"As medalhas Portuguesas"



Vê-se o resumo diário da prestação portuguesa nos Jogos Olímpicos. Sicraninho da Vela já perdeu qualquer hipótese de se qualificar nos 10 primeiros. «Se ficarmos entre os 20, já é uma grande vitória». Fulaninha do Martelo: «Não consegui qualificar-me, mas dei tudo o que tinha. A mais não sou obrigada». Uma corredora: «Fiquei em vigésimo, mas já é como se tivesse a medalha». Os gajos do Vólei: «Daqui a 4 anos é que vai ser». Um tipo qualquer, de um desporto que não percebi: «Estou a apontar para o décimo sexto. Já era fantástico». E da natação, um treinador: «A ver se ficamos nos cinquenta primeiros».

Esta ambição comove-me, este espírito comove-me. Ainda bem que temos o governo que temos. Que acredita em Santos e Padroeiras. Ainda bem que rezamos. Que temos o 10 de Junho. Que distribuimos comendas a portugueses. Ainda bem que somos assim. Ainda bem que temos um preto. Um grande preto.

Robespierre in Maus Figados

Publicado por Visconti 17:56:00  

17 Comments:

  1. Luís Bonifácio said...
    A nossa prestação é sempre fraquita, mas pelo menos nestes jogos não aconteceu (Até agora) situações dos anteriores jogos, como por exemplo:

    As detentoras das melhores marcas do ano numa corrida de meio-fundo desistirem à segunda volta, alegando o velho complexo de mamede - As outras eram muito mais fortes que nós.

    Pelo menos este ano ninguém disse para as câmaras que "já atingi os mínimos, os resultados que obterei nos Jogos não são importantes" - Tradução "Obrigado lorpas por estes 15 dias de férias pagas na Australia"

    Pelo menos este ano não tivemos um Primeiro-Ministro que disse "Boa viagem a todos e não se esqueçam que o que é importante é PARTICIPAR"

    INFELIZMENTE, este ano uns vermes mancharam a camisola das quinas, perdendo vergonhosamente com selecções de 5ª categoria, demonstrando em Atenas, não ter nível técnico nem para jogar numa equipa da promoção à distrital e passadas menos de 24 horas, jogar irrepreensívelmente pela sua equipa
    Nilson Barcelli said...
    Esse preto nigeriano é mais português do que muitos que para aí andam.
    Quanto ao resto, devemos pensar que somos um pequeno país, sem grandes apoios ao desporto e, por isso, não há milagres. As medalhitas ganhas são um mero acaso de alguns atletas que são a excepção à regra. O contrário (muitas medalhas) é que seria de estranhar.
    Abraço.
    Mario Rodrigues said...
    O autor deste infeliz texto pode saber dizer umas más piadas de caserna, mas revela uma profunda ignorância sobre o que seja o desporto e uma competição internacional.

    Vou explicar devagarinho, para ver se percebe. Há duzentos países neste Mundo e 6 biliões de viventes. Nós somos apenas 10 milhões...

    Há países que têm milhões de praticantes em certas modalidades, enquanto nós temos umas centenas, uns milhares e raramente umas dezenas de milhar de praticantes.

    A possibilidade de um português ficar nos 100 primeiros lugares em qualquer modalidade é reduzida. A possibilidade de ficar nos 10 primeiros é quase nula.

    Ir a uma semi-final é já bom. Estar presente numa final já é brilhante. Isto significa "apenas" que em 6 biliões de seres, um português está nos oito primeiros. Mesmo que fique em último é uma proeza notável. É o oitavo melhor do Mundo em 6 biliões de seres.

    Em qualquer competição mundial, colocar um português nos 10 ou 20 primeiros já é muito difícil e brilhante.

    Quem não entende uma coisa tão simples como esta ou está equivocado ou tem um grave problema neuronal.

    Quem critica alguém por realisticamente saber que apenas consegue ficar nos 20 ou nos 10 melhores do mundo em 6 biliões de pessoas, vá lá e faça melhor!

