"A Abelha"



A abelha que, voando, freme sobre
A colorida flor, e pousa, quase
Sem diferença dela
À vista que não olha,

Não mudou desde Cecrops. Só quem vive
Uma vida com ser que se conhece
Envelhece, distinto
Da espécie de que vive.

Ela é a mesma que outra que não ela.
Só nós — ó tempo, ó alma, ó vida, ó morte! —
Mortalmente compramos
Ter mais vida que a vida.

Ricardo Reis

Publicado por Manuel 12:09:00 0 comentários Links para este post  



estes não viram o Jurassic Park...



British scientists are to create a 'Frozen Ark' of preserved DNA from endangered animals and birds with the eventual hope of resurrecting species extinct in the future though cloning, project organisers announced(AFP/EPA/File/Matthew Fearn)

Publicado por Manuel 10:44:00 0 comentários Links para este post  



Darfur, Sudão

Eu não sei se há petróleo no Sudão, não sei se o Sudão é geograficamente importante, não sei dos equilibrios estratégicos da zona e sinceramente não quero saber... Sei que estão às portas da morte cerca de 600 000 almas e isso basta-me. E sei que é nestas ocasiões que a ONU e o conselho de segurança deviam servir para alguma coisa, que a expressão solidariedade devia dizer algo...



A displaced Sudanese woman carries her child on a donkey at Farchana refugee camp in eastern Chad, July 26, 2004. The United States is expected to call a U.N. vote this week on Sudan's Darfur region although China, Pakistan and others still object to threatening sanctions against Khartoum, diplomats said. Photo by Radu Sigheti/Reuters

Na fria e calculista aritmérica da realpolitik Darfur poderá não pesar muito, mas em tempos Timor também não pesava. Falar de Darfur é a nossa humilde forma de pressionar para que algo mude para que nem tudo fique na mesma. Aliás está aqui uma óptima oportunidade para José Barroso, e a União Europeia, marcarem a diferença.

Publicado por Manuel 00:31:00 2 comentários Links para este post  



Memória - 26 de Julho de 2003

Alberto João Jardim dá mais um sonoro arroto lá da Madeira, pelo país os foguetes das festas de Verão confundem-se com o exultar de vários autarcas que recebem novo folgo na contratação de crédito às portas do último ano de mandato.

Olho pela janela e espreito Sintra, com medo de vislumbrar um qualquer fumo branco ou negro. Falta-me pedalada para este país carnavalesco. E as férias que tardam.

Preciso de algo que me descanse um pouco do matraquear dos últimos dias. Espreito então uma memória dos bons velhos tempos. Como seria este país há um ano? De que se falava? Do que é que eu escrevia?


Ora se não há gasolina para os tanques invadirem os centros de poder e se estamos num regime democrático autêntico, o que é que temos mais parecido com um golpe de estado militar? Ou uma greve de zelo dos militares em peso, ou ter, por exemplo, o chefe do estado maior do exército a demitir-se afirmando "Perdi a confiança no senhor Ministro da Defesa"! E este não é propriamente o primeiro caso, lembram-se?

Pelo que ouvi hoje na TSF o ministro, ou alguém por ele, anda a contaminar as forças armadas com a política da intriga e do mexerico à boa maneira do "dividir para reinar". Entretanto o "a bem da nação" em termos de defesa fica para, talvez, quem sabe, o próximo governo?

Tenha vergonha caro Ministro. Arranje um pouca da elevação que demonstraram os seus antepassados e demita-se deixando o governo a quem sabe governar. A bem da nação...

Eis um comentário interessante do sempre estimulante General Loureiro dos Santos...
Interferência do comando político no comando militar é «inaceitável»(..) Considerou ainda que o ministro da Defesa não pode ficar mais fragilizado do que já está com a demissão de Silva Viegas porque «a consideração que deveria ter pelos seus subordinados é diminuta se não inexistente.

De facto, o poder militar está, e tem de estar, subordinado ao poder político mas o respeito pela lei vigente impõe que os militares exerçam as competências que têm. Estranha concepção de poder perpassa por alguns ministros deste governo. Preocupante...

Quem disse que o carnaval são três dias?


Publicado por Rui MCB 21:50:00 0 comentários Links para este post  



era uma vez um sapo...



Publicado por Manuel 21:25:00 Links para este post  



"de formação"

enquanto não chegamos a acordo quanto ao cachet, mais um post do Direitos...


A formação tornou-se numa causa fácil dos destemperos da justiça. Todos sabem do assunto e arriscam as soluções mais díspares. A incomodidade alastra e não se adivinha que haja um ponto final para o assunto. direitos, num esforço de se actualizar na matéria, tem vindo a ler sugestões e dislates.

Numa primeira conclusão, afigura-se que a formação deve ser organizada num âmbito próprio, sem interferência directa ou determinante dos Conselhos Superiores da Magistratura ou do Ministério Público. Numa segunda, parece razoável que ela não se deve limitar a ser, ou a pretender ser, uma extensão da formação universitária.

Colocar a formação nas mãos dos Conselhos seria perpetuar os vícios antigos e o despudorado conservadorismo jurisprudencial, seja judicial, seja do Ministério Público. Fazer da formação uma extensão das faculdades, seria esquecer que a justiça também se faz aquém e além do direito.

Admitindo que se encontraria a fórmula consensual capaz de desenhar o magistrado tecnicamente capaz, eticamente responsável, psicologicamente equilibrado, socialmente integrado, culturalmente versátil, seria possível a esse magistrado, no actual contexto judiciário, sobreviver dentro da matriz em que foi formado? A dúvida tem justificação. A força da integração corporativa destrói o que é novo, o que se estrutura dentro de outros parâmetros. Os actuais sistemas de avaliação e classificação privilegiam a imitação funcional.

