia necessidade?
Hoje já vai a debate.
Havia necessidade, caro engenheiro? Tudo isto era tão previsível. Como compreender a infantilidade táctica, para não falar de outros níveis mais elevados?
Não havia necessidade de se desgastar, de se sujeitar a ouvir o que os adversários de si ontem disseram com alguma razão. Não havia necessidade que eu e outros pensassem o que pensaram ou escrevessem o que escreveram.
Vai a votos com o balão mais vazio e com mais gente a olha-lo de meio fio. Entretanto, adivinhem quem ganha com tudo isto? Ou pior, quem perde?
Alguém anda a precisar urgentemente de pôr os neurónios a trabalhar na sua campanha. Perspectivar o que está em causa, redefinir prioridades, assumir algumas rupturas, ganhar personalidade além das citações. Confronte a "ala esquerda" com as contradições que advogam, apresente o seu caminho, exponha as suas vantagens, defina o seu socialismo.
Preocupe-se com aquilo que quer. Jogar à defesa, sem comprometimentos é como jogar para o empate, no final iremos todos acreditar "divertidos" num "decubra as diferenças" com alguém com quem não deveria ser equiparado.
Veja lá se consegue parar para pensar e libertar-se de "qualquer coisa" que o tolhe. Já devia ter começado muito antes. Hoje escoa-se o tempo e apaga-se a pouca esperança: mas se tem algo a dizer, este é o momento. Desfaça o pantano, deixe-se de falsos consensos, vá à luta. Valorize a eleição.
Se não o fizer, e se ganhar por pouco, como é que fica? Last chance!
Falava eu ontem de limitação de avarias...
Publicado por Rui MCB 12:29:00 0 comentários Links para este post
É quase inacreditável...
É quase inacreditável mas dois dias depois do incêndio que vitimou mais de 350 pessoas num centro comercial em Assunção, Paraguai, o encerramento das portas por parte dos serviços do centro para que os clientes não fugissem com as compras sem pagar, continua a ser uma das principais explicações para as dificuldades de escoamento das pessoas e, em última análise, uma das causas da dimensão da tragédia.
Não precisavamos de um tão "eloquente" exemplo das desvantagens do mau funcionamento de uma qualquer "mão invisível".
Imagine que há um incêndio no seu local de trabalho. Faça-se o favor de verificar e registar mentalmente várias hipóteses de fuga em caso de incêndio. Caso descubra saídas bloqueadas, portas fechadas fica ao seu critério preocupar-se ou não...
Para mais detalhes sobre a notícia relativa ao Paraguai recomenda-se, por exemplo, o diário ABC de Assunção (ligação lenta).
Publicado por Rui MCB 10:18:00 0 comentários Links para este post
José Afonso
Ontem, dia 2 de Agosto, José Afonso, se fosse vivo, faria 75 anos. A RTP1 ,está neste momento a passar uma gravação de um concerto no Coliseu, em 1983. Na viola acústica Ovation, tocava Júlio Pereira, outro grande músico esquecido da Música popular portuguesa e ainda Fausto, acompanhando-se com uma incrível (para o tempo) Martin D-45, a guitarra das guitarras, a preferida pelos Crosby Stills Nash & Young e muitos outros.

A música de José Afonso é simplesmente fantástica, para os meus ouvidos, para que deixasse passar a efeméride em branco, mesmo com um dia de atraso...
Hoje quem quiser ouvir José Afonso, pode ouvir o sobrinho Jooo Afonso, de preferência acompanhado por outro extraordinário guitarrista que se chama José Moz Carrapa.
São todos de esquerda?! E daí? A música pode bem ouvir-se desse lado...
Aqui fica a homenagem ao músico José Afonso.
Publicado por josé 01:26:00 7 comentários Links para este post
"Colhendo amoras"

Ninguém no caminho, e nada, nada a não ser amoras,
amoras dos dois lados, embora mais à direita,
uma álea de amoras, descendo em curvas fechadas, e um mar
algures, lá ao longe, arfando. Amoras
tão grandes como a cabeça do meu polegar, e mudas como olhos
negros nas sebes, repletas
de um suco azul-vermelho. Este desperdiça-se nos meus dedos.
Não pedira tal comunhão de sangue; devem amar-me.
Comprimem-se numa garrafa de leite, de encontro aos seus lados.
Sobre mim passam, com a sua cacofonia, os corvos em bandos negros,
pedaços de papel queimado oscilando num céu ventoso.
A sua voz é a única que está a protestar, a protestar.
Julgo que o mar não vai mesmo aparecer.
Os verdes e altos prados brilham como iluminados por dentro.
Chego a um arbusto de bagas tão maduras: é um arbusto de moscas,
suspendendo os seus abdómens azuis esverdeados e os vidrilhos alados de um biombo chinês.
O festim de mel das bagas surpreendeu-as; julgam-se no paraíso.
Para além de uma curva, as bagas e os arbustos acabam.
A única coisa que vem a seguir é o mar.
De entre duas colinas sopra contra mim um vento súbito,
sacudindo como fantasmas a sua roupa branca contra o meu rosto.
Estas colinas são demasiado verdes e suaves para terem saboreado o sal.
Sigo, entre elas, a vereda aberta pelas ovelhas. Uma última curva leva-me
até à face norte das colinas, e a face é urna rocha alaranjada
que olha para nada, nada a não ser uma grande extensão
de luzes brancas e cor de estanho e um ruído como o de um ourives
batendo sempre um metal rebelde.