    Lamento que o melhor blogue que conheço tenha transcrito esse pedaço de lixo, essa demonstração de indigência intelectual.
    Santa Cita said...
    Podem sempre pegar nas sapatilhas e fazer melhor.
    Anónimo said...
    Essa do planeta ter 6 biliões e nós sermos só 10 milhões é muito engraçada. Então não havia o FC Porto, a Selecção Nacional (que apesar de tudo é das melhores do mundo - e somos só dez milhões, coitadinhos, que pobrezinhos), e não havia grandes atletas como a Rosa Mota e o Carlos Lopes - e nem sequer havia um prémio nobel. Essa dos números não cola. Vá a lista de países medalhados e repare que muitos deles têm menos habitantes que Portugal. Há é falta de apoios, e isso nada tem a ver com sermos só 10 milhões. Mentalidadezinha, pa...
    Santa Cita said...
    Convem ler, porque se lermos fica mais fácil.

    O carissimo anónimo vem com uma de "essa de sermos 10 milhões...". Vá lá ler outra vez! Se faz favor.

    Eu espero.

    Percebeu?

    (Claro que não.)
    Mario Rodrigues said...
    Para o Anonymous, que não percebeu

    1.º - É um disparate confundir realismo com falta de ambição. Se há 30 atletas com melhores tempos ou marcas do que um português, aspirar a ficar nos 20 ou 15 primeiros já é ser ambicioso além de muito realista.

    2.º - Ficar nos primeiros 10 ou 20 lugares em qualquer modalidade já é um feito notável face aos milhões de praticantes que exsitem em todo o mundo em cada modalidade.

    3.º - Por mera convenção, só há três medalhados. Mas ficar em 4.º, 6.º, 8.º ou 10.º continua a ser muito meritório. Muitas vezes a diferença entre o 1.º e o 10.º são décimas de segundo ou escassos centímetros.

    4.º - É mais do que evidente que não é apenas o número de habitantes de um país que conta. O segundo país mais populoso do mundo só tem uma medalha. O Brasil, 16 vezes mais populoso que Portugal só tem 5 medalhas, contra 3 portuguesas. Mas na lista dos 11 países mais medalhados, só encontra dois com uma população que ronda o dobro de Portugal, uma deslas do leste europeu e outra a Austrália (é fácil perceber porquê). Todos os outros nove são países muito populosos e geralmente dos mais ricos... Ainda que a população do Mundo fosse só um bilião, ou 500 milhões, ter um português nos dez primeiros já seria notável.

    Isto tudo parece óbvio, mas para alguns não é.

    Temos de ter a noção da nossa pequenez sem nos apoucarmos e nos autoflagelarmos.

    Infelizmente, já acabou o tempo em que tínhamos o maior Império do Mundo. Já lá vai muito tempo.

    Se queremos melhor, há que fazer por isso. Falar é fácil. Criticar quem faz, ainda é mais fácil.

    Ridicularizar compatriotas que passaram a vida a fazer sacrifícios e que ficam em 6.º ou 10.º lugar na maior competição do Mundo é simplesmente um nojo.
    Visconti said...
    Caro Mário Rodrigues