Apesar da formação, o que continua a ser determinante é a reprodução identificadora dentro do cosmos fechado das magistraturas, criando convicções de auto-suficiência e de recíproca protecção. Da formação à deformação a distância é pequena.

Publicado por Manuel 20:01:00 0 comentários Links para este post  



Basta... Chega... (III)

Em 2003, arderam em Portugal 410 mil hectares de floresta entre os meses de Junho e Setembro, tendo morrido 20 pessoas. Segundo os relatórios oficiais divulgados pelo SNBPC - Serviço Nacional Bombeiros Protecção Civil, foram utilizados 24 helicópteros , 10 aerotanques ligeiros e 2 aviões Canadair contratados à empresa Aerocondor, presidida por Victor Brito.

A escolha das empresas resultou de concursos públicos internacionais, mas, apesar disso, as sociedades contratadas são quase todas portugesas. Os contratos estabelecem um pacote determinado de horas e quando este é ultrapassado, o Estado é obrigado a pagar horas-extra à empresas.

No ano de 2003, foram contratualizadas 350 horas de voo com a empresa Aerocondor relativos aos 2 aviões Canadair, sendo que cada hora é, segundo o mesmo relatório do SNBPC, paga pelo Estado Português pelo valor de 3.000 euros.

Ora, as contas são simples, o valor de horas utilizado pelos aviões Canadair foram de 520 segundo o mesmo relatório, multiplicando por 3.000 euros à hora, temos que no total a factura deveria ser de € 1.560.000,00.

O Estado Português pagou segundo o relatório da SNBPC, cerca de € 2.800.000,00, a empresa Aerocondor, quando o deveria ter feito apenas por cerca de € 1,5 Milhões de Euros.



A factura do Estado Português com empresas relativamente ao combate aos incêndios ascendeu a 12 Milhões de Euros em 2003.

Um Canadair novo custa entre os 2,5 e os 3 Milhões de Euros. A proposta do consórcio alemão para a compra por Portugal de dois submarinos está orçada em 600 Milhões de Euros. A mais cara vale 1 700 Milhões de Euros...

Prioridades.


Publicado por António Duarte 19:20:00 17 comentários Links para este post  



Architect Peter Eisenmann talks to the media between concrete pillars at the site of the Holocaust memorial in Berlin. Germany's new memorial to 6 million European Jews murdered in the Holocaust will need 24-hour protection from neo-Nazi vandalism. Private security firms and Berlin police will carry out round the clock patrols and visitors will have to go though metal detectors and bag checks when the memorial is officially opened to the public in May 2005. (Tobias Schwarz/Reuters)

Publicado por Manuel 19:06:00 0 comentários Links para este post  



A frase


Eis que subitamente me apercebo

Que as únicas árvores a salvo dos incêndios foram as que se abateram para imprimir o Livro Branco. O tal, que tudo ia solucinar ...

in Irreflexões

Publicado por Manuel 18:39:00 0 comentários Links para este post  



Basta...Chega... (II)

Ainda na mesma onda de cinzas, a edição Público informa ...


Estamos a tentar que o fogo não entre no perímetro da fábrica, porque corremos o risco de perder as tintas transportadoras (espécie de passadeiras rolantes que transportam a matéria prima para a cimenteira), que poderão levar muito tempo a reconstruir.

Ao que parece são os próprios empregados que lutam contra as chamas. Se isto pode ser considerado um acto nobre dos trabalhadores que defendem o posto de trabalho e seu ganha-pão, o mais grave é que no reacender do fogo da Arrábida o seu combate faz-se sem nenhum avião.

Esta Venerável grande loja teve acesso em exclusivo aos registos do Serviço Nacional da Protecção Civil...

  • 12:00 - O fogo da Arrábida reacende-se.
  • 12:30 - È prometido um avião Canadair para o combate às chamas lá para as 14:00
  • 15:00 - Os trabalhadores da Fábrica Secil são transformados em bombeiros defendendo as tintas transportadoras.
  • 16:00 - O avião duas horas depois do prometido ainda não surgiu.
  • 16:30 - O comando de Setúbal informa que o avião se encontra a abastecer em Beja.

Ora, isto é no mínimo rídiculo. Um Avião Canadair, pode abastecer no mar, e quem conhece a Arrábida sabe perfeitamente bem que a proximidade do mar, daria uma eficácia brutal ao uso dos aviões. Mas infelizmente existem as horas contratadas, e assim para se combater um incêndio na Arrábida - área protegida que deveria ter um plano específico- um Canadair vai abastecer a Beja.

A isto chamo descoordenação. Total descoordenação.

Foi para isto que fizeram um livro Branco ? O Venerável Irmão Manuel desta Grande Loja, disse há uns posts atrás, que..

Há guerras e causas que eu não sei sinceramente se podem ser ganhas, mas também há guerras e causas que não podem deixar de ser lutadas; a opção é sua.

Esta é seguramente uma delas. A guerra contra a incompetência. E para essa guerra eu vou para à frente da batalha, porque pior que um país pobre é um pobre país com governantes a fazer de conta e a jogar com o dinheiro dos contribuintes como se tivesse a jogar ao Monopólio.

Caros Governantes, infelizmente e pelo andar da carruagem, poderemos pensar em livros negros e não brancos. Porque na realidade eles deveriam ser vermelhos. Livros vermelhos como quem cora de vergonha.

Publicado por António Duarte 18:07:00 4 comentários Links para este post  



"Se alguém bater um dia à tua porta"


Se alguém bater um dia à tua porta,
Dizendo que é um emissário meu,
Não acredites, nem que seja eu;
Que o meu vaidoso orgulho não comporta
Bater sequer à porta irreal do céu.