Sylvia Plath, Pela Água
tradução de Maria de Lourdes Guimarães
Publicado por Manuel 00:56:00 1 comentários Links para este post
a indigência...
segunda-feira, agosto 02, 2004
- O Público de sábado informa que o Estado estourou cerca de 40 milhões de €uros em serviços informáticos para aplicar o Plano Oficial de Contabilidade Pública (POCP).
Que de nada serviram, por descoordenação, porque esse investimento não se traduziu numa estratégia global, porque ao Instituto de Informática (II) do Ministério das Finanças, que, além das entidades de coordenação sectorial (ECS), teria uma palavra sobre essa matéria, "nunca foi pedido um parecer sobre a aquisição de sistemas informáticos de suporte do POCP", porque tal investimento resultou de um concurso nebuloso, e desconexo. É normal.
Entretanto o sinistro personagem que indigentemente está à frente da UMIC, entidade que supõe-se devia ser o miolo e o pivot da reformulação e racionalização de todo o backoffice do Estado, de seu nome Diogo Vasconcelos, pavoneia-se por aí à custa do dinheiro dos contribuintes em projectos folclóricos e sem qualquer alcance real.
É claro que qualquer esforço sério, racional e sensato de normalizar todo o backoffice do Estado teria um efeito secundário muito chato - reduziria os custos em ordens de magnitude o que seria uma manifesta chatice para as Novabases deste mundo. Diogo é afinal um humanista. - Algumas alminhas espantaram-se com o facto de terem aparecido votos a mais numas eleições internas do PSD em Leiria, e que - vá lá - levaram à anulação das mesmas. É normal.
Alguém se indignou quando Rui Calafate, o braço de Santana para os média, deliberadamente espalhou falsidades acerca do posicionamento de Manuela Ferreira Leite num certo Conselho Nacional ? Para esta troupe vale tudo... - Bagão Félix - essa criatura impoluta, católica devota e de uma idoneadade moral a toda a prova - não parece muito preocupado com as sistemáticas bocas - e cirúgicas fugas de informação - que assacam a Manuela Ferreira Leite todas as causas dos problemas estruturais que afectam as contas públicas.
É conveniente, embora imoral, mas que querem ? deve ser é contagioso... - José Sócrates, putativo candidato à liderança do PS e presume-se que a primeiro ministro, assina um "Plano Tecnológico para uma alternativa". Nem uma ideia, nem um fio condutor, manta de retalhos e chorrilho de lugares comuns. A indigência absoluta.
Há quem diga que é assim que se vai longe. - Ainda no PS João Soares teme uma fraude eleitoral. Curioso este temor já que quando no passado foi declaradamente vítima de uma se calou que nem um rato... detalhes. O pai ainda tinha piada, João Soares não passa de uma caricatura, para não dizer uma anedota.
- Sobre o caso Pio nem uma palavra dos visados quanto à última edição do Independente, à Carta Aberta de Moita Flores, ou às últimas divagações do avençado Van Kriecken.
Há os anéis e há os dedos, Pedroso está quase safo - é verão, pode ser que ninguém repare que afinal a justiça não é afinal cega, apenas selectiva. António Costa que o diga... - Entretanto há quem não se conforme com esta triagem cirúgica entre dedos e aneis, e sem o savoir-faire de outros aposte tudo no pântano total, num efeito dominó voraz, num terrorismo extra-processual puro...
Junte-se a esta vontade apocalíptica a extraordinária imbecilidade de um conhecido "jornalista" da nossa praça - daqueles que escreve para "um milhão de leitores" - e que tinha o curiosíssimo hábito de gravar todas as conversas telefónicas com todas as suas fontes e o qual - na hipótese mais benevolente - conseguiu o feito raro de perder (!) as ditas gravações - as quais entretanto deram origem a várias dezenas de CDs - que rapidamente foram aterrar a demasiadas mãos erradas e temos um cocktail explosivo.
Entre muito voluntarismo, entre justos e pecadores, ainda as poderemos vir a ver, às tais gravações, selectiva e milimetricamente um destes dias citadas profusamente numa qualquer obra apologética das virtudes de um qualquer mártir carunchento acusado de pedófilo ou num qualquer muitomentiroso II nos confins da net ...
Nos entretantos é a chantagem, o exercício do medo, do terror, a pretensa ameaça de tudo fazer implodir... O último Independente foi apenas o início...
Ao autor das gravações - que não hesitava em gritar às suas fontes "Use-nos" - uma singela sugestão - abandone o jornalismo, aos outros uma dica - não tomem tudo e todos por parvos.
Haja serenidade e bom senso nesta Democracia, a tal que é demasiado jovem... - Voltando ao PS curiosamente nenhum candidato se pronunciou ainda sobre a dupla Narciso Miranda/Manuel Seabra. De Sócrates tal é normal mas não seria lícito esperar uma palavra, um gesto de Manuel Alegre ? Achará Alegre que há espaço no PS para aqueles dois marmanjos e caciques amorais ? e se não, porquê o silêncio ? Será que afinal também para Alegre a aritmérica falará mais alto ?
- Sobre o "Amuleto da Sorte" que segunto o 24 Horas protege Santana nem vale a pena dizer nada...