    Não sei o que motiva o meu caro amigo a defender a mediocridade de discurso. Pois é disto que precisamente aqui se trata.
    Ninguém pede a nenhum português que obtenha medalhas, titulos desportivos ou méritos académicos e ciêntificos na competição directa com os melhores do mundo. Só um demente o faria, dado o estímulo nacional, os apoios, a educação, a preparação e, acima de tudo, a típica mentalidade Portuguesa nestas coisas.
    É precisamente a cultura da desculpa esfarrapada que aqui se criticou.
    se tentar ler melhor perceberá isto e acederá a pérolas de teor irónico do mais fino recorte.
    Caso contrário, continua do lado do cinisco rupestre de atletas a quem não se pedia nada mas apesar disto vêm para a televisão desculpar-se no vento, no estado do gatilho, etc, etc, dizendo ainda com arrogância que desfaz as suas teses que vinham para medalhas e se sentiam com fezadas para muito mais, não fora o azar.
    Pudemos ainda ouvir um jovem corredor criticar a federação acerca das suas sapatilhas rotas depois de ingloriamente ser eliminado e uma velejadora Joana Qualquer Merda, depois de ficar em 30ª qualquer coisa na primeira eliminatória chantagear a federação acerca da sua próxima participação só acontecer se vier a ter apoios decentes...
    O preto ao menos ganha e cala-se, recusa-se à fantuchada das palavras e das desculpas. Corre e ganha. Mainada!
    Somos 10 milhões, e depois? como aqui alguém disse, quantos são os ucranianos, os gregos, etc, etc?
    velhos do restelo...
    Anónimo said...
    Quem já praticou um desporto federado neste país, com excepção do futebol, pode entender a verdadeira realidade do desporto em Portugal.
    Fui atleta, no início dos anos 90, num clube de bairro de Lisboa. Esse clube tinha três modalidades: futebol, andebol e atletismo. Quando a equipa técnica do atletismo, farta de ser o parente pobre do clube (à falta de instalações adequadas, treinava-se num quartel militar pois só aí é que havia uma pista de atletismo) quis acabar com a modalidade no clube, a Direcção entrou em pânico pois uma lei (que não sei se ainda existe) impedia um clube de ter um bingo se não tivesse, pelo menos, duas modalidades amadoras...
    Nesse clube, quando o relvado foi inaugurado, só lá podiam pôr o pé os futebolistas. Os restantes atletas do clube não tinham direito à benesse (quem já fez atletismo sabe que um dos melhores treinos de descontração é correr num relavado). Outro exemplo era o uso do novíssimo autocarro, inicialmente, de uso exclusivo dos futebolistas.
    Só com a ameaça de saída é que a Direcção passou a prestar mais atenção às modalidades amadoras. Mesmo assim, em três anos no clube, só corri duas vezes naquele relvado e só uma vez, os melhores atletas da equipa de atletismo, é que tiveram massagens por parte do massagista.
    Mas a falta de apoio não existe só em clubes pequenos. Na altura, vi atletas do Benfica a correrem no Estádio Nacional, em provas oficiais da AAL, com equipamentos rotos.
    No meu último ano fui atleta do Sporting. Era considerado uma promessa do atletismo português, até ter uma lesão grave na coxa esquerda. Andei oito meses de tratamento em tratamento pois o departamento médico considerou que uma ecografia à minha perna era demasiado cara (palavras dirigidas a mim pelo próprio médico).
    Psicologicamente arrasado por uma lesão que se arrastava à quase um ano e com as provas de acesso à Universidade à porta, desisti do Atletismo pois achava que me estava a fazer mal à saúde mental.
    Hoje, estou licenciado há mais de cinco anos e tenho um emprego que permite-me viver sem dificuldades. Mas ao ver os jogos olímpicos interrogo-me, se tivesse tido mais apoios (infra-estruturas, apoio médico e apoio moral dos dirigentes desportivos, não dinheiro como muita gente pensa quando se fala em apoios) se calhar podia ter chegado bem mais longe...
    O Obikwelu teve sorte pois este país pagou-lhe uma operação ao joelho que a Nigéria não quis pagar, o mesmo país que há dez anos atrás não foi capaz de me pagar uma ecografia...
    Temo que, mesmo assim, a situação de há dez anos atrás ainda seja a realidade de hoje em dia!

    Neptuno
    Mario Rodrigues said...
    Caro Visconti

    Percebemos agora que afinal não leu o "post" que transcreveu para a GLQL.
    Do que nele se fala é na suposta falta de ambição dos nossos atletas quando as suas (deles) expectativas eram puramente realistas face às suas possibilidades, comparativamente com a concorrência.

    Tudo o que diz no seu comentário nem com a mais criativa interpretação extensiva encontra qualquer apoio no elemento literal do "post".