Mas se, naturalmente, e sem ouvir
Alguém bater, fores a porta abrir
E encontrares alguém como que à espera
De ousar bater, medita um pouco. Esse era
Meu emissário e eu e o que comporta
O meu orgulho do que desespera.
Abre a quem não bater à tua porta

Fernando Pessoa


Publicado por Manuel 17:41:00 0 comentários Links para este post  



"Pois é, pois é"

Graças a uma pertinente e oportuna nota de Franscisco José Viegas fui parar a um blog anti-semita, extremista e neo-salazarento (!). Quanto à substância do mesmo não vale a pena falar muito - é trash puro e duro. Mas um post em particular que não deixou de me chamar a atenção ...


A posse

O meu amigo Paulo Rangel foi ontem empossado como Secretário de Estado da Justiça. Rapazinho de 35 anos, sentou-se nos anfiteatros de Direito ao lado deste que se assina BOS (viva o curso de 86/91 da Católica!) É um dos poucos com quem mantenho contacto — ele, o Paulo Torres, a Luísa Salgueiro, a Milita, o Carlos Jorge de Oliveira. Todos juristas: advogados, juízes, assistentes universitários.

Ainda há pouco, há poucochinho, ouvi o Rangel dissertar sobre o estado da nossa Justiça. Fê-lo numa tertúlia portuense — e decerto estava longe de imaginar que, alguns meses depois, seria governante. Se levar à prática o que então expôs e defendeu, temos revolução na Justiça. E eu rirei desalmadamente por ver o Rangel investido no papel de revolucionário. Oxalá não desmereça. Ele sabe que, para uns, a política é um modo de ganhar a vida; para outros, um modo de perdê-la. Que não o movem interesses pessoais, sei-o eu bem que o conheço. Espero, entrementes, que se não perca nos labirintos obscuros da governação.

É verdade que Paulo Rangel, o revolucionário (!), não pode escolher os amigos mas eu com elogios destes vindos de amigos deste calibre no lugar dele não precisaria de inimigos...


Publicado por Manuel 16:27:00 1 comentários Links para este post  



Basta....Chega...

Todos os anos por estas alturas, surgem inevitavelmente dois assuntos que marcam a agenda dos media em Portugal. As férias dos portugueses e os incêndios que vão colorindo ano após ano o país de negro.

É verdade que estamos perante uma vaga de calor, mas não é esta a altura do calor? É verdade que em todos os países as matas ardem, mas também é verdade que em nenhum deles a área ardida é menor em proporção face ao território do país em causa. Mas e porque este ano estamos para já livres dos disparates de Arnaut, Guilherme Silva e Amílcar Theias, a verdade é que um hectare que arda é menos um hectare que deixamos de ter.

Numa altura em que algumas das maiores relíquias ardem, a verdade é só uma -90% dos incêndios tem causa no homem. Seja por descuido ou por “cuidado a mais” com a natureza.

Mas os incêndios deste ano, assumem particular importância depois das juras do ano passado. Na altura Figueiredo Lopes afirmou que iria mandar fazer um livro branco, e que os erros não se repetiriam. A verdade é que com livros brancos ou sem eles, as matas continuam a ser consumidas pelo fogo. O único recurso natural renovável que possuímos em abundância, aquele que serve a matéria-prima que permite que sejamos líderes mundiais no mercado da cortiça, continua a ser deixado ao acaso.

Compreender por isso a floresta, e os seus problemas, é compreender, que 92% da mata nacional é privada, e por isso pertence aos privados o ónus de proceder às limpezas das matas. Cabe ao estado avaliar e multar se for caso disso. Nem uma coisa nem outra se resolve.

Compreender a floresta, passa por compreender o porquê de o Estado Português ter desistido de um concurso público para aviões de combate aos fogos florestais, que contratualizaram com o Estado Português um determinado número de horas e que estas depois de ultrapassadas são pagas a peso de ouro.

Compreender os incêndios, passa por perceber que muitos daqueles responsáveis que surgem nas câmaras de televisão a chorar ou a reclamar ainda a casa não ardeu, fundos para a reconstrução. Pior, esses mesmos autarcas são coniventes durante todo a ano com os interesses imobiliários e florestais, e no Verão seja por protagonismo ou por sempre terem vivido de mão estendida para a administração central.

Compreender porque arde o país, pode ser visto, por exemplo na afluência nas festas das Casas do Castelos ou dos T-Clubes portugueses, que estão cheias de políticos e ministros em funções.

Compreender porque ano após ano o país esta sempre cheio de cinzas pode ser constatado pelas afirmações do novo secretário de estado do turismo Carlos Martins esta manhã a comentar os incêndios no Algarve “há aspectos muito estranhos”.

Estranho , senhor secretário de Estado, é que todos anos temos que conviver com isto e pedir ajuda aos países europeus. Sim porque certamente que o nosso advir de decidir construir submarinos é mais forte. Sim, porque demagogicamente falando os submarinos irão certamente ajudar na luta contra os incêndios.

Estranho, senhor secretário de Estado, é que precisamente numa das áreas que ardem no Algarve – Campus de Gambelas – em plena Ria Formosa - está para ser aprovado a construção de mais um projecto semelhante ao conhecido complexo Ria Park, igualmente edificado em pleno parque natural da Ria Formosa.

Estranho, caros leitores, que ano após ano, enquanto uns apagam as chamas, outros choram, e os políticos surgem no final de Agosto, nos seus comícios de rentreé, a afirmar que para o ano será melhor.

Melhor em quê ? é certamente a pergunta que se impõe.


Publicado por António Duarte 14:46:00 2 comentários Links para este post  



a outra fórmula

De acordo com as Cassandras do costume paira sobre nós de novo um fantasma - o da regionalização.

