«Fernando Lima, ex-assessor de Martins da Cruz, vai ser o próximo director do «Diário de Notícias»

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"Ana Gomes diz que cabala pode vir do PS"

este post é dedicado a esse expoente máximo do neo-calvinismo blogosférico que é o Miguel Marujo...
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O regresso da Cabala
quinta-feira, outubro 23, 2003
Quem será o, outrora temido, assessor ministerial que esta tarde se desdobrou em telefonemas frenéticos para tudo é redacção, tudo por causa da sombra do fantasma da cabala que sobre ele se pode de novo abater ?
Consta, que anda agora mesmo, à noitinha, desesperado à procura de um exorcista ...

Que São Julião o acuda ...
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Para ouvir
(Jorge Palma)
Vou falar-vos dum curioso personagem: Jeremias, o fora-da-lei
Descendente por linha travessa do famigerado Zé do Telhado
Jeremias dedicou-se desde tenra idade ao fabrico da bomba caseira
Cuja eloquência sempre o deixou maravilhado
Para Jeremias nada se assemelha à magia da dinamite
A não ser talvez o rugir apaixonado das mais profundas entranhas da terra
E só quando as fachadas dos edifícios públicos explodirem numa gargalhada
Será realmente pública a lei que as leis encerram

Há quem veja em Jeremias apenas mais uma vítima da sociedade
Muito embora ele tenha a esse respeito uma opinião bem particular
É que enquanto um criminoso tem uma certa tendência natural para ser vitimado
Jeremias nunca encontrou razões para se culpar
Porque nunca foi a ambição, nem a vingança, que o levou a desprezar a lei
E jamais lhe passou pela cabeça tentar alterar a Constituição
Como um poeta ele desarranja o pesadelo para lá dos limites legais
Foragido por amor ao que é belo e por vocação
Jeremias gosta do guarda roupa negro e dos mitos do fora-da-lei
Gosta do calor da aguardente e de seguir remando contra a maré
Gosta da forma como os homens respeitáveis se engasgam quando falam dele
E da forma como as mulheres murmuram: fora-da-lei
Gosta de tesouros e mapas sobretudo daqueles que o tempo mais maltratou
Gosta de brincar com o destino e nem o próprio inferno o apavora
Não estando disposto a esperar que a humanidade venha alguma vez a ser melhor
Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora
Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora
Publicado por Carlos 16:43:00 0 comentários Links para este post
Ilusões acústicas ...
"O senhor procurador-geral tem de pôr termo a isto, ou então alguém tem de pôr termo ao procurador. É tão simples como isto"
José Miguel Júdice, Jornal 2 da RTP/2 - 21 de Outubro de 2003

"Mas desde já quero tranquilizá-los pois, como é obvio, não pedi, não exigi, não ultimei, não fiz nada que possa ser interpretado como não querendo que o PGR continue"
José Miguel Júdice, 23 de Outubro de 2003
Publicado por Manuel 11:11:00 0 comentários Links para este post
O Caixote do Lixo do Bloco Central
Nem de propósito, no mesmo dia em que Francisco José Viegas nos alerta para os perigos do Bloco Central a pretexto da "novela" casapiana, eis que surge o primeiro grande apelo a esse mesmo bloco central, pela voz, ainda que velada, de Eduardo Dâmaso no Público de hoje.