    Se está contra o discurso miserabilista, também eu. Tanto contra os que nos diminuem como povo, como contra quem não reconhece o grande valor de um 5.º lugar, como o do Obikwelu ontem.

    Não há que admirar que Portugal não tenha um projecto de desenvolvimento desportivo. Portugal não tem projecto nenhum, nem sequer para si como Estado e como Nação, a não ser talvez o projecto do suicídio colectivo que me parece estar bem planeado e com avanços muitos significativos...

    E é por esse Projecto Nacional que eu, na minha pequenez, como mero cidadão entre 10 milhões, venho lutando, sem grande sucesso ao que se vê...
    Anónimo said...
    Caro Visconti

    "O preto" tem nome, chama-se Francis Obikwelu. Acontece que ele já fez mais por este país do que o "Robespierre dos Blogues" e o "Visconti da Grande Loja", com os seus estéreis exercícios de escrita, cobertos por pseudónimos.
    Não, eu não assino Antonioni.

    Carlos Romão
    Anónimo said...
    Tudo a debater por causa do meu post. Não é que esteja a haver grande qualidade (de racioncínio ou de entalhe), mas se isto não é contribuir positivamente, eu vou ali e já venho. E tem toda a razão o Mário, com essa do suicídio colectivo. Por isso é que convém sacudir isto. Nem que seja com ácido.

    Robespierre
    Visconti said...
    Meus caríssimos amigos

    tanta arruaça por dois vintens...
    será que não têm nada que fazer na vida em vez de comentar uns posts irrelevantes q praqui ponho.
    obviamente foi fruto de un zapping nos blogs e o facto de pensar igualmente com ironia aquilo que o rebespierre no seu blog disse.
    O blog do qual copiei o post chama-se, para os mais distraídos, MAUS FIGADOS, e não são precisos mais q 2 segundos p perceber que se baseiam na bílis para ir dizendo umas verdades.
    Este blog para mim serve para testar a escrita e fazer alguns comentários, mesmo q citando ou manipulando outros, acerca da realidade do dia-a-dia.
    nada de muito importante.
    É que, ao contrário do q parece com algums tenho de facto mais q fazer.
    GET A LIFE, MEN, isto não passa de um blog. CHILL OUT pessoal, provavel falta de sexo.
    só me faltava ter q aturar comentários acerca de se li bem, se li mal. Caro Mário, fuck off e se lhe serve de consolo sou-lhe toda a razão que quiser. porra.
    Visconti said...
    Já agora Ó CARLOS ROMÃO, só um idiota absurdo é que acharia que ao chamar preto ao Francis Obiqwelu estaria a menosprezá-lo. vá ler o fim do post que cito, o tal do robespierre. É apelidado de grande preto.
    quanto ao resto do seu comentário só posso concordar apesar de o achar um pouco Palhaço Rabicho. Vá lá, se calhar tem empenho na coisa rabichal.
    será q não têm mais q fazer na vida que vir comentar blogs?
    tristes palhaços...
    zazie said...
    looooooooooooooooollll Visconti que até me engasguei ":O))))

    c'um caraças que se fosse homem era assim que os tratava ":O)))
    ahahahahaha
    melhor, era com punhos de renda e muitas finuras e depois com umas boas bojardas como estas ehehehe
    gostei, rapaz, dá cá mais cinco ":O)))
    zazie said...
    palhaço rabicho loooooooooooooolll
    ai se o Luchino soubesse ehehehe
    ":O)))))
    Visconti said...
    poi é cara zazie,

    passei-me um pouco dos carrets, é o que nos obrigam os indigentes da bloga...
    claro que autoridade e voz grossa é o que de facto faz falta ouvir às gentes deste país. Autoridade, voz grossa e um pouco de auto-paródia, isto é.
    A falta de humor é o pior dos defeitos humanos.
    Claro que o canibanismo e a violência conjugal também me fazem compor esgares faciais, mas nada que se compare, obviamente, à violência horrífica da falta de riso no humano. já dizia Bergson...

Post a Comment