Não que não haja motivos para isso, depois do modelo de "descentralização" implementado ainda pelo Governo do José Barroso, e por esta patetada, que ninguém sabe quanto vai custar, de deslocalizar meia dúzia de secretarias de estado para fora de Lisboa. Ainda ontem mesmo, o Soba madeirense, Alberto João, apelava à insuburdinação popular contra Lisboa e pela regionalização, pelo que de facto como conceito a regionalização anda pelas ruas da amargura.

E no entanto, provavelmente, só uma reforma, de alto a baixo, administrativa do país resolverá os principais problemas de que enferma este País.

Sejamos francos, o actual modelo não funciona. Não funciona porque aqueles que se elegem não são aqueles que decidem, não funciona porque tem demasiados layers entre o vulgar cidadão e o poder central, não funciona porque é um modelo estruturalmente perverso e dado à corrupção.

Só um cego ou demagogo é que pode ver eficácia e racionalidade numa autarquia, quando as grandes decisões, as realmente estruturantes, nunca são tomadas no âmbito dessa autarquia, mas no âmbito de uma "comunidade urbana" ou uma associação de municípios, entes com uma legitimidade democrática nula. O actual conceito de freguesia não funciona e é um absurdo total, como o é a existência de uma Câmara Municipal no âmbito de uma Junta Metropolitana como a de Lisboa... Esta salgalhada, esta amalgama de orgãos, contra-orgãos e niveis de decisão tem um reflexo óbvio e directo na democracia - os partidos moldam as suas estruturas face à estrutura administrativa no que resulta impreterivelmente um afastamente brutal entre a base e o topo.

Depois, há um outro problema, as reformas politicamente correctas fazem-se a par do que já existe, nunca para reformular o que existe. E o que existe, é - doa a quem doer - para deitar fora.

Acabem-se com as freguesias, acabe-se com o actual conceito de concelho (que passaria a ser uma espécie de meta freguesia), criem-se meta-concelhos a sério, com uma massa crítica minima - eleitos directamente e que poderiam corresponder grosso modo às tais comunidades urbanas - e criem-se cinco regiões e duas grandes áreas metropolitanas, também eleitas directamente.

Implemente-se, à inglesa, o conceito de imposto local e, num ápice, em meia dúzia de anos uma boa parte dos problemas deste país estarão resolvidos...

O pessoal político passa para metade (grande drama para os autarcas e caciques profissionais), o aumento do nivel de abstração da administração permitirá uma maior eficácia e rigor na gestão de fundos, e a existência de impostos locais garantirá o fim das rotundas, e outras obras inúteis, porque rapidamente o cidadão eleitor penalizaria quem lhe ia directa e explicitamente à carteira.

Como bónus, e dado que todos os layers eram directamente eleitos e desapareciam as estruturas fácticas intermédias, tudo se tornaria mais simples e compreensivel para o cidadão eleitor, mais simples e mais transparente. Os partidos seriam obrigados a adaptar-se e face à vulnerabilidade de que passariam a sofrer face ao malbaratanço de fundos (com o actual modelo, nunca nenhuma autarca foi penalizado eleitoralmente pelo nivel de rigor financeiro com que gere a sua autarquia) até podia ser que passassem a funcionar com entidade fiscalizadora...

Isto, meus caros, era uma reforma a sério, contra os lobbys, contra os merceeiros, contra os corruptos, em prol da transparência e da verdadeira democracia...

Se calhar, de facto, regionalização até é um mau nome, aceita-se um melhor...

Publicado por Manuel 12:09:00 0 comentários Links para este post  



Eu abaixo assinado...

E se eu passasse a escrever umas coisas na Grande Loja do Queijo Limiano (GLQL)?

Até ver não me trouxeram nenhum avental, nem tive de descer a nenhum poço iniciático na Regaleira. Não assinei nenhum compromisso em como defendo as teses sobre o caso Casa Pia que por aqui têm passado, nem sequer me pediram a opinião sobre o famoso queijo Limiano. Quanto à verdadeira identidade de todos os elementos da Loja, eles até me podiam dizer que eram filhos e netos de militares com jeito para as artes e espectáculo que eu não teria recursos para confirmar.

Não tenho antecedentes criminais conhecidos nem tenho grande dentadura ainda que acossado já me tenham visto a tentar morder alguém. Se passar a interessar aos serviços de informações por escrever aqui recomendo que consultem as vossas fichas internas antes de irem perguntar ao vizinho do rés-do-chão o que tem a dizer sobre a minha pessoa. Sempre poupam a viagem...

E pronto, dito isto, cabe ainda dizer que ninguém além de mim próprio é responsável pelo que escrevo e, naturalmente, não me responsabilizo pelo que outros aqui escrevem.

Quem acompanhou minimamente o Adufe sabe por onde voga o meu pensamento político e afim.

Com pontuais discordâncias de método e de conteúdo, o balanço que faço deste blogue (a GLQL), que fui acompanhando com regularidade e onde agora passo a colaborar, é positivo. Para além de esquerdas e direitas há um conjunto de princípios e de ideais basilares que julgo serem bem defendidos por aqui. A citação ali à direita é particularmente significativa:

Todos os Homens honestos mataram César.
A alguns faltou arte, a outros coragem e a outros oportunidade mas a nenhum faltou a vontade

Marcus Tullius Cicero


Ter-me-ão convidado para ajudar no que souber e quiser, trazendo para a GLQL boa parte do que ao longo de mais de um ano fui levando para o Adufe. Aceite o desafio não fecharei o Adufe. Passando pelo Adufe percebe-se que houve, há e muito provavelmente haverá momentos de grande “produção”, tanta que julgo contraproducente num blogue colectivo que já vai com 13 (ups!) colaboradores.