O pretexto segundo Dâmaso : "Nunca chegámos tão baixo na degradação da autoridade política e moral do Estado.".
Pois não!
E por isso é que não é altura de "parar" (a pretexto de "andar"melhor) , ou olhar para trás ...
Publicado por Manuel 10:15:00 0 comentários Links para este post
ipsis verbis
É muito provável que o presidente da República não tivesse feito o seu discurso de anteontem caso não tivesse sido directamente visado pelo material que consta das escutas telefónicas – ainda bem que o fez dessa maneira aparentemente tranquila, respondendo directamente às dúvidas dos cidadãos.
Porque, como todos vamos concluindo, o retrato de conjunto paranóico em que se transformou o processo da Casa Pia é ainda pouco para o que veremos, para o que saberemos e para o que poderemos vir a suspeitar.
É cada vez mais difícil sobreviver e manter a lucidez no meio dessa paranóia.
Só assim se explicam algumas das intervenções políticas mais recentes e o complexo de exageros que diariamente o cidadão pode recolher pela Imprensa.
Portugal transformou-se no país da suspeita – sobre a justiça e as suas investigações, sobre os políticos e os seus encobrimentos e alianças, sobre a Imprensa e os seus "alinhamentos".
No caso da Casa Pia, essa suspeita recai sobre mais duas entidades: os que estão a ser acusados de crime, e as vítimas desse crime. Não sei o que é pior, mas suspeito que a desvalorização do papel das testemunhas é um factor de perturbação que pode vir a tocar o limite do abjecto.
Se nos lembrarmos de outros casos semelhantes ocorridos – em Espanha –, o massacre das testemunhas conduziu àquilo que se teme que venha a acontecer em Portugal: a diluição do processo. A partir daí, a suspeita sobre as testemunhas leva ao fim da investigação. Claro como água.
Seria conveniente proceder à comparação dos processos e dos acontecimentos, para evitar essa verdadeira hecatombe.
Provavelmente de forma involuntária, Francisco Louçã citou Guterres ao referir-se ao processo da pedofilia, usando as expressões "lama" e "pântano", depois do seu discurso na AR – a melhor intervenção parlamentar sobre o assunto.
Em resumo, transformar o processo da Casa Pia num "processo político" consistiria, basicamente, em arrastar a política para o pântano em que se transformou o conjunto de pressões, desvarios e enormidades que têm vindo a ser produzidas todos os dias. Causa por isso alguma apreensão que Ana Gomes tenha – depois do "apelo ao silêncio", de António Costa – dado uma entrevista à "Antena Um", em que reafirma que, para o PS, este será um "combate político".
Só por isso, a realização de um congresso extraordinário do PS seria ou um ofício de defuntos ou uma sessão de psicanálise.
É curioso como algumas almas se têm mostrado mais sensíveis à violação do segredo de justiça e aos vários delírios judiciais, do que às consequências que a "pantanização" do processo podem vir a ter para o país inteiro.
Essa permanente "pantanização" tem um objectivo claro – não apenas retirar peso e importância ao próprio caso (banalizando-o), mas também retirar credibilidade às testemunhas e vítimas.
Dentro de algumas semanas, caso a paranóia se mantenha, não faltarão vozes chamando a atenção para os prejuízos que o processo vai causar na "imagem de Portugal" (esquecendo que "isto" – o processo – é mesmo Portugal).
Ora, a última coisa de que Portugal precisa, nestas circunstâncias, é de um acordo de Bloco Central para que tudo se dilua, tudo se perca em discussões entre juízes e advogados (cada qual com a sua república) e, afinal de contas, tudo permaneça neste limbo de suspeita.
Tendo em conta que há vários indícios de que se pode preparar esse cenário, convém dizer, desde já, que esse será o pior dos sinais. A encenação dessa desistência moral da sociedade portuguesa (porque é disso que verdadeiramente se trata) não é tão absurda como isso. Basta ver a quem serve.
Francisco José Viegas, in Jornal de Notícias 23/10/2003
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Anatomia de uma violação...
... do segredo de justiça
quarta-feira, outubro 22, 2003
o Zé, tal como muitos, fora assessor no tempo do Tonecas, bom salário, boas mordomias, viagens q.b., o País e o mundo vistos dos andares de cima ... A festa acabou e o nosso Zé lá voltou cabisbaixo, à sua antiga redacção.
Vê aqueles que antes olhava com desdem e superioridade, ou irem eles para o Governo, para lugares como o que tinha sido dele, ou ficarem com os melhores nacos de prosa. Para castigo supremo ainda o obrigam a escrever sobre cultura e imagine-se local.
Um dia tudo muda, rebenda o escândalo ! Não um escândalo qualquer mas o escândalo ! A bomba, o terramoto como agora se diz!
Os rumores voam, a confusão aumenta e nesse dia, um antigo chefe telefona-lhe para almoçar.
"É tudo uma cabala!" diz aquele, "uma urdidura e uma maquinação". Zé acredita, por Fé e amizade.
Nos dias seguintes tudo muda: Zé na redação é o maior. Tem acesso às "provas", às provas da cabala e logo na versão unplugged.
Zé lembra-se do "diálogo", do "tu cá, tú lá", dos tempos de Guterres, não liga às transcrições, às escutas, está tudo nos sublinhados, os resumos e memorandos coligidos pela defesa são do melhor que há, o importante são os "princípios", isso e ajudar os amigos em apuros.
Exclusivo atrás de exclusivo, capa trás de capa, as vendas e as audiências disparam, e Zé é de novo olhado com inveja e admiração pelos colegas...
O tempo passa, e um dia o "vento" muda, cada vez há menos exclusivos para sí e mais para os outros.
Zé para para pensar, é novo, tem 38 anos, divorciado, 3 filhos e uma nova companheira, muito para viver, faz contas, os seus amigos não vão sobreviver até ao próximo ciclo, o Director pressiona, são precisas mais histórias, verdadeiros exclusivos ...

Uma tarde vai falar com o Director - pede um aumento e diz que consegue fazer subir em 40% as audiências. Pede isso , e umas férias extra. O Director acede.
Maços de papeis aterram, nessa tarde em cima da redacção.
"Uma mina !", diz o calejado Director. "Não se pode matar a galinha dos ovos de ouro" diz logo um Administrador.
E assim, ovo a ovo, dia a dia, fuga a fuga, vai saindo uma frase, uma citação, uma deixa, deixando sempre a ideia que no dia seguinte há mais. E há mais, muito mais.
As audiências disparam, é o mercado a funcionar ...
Na semana seguinte Zé cruza-se com o seu amigo, o antigo chefe, agora deputado, desculpa-se: "tou de licença, pá - não suportava aquilo - dá um abraço à malta" diz sem parar ...
Zé acende mais um cigarro e sorri: Tinha-se lembrado da velha máxima do Cardeal favorito de Dumas "A traição é uma mera questão de datas"
N.A. esta short story é dedicada ao Dr. José Miguel Júdice...
Publicado por Manuel 23:22:00 0 comentários Links para este post
quem AVIZa amigo é ...
"eu temo, sinceramente, um acordo de Bloco Central sobre a matéria [caso Casa Pia]. Todos os sinais estão por aí, dispersos. Questão de marketing patriótico."

Neste capítulo, a ambiguidade, ou não, que amanhã resultar dos sinais de fumo, em on ou em off, que sairem da reunião entre Sampaio e Souto Moura serão muito reveladores ...
Publicado por Manuel 19:50:00 0 comentários Links para este post
Finanças Públicas : A caminho do abismo ...
Para quem não tinha percebido bem o "alcance" do Editorial do DE que citamos esta manhã e da politica municipalista deste Governo, Durão Barroso, esclareceu tudo hoje durante o dia . "Descentralização «não vai parar», diz Durão" no Portugal Diário.