Publicado por Manuel 23:55:00 4 comentários Links para este post
Todas as dúvidas sobre um partido aberto ao exterior
(actualizado)
Que fique claro que não me tenho como especialista em análise política, nem como um tipo particularmente "batido" nestas andanças - o que não sei ainda se é uma desvantagem de peso... Um pedacito ingénuo? Sem dúvida! Mas prefiro correr eu o risco do ridículo a deixar-me ridicularizar-me pelos rostos que se me oferecem. Dito isto, lá vai prosa.
Sócrates falou de abertura, renovação. Há que abrir o partido à sociedade civil...
Hoje deu argumentos fáceis aos seus opositores recusando-se tornar públicos os três debates que se alinhavavam entre os três candidatos a secretário-geral do PS. Porque são assuntos internos do partido. Se quer saber mais faça-se militante? Se calhar é marketing do melhor e eu não dei por nada.
Debates só para militante ver, para todos estarem "à vontade" sem jornalista por perto.
Mas será que o PS não é capaz de nos oferecer um candidato (ou um trio) que seja capaz de manter a dignidade e a fidelidade às suas ideias e a sua capacidade de frontalidade se houver um gravador, uma câmara, uma caneta e um caderno nas redondezas? Talvez seja capaz, mas talvez não seja Sócrates, talvez não seja o candidato do "socialismo moderno".
Parecia-me evidente que estas eleições eram determinantes e singulares para o PS por se terem criado as condições ideais de se mostrar ao país como um valor intrínseco da nossa democracia. A pressão do calendário é mínima, estamos ainda a dois anos das legislativas, afastou-se o fantasma Casa Pia, há real mobilização em torno de orientações políticas supostamente distintas. Poder-se-iam esgrimir argumentos, apresentando o partido, no seu conjunto, lições ao país sobre como fazer boa política pelo confronto de ideias, com elevação e com um fim claro - o interesse nacional. Um passo no caminho da recuperação da política, sonhava eu...
Hoje devemos perguntar - que bois tem Sócrates medo de nomear publicamente?
Será mais interessante que se saiba dos debates pelo crivo dos tradicionais informadores da imprensa?
Será melhor que não se saiba do debate? Que não se perceba alguma suspeita vacuidade de ideias?
Junto a isto o desígnio para Portugal do "choque tecnológico"- no artigo de hoje no Público -, sem uma réstia de fulgor e completamente solitário, sem qualquer outra referência ao "resto" que interessa ao país e à sua gestão corrente e fico-me a olhar para ontem e para amanhã.
Se José Sócrates lêsse esta crítica preocupar-se-ia em tentar perceber o conteúdo ou a ausência dele que vai começando a deixar patente ou preocupar-se-ia em arranjar novo auxiliar na escrita de discursos?
Será que ainda há tempo?
Serei eu incapaz de me empolgar, de me alinhar com um político de referência de entre os que se "me oferecem"? Terei a minha fasquia demasiado elevada? Cada vez menos me imagino a fazer a apologia de Sócrates, isso é certo.
Todos sabiamos que a imprensa, parte dela, faria da disputa pelo cargo de SG (Secretário-Geral) no PS um potencial campo para novelas mas, até ao momento, as tristes imagens que temos estão longe de resultar da fabricação mediática. E nisso todos metem a sua colher. Estas eleições ameaçam fazer-nos lembrar os piores momentos da JS e, aquilo que adivinhava como uma oportunidade, poderá demorar a sê-lo de facto.
Será a eleição uma rampa de lançamento ou um evento que promoverá um colossal momento de limitação de avarias, operações plásticas e afins?
Hoje, perante a recusa da publicitação dos debates e perante o conexo papel de vencedor antecipado que só tem a perder com um eventual mau debate, Sócrates diz-nos que apenas o espectáculo da consagração em congresso lhe interessa desta campanha (uma vitória menos que expressiva será sempre mais complicada de gerir caso fiquem claras publicamente as eventuais distinções programáticas).
O resto é trabalho de formiga junto das bases, dirá. Quando vai vingando a imagem de uma certa cigarra perece-me uma péssima jogada. Ou andará meio partido desconhecedor de uma sua potencial reserva mental que teria de expôr num debate público perdendo com isso apoios? Muito provavelment nem isso, infelizmente. What you see is what you get.
O espírito da eleição directa do SG seria o de anular os já raros momentos de confrotação pública em congresso mediatizado, substituindo-o pelo debate exclusivo nas capelinhas?
É claro que os militantes têm todo o direito e todas as possibilidades de discutir à porta fechada, à porta entre-aberta, sem porta, debaixo de água, em chinês. Agora imagine-se Kerry, Edwards e Dean a debaterem à porta fechada num pavilhão desportivo no Illinois...
Quem fala em reformas, em renovação, em abertura e se apresenta com o aparelho em peso em seu apoio tem um anátema. Repito, Sócrates vai apresentar-se como SG sem que eu lhe saiba mais do que o "choque" tecnológico que hoje advogou nas páginas do Público ou a triste entrevista ao Expresso?
É curioso ver Santana e Sócrates com dificuldades de adaptação aos seus novos papéis. Santana não me surpreende, de Sócrates esperava mais...
Depois desta tirada de debate com assistência condicionada, Santana Lopes vai poder dar-se ao luxo de fazer campanha pelo PSD sem ter de debater com Sócrates. Só o fará se se quiser divertir ou mostrar credênciais de superioridade democrática. Lopes o magnânimo, oportunista mas magnânimo, Sócrates o...