E que tal especializar a minha colaboração na GLQL - salvo as inevitáveis excepções – em assuntos relacionados com economia/regulação económica/curiosidade estatísticas e política? Bem vistas as coisas estes foram os temas mais profícuos na história existente do Adufe – não necessariamente os melhores - mas não chegam a ser metade dos 1942 post que por lá editei até ao momento. Atendendo a que a GLQL – que tem menos dois mesitos de vida que o Adufe – vai com 1756 posts é capaz de ser mesmo conveniente esta minha restrição. E depois ainda acho que há vantagens específicas a um blogue pessoal que julgo não colidirem com esta colaboração.

Se ambas as partes gostarem da experiência ela continua, se não, amigos como dantes. Para já, vamos ao Queijo!
Rui M Cerdeira Branco

P.S. Aqui que ninguém nos ouve, queijinho do bom é o de mistura, ali das bandas de Castelo Branco/Serra da Estrela :-)


Publicado por Rui MCB 10:32:00 13 comentários Links para este post  

Segundo o Público ...


Acredito que, nas legislativas, o PS talvez tenha a maioria absoluta, pela primeira vez

afirmou o presidente dos socialistas, Almeida Santos. Ora atendendo a que da última vez que o PS pediu explicitamente maioria absoluta, nos idos anos de 1985 e com o próprio Almeida Santos como ponta de lança, os resultados foram o que foram (Cavaco vindo do nada cilindrou), começa a ser altura de reinventar o PSD, tarefa que se impõe já a partir de Setembro...

Publicado por Manuel 09:49:00 0 comentários Links para este post  



mil novecentos e sessenta e oito

O último filme de Bernardo Bertolucci, The Dreamers, já está à venda em DVD na amazon.com. Não sendo para declaradamente qualquer estômago, tem um dos finais mais arrasadores jamais vistos em cinema; Os últimos dois, três minutos são o retrato perfeito de toda uma época e de toda uma geração.

Publicado por Manuel 23:57:00 2 comentários Links para este post  



"última estrela"



Última estrela a desaparecer antes do dia,
Pouso no teu trêmulo azular branco os meus olhos calmos,
E vejo-te independentemente de mim;
Alegre pelo critério (?) que tenho em Poder ver-te
Sem "estado de alma" nenhum, sonho ver-te.
A tua beleza para mim está em existires
A tua grandeza está em existires inteiramente fora de mim.

António Caeiro


Publicado por Manuel 22:54:00 Links para este post  



A casa já está a arder?

Acabo de ver na TV as imagens do fogo. O fogo que aparece dali e dacolá, a fustigar árvores, a atacar casas e a assustar pessoas. Sustos a sério. Alguns sem remédio. A TV mostra o desespero de moradores, de vizinhos, de autarcas e de bombeiros. Um desespero enegrecido pelo fumo que se eleva nos montados, por cima das chamas que devoram as copas das árvores e avançam para as casas, em ondulação abrasadora e que aterroriza mesmo quem as vê apenas na TV.

No ano passado, houve muitos fogos assim e na TV, muitas pessoas humildes, a chorar. Um choro genuino e de drama que não deixa ninguém indiferente. Pessoas do campo que ficam sem alfaias e animais; que perdem colheitas e os parcos haveres.

Esta situação não pode continuar assim. De certo que de há um ano para cá se organizaram reuniões e se fizeram estudos. Terão sido gastos milhões em meios terrestres e aéreos. Há gente que percebe do assunto e que tem falado e escrito sobre o mesmo.

Suponho que há gente competente para lidar com o assunto e não apenas para lamentar danos com ar compungido.

Se bem penso, o impulso que me leva a escrever, será igual ao que leva muitas pessoas por esse país fora, a pensar - é preciso fazer alguma coisa de essencial para terminar com este flagelo ou reduzi-lo a proporções aceitáveis.

O primeiro ministro é acusado de ser um populista. Não sei bem o que isso é, mas sei que as populações das áreas onde há incêndios, não se interessam por taxinomias, pois não sabem o que isso é.

Querem ver resultados. E se nada se fizer de consequente e competente contra os incêndios, este ano, aposto facilmente que será aí que o governo se queimará.

Por essa razão, a pasta da Administração Interna está debaixo de fogo. Talvez com o cheiro a fumo, desperte a consciência da sobrevivência, nesse caso política. É tempo de os governantes aparecerem e mostrarem o que sabem fazer. Sem os tiques das secretas ou os segredos de gabinetes.


Publicado por josé 22:20:00 2 comentários Links para este post  



The times they are a changin´

Bob Dylan em Vilar de Mouros'2004

Eu sabia bem ao que ia.

Dylan em Vilar de Mouros, em 2004! Em 1971 por lá passara Elton John, ido de Viana do Castelo, onde ficara hospedado num hotel recente e fizera já exigências de star, muito comentadas na época. Em1982, foi a vez dos U2, num espectáculo memorável, em que Bono ainda tinha energia para subir aos postes do palco, ainda improvisado e amador, a gritar Sunday Bloody Sunday!

Em 2001, num palco já monumental e subsidiado pela Super Bock e outras marcas que apareciam nos écrans gigantes, tocou Neil Young e dedilhou Heart of Gold, antes de passar a Pocahontas, numa noite inesquecível de chuva miudinha e que acabou com Tonight´s the night.

O espectáculo de Vilar de Mouros é também o da multidão que se vai chegando ao palco, para melhor ver os artistas. Como não há cadeiras, o chão serve de almofada. Como há muita gente, espreita-se por entre os ombros. E ouve-se o som enorme da aparelhagem a anunciar o artista - From the USA, a Columbia recording artist - Bob Dylan!