É «Necessário restaurar a confiança nas autarquias locais» e «fazer da descentralização um motor de desenvolvimento moderno e equilibrado de Portugal» continua Durão.
Os resultados estão à vista ...
P.S. Não admira que os autarcas laranja abominem Cavaco. Com ele nunca seria assim...
Publicado por Manuel 16:11:00 0 comentários Links para este post
"Tiro ao PGR"
(...) O terceiro e principal objectivo do Presidente era o de condenar a guerra surda que se trava nos bastidores do processo da Casa Pia e da qual resulta a «criminosa e despudorada violação do segredo de Justiça» que, diz Sampaio, não pode ficar impune. Aqui, sim, foi francamente esclarecedor e terrivelmente eficaz.
Tão eficaz que logo se levantaram vozes a pedir a cabeça do Procurador-Geral da República, começando pelo Bastonário da Ordem dos Advogados. Júdice parte do princípio, muito conveniente para quem lidera a organização de classe dos advogados - que tem muitos e poderosos membros envolvidos neste processo, como se sabe –, de que vem do Ministério Público a «despudorada e criminosa violação do segredo de Justiça». Ora, a menos que Júdice e os comentadores mais ansiosos por sangue tenham informação privilegiada sobre a origem das fugas relativas às escutas, o Ministério Público não é de forma alguma o único suspeito.

A realidade revela-se, quase sempre, bem mais complexa do que a imaginamos.
E muitas vezes não basta fazer a pergunta clássica - «a quem aproveita o crime ?» - para chegar à verdade.
A pressa com que, à boleia do discurso do PR, se declarou aberta a sessão de tiro ao procurador é, pois, no mínimo precipitada - senão bastante suspeita.
Fernando Madrinha, Editorial do Expresso Online
Publicado por Manuel 13:16:00 0 comentários Links para este post
à atenção de todos aqueles que acreditam nos impetos reformistas de Durão e na "coragem" de Manuela Ferreira Leite ...
(...)
E no mesmo dia em que o Eurostat deu “luz verde” à engenharia financeira de Manuela Ferreira Leite para suprir parte da falha de cerca de, pelo menos, dois mil milhões de euros de receitas fiscais este ano, a ministra das Finanças recebeu uma má notícia: os limites de endividamento estabelecidos pelo Governo para as autarquias têm quase tantos buracos como o segredo de Justiça tem fugas.
Ou seja, entre Janeiro e Agosto deste ano, os níveis de endividamento das autarquias ultrapassaram em 124 milhões de euros o valor que foi enviado a Bruxelas no âmbito do reporte dos défices excessivos. Mais: no quadro das excepções previstas a esse limite – os investimentos relacionados com o Euro 2004 –, cinco câmaras já foram à banca buscar 285 milhões de euros entre 2002 e 2003, um valor que supera os números conhecidos para o autofinanciamento desses estádios…

O que suscita três conclusões. A primeira é a de que o Governo revela dificuldades na travagem do impulso despesista das autarquias e manifesta-se incapaz para travar um dos ‘lobbies’ mais poderosos do país; a segunda é que o futebol não faz apenas a alegria de muitos portugueses, é também a tábua de salvação financeira de muitas autarquias; e a terceira é a mera constatação de que o ‘cocktail’ entre futebol e autarquias é, no mínimo, explosivo e obriga qualquer cidadão lúcido a temer o pior sobre a viabilidade financeira do Euro 2004.
(...)
Miguel Coutinho, Editorial do Diário Económico
Publicado por Manuel 09:43:00 0 comentários Links para este post
"Contradições socialistas"
um dia dizem uma coisa, outro dia dizem outra - Exemplos práticos e irrefutávaveis
As escutas realizadas a membros da direcção do PS revelam contradições flagrantes. Há exemplos para todas as situações. Para a prisão de Pedroso, para o seu regresso à Assembleia e sobre o valor dado ao segredo de justiça. Muito foi dito e escrito. O PS chegou mesmo a afirmar que, caso Paulo Pedroso visse a prisão preventiva revogada, não voltaria à AR enquanto o processo não terminasse. Não foi o que se viu.
Vamos às declarações. Depois de ter sido ouvido no Departamento de Investigação de Acção Penal (DIAP), a 4 de Junho, Ferro Rodrigues disse em declarações aos jornalistas que nada podia dizer sobre o interrogatório devido ao «estrito cumprimento e respeito pelo segredo de justiça».
A 21 de Maio, numa conversa telefónica escutada pela Polícia Judiciária, e já amplamente revelada pelos órgãos de comunicação social, Ferro Rodrigues terá manifestado outro tipo de consideração pelo mesmo segredo de justiça. A frase «Estou-me cagando para o segredo de justiça» fala por si.
Sobre o tão falado regresso de Paulo Pedroso à Assembleia da República e ao seu lugar de deputado há também contradições. A 2 de Julho, um dos principais dirigentes socialistas garante à agência Lusa que o ex-ministro do governo de Guterres só voltará à actividade política quando a sua inocência estiver completamente provada.
Segundo o mesmo responsável - próximo do ex-ministro socialista - para Paulo Pedroso regressar à política nem sequer lhe bastará que o processo em que é acusado seja arquivado. Ficava a sugestão de que jamais voltaria ao Parlamento.
O próprio Paulo Pedroso na carta que escreveu, enquanto ainda estava detido, afirmou que «é importante que em nenhum momento os criminosos que me atingiram possam sentir o prazer, porventura desejado, de atingir também o PS». A intenção do deputado cai por terra. O processo Casa Pia está a deixar o PS em maus lençóis.
Dito e esquecido
Os novos dados sobre as escutas telefónicas, revelados nos últimos dias, trazem também a lume declarações já antes proferidas pelos seus protagonistas. Já a 23 de Maio, dois dias após a detenção de Pedroso, António Costa veio dizer que tinha contactado o Procurador-Geral da República.
O artigo de opinião escrito, esta terça-feira, no jornal Público, pelo líder parlamentar do PS, é a reafirmação das declarações que proferiu a 4 de Junho.
Também o bastonário da Ordem dos Advogados, José Miguel Júdice, já tinha afirmado, a 5 de Julho, fazer parte de um «filme» sem ter sido contactado antes.