Eu vou ali para o meu deserto imaginário e já venho. Saltou-me a tampa!
Desculpem qualquer coisinha.
A menina dança?
Só se for com o Santana Lopes.
Sinatra fades in...
Publicado por Rui MCB 22:04:00 3 comentários Links para este post
A intelegância do Controleiro
Há uns tempos atrás, o homem que mais vezes prometeu a retoma em Portugal e que quando ela chegou não acertou, escrevia um artigo no seu Diário de Notícias.
Na altura, Luís Delgado, dizia assim...
A histeria em redor do aumento do preço do petróleo, por enquanto, mesmo que aumente, é mais um factor psicológico do que um perigo real.
Estavamos em 18 de Maio do corrente ano, e já nessa altura, por aqui se dizia, que provavelmente as coisas não se passariam dessa forma.
Mas certo é que quando os bancos centrais decidirem subir as taxas de juro por forma a controlarem a inflação provocada pelo aumento do preço do petróleo, evitando assim um choque no consumo, Luís Delgado, lá em cima da montanha, irá proferir, que a subida é atitude sensata dos governos, face à subida do preço do petróleo. Que tudo continua calmo, e que podemos continuar a dormir descansados... A OPEC não activa a sua banda de negociação desde Dezembro de 2003, e decidiu na semana passada aumentar a quota diária em 1,5 milhoes de barris. O preço continuou a subir contrariando Luís Delgado. Normal certamente. Vamos manter a calma. A situação é tão calma que a mesma OPEC avançou com a ideia de passar a negociar em euros.
Não foi preciso tanto, e bastaram umas novas ameaças terroristas da Al-Qaeda e a situação de falência do gigante Yukos, o maior produtor de petróleo na Rússia para termos esta situação...
Ora aqui fica um bom exemplo, de como às vezes tentar ser opinion-maker sobre assuntos que não dominamos pode correr mal. E agora Luís Delgado poderemos continuar a dormir com um olho aberto e outro fechado ?
Caro Luís Delgado, não fossem as necessidades americanas diárias em absorver moeda para equilibrar o défice interno, tendo como consequência óbvia a valorização do euro face ao dólar, e iria ver que nem nesta terra de cegos o senhor com os dois olhos abertos era Rei.
Publicado por António Duarte 18:48:00 4 comentários Links para este post

Dancer Yang Liping from China's southern province of Yunnan performs during 'Dynamic Yunnan' in Wuhan, Hubei Province in this picture taken July 29, 2004. It took Yang Liping, famous for her vivid imitation of a peacock in her dance, more than two years to choreograph 'Dynamic Yunnan' - a large scale dance drama and panoramic depiction of the colorful life of the ethnic people of Yunnan province. Picture taken July 29, 2004. REUTERS/China Photos
Publicado por Manuel 17:45:00 0 comentários Links para este post
Weekly Article by the The Economist
What price euphoria?
For Portugal and Greece, Euro 2004 and the Olympics serve similar purposes. They are international coming-out parties for small countries that fret about being on the geographic, political and economic fringes of Europe. Both countries moved from dictatorship to democracy in the 1970s. Both had their fitness to host big sports events questioned, because of their small populations (around 10m apiece) and relative poverty; Portugal and Greece were long the poorest of the EU's 15 countries. Both see this summer's sporting events as a chance to make a statement. The press handbook for Euro 2004 contains a potted history of Portugal featuring revolution, dictatorship and loss of empire, before noting, a touch defensively, that “Portugal is now a modern and progressive nation.” Certainly anyone ambling past the bars and restaurants of Lisbon, packed with football fans, would find it hard to believe that 30 years ago this was a city choked with refugees, as a million settlers flooded back into Portugal after the liquidation of its colonial empire....
...The Portuguese bid to host Euro 2004 was made in the middle of a long economic boom. But by the time the tournament was actually on the horizon, the country was suffering from a severe economic hangover. Government spending had got badly out of control and Portugal achieved the dubious honour of becoming the first of the 12 countries in the euro area to break the stability-pact ceilings on budget deficits. The government of José Manuel Durão Barroso was obliged to slash spending, freeze civil-service pay and raise taxes. The result, at least in the short term, was to make the recession worse. Mr Barroso's virtue has been rewarded this week with his appointment to the presidency of the European Commission. Portuguese virtue could yet be rewarded with higher growth. But there must have been many times when the Portuguese people cursed all that cash going into sky-boxes for football fans, while civil servants marched through the streets in protest at their pay freeze....
...The economy is now at least expanding again, but the extravagance of spending on Euro 2004 may seem even more marked when the tournament is over. The Stadium of Light looks and sounds fantastic when capacity crowds of 65,000 roar on their teams. It could feel a little sad and empty during the normal Portuguese football season. Its normal occupant, Benfica football club, attracts an average attendance of 22,000. The figures are even starker for new stadiums outside Lisbon. The new Braga arena holds 30,000 supporters; FC Braga, the local team, attracts an average attendance of just over 5,000....