E aparecem as luzes em focos concentrados, a tentar revelar mitos. Primeiro, os músicos. Alinhados e discretos, repartem a secção rítmica, no baixo/bateria, a meio do palco, deixando as pontas para os que merecem destaque: do lado direito, Larry Campbell, um magnífico guitarrista que salva o grupo da irrelevância. Dylan, esquivado no teclado, no canto esquerdo e com um chapéu de aba larga a cair-lhe pelo rosto que não quer mostrar, foge de enfrentar a multidão e nem sequer olha para o público, por uma única vez. Começa e acaba as canções numa penumbra envergonhada e com uma voz que já se tornou irreconhecível, pelo menos desde... 1976!

Ouvir Dylan, actualmente e a interpretar músicas suas, com trinta ou quarenta anos, é a mesma coisa que o ouvir nesse longínquo ano de 76, ano do bi-centenário da independência da América, no disco Hard Rain. As suas canções mais conhecidas só se reconhecem ao fim de algumas estrofes de canto guturalmente esforçado e que literalmente assassina as melodias dos discos originais.

Em Dezembro de 76 a revista francesa Rock & Folk, que celebrava dez anos, um pouco menos que os Beatles que apareciam na capa, recenseava criticamente, assim, o disco gravado ao vivo, no decurso de uma celebrada Rolling Thunder Review ...


...on se demande comment il a pu laisser sortir ça. Est-il devenu sourd? Quel peut bien être le but d´un tel disque, certes enregistré en public, mais rempli uniquemente d´anciens morceaux mal joués et dans des versions em tout point inférieures aux originales?”

A revista Rolling Stone, também em Dezembro do mesmo ano, não poupava nas críticas:...

Melody is all but dismissed, the backup vocals hapharzard, the solos inconsequential.

E continuava, definindo a arte de Dylan ...

Dylan is an instintive artist. His studio albuns have never been elaborately crafted, painstaking efforts. Instead they have been more like live performances in witch he has been concerned capturing the moment. In this sense, is a true rock & roll primitivist.(…) This is not to imply that his work is simple- on the contrary, the emotions, forms and masks are extraordinarily sophisticated. Rather, he is a naïf, so self-absorbed he believes that everything he does is of interest. Like a true primitive, Dylan´s work functions as a direct megaphone to himself. The result has been some of the most brilliant art that popular culture has ever produced. But it also means that Dylan is at once his own best and worst critic.

Os concertos de Dylan, desde aí, e até a maior parte dos seus discos, são um produto dessa última faceta do génio.

Por isso se torna penoso ouvi-lo, em gravações ao vivo, desde 1974 e depois do inultrapassável LP Before the Flood, acompanhado pelos The Band.

Em 2004, em Vilar de Mouros, eu sabia ao que ia. Esperava ouvir o som gutural e envelhecido; as sílabas sopradas e arrebatadas no final de cada estrofe das suas canções originais, para lhes emprestar mais premência e inclemência. Esperava ouvi-lo tocar harmónica. Esperava vê-lo a desafinar em cada canção. Tudo isso ele cumpriu religiosamente, num ritual já com trinta anos.

Eu sabia que Dylan tinha acabado em 1975, com o Lp Blood on the Tracks. Eu sabia isso tudo e contudo fui vê-lo, à espera de um lampejo do génio e para ver o mito. Que me pareceu mais frágil quando no fim apareceu a agadecer ao público, por breves instantes e a saltitar, num passo de pássaro que me fez lembrar...o americano Bush! Bob Dylan não é bem aquele que eu lá vi.

Bob Dylan está nos discos dos anos sessenta e nas dezenas de canções geniais que compôs.

Só no final, repetindo os versos de Don´t think twice it´s allright e acompanhado pela viola acústica de Larry Campbell, numa interpretação excepcional, me dei conta que afinal o tipo que via ali encolhido no canto esquerdo e a esconder as rugas, do público curioso, ainda podia cantar a seguir Like a rolling stone e encantar do mesmo modo que outrora o fizera, Before the Flood.

Valeu a pena.


Publicado por josé 19:23:00 8 comentários Links para este post  




Publicado por Manuel 16:59:00 0 comentários Links para este post  



Um Americano em Paris

Lance Armstrong entrou, há minutos, para a história. Fez uma Volta à França simplesmente fantástica e com uma grande ajuda do português José Azevedo (brilhante quinto posto, o terceiro melhor de sempre de um português).



Pela sexta vez seguida, Armstrong foi um Americano em Paris. Greg Lemond, outro americano, tinha chegado três vezes à capital francesa de amarelo. Mas o texano já dobrou a conta, passando à frente dos imortais Hinault, Merckx e Indurain.

Parabéns, campeão.


Publicado por André 14:45:00 3 comentários Links para este post  



"Introdução ao Canto"


Ergue-te de mim,
substância pura do meu canto.
Luz terrestre, fragrância.
Ergue-te, jasmim.

Ergue-te, e aquece
a cal e a pedra,
as mãos e a alma.
Inunda, reina, amanhece.

Ao menos tu sê ave,
primavera excessiva.
Ergue-te de mim:
canta, delira, arde.

Eugénio de Andrade, in “Coração do Dia”, 1958.

Publicado por Gomez 12:40:00 0 comentários Links para este post  



Laird Hamilton is seen surfing a Tahitian wave in the new documentary 'Riding Giants'. Move over Michael Moore. With the director's controversial 'Fahrenheit 9/11' cooling at box offices after $94 million in ticket sales in about four weeks, a new wave of documentaries is headed for audiences hungry for more than standard Hollywood popcorn. (Sony Pictures Classics/Reuters)

Publicado por Manuel 09:58:00 0 comentários Links para este post  



Justiça - "Um Programa sem programa"

O Programa do Governo na área da Justiça é uma amálgama de lugares-comuns.