A 23 de Julho veio ainda a público um comunicado da Procuradoria-Geral da República que pretendia esclarecer a validade das conversas escutadas. No comunicado, pode ler-se: «Numa investigação apenas as conversas telefónicas importantes são transcritas para os autos». Será que a polémica frase de Ferro Rodrigues, a propósito do segredo de justiça, foi mesmo considerada importante?
A prosa acima, não é da autoria dos perigosos "extremistas" desta Grande Loja, acusados por alguns de colaborarem na tal cabala contra o Partido Socialista. É uma prosa, integral, do insuspeito Portugal Diário ...
Contra factos, meus caros, não há argumentos !
Publicado por Manuel 09:29:00 0 comentários Links para este post
Poema Pial
Toda a gente que tem as mãos frias
Deve metê-las dentro das pias.
Pia número UM
Para quem mexe as orelhas em jejum.
Pia número DOIS,
Para quem bebe bifes de bois.
Pia número TRÊS,
Para quem espirra só meia vez.
Pia número QUATRO,
Para quem manda as ventas ao teatro.
Pia número CINCO,
Para quem come a chave do trinco.

Pia número SEIS,
Para quem se penteia com bolos-reis
Pia número SETE,
Para quem canta até que o telhado se derrete.
Pia número OITO,
Para quem parte nozes quando é afoito.
Pia número NOVE,
Para quem se parece com uma couve.
Pia número DEZ,
Para quem cola selos nas unhas dos pés.
E, como as mãos já não estão frias,
Tampa nas pias!
Fernando Pessoa
Publicado por Manuel 01:59:00 0 comentários Links para este post
"Excepção à regra"
Há só uma coisa que pode ser dita do texto abaixo, porque está lá tudo, que é dar os sinceros parabens ao autor.
Tenho tentado, com muito esforço, não me pôr aqui a comentar seriamente o processo Casa Pia/Paulo Pedroso. Tenho tentado muito e isso é verificável no Glória Fácil .
Acontece, porém, que a paciência tem limites. E esses limites são os da inteligência - ou, melhor dizendo, os da falta dessa inteligência.
Assisti há poucas horas, em directo e ao vivo, à comunicação ao país do sr. Presidente da República (PR). Escrevi a respectiva notícia.
Finda essa tarefa, eis o desabafo: não paro de me espantar com a forma como, dia a dia, hora a hora, minuto a minuto, jorram os discursos que mais munições dão aos populistas deste caso (como os Namoras e Catalinas e afins). Discursos oriundos de onde menos se espera: do Palácio de Belém, por exemplo.
Porque foi isto que o sr. Presidente ontem fez quando tratou o caso como uma "novela judiciária" (sic). Os demagogos desta história (repito: Namoras, Catalinas e afins) têm agora um pretexto maravilhoso para dizerem que, ao mais alto nível na hierarquia do Estado, o caso é desvalorizado, achincalhado, vulgarizado, etc, etc.
Ora isto era perfeitamente escusado. Deste discurso é este micro-sound-byte ("novela judiciária") que vai ficar. O PR não podia deixar de o saber. Os populistas desta história (Namoras, Catalinas e afins) vão poder agora dizer que é gravíssimo tratarem-se das vítimas do processo Casa Pia ("as crianças", dizem eles, como se as representassem) como personagens de uma "novela judiciária". Isto não acontece por acaso - mas não pensem que defendo alguma tese conspirativa para explicar este discurso do PR.
A minha "conspiração" é muito simples: quando debaixo de fogo, o dr. Sampaio deixa-se levar pela irracionalidade. Responde com o coração na boca. E se calhar porque pensa que que os populistas, por apelarem às emoções, só se movem, eles próprios, no campo dessas emoções.
Erro, erro, erro: as emoções populares convocam-se pelo uso apuradíssimo da racionalidade de quem convocar essas emoções. Não há sujeito mais racional do que o populista. O instrumento de resposta ao populista é o mesmo que ele usa para ser populista: a racionalidade. Isso falhou, ontem, no Palácio de Belém.
João Pedro Henriques
Transcrito, com a vénia devida, do Glória Fácil
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gato escondido com rabo de fora ...
terça-feira, outubro 21, 2003
Isto da violação do segredo de justiça e da divulgação selectiva de escutas está a deixar muita boa gente com selectivas indignações e raciocínios ainda mais selectivos ...
Se nos dias que precederam a detenção do Dr. Pedroso, assim como nesse dia, nada mas nada de anómalo se passou no que a cunhas, pressões, manobras de diversão e afins diz respeito, e se como se dizem por aí, o que circula são tudo extractos descontextualizados de conversas inócuas, e fora de contexto, porque é que a defesa de Paulo Pedroso, o próprio secretário-geral do PS, o Dr. Costa, o Dr. João Pedroso e todas as personalidades hipoteticamente consultadas para "lobbing" e já citadas na comunicação social, não solicitam ao Ministério Público a divulgação integral e imediata do contexto dos extractos das ditas escutas vindas a público ?