...Indeed, the economic arguments for hosting big sporting tournaments are largely spurious. The real case for Portugal taking on Euro 2004 is that sporting success seems to make people feel marvellously good. The English still drone on about winning the football World Cup at home in 1966. Danish supporters in Portugal carried banners bearing the date 1992: a reference not to the signature of the Maastricht treaty, but to Denmark's historic victory in that year's Euro tournament. For the past month the whole of Portugal has been agog as the national side, after an uncertain start, has progressed through the tournament, notching up heart-stopping victories over bigger, richer countries such as Spain, England and the Netherlands on the way.
Against most expectations, the Portuguese may even carry off the championship in the final on July 4th. Who needs an empire, or an economic boom, if you can have moments as ecstatic as that?...
N.A. Retirado da edição impressa de 01 de Julho de 2004
Publicado por António Duarte 16:38:00 0 comentários Links para este post
Um problema de cidadania
A propósito do desafio que aqui se deixou ao ex-ministro da Eduçação - Carta Aberta a David Justino - recebemos o seguinte e-mail do próprio...
Estou tentado a aceitar o desafio de Rui Branco.
Sem desejar criar “tabus”, é provável que aproveite este período de “nojo” para registar não só a experiência do Ministério da Educação, mas também partilhar o muito que ficou por fazer e é urgente fazer.
A relutância que sinto prende-se com a prática de branqueamento da acção governativa, a que muitos ex-governantes não resistem. Na maior parte dos casos tendem a enaltecer os aspectos positivos e a esquecer os negativos.
Quero ter a independência e a liberdade para abordar a experiência, sem os limites nem os constrangimentos do “politicamente correcto” ou do “partidariamente inconveniente”.
Se tiverem alguma paciência, pode ser que o desafio se concretize.
David Justino
Publicado por Rui MCB 15:50:00 28 comentários Links para este post
'Entido!
Hoje devo estar particularmente vulnerável à publicidade. Depois de ter descoberto o Eleito 2004 sou agora surpreendido pela publicidade das caixas de comentário Haloscan:
Which candidate gives the best military salute? View the pics and
decide.
Não resisto e chego ao link definido - site do Partido Democrata dos EUA. Eis o boneco que nos espera:

É (também) para isto que andam os candidatos angariando fundos. E não duvidem que George W. Bush vai treinar o "salute". É só esperar pela convenção dos republicanos.
Wanna bet?
Publicado por Rui MCB 15:04:00 0 comentários Links para este post
correio dos leitores
Exames Nacionais
De um leitor devidamente identificado, recebemos o postal que se segue...
Por mais que se tente esconder a escabrosa realidade do sistema educativo, lá vêm uma vez mais os resultados dos exames do 12.º ano revelar à saciedade o que se oculta por trás de um sucesso puramente estatístico promovido pelo Ministério da Educação nas últimas décadas, desde a mais tenra idade em que desafortunadamente se ingressa no Ensino Básico.
Não é por acaso que tantos "sábios" das Ciências da Educação deste jardim infantilizado à beira-mar plantado e tantos "iluminados" do Ministério da Educação abominam e vituperam tudo o que seja Exame. Eles mostram o que tais "luminárias" se têm esforçado denodadamente por ocultar ao longo de muitos anos... Eles manifestam de modo eloquente o que os "omniscientes" progenitores da nossa política (des)educativa tentam obnubilar pelos mais diversos meios.
Podem dar-se bonificações para atenuar os resultados. Podem instruir-se os autores dos exames para reduzirem a dificuldade das provas. Podem definir-se critérios de correcção cada vez menos exigentes. Podem mandar-se repetir as correcções para maquilhar os resultados. Podem engendrar-se as mais torpes manipulações... Mais tarde ou mais cedo essas artificiosas políticas estatelam-se desmascaradas neste lodaçal em que se converteu o sistema educativo português.
Os trágicos efeitos da Política Educativa adoptada em Portugal estão à vista. Mais comentários para quê...
Os resultados da 2ª Fase dos exames do 12º ano, hoje divulgados, revelam que das 21 disciplinas com mais inscrições 12 têm média negativa (inferior a 9,5 valores). No ano passado, os exames nacionais da 2ª Fase, que ainda se realizavam em Setembro, foram melhores havendo classificações negativas apenas em nove das 21 disciplinas com mais examinandos.
A prova de Física tem a média mais baixa - 6,2 valores - e a de Teoria do Design, a mais alta, com 13,8 valores. A média das notas a Matemática foi de 6,8 valores contra os 7,3 de 2003. A Português B a média das notas foi negativa, de 9 valores enquanto há um ano atingia os 9,8.
in Expresso online
Publicado por Manuel 14:36:00 0 comentários Links para este post
Casuísticalgias do futebol
Tiago não integra a seleção nacional de futebol nas Olimpíadas de Atenas porque sofre de PUBalgia. (Serão já os malévolos e nevoentos ares frios de Londres a atacar à saída dos Pub's?)
Engraçado, no ano passado também alguns jogadores do Porto foram dispensados por sofrerem nomeadamente de algo parecido mas mais grave, parece, disciplinarmente. Entre as maleitas recorrentes contaram-se - DISCOTECAlgia, NOITADAlgia e até há quem diga CASADEMENINAlgias atacaram sem apelo nem agravo alguns trabalhadores do espectáculo bolídeo. Nós duvidamos fortemente.
Homem justo deita cedo, não bebe, não fuma e não desperdiça energia. Devem ser os estrangeiros, mas é, as desviar-nos os virtuosos...