Não é um bom começo pretender dar ao Ministério Público uma lição sobre o seu dever óbvio de cumprir a política criminal definida pelo Governo. Seria interessante, isso sim, dizer que política criminal pretende ele, o Governo, levar a cabo.

Por outro lado, passar a mão pelo dorso do Conselho Superior da Magistratura, tentando passar a ideia que a “bolsa de juízes” é um acto de gestão aproveitável, é sinal de quem não tem uma perspectiva sobre o que deveria ser uma organização judiciária eficaz.

Evitar tratar as questões polémicas, não se comprometendo com nada que possa indispor as corporações, é a habilidade do Programa
.

A formação dos magistrados, a qualificação dos funcionários, a redefinação da geografia judiciária, são matérias, entre outras, que deveriam ter merecido uma particular atenção.

Talvez seja o preço a pagar por quem, há meia dúzia de dias, não sonhava estar no Ministério.

Só assim se compreenderá a existência de tão poucos propósitos para tantos Secretários.

Terá de esperar-se pelos próximos capítulos.

in Direitos

O enigmático autor do Direitos teve a piedade de não citar o mais cómico do novo Programa de Governo para a Justiça - a promessa de continuidade...

Entretanto, e com a vénia devida ao Venerável Irmão José, aqui seguem, com o tradicional espirito de caridade que caracteriza esta Venerável Loja, algumas sugestões bem concretas e tangíveis...

  • formação de funcionários deficiente, no que se refere a dactilografia por exemplo (não se vêem filmes americanos?) Que é feito da estenografia, obrigatória, há trinta anos?) e colocação dos mesmos a pedido e segundo regras de concurso, sem atender com quem vão trabalhar e em que sector o vão fazer. É tudo ao calhas.

    Formação de magistrados insuficiente em assuntos que extravasam o conhecimento estritamente jurídico
    . A imensidão das matérias, não dá tempo para mais, mas é essencial que( os juizes) percebam como funcionam as polícias e os organismos da segurança social, pelo menos. É também inportante que se apercebam ao menos do modo de funcionamento das Cãmaras. Sim...das Câmaras!

    A sugestão do Boaventura Sousa Santos de os magistrados terem formação complementar mais frequente e eficaz, também é uma evidência.

  • Definição clara do papel do juiz e do magistrado do MP, a fim de se evitarem as guerras corporativas. Reunião dos Conselhos, num único, como defendia o Laborinho. Extinção da Sindicata dos juizes que não é mais do que um órgão de poder corporativo, espúrio e nocivo e alteração radical do modo de eleição dos juizes para o CSM e dos critérios de escolha para o STJ, atendendo a sugestões já aqui apontadas por Pinto Nogueira. Inspecções dos magistrados mais frequentes e regulares, mas efectuadas aos serviços, sem o actual esquema de inspecção individual pelo inspector "da zona" que em alguns casos já o é, há anos e anos (e quem precisaria de o ser inspeccionado seria ele...).Alteração radical no modo de designação destes inspectores. Amigos, amigos, negócios à parte...

  • Legislação mais bem estudade do que tem sido. Os códigos de processo não deveriam ser revistos ou alterados de seis em seis meses, com leis avulsas.

    Consulta dos mestres de Coimbra responsáveis pelso actuais e discussão na praça pública da televisão, como se faz em Itália, dos assuntos mais controversos, com convidados que defendam soluções antagónicas e esgrimam os argumentos que detém. Presença dos mestres Figueiredo Dias e Costa Andrade nesses debates, para pessoalmente explicarem o que fizeram como e porquê. Uma perfeita Utopia, como se vê...

  • Alteração do modo de funcionamento das Comissões que na AR fazem as leis. Lacões e companhia para a reforma , já! São eles os responsáveis de muita asneira que por aí vai e depois de se repercute em decisões concretas dos tribunais que apanham com o odioso.

  • Fim da ausência de liberdade de expressão de magistrados e funcionários. Ainda há um sentimento geral de medo pelo que se diz ou escreve em público; pelas opiniões que se transmitem sobre este ou aquele assunto.

  • As hierarquias do MP e os Supremos não estãa habituados a qualquer crítica pública e nem sequer pensam um minuto que seja nas razões que têm para assim se comportarem. A educação recebida no tempo do Salazar e Caetano não explica tudo. Até porque a liberdade plena de expressão está assegurada nos corredores e nos compartimentos do Alfa. Por isso, não pode e não deve ser coarctada a outros que não frequentam essas viagens.

  • A gestão do pessoal e equipamentos. Não há estudos sobre racionalização de meios. Saber por exemplo, quantas pessoas e quais são precisas numa secção de serviço externo dos tribunais para fazerem penhoras e/ou indagarem a existência de bens penhoráveis.

  • Edifícios e repartição de espaços. Salas e gabinetes. Muita miséria vai por esse país fora.

    O Laborinho enquanto ministro deixou obra, porque as carências eram mais do que muitas. Mas ainda falta muito, muito mesmo.

    Só este aspecto, daria para ocupar um ministério ou uma direcção geral a tempo inteiro. E a verdade é que por lá pululam engenheiros e engenheiros e engenheiros, aos magotes e que em grupo se deslocam aos locais onde são precisas obras. Dali a três, quatro, cinco anos, começa a falar-se que as obras começam...para o ano que vem.