A Lei prevê este tipo de excepções e não é crivel que a Procuradoria recusasse.
Assim sendo, e se nada de anormal se passou e estão todos de consciência tranquila, porque esperam ?
Uma nota final para a tristeza que é ver um Bastonário da Ordem dos Advogados com um discurso ao nível de um qualquer Narciso Miranda. Quem o viu e quem o vê ...
Publicado por Manuel 23:20:00 0 comentários Links para este post
Notas do Portugal Profundo...
... ou dicas para distrair o povo dessa coisa da Casa Pia
Enquanto os residentes treinavam o teatro de fantoches, o Zé e a Diana foram para o Quarto do Líder. Conversa puxa conversa, o casal acabou na cama....
Entre beijos e carícias, os ânimos foram aquecendo e as emoções foram ao êxtase debaixo do edredão. Movimentos de anca anunciavam o acto de "amor".

Mas, de repente entrou o Ricardo B. A tossir para anunciar a presença, o alentejano entrou no quarto e mostrou a t-shirt que a namorada lhe dera. O residente percebeu a situação e rapidamente saiu do quarto.
Mas nem a visita inesperada desanimou o casal, que continuou com a sessão amorosa. Depois de alguns minutos de agitadas movimentações, o Zé destapou a cabeça para conseguir respirar e a Diana limpou-lhe o suor da testa.
«Tenho de ir à Casa-de-banho». Antes de se levantar, o Zé espreitou dentro do edredão para ver se estava tudo ok.
Publicado por Carlos 22:29:00 0 comentários Links para este post
Sampaio ou a insustentável leveza do vácuo ...
Que disse Sampaio ?
Nada !
A não ser que a Casa Pia não pode ser a "árvore" que tapa a "floresta" que são os problemas do País e que ele Sampaio, não pressionou ninguém.
Aquilo que Sampaio disse hoje ao País, sobre as "pressões", devia ter dito, na altura própria, aos seus amigos socialistas de modo a quebrar pela raíz toda e qualquer "ilusão" que estes pudessem ter ...
Ao não o ter feito, e não fez, já que estes sempre tiveram a "esperança" (na hipótese mais benévola) Sampaio errou e há erros que um Presidente não pode cometer ...
Uma última nota para árvores e florestas : O "escândalo Casa Pia" não é a árvore que esconde a floresta é antes a árvore decepada que nos permite ver a verdadeira floresta que esquistece este País ...
Publicado por Manuel 20:30:00 0 comentários Links para este post
os dadaistas da blogosfera ...
(actualizado)
Apareceu por aí um blogzito novo, com um nome até respeitável mephistopheles, e que prometia ...

Mas afinal tudo não passa de uma experiência ciêntifica, mais que batida ... Em suma, puseram uma galinha em cima de um teclado, a uma tecla associaram uma lista de blogs da moda (1 por cada post) e às restantes um conjunto de palavras, bocas e insultos mais ou menos eruditos (mas não queirosianos - suprema heresia).
O resultado, pouco famoso, pode ser visto aquí
Tem claro a vantagem de fazer publicidade às vítimas mas o facto é que, pelo menos na blogosfera, o Diabo já não é o que era ...
post scriptum Este pobre Mephistozinho dos nossos dias, escorrega na primeira esquina, na primeia provocação e logo num "ataque de compaixão". Fausto, o de Goëthe, ao menos ainda tentou negociar, este caíu que nem um tordo ... Que chatice, assim nem gozo dá, já parece o Sampaio ...
Publicado por Manuel 20:20:00 0 comentários Links para este post
Duas saídas...
Dois casos, a mesma patologia
Mira Amaral e Luis Delgado são dois casos crónicos ...
O primeiro super-boy, o outro nem tanto, receberam de bónus uns quintaizinhos para brincarem.
A Mira calhou a CGD, a Delgado a Lusa. No entanto nem um nem outro descansam.

Mira, e a sua entourage, passam literalmente a vida a meter o nariz na politica económica, nomeadamente na relacionada com a área da energia, e a armar sarilhos e confusões.
Delgado, não contente com a Lusa sonha em ser uma espécie de S. João Baptista dos "amigos"... A sua última intifada contra o PGR revela tudo...
Para um e para outro tanto "voluntarismo" vai acabar mal, são meros peões, descartáveis e muito pouco cuidadosos...
É a velha história, quem tudo quer tudo perde...
Publicado por Manuel 02:29:00 0 comentários Links para este post
Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.
Tenho uma grande tristeza
Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.
Porque verdadeiramente
Não sei se estou triste ou não.
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
Dentro do meu coração.
Fernando Pessoa, 15-11-1930
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Desportos radicais - versão PS ...
segunda-feira, outubro 20, 2003

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E agora Dr. Sampaio ?
Aquando da divulgação das primeiras escutas, Ferro Rodrigues não hesitou em recordar a sua condição de Conselheiro de Estado ...