Publicado por Visconti 11:22:00 0 comentários Links para este post

A man studies a large video image of an eye. A blind Thai teenager has regained his sight after an operation in Singapore that involved implanting into an eye an artificial cornea fashioned from one of his teeth, a report said.(AFP/EPA/File/Boris Roessler)
Publicado por Manuel 04:19:00 0 comentários Links para este post
"Como Se Faz Um Canalha"
domingo, agosto 01, 2004
Conheci-te ainda moço
Ou como tal eu te via
Habitavas o Procópio
Ias ao Napoleão
Mas ninguém sabia ao certo
Como se faz um canalha
Se a memória me não falha
Tinhas o mundo na mão
Alguma gente enganaste
(A fé da muita amizade
Tem também as suas falhas)
Hoje fazes alianças
A bem da Santa União
Em abono da verdade
A tua Universidade
Tem mesmo um nome: Traição
Um social-democrata
Não foge ao Grão-Timoneiro
Basta citar o paleio
do major psicopata
Já são tantos namorados
Só falta o Holden Roberto
Devagar se vai ao longe
Nunca te vimos tão perto
Nunca te vimos tão longe
Daquilo que tens pregado
Nunca te vimos tão fora
Da vida do Zé Soldado
Ninguém mais te peça meças
No fulgor dos gabinetes
Hás-de acabar às avessas
Barricado até aos dentes
És um produto de sala
Rasputim cá dos Cabrais
Estás sempre em traje de gala
A brincar aos carnavais
Nos anais do mundanismo
A nossa história recente
Falará com saudosismo
Dum grande Lugar-Tenente
São tudo favas-contadas
No país da verborreia
Uma brilhante carreira
Dá produto todo o ano
Digamos pra ser exacto
Assim se faz um canalha
Se a memória não me falha
Já te mandei prò Caetano
Como se Faz Um Canalha, in Com As Minhas Tamanquinhas, José Afonso
Publicado por André 23:47:00 1 comentários Links para este post
"O Código da Vinci"
Publicado por Carlos 21:10:00 3 comentários Links para este post
Os Militares e a "Floresta" (corr.)
Escreveu aqui o António a propósito dos incêncios, do seu combate e da sua prevenção...
É impossível ter um Canadair em cada concelho, é impossível ter um bombeiro em cada hectar, mas uma das perguntas que mais me coloco, é o que fazem os militares nos quarteis acantonados durante o Inverno/Primavera?
Hum... Os militares - suponho que apenas os do Exército - estão de facto acantonados no Inverno/Primavera? Se os houver esse acontanamento faz sentido? O que deveriam estar a fazer? Tudo perguntas legítimas mas julgo que orientadas para a seguinte conclusão de retórica: Que agarrarem em malhos, podões, corta-matos e motoserras e limpem as matas.
A meu ver, os soldados de infantaria são tão adequados a prevenir e combater incêndios como os submarinos são adequados para vigiar e combater o narcotráfico. Dito isto, é fácil verificar que não é apenas o António a lembrar-se deles quando se fala de incêndios.
Podemos equacionar tais meios (a tropa) para tais objectivos (prevenção e combate aos fogos) mas não podemos esperar mais do que vantagens marginais dessa relação.
Há naturalmente um conjunto de funções e exercícios que se enquadram no treino militar dos quais podem resultar externalidades positivas no que toca à defesa das matas, mas apontar este argumento, em quase todas as convesas onde se fale do problema florestal português, como algo relevante, é um puro engano. Não é, nem pode ser para isso que temos FA. Se parte delas estiver desocupada durante parte do ano, não me parece que faça qualquer sentido "arranjar-lhes que fazer" na mata.
Caminhamos paulatinamente, há mais de uma década, para a profissionalização das FA com os necessários ajustamentos (redução no número de efectivos e de unidades) e passámos por infindáveis e inconclusivas discussões e estudos em torno do papel estratégico que queremos atribuir às mesmas.
Patinámos nesta reforma avançando com promessas e transformações legislativas parcelares, desconexas, irrealistas. Tentemos perceber o porquê do atraso na abolição do serviço militar obrigatório ou, mais tenebrosamente, o bizarro processo de substituição da G3, por exemplo.
Em suma, faltou saber o que fazer e como fazer, faltou a capacidade e, fundamentalmente, a vontade política.
A degradação visível e notória das FA a vários níveis coincidiu nos últimos anos - desde Guterres - com uma utilização activa das mesmas enquanto instrumento da política externa portuguesa. Pela primeira vez em muitos anos, como consequência da sua utilização, começou-se a perceber difusamente qual poderia e deveria ser o papel principal das FA ao serviço do Estado. Na prática o "o quanto mais me bates mais gosto de ti" parecia (parece) ser o lema de serviço público que temos pedido às FA.
Contudo, há um consenso alargado, publicamente enunciado, no sentido da profissionalização: menos militares, recrutados em regime de voluntariado, altamente qualificados, intensivamente treinados e utilizados amiúde como instrumento de defesa nacional/política externa.
Passando ao lado da discussão quanto à bondade de algumas das prioridade da Lei de Programação Militar (submarinos e afins) acredito que, não optando pela extinção das FA, esse é o caminho correcto e, com maiores ou menores atrasos, será esse o futuro próximo das forças armadas: a especialização e os elevados padrões de profissionalismo definindo-se o "edifício" militar português à luz das necessidades percebidas e do papel que nos for destinado e que desejemos cumprir no seio da NATO e das demais organizações militares às quais Portugal está vinculado.