  • Na justiça penal, reformulação do papel do Ministério Público na investigação criminal. Definição e alargamento do conceito de DIAPs, por todo o país, em sedes do distrito, por exemplo (como me parece que era ideia do Laborinho). Formação dos magistrados nessas áreas. Num ápice (alguns anos,meia dúzia, talvez) desapareciam os conflitos com a PJ e os resultados apareceriam, dignos de um país civilizado e não daquele que nos querem impingir como tal. Quem? Os mesmos de sempre e que vivem à custa do roubo descarado do que é de todos...
Terminando, o Dr. António Borges dizia há algum tempo que um dos principais problemas do país era o nível de corrupção. Estamos convencidos disso e parece-nos que isto, nestes meses que se seguirão, vai ser o "fartar vilanagem".

Temos estruturas judiciárias para responder?! Não! Não! Quem perde? Todos!


Publicado por Manuel 08:01:00 3 comentários Links para este post  



Rogue waves that rise as high as 10-story buildings and can sink large ships are far more common than previously thought, imagery from European Space Agency (ESA) satellites has shown. As part of a scientific project initiated by the European Union in December 2000, two ESA satellites monitored the world's oceans to test the frequency of monster waves that were once dismissed as a nautical myth. A rogue wave is seen in this rare 1980 photo taken aboard a supertanker during a storm near Durban, South Africa. (Philippe Lijour, ESA/Reuters)

Publicado por Manuel 04:35:00 1 comentários Links para este post  



Vasco Pulido Valente - "Mudanças"


Não se deve levar excessivamente a sério o respeito que Santana exibe pelo Presidente e pela Assembleia da República. Como não se deve levar a sério a paixão que Portas constantemente proclama por instituições, do seu próprio partido ao Exército português. Basta olhar para o Governo para perceber porquê. O Governo tem representantes de interesses (muito específicos), que pesam, ou aspiram a pesar, decisivamente na economia do País; tem representantes da Igreja e, dentro da Igreja, do lado mais conservador e militante; tem representantes do CDS e do PSD e de facções, que se detestam, do CDS e do PSD; e tem os favoritos dos chefes, que nada ainda representam mas querem agora a sua fatia do bolo. Ainda por cima, o primeiro-ministro pediu o apoio, e é apoiado, pelos caciques das câmaras, todos com a sua conta no bolso e a sua conhecida voracidade. Além disto, já impressionante, Santana e Portas resolveram distribuir bocados do Governo por Portugal inteiro, mandando seis secretarias de Estado para Coimbra, Santarém, Faro, Évora, Braga e Aveiro. Esta «deslocalização» serve sobretudo para envolver o poder central na pequena política da província e para dividir e manipular as forças locais. Para cúmulo, o próprio Santana, num claro apelo ao regionalismo, parece que pretende instalar um «Gabinete» no Porto. Em resumo, à revelia da Constituição cresce no Estado um regime de «feudos». Cada um com a sua influência e a sua gente. O Governo deixou de ser um Governo regular e clássico. Já não é uma autoridade nacional ou racional, é uma corte, onde os senhores dos «feudos» irão continuamente disputar o favor de um príncipe populista. A desordem favorece Santana, porque só ele ocupa um ponto fixo e só ele, em última instância, decide. Fora a cerimónia e a fachada, a democracia está a caminho do Limbo. Na prática, vamos viver numa «anarquia feudal», à sombra de uma figura «carismática».

in DN

Publicado por Manuel 01:45:00 0 comentários Links para este post  



"Para atravessar contigo o deserto do mundo"


Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso


Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento

Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962)


Publicado por Manuel 22:48:00 0 comentários Links para este post  



9 Minutos de Fama…

Só hoje e passados quase 20 dias é que consigo falar daquele nefasto dia 4 de Julho de 2004. O dia da independência da América e que esteve a um escasso golo de se tornar o verdadeiro dia de Portugal.

Provavelmente, muitos terão abandonado o estádio desfeitos por dentro e por fora, tão perto e tão longe, aquela linda festa no final que tinha tudo para ser nossa, mas que uns Deuses gregos arrebataram em pleno Olímpio. Para muitos como eu que tiveram o prazer de estar no estádio naquele dia, existiram alguns momentos que se tornaram eternos.

Portugal, como país, demonstrou que sabe organizar. Ainda que possamos na essência ter sido criticos quanto à decisão não de organizar, mas de construir 10 novos estádios numa altura em as finanças públicas do país não se encontravam para desvaneios, a verdade é que se quissemos resumir todo o Euro-2004, poderíamos apenas centrarmo-nos na cerimónia de encerramento.

Os adjectivos são parcos para qualificar, aqueles nove minutos que o protocolo desportivo designou para a cerimónia. Normalmente nós os portugueses estamos habituados a ver cerimónias na televisão que achamos fastidiantes e sem graça. Desta vez no estádio, e depois de visionar em casa na televisão, fiquei com a certeza que teremos realizado provavelmente a melhor de todas as cerimónias.

Se na cerimónia de abertura foram invocados os descobrimentos, com uma réplica de uma caravela, e as chaves que os portugueses utilizaram na abertura dos caminhos do mundo, na cerimónia de encerramento, diante de uma enorme e magnífica calçada portuguesa, foi utilizada a caravela do futuro, aquela que nos poderá transportar para um futuro melhor e diferente, condizente e respeitando sempre os valores e os designíos nacionais ali representados pela calçada portuguesa.



Que os governantes saibam compreender, a mensagem, e que na caravela do futuro nunca falte timoneiro, capaz de levar Portugal em busca de mais e melhores caminhos.


Publicado por António Duarte 20:14:00 2 comentários Links para este post  



Tourist line up along the beach in Waikiki Beach to watch the sun set behind the western skyline. Summer travel to Hawaii is projected to top the record-breaking year of 2000. The positive numbers are bringing welcome relief to all parts of the local tourism industry. From hotel occupancy rates to vacation rentals, all segments of the economy are benefiting from high national and international tourist numbers. Picture taken July 23, 2004. REUTERS/Lucy Pemoni


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