Agora, a questão que se (im)põe é : Conselheiro de Estado até quando ?
Entretanto parece que o Dr. Sampaio só vai falar depois de ser capa da Time, ou talvez da Interviú ...
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D. Quixote e Dulcineia ...
Mark Kirby, claramente não está preparado para as luzes da ribalta.
Chefe de Gabinete de Ferro e assistente universitário de Marcelo, Mark Kirby bem vocifera, esbraceja até, no seu blog...
Mas ninguém lhe liga, não ligou Marcelo, não lhe ligam agora quando voluntariosamente pede cabeças ...

Manifestamente não leu Cervantes, se o tivesse feito, saberia o que fez Dulcineia a D. Quixote, depois de este ter combatido tanto moinho de vento...
A vida às vezes é mesmo cruel quando as pessoas não sabem quando parar ...
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A herança de Pol Pot ...
Na prosa mais imbecil, asquerosa e reacionária dos últimos tempos, a lembrar aliás um qualquer discurso de Pol Pot, Clara Ferreira Alves hoje no Diário Digital cega pelo ódio dá um novo sentido à expressão "revisionismo".
Diz Clara Ferreira Alves ...
O pior cego é aquele que não quer ver. Anda por aí muito boa a gente convencida de que o PS devia demonstrar, provar, dizer em público e reiterar, que não é o partido que está envolvido no escândalo da pedofilia, e que não existe entre o partido e a máquina judiciária e judicial uma guerra. O PS não pode fazer isto por uma razão simples. O partido está irremediavelmente comprometido no escândalo da pedofilia, e a guerra entre o partido e os acusadores, existe. E não pode deixar de existir.
Em primeiro lugar, o porta-voz do PS, o seu líder parlamentar e o seu secretário-geral são os nomes que a máquina judicial e judiciária e, sobretudo, personagem nefasta do procurador, tentaram comprometer, e conseguiram, no processo. Não estamos a falar de backbenchers, estamos a falar da espinha dorsal do partido. Paulo Pedroso passou quatro meses e meio em prisão preventiva, foi linchado publicamente, as escutas telefónicas foram divulgadas e a sua defesa foi posta em causa. António Costa e Ferro Rodrigues foram ouvidos no DIAP, e, num determinado momento, o nome de Ferro Rodrigues apareceu nos jornais como um dos citados como uma das testemunhas do processo. Apareceu como pedófilo, nem mais. A certa altura, chegou mesmo a pensar-se, e a notícia correu os «mentideros», que Ferro Rodrigues poderia ser preso.
Não se vislumbra como é que o partido se pode pôr de fora disto, como se nada tivesse a ver com isto, continuando uma oposição ao Governo de assobio nos dentes enquanto fingia que tudo estava bem no Largo do Rato. Os dirigentes que discordam da liderança de Ferro aproveitaram logo para dar a ferroada mas, nem um segundo o PS conseguiu concluir que aquela era a sua luta e aquela era a sua gente e que ou estava solidário com os seus chefes ou demarcava-se para sempre deles. O resultado desta ambiguidade é hoje visível e é fatal. Ou o PS acredita que tem de limpar o nome de três dos seus principais dirigentes, ou não acredita.
Porque, aconteça o que acontecer, a guerra entre o partido, o procurador e os acusadores e investigadores da pedofilia é total e é até à morte. Ou caem os socialistas, ou cai toda a máquina que investigou e desenhou este caso. Porque, como se viu após a libertação de Pedroso, o «outro lado» não hesita no golpe baixo e na má língua. A divulgação destas escutas telefónicas destinadas a destruir Ferro Rodrigues e a envolver outra vez o nome de Jorge Sampaio são um sinal de que a democracia portuguesa está profundamente doente.
Não é apenas por boas razões que a máquina judicial e judiciária anda a violar o segredo de justiça, é também porque quer transformar Pedroso e Ferro, e os outros, em canalhas e culpados. Esta gente sabe que se perder este processo, perde a carreira e perde a dignidade. Sabe que se perder esta guerra perde o emprego e a credibilidade, e perde a vida. Por isso, utiliza todos os truques e subterfúgios e vai «vomitando» esta papa para os jornais, que a publica, evidentemente. A única reacção que podemos ter é a do asco.
O PS tem de perceber que este é o seu combate, mesmo que não pareça. E que se não ganhar este, não ganha nenhum outro. Porque, se deixar cair Ferro, Pedroso e Costa, e continuar a fazer oposição como se nada fosse, perdeu a autoridade e a legitimidade moral. O modo como o PS tem administrado este caso é desastroso, tem sido desastroso. Passa da euforia ao desnorte em segundos. Todos falam e ninguém diz nada. Todos falam demais e agem de menos.
Ou o PS parte o elo que o une, e parte-se aos bocados, ou reúne as tropas e começa a raciocinar friamente. Porque, de facto, a cabala não deve existir mas existe gente que não tem escrúpulos nem vergonha. E essa gente tem de ser denunciada. E têm de existir mecanismos de controle desta gente, mecanismos democráticos. Uma «cabala» pode ser constituída por um intriguista bem colocado. Além do PS, estão a destruir a democracia. O PS tem de começar a preparar a sua defesa.