Esta confusão de dimensões que se arrisca a querer fazer do Exército um instrumento permanente e não esporádico de administração interna, parece-me que não ajuda a clarificar a confusão que ainda reina entre as hostes militares e políticas.
Publicado por Rui MCB 21:00:00 6 comentários Links para este post
'O quotidiano "não"'
Estamos todos bem servidos
de solidão.
De manhã a recolhemos
do saco, em lugar de pão.
Pão é claro que temos
(não sou exageradão)
mas esta imagem do saco
contendo um pequeno «não»
não figura nesta prosa
assim do pé para a mão,
pois o saco utilizado,
que pode ser o do pão,
recebe modestamente
a corriqueira fracção
desse alimento que é
tão distribuído, tão
a domicílio como
o leite ou o pão.
Mas esse leitor aí
(bem real!) já diz que não,
que nunca viu no tal saco
o tal «não».
Ao que o poeta responde,
sem maior desilusão:
- Para dizer a verdade,
eu também não...
Mas estava confiante
na sua imaginação
(ou na minha...) e que sentia
como eu a solidão
e quanto ela é objecto
da carinhosa atenção
de quem hoje nos fornece
o quotidiano «não»,
por todos os meios, desde
a fingida distracção,
até ao entre-parêntesis
de qualquer reclusão...
Alexandre O´Neill, Poesias Completas
Publicado por Manuel 17:37:00 0 comentários Links para este post
O parecer da CNECV, nado-morto? Perigoso?
Depois de largos meses, o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) deu à luz o "Parecer sobre a Procriação Medicamente Assistida". Pode encontrá-lo aqui.
Há mais, e mais interessante, quer no Relatório quer nas declarações de voto de membros do Conselho.
Não serve para nada (nem esta CNECV, talvez...), e isso mesmo é escrito no Relatório - fazer "imposições éticas" é um disparate.
Nas declarações de voto, o palavriado fácil de alguns (pat)éticos membros.
É um documento mais roto que uma rede de pesca; as derrogações que prevê, como o nº22 - uso de embriões para "investigação" (nunca esta é/será bem controlada, - como é exemplo o Hospital de S. João, Porto, onde não há Comissão de Ética desde o fim de Março! - e há apenas uma recomendação de criação de entidade que decida das derrogações) são um perigoso consentimento a quase tudo o que é, nesta data, muito polémico.
Não que o pretendessem, mas nasceu assim - morto e perigoso para a saúde.
Pessoalmente, acredito que muitos dos temores actuais são infundados, até por serem economicamente inviáveis, e que outras limitações en force serão economicamente "bloqueios" para empresas e/ou "investigadores", levando ao laissez faire, laissez passer e desaparecimento como "questões éticas".
Bem espremido, o "Parecer 44" pouco tem, além da exclusão dos "casais homossexuais" destas técnicas. Os fundamentos (no Relatório) são por vezes gongóricos - não bastariam o senso comum e a biologia?
São 28 pontos? Alguns são inutilidades, repetição de obrigações (como os consentimentos e esclarecimentos) legais e comentários sem prática aplicação.
N.A. Noutra altura, em que haja mais opiniões, comento ponto por ponto...
Publicado por off-line 10:23:00 0 comentários Links para este post
tema da semana aos sábados
Os incêndios
Se há tema que tenha marcado a semana, esse tema, é indubitavelmente os incêndios ou melhor a forma como eles atacam sempre da mesma forma, ano após ano, e com a complacência e irresponsabilidade de todos ou quase todos.
Felizmente que afastados os número negros de 2003, onde arderam 431.000 hectares e morreram 21 pessoas, o ano de 2004, ainda com o Agosto a começar cifra-se nos quase 60.000 hectares e sem mortes a lamentar. Os mais desatentos dirão que os números provam a eficiência da acção governativa, mas a verdade é que quer pelos incêndios que lavraram na semana passada quer pelo facto de no ano passado os números dos hectares ardidos serem comparativamente à mesma altura do ano bem mais baixos que os actuais, pode levar-nos a pensar no pior. E com razão.
Muito se questiona, porque arde o país? Se por um lado é do senso comum que é impossível controlar o descontrolo psicopata dos incendários, o que equivale a dizer que é impossível impedir que nada arda, por outro lado é convicção que muito pouco se fala, e quase nada se faz em matéria de prevenção antes do tempo.
Obviamente que as vagas de calor, propiciam os incêndios ou melhor a sua continuidade, mas também é verdade que entre os 40 graus da semana passada e os 30 graus de há quinze dias atrás não é aceitável o argumento de que a floresta arda com 40 graus e que com 30 graus não arda. Por exemplo durante o Euro'2004, tivemos uma pequena vaga de calor, com temperaturas a passaram várias vezes dos 35 graus, e nem um incêndio de grande proporções tivemos.
Não tenho dúvidas, que assistimos de facto a uma melhor coordenação dos meios e dos bombeiros, pois os mais de 600 bombeiros que combateram o fogo do Algarve , comprovam a alocação dos bombeiros para o fogo mais grave. Mas a verdade é que não se compreende como é que um país como Portugal que faz da floresta um recurso importante, não lhe dá o devido valor.