A visão unilateralista, mesmo de Jihad pura e dura, de Clara Ferreira Alves talvez sirva para convencer um marciano mas por outro lado o que é que impede alguém de seguindo exactamente o mesmíssimo raciocínio afirmar que :
Os acusados, de quem Clara Ferreira Aves toma todas as dores, "essa gente sabe que se perder este processo, perde a carreira e perde a dignidade.
Sabe que se perder esta guerra perde o emprego e a credibilidade, e perde a vida.
Por isso, utiliza todos os truques e subterfúgios e vai «vomitando» esta papa para os jornais, que a publica, evidentemente.
A única reacção que podemos ter é a do asco" ?
Publicado por Manuel 17:42:00 0 comentários Links para este post
Ò tempo volta pra trás...
Diz a Lusa:
A Base Naval do Alfeite, Almada, recebeu hoje cerca de 70 dos 100 mancebos convocados para o primeiro dia de comemorações do Dia da Defesa Nacional, com muitas caras ensonadas e risos a denunciarem algum nervosismo.

Mais ou menos intimidados, os jovens foram colocados lado a lado para assistir, ao som do hino nacional, ao hastear da bandeira, quebrando a solenidade do momento com alguns risos que deixaram escapar.....
A única voz dissonante no grupo, Pedro Barro, colocou a questão a partir de um ponto de vista mais crítico: "Eu vou servir a minha pátria, uma bala atinge-me. Fico paralítico e aí a guerra é outra. Esquecem-me tal como aconteceu com os ex-combatentes do Ultramar".
A tenente Cristina Santos, psicóloga de formação, explicou que "não é bem assim, apesar de ser essa a ideia que passa" e relativizou o hipotético problema.
"Nas Forças Armadas há mais riscos. Mas um acidente pode acontecer em qualquer profissão e, se calhar (as Forças Armadas) estão melhor preparadas para enfrentar a situação", disse. "Continua assim, chegas a capitão"
Publicado por Carlos 16:27:00 0 comentários Links para este post
Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois
Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada,
E que para de onde veio volta depois
Quase à noitinha pela mesma estrada.
Eu não tinha que ter esperanças - tinha só que ter rodas...
A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco...
Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco.
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
Publicado por Manuel 04:04:00 0 comentários Links para este post
Em defesa de Souto Moura
A 9 de Outubro escreveu-se aquí que :
Manifestamente o actual Procurador Geral , Souto Moura não é fadado para o prime-time. Não é fotogénico, provavelmente abomina jornalistas, nunca ouviu falar neste Queijo, confunde articulados com comunicados à Imprensa e não domina a lógica do sound-byte, etc .
Mas o que é realmente dramático é ver e ouvir o Homem, que é, sem sombra de dúvida Honesto e Competente, só, e quixotescamente, a (ter de) clamar o óbvio : A independência dos Tibunais, a separação de poderes, que até ao lavar dos cestos ainda há vindima e por aí fora ...

Ainda por cima há alguns "iluminados", para não chamar as coisas pelos nomes, que confundem essa acção meramente pedagógica e do mais elementar bom senso com "reacção de um mau perdedor".
Lamentável.
Ontem no Diário Digital, Luis Delgado, intímo de Santana Lopes e comissário político de Nuno Morais Sarmento na LUSA, logo particularmente insuspeito neste filme todo, vem pedir a demissão de Ferro mas com uma nuance curiosa já que a usa como mero pretexto para pedir a seguir a demissão de Souto Moura.
Souto Moura teria de se demitir segundo Luis Delgado:
Não porque seja ele a dirigir este processo, ou porque é um líder de uma conspiração judicial contra os socialistas, mas pelo simples facto de ser o mais alto responsável da instituição de onde partem as fugas de informação.
Sejam as escutas, sejam partes selectivas dos processos, sejam induções subjectivas de peças e testemunhos das vítimas.
O PGR já não tem condições para reganhar a credibilidade perdida do MP, posta em causa pelos próprios juizes, advogados, e até procuradores.
Já hoje, e na sua crónica diária no DN, Luís Delgado promete voltar à carga, sobre o PGR, de quarta a sexta-feira ...
Não fosse o DIAP ter mais que fazer, seria curioso saber como é que Delgado tem tantas certezas sobre a origem das "fugas de informação sejam as escutas, sejam partes selectivas dos processos, sejam induções subjectivas de peças e testemunhos das vítimas". Afinal o mesmissímo Delgado que pede a demissão de Ferro, só e apenas porque ...
Como político, as transcrições das conversas telefónicas «matam» em definitivo o líder do PS, pela linguagem, pelo tom, e pela postura sobre questões fundamentais. É o «síndrome de Nixon» aplicado ao PS: Nixon poderia ter resistido muito mais na Casa Branca, se as transcrições das suas conversas não fossem reveladas aos americanos: eram de uma «baixeza» inadequada a um presidente, ou, neste caso, ao líder do maior partido da oposição. Ferro tem de sair, e ele sabe disso.
e apesar de ...
Como cidadão, Ferro Rodrigues, e outros, é objecto da mais indigna e obscena campanha dos tempos mais recentes, e através do meio mais inconstitucional e violador das garantias fundamentais, que é a escuta telefónica a pessoas que não são suspeitos ou arguidos de coisa nenhuma.
cai ele próprio na mesma cova em que se enterrou o PS que foi apostar tudo na tese da cabala ... Cabala esta que para Luis Delgado obviamente vem de dentro do MP do qual em última análise Souto Moura é responsável...