Jorge Sampaio, por exemplo, falou de que chegou a hora da prevenção. Errado caro Dr. Sampaio, a hora da prevenção há muito que acabou. Aliás os países que zelam pela sua floresta tem já neste momento aprovados os planos para o inverno de 2005.
Há países que trabalham e outros que se deixam ir na onda da irresponsabilidade, e Jorge Sampaio embarcou nela como que embarca num Titanic, sabendo que um iceberg o irá afundar.
Não tenho dúvidas que mais meios aéreos dotarão o país de mais e melhores meios de combate. Mas para se perceber o drama dos incêndios é preciso explicar porque razão o Estado aluga meios aéreos em Abril pagando cerca de 20 Milhões de Euros. Para se perceber o horror dos incêndios é preciso que o Estado explique afinal de uma forma concreta o que fazer com a floresta privada que os donos não limpam. A lei é clara e sugere a expropriação. Mas será esse o caminho ? Consegue o Estado expropriar em tempo útil que permita limpar a outrora floresta privada ?
Outro grande problema surge obviamente na reflorestação. Existem árvores que ardem mais facilmente que outras, e quando se opta pelas extensões enormes de eucalipto o resultado é óbvio. Não percebo muito de floresta, mas é certamente do senso comum que o castanheiro e a nogueira, designadamente na serra de Monchique, podem travar o avanço do fogo por mais tempo. É giro quando alguns senhores desta praça acham que o Estado deveria tomar conta das florestas privadas, mas a verdade é que a Direcção-Geral dos Serviços Florestais não tem condições para gerir as florestas do Estado quanto mais as privadas. E isto tem que ser assumido já.
Não tenhamos dúvida, que há um indústria do fogo. Sazonal como o turismo, e que apenas aproveita a irresponsabilidade do Estado e autarquias na execução dos seus deveres.
Por exemplo, Carlos Tuta, presidente da Câmara Municipal de Monchique, pede ao Estado que liberte já os 8 Milhões de Euros que ele e mais 5 municípios do Algarve lhe pediram o ano passado. Aliás que a lei tem que ser mudada é um facto óbvio para muitos mas não no sentido que Tuta quer, que significa o levantamento da impossibilidade de contrução em áreas ardidas. Pois, o caro autarca, que é também presidente da Associação de Municípios do Algarve, sabe que na região algarvia nem todos os municípios pediram a ajuda comunitária para a limpeza das matas. Não é Tuta o culpado dos incêndios certamente, mas a sua má gerência ou irresponsabilidade associada ao viver do clientelismo perante o Estado de mão estendida em muito contribuíram.
É impossível ter um Canadair em cada concelho, é impossível ter um bombeiro em cada hectare, mas uma das perguntas que mais me coloco, é o que fazem os militares nos quarteis acantonados durante o Inverno/Primavera ?
Mas nem todas as autarquias alinham pelo mesmo diapasão, e basta ver o que se fez em Mortágua, e ver os hectares ardidos. A central de biomassa florestal tem dado os seus frutos.
O que foi feito na zona de Monchique desde o ano passado em termos de prevenção ?
Porque só agora torna é público a pressa em fazer qualquer coisa ?
Tuta e Sampaio não costumam ir à Casa do Castelo, mas tem de certeza cartão vip à entrada do que significa um estilo nacional-porreirismo, que qualquer português minimamente sensato sabe não condizer com os seus valores.
Publicado por António Duarte 06:20:00 2 comentários Links para este post
Vasco Pulido Valente - "Loucuras"
O Governo anda à procura de casa. Primeiro, o ministro do Ambiente e o ministro das Cidades andaram a discutir quem ficava aonde. Agora, Portugal assiste boquiaberto à «deslocalização» de um molho de Secretarias de Estado, para impressionar o bom e bruto povo da província. Não duvido que ver e, principalmente, tocar um Secretário ou uma Secretária prove com abundância a «proximidade» do poder e contribua para tornar o regime bem mais democrático. Óptimo. Mas quando se manda uma Secretaria viajar pelo mundo, quem vai? Só o Secretário (ou a Secretária) e o respectivo gabinete ou também, coitados, directores-gerais, chefes de serviço e divisão, técnicos, contabilistas, dactilógrafos, contínuos, motoristas, porteiro, guarda-nocturno e cão? E se vai toda a gente (muitos milhares de honestíssimos servidores públicos), como é que ela se tira de Lisboa e se planta depressa e à má cara em Évora ou Coimbra? Ninguém sabe ou, pelo menos, ninguém ainda disse nada. Provavelmente as coisas continuam na mesma, quanto mais não seja para não perturbar a vida regional. Basta que o Secretário (ou a Secretária) se mostre nas ruas com a sua pequena corte para a «deslocalização» estar feita. Por desgraça, até esses precisam de um sítio, em que possam uma vez por outra fingir que trabalham. E, na falta de sítios com a «dignidade» requerida (o Governo não se instala numa qualquer barraca), a solução é roubar os que há, «deslocalizando» os funcionários de velhas repartições locais, que ruminavam pacificamente no seu canto e que se irão com certeza meter em parte incerta. Teremos, desta maneira, e com pouco esforço, uma «deslocalização» sucessiva e talvez perpétua, que revolverá Portugal de cima abaixo, se o exercício se estender sem favoritismo a Portugal inteiro. Comentários? Nenhum. A loucura não se comenta.
in DN
Publicado por Manuel 03:54:00 0 comentários Links para este post