Tal como Ferro e o PS antes, tambem Delgado não consegue explicar o porquê e os objectivos últimos da hipotética libertação de "fugas de informação sejam as escutas, sejam partes selectivas dos processos, sejam induções subjectivas de peças e testemunhos das vítimas" por parte do MP.
Mas há uma coisa que o DN de hoje ajuda a explicar, e que é a irritação de Delgado para com o MP. Afinal, e como se pode ler aquí e aquí a Direcção do PS pode não ter tido grande sucesso com Marcelo mas terá sido suficientemente convincente com, nada mais nada menos, Nuno Morais Sarmento, e a tal ponto que este "ter-se-á comprometido a revelar a teoria ao seu «chefe», que o Ministério Público entende ser Durão Barroso.".
Aguardamos pois ansiosamente pelas croniquetas de Delgado das proximas quarta, quinta e sexta já que talvez a luminária nos revele que isto não passa afinal (!) de uma cabala sim, mas contra Nuno Morais Sarmento, quiçá até também Pedro Santana Lopes, e de que Ferro e Pedroso são os aperitivos ...

Voltando a Souto Moura, é verdade que tem punhos de renda a mais, é verdade que é excessivamente simpático, por vezes mesmo excessivamente confiante no próximo, é verdade que é um autêntico desastre a lidar com os média (ai Senhor, cada comunicado da PGR...) mas é, sem sombra de dúvida Honesto e Competente, e é, doa a quem doer, à sua "sombra" que se desenvolve a mais complexa e productiva investigação Judicial de todos os tempos no Portugal Democrático !
Àqueles que pedem a cabeça de Souto Moura uma e uma só pergunta : sabendo o que já se sabe, a investigação teria chegado onde chegou, começado até, com outro Procurador Geral da República que não Souto Moura ?
Ora aí está!...
P.S. Por piedade`não comentamos nem a velada simpatia de Delgado por Nixon, nem os montes de textos que este escreveu a louvar Keneth Starr (isto a propósito da vinda de Clinton a Portugal e do último ponto da prosa de hoje de LD no DN)...
Publicado por Manuel 01:58:00 0 comentários Links para este post
fiat lux...

A 19 de Maio, dois dias antes da prisão de Paulo Pedroso, a PJ intercepta uma conversa entre Ferro Rodrigues (FR) e António Costa (AC), divulgadas ontem à noite pela SIC.
Os dois afirmam que o Presidente da República «já tinha sido informado da situação» e prepararam-se para «a possibilidade de uma intervenção rápida». Neste contexto, segundo o Ministério Público (MP), fala-se em Pedro Santana Lopes. «O dr. Lopes que é bem informado e que poderia ir informar alguém».
E «o gajo da Pedro Álvares Cabral», que o MP diz ser Morais Sarmento, e que já teria sido informado da alegada cabala e assumido o compromisso de não falar com ninguém sobre esta matéria a não ser com o «chefe» dele. O MP apurou ser o primeiro-ministro.
A 20 de Maio, FR e AC discutem a forma como hão-de apurar o teor do encontro entre «o gajo do almoço de hoje» e o Presidente, em que alegadamente se terá discutido «o caso do deputado do PS envolvido na coisa da Casa Pia». Para o MP, o gajo era o PGR.
Noutro telefonema, os dois discutem a possibilidade de conversar com Marcelo Rebelo de Sousa, para que este pressionasse a opinião pública em sentido favorável à defesa do arguido.
A 21 de Maio, meia hora antes da conferência de imprensa de Pedroso, a PJ intercepta uma conversa entre João Pedroso e Vieira da Silva sobre o teor da conferência de imprensa que o arguido ia dar. Para o MP, a conversa revela esforço em demonstrar que não se perceba a intenção de perturbar o processo.
João Pedroso: «A minha dúvida é ficar a ideia de que ele vai perturbar a prova. Porque vai perseguir os caluniadores mas ele não pode dizer outra coisa.»
Vieira da Silva: «Ele não pode deixar de dizer isso. Isso é o aspecto central disto tudo.»
No mesmo dia, às 18.37, FR e Mariano Gago concordam que o Presidente não podia intervir directamente nesta questão, tal como o próprio FR, e concluem que «outros o podem fazer».
FR telefona a Mark Kirkby, seu chefe de gabinete, e pede-lhe para «puxar dos galões» e tornar pública a natureza do despacho do juiz Rui Teixeira, revelando-o ao seu «chefe» que o MP apurou numa outra conversa ser Marcelo Rebelo de Sousa.
Pouco depois, às 18.55, FR diz a AC que «a fileira de que são conhecidos os nomes deveria ser divulgada em off junto de algumas pessoas». O MP diz que FR quando foi ouvido no DIAP explicou que a fileira tinha a ver com «pessoas ligadas a gabinetes ministeriais e a altas instâncias do Estado» que pertenciam a uma organização que levantou urdidura contra o arguido, o PS e ele próprio.
O Ministério Público diz que não se espantou quando ouviu da boca de FR a frase «tou-me cagando para o segredo de justiça» porque já o tinha ouvido dizer também que o processo não pode ser resolvido «num plano tão elevado mas antes à canelada».
Publicado por Manuel 00:20:00 0 comentários Links para este post
aguarda-se ...
domingo, outubro 19, 2003
a reacção de João Pedroso às deduções de Marcelo Rebelo de Sousa esta noite.

Ainda sobre esta matéria espera-se que o Conselho Superior de Magistratura abra imediatamente uma investigação aberta e transparente a todas as actividades de João Pedroso no mesmo ...
P.S. Marcelo já se explicou na medida do possível... faltam o "amnésico" Dr. Lopes, Nuno Morais Sarmento, o Dr. Júdice - o qual pode aproveitar a ocasião para explicar se é normal um advogado a tempo inteiro no Conselho Superior de Magistratura poder defender um arguido, antes, durante e depois de este o ser - e claro Jorge Sampaio ...
Publicado por Manuel 23:07:00 0 comentários Links para este post